Coluna da quarta-feira

Brasil demorou a negociar tarifaço e não ganhará nada com retaliação, diz ex-presidente da CNI

O Brasil demorou a reagir ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e agora tenta reduzir os prejuízos de uma crise que poderia ter sido enfrentada mais cedo pela via diplomática. Esse foi o diagnóstico apresentado ontem pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, durante entrevista ao podcast Direto de Brasília. Para o empresário, o governo Lula (PT) perdeu tempo diante de uma ameaça concreta e deveria ter aberto imediatamente um canal de negociação com o presidente americano Donald Trump.

“Eu sou a favor da negociação. Acho que é o único caminho que temos para realmente resolver essa questão do tarifaço, que foi decidida de maneira unilateral e baseada em levantamentos ou em informações que não são corretas”, declarou Robson. Segundo ele, justamente por considerar frágeis os argumentos usados pelos Estados Unidos, o Brasil teria condições de contestá-los de maneira objetiva. “Acho que estamos agindo tarde, já devíamos ter agido desde antes, quando havia uma ameaça concreta. Não era uma ameaça que a gente poderia relegar”, acrescentou.

Agendão de Lula inclui palanque de João

O presidente Lula (PT) mapeia a agenda eleitoral. Na campanha, a prioridade é eleger Fernando Haddad (PT) governador de São Paulo, que aparece 15 pontos em desvantagem em relação ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Regressei ontem da capital paulista, onde cobri a convenção que homologou a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar o quarto mandato.

Por mais que volte suas atenções para o maior colégio eleitoral do País, dificilmente Lula se converterá em um bom cabo eleitoral para Haddad. Fiz minha pesquisa pessoal. Conversei com taxistas, motoristas de aplicativos, porteiros, advogados, empresários e jornalistas. Constatei que Tarcísio emplaca a reeleição facilmente.

Os Coelho passam a ser o fiel da balança

Por maior que tenha sido a convenção da governadora Raquel Lyra (PSD), ontem, no Recife, o que vai pesar no jogo da sua sucessão será a tomada de posicionamento do grupo Coelho, mais uma vez traído por ela, quando não cumpriu a palavra de escolher o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), candidato ao Senado na sua chapa.

Liderado pelo ex-senador Fernando Bezerra Coelho, pai de Miguel, o clã virou um poço de mágoa com a governadora. Sequer compareceu à convenção que referendou a chapa com o deputado Eduardo da Fonte candidato ao Senado ao lado do também deputado Túlio Gadêlha.

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Indefinição marca convenção de Raquel

A convenção que homologará a candidatura da governadora Raquel Lyra (PSD) está marcada para amanhã, no Recife. O que poderia, entretanto, se traduzir num grande ato de demonstração de força e sinalização pela confiança dos aliados na reeleição pode resultar num tremendo fiasco. Não de público, porque a máquina tem um poder incomensurável de mobilização, mas de incertezas na chapa.

Raquel não teve capacidade, traquejo nem tampouco liderança para botar ordem na casa. A convenção perdeu o brilho em razão da chafurdação entre o presidente estadual da federação União Progressista, Eduardo da Fonte, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que duelam pela segunda vaga de candidato ao Senado.

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Em Pernambuco, o palanque de Lula é o de João

É fato que, pela força da legalidade, as convenções partidárias levam o processo eleitoral a uma nova fase. Porém, mais do que por conta desse marco temporal, é possível dizer que a campanha em Pernambuco chega a um novo momento após dois divisores de águas nesta semana: a divulgação de novas informações sobre a importância de Lula (PT) como cabo eleitoral no Estado e a reafirmação da aliança dele com João Campos durante a convenção nacional do PSB, em Brasília.

A pesquisa Quaest, por exemplo, mostrou o presidente com 61% de aprovação entre os pernambucanos e 53% das intenções de voto no primeiro turno no Estado. Até aí, um cenário já captado em levantamentos anteriores. A novidade é que 47% dos eleitores dizem preferir um governador aliado ao presidente e mais de 50% ainda não sabem que João Campos é o candidato de Lula. Isso significa que existe um espaço considerável para crescimento do pré-candidato a governador do PSB.

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Com Alckmin vice, PSB formaliza apoio a Lula

Numa convenção super concorrida, em alto astral, o PSB referendou, ontem, em Brasília, o apoio à reeleição do presidente Lula (PT), que chega à disputa eleitoral com a mesma chapa que venceu as eleições de 2022, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e com apoio de partidos de centro e esquerda. O PSB foi o segundo partido a formalizar apoio a Lula, que prestigiou a convenção ao lado de Alckmin e do presidente nacional da legenda, João Campos.

O primeiro partido a confirmar a aliança com Lula foi o PDT, na semana passada. Além do PSB e do PDT, siglas como PCdoB, PV e PSOL sinalizaram apoio à candidatura do petista à reeleição. A permanência de Alckmin na vice-presidência mantém uma das principais marcas da coalizão construída em 2022.

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“Não foi um escândalo do INSS. A instituição foi vítima de uma quadrilha”, diz Wolney Queiroz

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), afirmou, ontem, em entrevista ao podcast Direto de Brasília, que 4,8 milhões de aposentados e pensionistas foram ressarcidos pelos descontos associativos feitos sem autorização em seus benefícios. Segundo ele, a União desembolsou R$ 3,2 bilhões para antecipar os pagamentos, enquanto a Advocacia-Geral da União (AGU) tenta recuperar os recursos junto aos responsáveis pela fraude.

Wolney rejeitou a classificação do caso como um escândalo da própria instituição, embora o episódio tenha provocado desgaste no Governo Lula (PT) e levado à instalação de uma CPMI no Congresso. “Não foi um escândalo do INSS. A instituição foi vítima de uma quadrilha que roubou os aposentados. Meu dever é preservar a instituição”, declarou.

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Atitude canalha

Surpresa da convenção que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, o presidente da Argentina, Javier Milei, acabou roubando a cena e, ao mesmo tempo, gerando uma nova crise diplomática com o Brasil, após chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo”.

Nunca se viu algo tão deplorável na história das relações diplomáticas entre nações vizinhas, fundadoras e integrantes do Mercosul, bloco econômico sul-americano criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, com a intenção de integrar as economias dos países membros por meio da redução de impostos alfandegários e da livre circulação de produtos e serviços.

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Descaso com a cultura

Desavisados costumam confundir valorização da cultura com a contratação de grandes shows a qualquer preço. É o que parece acontecer no governo de Raquel Lyra (PSD). Citada em relatório recente como a governadora que mais gastou com shows no Brasil, ela tem priorizado o aporte de dinheiro público em atrações “arrasa-quarteirão”.

E que rendem, diga-se de passagem, engajamento nas redes sociais, mas tem sido displicente com eventos que fazem parte da identidade cultural de Pernambuco.

Datafolha confirma estabilidade de Lula

A nova pesquisa Datafolha reforça um cenário de estabilidade política para o presidente Lula (PT) a pouco mais de dois meses da eleição presidencial. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (24), mostra o petista com 40% das intenções de voto no primeiro turno, praticamente repetindo o desempenho registrado na rodada anterior, quando aparecia com 41%. Em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula mantém vantagem de 48% a 43%, resultado que também permanece dentro da margem de estabilidade observada pelo instituto.

A pesquisa revela que o desempenho eleitoral de Lula acompanha um movimento semelhante na avaliação de seu governo. Segundo o Datafolha, 32% dos entrevistados classificam a gestão como ótima ou boa, enquanto 38% a consideram ruim ou péssima e 28% a avaliam como regular. Na comparação com os levantamentos de maio e junho, as oscilações ocorreram dentro da margem de erro, indicando que, apesar da intensa disputa política e do aumento das críticas da oposição, a percepção do eleitorado sobre o governo permanece praticamente consolidada.

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