Por Rinaldo Remígio*
Cheguei a Petrolina em 1978. Desde então, vi esta cidade aprender a caminhar com o próprio passo, às margens do Velho Chico, até compreender que poderia ir além. Acompanhei governos distintos, estilos variados, prioridades que refletiam seus tempos. Todos deixaram marcas. Mas há momentos em que a história acelera – e quando isso acontece, percebe-se não apenas no concreto das obras, mas no ânimo das pessoas. Houve, sim, um tempo em que Petrolina mudou de marcha. E esse tempo tem nome.
Aqui faço um esclarecimento necessário: falo não como político partidário – não sou. Falo como ex-servidor público aposentado e, sobretudo, como cidadão. Um cidadão que chegou a esta terra há quase meio século e que sentiu, na prática, o quanto Petrolina mudou nestes últimos 48 anos, na paisagem urbana, nos serviços, na autoestima coletiva e na forma como a cidade passou a se enxergar.
Leia maisA trajetória de Miguel Coelho não se resume ao exercício do poder. Ela se constrói na interseção entre origem, preparo e coragem de decidir. Herdou uma tradição política respeitada, mas escolheu não governar pelo retrovisor. Preferiu honrar o passado sem se aprisionar a ele, lendo o presente com lucidez e apontando o futuro com método. Governar com metas, planejamento e visão não é retórica: é prática que transforma.
Como munícipe atento, vi o novo ritmo nos detalhes e nos grandes eixos. A cidade ganhou planejamento urbano inteligível, obras que dialogavam com a vida real, serviços públicos tratados com pragmatismo e uma comunicação direta, sem rodeios. Petrolina passou a respirar futuro, a se enxergar como polo e referência. E confiança – convém lembrar – não se improvisa; constrói-se.
Ao deixar a Prefeitura, Miguel não deixou um vazio, mas um legado em movimento. O que ficou foi uma cidade mais organizada, mais confiante e consciente do seu papel regional. Por isso, quando hoje o vemos construir pontes políticas, nada soa estranho: é coerente com quem sempre entendeu que governar é somar forças, alinhar interesses e respeitar diferenças.
É nesse contexto que as conversas entre lideranças políticas nos animam. Animam porque desejamos ver Pernambuco avançar. Sabemos que os desafios são muitos, que ainda muitas águas haverão de correr até o encontro do mar. Ainda assim, persiste um desejo legítimo: que o Sertão se conecte ao mar para o seu próprio bem, que o interior dialogue de igual para igual com o litoral, compartilhando oportunidades, investimentos e futuro comum.
Sua disposição em integrar um projeto mais amplo, dialogando com lideranças como João Campos, revela maturidade política e compreensão do tempo histórico. Política não se faz a golpes de ansiedade, mas com leitura correta do cenário, respeito aos aliados e responsabilidade com o conjunto. Não há atropelos; há construção. Não há imposição; há convergência.
O desejo de disputar o Senado nasce, como ele próprio afirma, da vontade de ressignificar a relação das pessoas com a política. E volto a dizer: falo apenas como cidadão que viu Petrolina antes e depois. Ousando ser otimista, acredito que Miguel leva consigo a experiência de quem sabe planejar, dialogar e entregar resultados. Integrar este time é ampliar horizontes, é transformar o local em projeto estadual, é fazer da boa política um instrumento de reencontro com a esperança coletiva.
Petrolina ensinou Miguel a governar. Miguel ensinou Petrolina a acelerar sem perder o rumo. Quando líderes se dispõem a jogar em equipe, o futuro deixa de ser promessa e passa a ser caminho. Que o próximo capítulo seja escrito com diálogo, coragem e esperança – para todo Pernambuco.
*Professor universitário aposentado, administrador e contador pela FACAPE – Petrolina e mestre em economia pela UCF/Universidade Federal do Ceará
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