Coluna do sabadão

A reação de João no empate do Datafolha

A mais recente rodada de pesquisa do Datafolha desenha com precisão a mudança de rota na disputa pelo Governo de Pernambuco: com a margem de erro de três pontos percentuais, os 47% de Raquel Lyra contra os 42% de João Campos colocam os dois líderes em um empate técnico real no limite da amostragem, reabrindo de vez uma corrida que muitos davam como precoce definição.

Mais do que a simples flutuação de dígitos, o que a pesquisa reflete é a recompensa de uma escolha tática e comportamental certeira do candidato do PSB. Em disputas acirradas, o instinto inicial de muitas campanhas acuadas costuma ser a retração ou o refúgio na vitimização.

João Campos optou exatamente pelo caminho inverso. No lugar de assumir o papel de vítima dos ataques ou das circunstâncias, assumiu a linha de frente. Chamou para si o peso da liderança, impondo um ritmo combativo e autônomo que devolveu energia à militância e restabeleceu sua posição como verdadeiro protagonista do processo eleitoral.

Se não é nazifascismo, o que é então?

Numa simples consulta aos manuais históricos das eleições mais agressivas da humanidade, as campanhas com métodos nazistas e fascistas foram centradas no uso da violência para destruir opositores. Também recorreram a táticas específicas para manipular as massas, conquistar ou se manter no poder absoluto a qualquer custo. No capítulo da desumanização das campanhas fascistas, o adversário não é visto apenas como alguém que pensa diferente, mas como um “câncer” ou “traidor” que precisa ser eliminado.

Qualquer semelhança com os métodos usados pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), na sua campanha de reeleição para se manter no poder não é mera coincidência. Para destruir João Campos (PSB), seu rival na guerra eleitoral, a governadora parece não ter limites. Primeiro, uma reportagem em rede nacional de TV Record mostrou um grande esquema de monitoramento ilegal e espionagem envolvendo a Polícia Civil da gestão de Raquel contra aliados do então prefeito do Recife.

Raquel, a candidata “Bolsonara”

Um dos recortes da pesquisa Quaest pouco explorados foi a relação entre os dois principais presidenciáveis e os candidatos ao Governo de Pernambuco. Segundo o levantamento, 57% dos eleitores identificam que João Campos (PSB) é o nome apoiado por Lula (PT) no Estado, ainda que um percentual alto (35%) indique que não sabe ou não tenha respondido.

Quando o questionamento é feito sobre Flávio Bolsonaro (PL), porém, 26% dos entrevistados associam o apoio dele a Raquel Lyra (PSD), nome que chegou a aparecer em rascunhos do filho de Jair Bolsonaro que vieram a público no início deste ano.

O dado chama atenção porque a governadora vem fazendo um esforço enorme para não deixar explícita essa relação. Recentemente, a coligação dela conseguiu decisão da Justiça para obrigar Mendonça Filho (PL), candidato a senador do bolsonarismo, a remover bandeiras e materiais gráficos em que cola a imagem dele à dela.

Caruaru - Minha rua nova

José Múcio revisita trajetória política, relembra disputa com Arraes e reforça desejo de deixar a Defesa

Quarenta anos depois de enfrentar Miguel Arraes na disputa pelo Governo de Pernambuco, em 1986, José Múcio Monteiro atribui àquela derrota um papel decisivo na trajetória que o levaria à Câmara dos Deputados, ao Governo Federal, ao Tribunal de Contas da União e, hoje, ao Ministério da Defesa. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o pernambucano revisitou uma das eleições mais duras da política pernambucana e afirmou não se arrepender do caminho percorrido. “Eu existo por causa daquela derrota”, resumiu.

Múcio tinha 37 anos quando disputou o Palácio do Campo das Princesas contra Arraes, então com 70. O resultado abriu, segundo ele, uma trajetória diferente daquela que imaginava naquele momento. “Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, afirmou.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Cadê os eleitores de Lula?

Num intervalo de 40 dias, estive por duas vezes em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, berço do movimento sindical do ABC, onde Lula ingressou na vida pública como líder dos metalúrgicos, cuja trajetória muito tempo depois o levou à Presidência da República. Por onde passo, por dever de ofício, converso com pessoas dos mais amplos segmentos da sociedade.

Confesso que não encontrei um ambiente favorável à reeleição do presidente, nem na primeira vez, quando acompanhei a convenção que homologou sua candidatura, tampouco ao longo do feriadão da Independência, no qual andei muito pela cidade em passeios turísticos com os meus filhos.

Olinda - Refis 2026

Mendonça, o senador do coração de Raquel

Quanto mais se aproxima o dia de os eleitores encararem as urnas, mais fica explícita a relação entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o deputado Mendonça Filho (PL). Embora ela tenha tentado manter uma distância regulamentar em uma entrevista de TV, dizendo que o liberal não é seu candidato ao Senado, o que se vê, na prática, é justamente o oposto.

Há, de fato, proximidade e aliança, ainda que não formalizada em documentos de uma coligação. Se existe hoje um candidato ao Senado que demonstra fazer questão de estar ao lado da governadora, esse é Mendonça. O próprio deputado afirmou recentemente que, caso eleito, será o senador de Raquel.

Palmares - Creche Quilombo II

Moraes e Mendonça nas mãos de Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a senadores que, diante de uma eventual pressão incontornável para abrir um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia adotar uma estratégia de “impeachment cruzado”, autorizando também a tramitação de um pedido contra André Mendonça. A movimentação teria como principal efeito político criar um equilíbrio de forças e evitar que o Senado fosse colocado diante de uma única frente de pressão contra o Supremo.

A estratégia ajudou a reduzir a temperatura das articulações nos últimos dias, sobretudo em meio ao aumento do embate entre ministros do STF. O cenário ganhou novos contornos na noite de quinta-feira (3), quando Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigação sobre Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. Na solicitação, Moraes apontou possíveis indícios de crime de responsabilidade e mencionou, entre os envolvidos no contexto das apurações, o próprio Alcolumbre, dando ao episódio uma dimensão política que ultrapassa a disputa entre os dois ministros.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Crise no STF: relatórios da PF apontam “viés político” e estratégia de Mendonça para ampliar poder na Corte

Relatórios de inteligência da Polícia Federal divulgados ontem apontam possível “viés político” na atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, à frente das operações Compliance Zero e Sem Desconto e associam determinados movimentos do magistrado a uma estratégia para ampliar seu poder dentro da Corte. O material, revelado em matérias do jornal O Globo, embasou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, que apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Moraes retirou o sigilo dos documentos, determinou que a Procuradoria-Geral da República fosse cientificada e encaminhou o material ao presidente do tribunal, Edson Fachin.

Em uma das análises, a PF relaciona diretamente a conduta atribuída a Mendonça a uma possível alteração no equilíbrio interno do Supremo. “A mais provável [explicação], no momento, é a de que esses movimentos integrem estratégia mais ampla do relator, com a intenção de ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal, a fim de aumentar as chances de fazer prosperar as visões de mundo do grupo político do qual faz parte”, diz o texto. A corporação também menciona uma possível tentativa de enfraquecer o grupo de ministros que, segundo os investigadores, “atuou firmemente em defesa da democracia”.

Camaragibe - IPTU Verde 2026

Avanço de Cury sinaliza despertar da terceira via, diz cientista de dados

Com 11% das intenções de voto em duas pesquisas presidenciais divulgadas nos últimos dias, Augusto Cury (Avante) começa a abrir espaço para uma terceira via na disputa pelo Palácio do Planalto. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o estrategista e cientista de dados Alek Maracajá apontou o desempenho do escritor no ambiente digital como um dos fatores por trás desse avanço. “Acredito muito que a gente está indo para o despertar da terceira via. Cury é a grande surpresa”, afirmou.

Para Maracajá, o desempenho do candidato ainda precisará ser observado nas próximas semanas para saber se ganhará consistência, mas já provocou uma mudança no cenário da disputa. “Ele furou a bolha e chegou em várias pessoas. Agora a decisão está nas pessoas. Ele vai aparecer mais ainda e vai despertar o interesse de muita gente, então acredito que ele vai crescer ainda mais”, projetou.

O dia em que Carlos Monforte abandonou o Bom dia, Brasil

Cheguei em Brasília em meio à campanha das Diretas Já e logo passei a conviver com jornalistas do mais alto nível, principalmente quando fui eleito para a presidência do Comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados no segundo mandato do presidente da Casa, Michel Temer, com quem criei uma relação profissional respeitosa que perdura até hoje. Um grande aprendizado, uma verdadeira universidade do jornalismo político.

Atuei entre o Salão Verde da Câmara e o Salão Azul do Senado, ambiente no qual as feras eram vistas farejando notícias. Figurões do jornalismo nacional, como Dora Kramer, Fernando Rodrigues, Heraldo Pereira, Júlio Mosquéra, Denise Rothenburg, José Maria Trindade, Marcelo Tognozzi, Tales de Farias, Weller Diniz, Luiz Queiroz, Cristiane Lobo e até o Carlos Castelo Branco, o Castelinho, o maior de todos.

Com Carlos Monforte, que Deus levou ontem aos 77 anos, também tive uma convivência bem próxima. Era a ele que recorria para levar ao Bom dia, Brasil, programa que ancorou por muitos anos, o presidente da Fundação Rondon, Sílvio Amorim, a quem assessorei em Brasília numa primeira etapa, e depois, já num outro momento da minha carreira, o então governador de Pernambuco, Joaquim Francisco, de quem fui secretário de Imprensa.

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