Por Alex Fonseca – do Blog da Folha
Segurança pública tem sido a principal área de preocupação dos brasileiros. De acordo com pesquisa divulgada este mês pelo instituto Ipsos, 45% dos brasileiros consideram o crime e a violência os maiores problemas do país, superando a corrupção (36%) e a saúde (34%). Em dezembro, o Instituto Datafolha já havia apontado que a violência mudou a rotina de 72% da população, colocando a segurança pública no topo das preocupações.
Em Pernambuco, a tendência nacional deve ser seguida e a pauta pode gerar fortes debates nas eleições deste ano. A centralidade da matéria é corroborada, ainda, por um relatório apresentado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), de junho do ano passado, que aponta que 97% dos municípios têm problemas de gestão na área.
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A governadora Raquel Lyra (PSD) tem apostado fortemente no discurso contra a criminalidade. Promete nomear até o final deste ano 7 mil novos profissionais. Nas agendas, a chefe do Executivo estadual também tem enfatizado as ações do governo na área, citando os números apresentados e entregando novas viaturas e armamentos às polícias. Já o prefeito do Recife, João Campos (PSB), por outro lado, tem apostado no processo de armar a guarda municipal da cidade, uma das suas promessas de campanha para a reeleição. Pela proposta, os guardas receberão os equipamentos até o fim do primeiro semestre deste ano e terão câmeras corporais nos uniformes.
O professor Marco Tulio Delgobbo Freitas, doutor pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército, avalia que a pauta da segurança pública deverá estar no centro do debate eleitoral nacional e, da mesma forma, em Pernambuco. Para ele, a preocupação com o tema está cada vez mais presente no dia a dia da população. “Esse cenário tende a intensificar sua exploração no embate entre governo e oposição”, explicou.
A cientista política Priscila Lapa pontua que a ênfase na segurança pública é um componente natural das disputas estaduais, dado que é uma atribuição constitucional deste ente. Ela relembra que a popularização dos chamados “laranjinhas” (como ficaram conhecidos os novos policiais da Polícia Militar) é também um indicativo de que a segurança pública será um tema bastante explorado.
“A gente observa claramente que, nas últimas eleições em Pernambuco, esse tema também esteve em pauta com talvez um pouco menos de ênfase do que na era Eduardo Campos. Ali foi o ápice do processo de discussão da segurança pública com o Pacto pela Vida. A tendência é que esse tema venha com muita força nas eleições deste ano”, afirma.
Marco Tulio analisa que os dois prováveis candidatos ao governo de Pernambuco, João Campos e Raquel Lyra, devem focar na segurança pública como plataforma de campanha, embora de formas diferentes.
Sinais
O professor pondera que a questão da segurança vai além da análise dos números da segurança pública e passa também sobre a percepção da população sobre o tema na sua rotina. “A percepção de segurança vai além de uma ideia de que basta ter presença policial extensiva, para aumentá-la. Geralmente, isso é resultado da amostra do convívio social do indivíduo. Portanto, a governadora deverá apresentar uma estratégia que, além de melhorar os números da violência, visem, principalmente, aumentar essa sensação de segurança”, analisa.
Outro desafio para a governadora, de acordo com Priscila Lapa, é o enfrentamento dos feminicídios. “O fato dela ser mulher também lhe dá um lugar de fala e dá uma representatividade para falar sobre isso de forma mais sensível.”
Apesar de apostar que o prefeito do Recife deverá apresentar alternativas e fazer críticas à condução do governo na área, Marco Tulio aponta que o provável candidato não deve adotar um tom punitivista. “O discurso de Campos, como candidato de oposição ao governo estadual, deverá combinar crítica à eficácia das políticas atuais com a apresentação de uma agenda alternativa, evitando um tom exclusivamente punitivo”, diz.
A medida da prefeitura de armar a guarda municipal também poderá gerar uma vitrine eleitoral para o possível candidato. Para Priscila Lapa, isso contribuirá para a imagem que João Campos busca transmitir, de gestão moderna. “É antenado com aquilo que a população lhe cobrou em 2024”, enfatiza.
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