A injustiça do ministro Alexandre de Moraes

Por Cláudio Soares*

Na tarde de ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, proferiu um voto que ecoa como um triste reflexo das distorções que permeiam nosso sistema judicial. A decisão de condenar Débora Rodrigues dos Santos, uma cabeleireira de Paulínia, a 14 anos de prisão, levanta sérias questões sobre o que consideramos justiça em nosso país.

Débora não é uma criminosa de ter ceifado vidas, nem uma agente de desvio de verbas públicas, como tantos outros que, mesmo após atos corruptos, continuam a caminhar impunes pelos caminhos de Brasília. Seu “crime” foi expressar sua indignação em um momento de fervor político, utilizando um batom para pichar um recado na estátua da Justiça em frente ao STF durante os atos de 8 de janeiro.

As palavras “Perdeu, mané” eram uma referência a uma declaração do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, direcionada a um manifestante bolsonarista. Em um Estado democrático, a liberdade de expressão deve ser um direito inalienável, e ações como a de Débora deveriam ser vistas como uma manifestação de insatisfação, e não como um ato criminoso.

Petrolina - Destino

Por Waldemar Borges*

Tinham uns dois ou três xeleléus da governadora que aplaudiam o afastamento da gestão em relação à classe política, enaltecendo essa conduta em nome de uma nova forma de fazer política no estado. Tratava-se, diziam, de um novo tempo que estaria sendo rechaçado por políticos viciados nos velhos métodos de cooptação. Era assim que enalteciam o descaso de um governo fechado e indisposto para interagir com a sociedade.

Gostaria de saber o que esses porta vozes das Princesas estão dizendo agora, depois que a governadora loteou o governo no mais autêntico estilo do velho toma lá-dá-cá. Será que estão decepcionados com o que juravam ser uma revolução nas práticas políticas em Pernambuco, ou já arrumaram um discurso pra justificar a queda impiedosa dessa “nova política”?

*Deputado estadual

Ipojuca - IPTU 2026

Por Marcelo Tognozzi

Colunista do Poder360

O desastre de Mariana, famoso internacionalmente, despertou a ganância de advogados ingleses que enxergaram a possibilidade de ganhar centenas de milhões de libras esterlinas, abrindo um processo para obrigar a Vale e a BHP, donas da Samarco e responsáveis pela barragem do Fundão, a pagar uma cara indenização, da qual uma gorda fatia seria transformada em honorários.

O Pogust Goodhead, escritório famoso por vencer disputas judiciais contra grandes empresas como a Johnson & Johnson ou a Volkswagen, entendeu que o caso brasileiro seria mais um case de sucesso para seu portfólio. A confiança era tanta que o fundo abutre Gramercy investiu US$ 500 milhões no PG, apostando num retorno bilionário. Em artigos anteriores, mostrei aqui e aqui quem são e como agem os advogados do PG. Eles também têm causas envolvendo desastres ambientais em Brumadinho (MG), Barcarena (PA) e Maceió (AL).

Tudo o que os maganos do PG e do fundo abutre Gramercy não previam era um mico. E foi justamente o que aconteceu quando o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ser fiador de um acordo entre as empresas e as vítimas, o qual determina o pagamento de R$ 170 bilhões, provavelmente o maior valor já pago como reparação por uma tragédia ambiental. O alto índice de adesão ao acordo brasileiro desestabilizou os advogados britânicos. Um deles, Pogust, deixou o escritório e foi curtir a vida.

Caruaru - São João na Roça

Por Eliane Cantanhêde
Do Estadão

Gleisi Hoffmann mostra serviço e Fernando Haddad força a porta para voltar ao palco e à cena principal, depois de derrotas consecutivas e de ver seu prestígio interno balançar e a confiança na opinião pública desabar. De “alternativa natural” ao presidente Lula como candidato da esquerda, acaba de se defrontar com 58% de avaliação negativa na pesquisa Genial Quaest no mercado financeiro.

Por mais que Haddad tente desqualificar o resultado, alegando que a pesquisa nem pode ser chamada de pesquisa, vamos combinar que 106 economistas, gestores e analistas de fundos de investimento de São Paulo e Rio é, sim, uma amostra significativa do mercado.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Por Fabiano Lana
Do Estadão

Tem quase virado um consenso social que representantes do poder Judiciário exacerbam de suas atribuições ao agir como militantes políticos e ouvidores gerais da nação, além de atuarem como juízes. Conta com consentimento crescente a tese de que o tal inquérito das fake news, comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, virou uma espécie de autorização eterna para prática da censura e do arbítrio.

Tornou-se tema legítimo de discussão que as penas para os baderneiros/vândalos/golpistas do 8/1 foram exageradas e até mesmo cruéis. Mas daí dizer que o Brasil caminha a passos largos para uma ditadura ou que já vivemos num regime de exceção é uma ideia falsa, mal-intencionada, e lançada ao ar por gente que não aprecia a democracia e, sim, buscou o golpe de Estado.

Palmares - IPTU 2026

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Estamos na fase da lua crescente. As marés mudaram na geopolítica nacional e internacional. O mundo também é uma aldeia global. As esquerdas estão de ressaca. Dizem que a vida é um fator local, tudo bem. Os celulares e as antenas parabólicas alcançam todas as latitudes e os hemisférios. Global ou tribal, o mundo está em guerra.

Para melhorar as articulações do Governo com o Congresso Nacional, o Véio do Pastoril Encarnado resolveu convocar aquela sinhazinha loira e valentona. É a Sinhazinha Yayá. A missão dela é encarar os bolsonaristas. Ela usa um batom urucum vermelho de guerra. O Bozo disse que uma mulher bonita e valente desempenharia bem essas funções e seria um colírio para os olhos dos marmanjos.

Por Bernardo Mello Franco

Do jornal O Globo

Às vésperas de virar réu, Jair Bolsonaro tenta mostrar que ainda está vivo. O capitão convocou a tropa para um comício fora de época. Quer exibir força para a classe política e para os ministros que vão julgá-lo no Supremo Tribunal Federal.

O ex-presidente está inelegível, mas insiste em repetir que será candidato ao Planalto. A estratégia cumpre dois objetivos: manter sua ascendência no campo da direita e impor condições a quem buscar seu apoio.

Em 2018, Bolsonaro martelava que Fernando Haddad era candidato com a missão de tirar Lula da cadeia. Em 2026, só pedirá votos a quem prometer recompensá-lo com um indulto.

Por Marcelo Tognozzi

Colunista do Poder360

Faltando pouco mais de um ano e meio para a campanha de 2026, um ator político relevante vem marcando posição de forma discreta, porém eficaz. O ministro Flávio Dino foi para o Supremo em 2024, depois de comandar o Ministério da Justiça. Entre os 11 integrantes do STF, ele é de longe o mais bem preparado para o exercício do poder. Tem no DNA aquilo que Maquiavel define como “virtú” (talento para conquistar e manter o poder). Seu apetite é imenso.

Dino começou a carreira na política estudantil da Universidade do Maranhão e participou da campanha de Lula em 1989, coordenando a jovem guarda. Foi filiado ao PT, ao PC do B e ao PSB. Aprovado em 1º lugar no concurso de juiz federal em 1994, ficou na magistratura até ser candidato a deputado federal em 2006, eleito com mais de 120 mil votos. Em 2014, foi eleito governador e reeleito em 2018. Depois, eleito senador em 2022, ministro da Justiça e, agora, ministro do Supremo.

Sabe tudo de poder o doutor Flávio, cuja família está na política há 200 anos. Dono de uma habilidade incomum para seduzir e comandar, foi indicado por Lula como sendo o primeiro comunista a ocupar uma cadeira no Supremo. Um comunista de sangue azul, de uma família tradicional na política maranhense, cujo patriarca Manoel Antônio Monteiro Tapajós, rico proprietário de terras, combateu a revolta da cabanagem ao lado das tropas do então governo imperial comandado pelo regente Diogo Antônio Feijó.

Por Luis Tôrres

Do blog do Luis Tôrres

Jair Bolsonaro empunha a bandeira da anistia para os envolvidos no 8 de janeiro. Um discurso épico que revela que o líder não abandou seu povo, apesar de ser também uma introdução de uma autodefesa, e que vai ser reforçado no ato nacional convocado para amanhã, no Rio de Janeiro. O irônico, no entanto, – para não dizer sarcástico – de tudo isso é que Bolsonaro quer ser o herói da anistia para salvar os aliados da armadilha que ele próprio criou.

Alguém já parou para pensar sobre isso?

Não tivesse ao longo de quatro anos de governo, e mais contundentemente no ano de 2022, instigado a tese de ilegalidade das eleições e, consequentemente, da impossibilidade de aceitar uma eventual derrota nas urnas, não se teria criada um “exército” de inconformados que deixaram suas vidas para mergulhar numa fantasia que os levaram a pagar por ela na dimensão da realidade.

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Brasília é a capital dos telhados de vidro. Todos são príncipes nos palácios com telhados de vidro, como diria meu colega o poeta Fernando Pessoa. Eles desfilam nus com as mãos nos bolsos das cuecas para ocultar seus tesouros. A dinastia dos telhados de vidro foi proclamada pelo Véio do Cordão Encarnado no Lunário número 1.

Aquela senhora que estocava ventos uivantes destelhou até as conchas do Congresso Nacional. Agora ganhou um emprego para destelhar o banco do Brics na China. Como é o nome dela? Esqueci. Desculpe a falha técnica deste velhinho, é por conta da idade avançada, já estou com 95 anos, se não me engano.