Coluna do sabadão

O Desenrola ainda enrolado

Em mais uma cartada eleitoral com vistas à reeleição, o presidente Lula (PT) anunciou a criação do que ele chamou de “Novo Desenrola Brasil” em pronunciamento na véspera do 1º de maio, Dia do Trabalhador. O programa é um novo pacote de medidas para reduzir o endividamento das famílias por meio de renegociações com bancos.

O presidente afirmou que vai lançar na próxima segunda-feira. O que se sabe já de antemão é que deve permitir a troca de dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia por um contrato mais barato.

O último a sair apague a luz

Duas derrotas acachapantes seguidas, um dia após o outro, dão uma sensação de que o governo Lula desmoronou. O último que sair, favor apagar a luz. Em Brasília, onde acompanhei de perto os dois reveses — o primeiro, a rejeição de Jorge Messias para o STF, e o segundo, a derrubada do veto de Lula ao projeto de redução das penas dos envolvidos nos atos golpistas de 2023 —, o presidente e os aliados andam de cabeça baixa.

O Centrão, os partidos de direita e, principalmente, os bolsonaristas, encerraram a sessão do Congresso Nacional de ontem, após a segunda derrota seguida do governo, com um sonoro “Fora Lula”. Nas duas votações, o grande vitorioso atende pelo nome de Davi Alcolumbre, senador do Amapá pelo União Brasil, presidente da Casa Alta.

Jaboatão dos Guararapes - Operação Chuvas

Alcolumbre desmoraliza Lula

A maior derrota de Lula tem um algoz: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP). Nos bastidores, ele articulou voto a voto para desmoralizar o governo, mostrando força e liderança. Nunca na história se viu algo tão avassalador. Nunca um governo errou tanto na articulação e na condução do processo.

A derrota materializada ontem foi anunciada e prevista desde novembro, quando o próprio presidente do Senado liderou uma rebelião contra a indicação de Jorge Messias, porque queria e defendia outro nome bem mais assimilável: o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O governo foi alertado o tempo todo que Messias não passava.

Petrolina - São João 2026

Ministra das Mulheres diz que deputados travam lei contra misoginia: “Machistas e misóginos não vão votar a favor”

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes (PT), defendeu, ontem, no podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco, a aprovação do projeto de lei que transforma a misoginia em crime. Para ela, a medida é essencial para enfrentar agressões, discursos de ódio e perseguições contra mulheres em diferentes espaços da sociedade, inclusive na política.

“A misoginia é crime. Uma pessoa que é violenta, isso é crime. Então, aí nós não podemos aceitar de lado nenhum”, afirmou a ministra. Segundo Márcia, a proposta já foi aprovada no Senado e agora está na Câmara, onde enfrenta resistência de setores conservadores. “Deputados que são machistas e misóginos não vão votar a favor dessa lei, mas eu tenho certeza que a sociedade já está mobilizada”, disse.

Ipojuca - Na palma da sua mão

O ‘Quem quer dinheiro?’ do baú da Compesa

Como era esperado, a governadora Raquel Lyra (PSD) aproveitou o congresso estadual dos prefeitos, ontem, no Recife, para palanque eleitoral. Além de assinar o edital para duplicação da BR-232 no trecho entre os municípios de São Caetano e Belo Jardim, distribuiu dinheiro para quase todos os prefeitos presentes.

Parecia reviver Silvio Santos no seu “Baú da Felicidade”: “Quem quer dinheiro?” Só faltou imitar o refrão do comunicador diante de prefeitos sedentos por recursos. A dinheirama, simbolizada em cheques gigantes exibidos pelos gestores contemplados, sai do baú em que se transformou a Compesa com a sua privatização disfarçada de concessão.

Caruaru - São João que o mundo reconhece

A “realidade paralela” de Raquel

A ideia de uma “realidade paralela” ajuda a explicar o tom adotado pela governadora Raquel Lyra (PSD), que teve o atrevimento de postar em suas redes que o Palácio das Princesas, sede do Governo do Estado, estava sendo aberto, finalmente, ao povo pernambucano pela primeira vez, somente com a sua chegada ao poder.

Isso em parte dá o tom de sua comunicação política. Ao sugerir, ainda que indiretamente, que Pernambuco começa a existir a partir de sua gestão, constrói-se uma narrativa que ignora deliberadamente a trajetória histórica do Estado, como se antes não houvesse avanços em infraestrutura, saúde, educação ou segurança pública.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

Com aval de Lula, PT lança manifesto e convoca “mutirão” em defesa da democracia contra o bolsonarismo

Sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT vai apresentar, no 8º Congresso do partido, neste fim de semana, o manifesto “Construindo o Futuro”, que propõe a formação de um mutirão em defesa da democracia contra o bolsonarismo. O texto também antecipa diretrizes do programa de governo e busca repetir o movimento de 22, ampliando o apoio político além da base tradicional da legenda.

“Faz-se necessário consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional”, diz o manifesto, ao defender a articulação entre setor produtivo, trabalhadores e movimentos sociais.

A menos de seis meses das eleições, o partido retirou da versão final temas considerados sensíveis e priorizou pontos de convergência interna. Ficaram de fora discussões como mudanças no estatuto, guinada à esquerda e propostas mais amplas na economia.

Palmares - Sala lúdica

Raquel cada vez mais à direita

A movimentação política recente em Pernambuco deixa de ser episódica e passa a indicar um padrão mais estruturado. A postagem de ontem neste blog expõe um gesto carregado de simbolismo: às vésperas da agenda do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, aliado direto do presidente Lula (PT), setores vinculados à governadora Raquel Lyra (PSD) aparecem prestando homenagem ao senador Flávio Bolsonaro (PL), uma das principais referências do campo do conservadorismo e do bolsonarismo no País.

Não se trata de um detalhe casual ou sem importância. Em política, gestos constroem narrativas e, sobretudo, revelam alinhamentos. Enquanto a presença de Boulos poderia sugerir uma aproximação institucional com o Governo Federal, o movimento paralelo de valorização do filho do ex-presidente aponta, de forma mais objetiva, para outro campo político.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Redução da jornada tem impacto no PIB

Na pressão para se curvar a um projeto meramente eleitoreiro do Governo Lula, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados retomou, ontem, a discussão e votação da PEC que reduz a jornada de trabalho 6×1. A proposta contraria o empresariado e divide opiniões, porque gera despesas ao setor produtivo e também pode reduzir empregos formais.

Estudos indicam que o fim da escala 6×1 pode derrubar o PIB brasileiro em cerca de 0,82% no médio prazo. Setores como indústria e construção civil preveem impactos bilionários. As estimativas variam, com projeções de quedas mais acentuadas, chegando a 7,4%, dependendo da jornada adotada (36h), gerando temores de aumento de custos, inflação e desemprego.

Estimativas do Banco Inter apontam para uma retração de 0,82% no Produto Interno Bruto. Setores da construção civil, bares, restaurantes e comércio estão entre os mais afetados pela necessidade de novas contratações. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima impacto superior a R$ 70 bilhões no PIB.

Augusto Cury tenta se viabilizar com discurso social e antipolítica

O psiquiatra e escritor Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, tem buscado se apresentar ao eleitorado como uma alternativa fora da política tradicional, combinando discurso de forte apelo social com críticas à experiência dos atuais líderes. Em entrevista ao podcast ‘Direto de Brasília’, meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, ele destacou especialmente sua relação com o Nordeste brasileiro, região que afirma conhecer profundamente e à qual promete dar centralidade em um eventual governo.

Cury define sua ligação com o Nordeste como um “caso de amor” e costuma descrever a região como “mais do que um território, uma poesia”. Segundo ele, o conhecimento adquirido ao visitar todos os nove estados reforçou a convicção de que o semiárido precisa deixar de ser negligenciado e passar a ocupar posição estratégica nas políticas públicas nacionais.