Priscila na corda bamba
A demora da governadora Raquel Lyra (PSD) em definir a sua chapa da reeleição já começa a provocar movimentações e especulações nos bastidores políticos. Apesar do discurso público de cautela e equilíbrio político, aliados da gestora admitem reservadamente que existe uma forte desconfiança em relação à permanência de Priscila Krause na vice.
Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que Raquel tem acumulado incômodos com a postura política de Priscila, especialmente pela avaliação de que ela tenta constantemente dividir protagonismo dentro da gestão estadual, buscando espaço próprio em agendas, anúncios e articulações políticas.
Leia maisA relação também teria sofrido desgaste após episódios envolvendo o marido da vice-governadora, Jorge Branco Neto, sócio da Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. O hospital foi alvo de forte repercussão política após denúncias e questionamentos sobre repasses milionários feitos pelo Governo à unidade de saúde.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque parte dos pagamentos ocorreu justamente em períodos em que Priscila assumiu interinamente o comando do Estado durante viagens e afastamentos da governadora. Reportagens e denúncias apontaram que, em março de 2025, durante um período de recesso da governadora, o hospital ligado ao marido da vice recebeu uma sequência de repasses milionários do Fundo Estadual de Saúde.
O episódio provocou desgaste político dentro e fora do governo, alimentando comentários de aliados de que Raquel passou a enxergar a vice como um foco permanente de desgaste para a gestão. Nos bastidores, a leitura é de que o caso de Garanhuns abalou a confiança política entre as duas.
Mesmo sem qualquer declaração pública sobre rompimento ou afastamento político, a falta de sinalizações de Raquel sobre a manutenção de Priscila na chapa tem sido interpretada por aliados como um indicativo de enfraquecimento da vice dentro do projeto de reeleição.
INSTABILIDADE – A avaliação de integrantes da base governista é que Raquel tenta evitar desgaste antecipado enquanto mantém diferentes grupos políticos próximos do governo. Ao mesmo tempo, o silêncio da governadora alimenta ainda mais os rumores de que a permanência de Priscila Krause na composição majoritária está longe de ser garantida. Nos bastidores, a leitura já é clara: a vice-governadora entrou em uma zona de instabilidade política dentro do próprio governo.

Aliança selada – A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, oficializou ontem o apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) em ato realizado na sede do Progressistas, no Recife. O movimento consolidou a reaproximação entre o Palácio e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), após meses de tensão envolvendo cargos no governo. “Estamos aqui hoje para selar o apoio a este que já é o maior time político do Estado”, afirmou Eduardo. O evento reuniu prefeitos, deputados estaduais e federais, além de lideranças de várias regiões.
Dudu de olho na vaga – Eduardo da Fonte aproveitou o ato de apoio a Raquel para reforçar publicamente sua pré-candidatura ao Senado. Presidente da federação União Progressista em Pernambuco, o parlamentar afirmou que está “preparado para o Senado” e sinalizou que seguirá trabalhando pela vaga na chapa governista. A movimentação amplia a pressão sobre a montagem majoritária da governadora, que ainda tenta acomodar interesses de aliados como Miguel Coelho (União Brasil), Fernando Dueire (PSD) e Túlio Gadelha (PSD). Nos bastidores, o gesto foi interpretado como recado direto de que o PP pretende transformar o apoio político em espaço efetivo na chapa.
Trégua no bloco? – O ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho tentou esfriar, ontem, a disputa interna por uma vaga ao Senado na chapa de Raquel. Durante o ato do PP no Recife, Miguel afirmou que “não vai ter briga” com o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e declarou que o União Progressista apoiará qualquer nome escolhido pela governadora.

João se explica – O pré-candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou que o apoio da prefeita de Escada, Mary Gouveia (PL), não representa aproximação dele com o bolsonarismo. Em entrevista à Rádio Polo, João disse que a filiação da aliada ao PL ocorreu por “conjuntura local” e não por alinhamento nacional ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O socialista reforçou que seu palanque seguirá vinculado à reeleição de Lula (PT).
CURTAS
Moraes relata ação da dosimetria – O ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi sorteado relator das ações que tentam derrubar a chamada Lei da Dosimetria, aprovada pelo Congresso após a derrubada do veto do presidente Lula. A norma reduz penas e flexibiliza regras de progressão de regime, podendo beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro, entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes deu cinco dias para Congresso e Presidência se manifestarem.
Anistia para subir a rampa – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pretende aprovar uma “anistia ampla, geral e irrestrita” para permitir que Jair Bolsonaro (PL) suba a rampa do Planalto ao seu lado em caso de vitória presidencial em 2026. A declaração foi dada durante entrevista à CNN, em meio à ofensiva bolsonarista pela revisão das condenações ligadas ao 8 de janeiro.
Pai ministro e vice mulher – Flávio afirmou ainda ter preferência por uma mulher na vice de sua chapa presidencial e disse que Bolsonaro poderá ocupar um cargo em um eventual governo seu. Ao reforçar a presença do pai na pré-campanha, o senador declarou que o ex-presidente seguirá sendo sua “bússola” e “norte”, mesmo inelegível. Durante a entrevista, Flávio também evitou romper politicamente com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da operação da PF no caso Banco Master.
Perguntar não ofende: Quem vai sobrar na montagem da chapa de Raquel?
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