Coluna da quinta-feira

Miguel tem a força

De tudo que a pesquisa do Opinião revela hoje, no que diz respeito à sucessão municipal em Petrolina, o que chama mais atenção é a força eleitoral do ex-prefeito Miguel Coelho (UB). Embora tenha uma gestão aprovada por mais de 70% dos petrolinenses, o prefeito Simão Durando (UB), que era vice de Miguel e o sucedeu, quando renunciou para disputar o Governo do Estado em 2022, só elastece a vantagem ante o ex-prefeito Júlio Lóssio (PSDB), quando seu nome é associado ao apoio de Miguel.

Sai de 13 para impressionantes 32 pontos de diferença, uma marca que aponta, indiscutivelmente, Miguel, de longe, a maior liderança do São Francisco. Isso ficou evidente também na eleição de segundo turno para governador. Quando Miguel apoiou Raquel, a tucana saiu de seis mil votos, no primeiro turno, para 86 mil votos em Petrolina. Isso numa região, o Sertão, onde, predominantemente, Marília Arraes (SD) ganhou em quase todos os municípios, associando seu nome ao presidente Lula.

Miguel, aliás, foi extremamente correto e solidário com Raquel. Tão logo saiu o resultado do primeiro turno para governador, no qual ficou de fora, indo Marília e Raquel para o confronto final, o então candidato pelo União Brasil anunciou o seu apoio à tucana, sem ao menos ter uma conversa formal. Revelou na mesma noite, ao final da apuração. Engajou-se na campanha como se fosse a sua, mas eleita, Raquel não valorizou Miguel nem tampouco prestigiou o clã Coelho.

Certamente, temendo sombra, porque Raquel Mandacaru é o tipo de política que não abre espaço a ninguém que possa representar, no futuro, uma ameaça às suas pretensões políticas. Não quer, na verdade, ninguém que tenha brilho próprio. É tão narcisista que se olha no espelho todos os dias e diz: “Espelho meu, há alguém nesta face da terra melhor do que eu”.

Com o tempo, o grupo de Miguel se aliou ao projeto do prefeito do Recife, João Campos (PSB), visto, desde já, como o potencial e temente adversário de Raquel em 2026, quando tentará a reeleição. Saindo reeleito no primeiro turno, João se transforma, naturalmente, no candidato natural das oposições. Neste cenário, Miguel e o seu grupo terão papel extremamente importante na campanha de João pelo Interior, especialmente no Vale do São Francisco.

PREFEITO BEM AVALIADO – Ainda retratando o levantamento do Opinião, dos três gestores – Lula, no plano nacional, Raquel no estadual e Simão Durando no municipal – o prefeito é o que detém maior sintonia com a população. O conjunto da sua administração é aprovado por 71% dos petrolinenses, batendo, inclusive, Lula, que tem 58% de aprovação, enquanto a governadora aparece no rabo da gata – 46,8% de aprovação, enquanto 36% a desaprovam.

João no palanque de Simão – O prefeito do Recife, João Campos (PSB), dará o start, amanhã, da aliança eleitoral com o prefeito de Petrolina, Simão Durando (UB), da mesma forma que o União Brasil já fez com o projeto da reeleição dele no Recife. O ato será às 17h, no hotel Grande Rio, na Orla do São Francisco, com a presença de todo o clã Coelho, sob a liderança de Miguel.

A chorona – Rifada pelo PT em seu projeto de disputar a Prefeitura de Caruaru, a deputada Rosa Amorim anda choramingando. “Sou centralizada pelo partido, acho que agora temos uma boa configuração, mas, ao mesmo tempo, acho que foi uma pena o Partido dos Trabalhadores não ter lançado uma candidatura própria. Seria um bom momento para a cidade, o PT está num bom momento”, disse, ontem, na Rádio Folha, ao expressar seu desapontamento com Lula, que prefere o partido no palanque de Zé Queiroz (PDT).

Lula pisa na bola – As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em evento no Rio de Janeiro, na manhã de ontem, causaram uma turbulência no mercado brasileiro maior do que a esperada para o dia, que tinha duas importantes divulgações nos Estados Unidos, que poderiam mover o humor dos investidores. Após as falas de Lula, o dólar alcançou máxima de R$ 5,43, mas perdeu força e fechou o dia a R$ 5,406, em alta de 0,86% ante o fechamento anterior. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira (B3), abriu em leve alta antes do discurso de Lula, mas inverteu rapidamente o sentido e passou o dia no vermelho, fechando em queda de 1,4%, em 119.936 pontos.

Vai jogar a toalha? – O prefeito de Arcoverde, Wellington Maciel (MDB), criou uma grande expectativa em relação à entrevista coletiva que convocou para amanhã, às 11h. Nos bastidores, a versão mais corrente, vazada por gente aliada dele, é de que anunciará, oficialmente, sua desistência da reeleição. Empresário bem-sucedido em Arcoverde e na região, Wellington não se revelou bom gestor público nem habilidade política. Sua gestão tem um alto índice de rejeição, e nas pesquisas de intenção de voto para prefeito não consegue passar dos 6%.

Curtas

SE A MODA PEGA – A Câmara dos Deputados aprovou, ontem, projeto que prevê a suspensão de mandato para parlamentares por quebra de decoro. O texto altera o regimento interno da Casa Legislativa e dá mais celeridade ao processo suspensivo. Bem que essa moda poderia chegar nas assembleias legislativas e câmaras municipais.

É PRA VALER – De acordo com o texto, a Mesa Diretora terá cinco dias úteis após a ocorrência para encaminhar o pedido de suspensão do deputado ao Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar. O colegiado, por sua vez, terá 72 horas para se manifestar sobre a punição.

IMPACTADO – Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, o vice-prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Helinho Aragão, disse que nem ele próprio, agora escolhido como candidato do grupo que está no poder, foi informado com antecedência pelo prefeito Fábio Aragão sobre a decisão dele de desistir da reeleição. “Fiquei impactado. Aliás, ainda estou”, confessou.

Perguntar não ofende: Quando Lula vai se conscientizar de que tem que mudar o ministro Alexandre Padilha, desastroso articulador político?

A política é diabólica

Filho do ex-vereador Fernando Aragão, um dos políticos mais populares do Agreste Sulanqueiro (que emplacou cinco mandatos de vereador, era empresário do ramo de confecções e morreu aos 69 anos, em 2020, vítima da Covid-19, quando se apresentava como favorito na disputa pela Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe), o prefeito Fábio Aragão (PSD), 41 anos, tomou, ontem, uma decisão radical: renunciar à disputa pela reeleição.

Aparentemente, teria um novo mandato sem grandes dificuldades, já que, segundo o Instituto Opinião, sua gestão tem aprovação de 84% da população. Em 2020, Fábio, evangélico fiel à doutrina adventista, substituiu o pai, forçadamente, na disputa pela Prefeitura. Ganhou, mas nunca se empolgou pela vida pública. Ao longo do seu mandato, nunca participou de festas profanas, nem muito menos o São João.

Escalou, e escala até hoje, o seu vice Helinho Aragão (PSD), já anunciado como seu substituto na chapa oficial para as eleições de outubro. Apesar de todas as restrições e dogmas da sua denominação evangélica, Fábio sai consagrado como excelente gestor, extremamente aprovado pelos seus conterrâneos. O que motivou a sua decisão de jogar a toalha?

Em nota, o prefeito não escondeu o jogo. Abriu o coração e explicou tratar-se de um aviso espiritual, um recado divino. “Recebi uma ligação de uma pessoa que eu confio bastante, muito cristã, que não sabia que eu estava orando, nunca perguntei nada a essa pessoa e ela disse: ‘Fábio, eu recebi uma mensagem de Deus e você não deve mais ser candidato. O propósito acabou, você já cumpriu o propósito e você agora deve cuidar da sua família”, disse, em nota pelas redes sociais.

Só ficaram chocados os que não compreendem o sentido da vida para os adventistas. Eles possuem crenças evangélicas menos populares, distintas da maioria (mas não de todas) denominações protestantes, tais como a vigência dos dez mandamentos e a guarda do sábado.

Também a criação literal, conforme narrada no livro de Gênesis, da natureza holística do homem, o estado inconsciente dos mortos, o aniquilacionismo e o continuísmo dos dons espirituais – incluindo o dom de profecia. Finalmente, a denominação apresenta crenças peculiares como a escatologia historicista, o remanescente escatológico e a doutrina do juízo pré-advento.

A Igreja Adventista do Sétimo Dia é conhecida, também, por sua ênfase na alimentação salutar e na mensagem de saúde, por sua compreensão indivisível entre corpo, mente e alma, e, enfim, pela promoção dos princípios morais e pelo estilo de vida conservador, temendo a Deus, longe do pecado.

A decisão de Fábio me fez lembrar uma frase do ex-governador Roberto Magalhães: “A política é diabólica, o poder é sagrado”.

SÓ FAÇO O QUE DEUS PERMITE” – Fábio Aragão revelou que vinha enfrentando, há muito tempo, uma luta espiritual e que, até momentos antes de iniciar o anúncio da sua desistência, pedia a confirmação divina. “Não serei candidato à reeleição em 2024. Estou com o coração apertado, irei sentir falta de muita coisa, principalmente de cuidar das pessoas, mas preciso obedecer. Eu não faço aquilo que eu quero fazer, só faço o que Deus permite”, disse.

Surpresa geral – O prefeito de Santa Cruz do Capibaribe não antecipou sua decisão nem ao deputado Diogo Moraes, seu principal aliado no município. “Fomos pegos de surpresa. Ele fez esse anúncio, não conversou comigo nem com os vereadores. Pelo menos todos que ligaram para mim e conversaram comigo também não sabiam dessa decisão. Também o deputado Felipe Carreras, o presidente do PSD, André de Paula, também foi pego de surpresa. Ele ligou para mim, inclusive, querendo saber da veracidade desse fato. Agora, essa questão pessoal, uma questão que remete a Deus, à orientação de Deus. E, neste momento, a gente tem que apoiar, nós que somos tementes a Deus entendemos muito bem”, disse o parlamentar, em entrevista ao site Cenário.

O faroeste pernambucano – A violência continua sem o menor controle no Estado. Uma mulher foi morta a facadas em uma calçada no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife. O crime foi filmado por uma câmera de segurança. Imagens mostram o assassino fugindo do local, conforme vídeo mostrado pela TV Globo. O caso é investigado pela Polícia Civil. O assassinato aconteceu na madrugada de sábado passado. Nas imagens, é possível ver a mulher e o homem, que não foram identificados pela polícia, deitados em um colchão no canto da calçada.

O recado de Humberto – Numa entrevista, ontem, à Rádio Folha, o senador Humberto Costa, principal liderança do PT no Estado, deu sinais de como pode ser imprescindível a reação do partido diante da decisão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), em não abrir a vice em sua chapa para um petista. “Não há nenhuma razão para temerem um vice do PT. O que um vice do PT pode fazer se for prefeito? Vai fazer o que João Paulo fez, uma grande administração, não vai ter nenhum prejuízo para a população”, afirmou.

Revelações do Fantástico – Duas das cinco mulheres que acusam de estupro o empresário Rodrigo Carvalheira, 34 anos, preso desde quinta-feira, contaram detalhes do que aconteceu no dia em que foram abusadas. Ambas disseram ao programa Fantástico, da TV Globo, que perderam a consciência e, quando acordaram, ele estava por cima delas. Um dos casos narrados aconteceu no carnaval de 2019, após uma festa. “Foram muitas horas de festa, de bebida. E, às 8h, resolvemos ir para a casa de uma amiga nossa. Até que entramos no quarto. Depois disso, eu não lembro mais de nada. Só lembro de Rodrigo em cima de mim cometendo estupro”, afirmou uma das vítimas, que não quis se identificar.

Curtas

AUMENTO – As distribuidoras de combustíveis estão avisando as respectivas redes de postos sobre aumento dos preços a partir de hoje, segundo sindicatos que representam os revendedores. O motivo do aumento seriam os efeitos da Medida Provisória 1.227, que restringe as compensações de créditos de PIS e Cofins e está sendo chamada de “MP do Fim do Mundo”.

SEM EFEITO – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou, por sua vez, que a medida provisória (MP) que restringe crédito de PIS/Cofins não deve ter impacto na inflação. De acordo com o ministro, mesmo com as alterações da MP, a devolução dos créditos para as empresas “continua garantida”.

BAIXOU O TOM – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) jogou água na fervura e baixou a temperatura do discurso contra a Medida Provisória 1.227. Em nota, o presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou estar “construindo um caminho para uma boa convergência” com o governo em torno da medida.

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Por José Adalbertovsky Ribeiro, periodista, escritor e quase poeta

MONTANHAS DA JAQUEIRA – A defesa e os zagueiros de Trump da Silva vão recorrer ao Tribunal de Haia, na Holanda, contra a sentença do Tribunal do Panamá que condenou o ex-presidente à prisão perpétua, por ter passado um Pix sem fundo de 130 mil cruzeiros novos para transar com o Chapeuzinho Vermelho num triplex de Guarujá no International McDonald em Neverland, a Terra do Nunca.

Os zagueiros argumentaram que o julgamento de Trump da Silva deveria ter ocorrido em Neverland, onde ocorreu o suposto delito sexual, e jamais na Corte do Paraná, digo, do Panamá, no Caribe, pois os juízes e promotores de lá agem mancomunados para manchar a reputação de Trump da Silva, a alma mais honesta que já habitou na terra dos caubóis.

Ao contestar a exibição de um power point feita pelos promotores do Panamá, Trump da Silva jurou que se um dia escapar da prisão perpétua irá fuzilar seus algozes, “fuck to fuck”, assim feito as cavalarias do faroeste fuzilavam os índios peles vermelhas.


Stormy, aliás, Chapeuzinho Vermelho era uma donzela virtuosa que ganhava a vida com o suor de suas mucosas em Hollywood ao participar de filmes tipo a Vovozinha e o Lobo Mau. Ela fazia o papel do Chapeuzinho Vermelho, tão inocente!

No Dia dos Namorados, Chapeuzinho Vermelho saiu para dar um rolé na floresta amazônica da Jaqueira. Assim ela cantava, feliz da vida: “Pela estrada afora/ eu vou bem sozinha/ levar estas pamonhas / para a vovozinha/ ela mora longe e o caminho é deserto/ e o Lobo Mau passeia aqui por perto”.

Subitamente, não mais que subitamente, o Lobo Mau aflorou no recinto, vestindo camisa vermelha e boné do MST. Fazia frio e havia previsão de chuvas na Jaqueira, em Campina Grande e na Big Apple, segundo a Agência Apac. Lobão afinou a viola e cantou uma música de Roberto Carlos para Chapeuzinho Vermelho: “Quero que você me aqueça neste inverno/ e que tudo mais vá pro inverno. Ôu-Ôu-Ôu”.

A donzela ficou emocionada. Lobão piscou o olho e a convidou para embarcar no seu Cadillac rabo de peixe e conhecer o triplex dele no Trump International Tower em Las Vegas. A cena do crime aconteceu naquele triplex em Las Vegas.

Ele prometeu um Pix de um milhão de dólares, aliança de noivado e de casamento. Mas, o miserável já era casado. Lobão Trump da Silva aplicou-lhe um xexo: ofereceu à pobrezinha apenas a mixaria de 130 mil cruzeiros novos e um vestido de chita comprado no Shopping Center Recife. Pediu que ela não contasse nada para ninguém, pois era um rapaz de moral ilibada e pretendia ser candidato a presidente de Pindorama. Seduzida e abandonada, a coitada caiu nos prantos.

O Lobão Trump da Silva foi condenado pelo conjunto da obra à prisão perpétua no presídio de segurança máxima de Mossoró-RN, sem direito a saidinhas nem visitas íntimas das periguetes de Madonna. E never anistia.

A história sepultada

No fim de semana, em duas postagens seguidas neste blog, trouxe à tona a situação do lamentável abandono do histórico prédio do Diário de Pernambuco, localizado na chamada Pracinha da Independência. Felizmente, despertou a atenção de muita gente importante e sensível.

Já há, inclusive, a iniciativa de um advogado que anunciou uma ação popular contra o Governo do Estado (era Jarbas Vasconcelos), que pagou R$ 2 milhões pela compra com o propósito de transferir para o local o novo Arquivo Público Estadual, projeto que nunca se viabilizou e não se sabe até hoje a destinação dessa montanha de dinheiro na época (2004).

Descobri, entretanto, que o Estado continua sem preservar sua memória, porque existem outros símbolos culturais igualmente abandonados, como o prédio do Antigo Liceu, de 1880, no centro do Recife. Iniciativa da Sociedade dos Artistas Mecânicos e Liberais de Pernambuco, nasceu para reunir profissionais ligados às artes. Situado entre o Palácio do Campo das Princesas e o Teatro de Santa Isabel, o imóvel de estilo classicista imperial foi tombado, mas está fechado desde 2007, quando as atividades foram transferidas para o prédio do antigo Colégio Nóbrega.

Também às moscas está a torre de atração de zeppelins, provavelmente a última que ainda permanece de pé no mundo, no Recife, mais precisamente no Parque do Jiquiá, na Zona Oeste. A estrutura foi construída para receber o dirigível, que aportou no Recife pela primeira vez no dia 22 de maio de 1930. A torre foi a primeira estação aeronáutica voltada para este tipo de transporte na América do Sul.

Também abandonado, permanece o Conjunto Fabril da Tacaruna. Ali, em 1890, um imóvel histórico para o Estado passou a ser construído: a Usina Beltrão, tornando-se o empreendimento que seria considerado a primeira e mais moderna refinaria da América do Sul. As obras foram concluídas em 1895. A usina de açúcar pouco tempo depois fechou as portas e deixou o prédio inativo por 27 anos. Em 1925 passa a funcionar como indústria têxtil, a Fábrica Tacaruna, que funcionou até 1955.

Igualmente, a casa em que Clarice Lispector viveu durante a infância e parte da adolescência no Recife tornou-se mais um dos inúmeros símbolos de abandono da capital pernambucana. Localizada em frente à Praça Maciel Pinheiro, no bairro da Boa Vista, o imóvel está com a porta principal bloqueada por tijolos, a fachada foi tomada por lixos e pichações, além dos danos à estrutura, como furos no telhado e buracos nas paredes.

Outro prédio histórico abandonado é o Palácio Frei Caneca, antiga sede da Vice-Governadoria do Estado. O imóvel também serviu de dependência oficial de vice-governadores por mais de cinco décadas. Está fechado e degradado há muitos anos, com pichações e mato na fachada. 

Construído em 1967, o prédio dá nome a um dos principais baluartes da Revolução Pernambucana de 1817. Joaquim do Amor Divino Rabelo, conhecido por Frei Caneca. O nome teve origem por causa da infância modesta, quando vendia canecas nas ruas do Recife, no período do Brasil Colônia.

GOVERNO INSENSÍVEL – No início do mês passado, a governadora Raquel Lyra (PSDB), ao invés de restaurar um patrimônio, anunciou a construção de um habitacional de interesse social no terreno do tradicional Edifício Frei Caneca, destinado aos moradores da comunidade de Santa Terezinha. A iniciativa, segundo argumentou, faz parte das ações do Morar Bem Pernambuco. O primeiro estágio do projeto irá contemplar 48 famílias que moram em palafitas e conta com um orçamento estimado de R$ 6,7 milhões, oriundos do Governo do Estado. Se o prédio é tombado, símbolo do poder, da história e da cultura, o projeto é uma agressão à memória dos pernambucanos.

Pacto pela Morte – A Polícia Civil divulgou, ontem, um relatório estarrecedor sobre a violência em Pernambuco. Só neste ano, em cinco meses, já ocorreram 1.577 homicídios, uma média de 315 assassinatos por mês. Se isso for verdadeiro, Pernambuco voltou a ser, proporcionalmente, por grupo de cada mil pessoas, o Estado mais violento do País. Se Eduardo Campos criou o programa Pacto pela Vida, Raquel Lyra Mandacaru (PSDB) inovou, fez uma revolução do mal, instituindo o “Pacto pela Morte”.

O maio mais sangrento – No levantamento da Polícia Civil, com base nos crimes disponíveis no site oficial da Secretaria de Defesa, os números apontam que maio somou 266 assassinatos, se tornando o mês com menor registro de Mortes Violentas Intencionais (MVI), neste ano no Estado. O interior continua sendo a região mais violenta, com 149 homicídios. Já na Região Metropolitana foram 83 e na capital 34. Na estatística oficial da Secretaria de Defesa Social (SDS), em janeiro foram registrados 355 Mortes Violentas Intencionais, em fevereiro 310, em março 324 e em abril 322.

Sinpol desmoraliza o Governo – Na semana passada, a governadora anunciou uma redução de 11,6% no número de homicídios, apontando o último mês de maio como o melhor de toda a série histórica do levantamento, iniciada em 2004, com 266 MVIs. No Recife, segundo ela, se deu o menor resultado dos últimos cinco anos, com 33 MVIs, número 34% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado. Mas o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE), Áureo Cisneiros, contestou os números oficiais. Segundo ele, de janeiro a maio deste ano, foram 1584 MVI e no mesmo período, em 2023, ocorreram 1468 MVI.

PEC barrada – A PEC das Praias, um dos maiores absurdos do Congresso nos últimos anos, felizmente está com seus dias contados. Depois da repercussão negativa e do debate polarizado sobre o tema, sairá de pauta. A avaliação de líderes partidários é que a proposta precisa ser mais amadurecida e debatida. A possibilidade de fazer uma sessão de debates no plenário sobre o tema tem sido avaliada, a fim de esclarecer pontos que causam discussão nas redes sociais. Um requerimento de autoria do senador Jorge Kajuru (PSB-GO) solicitando a sessão, ainda sem data definida, foi aprovado na última semana. O assunto tomou as redes sociais depois de uma audiência pública na Casa Alta a respeito da PEC.

CURTAS

ESVAZIAMENTO – A chegada das comemorações juninas deve, a partir da próxima semana, diminuir o ritmo das atividades parlamentares no Congresso. Os festejos movimentam a economia, sobretudo em cidades do Nordeste e, em ano de eleições municipais, a presença de deputados e senadores em seus redutos eleitorais é imprescindível.

RECESSO – Já na próxima quinta-feira, comemora-se o dia de Santo Antônio. Na última semana do mês, os dias de São João (24/6) e de São Pedro e São Paulo (29/6) costumam esvaziar ainda mais as comissões e plenários do Legislativo. Algumas pautas prioritárias podem ser prejudicadas, tendo em vista que os congressistas só têm, aproximadamente, um mês antes do recesso parlamentar, que começa em 17 de julho.

PAUTA – Ao sair da reunião de líderes partidários do Senado Federal na última semana, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) citou projetos importantes para a pauta dos próximos dias, mas resumiu: “Tem muita coisa aí pra acontecer nessas próximas duas semanas e o São João também, no Nordeste”. O senador Carlos Portinho (PL-RJ) também relembrou que junho “é um mês muito prejudicado”.

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Porque o PT perdeu a vice

A não ser que ocorra uma reviravolta improvável e inesperada, a decisão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), de não ceder a vaga de vice-prefeito na sua chapa para o PT foi tomada há tempos, com a anuência do presidente Lula e da presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann.

Dentre outros argumentos, João convenceu a ambos de que Pernambuco, desde as trajetórias dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos, é a única base sólida e consolidada do PSB no Brasil, e que não seria justo sofrer interferência do PT nacional.

O PSB tem um projeto, hegemônico, para se manter no Estado, que hoje é sustentado a partir da Prefeitura do Recife. Mexer nessa estrutura, teria dito João, poderia abalar significativamente a relação PSB/PT, com consequências e efeitos graves na aliança construída para a eleição e reeleição do próprio Lula.

Em compensação, o prefeito se comprometeu junto a Lula e Gleisi, caso reeleito, a ampliar o espaço dos petistas na futura gestão, a partir de 2025, e assegurar um espaço político para o PT na futura composição da chapa majoritária nas eleições para governador, vice e duas vagas para o Senado em 2026.

João Campos é candidatíssimo ao Governo do Estado, em oposição à atual gestora Raquel Lyra (PSDB), e essa condição de se desincompatibilizar como prefeito para concorrer e disputar, de forma competitiva, como candidato único da Frente Popular, dependerá, necessariamente, da segurança e confiança pessoal dele, João, sobre quem vai assumir a Prefeitura.

Em tempo: o PT estadual errou na estratégia desde o início do processo pré-eleitoral no Recife, adotando uma tática autofágica, uma briga interna e vaidosa, lançando vários nomes para ter a indicação de vice. Depois, ficou na defensiva, apesar da força política e eleitoral, jogando a legenda para um plano secundário e confortável.

Ficou, na verdade, esperando em berço esplêndido um mimo cair do céu. A vida é feita de escolhas, já ensinou Charles Chaplin. E os resultados são frutos dessas decisões. Que sirva de lição para outras oportunidades no futuro.

SÓ FALTA O NOME – O entendimento de João Campos com Lula foi iniciado numa conversa em Brasília e concluído num jantar no Recife, quando o petista o recebeu junto com a família, no hotel em que se hospedou, em Boa Viagem. Ali, foi batido o martelo, mas falta o prefeito comunicar ainda ao chefe da Nação o nome da sua equipe que será ungido ao cargo de vice, afunilado agora entre a ex-secretária de Infraestrutura, Marília Dantas, e o ex-chefe de gabinete, Victor Marques.

Daniel cumpre apenas uma missão – A própria governadora Raquel Lyra (PSDB) não acredita que Daniel Coelho, seu pré-candidato a prefeito do Recife, tenha a mínima chance de vitória. Disse que ele aceitou apenas uma missão delegada por ela. “Daniel vai para uma outra missão, e Mariana se prepara também para, possivelmente, assumir uma outra missão. Mas tem tempo, tem tempo. A gente tem um prazo aí do próprio calendário eleitoral para que as decisões possam ser tomadas num diálogo com os aliados. Então, para ambos, meu carinho, meu respeito, meu agradecimento”, afirmou, numa conversa com jornalistas.

Violência sem controle – A violência no Estado continua assustadora, especialmente no Grande Recife, sem que o plano de segurança zero da governadora resulte em absolutamente nada. Ontem, um soldado do Exército foi baleado em um tiroteio entre policiais militares e assaltantes, durante uma perseguição em frente ao 14º Batalhão de Infantaria, em Jaboatão dos Guararapes. Segundo a Polícia Militar (PM), um dos bandidos foi preso, e outro conseguiu fugir por uma área de mata.

Promoção atrapalhada – Igor Rocha, tenente-coronel da FAB (Força Aérea Brasileira), que sugeriu a morte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em publicações nas redes sociais, ganhou cargo de assessor de Assuntos Internacionais no Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, vinculado ao Ministério da Defesa, segundo o site Poder360. A nomeação do militar para o cargo foi revertida. Segundo a nota do Ministério da Defesa, a designação do tenente-coronel foi feita sem “anuência” do ministro José Múcio.

Dose cavalar do bolsonarismo – O Senado pode ter três senadores pró-Bolsonaro, a partir de 2027, caso Flávio se reeleja e Eduardo e Carlos sejam eleitos senadores, em 2026. Valdemar Costa Neto lançou, ontem, Eduardo Bolsonaro para o Senado por São Paulo, em 2026, e Flávio já anunciou que tentará ser reconduzido a mais um mandato na Casa pelo Rio de Janeiro. Carlos Bolsonaro não fala sobre o assunto, e seu irmão Flávio nega, mas pessoas próximas aos dois garantem que o plano é, se a dupla sair junta para o Senado, dar as costas a Cláudio Castro, o governador do Rio que quer se tornar senador.

Curtas

EXPLICAÇÃO – Em nota, o ministro José Múcio explicou que a nomeação do referido militar para a prestação de serviço na pasta foi um ato administrativo de rotina, que não passa pela avaliação do ministro, por se tratar de uma função subalterna. O fato citado foi apurado à época pela FAB. Em decorrência, as devidas medidas administrativas cabíveis foram adotadas no âmbito da Força. De toda a forma, o militar será revertido à FAB, diz a nota.

REBELIÃO – Uma coalizão formada por 24 parlamentares desencadeou um movimento contra a MP (Medida Provisória) 1.227 de 2024 do Ministério da Fazenda, apelidada por críticos de “MP do fim do mundo”. A proposta visa a compensar a desoneração da folha de pagamentos e dos municípios através da mudança dos créditos tributários do PIS/Cofins.

TÁ FORA – O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teve um encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro e confessou que não teve nenhum plano para disputar as eleições presidenciais de 2026. Foi uma resposta às declarações do pastor Malafaia de que estaria se afastando do ex-presidente para apunhalá-lo pelas costas.

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CNI declara guerra a Lula

Se o Governo Lula não se bica com o agronegócio, segmento que segura o crescimento do PIB, com a desoneração atraiu para si a ira do empresariado nacional. Em nota, a Confederação Nacional da Indústria anunciou, ontem, que vai judicializar a MP (medida provisória) 1.227 de 2024.

Trata-se da compensação tributária da desoneração da folha de salários de empresas e de municípios por meio de mudanças nas regras de créditos tributários do PIS/Cofins (Programa de Integração Social/Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). “Chegamos ao nosso limite. Somos um vetor fundamental para o desenvolvimento do País e vamos às últimas consequências jurídicas e políticas para defender a indústria”.

O desabafo partiu do presidente da CNI, Ricardo Alban, após participar de uma comitiva oficial do governo federal para a China e Arábia Saudita. Segundo o comunicado, ele deixou o compromisso internacional e antecipou sua volta ao Brasil por causa da medida provisória. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), participa da viagem.

Ele disse ainda que a medida provisória traz mais custos tributários às empresas da indústria. Ressaltou que o setor já está “sobretaxado” e mencionou o impacto de R$ 29,2 bilhões em 2024 estimado pelo Ministério da Fazenda ao anunciar a compensação. Para 2025, a expectativa é que o impacto negativo da medida compensatória atinja R$ 60,8 bilhões.

Na contramão, a confederação citou um impacto positivo de R$ 9,3 bilhões com a desoneração da folha em 2024. A entidade relembrou outras medidas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, segundo ela, dificultaram o crescimento do setor industrial no País. Usou a retomada do voto de qualidade do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) como exemplo.

“O impacto negativo total dessas medidas para a indústria soma R$ 79,1 bilhões neste ano […] Todas elas vão em sentido contrário à política do governo de restaurar a competitividade da atividade industrial no Brasil”, diz a nota.

ENTENDA A BRONCA – O PIS e o Cofins foram alvos de medida para evitar a cumulatividade, ou seja, a sequência de pagamento do mesmo tributo em uma cadeia. O sistema tributário permite que uma empresa recolha créditos quando o tributo já foi pago anteriormente ao longo da cadeia. Esse crédito podia ser usado para abater débitos tributários. O empresário poderia, por exemplo, usar o valor do crédito no pagamento do CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e da contribuição previdenciária. O que o governo propõe: o uso do crédito só será limitado para abater créditos do próprio PIS-Cofins.

Quem paga a conta – Segundo a equipe econômica, liderada pelo ministro Fernando Haddad, a medida impactaria as maiores empresas, que são predominantemente aquelas que pagam impostos no regime de lucro real (com faturamento superior a R$ 78 milhões por ano). As companhias podem deduzir o imposto pago na etapa anterior da cadeia de produção para evitar a cumulatividade do PIS/Cofins. A mudança impactará as empresas que têm grandes estoques de crédito e que poderiam ser abatidas em outros impostos. As exportadoras são as mais impactadas. O motivo: não pagam o PIS/Cofins e, por isso, não terão como usar os créditos.

Combustíveis perdem – Outro setor prejudicado é o de combustíveis, uma vez que o tributo é pago integralmente nas refinarias no momento da venda às distribuidoras, que ficam impedidas de usar os créditos para abater outros tributos. O secretário especial da Receita Federal declarou que a alíquota efetiva do PIS/Cofins é muito baixa no Brasil, e quanto maiores são as empresas, “maiores são as distorções”.

Créditos presumidos – Outra mudança do governo é em relação aos créditos presumidos do PIS/Cofins, que têm uma lógica diferente daqueles concedidos na lógica de não cumulatividade do tributo. São vistos pelo Ministério da Fazenda como um benefício tributário que foi dado ao longo dos anos para determinadas empresas e setores. As empresas têm hoje R$ 20 bilhões em créditos presumidos de PIS/Cofins. O coordenador-geral de Tributação da Receita Federal, Rodrigo Verly, disse que os recursos foram concedidos por lei, porque a empresa adquire produtos ou serviços de pessoa física ou cooperativa, como o agronegócio e transportes.

Dias sombrios para João – Principal nome do PT no Recife para uma eventual disputa pela Prefeitura em faixa própria, o deputado estadual João Paulo, ex-prefeito da capital por dois mandatos, não vai engolir a seco o anúncio da chapa de João Campos (PSB), na disputa pela reeleição, sem presença de um representante petista. “Vamos aguardar o anúncio oficial para não precipitar uma crise”, disse ele, numa conversa, ontem, com este blogueiro. João não acredita que o PT caminhe com suas próprias pernas na eleição municipal na capital, mas por enquanto prefere não antecipar o que pode vir pela frente, em razão, segundo ele, do descontentamento geral nas mais variadas correntes do partido.

Curtas

TJ BARRA CPRH – O Tribunal de Justiça proibiu a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) de derrubar o muro de troncos de coqueiros que limita um terreno privado no Pontal de Maracaípe. A construção é alvo de queixas de comerciantes que trabalham na faixa de areia e se sentem prejudicados pela obra. Em 23 de maio, a CPRH determinou a retirada da estrutura após denúncias de frequentadores do local.

INDENIZAÇÃO – A Caixa Econômica Federal vai indenizar os donos de apartamentos em prédios-caixão interditados e com alto risco de desabamento na Região Metropolitana do Recife (RMR). A medida vai permitir a realização de acordos com proprietários de apartamentos em 431 prédios-caixão com risco elevado de cair, totalizando R$ 1,7 bilhão.

EXPECTATIVA – Suspense em Araripina: o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, destituiu a comissão provisória do partido no município, mas ainda não publicou na justiça eleitoral a composição da nova executiva, que será presidida por Bringel Filho, herdeiro político do ex-prefeito Emanuel Bringel. Essa mudança viabiliza a pré-candidatura a prefeito do vice-prefeito Evilásio Mateus.

Perguntar não ofende: Lupi oficializa a nova comissão provisória do PDT em Araripina ou cede às pressões da governadora Raquel Mandacaru?

Victor leva aparente vantagem

Dos quatro auxiliares que o prefeito João Campos (PSB) acomodou em partidos da sua coligação no apagar das luzes do prazo de filiação, em abril passado, apenas dois se afastam hoje das suas funções, cumprindo o prazo de desincompatibilização: Marília Dantas, secretária de Infraestrutura, e Victor Marques, chefe de gabinete.

Permanecem nas suas pastas, Maíra Fischer (Finanças) e Felipe Matos (Planejamento). Diante disso, a escolha do vice para compor a chapa de João se afunila entre Marília e Victor, com mais chances para este, se a lógica do prefeito estiver construída dentro do universo partidário. Victor Marques é filiado ao PCdoB, partido que integra a federação partidária com o PT, que passou o tempo todo alimentando expectativas da indicação.

Escolhendo Victor, a federação, automaticamente, será contemplada. Isso, por outro lado, quebra o discurso do PT, que não gostou do fato de a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, em perfeita harmonia com o deputado federal Renildo Calheiros, ter se curvado aos argumentos do prefeito para abrigar o seu chefe de gabinete na legenda.

Se João raciocinar apenas na linha de gestão e não partidária, Marília Dantas leva nítida vantagem sobre Victor: é o braço direito dele na execução do plano de obras. Tão poderosa que acumula até a Emlurb, estrutura administrativa fundamental da sua pasta para tirar os projetos do papel e tocar as obras de envergadura no Recife.

Marília está para João como Geraldo Julio esteve para Eduardo Campos em seu primeiro mandato como governador. Se na gestão de Eduardo ele vendeu a ideia de que foi Geraldo que fez todas as suas obras, o elegendo prefeito do Recife, o mesmo pode ser dito por João em relação à Marília Dantas. O prefeito não abre o jogo sequer para o seu núcleo duro, para engessar o PT e forçá-lo a integrar sua coligação sem abocanhar a vice.

RAZÃO DA COBIÇA –A cobiça pela vice de João Campos, especialmente pelo PT, que fez cobranças públicas pela mídia, a ponto de ameaçar até lançar candidato próprio, tem lá suas razões. Saindo reeleito no primeiro turno com uma votação expressiva, o prefeito torna-se, naturalmente, um pré-candidato a governador nas eleições de 2026. Assim, será obrigado a se afastar das funções em abril do mesmo ano. Com isso, o vice vira prefeito por quase dois anos, com chances de disputar a reeleição.

Gusmão, a grande surpresa? – Nos bastidores, corre outra informação: a de que o prefeito surpreenderia o cenário político municipal e do Estado com o anúncio de outro nome para vice que teria como trunfo: o engenheiro Roberto Gusmão, ex-presidente do Complexo Industrial de Suape. Na passagem pelo porto, ele assinou os principais protocolos de intenção de empreendimentos, como o terminal de contêineres e o da APM Terminais, em fase de implantação. Além de ser ligado à família Campos, Gusmão foi testado também na administração federal, exercendo o cargo de secretário-executivo do Ministério dos Portos na gestão de Márcio França. Na gestão de João, virou um grande conselheiro e estrategista.

PT Mandacaru – O PT não pode nem chiar quando João confirmar que o partido não terá a vice. Dos Estados nordestinos, o PT de Pernambuco é o mais desunido e dividido. Ao longo da fase embrionária da discussão em torno da composição da chapa com João, em nenhum momento se uniu e hoje, para complicar, a bancada na Assembleia Legislativa se abraçou com o Governo Raquel. Ex-prefeito e principal liderança no Recife, João Paulo virou o mais raquelzista de todos, uma verdadeira reprodução do Mandacaru. E os outros dois deputados – Doriel Barros e Rosa Amorim – na prática, votando com o Governo, parece que encontraram sombra e encosto em Raquel Mandacaru.

Mais dinheiro federalO prefeito do Recife passou, ontem, por Brasília, e saiu de lá com mais R$ 200 milhões para obras em seu último ano de gestão. Trata-se de uma operação de crédito junto ao Banco do Brasil, fruto de uma negociação de uma dívida do município. “Conseguimos o aval da União para renegociar a dívida existente e abrir um novo espaço fiscal para mais obras. Esses recursos permitirão diversas intervenções, incluindo drenagem, construção de praças, unidades de saúde, hospitais e contenção de encostas. Além disso, assinamos a autorização para o início imediato de obras de mais de R$ 4 milhões em encostas, em parceria com o Governo Federal”, explicou.

Nem aí para o Legislativo – Um dos mais atuantes parlamentares da oposição, Alberto Feitosa (PL) fez um levantamento e concluiu que a governadora Raquel Lyra Mandacaru deve uma penca de respostas à Alepe no que se convencionou chamar de “pedidos de informações”. Passam de 100 e muitos deles já com prazos vencidos, o que pode configurar num crime de responsabilidade, primeiro passo para provocar o impeachment da tucana. “Isso é uma tremenda falta de respeito ao Legislativo, algo grave, nunca visto em nenhum governo em Pernambuco”, desabafou.

Curtas

PARENTES 1- O Supremo Tribunal Federal decidiu que parentes podem comandar os Poderes Executivo e Legislativo simultaneamente na mesma unidade federativa (federal, estadual, distrital ou municipal). Por 7 votos a 4, os ministros da Corte rejeitaram a ação que tentava impedir que familiares, com cargos eletivos, exercessem as chefias de Poderes diferentes ao mesmo tempo.

PARENTES 2 – A ação foi de autoria do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Propunha que, a partir do mandato das Mesas Diretoras do biênio 2025/2026, fosse estabelecida uma regra impedindo que parentes de prefeitos, governadores ou presidente da República disputassem a chefia do respectivo legislativo.

CONTRA – Em entrevista, ontem, ao Frente a Frente, programa que ancoro pela Rede Nordeste de Rádio, o senador Fernando Dueire (MDB) se posicionou contra a PEC das Praias. “Trata-se de um risco à soberania de territórios importantes do País, ao meio ambiente e aos arranjos produtivos que dependem dessas áreas”, afirmou.

Perguntar não ofende: Como será a reação do PT ao não emplacar a vice de João?

Por Cláudio Soares

O Brasil é reconhecido como a oitava maior economia do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) robusto e uma posição de destaque no cenário global. No entanto, por trás desses números impressionantes, a realidade social do país revela uma série de desafios significativos.

Apesar da posição econômica privilegiada, uma parcela significativa da população brasileira enfrenta condições precárias de vida. A desigualdade social é um fenômeno marcante, com uma grande parte dos brasileiros vivendo em situação de pobreza e enfrentando dificuldades para acessar serviços básicos como saúde, educação e moradia digna.

Além disso, a crise econômica que assolou o país nos últimos anos, deixou um legado de desemprego em massa, com milhões de brasileiros lutando para encontrar trabalho e sustentar suas famílias. A falta de oportunidade de emprego digno é uma preocupação crescente, especialmente entre os jovens, que enfrentam barreiras significativas ao ingressar no mercado de trabalho.

A questão da segurança pública também é um desafio urgente para o Brasil. O país enfrenta altos índices de criminalidade, incluindo violência urbana, crimes violentos e corrupção generalizada. Essa realidade afeta diretamente a vida dos cidadãos brasileiros, muitos dos quais vivem com medo da violência cotidiana em suas comunidades.

Por fim, a questão da fome persiste como um problema grave em muitas partes do país, apesar dos esforços do governo e de organizações da sociedade civil para combatê-la. Milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar, lutando para garantir uma alimentação adequada para si e suas famílias.

Em suma, embora o Brasil possa ostentar uma posição de destaque no cenário econômico global, a realidade social do país revela uma série de desafios complexos e urgentes que exigem atenção e ação imediata por parte das autoridades e da sociedade como um todo.

Advogado e jornalista

Agenda de Lula é velha, diz Armando

Numa conversa com o competente e atento repórter Houldine Nascimento, do site Poder360, o ex-ministro Armando Monteiro Neto (Podemos) afirma que o Governo Lula mantém uma agenda que classifica velha, extremamente superada. Ressalta que reedita programas que tiveram importância lá atrás, mas não abre, ao mesmo tempo, uma discussão nova, que aponte para o futuro.

“Eu acho que há uma certa dificuldade aí”, disse ele, que falou ao site brasiliense com base na experiência que acumula como presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre 2002 e 2010. Ele esteve à frente da instituição que representa o setor praticamente durante os dois mandatos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na sua visão, o petista traz para o terceiro mandato uma agenda de Governo que classifica como “regressiva”.

Armando considera haver retrocesso em algumas ações. “Quando se discute o novo a nova realidade da Eletrobras, o que está em jogo, sem dúvida, é uma espécie de contra reforma na área trabalhista”, observou. O ex-senador identifica problemas dentro do próprio governo Lula. “Há contradições internas que alguém tem que arbitrar para o Governo ter um novo rumo”, acrescentou.

Ele diz que existem contradições não resolvidas. “Naquele episódio da Petrobras [em referência ao impasse sobre a distribuição de dividendos e a saída de Jean Paul Prates da presidência da estatal], identificamos uma falta de clareza, no próprio apoio e sustentação de Fernando Haddad [ministro da Fazenda], em muitos aspectos”, disse.

A relação do Planalto com o Congresso também foi avaliada por Armando na entrevista ao Poder360. Para ele, as críticas do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ao ministro das Relações Instituições, Alexandre Padilha (PT), se dão por outros motivos. “Eu não gosto de ‘fulanizar’, mas Padilha está sendo crucificado porque não é possível crucificar o presidente. Padilha paga o pato em grande medida”, afirmou.

MUDANÇAS NO NÚCLEO DURO – Armando defende mudanças no núcleo duro de Lula. “Esse núcleo de articulação tinha que incorporar outros setores dessa tal base que o governo quer construir. É muito PT, esse é um problema”, comenta. Para ele, o Congresso cada vez mais forte tem tirado a capacidade de articulação do Executivo. “O Congresso realmente se empoderou demais com essa questão da ‘parlamentarização’ do Orçamento, dessa apropriação do Orçamento. Então, percebo que o tal presidencialismo de coalizão perdeu os instrumentos para garantir uma melhor governabilidade. Diria que há um problema que vai além do Lula. Há uma certa disfuncionalidade do sistema político atual”, disse.

Elogios a Alckmin – Armando Monteiro diz ser favorável à mudança no tempo de mandato do presidente da República. Defende o fim da reeleição e que o período de um chefe do Executivo no poder se limite a cinco anos. “Eu acho que a nossa experiência com reeleição não é boa. Gostaria muito de ver novamente um mandato de cinco anos, sem reeleição. Sobre Geraldo Alckmin, que, além de vice-presidente responde também pela pasta que Armando ocupou, afirma tratar-se de um homem conceituado, com muita experiência e com muita bagagem. “O foco na política industrial, de uma maneira geral, está correto a meu ver”, destacou.

Malafaia muda o alvo – Ultra-aliado de Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia levanta suspeitas de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem sido infiel ao ex-presidente. Em entrevista ao site Metrópoles, Malafaia disse “desconfiar” de que Tarcísio atue nos bastidores para que Bolsonaro permaneça inelegível. E, assim, abra espaço para que ele próprio dispute Presidência em 2026. O incômodo se dá pela suposta aproximação de Tarcísio com figuras rechaçadas por Bolsonaro, como o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o apresentador Luciano Huck. “Quem é amigo do meu inimigo, meu amigo não é”, disparou Malafaia.

Merenda sem qualidade – Pedaços de plástico foram encontrados na merenda servida para alunos de uma escola municipal de Igarassu, segundo reportagem veiculada na TV Globo. Três crianças mastigaram o material, semelhante ao acrílico usado na fabricação de réguas e canetas, e tiveram ferimentos leves na boca. A Secretaria de Educação do município disse que está apurando o ocorrido na Escola Municipal Maria do Carmo do Rego Monteiro, no bairro de Bela Vista. Os alimentos com plástico foram oferecidos a alunos do 3º ano do ensino fundamental, com idades entre 7 e 8 anos.

Caos no hospital de Garanhuns – O Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, tem sido alvo de denúncias sobre superlotação, danos estruturais e falta de médicos nas últimas semanas. Segundo o portal da TV Globo, pacientes que chegam de outras cidades e aguardam atendimento relatam muitas dificuldades. Uma pessoa, que não quis se identificar na reportagem da emissora, disse que está com o pai internado. Revelou que pode perder o pai a qualquer momento, por falta de socorro, devido à falta de uma ambulância na unidade de saúde.

Curtas

USP PIORA – A Universidade de São Paulo (USP) deixou de ser a melhor da América Latina e passou para o segundo lugar na edição de 2025 do ranking da Quacquarelli Symonds (QS), especialista global em educação superior. Foi ultrapassada pela Universidad de Buenos Aires (UBA), da Argentina, a qual havia desbancado na edição do ano passado.

DESTAQUES – Além da USP, que ficou em 92º lugar na classificação global, outras três universidades brasileiras se destacaram entre as 500 melhores do mundo: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp).

SURUBIM – Sem dar ouvidos a ninguém, o Governo Raquel está cancelando um contrato com uma empresa prestadora de serviços para o Estado na área de transporte escolar em Surubim, para atender a um conhecido deputado da região, que já indicou uma empresa ligada a seu grupo político.

Perguntar não ofende: O que os deputados estaduais farão em relação ao escândalo da feira do livro no Governo Raquel?

Pamonha e o fogo amigo

Expulso, ontem, da praça em frente ao Palácio das Princesas, o caminhante Flávio da Pamonha, que saiu de Garanhuns a pé com destino ao Recife, num ato de protesto contra o Governo do Estado por não construir um hospital no município, nunca foi ligado a grupos de oposição ao Estado. Ele é afilhado do líder do Governo Raquel na Alepe, Izaías Régis.

E está usando o seu sacrifício físico, de andar 230 km, de Garanhuns para Recife, como trampolim político. Segundo apurei, é candidato a vereador na coligação da oposição, que terá como candidato a prefeito o próprio Izaías, a quem é ligado. Consta também que ganhou do deputado cargos no Estado para duas irmãs, que trabalham no hospital Dom Moura e na Geres – a Gerência Regional de Saúde.

Já foi filiado ao PSDB e no apagar do prazo de troca de partido ingressou no PSD, legenda pela qual vai tentar uma vaga na Câmara de Garanhuns nas eleições municipais de outubro. A princípio, quem acompanhou a sua sina pensou tratar-se de um protesto inusitado contra o Governo Raquel, partindo de gente que se opõe ao governo dela.

O tal do Pamonha, na verdade, como se diz no linguajar popular, é carne unha com Izaías e provavelmente tenha obtido seu apoio, na condição de líder do Governo Raquel, para fazer a caminhada política de seis dias, saindo de Garanhuns em direção ao Recife, onde acampou em frente ao Palácio do Campo das Princesas, com o suposto pretexto de reivindicar um novo hospital regional.

Se tudo isso se confirmar, conforme apurei, a ação do pamonheiro pode se traduzir, literalmente, como um ato de fogo amigo do líder que não lidera. A não ser que Izaías tenha lavado as mãos quando foi por ele comunicado sobre o protesto.

REVESES – Raquel sofreu mais dois reveses, ontem, neste inferno astral que está mergulhada: a multa da sua secretária de Administração, Ana Maraíza, e a cautelar do Tribunal de Contas do Estado, de autoria do conselheiro Ranilson Ramos, suspendendo o pagamento dos R$ 4,5 milhões para uma feira de livro. O TCU chegou tarde. Conforme antecipei com exclusividade, a tucana mandacaru já se antecipou e pagou R$ 2,5 milhões. Nunca se viu uma feira tão cara no Estado!

O jogo oportunista de Neymar – O jogador Neymar é um espertalhão. Quer pegar carona na imoral PEC das Praias, projeto que começou a tramitar no Senado, para privatizar paraísos litorâneos no Nordeste e ficar mais rico ainda. “Estou junto com a Due na criação da ‘rota Due caribe brasileiro’. Vamos transformar o litoral nordestino e trazer muito desenvolvimento social e econômico para a região. Em breve, mais novidades”, afirmou o jogador em um vídeo publicado nas redes sociais. Que absurda essa proposta!

Praias privatizadas – A PEC prevê a transferência dos terrenos de marinha, sob domínio da União, para empresas privadas, municípios e estados. A matéria foi tema de uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na semana passada, e aguarda análise dos senadores. Apesar do nome, as áreas de marinha não são da Marinha. Elas são de propriedade da União, conforme um artigo da Constituição de 1988, combinado com um decreto de 1946. Dessa forma, pertencem ao Estado brasileiro a costa marítima, as margens de rios e lagoas — até onde houver influência das marés —, manguezais, apicuns, além das que contornam ilhas costeiras e oceânicas.

Marinha reage – A proposta de privatização das praias, de autoria do ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania-PA), se promulgada, revogaria um trecho da Constituição e autorizaria a transferência dos territórios, de forma gratuita, para habitações de interesse social e para Estados e municípios, onde há instalações de serviços. A Marinha do Brasil divulgou nota afirmando que as praias brasileiras são essenciais para garantir a “soberania nacional, o desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente”.

Raquel ajuda Petrolina com R$ 1 milhão – Em entrevista ao Frente a Frente de ontem, o prefeito de Petrolina, Simão Durando (UB), confirmou que a governadora Raquel Lyra (PSDB) apoiará os festejos juninos com a liberação de R$ 1 milhão, através da Empetur. O valor será usado no pagamento de algumas atrações musicais regionais. Em relação ao ano passado, Raquel duplica sua ajuda, segundo Durando. O São João de Petrolina será aberto, oficialmente, no próximo dia 13, com a presença do prefeito do Recife, João Campos (PSB).

CURTAS

DISCRIMINADA – Já para Gravatá, outro forte e tradicional polo junino, o Governo do Estado não está liberando um tostão. Mas para o prefeito Padre Joselito, que migrou do PSB para o Avante, a mão fechada de Raquel não se traduz em novidade. No evento do ano passado, a tucana também fechou o cofre para o município.

APOIO DO PSB – Na passagem por Petrolina, João Campos anuncia o apoio oficial do PSB à reeleição do prefeito Simão Durando, retribuindo o gesto do União Brasil à sua reeleição na capital pernambucana, na semana passada.

HOSPITAL – Simão contou, ontem, na mesma entrevista, que entregará o hospital municipal, umas das obras mais importantes da sua gestão, antes do dia 6, prazo permitido por lei para inaugurações com a participação de prefeitos em campanha para um novo mandato. Trata-se de uma unidade de saúde viabilizada por emendas federais, sem nenhum tipo de ajuda por parte do Governo do Estado.

Perguntar não ofende: Diante do pagamento antecipado da feira literária, por parte da governadora, vira letra morta a cautelar do TCE?