Coluna da segunda-feira

Desunião fortalece Raquel

Estremecida desde o fim do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), então candidato à reeleição, a relação entre o Partido dos Trabalhadores e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) continua a dar sinais de que caminha a passos lentos para uma resolução amigável, ou ao menos favorável a ambas as siglas.

O mais recente capítulo se deu após a declaração do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), há dez dias, pela candidatura da deputada federal Tábata Amaral (PSB) à Prefeitura de São Paulo. Endossado pelo ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Márcio França (PSB), o posicionamento vai na contramão do que tem defendido Lula, favorável a uma aliança em torno do deputado federal Guilherme Boulos (Psol).

Essa briga de braço tem se repetido em praticamente todos os Estados, e em Pernambuco não tem sido diferente. Um exemplo é o cenário na capital para o pleito de 2024. Candidato natural à reeleição, o prefeito João Campos (PSB) tem intensificado as conversas com a executiva nacional do PT pela manutenção da sigla na Frente Popular.

Mas, apesar de caciques petistas no Estado terem se posicionado favoráveis ao alinhamento com os socialistas no Recife, ainda há um longo caminho a ser percorrido até que o martelo venha a ser definitivamente batido. A bem da verdade, repousa nas mãos do senador Humberto Costa, presidente do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, a decisão final. Humberto defende a continuidade do alinhamento entre as duas siglas, mas o condiciona a um espaço de protagonismo na chapa de João Campos.

Esse imbróglio, no entanto, tende a aumentar o desgaste com o passar do tempo, favorecendo única e exclusivamente a governadora Raquel Lyra (PSDB), que tem caminhado por todo o Estado cumprindo agendas institucionais enquanto intensifica o diálogo com lideranças políticas, rotina que tem estendido à capital federal, garantido livre trânsito tanto na Esplanada dos Ministérios quanto no Palácio do Planalto.

Enquanto PT e PSB seguem batendo cabeça por questões que deveriam ter sido resolvidas de forma pragmática e longe da imprensa, Raquel corre solta como se estivesse comendo papa, pelas beiradas, criando as condições para dar musculatura ao projeto à reeleição para 2026. Com isso, petistas e socialistas tendem a reviver o mesmo cenário de distanciamento nas eleições que se aproximam.

Caso esse desafio venha a ser vencido e posto em prática pelo PSB e PT, o campo progressista se fortaleceria. E, assim, poderia construir uma ampla frente para 2026, com chances reais de enfrentar e derrotar a governadora.

A Deus e ao diabo – Enquanto estreita relações com ministros e emissários do governo federal, Raquel amplia os espaços no seu governo para o bolsonarismo, a exemplo do presidente do PL, Anderson Ferreira, que recebeu de porteira fechada o Detran e ainda emplacou aliados no primeiro e no segundo escalões. Esse cada vez mais frequente aceno de Raquel a aliados do ex-presidente Bolsonaro contrasta radicalmente com o discurso em prol da democracia defendido pelo presidente Lula. Na prática, ela acende um dia uma vela para Deus e no outro dia ao diabo.

Até o Solidariedade – Há, no entanto, novos atores que têm atuado como conciliadores e defensores da união entre os “partidos originais” da base do presidente Lula, a exemplo do ex-prefeito do Jaboatão dos Guararapes, Elias Gomes (PT); a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PCdoB); e o deputado federal Pedro Campos (PSB). Eles têm se posicionado favoráveis a uma aliança entre os partidos em municípios estratégicos, aumentando significativamente as chances de vitória. Chegam a incluir também o Solidariedade, de Marília Arraes.

Sem apadrinhamento – José Sarney tem dito que não tem nenhum nome de sua preferência na disputa pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o site Metrópoles, o recado tem o objetivo de deixar claro que não é o padrinho político do subprocurador Luiz Augusto dos Santos Lima, ligação que tem sido atribuída ao ex-presidente. A confusão ocorreu porque Sarney de fato ligou para Alexandre Padilha pedindo que o ministro recebesse o procurador. Mas foi um pedido de amigos do ex-presidente na PGR.

Maior doador – O empresário Carlos Jereissati, irmão do ex-senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), é, até o momento, o maior doador individual do PP, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL). Um dos donos da rede de shoppings Iguatemi, Carlos doou R$ 141,8 mil para o PP em março deste ano, conforme a prestação de contas apresentada pela legenda à Justiça Eleitoral. Apesar de ser irmão de um dos principais caciques do PSDB, o empresário costuma priorizar o PP em suas doações. Nas eleições de 2022, por exemplo, ele doou R$ 300 mil para o diretório nacional da sigla de Lira, segundo o site Metrópole.

O recado de Janja – A primeira-dama, Janja Lula da Silva, disse, ontem, ao jornal O Globo, não se incomodar com quem pensa que ela não deveria “se meter em política” por não ter sido eleita. Segundo ela, quem faz críticas nesse sentido “não enxerga o mundo” de hoje. Janja afirmou que seguirá “ao lado” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Vou continuar ao lado do presidente, porque acho que é esse o papel que tenho de desempenhar. Não é uma questão de ser eleita ou não. Existem ministros que concorreram e ganharam a eleição ao Senado ou à Câmara, mas a maioria não foi eleita e está lá [no governo]”, desabafou.

CURTAS

MARATONA 1 – Começo, hoje, por Juazeiro, cidade-irmã de Petrolina, já no Estado da Bahia, mais uma maratona de lançamentos da biografia de Marco Maciel. Será na Câmara Municipal, às 19 horas. Amanhã, a noite de autógrafos acontece em Petrolina, no Memorial Nilo Coelho, também às 19 horas, e na quarta em Santa Maria da Boa Vista, às 19 horas, na Câmara.

MARATONA 2 – Na quinta-feira, lanço “O Estilo Marco Maciel” em Araripina, na praça Dom Fernando Campelo, às 19 horas. Já na sexta-feira, será em Belém do São Francisco, no Memorial Zé Pereira e Vitalina, às 19 horas. O encerramento será no sábado, em Salgueiro, na Exposal, feira de negócios do Sertão, às 19 horas. Em razão do agendão, a coluna será assinada por Juliana Albuquerque, de amanhã até sábado.

Perguntar não ofende: O PT blefa ou só apoia João Campos se arrebatar a vaga de vice?

Abreu e Lima na dianteira

Por Juliana Albuquerque – repórter do Blog

Um terço dos municípios brasileiros não tem recursos próprios para manter a estrutura das suas Prefeituras e das Câmaras, de acordo com o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).  

Ponto fora da curva, em Pernambuco, a cidade de Abreu e Lima, na Região Metropolitana, atingiu quase a nota máxima no índice, que segundo a metodologia aplicada, quanto mais próximo de 1, melhor o desempenho da gestão pública do município.

Liderada desde 2021 pelo prefeito Flávio Gadelha (União Brasil), Abreu e Lima foi a primeira colocada no ranking estadual, com pontuação de 0.915, a frente, inclusive, da capital pernambucana e de Jaboatão dos Guararapes, duas das maiores cidades do Estado.

A explicação para atingir a excelência na gestão fiscal, nas palavras do próprio prefeito, é trabalho árduo baseado em muitos ajustes. Isto porque, quando assumiu, o gestor afirma ter encontrado a cidade praticamente abandonada. Prova desse abandono, pode ser confirmado através dos IFFG de anos anteriores, que indica que entre 2014 e 2020, Abreu e Lima figurava no vermelho, com as contas fiscais em grau de dificuldade e crítico.

 “Estamos conseguindo recuperar Abreu e Lima, que ainda não está da forma que queremos, uma vez que não temos como mudar tudo que precisa ser mudado da noite para o dia, mas estou trabalhando a cada ano para conseguir deixar a cidade cada dia melhor. O primeiro lugar no Estado no estudo da Firjan comprova que estamos no caminho certo para colocar Abreu e Lima em definitivo no mapa do desenvolvimento de Pernambuco”, afirmou.

No índice medido pela Firjan, são avaliados quatro indicadores (investimentos, liquidez, autonomia e gastos com pessoal) das contas públicas de 5.240 municípios brasileiros. No caso de Abreu e Lima, apenas no que se refere à autonomia, que verifica se as receitas oriundas da atividade econômica suprem os custos da estrutura administrativa da Prefeitura, a cidade não atingiu a pontuação máxima. Neste, apesar de dentro do indicativo de boa gestão do levantamento, a cidade pontuou 0.6859.

“Com a ajuda nos contribuintes, através do pagamento em dia do IPTU e outros tributos municipais, estamos conseguindo alavancar a nossa receita própria para atingir a excelência também nesse indicador”, revela o prefeito.

Capitais – Considerando apenas as capitais, Salvador teve o melhor desempenho (0,9823 ponto) no Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF). Completam a lista na categoria gestão excelente Manaus (0,9145), São Paulo (0,8504), Vitória (0,8412), Curitiba (0,8350), Recife (0,8320) e Aracaju (0,8116). A pior foi Campo Grande (0,3906 ponto), única no nível crítico de acordo com o estudo. 

Recife – Em sexto lugar no ranking entre as capitais com a melhor gestão do Brasil, a posição do Recife representa um salto de nove posições no comparativo com 2021, quando apareceu em 15º. Com avaliação geral de 0.8320, o Recife atingiu o grau de excelência tendo como destaques a Autonomia e Gasto com Pessoal, nos quais atingiu pontuação máxima.

Pós-pandemia – Na análise feita pelos pesquisadores da Firjan, o bom desempenho das contas públicas na maioria dos municípios brasileiros está diretamente associado aos efeitos ligados à recuperação pós-pandemia, que funcionaram como uma demanda reprimida que fizeram crescer a economia, e, consequentemente, a arrecadação. 

Escola de Sargentos – Diante da demora do Governo Raquel Lyra se posicionar oficialmente sobre o projeto de construção da Escola de Sargentos e Armas em Pernambuco, cujo investimento previsto por parte do Exército é de R$1,8 bilhão, o coordenador-geral da Frente Parlamentar que acompanha o projeto, deputado Renato Antunes, realiza nova audiência pública. Será na próxima terça-feira, às 10h, no Auditório Sérgio Guerra.

LDO – A discussão e votação do relatório final do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) do próximo ano, que segundo proposta do Executivo Estadual prevê um orçamento fiscal de R$ 47,26 bilhões, será discutida e votada em 29 de novembro. Os deputados terão até às 13h do próximo dia 10 para apresentar emendas, e a primeira discussão dos relatórios parciais será feita no dia 22 de novembro.

CURTAS

REFORMA 1 – A previsão do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), é discutir na comissão, na próxima terça-feira, a PEC 45/2019, que trata sobre a reforma tributária. Ele espera que o substituto da proposta, apresentado na última semana pelo relator Eduardo Braga (MDB), possa ser votado no Plenário da CCJ entre quarta e quinta, para ser devolvida à Câmara dos Deputados já na sexta-feira.

REFORMA 2 – Para que seja aprovada, uma PEC depende do apoio de 3/5 da composição de cada Casa, em dois turnos de votação em cada Plenário. No Senado, são necessários os votos de, no mínimo, 49 senadores. O texto só é aprovado se houver completa concordância entre a Câmara dos Deputados e o Senado. Como Braga apresentou um substitutivo, o texto passará por nova análise dos deputados.

Perguntar não ofende: Até quando o Governo Raquel deve ficar em silêncio com relação à construção da Escola de Sargentos e Armas em Pernambuco?

Vice de João não sairá do PT

Com uma gestão bem avaliada, segundo pesquisas dos mais variados institutos, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), viaja, no momento, em céu de brigadeiro rumo à reeleição. Sem adversários aparentemente competitivos, o que precisa para emplacar um novo mandato, logo no primeiro turno, vai depender apenas da sua capacidade de articulação.

Eduardo Campos, seu pai, e Miguel Arraes, seu bisavô, eram próximos ao estágio da genialidade em montagens de chapa. Considerado um animal político de esquerda, Arraes teve a larga compreensão de que sem um candidato a vice no espectro da direita não chegaria a lugar nenhum.

Na histórica eleição de 86, na qual seu jingle dizia que voltaria a governar Pernambuco entrando pela porta que foi expurgado pelo regime de exceção, Arraes escolheu Carlos Wilson, de centro direita, para vice e um usineiro para o Senado, o saudoso Antônio Farias, eleito na mesma onda e clima que o padre Mansueto de Lavor também chegou a Casa Alta.

Eduardo, por sua vez, uniu a Frente Popular pelo critério regional em 2006, escolhendo João Lyra Neto, ex-prefeito de Caruaru, para vice, até então filiado ao PDT. Deu certo e repetiu a chapa em 2010. Em 2020, João Campos também contemplou o PDT com a vice, mas não uniu a Frente Popular, pois o PT lançou Marília Arraes e com ela disputou o segundo turno e venceu.

Com a eleição batendo à porta – faltam menos de 11 meses – o mesmo PT virou a pedra no caminho de João. Pleiteia a vice, na condição de, não sendo atendido, lançar uma candidatura em faixa própria. Já têm até nomes escalados, entre os quais o deputado João Paulo e a senadora Teresa Leitão. João não vai ceder, porque, diante da possibilidade de disputar o Governo do Estado, em 2026, terá que escolher um vice da sua absoluta confiança, o que, convenhamos, não está na constelação petista.

Orientação de Lula – De volta ao poder, com Lula despachando novamente no Palácio do Planalto, o PT se acha no direito de impor a João Campos o direito de indicar o vice. Principal liderança do PT no Estado, o senador Humberto Costa tem conversado muito com Lula sobre Recife, principalmente depois dos acenos que o chefe da Nação vem dando à governadora Raquel Lyra. De Lula, Humberto tem ouvido uma só ladainha: garantir para o PT a vaga de vice na chapa do prefeito recifense.

Capital político – Com ou sem o PT, as chances de João Campos ser reeleito são altíssimas, mas para quem está de olho num clássico em 2026 – enfrentar Raquel Lyra na disputa pelo Governo do Estado – liquidar logo no primeiro turno a fatura no Recife dará a ele um enorme capital político, que se reduzirá na medida em que emplacar a reeleição apenas num segundo turno.

Quem é quem – Mas quem seria o nome da absoluta confiança que João Campos escolheria no seu universo de relacionamento excluindo o PT? Algumas alternativas estão presentes no noticiário da mídia, sendo dois os mais citados: o presidente da Câmara, Romerinho Jatobá, e o secretário de Governo, Aldemar Santos, o Dema. Como reservas técnicas, o secretário de Educação, Fred Amâncio, e a secretária de Infraestrutura, Marília Dantas, uma das revelações da sua gestão.

Olho na gestão – Centrado na gestão, João, entretanto, vai levar esse assunto com a barriga até onde for possível. Uma fonte bem próxima a ele diz que só abrirá a discussão dentro do seu arco de alianças em abril do ano que vem. O prefeito só fala numa coisa hoje em dia: entregar as grandes obras em andamento até junho, entre as quais a nova orla de Boa Viagem e o Parque Eduardo Campos.

Sem perda alguma – Por diversas vezes, a senadora Teresa Leitão tem dito que seu compromisso é com o mandato conquistado nas eleições passadas. Mas se for para cumprir uma missão, que parta do presidente Lula e das forças do PT no Estado, ela pode disputar a Prefeitura do Recife, até porque não tem nada a perder, com mais seis anos de mandato na Casa Alta.

CURTAS

CASSAÇÃO – A Câmara de Arcoverde vai abrir, hoje, o processo de cassação da vereadora Zirleide Monteiro, que numa fala infeliz disse que ter filho deficiente é castigo de Deus, referindo-se a uma mãe com um filho autista e que havia postado um vídeo do momento em que a parlamentar sofreu um tombo numa sessão da Casa.

SUSPENSÃO – O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) decidiu suspender o envio dos nomes aprovados pelos senadores para ocupar vagas no STJ (Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele interrompeu o processo e pediu para a Advocacia do Senado analisar se houve favorecimento à advogada Daniela Teixeira, um dos nomes indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Perguntar não ofende: Qual será o próximo secretário de Raquel a entrar na dança das cadeiras?

O jogo sujo de Raquel Tapioca com o PDT

Em tudo que já foi noticiado sobre o desejo da governadora Raquel Lyra (PSDB) em ter na sua base mais um partido, no caso o PDT, legenda de esquerda, vamos aos fatos reais: ela esteve com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ministro da Previdência, numa passagem por Brasília.

Fez juras de amor, mas em nenhum momento se comprometeu em assinar a ficha de filiação da legenda trabalhista. A conversa teve apenas um objetivo: a eleição no Recife. Raquel quer tirar o PDT de João Campos, cuja vice, Isabela de Roldão, é filiada ao partido. Suas pretensões vão mais além.

Ela quer filiar ao PDT o deputado federal Túlio Gadelha, eleito na federação PSol-Rede, para apoiá-lo na disputa pela Prefeitura do Recife. Só esqueceu de um detalhe: quem se elege em eleição proporcional, não pode mudar de partido. Gadelha deve fidelidade à federação e se sair, perde o mandato.

Mas trazendo o PDT para junto de si, Raquel mata três coelhos com uma só cajadada: subtrai mais um partido da coligação de João Campos, como fez recentemente com o PSD, tira o controle do partido em Pernambuco das mãos de José Queiroz, inimigo figadal, e, por tabela, dá um bofete no prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro.

Ela odeia Pinheiro e diz que apoia sua reeleição da boca para fora. Com o PDT sob seu controle, ela costura fácil uma candidatura de perfil de esquerda contra a reeleição de Pinheiro, com o suposto apoio do presidente Lula, já que o PDT é uma legenda que compartilha o Governo Lula, ocupando o Ministério da Previdência Social. Raquel só esqueceu de combinar com os gregos.

Lupi tem lealdade canina ao grupo de Zé Queiroz, e fala todos os dias com Wolney Queiroz, seu secretário-executivo na Previdência. A esta altura do campeonato, as chances de Raquel Tapioca roubar o controle do PDT das mãos dos Queiroz são bem próximas a zero.

O bestinha – O que apurei em Brasília é que Raquel chegou até o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, numa triangulação articulada silenciosamente pelo presidente Lula. O petista só enxerga a sua reeleição em 2026. E quer, a todo custo, todas as forças de Pernambuco em seu palanque, de João Campos a Raquel Lyra. Bestinha, hein?

A rasteira de Lula – O prefeito do Recife, João Campos, que abra os olhos: está bem próximo de sofrer uma tremenda decepção do presidente Lula, de quem esperava lealdade canina para sua reeleição e, dois anos depois, seu apoio para sair candidato a governador contra Raquel Lyra. Lula nunca leu um livro, mas ninguém entende mais do que ele dos ensinamentos de Maquiavel na obra O Príncipe.

Suspeito de corrupção na Petrobras – A Petrobras nomeou Luís Fernando Nery como gerente executivo de Comunicação interino. Ele havia ocupado o mesmo cargo de 2015 a 2016, como titular, sendo o responsável por administrar o milionário orçamento de publicidade da estatal, mas foi demitido em 2019 por suspeita de corrupção. Na época, um processo administrativo interno apontou desvios em verbas para propaganda e eventos. A nomeação foi feita em 1º de outubro, segundo informações publicadas pelo jornal O Globo e confirmadas pelo Poder360. Com o título de interino, a gestão Petrobras consegue driblar as regras de compliance da empresa.

Nome de confiança do PT – Nery foi indicado em abril pelo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, para comandar a Gerência Executiva de Comunicação como titular. Na ocasião, porém, o Comitê de Conformidade da estatal barrou a volta do executivo por causa das irregularidades no passado. Luiz Fernando Nery é ligado a Wilson Santarosa, que comandou a Gerência de Comunicação da Petrobras de 2003 a 2015, ou seja, durante os dois mandatos iniciais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o primeiro de Dilma Rousseff (PT). É um nome de confiança do PT e possui boa relação com a FUP (Federação Única dos Petroleiros).

Usando o nome de Lula em vão – Integrante da equipe do ministro da Articulação Política, Alexandre Padilha, o petista pernambucano Mozart Sales sonha acordado em ser o vice na chapa do prefeito do Recife, João Campos, na disputa pela reeleição no ano que vem. Já diz aos quatros cantos do Palácio do Planalto que é o nome que vai sair do colete do presidente Lula. O tempo dirá!

CURTAS

BANCADA NEGRA 1 – A Câmara dos Deputados aprovou, ontem, a criação da bancada negra da Casa. O grupo terá direito a espaço de fala e de voto nas reuniões de líderes. A bancada será composta pelos deputados que fizeram a auto declaração racial no formulário do registro de candidatura da eleição.

BANCADA NEGRA 2 – O grupo terá um coordenador-geral e três vices coordenadores. Em 2023, o número de candidatos autodeclarados pretos e pardos representa 26% da composição da Câmara. A bancada negra também terá espaço de fala em plenário, por cinco minutos semanalmente, para os comunicados da liderança.

Perguntar não ofende: Lula está com João Campos ou com Raquel Lyra?

Haddad prega no deserto

Desde que jogou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na jaula dos leões, o presidente Lula só tem sido cobrado sobre resultados nas contas públicas. A vida dele virou um inferno e Haddad, abandonado, já insultou até jornalistas em Brasília quando tratado sobre as declarações do chefe, de que não tem compromisso em zerar o déficit público.

O cenário de hoje dentro do governo está mais para mudar do que para manter a meta fiscal de zerar o déficit das contas públicas em 2024, segundo estampou, ontem, o Estadão. Segundo o jornal, com o movimento de lideranças do Congresso para votar o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a ala política do governo Lula voltou a pressionar por uma mudança na meta fiscal ainda neste ano.

Na sexta-feira passada, o presidente verbalizou essa pressão ao admitir que dificilmente a meta seria atingida para não impedir os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Essa área está sob o cuidado do ministro da Casa Civil, Rui Costa, um dos principais defensores da mudança com influência junto ao presidente.

O ministro da Fazenda está pregando no deserto, reconhecem fontes do governo ouvidas pelo Estadão. Haddad quer continuar com a meta para buscar a aprovação das medidas arrecadatórias. Hoje, a meta é zerar o déficit em 2024, mas com uma margem de tolerância de 0,25 ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) para cima e para baixo, prevista no novo arcabouço fiscal.

A mudança para um déficit em torno de 0,5% do PIB permitiria evitar a necessidade de um bloqueio de R$ 53 bilhões em despesas no ano que vem – o máximo permitido pelo arcabouço com base nos dados do orçamento de 2024 enviado pelo governo.

Custo político e financeiro – O desejo da área política não é novo – há um mês, esse era o tema das discussões -, mas reacendeu porque integrantes do Palácio do Palácio defendem que a mudança seja feita por meio de mensagem modificativa, antes do início da votação da LDO na Comissão Mista de Orçamento (CMO). O custo político e financeiro, avaliam, seria menor caso a mudança fosse feita agora.

Em alta – Os prefeitos que passam por Brasília em busca de destravar projetos e recursos federais não se cansam de elogiar a disposição e o prestígio do deputado Fernando Monteiro (PP). Ele cumpre uma agenda incansável na Esplanada dos Ministérios e, com ele, os prefeitos não apenas são recebidos com tapete vermelho pelos ministros, como saem com resultados concretos em liberação de recursos para obras novas e outras em andamento nos municípios.

Sem aumento de impostos – Segundo Haddad, no passado – não tão longínquo – o problema das contas públicas era resolvido com aumento de impostos. “Estamos trabalhando projeto a projeto para corrigir distorções”, ponderou. “Teve governo que aumentava carga tributária e alíquota de PIS/Cofins em uma penada, mas nós colocamos até trava de carga na reforma tributária”, afirmou.

Aumento da arrecadação – O ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) disse, ontem, que a prioridade do governo até o fim de 2023 é aprovar projetos que ampliem a arrecadação federal e negou que haja discussão interna para enviar uma mensagem ao Congresso com alteração da meta fiscal de déficit zero em 2024. De acordo com ele, a eventual possibilidade de mudança na meta não foi discutida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com presidentes e líderes de partidos que integram a base de apoio ao governo em votações na Câmara dos Deputados. O chefe do Executivo se reuniu por duas horas com representantes de 17 partidos no Congresso.

BNDES demonizado – O ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) e ex-diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Roberto Gianetti, deu uma aula de economia no Roda Vida da última segunda-feira. “Apoio o BNDES, ele cumpre papel fundamental de estímulo ao investimento e apoio ao setor produtivo nacional. Obviamente, alguns erros e equívocos ocorreram no passado, e que foram corrigidos, mas as críticas são muito mais graves do que a realidade. O BNDES foi demonizado de uma forma grave”, disse ao falar sobre o encolhimento do banco diante do mercado de capitais.

CURTAS

ECONOMIA VERDE – Para Gianetti, o BNDES é uma instituição muito séria, um dos maiores patrimônios do Brasil e que os outros países invejam”. Todos da América Latina invejam, o BNDES tem um papel muito importante e pode ser muito mais bem utilizado na economia verde, por exemplo, disse.

SALVADOR NA LIDERANÇA – Levantamento feito pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) mostrou que Salvador tem a melhor gestão fiscal entre as capitais do país. Campo Grande fica na lanterna no ranking. Recife ficou na sexta posição, abaixo de Curitiba, Vitória, São Paulo e Manaus.

Perguntar não ofende: Haddad está na fritadeira?

Derrapada de Lula expõe Haddad

Por mais que amenize, o presidente Lula já chamuscou a gestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao afirmar ser difícil o governo conseguir zerar o rombo nas contas públicas em 2024. Imediatamente, o mercado reagiu. O principal índice da Bolsa de Valores brasileira começou a cair.

O mercado financeiro atua de olho no compromisso do governo com o equilíbrio das contas públicas. Zerar o déficit fiscal em 2024 foi uma meta assumida pela equipe econômica quando o novo arcabouço fiscal foi aprovado pelo Congresso Nacional. Para 2023, Haddad chegou a dizer que o governo teria um déficit de menos de R$ 100 bilhões.

Mas o secretário do Tesouro informou, tão logo após a derrapada de Lula, ainda na sexta-feira passada, que houve uma piora de mais de R$ 80 bilhões nas contas públicas de 2023. A arrecadação está caindo, enquanto as despesas continuam subindo. A previsão de rombo, agora, já passa de R$ 140 bilhões.

Rogério Ceron, secretário do Tesouro Nacional, afirmou que o cenário econômico para o próximo ano é ainda mais desafiador e não descartou a possibilidade de alteração da meta zero para 2024. “Não estou sinalizando que há ou não uma discussão de alteração. Só estou dizendo que há um cenário mais desafiador por conta do cenário externo, de alguns eventos que foram surgindo e que adicionam pressão a uma busca por resultados, que tem lá já o seu próprio desafio”, afirmou.

Busca de resultados – Para Ceron, isso, ainda que tenha esses novos impactos, não muda o processo de reversão ou busca do resultado zero. “Estou sendo franco em dizer que tem pressões adicionais que estão surgindo, que podem ter impacto, e é preciso ser sereno para poder enfrentá-los com a técnica e com transparência que é necessário para se manter uma credibilidade”, afirmou.

Perda da credibilidade – O relator da LDO, a lei que estabelece as diretrizes para o Orçamento do próximo ano, Danilo Forte (UB-CE), disse que, diante do que Lula falou, será preciso conhecer mais a fundo os parâmetros do governo. “Nós temos uma pauta muito clara que precisa da retomada do crescimento econômico e dos investimentos privados e, para isso, é necessário ter credibilidade do governo. E o ministro Haddad estava fazendo um esforço muito grande para garantir essa credibilidade com a busca da meta fiscal zero”, afirmou. 

Fala constrangedora – O relator disse, ainda, não restar dúvidas de que a fala do presidente da República desconstrói. “Constrange inclusive as atividades no Ministério da Fazenda no momento em que o Congresso Nacional estava afinado na votação dessas matérias no final do ano”, alertou. Na conversa com os jornalistas, durante um café da manhã, sexta-feira passada, Lula disse: “Tudo o que a gente puder fazer para cumprir a meta fiscal, a gente vai cumprir. O que eu posso te dizer é que ela não precisa ser zero. O país não precisa disso”.

Saiu pela tangente – Em conversa com jornalistas, ontem, o ministro da Fazenda minimizou a fala de Lula (PT) sobre a meta fiscal de 2024. Disse que não há descompromisso do governo com as contas públicas e que o chefe do Executivo está preocupado com os “ralos” tributários que diminuem a arrecadação federal. O ministro não respondeu se a meta fiscal de déficit zero será mantida em 2024. Haddad disse que tem compromisso com “minha meta”, que é equilibrar as contas públicas. Evitou dizer se a meta de zerar o déficit fiscal em 2024 está mantida.

Busca pelo equilíbrio fiscal – “Eu, enquanto ministro da Fazenda, vou buscar o equilíbrio fiscal”, disse Haddad, adiantando ser essa é uma “obrigação” e “crença”. Afirmou que precisa de apoio político do Congresso e Judiciário para alcançar o objetivo. Apesar da repercussão negativa das falas de Lula, Haddad declarou que o presidente tratava sobre benefícios tributários. Lula teria sido alertado pela equipe econômica sobre medidas adotadas pelo Congresso e pelo STF (Supremo Tribunal Federal) que diminuíram a receita com o IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica).

CURTAS

DINHEIRO – O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que, se alguém especular que não há sintonia entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a política econômica a ser seguida pelo governo, vai “perder dinheiro”.

ACREDITE SE QUISER! – Padilha afirmou também que não há diferença na política econômica do atual Governo com os outros de Lula. Ressaltou que os governos petistas sempre tentaram aliar o desenvolvimento socioambiental com a responsabilidade fiscal.

Perguntar não ofende: E o Governo Lula tem política econômica?

Lula e Alckmin em palanques opostos

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já começou a contrariar o presidente Lula, indo na contramão no campo eleitoral em São Paulo na disputa pela Prefeitura em 2024, ao sair em defesa da candidatura de Tabata Amaral, do seu partido, enquanto o PT e o próprio Lula estão comprometidos com Guilherme Boulos (Psol), já em plena campanha.

“Tabata é a verdadeira mudança”, disse Alckmin, ao discursar num evento do PSB, sábado passado. Alckmin discursou, exaltou Tabata, mencionou sua experiência como deputada, sua história de vida e ressaltou que ela estudou com bolsa na universidade de Harvard, nos Estados Unidos. “Ela é a novidade, a verdadeira mudança”, enfatizou.

O vice afirmou ainda que a deputada “não nasceu em berço esplêndido” e vem da Vila Missionária, na periferia da capital. O vídeo do momento foi divulgado pela Folha de S. Paulo. “Não tenho dúvida que nós, o PSB, vamos representar a mudança para melhorar a vida da população de São Paulo. Tabata é São Paulo!”, acrescentou.

O ministro das Micro e Pequenas Empresas, Márcio França, também estava presente no evento. A primeira pesquisa eleitoral divulgada pelo Datafolha, no final de agosto, mostrou que Boulos está na liderança com 32% das intenções de voto. O atual prefeito, Ricardo Nunes, aparece em segundo lugar com 24%, seguido por Tabata Amaral com 11% e Kim Kataguiri com 8%.

Reação de Tabata – Em entrevista ao site O Antagonista, a deputada Tabata Amaral disse que a eleição de 2024 não será entre Lula e Bolsonaro. “Boulos não é Lula. Nunes não é Bolsonaro. Nenhum dos dois eu vejo dialogando com esse sentimento de transformação profunda que a cidade quer. O Datafolha mostrou que 79% esperam ações diferentes do próximo prefeito. Não vai ser o Lula nem o Bolsonaro o próximo prefeito de São Paulo”, afirmou.

Segundo palanque da divisão? – No Recife, a deputada Tabata Amaral também terá o seu namorado, o atual prefeito João Campos, disputando a reeleição pelo PSB, partido de Geraldo Alckmin. O PT pleiteia a vice de João, mas se o prefeito não ceder, o cenário pode levar Lula a ter o segundo palanque nas capitais afastado do vice-presidente. Um dos nomes que os petistas já sinalizaram para uma candidatura em faixa própria é o da senadora Teresa Leitão.

Mais lulista – Tendo como cenário a polarização das eleições presidenciais passadas, duas cidades estão distantes das discussões envolvendo apoiadores e militantes de diferentes partidos e pensamentos, com o apoio nas eleições municipais sendo quase um consenso em relação ao lulismo ou o bolsonarismo. Guaribas (PI), 93,86% dos eleitores votaram em Lula, a cidade mais lulista do País.

Mais bolsonarista – Já Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, é a cidade mais bolsonarista do País. Nas eleições passadas, 89,99% dos votantes escolheram Jair Bolsonaro. A cidade foi fundada em março de 1992 e é chamada de “pequeno paraíso italiano”. O nome é uma homenagem a Pádua (Padova, em italiano), uma das principais localidades da região do Vêneto, no Norte da Itália. A aproximação com Bolsonaro está no conservadorismo da maioria dos moradores. Os paduenses mantêm a tradição da língua “talian”, um dialeto da imigração do Vêneto na virada do século 19 para o 20.

Eminência parda – Engana-se quem acha que a governadora Raquel Lyra (PSDB) tem autonomia absoluta nas suas decisões. Ela não toma nenhuma direção no prumo da venta sem ouvir o chefe de gabinete, Eduardo Vieira. Remanescente da República de Caruaru, Vieira é a verdadeira eminência parda do Governo. Ninguém, entretanto, sabe explicar de onde vem tanto poder e capacidade de influenciar a tucana.

CURTAS

FRITURA – Depois que declarou que em seu governo dificilmente vai cumprir a meta de zerar o déficit fiscal, o presidente Lula deu motivos para a mídia espalhar que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está na fritadeira.

OLHO NAS URNAS – Lula deixou claro que não arriscará sua popularidade em um ano eleitoral para contingenciar recursos de obras e investimentos apenas para manter um resultado que, desde o início, não se mostra factível.

Perguntar não ofende: A quem interessa saber o gosto da governadora por tapioca?

Cadê a paz, governadora?

Por Juliana Albuquerque – repórter do Blog

Em março deste ano, quando saiu o ranking da violência nos Estados, levando Pernambuco, mais uma vez, ao topo nacional, com 3.470 assassinatos em 2022, alta de 1,5% em relação a 2021, a governadora Raquel Lyra (PSDB) prometeu “devolver a paz ao povo pernambucano”.

Prestes a completar 11 meses de gestão, focada em uma agenda alheia à violência crescente no Estado, a tucana sequer consegue divulgar o seu mirabolante plano de segurança pública, batizado de “Juntos pela Segurança”.

Lançado com pompas no fim de julho, num evento que deixou envergonhada a plateia que lotou o Teatro Guararapes, decorridos 90 dias o Estado continua à espera de medidas para frear a violência. A promessa, na ocasião, era divulgar de fato o plano no dia 28 de setembro, o que não ocorreu. A justificativa dada por ela é que estariam sendo consolidadas as informações obtidas na escuta popular colhidas durante o ‘Ouvir para Mudar’.

Em meados deste mês, após duras cobranças da bancada da oposição ao Governo do Estado na Alepe, uma nova promessa foi feita – até o fim deste mês a governadora Raquel, finalmente, pode divulgar a sua versão do Pacto pela Vida, plano de segurança pública criado pela gestão PSB em Pernambuco.

“É lamentável toda sociedade estar cobrando de uma governadora, que assumiu há praticamente 11 meses, uma atitude para frear a escalada crescente da violência. Pernambuco está entre os três piores em segurança pública de acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados. Só fica atrás de Rondônia e Amapá”, diz o deputado Alberto Feitosa (PL).

Segundo o parlamentar, que serviu por mais de 25 anos no serviço operacional da Polícia Militar de Pernambuco, no Governo de Raquel todos os meses são registradas pioras nos índices de violência em relação ao ano passado. Só em setembro, esse crescimento foi de 42,7% em relação ao mesmo mês de 2022.

Despreparo – Para Alberto Feitosa, a demora na apresentação do ‘Juntos pela Segurança’ só demonstra a falta de preparo da tucana para mostrar ações concretas em uma área tão importante quanto a Segurança Pública. “Isso só mostra que a governadora está totalmente perdida na questão da segurança pública. O cidadão está com medo, a polícia está se sentindo desamparada e a bandidagem confiante para agir a qualquer hora do dia e da noite nas cidades pernambucanas”, completa.

Pode piorar – Se a situação da Segurança Pública já está difícil, tende a ficar ainda pior caso o Governo Raquel Lyra insista em não dialogar com as categorias que integram o Fórum dos Servidores da Segurança Pública. Na última quinta, em ato conjunto de cobrança por investimentos na estrutura das polícias, valorização salarial e contratação de pessoal, foi definida a realização de uma Assembleia Geral Conjunta, no dia 7 de novembro. Se até lá o Governo insistir na política do silêncio, pode ser deflagrada uma operação padrão em toda a segurança pública de Pernambuco.

Operação padrão – Se deflagrada a operação padrão, as forças policiais do Estado farão exclusivamente o que é legalmente estipulado como atribuições da categoria. Isso implicar dizer que na Polícia Civil, por exemplo, a prioridade nas investigações se dará por ordem cronológica. Ou seja, diferente do que ocorre normalmente, os crimes deste ano só serão investigados após a conclusão dos que aconteceram no ano passado.

Finalmente – Depois de muita pressão por parte dos aprovados do concurso da Polícia Penal, a secretária estadual de Administração, Ana Maraíza, finalmente publicou, no Diário Oficial do Estado, na quinta-feira, a listagem com a classificação dos nomes aprovados no curso de formação. Concluído em junho deste ano por todos os 1.354 aprovados no certame do ano passado, apenas os 350 colocados, dos quais, apenas 338 foram nomeados, sabiam a sua classificação. A resistência em divulgar a listagem completa, seria o receio de ampliar ainda mais a cobrança por novas nomeações, visto a vacância de mais de 2 mil cargos no setor.

Balística – Sem qualquer menção à realização de concurso no Juntos pela Segurança, a Polícia Científica do Estado está sem mão de obra qualificada para operar o Banco Nacional de Perfis Balísticos em Caruaru. Pronto para funcionar desde maio deste ano, o setor de balística forense de Caruaru é um dos três implantados em Pernambuco com recursos que somam mais de R$11 milhões do Governo Federal. “Hoje a gente tem situações de investimentos do Governo Federal, como o nosso banco balístico, por exemplo, sem pessoal para operar, sem a capacidade de ajudar a resolver e a diminuir o número de homicídios no nosso Estado”, revela a presidente da Associação de Polícia Científica de Pernambuco (APOC-PE), Camila Reis Baleeiro.

CURTAS

ANTIRRACISTA – No mês da Consciência Negra, a Assembleia Legislativa de Pernambuco promove, entre 6 e 10 de novembro, sua 1ª Jornada Alepe Antirracista. Além de uma exposição em homenagem à dançarina e cantora Lia de Itamaracá, a jornada será marcada por um grande ciclo de palestras sobre o tema, que encerra com a participação da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, durante Conferência Magna.

FPM – A sanção de Lula, na última terça-feira, ao Projeto de Lei Complementar 136/2023, que estabelece a recomposição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) referente às quedas ocorridas de julho a setembro de 2023, foi recebida com muita satisfação em Pernambuco.  “A atuação conjunta da Amupe com a CNM, e dos gestores e gestoras municipais foi essencial para garantir que nossos Municípios recebessem o apoio necessário no momento”, comemorou a prefeita de Serra Talhada e presidente da Amupe, Márcia Conrado.

Perguntar não ofende: Será que O Governo do Estado vai insistir no silêncio e deixar as polícias deflagrarem operação padrão?

Assassinato do juiz é culpa do Estado

Na apuração do assassinato do juiz Paulo Torres Pereira da Silva, 69 anos, na quinta-feira da semana, em Jaboatão, sobrou para o Governo do Estado a fatura mais alta. De todas as suspeitas inicialmente levantadas – crime passional, vingança ou execução – assalto, conforme a polícia concluiu, foi terrível para a governadora Raquel Lyra (PSDB).

Quando a família perde alguém por uma tentativa de latrocínio – roubo seguido de morte – o que se deduz de imediato é que falta uma política de segurança pública. E a responsabilidade recai no Governo. Próximo a completar um ano de gestão, a governadora não pôs em prática nenhum programa de combate à violência.

Na segurança pública, o Estado está, literalmente, às moscas. A violência campeia solta em qualquer região. Deixou de ser exclusividade da Região Metropolitana do Recife para se adentrar pelo Sertão afora, deixando todos os segmentos da sociedade apreensivos. A governadora parece ignorar o clamor da população, que teme sair às ruas.

Aliás, nem política salarial para quem faz a segurança existe no Governo dela. Ontem mesmo, policiais que atuam nas mais diversas áreas, de bombeiro ao pessoal científico e técnico, promoveram um grande protesto contra o Governo pela falta de abertura nas negociações salariais e na melhoria das condições de trabalho.

Pernambuco é o Estado que tem o maior número de mortes violentas por 100 mil habitantes em todo o Brasil, com base nos números oficiais da Secretaria de Defesa Social. São 35,3 assassinados a cada 100 mil residentes e a governadora vive no mundo da lua, cuidando de outros projetos que não levam a lugar nenhum, como a ferrovia Transnordestina, cuja empresa interessada, a Bemisa, já caiu fora.

O que ela gosta mesmo é de holofotes, de falar sobre sexo dos anjos e tanto blábláblás. O que o cidadão pernambucano precisa é de segurança, ter a certeza que saindo para trabalhar voltará com vida e em paz. Pelo menos por enquanto, o Governo dela não está garantindo e por isso mesmo ninguém confia nas suas palavras, que são como folhas secas, levadas na direção que o vento sopra.

Situação sem controle – Um motorista de aplicativo de 33 anos foi feito refém e roubado por criminosos que solicitaram uma corrida em Boa Viagem, no último domingo. O assalto foi filmado por uma câmera de segurança que o motorista havia instalado no veículo. Nas imagens, em vídeo postado no portal G1, da TV-Globo, é possível ver três homens no carro, um deles no banco de passageiro dianteiro e os outros dois, no banco traseiro.

Magistrado reagiu ao assalto – Um dos suspeitos pela morte do juiz confessou que o magistrado reagiu à tentativa de assalto. Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco, os suspeitos presos foram indiciados por latrocínio. Eles foram identificados pelo TJPE como Kauã Vinícius Alves da Rocha, Esdras Ferreira de Lima e Alcides da Silva Medeiros Júnior. Somente Kauã confessou o crime.

O crime – O juiz Paulo Torres Pereira da Silva foi assassinado a tiros no bairro de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, enquanto dirigia o próprio carro. Ele foi cercado por criminosos que dispararam contra o veículo e fugiram do local. Segundo as investigações, o crime aconteceu por volta das 20h na Rua Maria Digna Gameiro, a cerca de 300 metros da casa do magistrado. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionada, mas o juiz já estava morto quando os socorristas chegaram.

TJ negou prisão – Um dos homens presos suspeito pelo assassinato do juiz Paulo Torres Pereira da Silva teve a prisão preventiva negada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco em abril deste ano. Alcides da Silva Medeiros Júnior foi denunciado pelo crime de homicídio, que teria sido praticado em janeiro de 2022. Segundo o Ministério Público, na época ele já integrava uma facção criminosa com atuação na região.

Latrocínio e organização criminosa – Alcides da Silva Medeiros Júnior foi preso na última segunda-feira junto a outros dois suspeitos pela morte do juiz Paulo Torres. Os criminosos foram encontrados próximos ao local do crime, na praia no Cabo de Santo Agostinho, em Gaibu. Após prestarem depoimento à polícia, Alcides, Kauã Vinícius Alves da Rocha e Esdras Ferreira de Lima foram autuados por crime de latrocínio e organização criminosa. Em depoimento, eles afirmaram que tentaram assaltar o magistrado que teria reagido à abordagem.

Curtas

Envelopar – A intenção do grupo, que segundo a polícia faz parte de uma facção criminosa do Estado, era “envelopar” de preto o veículo para escapar das investigações policiais e para que não sofressem represálias do tráfico.

Autorização – De acordo com os criminosos, eles tinham autorização para roubar na área, mas não matar. Os criminosos acreditavam que podiam ser punidos pelos traficantes por terem assassinado Paulo Torres. O delegado Roberto de Lima Ferreira pediu a prisão preventiva dos três criminosos, incluindo o crime de “organização criminosa”, “dada a sofisticação” na divisão de tarefas entre eles.

Perguntar não ofende: Cadê o plano de segurança, governadora?

Crescimento rabo de cavalo

A avaliação da gestão de Lula está crescendo feito rabo de cavalo, para baixo. Despencou mais quatro pontos percentuais no novo levantamento do instituto Genial/Quest divulgado ontem. Caiu de 42% para 38% o percentual dos que aprovam o Governo, enquanto entre os que rejeitam o desempenho pessoal do presidente despencou mais 6%, saindo 60% para 54%.

Os que disseram desaprovar o trabalho de Lula somam 42%, ante 35% no levantamento anterior. A percepção da economia é um fator importante para a queda da popularidade do governo. Para 32%, a economia piorou nos últimos 12 meses, contra 23% em agosto. As expectativas para os próximos 12 meses também ficaram menos otimistas.

Em agosto, 59% acreditavam em melhoria, agora são 50%. A inflação deve subir na opinião de 47%, assim como o desemprego, para 40%. Esse desempenho, porém, não afetou significativamente a avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele é aprovado por 26%, queda de 2 pontos em relação à pesquisa anterior.

Os que o consideram regular somam 29%, enquanto outros 29% dos entrevistados deram avaliação negativa. Já 4% não souberam ou não quiseram responder. Foram feitas 2.000 entrevistas presenciais, de 19 a 22 de outubro de 2023. A margem de erro estimada é de 2,2 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Queda em todas as regiões – O principal responsável por esse resultado é o Nordeste, segundo a pesquisa, onde os que avaliavam o governo como positivo eram 56% em agosto, e caíram para 48%. Os que acham negativo foram de 18% para 21% e os que avaliam de forma regular subiram de 23% para 29%. Não sabem ou não responderam 3%. No Sudeste, a avaliação negativa saiu de 25% para 32%. No Sul, subiu de 26% para 30%. No Centro-Oeste e Norte, a avaliação negativa caiu de 34% para 28%, e regular, 29% ante 31%.

Primeiro os meus – Seis meses depois de conseguir um cargo comissionado na estatal Telebrás, o sobrinho do ministro do Turismo, Celso Sabino, foi promovido de função internamente e recebeu um expressivo aumento de salário. O ex-vereador Celso Sabino de Oliveira Sobrinho deixou uma vaga de assessor na estatal de telecomunicações, em Brasília, para se tornar gerente comercial do escritório regional da companhia, em Belém, berço eleitoral do tio. Este é o primeiro cargo de gerência empresarial na vida profissional de Sobrinho, de 27 anos.

Por classe social – A avaliação do governo Lula é positiva para 47% dos que ganham até dois salários-mínimos, ante 50% na pesquisa anterior, e a negativa para 19%, ante 16%. Os que consideram regular se mantiveram em 28%. Entre os entrevistados que recebem entre dois e cinco salários, 34% avaliam como positivo o governo Lula, ante 38%, e 32%, como negativo, ante 26%. Os que consideram regular se mantiveram em 31%. Entre os que ganham mais de cinco mínimos, 28% consideram positivo ante 34% na anterior, e 43%, negativo, ante 36%. Os que consideram regular somam 26% (eram 28%).

Mais um embate – A terceira ida do ministro da Justiça, Flávio Dino, à Câmara dos Deputados foi novamente palco para o embate entre ele e parlamentares apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os congressistas pressionaram Dino, sobretudo, sobre a situação da segurança pública no Brasil, as imagens do ministério durante o 8 de janeiro e sobre a ida dele ao complexo da Maré, favela do Rio de Janeiro. As provocações vieram de ambos os lados. Ao falar sobre o Rio de Janeiro, Dino fez ataques indiretos a Bolsonaro e à família. Ele disse que um dos maiores erros políticos do Estado foi o apoio às milícias, que, segundo ele, partiu de políticos.

Romerinho, o vice? – Se o prefeito do Recife, João Campos (PSB), optar por uma chapa puro sangue socialista na reeleição, tende a escolher para vice o presidente da Câmara de Vereadores, Romerinho Jatobá, segundo uma fonte bem próxima ao gestor. Na eleição passada, Jatobá teve mais de 11 mil votos, o quarto mais votado entre os 39 eleitos. Jeitoso e articulado, leva vantagem por ser muito próximo ao prefeito. Escolhido, seu latifúndio de votos será distribuído entre os candidatos a vereador da base.

CURTAS

PT DE FORA – O que se diz na Câmara é que o prefeito deve escolher um vice da sua absoluta confiança, o que afasta a possibilidade de o PT emplacar o espaço. Reeleito, as chances de João disputar o Governo do Estado em 2026 são elevadas.

LIVRO DA JUSTIÇA – O Tribunal de Justiça de Pernambuco lança, hoje, o livro “Memória Judiciária de Pernambuco: desembargador José Fernandes de Lemos”. A solenidade será realizada às 17h, no Salão Nobre do TJPE, no Palácio da Justiça.

Perguntar não ofende: A economia melhorou no Governo Lula?