Coluna da terça-feira

Prefeitos a um passo da reeleição

Um levantamento do Portal Poder360, divulgado recentemente, mostra os prefeitos que lideram ou empatam a corrida para as eleições deste ano em dez capitais do País. A sondagem foi realizada em vinte cidades, entre os meses de março e maio deste ano.

Mesmo estando inelegível e sem nenhum mandato ativo, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem se mostrado um cabo eleitoral ativo. O PL, seu partido, tem sete pré-candidatos competitivos nas vinte capitais brasileiras com pesquisas disponíveis e lidera o ranking. Esses 7 políticos estão em primeiro lugar de forma isolada ou empatados dentro da margem de erro com um ou mais concorrentes. O segundo partido com mais competitividade é o União Brasil.

No Recife, o prefeito João Campos (PSB) lidera a corrida eleitoral com folga. Candidato à reeleição, João aparece na pesquisa com 57% das intenções de voto enquanto o pré-candidato do PL, o ex-ministro Gilson Machado Neto, figura 21%. O mesmo acontece com outro jovem gestor, o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, conhecido como JHC, do PL. Ele apresenta 71%, enquanto todos os outros adversários aparecem com 13%.

Outra disputa sem surpresas pode acontecer em Salvador, o atual prefeito, Bruno Reis (UB), tem 62% das intenções do eleitorado, já o seu principal adversário, Geraldo Júnior (MDB), apresentou apenas 14%. O levantamento afirmou que as pesquisas divulgadas são uma fotografia do momento. Ainda pode haver alterações. O 1º turno das eleições de 2024 será em 6 de outubro.

Diferentemente do PL de Bolsonaro, que optou por lançar muitos candidatos próprios para a disputa eleitoral, o partido do presidente Lula, o PT, deve abrir mão de algumas capitais e de grandes cidades para apoiar nomes de siglas aliadas, tudo isso porque está de olho nas eleições de 2026. As prioridades do PT são: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro, o PT deve entrar numa aliança pela reeleição de Eduardo Paes. Em Belo Horizonte, é esperado que lance o deputado Rogério Correia. Já em São Paulo, a disputa é considerada nacional entre eleitores de Lula (que apoia Boulos) e de Bolsonaro (que apoia a reeleição do atual prefeito paulistano, Ricardo Nunes, do MDB). Siglas do chamado Centrão, como União Brasil, MDB e PSD, aparecem no top 5 do ranking de partidos com mais candidatos competitivos nas capitais.

Maioria não quer reeleição de Lula – A primeira edição da pesquisa Genial/Quaest sobre a eleição presidencial de 2026 mostra que, se a eleição fosse hoje, 55% da população não daria nova chance ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto isso, 42% apoiam a reeleição do petista e os 3% restantes, não sabem ou não responderam, de acordo com o levantamento divulgado ontem. Assim como na eleição de 2022, Lula tem maior apoio no Nordeste, onde o percentual dos entrevistados que dariam nova chance ao petista é de 60%.

Desabrigados no Bolsa Família – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia, com a equipe de ministros, medidas para ajudar as famílias atingidas pela tragédia climática do Rio Grande do Sul. Entre as propostas estão uma ajuda financeira de R$ 5 mil (parcela única) para cerca de 100 mil famílias – ou seja, a um custo de R$ 500 milhões e a inclusão no Bolsa Família de quem foi desabrigado e perdeu renda temporariamente. O pacote deve ser debatido hoje em uma nova reunião com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Dívida suspensa – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que enviará ao Congresso um projeto de lei complementar para adiar, por 36 meses, o pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União. Com a proposta, o estado pode ter uma folga orçamentária de quase R$ 11 bilhões exclusivamente para ações de reconstrução, após as enchentes que devastaram a região. Ainda de acordo com Haddad, o formato da retomada do pagamento ao fim dos 36 meses de suspensão ainda será debatido. “Vamos avaliar ao final do período. Esperamos que até lá as coisas tenham se normalizado”, disse.

Leite diz que decisão não é suficiente – O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou que a medida de suspensão da dívida do Estado não é o suficiente, mas representa um “passo” no tema. Segundo ele, será preciso pensar em “soluções mais perenes” de longo prazo para o Estado. “Infelizmente não posso dizer que será suficiente essa medida. Vamos precisar de outros tantos apoios, outras frentes”, acrescentou o governador gaúcho.

Greve da enfermagem mantida no HCP – Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Enfermeiros do Hospital do Câncer de Pernambuco (HCP), no Recife, decidiram continuar com a paralisação durante assembleia realizada com as categorias na noite de ontem. Os trabalhadores realizarão atos em frente à instituição hoje, a partir das 7h. “Não abriremos mão de suspender a paralisação desde que o dinheiro entre na conta dos trabalhadores. Estamos abertos ao diálogo, mas continuaremos mobilizados até uma resposta concreta”, ressaltou o presidente do Satenpe, Francis Herbert.

CURTAS

FLAGRANTE – Uma mulher de 34 anos foi presa em flagrante após ser filmada agredindo uma bebê de 8 meses e uma criança de 2 anos e 4 meses. A mãe descobriu o caso através das imagens das câmeras de segurança do condomínio em que mora. O caso aconteceu no domingo, no Dia das Mães. Segundo o TJPE, Adriana da Silva Dias teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva e foi levada para a Colônia Penal Feminina do Bom Pastor.

COMBATE AO RACISMO – Através de uma solicitação do mandato do deputado Doriel Barros (PT), a Assembleia Legislativa de Pernambuco criará a Frente Parlamentar de Combate ao Racismo. O objetivo da Frente é criar Leis e implementar ações que possam dar passos significativos na luta contra a discriminação racial no Estado. Doriel será o coordenador-geral da Frente, que será instalada hoje, no Plenarinho I da Alepe, a partir das 9h.

CASAMENTO – A Defensoria Pública do Estado de Pernambuco (DPPE) e o Tribunal de Justiça (TJPE) estenderam o prazo de inscrição para evento do Casamento Comunitário que contemplará 500 casais. Agora, os interessados terão até o dia 24 de maio para se inscreverem. A cerimônia está programada para o dia 11 de junho, às 15h, no Geraldão.

Perguntar não ofende: O brasileiro perdeu a confiança em Lula?

Sinais de pato manco

Raquel Lyra (PSDB) rompeu sua relação política e administrativa com a família Ferreira, cujo maior latifúndio eleitoral é Jaboatão dos Guararapes. Demitiu no sábado, véspera do Dia das Mães, o presidente do Detran e todos os diretores da instituição, indicados pelo presidente estadual do PL, Anderson Ferreira.

Segunda maior receita própria do Estado, o Detran é cobiçado por todos os políticos. Passa agora ao controle do PP, liderado no Estado pelo deputado Dudu da Fonte. Raquel se elegeu pelo impacto da morte do marido, mas também atraindo eleitores lulistas e bolsonaristas, na medida em que ficou em cima do muro, não assumindo, no segundo turno, nem Lula nem Bolsonaro.

Mas quando decidiu entregar o Detran ao PL, a interpretação natural era de um alinhamento efetivo ao bolsonarismo, já que a secretária de Educação, Ivaneide Dantas, havia sido, também, indicada por Anderson. Aliás, foi secretária da mesma pasta na gestão do ex-prefeito de Jaboatão, que deve ter ainda outros penduricalhos no Governo do Estado.

A expectativa que se cria, a partir de agora, se dá quanto ao que vai decidir o grupo Ferreira. Mantém uma relação faz de conta com Raquel ou rompe? A segunda alternativa tende a ser a mais lógica, já que nas eleições municipais que se aproximam estarão em palanques diferentes – a governadora com Daniel Coelho e os Ferreira com Gilson Machado, pré-candidato do PL.

Mais difícil ainda será decifrar essa guinada política de Raquel: largando o bolsonarismo e entregando o Detran ao PP, partido alinhado ao Planalto, se aproxima, efetivamente, do presidente Lula? O gesto foi feito, mas o aliado incondicional do lulismo em Pernambuco é o PSB, do prefeito do Recife, João Campos, candidato à reeleição.

E a reeleição de João, com Lula no palanque, é a grande temeridade de Raquel. Dependendo do tamanho que o prefeito saia das urnas em outubro, a governadora pode virar um pato manco.

‘‘Pato manco” (lame duck) é uma expressão, usada principalmente na política norte-americana, que define o político que continua no cargo, mas que, por algum motivo, não pode disputar a reeleição e perde a expectativa de poder. A expressão nasceu na Bolsa de Valores de Londres, no século XVIII, em referência a investidor que não pagava suas dívidas e ficava exposto à pressão dos credores.

A ave (e o político) com problemas torna-se presa fácil dos predadores. A expressão surgiu de um velho provérbio de caçadores que diz: Never waste powder on a dead duck. Isto é, “nunca desperdice pólvora com pato morto”.

MANDACARU – Raquel foi cruel com os Ferreira. O que corre nos bastidores é que a família tomou conhecimento da vassourada no Detran pela mídia. Na véspera das demissões, na sexta-feira, o deputado André Ferreira, irmão de Anderson, se encontrou com a governadora no Interior, mas em nenhum momento ela sinalizou que iria demitir os aliados dele e da família acomodados no Detran. É por essas e outras que os deputados da base na Alepe só se referem a governadora como “Raquel Mandacaru”, o arbusto que não dá sombra nem encosto para ninguém.

Bancada lavou as mãos – Não há razões que a própria razão desconhece. Anderson e a família Ferreira perderam o Detran porque não estavam dando em troca o que a governadora queria: votos na Assembleia Legislativa. Praticamente todos os parlamentares da bancada do PL na Alepe se comportam como se fossem oposição. Além deste fato primordial, a própria bancada lavou as mãos diante da decisão, porque havia uma reclamação de que os Ferreira não compartilharam os cargos no Detran, nomeando apenas gente do seu grupo familiar.

Burburinho no PL – O que se comenta também é que o grupo Ferreira está a um passo de perder o controle do PL em Pernambuco. Anderson se mantém no comando do partido por influência do presidente nacional, Valdemar da Costa Neto. Há, entretanto, um inconformismo do grupo bolsonarista no Estado, liderado pelo ex-ministro Gilson Machado, pré-candidato a prefeito do Recife, que não tem a certeza do engajamento de Anderson e dos Ferreira em sua campanha.

Violência atinge o poder – Na tarde do último sábado, um homem foi baleado e preso em flagrante após tentar assaltar uma viatura descaracterizada que dá apoio à segurança da vice-governadora do estado, Priscila Krause (Cidadania). O crime aconteceu no bairro do Parnamirim, na Zona Norte do Recife. O assaltante estava armado com um revólver calibre 32 e foi preso pela própria equipe de segurança da vice-governadora, em frente a uma barbearia localizada na Avenida Parnamirim.

A versão do secretário – Nova vítima da violência desenfreada no Estado, Priscila Krause não estava no carro oficial que usa quando o meliante foi atingido por uma bala disparada por um dos seguranças dela. “A vice-governadora não estava no momento da ocorrência. O veículo não é utilizado por ela, mas sempre como apoio. Os policiais reagiram, ferindo o assaltante na perna e na mão”, confirmou o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, em nota sobre o crime.

CURTAS

VIDRO QUEBRADO – À TV Globo, a gerência da barbearia informou que o vidro do estabelecimento foi quebrado durante a prisão do criminoso, que se desequilibrou após ser baleado e caiu por cima da vidraça. A arma utilizada pelo assaltante, que tem passagens anteriores na polícia, foi apreendida, com seis munições, sendo duas pinadas e quatro intactas.

HOSPITALIZADO– A ocorrência foi registrada no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no Recife. O assaltante foi levado, sob custódia policial, para o Hospital Getúlio Vargas, no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife. Segundo a direção do hospital, o paciente passou por um procedimento e está bem.

AGRESSÃO – O repórter Arildo Palermo da RBS TV, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul, foi hostilizado durante uma entrada ao vivo no “Jornal da Globo” na noite da última quinta-feira. Um homem começou a criticar a emissora enquanto o jornalista estava no ar. “Vocês que são da Globo não prestam, desserviço da Globo. Mentira da mídia”, disse. William Bonner também foi criticado. “Você não tem mais autoridade aqui em Porto Alegre”, disse o homem ao se referir ao apresentador do “Jornal Nacional”.

Perguntar não ofende: Os Ferreira rompem com Raquel Mandacaru?

Estado em guerra civil silenciosa

Há mais de seis meses, a governadora Raquel Mandacaru Lyra (PSDB) anunciou um plano para inglês ver, pelo qual até o final de 2026 a criminalidade seria reduzida em 30%. Ao contrário do que prevê as metas do projeto, os homicídios crescem numa velocidade assustadora. O abril vermelho, como ficaram conhecidas as invasões de terra pelo MST no País, em Pernambuco se revelou num abril sanguinolento.

Nada menos do que 324 almas vivas foram para o além. No geral, os números são extremamente preocupantes, enquanto se observa uma gestão completamente perdida, com um plano oco, sem chances de dar certo, a tropa da PM nas ruas desestimuladas pelos baixos salários, delegados reclamando da falta de condições de trabalho, enfim, um caos na segurança pública.

Neste ano, o Estado já contabilizou 1.312 casos de Mortes Violentas Intencionais (MVIs). Novamente, a Região Metropolitana do Recife (RMR) e o Agreste concentraram a maior quantidade de assassinatos, isoladamente, contribuindo para a elevação dos números gerais da violência. A bandidagem não tem cor, não nem raça nem muito menos grau de instrução.

Um dos maiores casos de repercussão foi a morte do vigilante aposentado Antônio Lima do Nascimento, de 76 anos, vítima de bala perdida no bairro de Jardim Jordão, em Jaboatão dos Guararapes. O crime aconteceu na noite do dia 22, após a vítima sair de um culto evangélico.

Na última quinta-feira, perto da meia-noite, seis assaltantes entraram em um ônibus BRT da linha TI Camaragibe/Conde da Boa Vista, na Avenida Guararapes, e anunciaram um assalto. Na altura da Avenida Caxangá, um passageiro reagiu e esfaqueou um suspeito até a morte. Outro suspeito tentou fugir, se acidentou e sofreu traumatismo craniano. Os demais foram pegos por populares e espancados. O homem que inicialmente reagiu foi embora antes da chegada do policiamento.

Esta tem sido a dura e cruel rotina dos pernambucanos expostos ao medo. Um Estado em que muitos saem de casa para o trabalho sem a certeza de que voltarão vivos. Ao invés de reagir, a governadora Mandacaru prefere se preocupar com o seu cachorrinho Magno, levado para o adestramento em Caruaru.

Uma barbaridade atrás da outra – Na mesma quinta-feira, mais cedo, outra tentativa de assalto foi registrada em um ônibus que fazia a linha Camaragibe/Macaxeira. O coletivo passava nas proximidades da reitoria da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e do bairro do Sítio dos Pintos, quando um assaltante entrou e anunciou a investida criminosa. De acordo com testemunhas, um policial militar da reserva de 54 anos reagiu à tentativa de assalto e atirou no suspeito, atingido na região do testículo. O militar também acabou ferido à bala.

Episódio doloroso – Uma câmera de segurança filmou o momento em que o idoso Antônio Lima do Nascimento, de 76 anos, foi assassinado. Ele andava pela Rua Nossa Senhora do Desterro, quando dois homens passaram correndo perto dele. O homem de camisa escura atirou contra o outro que estava sem camisa, mas o tiro atingiu o aposentado, que caiu no chão e morreu. Vítima desta guerra civil silenciosa, Antônio deixou cinco filhos e nove netos. Até quando Pernambuco vai continuar assistindo, passivamente, essa crueldade?

Campeão imbatível 1 – Em 2023, primeiro ano da gestão Raquel Mandacaru, o arbusto que não dá sombra nem encosto para ninguém, Pernambuco teve a segunda maior taxa de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) por 100 mil habitantes do Brasil, ficando atrás apenas do Amapá. No Nordeste, foi o Estado de maior índice. A categoria inclui homicídios, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios, que são roubos que acabam em mortes.

Campeão imbatível 2 – Os dados são do Monitor da Violência, levantamento do G1, site do Sistema Globo de Comunicação, com base nos números da Secretaria de Defesa Social (SDS). Foram registrados 38,8 crimes violentos a cada 100 mil residentes em Pernambuco, no ano passado. A taxa média do Brasil no mesmo período foi de 19,4. Único estado com um resultado proporcional maior, o Amapá contabilizou 45,2 crimes a cada 100 mil pessoas.

Plano sem consistência – O programa “Juntos pela Segurança”, lançado pelo Governo do Estado com o objetivo ambicioso de reduzir em 30% o número de Mortes Violentas Intencionais até 2026, não produziu nenhum resultado ainda. A deputada estadual Gleide Ângelo, crítica das políticas de segurança implementadas pelo governo de Raquel Lyra, diz que as medidas lançadas não valorizam os profissionais da segurança e isso tem contribuído para o aumento da violência. “Só reforça o que já venho dizendo há tempos: o plano Juntos Pela Segurança não tem efetividade nem valorização dos profissionais da segurança. Esse é o resultado: aumento da violência, que tende a disparar ainda mais”, afirmou.

CURTAS

FIM DE CIDADES – O ecólogo Marcelo Dutra da Silva, doutor em ciências e professor de Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande (Furg), adverte que pode ser preciso mudar cidades inteiras de lugar após as enchentes que assolam o Rio Grande do Sul desde o começo de maio. Ele pontua a necessidade de os municípios gaúchos trabalharem a resiliência durante eventos climáticos como este e, em 2022, já havia feito um alerta sobre o despreparo com as mudanças climáticas.

ALERTA 1 – As cidades de São Lourenço do Sul, Pelotas, Rio Grande, na região do sul do Rio Grande do Sul (RS), encontram-se em estado de alerta máximo desde a última quarta-feira, quando houve uma mudança na direção dos ventos. A Defesa Civil pediu a evacuação imediata da área.

ALERTA 2 – O alerta é baseado na projeção de que o nível da Lagoa dos Patos chegará a 2,6 metros. Entretanto, a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), afirmou que a medição do nível da água deixará de ser divulgada, pois o nível da régua pode cair e gerar falsa impressão de baixa. No último boletim, divulgado às 11h de ontem, a Lagoa dos Patos chegou a 2,20 metros, nível que representa 1,4 metro acima do normal.

Perguntar não ofende: Quem é o candidato de Raquel a prefeito do Recife: Daniel Coelho ou Túlio Gadelha?

Humberto é profissional 

Maior liderança do PT no Estado, o senador Humberto Costa já sabe, como o presidente Lula e a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), não abrirá espaço para nenhum nome petista fechar a sua chapa para a campanha da reeleição. Daí, a razão de ter afirmado, ontem, no Frente a Frente, da Rede Nordeste de Rádio, que o PT apoiará a reeleição de João, mesmo que não emplaque a vice.

O vice sairá do grupo dos quatro secretários que João distribuiu em diversos partidos no apagar das luzes do prazo de filiação partidária. Se eu fosse apostar, jogaria todas as cartas na secretária de Infraestrutura, Marília Dantas, tocadora de obras na gestão municipal, como Geraldo Júlio foi no primeiro mandato de Eduardo Campos.

João pode repetir o mote de Eduardo quando escolheu Geraldo: “Foi Geraldo que fez”. E é Marília que faz no Governo João. Quanto a Humberto, está jogando o jogo certo: se por acaso João viesse a abrir a vice para o PT, Humberto ficaria sem discurso para pleitear a sua vaga de senador na provável chapa de João a governador, em 2026.

Humberto é do ramo. Amadores são os que ficam pregando no deserto, transformando o sonho da vice em pesadelo. No Recife, só algo muito bombástico, como um mega escândalo que venha a ser descoberto ao longo da campanha, impedirá a reeleição do prefeito, logo no primeiro turno.

Não se trata de descobrir a pólvora. São as pesquisas somadas aos altos índices de aprovação da gestão de João, apontado como o melhor prefeito entre todas as capitais brasileiras, posição que destoa da governadora Raquel Mandacaru, rabo da gata entre os 27 governadores em avaliação positiva.

Lula já está brifado – Nas duas últimas conversas que João Campos teve com Lula, uma no Recife e outra em Brasília, enumerou as razões para ter autonomia na montagem da sua chapa sem o PT na vice. Quer ser candidato a governador em 2026 e para isso, ao renunciar em abril do mesmo ano, precisa deixar alguém no comando da Prefeitura da sua absoluta confiança, da mesma forma que fará o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), decisão igualmente levada a Lula.

Gleide não é candidata – Só os que não conhecem a linda e emocionante história de vida da deputada Gleide Ângelo (PSB), sedimentada na defesa da mulher desde que atuou como delegada, para ficar com firulas, espalhando que disputará a Prefeitura de Olinda. A aptidão dela é o parlamento e as bandeiras que acredita. Se tivesse interesse pelo executivo, teria disputado a Prefeitura de Jaboatão na eleição de 2020. Se Jaboatão, o segundo maior colégio eleitoral do Estado, com atrativa receita, nunca passou pela sua cabeça, imagine Olinda, que vive às moscas.

Luciana candidata – Quem vai entrar, na verdade, na disputa pela Prefeitura de Olinda será a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos. Esta, sim, tem projeto para voltar a governar o município e só está contando os dias para chegar o prazo de desincompatibilização, em junho, para entregar o Ministério e agradecer ao presidente Lula pela oportunidade. Afastando-se, Luciana, na condição de presidente nacional do PCdoB, vai tentar convencer Lula que mantenha na pasta alguém do partido. 

O homem urna – Quando chegou no Palácio do Planalto na última quarta-feira para a solenidade do PAC dos Municípios, o prefeito de Paulista, Yves Ribeiro, acabou sendo objeto de uma boa chacota entre os ministros, senadores, deputados e colegas prefeitos. Pelo fato de ser um dos gestores municipais com maior número de vitórias para prefeito, o presidente Lula, depois de abraçá-lo, disse, brincando, que Yves andava com uma urna ambulante nas costas.

A vingança é fria – Caladinho, o deputado Coronel Meira (PL) está se vingando da governadora Raquel Lyra (PSDB), que arrebatou o Pro Rural do controle dele e demitiu 12 aliados, incluindo até o motorista: suas emendas individuais do orçamento de 2025, totalizando R$ 29 milhões, não serão mais destinadas a programas e projetos no Estado pleiteados por Mandacaru. Foram realocadas em vários municípios. Diz a sabedoria popular que a vingança é um prato que se come frio.

CURTAS

CEDEU – Em entrevista, ontem, ao Bom dia, PE, da TV Globo, o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou que foram reabertas as negociações para acabar com a greve dos professores nas universidades e institutos federais. A nova proposta do Governo será apresentada na próxima semana.

MEDIDAS 1 – O governo federal anunciou, ontem, novas medidas para aliviar a crise em decorrência das chuvas que castigaram o Rio Grande do Sul. Segundo a Defesa Civil, o Estado já registra 107 mortes, 164 mil pessoas desalojadas e 425 municípios atingidos pelas fortes chuvas. Ao todo, 1,4 milhão de pessoas foram afetadas pelas inundações.

MEDIDAS 2 – Trata-se de um conjunto de 12 medidas, com valor total de recursos de R$ 50,945 bilhões e impacto de R$ 7,695 bilhões no primário. Serão beneficiadas 3,5 milhões de pessoas, no total. As medidas chegam por medida provisória (MP), a ser ratificada pelo Congresso Nacional. Por se tratar de medida provisória, as ações têm vigência imediata e força de lei a partir da edição da norma.

Perguntar não ofende: Quanto tempo levará a restauração total do Rio Grande do Sul?

Congresso já fez a sua parte 

Em tempo recorde, o Congresso fez a sua parte, aprovando e sancionando o Projeto de Decreto Legislativo que reconhece o estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul até 31 de dezembro. O texto autoriza o Governo a excluir da meta fiscal as despesas realizadas via meio de crédito extraordinário para atender o povo gaúcho.

A bola agora é com o Executivo, com o presidente Lula, que ainda não decidiu o valor da ajuda federal que chegará ao Rio Grande do Sul. Tanto Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, quanto Arthur Lira, presidente da Câmara, pautaram a urgência da matéria pouco antes de votar o mérito, que foi aprovado de forma simbólica (sem contagem nominal dos votos) nas duas Casas.

Na prática, só os recursos destinados exclusivamente ao Rio Grande do Sul não serão computados no cumprimento da meta fiscal estabelecida pelo Ministério da Fazenda. Assim, o Executivo e o Legislativo não ficam à mercê da regra de controle de gastos para ajudar a população. Entretanto, o valor do auxílio não foi especificado pelo governo.

A expectativa é de que agora, depois de o Congresso fazer a sua parte, o Executivo apresente uma MP (medida provisória) com detalhes sobre as despesas. O presidente Lula (PT) anunciou o projeto em reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, com os presidentes da Câmara e do Senado.

O petista afirmou que o texto será o primeiro de um grande número de atos que serão feitos para auxiliar o Rio Grande do Sul por conta das fortes chuvas que acometeram a região e deixaram 95 mortes, até o momento. A velocidade que o Congresso andou é muito louvável. O que se espera do Governo, a partir de agora, é que aja na mesma velocidade, porque o Rio Grande do Sul tem que passar por uma operação de guerra para ser restaurado. As imagens mostram uma tragédia que deixou o Estado completamente destruído.

Prejuízos acima de R$ 4 bi – Os municípios do Rio Grande do Sul já somam mais de R$ 4,6 bilhões em prejuízos por conta das fortes chuvas que atingem a região desde o dia 28 de abril. Os dados são do balanço divulgado pela CNM (Confederação Nacional dos Municípios). O levantamento foi feito com 388 cidades afetadas. Segundo o presidente da instituição, Paulo Ziulkoski, os gastos foram informados pelos próprios gestores municipais e representam uma parcial dos prejuízos e estão em atualização a todo momento. Do total, R$ 465,8 milhões são danos no setor público e R$ 756,5 milhões, no privado.

Foco nos abrigos – O ministro-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social), Paulo Pimenta, entende que os abrigos onde está a população atingida pelas chuvas serão o foco do governo federal no Rio Grande do Sul nos próximos dias. Segundo ele, a situação nos locais “tende a se estender”, porque o volume do rio Guaíba deve demorar cerca de 10 dias para baixar. “O que fazer com 50.000 pessoas em abrigos na Região Metropolitana [de Porto Alegre]? Três refeições por dia, são 150 mil refeições por dia, água, lixo, material de higiene, descarte de toda essa estrutura”, declarou o ministro.

Situação dramática – De acordo com Pimenta, parte dos abrigos não tem banheiro e nem água potável. O ministro da Secom disse que os helicópteros e a estrutura que estão sendo usados no resgate de pessoas desaparecidas terão “outra utilidade”, que será a de chegar nas cidades com suprimentos. No entanto, o ministro afirmou que ainda há cidadãos a serem resgatados. As pessoas afetadas pelas chuvas não têm como sair da região. A chuva destruiu estradas e, além disso, o aeroporto de Porto Alegre suspendeu os voos por tempo indeterminado.

Remanejamento de emendas – O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) revela que o governo federal vai abrir uma janela para que deputados e senadores possam remanejar parte de suas emendas individuais para ações emergenciais em municípios do Rio Grande do Sul atingidos por enchentes nos últimos dias. De acordo com o ministro, a bancada gaúcha sozinha tem como remanejar R$ 448 milhões que foram alocados em ações como compra de equipamentos ou estruturas de obras que levam tempo para serem executadas. Os recursos poderão agora ser destinados para ações de defesa civil, saúde e assistência social.

Dívida gaúcha rolada – O ministro Alexandre Padilha garante ainda que o governo trabalha com uma proposta para renegociar a dívida do Rio Grande do Sul com a União. A dívida do Estado é de R$ 92,8 bilhões até 2023, segundo dados da Secretaria da Fazenda gaúcha. O governador do RS, Eduardo Leite (PSDB-RS), já havia solicitado a suspensão do pagamento da parcela mensal da dívida do Estado com a União pelo período que durar a reconstrução dos danos causados pelas chuvas no Estado. A medida liberaria R$ 3,5 bilhões do caixa gaúcho, segundo estimativa estadual.

CURTAS

ROUBOS – O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), informou, ontem, que irá adotar medidas para garantir a segurança da população e conter saques em alojamentos e roubos. Leite pediu ao Ministério da Justiça mais homens da Força Nacional e acionou governadores dos demais Estados do Sul para envio de efetivos policiais.

ATÉ OS CLUBES – Ao menos 8 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro disponibilizaram suas instalações – estádios, centros de treinos e lojas oficiais – para arrecadar doações para a população do Rio Grande do Sul. Outros disponibilizaram chaves Pix do governo gaúcho ou criaram contas próprias, a exemplo do Atlético Mineiro. De acordo com o Galo, o 1º depósito foi feito pelo próprio time.

APPLE AJUDA – O CEO da Apple, Tim Cook, disse que a empresa vai ajudar o Rio Grande do Sul. Em publicação no X (antigo Twitter), Cook declarou que a big tech “fará doações para esforços de socorro locais”, mas não especificou em que constituem essas doações.  “Nossos corações estão com as pessoas afetadas pelas enchentes devastadoras e trágicas no Brasil”, escreveu.

Perguntar não ofende: Quanto o Governo Lula vai mandar para ajudar o Rio Grande do Sul?

Vitória de Pirro 

A princípio, para quem não acompanha de perto o processo político no Estado, a aprovação do projeto versando sobre o fim das faixas salariais pode ter sido uma bela vitória da governadora Raquel Lyra (PSDB). Mas não foi. A votação final por 41 votos se deu com a colaboração dos 16 deputados que se curvaram à realidade depois das emendas ao projeto serem rejeitadas por 26 votos a 16.

Elas mudavam o reescalonamento do fim das faixas previstas em 2026, para os anos de 2024 e 2025. Se o Governo precisava de 25 votos e obteve 26 na derrubada das emendas, na verdade a vitória foi representada por apenas um voto. Traduzindo, Raquel Mandacaru (não dá sombra nem encosto para ninguém) teve uma vitória de Pirro.

Trata-se de uma expressão utilizada para justificar uma batalha ganha a alto custo, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis. Prejuízos, diga-se de passagem, para a gestora e os policiais. Para a governadora, porque, em consequência do projeto aprovado, ganhará a fama de malvada entre os militares.

Pernambuco continuará sendo o Estado a pagar o pior salário ao PM e ao bombeiro no País. E isso é desalentador. Em termos de aumento salarial à categoria, o projeto que passou ontem na Alepe concede 3,5% de reajuste este ano e iguais percentuais nos dois anos seguintes – 25 e 26.

Entre os militares, a correção da inflação fará com que os terceiros-sargentos, que são maioria da tropa de rua, sofram uma defasagem dos seus salários em torno de 6,5%, enquanto o soldado perderá 3,5% e o coronel 5,9%. Com salários tão baixos, a tropa continuará desestimulada para ajudar o Governo em qualquer cruzada pela redução da violência no Estado.

Sendo assim, dificilmente a governadora irá encontrar os meios adequados e satisfatórios para evitar que o Estado volte a repetir o abril mais triste e sangrento da sua história, registrando 324 assassinatos. Esse número choca e preocupa. Representa uma guerra civil não declarada e silenciosa.

Sem maioria – A governadora sai desgastada também por outros motivos. Nunca um projeto enviado à Alepe em caráter de urgência, que pelo regimento só pode durar 45 dias, demorou tanto em tramitar: 63 dias. Entre as quatro comissões técnicas em que passou, foi reprovado em três, inclusive na de Justiça, colégio que a governadora já perdeu a maioria e pode se complicar em outras matérias polêmicas, como projetos que versem sobre aumento para profissionais da área de saúde e professores.

O jogo de João Paulo – Sob a orientação do deputado João Paulo, o mais governista da bancada de Raquel na Alepe, a bancada do PT votou fechada pelo projeto que acaba as faixas salariais entre os policiais militares e bombeiros. O que se ouve nos bastidores da Casa é que João sonha acordado em ser candidato a prefeito do Recife com o apoio de Raquel, mesmo em nível nacional o PSDB, partido da governadora, fazer oposição ao Governo Lula. João também aposta na possibilidade de Daniel Coelho, nome apoiado pela governadora, não decolar. E ele surgir como tábua de salvação para Raquel Mandacaru no enfrentamento a João Campos.

Não pagou nem a metade – João Paulo, o roxo governista, já vinha votando favorável ao Governo em comissões estratégicas e no plenário, contrariando a orientação do seu partido. Virou assíduo frequentador do Palácio das Princesas e diz que o cafezinho que se serve por lá é uma maravilha. A surpresa ficou por conta da radical Rosa Amorim, que, recentemente, saiu do Palácio elogiando a Raquel Mandacaru depois de ser recebida com um grupo do MST. Rosa está bem afinada com o vice-líder do Governo na Alepe, Joãozinho Tenório (PRD). Os tempos mudam. Quem era o PT, hein?

Cronograma até 2026 – Pelo texto original do governo aprovado, ontem, o cronograma para a extinção das faixas salariais será o seguinte: 1º de junho de 2024: todos os ocupantes da faixa A passam a se enquadrar na faixa B do seu respectivo posto ou graduação; 1º de junho de 2025: os ocupantes da faixa B passam para a faixa C; 1º de junho de 2026: os policiais que se encontram nas faixas C e D serão enquadrados na faixa E, que passará a ser a faixa única de soldo.

Governo lento e desastroso – Dois anos após a tragédia que matou mais de 130 pessoas em Pernambuco, em decorrência das chuvas, a governadora Mandacaru sequer finalizou a licitação que deve recuperar o local mais afetado pelo desastre natural em 2022, que é o bairro de Jardim Monte Verde, limite entre o Recife e Jaboatão dos Guararapes. Integrantes do governo se reuniram, ontem, com representantes de 44 municípios para tratar da Operação Inverno, que reúne ações de prevenção e redução de riscos causados pela chuva.

CURTAS

RESGATADA – A deputada federal gaúcha Franciane Bayer, do Republicanos, e familiares dela foram resgatados de barco na casa da parlamentar, na última segunda-feira, em Porto Alegre. Moradora de Canoas, na Região Metropolitana da capital gaúcha, Franciane havia se refugiado na casa da mãe depois de ter deixado a sua na sexta-feira passada quando a Defesa Civil emitiu um alerta de risco de inundação.

IMPEDIDO – O ministro Cristiano Zanin, do STF, declarou, ontem, seu impedimento para julgar o recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro contra sua inelegibilidade, declarada pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2023. A decisão de Zanin atende a um pedido da defesa de Bolsonaro.

TRAPALHÃO – Sem votos sequer para se eleger vereador em Ingazeira, sua terra natal, Mário Viana Filho ganhou uma boquinha do Governo Raquel e se apresenta na região do Pajeú como gerente de articulação do Governo. E foi, ontem, para a rádio Pajeú xingar o pré-candidato a prefeito de Afogados da Ingazeira apoiado pela governadora, Danilo Simões, herdeiro político da ex-prefeita Giza Simões.

Perguntar não ofende: Por que João Paulo não assume logo a liderança do Governo Mandacaru na Alepe?

A tragédia e a desconfiança

As tragédias provocadas pelo clima não acontecem de hoje no Brasil, mas se agravaram bastante nos últimos anos. A que se abate no Rio Grande do Sul é de torar o coração pelo meio. A chuva é um dos milagres da natureza, mas quando exagerada, sem controle, causa estragos insuportáveis, deixa muita gente desabrigada e, o pior, tira a vida dos que moram mais próximos aos rios.

No Rio Grande do Sul, muitos não sabem onde vão dormir nem hoje nem nos dias seguintes; não sabem o que vão comer nem o que farão pela frente. Apenas uma certeza: ao bater o cadeado de sua casa em estado de desabamento, ao abandoná-la, quem assim o fez não está saindo para uma viagem de férias, mas para uma viagem sem volta à casa que foi o seu lar.

Para muitos, em especial crianças que não estão, ainda, conscientes da dimensão do desastre natural que as deixou desamparadas, a mudança é como uma de sessão de terror da tarde na TV. O presidente Lula prometeu ajudar o RS sem burocracia. A dinheirama é uma montanha, mais de R$ 4 bilhões. A sensação é a de que o Estado foi, literalmente, destruído, vítima de um furacão e que precisa ser reconstruído.

E é aí onde mora o perigo, onde está o X da questão. Fiquei com os dois pés atrás, ontem, ao ler as declarações do presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski. Embora solidário com a dor das milhares de famílias gaúchas, ele colocou uma dúvida: será que o Governo Federal vai ajudar mesmo, para valer, ou está apenas blefando diante da pressão da mídia ante o terror das águas?

“Infelizmente, ao longo dos últimos anos, são inúmeros os municípios que foram impactados por desastres e nunca conseguiram se reconstruir por falta de apoio financeiro. De 2013 a 2023, 94% dos municípios registraram ao menos um decreto de anormalidade em decorrência de desastres”, afirmou o dirigente da instituição.

Segundo ele, só entre os dias 29 abril e 5 de maio, as tempestades que assolam o Rio Grande do Sul já causaram mais de R$ 559,8 milhões em prejuízos financeiros. “Esse montante, porém, se refere apenas aos danos já levantados e disponibilizados por 19 municípios dentre os 170 que registraram seus decretos no sistema de Defesa Civil nacional”, destacou.

Ziulkoski tem razão no que diz. O ciclone que atingiu o Rio Grande em setembro do ano passado levou à morte de 51 pessoas e causou mais de R$ 3 bilhões em prejuízos financeiros. Desse total, segundo ele, o governo federal prometeu o montante de R$ 741 milhões, mas repassou apenas R$ 81 milhões, o que representa 11% em relação ao prometido, sendo que parte desse recurso ainda se refere a repasses indiretos.

Governo farrapa – Para o presidente da CNM, as ações de resposta durante o desastre e as obras de recuperação de um município após o desastre requer apoio federal imediato e que atenda às demandas da população. Para evidenciar a dimensão dos prejuízos municipais e comparar com os valores pagos pela União para os 117 municípios do Rio Grande do Sul de setembro de 2023 até final de abril, a CNM destaca que o valor efetivamente repassado não seria suficiente para recuperar os danos causados, por exemplo, apenas no município de Muçum em relação ao desastre de 2023.

A ajuda que não veio – Com apenas cinco mil habitantes, o orçamento municipal de Muçum para executar todos os serviços locais é de R$ 32 milhões. “No entanto, apenas em setembro de 2023, o prejuízo foi estimado em R$ 231 milhões. Os cidadãos dos municípios afetados estão cansados de receber visitas de autoridades federais e estaduais, prometendo apoio e recursos, como agora se realiza, mas sem ver efetivadas ações concretas de reconstrução e prevenção de novos desastres”, disse Ziulkoski.

Não pagou nem a metade – Em 2023, segundo a CNM, os desastres afetaram 37,3 milhões de pessoas em todo Brasil, sendo 258 mortos, 126.345 desabrigados e 717.934 desalojados. Além disso, os desastres causaram R$ 105,4 bilhões de prejuízos no País. Neste mesmo ano, o governo federal autorizou R$ 1,4 bilhão para ser investido em gestão de riscos e desastres aos municípios para ações de proteção e Defesa Civil, porém, só pagou R$ 545 milhões, correspondendo a 39% do valor autorizado.

Prorrogação de prazos – “A CNM está articulando diretamente com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil no sentido de requerer o reconhecimento federal em rito sumário (imediato) de todos os decretos municipais de situação de emergência e ou estado de calamidade pública, além de solicitar a prorrogação de prazos, a exemplo de prestação de contas, aos Municípios afetados”, acrescentou Ziulkoski.

Bandidos tiram proveito – A polícia do Rio Grande do Sul registrou furtos e assaltos a mão armada em bairros da capital atingidos pelas chuvas e enchentes. Segundo relatos, os assaltantes estão usando motos aquáticas e se aproveitam da escuridão da cidade, que teve o fornecimento de energia elétrica suspenso. No domingo passado, dois homens tentaram assaltar um barco de resgate que estava com desabrigados, em Canoas. Porém, dentro do barco havia dois policiais, que prenderam os assaltantes. As informações são da coluna True Crime, do jornalista Ulisses Campbell, de O Globo.

CURTAS

DOIS TERÇOS – Não foi uma inundação qualquer: dois terços do Rio Grande do Sul submergiram ao verdadeiro tsunami que varreu o estado. A contabilidade macabra registra, até o momento, 83 mortes,111 desaparecidos, 20 mil desabrigados e 122 mil desalojados. Quase 1 milhão de pessoas foram afetadas, em maior ou menor grau. O RS virou SOS.

CATÁSFROFE – Dos 497 municípios gaúchos, 345 foram atingidos pela tempestade de dimensões bíblicas e consequente cheia dos rios. As cenas do centro histórico de Porto Alegre sendo invadido pelas águas do Guaíba são de filmes de catástrofe. O Rio Grande do Sul é o Estado mais afetado pelas mudanças climáticas. Em menos de um ano, os gaúchos tiveram de enfrentar quatro chuvas apocalípticas e inundações devastadoras.

O CUSTO – A reconstrução, por si só, vai custar, em um primeiro cálculo, R$ 200 bilhões. Como disse o governador Eduardo Leite, será necessário criar uma espécie de Plano Marshall, guardadas as devidas diferenças em relação ao auxílio americano à Europa depois da Segunda Guerra.

Perguntar não ofende: O presidente da CNM tem razão ao desconfiar das promessas do Governo?

Reeleição passa pela boa gestão

Recorrendo a um lugar comum: gestor bem avaliado, dificilmente perde eleição. É claro que existem exceções e tropeços que podem levar ao insucesso nas urnas. Faço alusão a um conjunto de pesquisas do Instituto Opinião sobre a corrida municipal que este blog postou nos últimos dias.

Impressiona, por exemplo, o alto índice de satisfação da população de Santa Cruz do Capibaribe com o prefeito Fábio Aragão (PSD), próximo a 80%. Neste caso, só algo grave, como a descoberta de um escândalo na gestão, pode impedir a sua reeleição, que varia de 62% a 65% nos percentuais de intenção de voto.

Em Santa Maria da Boa Vista, conforme pesquisa também do Opinião, o prefeito George Duarte tem quase 70% de avaliação positiva, em números reais 68,6%. Por isso, aparece como favorito nas eleições municipais de outubro, com 48,6%, enquanto Humberto Mendes, seu principal adversário, patina com 14,9% das intenções de voto.

Trindade, no Sertão do Araripe, também se encaixa a essa realidade. A prefeita Helbinha Rodrigues (UB) é aprovada por 64% da população, e tem mais de 50% das intenções de voto como pré-candidata à reeleição. 

Na outra ponta está Salgueiro, um dos municípios mais importantes do Alto Sertão.

Ali, o prefeito Marcones Sá (PSB) é o mais rejeitado entre os pré-candidatos porque sua gestão é aprovada por apenas 41% da população, sendo rejeitada pela maioria – 52%. Terá que fazer malabarismos para reverter a tendência do eleitorado em optar pela mudança, representada pelo empresário Fabinho Lisandro (PRD), que lidera todos os levantamentos, abrindo uma média de dez pontos de frente.

O sentimento de harmonia da população com o gestor em campanha para mais um mandato é um alento, mas não se pode bobear ou ficar de sapato alto. Até porque nenhum governo pode ser sólido por muito tempo se não tiver uma oposição temível, que pense, que crie e que explore bem os pontos falhos da gestão.

Outro lado da moeda – Já em Belém do São Francisco, o Opinião identificou provavelmente a eleição mais disputada do Sertão, onde o prefeito Gustavo Caribe (MDB), que vai à reeleição, aparece empatado com o empresário Calby Cruz (Republicanos). A distância que os separa de 1 ponto percentual para o prefeito, que está neste sufoco justamente porque não tem percentuais de aprovação tão excelentes quanto os dos colegas de Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria da Boa Vista e Trindade.

Razão da popularidade – Há tempo não vou a Santa Cruz do Capibaribe, mas pelo que levantei de informações, o prefeito Fábio Aragão tem 80% de aprovação, não por causa de grandes obras, mas simplesmente pelo fato de manter os serviços públicos de qualidade, não atrasar pagamento de servidores nem tampouco de fornecedores. Também é trabalhador, sem falsas promessas e comprometido com políticas sociais.

Marília abraçada com Mandacaru – A ex-deputada Marília Arraes, presidente estadual do Solidariedade, está bem próxima de se vingar do deputado Luciano Duque, que foi eleito no campo da oposição e aderiu ao Governo Raquel Mandacaru: vai negar-lhe legenda para tentar a Prefeitura de Serra Talhada. Além de ficar de fora da disputa, Duque ainda vai ter que engolir Marília no palanque da prefeita Márcia Conrado (PT), que terá o apoio da governadora. Se a ex-candidata ao Governo brigou com Duque pela traição, revela igual incoerência ao se abraçar com a governadora no mesmo palanque de Conrado em Serra.

Sebá se abraça também? – Por falar em Raquel Mandacaru, que não dá sombra nem encosto a ninguém, ela cumpre agenda hoje em Serra Talhada ao lado da prefeita. Vai prestigiar a festa de emancipação política da terra de Lampião, Agamenon Magalhães e Inocêncio Oliveira. Novo aliado da prefeita, o presidente estadual do Avante, Sebastião Oliveira, está em Serra participando da agenda festiva, mas não é dada como certa a sua presença no mesmo evento oficial no qual a tucana estará presente.

Cachimbo da pazO presidente Lula não quer esticar a corda nos desentendimentos do seu Governo com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD). Tanto que se apressou em chamá-lo para uma conversa olho no olho no Palácio da Alvorada. O encontro, na última sexta-feira, colocou uma vírgula no desgaste, mas existem pontos a serem trabalhados nas próximas semanas. As reclamações de Pacheco vão desde a falta de atenção do governo aos senadores até a demora na apresentação de projetos de seu interesse.

CURTAS

DESONERAÇÃO 1 – O estopim da crise na relação, que já estava se desgastando havia semanas, foi a decisão do governo de recorrer ao Supremo Tribunal Federal para suspender trechos da lei que prorrogou até 2027 a desoneração da folha de prefeituras e empresas.

DESONERAÇÃO 2– Pacheco ficou irritado com a atitude do Planalto, tomada logo após ele concordar em adiar a sessão conjunta do Congresso para análise de vetos presidenciais, que previa grandes derrotas para o governo federal. Com o adiamento, os líderes da base ganharam mais tempo para tentar estabelecer acordos.

DERROTA – O governo segue confiante em acordos para manter os vetos do presidente Lula (PT) a trechos da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e da LOA (Lei Orçamentária Anual). O veto às “saidinhas”, do projeto de lei aprovado em março, que limita as saídas temporárias de presos, é visto como derrota certa para governistas no Congresso.

Perguntar não ofende: Os policiais militares vão encher o plenário da Alepe amanhã na votação do projeto das faixas salariais?

TCU envergonha o País

Decisão vergonha, escandalosa e sem precedentes a do Tribunal de Contas da União em baixar uma regra que permite classificar informações de viagens de autoridades em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) como sigilosas, por “motivos de segurança”. A decisão de esconder voos beneficia o vice-presidente da República, os presidentes da Câmara e do Senado, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o procurador-geral da República.

De acordo com a Corte de Contas, a divulgação dos dados pode colocar em risco a segurança de instituições e “altas autoridades”, mesmo depois de as viagens terem sido realizadas. Voos de ministros de Estado não estão incluídos na nova regra. Muita vergonha na cara vir com esse argumento num instante em que o País fiscaliza atos de todos os gestores por portais de transparência.

O julgamento ocorreu a partir de uma solicitação da deputada federal Bia Kicis (PL-RJ), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, sobre a utilização de aeronaves da FAB por ministros do governo e outras autoridades. Na ocasião, também foi aprovada uma auditoria para analisar “a legalidade, a economicidade e a eficiência no uso dos aviões”.

A solicitação recebida pelo tribunal é composta por dois requerimentos dos deputados federais Júnio Amaral (PL-MG) e Evair Vieira de Melo (PP-ES), aprovados, no fim do ano passado, pelo colegiado presidido por Kicis, aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nos documentos, são requeridos transparência das operações dos aviões da FAB, por meio da realização de auditoria, e dados que indiquem a existência de critérios que justificam o uso dos jatinhos, a prestação de contas das despesas dos voos e os fundamentos de “viagens de natureza pessoal das autoridades”.

Dino, o campeão em voos – O pedido cita que o atual ministro do STF Flávio Dino, enquanto ministro da Justiça do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria realizado voos em jatos da FAB com caráter pessoal para o Maranhão e questiona se “há justificativas documentadas para os deslocamentos pessoais do ministro”. Até agosto do ano passado, o ex-governador do Maranhão foi para São Luís de jato da FAB 12 vezes, sendo dez delas sem o cumprimento de agenda oficial. Procurada, a assessoria do ministro disse que as viagens de FAB visavam preservar a “segurança física e moral” de Dino.

Dá para engolir? – O presidente do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, diz que o “sigilo para fins de ampla divulgação à sociedade” não afasta o acesso à informação pela Corte, que pode realizar fiscalizações e requerer dados. Ressalta que a autoridade, ao fazer um pedido de apoio aéreo à FAB, deve “informar as razões de segurança que justificam a requisição da aeronave”. Atendendo a uma parte da solicitação, a Corte deu um prazo de 15 dias para que o Comando da Aeronáutica envie à Corte documentos sobre a utilização de aeronaves da Força Aérea para deslocamento de autoridades.

Em Trindade – Mais uma pesquisa do Instituto Opinião, em parceria com este blog, traz o cenário de Trindade, a capital nacional do gesso. Ali, a prefeita Helbinha Rodrigues (UB) desponta com chances de emplacar a reeleição, enquanto a oposição ainda não decidiu se marcha com a Doutora Conceição ou com Zé Capacete, ambos do PP. Pelo levantamento, Conceição é mais competitiva e tem a menor taxa de rejeição entre os três nomes incluídos no levantamento.

Ato desastroso – O ato organizado por centrais sindicais com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na quarta-feira em São Paulo, em comemoração ao Dia do Trabalho, foi um grande fiasco. Reuniu apenas 1.635 pessoas, segundo um levantamento da USP (Universidade de São Paulo). A estimativa é do grupo de pesquisa “Monitor do Debate Político”, da EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades). No discurso, Lula cobrou o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Márcio Macêdo, e disse que o ato havia sido “mal convocado”. O ato foi pago pela Petrobras e contou com auxílio de R$ 250 mil da Lei Rouanet.

Enfim, oposição reage – Três deputados da bancada da oposição na Alepe – Gilmar Júnior (PV), Abimael Santos (PL) e Sileno Guedes (PSB) – produziram um vídeo em frente ao hospital da família do marido da vice-governadora Priscila Krause (Cidadania), em Garanhuns, que viralizou pelas redes sociais. Diante da unidade hospitalar comentam, em tom de indignação, que a governadora já liberou R$ 43 milhões para mantê-lo, enquanto o Hospital Regional recebe apenas R$ 500 mil por mês. As liberações para a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, tocada pela família de Jorge Branco, esposo de Priscila, foram recheadas com mais R$ 17 milhões, via convênio com a Secretaria de Saúde.

CURTAS

CONTAS – O Tribunal de Contas do Estado aprovou com ressalvas as contas do prefeito de Arcoverde, Wellington Maciel (MDB), referentes ao exercício de 2022. Cabe agora à Câmara de Vereadores dar o veredicto. Como o prefeito perdeu a maioria na Casa, corre o risco de ter a análise do TCE rejeitada.

PERSE – Do deputado Felipe Carreras (PSB) sobre o novo formato do Perse, programa de incentivo a eventos, aprovado pelo Congresso. “É resultado de muito diálogo e luta. É a demonstração da sensibilidade e do compromisso do parlamento com os segmentos responsáveis por gerar milhões de empregos. O Perse não tem bandeira partidária e coloração política. É fruto do Congresso Nacional”.

CENTRO – O governo federal anunciou a criação de um centro nacional de estudos e desenvolvimento de tecnologias em segurança cibernética no Recife. O local é voltado para soluções que visam melhorar a segurança de informações na internet, com uso de sistemas de Tecnologia da Informação e Comunicação, além do treinamento de profissionais especializados para atuarem na área.

Perguntar não ofende: As centrais sindicais viraram um fiasco em organizações de atos públicos?

Bobo da corte

Classificado de incompetente e de plantador de notícias falsas do Governo Lula, pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, esticou a corda. De passagem, ontem, pelo Recife, fez um discurso inapropriado, em tom de cobrança ao prefeito João Campos (PSB), pela vaga de vice para o PT na chapa do socialista.

Além de propagador de fake news, segundo carimbou Lira, Padilha é desinformado. Se tivesse conversado com a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e com o próprio Lula, não teria dado uma fora. A Lula e Gleisi, João já comunicou e apresentou as razões que não abrigará o PT em sua chapa, como também tomou igual iniciativa o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

João e Paes são irmãos siameses nessa contenda com o PT. Ambos são candidatos à reeleição numa eleição dentro da outra, ou seja, se forem reeleitos em 2024 serão, automaticamente, nomes naturais para disputarem as eleições para governador dois anos depois, em 2026, nos seus Estados. No Rio, o vice de Paes tende a ser o deputado Pedro Paulo, do PSD, nome da absoluta confiança do prefeito.

No Recife, João escolherá um dos quatro integrantes da sua equipe que, no apagar das luzes do prazo de filiação partidária, os abrigou em legendas que integram a sua base de sustentação na Câmara e estarão firmes na sua coligação: a secretária de Infraestrutura, Marília Dantas, nome mais forte, colocou no MDB.

Já a secretária de Finanças, Maíra Fischer, ingressou no União Brasil, enquanto o secretário de Planejamento, Felipe Matos, foi filiado ao Republicanos e, por fim, Victor Marques, chefe de gabinete, assinou a ficha do PCdoB. Sairá desse grupo o vice de João. O PT vai ficar chupando o dedo, com o pincel pendurado. Padilha perdeu seu tempo e deu a impressão de que não tem sintonia nenhuma com Lula, nem tampouco com a presidente petista.

É o bobo da corte!

Mozart, o nome do ministro – Na sua fala, o ministro Padilha sequer teve habilidade, defendendo explicitamente o nome de Mozart Sales. “O presidente Lula tem um carinho especial por João Campos e tem tudo para se repetir a aliança no Recife. Quem lidera o debate é o prefeito. Nossa expectativa de quem conviveu, como eu, com Eduardo Campos, com a aliança PT-PCdoB-PSB é para que se repita. O PT tem quadros competentes, entre os quais Mozart Sales, a quem tenho absoluta confiança. Já foi vereador, teve uma votação enorme para deputado federal, mas o processo de escolha é com o prefeito”, afirmou.

E agora, Veras? – Diante das declarações do ministro, revelando uma preferência explícita por Mozart, o que dirá o deputado federal Carlos Veras, que passa a manhã, a tarde, a noite e a madrugada de todos os dias que Deus dá sonhando em ser o vice de João? Com a palavra o senador Humberto Costa, a quem Veras bate continência dentro do grupo majoritário do PT.

Haja coração! – Em parceria com o Instituto Opinião, este blog traz hoje o cenário da sucessão municipal em Belém do São Francisco, um dos municípios mais importantes do Vale banhado pelo Velho Chico. Pelos números, será uma eleição com tendência de ser resolvida no voto a voto. Candidato à reeleição, o prefeito Gustavo Caribé (MDB) aparece empatado com o empresário Calby Cruz (Republicanos), com uma diferença de apenas um ponto percentual. Não se trata de novidade. Há quatro meses, o Opinião já havia identificado que a eleição em Belém vai envolver fortes emoções. Será preciso ter coração forte.

Sinais de mais uma derrota – Um dia depois de o presidente mostrar que não está bem do juízo, pedindo voto para o seu candidato a prefeito de São Paulo num ato de 1 de maio extremamente esvaziado na capital paulista, sendo forte candidato a levar uma multa do TSE, levantamento do instituto Paraná Pesquisas confirmou, ontem, que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) segue numericamente à frente do deputado federal Guilherme Boulos (PSol) no primeiro e em um eventual segundo turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo.

Com que Fabrizio votará? – Na Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, o deputado Fabrizio Ferraz (SD) votou contra o Governo no polêmico projeto das faixas salariais, mas no plenário, quando a matéria vai entrar em pauta no plenário da Casa, seu voto passou a gerar a maior expectativa, sobretudo depois da nomeação de Felipe da Rosa Ferraz, aliado dele, para a gerência de Planejamento da Secretaria de Agricultura. Militar por formação, Fabrizio terá coragem de trair a tropa?

CURTAS

SAÚDE – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já empenhou (reservou) R$ 13,9 bilhões em emendas em 2024. Desse total, R$ 12,8 bilhões (92%) foram direcionados para a área da saúde, que tem a maior fatia do Orçamento da União, segundo dados da plataforma Siga Brasil. As emendas efetivamente pagas neste ano totalizaram R$ 3,34 bilhões até a última terça-feira, o que inclui as apresentadas em anos anteriores. Nesta categoria, os recursos destinados à saúde foram de R$ 677 milhões, 20,5% do total pago.

JANJA 1 – A primeira-dama Janja da Silva não comentou sobre uma peça publicitária da companhia aérea Latam no X (ex-Twitter) para promover a venda de passagens aéreas e diárias de hospedagem em seu site com a imagem de uma mulher de biquíni à beira de uma piscina. O site Poder360 enviou um e-mail para a equipe de Janja, mas não houve resposta.

JANJA 2 – Por meio de sua assessoria de imprensa, a Latam respondeu que seu site se tornou em 2023 um marketplace, onde o turista pode montar toda a sua viagem reservando hotéis, resorts, ingressos, carros, seguro-viagem, além da passagem aérea e que essa é “a realidade retratada na peça publicitária em questão”.

Perguntar não ofende: Quem leva a melhor na disputa final das faixas salariais: governo ou oposição?