Prédios-caixão têm solução

Por Erik Simões para o Diario de Pernambuco*

Como bom pernambucano, sensível aos problemas sociais e estando coordenador do Núcleo de Conciliação do Tribunal de Justiça do nosso Estado, iniciei em abril do ano passado, após as tragédias ocorridas no Edifício Leme e no Conjunto Beira-Mar, em parceria com a Desa. Joana Carolina, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, uma série de reuniões formais e informais para conversarmos e encontrarmos soluções para os gravíssimos problemas criados com a construção dos prédios-caixão.

Participaram das reuniões a Advocacia-Geral da União, o Estado de Pernambuco, os municípios de Olinda, Paulista, Recife e Jaboatão dos Guararapes, os Núcleos de Conciliação, o Núcleo 4.0, os Ministérios Públicos Estadual e Federal, a Caixa Econômica Federal, o Conselho Curador do Fundo de Compensação de Variações Salarias – FCVS, a Secretaria do Patrimônio da União, o Instituto de Tecnologia de Pernambuco, a Sulamérica Seguros, atual Traditio, a Caixa Seguradora, o Tribunal de Contas do Estado, Escritórios de Advocacia, dentre outros.

Como as tratativas não evoluíam, o TJPE e o TRF-5 apresentaram proposta de Mediação Institucional, abrindo-se prazo para apresentação de emendas. Após o acolhimento de algumas sugestões, o texto final foi apresentado, mas não foi aceito, pois persistia a transferência de responsabilidades entre alguns dos entes responsáveis ou envolvidos. A última reunião formal ocorreu no dia 20 de dezembro de 2023.

Publiquei neste renomado jornal, em 04 de janeiro do corrente ano, artigo intitulado Prédios-Caixão: Problemas Sem Solução?, concluindo-o da seguinte forma: ¨Dessarte, oremos para que a solução chegue antes da próxima tragédia, que se aproxima com a chegada do inverno; que nossos governantes, parlamentares e, em especial, a Caixa e o Conselho Curador do FCVS, tenham vontade política e a sensibilidade para resolverem em definitivo e com brevidade esta calamidade que se arrasta por décadas e, por fim, para que todos os prédios-caixão sejam recuperados ou deixem de existir, pois até o momento eles sepultam a esperança, a dignidade, os sonhos e as vidas da nossa população.

Em audiência com a Governadora do Estado, Raquel Lyra, a mesma destacou que o Estado de Pernambuco não tem responsabilidade direta sobre o problema, mas, como Governadora, tinha todo interesse em participar da solução. Da mesma forma, destaco a atuação do Senador Humberto Costa, presidente da Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal, que teve participação decisiva na construção do acordo, assim como os Secretários Estaduais, os Ministros de Estado, a Presidência da República, além dos nominados Entes públicos e privados.

Em 11 de junho deste ano, foi celebrado o Acordo-Base entre a União, a Caixa Econômica Federal, o Estado de Pernambuco, a Confederação Nacional das Seguradoras e os Ministérios Públicos Estadual e Federal, contando com a nossa ciência e da citada desembargadora, estabelecendo-se parâmetros para adoção de medidas administrativas e sociais que irão beneficiar as pessoas atingidas, com a demolição de 133 prédios, neste ano, que se encontram interditados judicialmente e com elevado risco de desabamento, além da demolição de outras 298 edificações com menor risco, no próximo ano. Os pontos mais importantes foram a elevação do valor das indenizações, que subiu de pouco mais de trinta mil reais, para cento e vinte mil reais; as doações de alguns milhões de reais das citadas Seguradoras para custear as demolições, além da possibilidade de inclusão das pessoas em programas sociais e a utilização dos terrenos onde os imóveis eram localizados, que serão doados ao Estado de Pernambuco, para construção de novos empreendimentos habitacionais ou outra destinação social.

Enche-nos de alegria saber que nossa proposta de Mediação serviu como lastro para elaboração dos termos do Acordo-Base, como registrado no seu próprio texto; que conseguimos juntar todos os envolvidos para dialogar em uma mesa de negociação, jogando luz sobre o seriíssimo problema, que teve ampla cobertura da imprensa. Ressalto que o primeiro edifício selecionado foi demolido recentemente, com todas as pessoas atingidas aceitando as condições do acordo e sendo indenizadas de forma justa e imediata. Desta forma, encerra-se para eles o sofrimento de quem nutriu o sonho da casa própria, mas teve de conviver por décadas com o pesadelo causado pelos prédios-caixão, podendo cada um, com suas respectivas famílias, recomeçar suas vidas.

Resta-nos a esperança de que todos os imóveis com elevado risco de desabamento sejam demolidos antes que ocorram novas tragédias; que quase todos os mutuários, ex-mutuários, ocupantes legitimados, promitentes adquirentes e/ou gaveteiros aceitem as propostas apresentadas e encerrem suas demandas judiciais de forma amigável e imediata, na certeza de que a continuação das ações pode se estender por anos ou décadas, além de não se prever qual o resultado final da demanda, com seu inevitável desgaste emocional.

Por fim, resta-nos parabenizar todos os envolvidos, ficando a lição de que uma sentença ou acórdão podem pôr fim ao processo, mas que a conciliação ou mediação normalmente encerram o litígio, o desentendimento. Ademais, quando as partes têm interesse em solucionar seus problemas de forma autocompositiva basta sentarem à mesa, assumindo suas parcelas de responsabilidade, superando possíveis divergências políticas, com bom senso, sentimento elevado, despidos de vaidades e com interesse em resolver a questão, que o desentendimento quase sempre desaparece, com a construção da solução elaborada pelas próprias partes, pondo fim ao conflito, pacificando a sociedade, que é o maior objetivo dos que fazem a Justiça pernambucana.

Desembargador do TJPE, coordenador geral do Núcleo de Conciliação*

O nome da Professora Alcineide para disputar a Prefeitura de Ingazeira, no Sertão pernambucano, será confirmado durante convenção do PSDB, que será realizado no próximo sábado (27). Júnior de Argemiro também será confirmado como candidato a vice na chapa liderada por Alcineide.

A convenção será realizada no Sítio Macambira, com previsão de iniciar às 10h.

Pernambuco Meu País chega, hoje, a Bezerros. Conhecida como Terra dos Papangus, a cidade é rica culturalmente não apenas pelo carnaval, que tem na figura de Lula Vassoureiro outra legítima expressão das melhores tradições carnavalescas pernambucanas, mas também pelo grande J. Borges, cordelista e gravurista de talento reconhecido internacionalmente.

Tudo isso seria motivo mais do que suficiente para incluir Bezerros na rota do festival criado pelo Governo do Estado. Mas não é bem assim. A população que dá vida à folia no município, que vive o dia a dia na cidade e na zona rural vai ficar longe das atrações do Pernambuco Meu País, que preferiu montar seu palco em Serra Negra.

A serra atrai turistas e as pessoas que têm casa por lá devido ao friozinho gostoso e áreas verdes ainda existentes. É reduto de uma elite social e econômica com renda suficiente para pagar ingressos de shows de artistas como os que estão participando do festival da governadora, que a oposição batizou de Festival Racreche, criado apenas para concorrer com o tradicional FIG, o Festival de Inverno de Garanhuns.

É verdade que Preta Gil sumiu da lista das atrações de hoje, mas não faltou dinheiro para substituí-la apressadamente por The Fevers. 
Quando apresentou o Pernambuco Meu País, Racreche discursou para a mídia e os áulicos de plantão enaltecendo o compromisso de democratizar o acesso da população a shows que são realizados muito mais no Recife e Região Metropolitana do que em outros municípios.

Bezerros, por enquanto, é o melhor exemplo de que o discurso não passa de conversa fiada. Quem vai aproveitar os espetáculos sem gastar com ingressos hoje, sábado e domingo são os privilegiados de sempre. O povão fica na base do município, e, apesar do mau estado da rodovia, a elite sobe a serra.

Curtir artistas que nunca foram e dificilmente irão a Bezerros, lá na base do município, continuará a ser um sonho para a enorme maioria da população.

“Caro Magno,

Lendo a sua coluna de hoje, tratando da criação de um festival criado pela governadora para concorrer com o de Garanhuns, informo que o batismo com a frase ‘Pernambuco Meu País’ não é original.

Trata-se de uma reprodução já existente, de mais de 10 anos, do restaurante Recanto Paraibano, localizado no bairro do Parnamirim, infelizmente não patenteada. Um vexame copiar e não ter imaginação própria.

Mas isso é próprio do desgoverno que Pernambucano vivencia. Quem quiser tirar a dúvida, basta ir ao restaurante para conferir.

Rogério Mota
Recife”.

Por José Adalbertovsky Ribeiro, periodista, escritor e quase poeta*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Na temporada de 1998 aconteceu um festival de sofrência no reino de Pindorama. Venceu a cantiga “Eu não presto, mas eu te amo”, interpretada pelo “Dinossauro Vermelho”. O “Lobo Mau” ficou em segundo lugar. O Dinossauro e o Lobo Mau trabalham com a mesma moeda, a cara e a coroa da polarização. Eles se amam pelo avesso, nos tapetes dos poderes.

Eles combinaram: “Eu falo mal de você e você fala mal de mim. Assim vamos continuar na vitrine sem dar vez a ninguém, até os tempos infindos. Se o Dinossauro ficar gagá feito Biden será substituído por um poste tipo o Radar. Se o Lobo Mau for impedido pela arbitragem, haverá uma marionete. Assim tá combinado, do jeito que o diabo gosta.

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A torcida organizada do Dinossauro é comandada pelos devotos da seita vermelha. O Lobo Mau lidera os rebanhos da seita do gado. Quando as duas torcidas se encontram, o pau canta, barbaramente ou democraticamente. Ao lembrar a Grécia Antiga, os bárbaros juram por Zeus que frequentavam a escolinha do Professor Platão e aprenderam as lições sobre democracia relativa e regulamentação das redes sociais.

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Um parêntese: sexta maior população do mundo, quinta maior extensão territorial do planeta e nona ou oitava economia no ranking internacional, o Brazil, considerado emergente, é polo geopolítico estratégico nos cenários globalizados, noves fora todas as mazelas que infelicitam a nossa Nação. “Gigante pela própria natureza”, este é apenas um refrão ufanista.

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Há décadas e décadas o Brazil vive patinando com um crescimento econômico medíocre e em meio a bate-bocas ideológicos. Nos anos 1980 transcorreu a década perdida da estagnação econômica, sufocada pela inflação, desagregação social, aumento da pobreza e favelização, disseminação do populismo e das demagogias políticas.

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Naquela época os “Tigres Asiáticos” — Cingapura, Coréia do Sul, Hong Kong e Taiwan — davam curso ao grande salto desenvolvimentista iniciado na década de 1960, com crescimento na faixa de 10 % ao ano, na base de políticas econômicas liberais, educação, disciplina, baixos impostos e estado de bem estar social.

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Na mesma região na Ásia e com territórios mais ou menos equivalentes, a Coréia do Sul, democracia capitalista, exibe um PIB de 1,6 trilhão de dólares, e a Coréia do Norte, ditadura comunista, tem um Pibizinho de menos de 100 bilhões de dólares. Os comunistas coreanos fabricam bombas atômicas para ameaçar os capitalistas, mas são incapazes de fabricar geladeiras para os 26 milhões de habitantes. Geladeiras e rock ‘n’ roll são artefatos subversivos.

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Por que o Brazil não decola? Não decola porque não é passarinho nem avião. Os tigres asiáticos decolaram pelo impulso da livre iniciativa, planos de voo de estabilidade institucional, honestidade nas relações de mercado, mão-de-obra competente e bem remunerada.
O Brazil também não decola por conta da corrupção nos ares e em todos os andares, engrenagens dos poderes montadas para favorecer a concentração de renda nas mãos das elites e das castas parasitárias, penalidades para quem produz e sustenta os sanguessugas do poder.

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No ritmo da inércia, este reino de Pindorama vai continuar patinando com voo de galinha e as próximas gerações vão continuar dançando punk, discutindo teologias socialistas e fazendo passeatas de protesto. Comunista-raiz detesta o rock, por ser um ritmo imperialista. Se você gostar de Elvis Presley, será chamado de reacionário da direita. Se adorar a musa Madonna, nem pensar, será um bicho da ultradireita nos caminhos da perdição. Arriba, galera! Até breve!

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Aprendi um ditado de antigamente: “O soldado é superior ao tempo”. Simbolicamente, o soldado não usa guarda-chuva. O bom soldado não tem medo de chuva, nem de trovoada, nem de relâmpago, nem de aguaceiro. Não tem medo de lobisomem, nem de assombração. Não abre nem para o trovão azul.

Lembrei-me deste ditado ao ler declaração do senador Mourão, general quatro estrelas do Rio Grande do Sul, de que meter os peitos para ajudar os flagelados das chuvas seria desvio de função. Ele é um velhinho de 70 anos cansado das guerras que não combateu. Está mais preparado para soprar bola de sabão, jogar bola de gude, cantar cantigas de ninar para os netinhos, contar histórias da Carochinha para os anciãos da terceira idade e jogar gamão.

General é valente por natureza, ou de nascença. Em sendo gaúcho, é tri valente, como se diz nos Pampas. Nasce com a faca nos dentes. Gaúcho de fronteira, Leonel de Moura Brizola era um coração valente. Tinha coragem cívica e patriótica. Viveu 82 anos e nunca alegou fadiga de material nem ferrugem nos ossos para deixar de lutar pelas causas da nacionalidade. O sonho do Briza era ser presidente da República, mas não estava escrito nas estrelas.

Ao exercer o ofício de periodista e por conta da minha idade avançada, às vezes cometo desvio de função e não entendo bem se vivemos numa República ou Monarquia. Aquele bicho barbudo é rei ou presidente? Também não lembro o nome do guru da seita vermelha que nos governa. Se não me engano o sobrenome dele é Silva, de uma tradicional família da freguesia de Caetés. Casou-se pela décima vez com um jovem formosa e continua em lua-de-mel ao redor do mundo desde que assumiu o mandato. A meta dele é dobrar a meta das viagens extraordinárias do escritor Júlio Verne ao redor do mundo.

Sociedades solidárias fazem a diferença. Confiança entre os cidadãos, honestidade, cultura de filantropia, princípios éticos — esses valores somam-se e impulsionam o desenvolvimento das sociedades. A soma das partes é maior que o todo.

A Bíblia revela que o patriarca Abraão viajou para o outro lado do espelho “farto de viver”. Eis o ideal. O ideal é viver para captar o som divino do universo nas canções de Cole Porter, Paul McCartney, Mozart, Billie Holiday, Janis Joplin, Valdir Azevedo, Pixinguinha, Luís Gonzaga, Michael Jackson do Pandeiro, ler as palavras de Machado de Assis e as poesias de Manuel Bandeira, cantar os Salmos de Salomão. Zeus me livre de ser chamado de um velho borocochô.

O papaizinho aqui, com 75 luas na cabeça, ou 57, pois a ordem dos fatores não altera o produto, fico sentado no trono da minha choupana com a boca escancarada cheia de implantes de titânio esperando a namorada chegar para exercer meus ofícios, apesar do aviso do general-senador de que namorar nesta idade é praticar desvio de função. Mas, aquela ingrata farrapou. E agora, José? A culpa é de Mourão.

*Periodista, escritor e quase poeta

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé, dizia o ditado. Bons tempos quando as montanhas visitavam Maomé. Hoje se Pindorama não vai à guerra, a guerra vem a Pindorama. Esta terra de Vera Cruz, a terra da verdadeira cruz, exporta montanhas de ferro, montanhas de soja, de sal-gema, rios de suco de laranja, enxames de bois, florestas de madeiras com e sem leis. Importa containers de cocaína dos Andes, violência das fronteiras, arsenais de armas e munições da Europa e das Américas.

Estas terras brasilis exportam em grande escala know how de corrupção. Preparem seus corações! Em tempos de paz, vírgula, vamos importar guerras nas próximas temporadas. Entre um bombardeio e outro contra os irmãos da Ucrânia, o criminoso de guerra Vladimir Putin resolveu exportar guerra sob a forma de gás natural, petróleo, trigo. O custo de reconstrução da Ucrânia será pago pelo mundo. O PIB dos vermelhos, de 1,86 trilhões de dólares, é menor do que do Brazil, de 2,17 trilhões de dólares.

A Rússia é uma potência atômica. Estas terras auriverdes são uma potência mundial em matéria de roubalheira. O PIB da corrupção é incalculável. Aliás, toda ditadura é corrupta e assassina por natureza. Vide bula Putin e seus magnatas, o terrorista Nicolas Maduro e seus comparsas.

O comissário de coração, unhas e dentes comunistas, o guabiru do mensalão e do Petrolão, foi perdoado de todos os pecados cabeludos, e está com ficha limpa para ser eleito uma das excelências do Congresso Nacional, possivelmente presidente da Câmara dos Deputados. Se derem bobeira, irá implantar o parlamentarismo comunista, pois a caterva vermelha não brinca em serviço.

Bons tempos, a seleção canarinha era campeã do mundo. Pelé matava no peito, amaciava a pelota, driblava um, dois, três, disparava o canhão e o goleiro não via nem o azul. Hoje a seleção não ganha nem para o Íbis. (Com todo respeito pelo time do pássaro preto). Em compensação, no Estado da Baía da Guanabara, o maior guabiru dos esgotos cariocas desde os tempos de Pedrálvares Cabral roubou até o Pão de Açúcar aos pés do Cristo Redentor e hoje desfila em carro de Bombeiro e sirenes ligadas como herói nacional.

O mundo financiará a reconstrução da devastada Faixa de Gaza. A reconstrução do Rio Grande do Sul é nosso dever de casa.

O periodista, blogueiro e escritor Magno Martins é um renascentista. Foi nascido e criado na Galáxia de Gutenberg, em meio aos linotipos de chumbo. Renasceu há 18 anos nas nuvens de silício da Internet, vitorioso como sempre. Ainda hoje flutua entre os dois mundos com suas botas de sete léguas.

O empresário Eduardo de Queiroz Monteiro é um ninja. Junto com a família e seus colaboradores, lidera, impulsiona e engrandece o primordial legado do patriarca Armando Monteiro Filho, um nobre na ampla expressão da palavra. Eduardo tem a nobreza de gestos e ações.

A festa em louvor dos 18 anos do Blog e 26 anos da Folha foi um cântico de louvores a quem bem merece.

PLANETA PALAVRA – “Números são infinitos – Palavras são mais infinitas que números!”. Meu novo livro (o quarto), edição primorosa da CEPE Editora, foi impresso e publicado. São crônicas das épocas pré e pós anistia, diretas-já, crônicas atuais, quase poesias e digressões filosóficas. Falta marcar a data de lançamento.

*Periodista, escritor e quase poeta

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Séculos e séculos, o semiárido do Nordeste brasileiro foi castigado pelo flagelo da seca. Parecia uma maldição eterna como fenômeno climático sazonal. São Pedro, o regente das nuvens, acompanhou durante séculos o sofrimento dos sertões. O xique-xique, o mandacaru, o cacto e os juazeiros resistiam bravamente. A asa branca, as ararinhas-azuis e as onças pintadas clamavam a misericórdia dos céus.

Aconteceu uma evolução biológica revolucionária na fauna e na flora, tipo um Big Bang sertanejo: o cruzamento do xique-xique, o mandacaru, a jaguatirica, as onças pintadas e a asa branca, fez surgiu a espécie do Homo Sapiens Sertanejorium, segundo o cientista criacionista Charles Darwinovsky. O Sapiens Sertanejorium tem a resistência do mandacaru e a valentia das onças pintadas.

“O sertanejo é, antes de tudo, uma flor de mandacaru”, costuma dizer o influencer Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, em suas redes sociais, ao apoiar minha tese criacionista sobre o Sapiens Sertanejorium.

Os criacionistas vermelhos inventaram a fake news de que os Sapiens são descendentes dos sapos barbados e o Homem Sapo é analfabeto de nascença. Eu não creio nesta teoria marxista.

A grande seca de 1877 a 1879 ficou na história como a tragédia que resultou na morte de 600 mil nordestinos, dizimou os rebanhos de gados e outros animais de criação. As pessoas e os animais morriam de fome, seca e inanição. Não havia política pública para amparar os flagelados, eles só dependiam da caridade pública. Os efeitos perversos da seca continuaram ao longo de décadas no século seguinte.

Impactado pelos horrores da seca, o Imperador Dom Pedro I fez a declaração histórica: “Não restará uma única joia na Coroa, mas nenhum nordestino morrerá de fome”. Na real, o Imperador tinha muitos poderes no reinado, mas não tinha o poder de substituir São Pedro no reino do céu. Esta certamente foi a maior catástrofe do Império e da história do Brazil.

Em 1975 a cidade de Recife foi atingida por uma grande cheia provocada pelo transbordamento da barragem de Tapacurá, em São Lourenço da Mata. O governador do Estado era José Francisco de Moura Cavalcante. O general-presidente Ernesto Geisel aprovou a ampliação do sistema de barragens e Recife livrou-se das enchentes.

Uma nova grande seca assolou os Estados nordestinos nos anos 2000 a 2002. A falta de água causou a morte de mais de 100 mil cabeças de gado. Houve crise de desabastecimento de gêneros alimentícios. A redução das chuvas afetou as hidrelétricas, com apagões e racionamento de energia.

A construção de obras de infraestrutura hídricas, barragens, adutoras, irrigação e transposição de bacias do São Francisco e políticas públicas mitigaram o flagelo das secas sazonais. Mas o problema ainda persiste em menor escala. A era dos retirantes, felizmente, ficou no passado.

Obra de arte primorosa e pungente, o quadro Os Retirantes, de Cândido Portinari, projeta os mortos-vivos da seca, crianças esquálidas, família maltrapilha e sem destino, num céu de desolação. Guernica, de Pablo Picaço, expressa o protesto surrealista contra o horror do bombardeio nazista na guerra civil espanhola de 1937.

Brasileiros de todas as regiões hoje pranteiam os mortos, desaparecidos, desabrigados e desvalidos da tragédia no vale das lágrimas do Rio Grande do Sul.

*Periodista, escritor e quase poeta

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O que aconteceu e acontece com o Guaíba no Rio Grande do Sul? O Guaíba é chamado de corpo híbrido, é lago, é rio e é quase mar, está mais para ser um grande lago. Depois de receber as águas do Arroio Dilúvio (ó nome!), despeja as correntes na Laguna dos Patos e se abraça ao Oceano Atlântico. Dizem que o gaúcho é um pernambucano a cavalo. Se fosse nesta Capitania da Nova Lusitânia, os ufanistas diriam que Guaíba se une ao Laguna para formar o Oceano Atlântico, modéstia à parte.

Rios são dádivas da natureza, Todas as terras amam seus rios. Amam e maltratam. Beijam e castigam. Os poetas e não poetas cantam o Capibaribe, o Pajeú, o Danúbio, o Amazonas, o Sena, o Tejo. O Danúbio Azul dança a valsa de Strauss. O Capibaribe dança o frevo de Capiba.  A mão que afaga é a mão que apedreja os rios e a natureza, ensinou o amado poeta Augusto dos Anjos.

Desde os primórdios da colonização nos séculos 16 e 17, o Lago Guaíba avisou aos açorianos de Portugal, alemães, italianos e espanhóis: estas paragens não são adequadas para construir uma cidade. Ô tchê, procurem outros pagos em terras mais altas e distantes do litoral.

Os guris e as gurias gaúchos tri desdenharam das advertências do lago Guaíba. Construíram castelos de areia, palácios de areia, prédios e mansões de areia no entorno do lago e em toda a cidade. O lago é uma criança, espalhou suas águas e os castelos de areia desmoronaram.

A grande enchente de 1941 foi um prenúncio de que outras tragédias hidrográficas poderiam ocorrer.

Naquele ano não havia ou não se falava em aquecimento global. Tampouco haviam explodido as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki em 1945. Os ambientalistas das ONGs também não haviam nascido. E daí? A terra é um planeta vivo e grandioso, e a natureza está em fúria.

Com familiares no Rio Grande do Sul, o professor Dirac Cordeiro, especialista em estatísticas, enfatiza a urgência/emergência de serem aplicadas vacinas antitetânicas, contra a hepatite e prevenção de leptospirose na região do Rio/Lago Guaíba, de modo a evitar epidemias. O ilustre filho do emérito professor Sidrack Cordeiro hoje é meio pernambucano e meio gaúcho, tchê.

A estimativa é de que a reconstrução da malha rodoviária federal custará ao menos 6 bilhões de reais. Isto equivale ao montante do fundo partidário que os candidatos irão usar para se lambuzar nas eleições municipais deste ano. Cada partido transporta uma rodovia no bolso, ou na cueca.

A PEC dos quinquênios, já aprovada na Comissão de Constituição e Injustiça do Senado, com aumento de 5 % nos vencimentos de juízes e promotores a cada cinco anos, terá um impacto de 81 bilhões de denários nos cofres públicos, no correr deste ano até 2026. Suas majestades estão felicíssimas, inclusive as majestades no Rio Grande do Sul. Isto é um escárnio, um soco na cara da população.

O Rio Grande do Sul vive uma tragédia humanitária e falta óleo de peroba no Congresso Nacional.

*Periodista, escritor e quase poeta

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

O texto a seguir, em resumo, faz parte do meu livro Planeta Palavra – Números são infinitos – palavras são mais infinitas que números, edição primorosa da CEPE, a ser publicado nesta temporada. Foi escrito no ano passado, não tem a ver com a temporada musical da Lady Ciccone. Além do talento magistral, ela é produto da megaestrutura do show business numa sociedade próspera e criativa. Vamos nessa, galera!

A diva do pop, Madonna, em parceria com o artista digital Mike Winkelmann, o Beeple (Besouro), produziu uma série de três vídeos pelo sistema chamado NFTs, intitulados Mãe da Natureza, Mãe da Evolução e Mãe da Tecnologia. NFTs, no mundo das criptomoedas, são os chamados Toques Não Fungíveis. São obras de arte digitalizadas e transformadas em moeda com propriedade exclusiva. Circulam milhões de dólares nesse mercado. Os NFTs foram leiloados com renda destinada a entidades filantrópicas.

Os vídeos apresentam alguns poemas de Madonna e do poeta místico persa Jalaladim Rumi, (a “Majestade da Religião”), que viveu no século 13. 

“Eu não quero ser provocante apenas por provocação. Queria investigar o conceito da criação, não só o jeito que uma criança chega ao mundo através da vagina de uma mulher, mas também a maneira com a qual um artista dá à luz criatividade”, comentou a diva.

Vejamos uma síntese de cada vídeo:

1)    MÃE DA NATUREZA – Madonna está nua, deitada numa mesa cirúrgica de tecnologia avançada. O cenário ao redor é uma natureza exuberante. Os trabalhos de parto são conduzidos por um cérebro eletrônico com braços de robô. Por trás dela, na cabaceira da mesa cirúrgica, existe um círculo, a construção perfeita do universo. Ela se move ao sentir as dores do parto. A vagina dela, sob a forma de uma orquídea branca e rósea, dá à luz uma árvore frondosa. O tronco florido da árvore faz brotar rosas, margaridas, hortênsias, orquídeas, musgos, uma linda floricultura.

2)    MÃE DA EVOLUÇÃO – Madonna desta vez dá à luz um enxame de borboletas. Eis a metamorfose da vida em transformação em meio a cenas apocalípticas. Vislumbram-se prenúncios de renascimento e esperança. Borboletas nascem de lagartas. A borboleta fêmea coloca seus ovinhos fertilizados pela borboleta macho numa folha na floresta. Os ovinhos se transformam em larva e a larva constrói a crisálida, com fios de seda, para a reprodução. A crisálida se rompe e as borboletas nascem. Borboletas flutuam no corpo da diva. Elas representam o esplendor da natureza e o milagre da vida. Toca a música Justify my love, de exaltação ao sexo e ao feminismo libertário.

3)    MÃE DA TECNOLOGIA – A diva-mãe faz nascer lagartas robóticas que flutuam em seu corpo em comunhão com a floresta. Representam os esplendores da natureza e as maravilhas da ciência. Lagartas tecnológicas simbolizam a evolução na ciência e na natureza. Dão à luz a beleza de borboletas. A flor de Lótus vermelha significa o amor, a compaixão e a pureza espiritual. A sequência final apresenta poemas do poeta místico Rumi. – Madonna é criativa, ousada e poderosa.

*Periodista, escritor e quase poeta