Por Mauro Souza*
O investidor global opera sob modelos de fluxo de caixa, nos quais a previsibilidade é a moeda de maior valor. No Brasil, a complexidade regulatória destrói essa previsibilidade de duas maneiras, cada qual de per si: 1) a volatilidade normativa; e 2) o conflito de competências.
No que diz respeito à volatilidade normativa, o papel de destaque fica com a mudança frequente das regras, muitas das vezes com o jogo em curso. Resoluções de diretoria, portarias ministeriais e instruções normativas são constantemente revisadas. Para um investimento em infraestrutura, que se paga em 30 anos, a alteração de uma regra, tarifa ou exigência ambiental pode inviabilizar a taxa de retorno prevista.
O conflito de competências, por sua vez, surpreende o investidor sempre que ele se depara com decisões antagônicas sobre o mesmo ativo. Uma concessão aprovada por uma agência reguladora pode ser paralisada por uma liminar judicial, ou contestada por um órgão de controle, gerando um limbo jurídico.
Leia maisFato é que os acórdãos e notas técnicas gerados pelas agências reguladoras são operacionalmente impossíveis de acompanhar por um comitê de investimento estrangeiro. Nestas horas, o tão desejado e necessário capital internacional prioriza outras paragens.
Uma IA treinada no ecossistema do setor regulatório brasileiro (IAR = Inteligência Artificial para o Setor Regulatório) desata essa complexidade, servindo de aliada na guerra por investimentos internacionais.
Em vez de expor um investimento de longo prazo a uma posição reativa, a adoção de uma IAR viabiliza a análise do histórico de votos, acórdãos e manifestações técnicas das agências reguladoras. Com isso, torna-se factível obter a probabilidade de aprovação de um pleito ou mitigar os custos de penalidades quando de uma fiscalização. O investidor deixa de operar no escuro e passa a calcular os riscos com base em dados estatísticos de comportamento institucional.
A IAR não elimina todos os efeitos da complexidade das leis brasileiras, mas remove a opacidade do sistema. Ao traduzir o emaranhado burocrático em dados limpos, tendências e alertas de risco, a tecnologia reduz drasticamente o “prêmio de risco regulatório”, dando aos investidores globais a confiança necessária para aportar capital de longo prazo no país.
De olho na real possibilidade de combater o cipoal burocrático existente, destravar a entrada de investimentos e potencializar o comércio exterior, a FUNCEX – Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais e a JX IA Regulatória entabularam uma parceria única, destinada a universalizar o uso de IAR no país.
A FUNCEX é uma instituição privada, sem fins lucrativos, criada para promover o comércio exterior brasileiro. A JX é uma empresa brasileira disruptiva, que desenvolveu a mais completa e robusta plataforma de IAR do mercado, destinada a disponibilizar o mapa completo do setor regulatório brasileiro.
A parceria assinada entre a FUNCEX e a JX terá papel decisivo na redução dos riscos de investimentos de longo prazo. Esta aliança ajudará a destravar a entrada de aportes de capital para a infraestrutura pátria, robustecendo a posição do Brasil diante da geopolítica global.
*Engenheiro elétrico com pós-graduação em robótica e mestrado em telecomunicações. Sócio fundador e CEO da Quantum Tecnologia, sócio e CEO da BX Analytics, CEO da JX Tecnologia e IA e diretor da Regional Brasília da FUNCEX (Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais)
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