Coluna da quarta-feira

Série governadores: Moura Cavalcanti

Capítulo 2

Na sequência desta série que mergulha um pouco, superficialmente, para ser mais preciso, na vida e trajetória dos saudosos governadores de Pernambuco, dos biônicos da ditadura aos emergidos pelo voto popular, o personagem de hoje fez história adotando um estilo inédito.

Andava pelas ruas do Recife e Região Metropolitana com batedores, carros com seguranças que fechavam o trânsito para dar passagem ao chefe de Estado. Falo de José Francisco de Moura Cavalcanti, ou simplesmente Moura Cavalcanti, que saiu da sua Macaparana, na Zona da Mata, para ser gente na vida. Gente que impunha respeito com a caneta do poder carregada de tinta ou pela palavra que não tinha recuo.

Filho único, órfão na infância, Moura Cavalcanti teve rápida e ascendente carreira política. Aos 20 anos, na redemocratização pós-ditadura de Getúlio Vargas, foi eleito prefeito de Macaparana. Tomou gosto pela política. Estudante de Direito, participou ativamente com o colega e amigo Carlos Penna Filho, das campanhas de Cid Sampaio e de Cordeiro de Farias, de quem se tornou afilhado político.

A partir daí foi, sucessivamente, interventor do Amapá, presidente do Incra, ministro da Agricultura e governador de Pernambuco. “Naquela época, era o pernambucano José Francisco ou, simplesmente Zé Francisco.  Até que o jornalista e assessor Antônio Teixeira Júnior, o famigerado Teixeirinha, no dizer bem-humorado de Fernando Menezes, alertou: Zé Francisco aqui em Brasília, é nome de candango, vamos te chamar de Moura Cavalcanti. Pegou”, recorda o jornalista Aldo Paes Barreto, plantonista do Palácio das Princesas na era Moura.

Nomeado governador de Pernambuco, segundo ele, Moura Cavalcanti se revelou ousado, criativo e formou uma equipe jovem de pouca experiência e muito talento. Gustavo Krause, Luiz Otávio Cavalcanti, José Jorge Vasconcelos, Anchieta Hélcias, Sérgio Higino e um político fechava o grupo: o deputado Carlos Alberto Oliveira, de Limoeiro. 

Dois deles seriam ministros bem mais na frente – José Jorge e Gustavo Krause. “Já escolhido governador, Moura instalou um escritório no edifício Amirel e dali liderou a campanha para eleger deputados e senadores que seguissem sua cartilha. Não conseguiu. Marcos Freyre, líder das esquerdas, venceu o candidato a senador João Cleofas nas eleições de 1974. Moura era conservador, leal aos seus princípios, respeitava a imprensa, a manifestação de opinião e definia que ser honesto não era escolha. Era obrigação”, acrescenta Aldo Paes Barreto.

Veto a Cordeiro de Farias – Ainda durante a formação da equipe, Moura convidou o amigo de adolescência, Osvaldo Cordeiro de Farias Filho, para ser o prefeito do Recife. A nomeação era papel do governador. “Osvaldinho pegou o carro e viajou para o Recife, mas chegou tarde. A linha dura do Exército vetou a escolha. O filho do lendário Cordeiro de Farias era esquerdista e não podia ser prefeito. Moura Cavalcanti curvou-se à pressão e nomeou o surubinense Antônio Farias. Os Osvaldo, pai e filho, ficaram indignados e nunca mais se falaram”, narra Aldo.

O bofete no repórter – Com a caneta na mão, Moura usava todos os benefícios que o posto de governador conferia, inclusive carros precedidos por batedores com sirenes ligadas, prontamente criticado pela oposição. “Liturgia do poder”, dizia o governador.  Nem bem se passou um mês de governo, Moura foi interrompido no Palácio do Governo por um dos assessores com a informação: O secretário de Justiça, Carlos Alberto Oliveira, insatisfeito com críticas que o repórter Antônio Brito fazia no Diário da Noite, o esbofeteou.

Demissão sumária – Moura, segundo Aldo, demitiu Carlos Alberto sumariamente, tão logo soube da agressão ao repórter do Diário da Noite, jornal vespertino, que tinha mais cheiro de sangue do que de política e do poder. “Imediatamente, Moura nomeou o substituto e o assunto entrou para o folclore da política pernambucana, sendo objeto até de piadas em Palácio, quando Moura reunia jornalistas para apreciar um bom uísque e jogar conversa fora, na varanda do Palácio.

A marca da gestão – Moura Cavalcanti assumiu o Governo do Estado em 15 de março de 1975, nomeado pelo ex-presidente Ernesto Geisel, depois de obter a maioria das indicações dos integrantes da Arena no Estado, numa consulta interna na qual concorreu também Paulo Maciel e Marco Maciel. Do ponto de vista administrativo, sua gestão ficou marcada pela construção das barragens de Carpina e de Goitá, a drenagem do Rio Capibaribe para conter os efeitos das enchentes daquela época, a construção do Terminal Integrado de Passageiros (TIP) e o Centro de Convenções. Lançou também a pedra fundamental do Complexo Industrial de Suape em 1978, projeto já iniciado pelo seu antecessor Eraldo Gueiros.

Governou dois Estados – Nas eleições presidenciais de 1960, Moura Cavalcanti acompanhou Cordeiro de Farias no apoio a Jânio Quadros, trabalhando intensamente em sua campanha. Eleito, Jânio o nomeou governador do território do Amapá. Em sua gestão, priorizou a racionalização da exploração de minérios (principalmente manganês), a partir do aprofundamento das pesquisas de campo e do levantamento aerofotogramétrico da região, deu continuidade à construção de uma usina hidrelétrica e iniciou a construção da estrada ligando Macapá à Guiana Francesa.

CURTAS

ÓDIO A MACIEL Moura Cavalcanti morreu em rota de colisão com Marco Maciel. No livro “Brasis que conheci”, que lançou muito tempo depois, já em cadeira de rodas, revelou todo seu ódio e desprezo pelo ex-vice-presidente da República. As mágoas começaram quando Maciel já queria ser governador biônico na eleição que Moura ganhou a indicação da maioria dos integrantes da Arena.

CASSAÇÃO – Poucas semanas após a sua posse no Governo do Estado, Moura demitiu todos os diretores do Bandepe, medida ligada ao iminente desenlace do chamado “Caso Moreno”, que, envolvendo operações irregulares de financiamento efetuadas pelo banco, provocou a cassação do mandato do senador Wilson Campos, eleito pela Arena pernambucana.

AMANHÃ TEM NILO COELHO – José Francisco Moura Cavalcanti faleceu no Recife, no dia 28 de novembro de 1994. Do Estado, segundo o jornalista Aldo Paes Barreto, só ficou com os proventos da aposentadoria, diferente do que ocorre hoje na podridão da política brasileira. Amanhã, a série segue trazendo a era Nilo Coelho.

Perguntar não ofende: PP e Republicanos vão conseguir se unir numa federação partidária?

Série governadores: Eraldo Gueiros Leite

Capítulo 1

Ao longo desta semana, a coluna traz um pouco de história, focada no retrovisor do Palácio do Campo das Princesas. Por lá, passaram governadores dos mais variados estilos, manias e formas de governar. Vindo de Canhotinho, no Agreste, Eraldo Gueiros Leite abre a série. Advogado, formado na Faculdade de Direito do Recife, Gueiros governou o Estado no período mais nebuloso e mais duro da repressão militar, de 1971 a 1975.

Nasceu em 18 de janeiro de 1912 em Canhotinho e morreu há exatamente 41 anos, no Recife, em 5 de março de 1983. Foi nomeado governador por Emílio Garrastazu Médici e antes disso foi Procurador Geral da Justiça Militar. Em seguida, virou ministro do Superior Tribunal Militar, no governo do general Eurico Gaspar Dutra, em 1960.

A indicação pelo general-presidente Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) teve que passar pelo crivo da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Com o nome homologado pela Arena, partido de sustentação do regime militar, em convenção de agosto de 1970, foi eleito pela Assembleia em outubro e empossado em março de 1971, deixando o cargo de ministro do Supremo Tribunal Militar (STM).

Eraldo Gueiros era discreto e visionário. Segundo historiadores ouvidos pela coluna, tinha destacada vocação empreendedora. Isso ficou claro ao orientar as diretrizes administrativas de seu governo pelo Programa de Ação Coordenada, elaborado pelo órgão de planejamento do Estado, o Conselho de Desenvolvimento Econômico (Condepe).

No governo Eraldo Gueiros nasceu o Complexo Industrial e Portuário de Suape, em 30 de abril de 1974, quando descerrou a placa da pedra fundamental do porto de Suape. Também deu início ao Sistema de Abastecimento de Tapacurá, a Fundação de Saúde Amaury de Medeiros (Fusam), para executar o plano estadual de Saúde, além do fechamento da Casa de Detenção do Recife, transformada em Casa da Cultura, entregue à Fundação, também por ele criada.

Além disso, construiu a segunda penitenciária agrícola em Itamaracá, que junto com a criada pelo ex-governador Agamenon Magalhães, em 1940, funciona até hoje.

Fez investimentos, igualmente, em eletrificação e comunicações no interior. Submetida a guetos políticos, reestruturou a Polícia Civil, criando o cargo de delegado de carreira, para tentar eliminar a interferência predadora. Eraldo Gueiros Leite faleceu em 1983, aos 71 anos, de complicações respiratórias que sobrevieram a uma pneumonia, no Recife.

Pedra fundamental – Patrono de Suape, Eraldo Gueiros deu o primeiro passo para viabilizar o porto em 30 de abril de 1974, data em que descerrou a placa da pedra fundamental. Como um visionário, uma frase de trecho do discurso traduz a crença dele naquele no futuro do Estado: “Aqui, se desenrolarão novas lutas, com outros objetivos, totalmente apoiados nos ambientes das futuras fábricas, com pranchetas e máquinas nos navios que atracarão trazendo desenvolvimento”.

Democrata e conciliador – Como político, Eraldo Gueiros, segundo o jornalista Flávio Chaves, era conciliador, pacificador e democrata. “Ele condicionou sua aceitação ao governo à reabertura da Assembleia, que estava fechada. Não quis governar sem o Legislativo, e foi eleito por unanimidade. Era de diálogo fácil, sabia ouvir, embora não abrisse mão de suas convicções. Fez um governo de coalização com udenistas e pedessistas (UDN e PSD, partidos extintos pelo regime). Não era um perseguidor. Não quis continuar na vida política porque não era um vocacionado para atividade, segundo me relatou o ex-deputado estadual, ex-desembargador do TJPE e genro, Fausto Freitas”, lembra Chaves.

Ministro da área militar – Gueiros foi integrante do Superior Tribunal Militar, através de concurso, no governo do general Eurico Gaspar Dutra em 1957. Com a instauração do regime de exceção no Brasil, transferiu-se para o Rio de Janeiro em setembro de 1964, para assumir a Procuradoria Geral da Justiça Militar, durante o governo de Humberto de Alencar Castelo Branco. Em março de 1969, foi empossado como ministro do Superior Tribunal Militar, no governo Costa e Silva.

Salvou Negrão de Lima – Em 1964, a convite do presidente marechal Humberto Castelo Branco, Eraldo Gueiros assumiu a Procuradoria-Geral de Justiça Militar, cargo em que se conservou até 19 de fevereiro de 1968. No exercício de suas funções, teve importante participação no Inquérito Policial Militar (IPM) nº 709, instaurado com o objetivo de apurar as atividades do Partido Comunista Brasileiro (PCB). O STM acolheu o parecer dele e decidiu, por unanimidade, em novembro de 1966, arquivar a parte atinente a vários indiciados, entre eles o governador do extinto Estado da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, acusado de ter recebido apoio do PCB para sua eleição. Em março de 1968, foi nomeado ministro do Superior Tribunal Militar, assento que ocupou até 1971.

Virtude da gratidão – Jornalistas e historiadores que se aprofundaram na releitura da vida de Eraldo Gueiros lembram que ele era dado a uma boa prosa em seu próprio gabinete, no Palácio das Princesas, logo após o expediente que se estendia até tarde da noite. Uma das suas virtudes era a gratidão, segundo quem conhece a sua história. Ele deixou até uma frase citada por muita gente, muitas vezes sem saber quem a concebeu: “Gratidão é dívida que não se prescreve”.

CURTAS

BROTAS – A única lembrança que tenho de Eraldo Gueiros, que nunca sai da minha memória: foi ele que tirou do papel e tocou as obras da barragem de Brotas, em Afogados da Ingazeira, minha terra natal.

ESTADO DE SÍTIO – Eraldo era filho do fazendeiro José Ferreira Leite e de Amélia Gueiros Leite, fez o curso primário em Canhotinho, sua cidade natal, e o secundário no Ginásio Pernambucano. Em 1935, formou-se em Direito, tornando-se, em seguida, consultor jurídico do executor do estado de sítio em Pernambuco, o general Aurélio de Souza Ferreira.

AMANHÃ TEM MOURA – Por fim, Eraldo sucedeu ao saudoso governador Nilo Coelho e foi sucedido por Moura Cavalcanti, personagem desta coluna amanhã.

Perguntar não ofende: Quando Pernambuco vai deixar de ser líder no ranking da violência no País?

Quem muito fala, pouco faz!

Miguel Arraes e Joaquim Francisco, já na eternidade, ao lado de Jarbas Vasconcelos, em tratamento de saúde, tinham algo em comum: a sisudez. Eram carrancudos por natureza. Mas também tinham uma compreensão acima da média sobre governança na passagem pelo Palácio do Campo das Princesas. Falavam pouco, apenas o necessário, na medida certa, na hora e momentos adequados.

Fui secretário de Imprensa de um deles, Joaquim, e tive uma relação de altos e baixos, entre tapas e beijos, com Arraes e Jarbas. Mas fiquei com a compreensão de que ninguém entendia mais de liturgia do poder do que eles. Não viviam se expondo em falas desnecessárias, julgavam como assertiva mais correta e lógica só se comunicar com as massas para anunciar importantes atos de gestão ou na entrega de obras.

Arrancar uma entrevista com Arraes, Joaquim ou Jarbas não era fácil. Joaquim me disse uma pérola que nunca esqueci: “não se pode banalizar o poder”. Numa certa ocasião, Arraes me chamou para um almoço em Brasília apenas porque queria dar uma dura resposta a Roberto Freire, que o havia acusado de corpo mole na campanha que perdeu para prefeito do Recife. Um gesto de rara exceção dele, diga-se de passagem.

Como governador ou prefeito do Recife, Jarbas passava por Brasília discretamente com muita frequência, mas só rompia o silêncio quando tinha algo de resultado concreto. Com a chegada de Raquel Lyra (PSDB) para despachar no Palácio das Princesas, se instalou uma nova era: a da banalização da comunicação infrutífera, da que leva o nada a lugar nenhum. Das palavras soltas como folhas secas, que o vento leva.

Pelas redes sociais, onde vive mergulhada o dia inteiro que Deus dar, a tucana fala de tudo: de secos e molhados e até de suas guloseimas preferidas, como tapioca. Comete micos, como entrevistas com políticos em Brasília, como fez num ato com a presença de Lula.

“Quem muito fala pouco sabe, quem muito sabe, se cala”, dizia a minha avó. Se a governadora tivesse a capacidade de assimilar tamanha lição de sabedoria, talvez encontrasse o caminho mais curto para aprumar a sua desastrosa gestão. Segundo o Atlas Intel, é a pior governadora do País.

Se abrisse os olhos e tivesse discernimento, facilmente chegaria à conclusão de que a população tem ouvidos, sim, mas para ouvir o que vai interferir na sua vida, seja uma decisão boa ou ruim. Quem fala pouco tem a capacidade de dizer tudo, enquanto quem fala muito não diz nada. Quem muito fala, pouco faz. Quem votou na atual chefe das Princesas apostando na mudança, mote da sua propaganda de governo, quer mais atitudes, menos promessas.

É assim a vida, o vai e vem das coisas.

Lições de Jânio – Se a governadora tivesse pelo menos umas tiradas boas, como as que foram imortalizadas pelo ex-presidente Jânio Quadros, era mais fácil tolerar. Certa vez, perguntando se eleito iria colocar os pronomes nos seus devidos lugares, Jânio reagiu: “Os pronomes não aguardam a minha eleição para que se coloquem nos seus lugares. Estão sempre neles. A boemia dos verbos é que mutila a boa ordem das frases. Há que lhes perdoar. Não se desgrudam da ideia de movimento”. Genial ainda foi quando disseram que bebia muito: “Bebo porque é líquido, Se sólido fosse, come-lo-ia”.

Surubim se agita – A primeira pesquisa sobre a sucessão da prefeita Ana Célia (PSB) em Surubim, postada ontem, neste blog, com o deputado Cléber Chaparral (UB) abrindo uma frente de 20 pontos sobre o segundo colocado, a socialista Véia de Aprígio, deu o que falar na capital da vaquejada. Até porque, Chaparral ainda não se decidiu se será candidato ou se lança Murilo Barbosa como postulante do seu grupo.

Conselhão arranhado – O Palácio do Planalto se pronunciou sobre José Garcia Netto, integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o “Conselhão” de Lula. Em nota, disse que o Conselhão não tem função de gerir recursos. O empresário é alvo de investigação da Polícia Federal (PF) por supostas fraudes contra o sistema financeiro. Diretor-presidente da Caruana, José Garcia Netto é nominalmente citado nas investigações da PF e pode ser enquadrado em três crimes. O mais grave é “gerir fraudulentamente instituição financeira”, cuja pena é de 3 a 12 anos de reclusão, mais multa.

Rastro das enchentes – Dos 5.570 municípios brasileiros, 5.199 registraram algum tipo de desastre climático entre 2013 e 2022. Do total de registros, há um recorte de ocorrências com moradias afetadas. Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o número de moradias danificadas ou destruídas por enchentes ultrapassa dois milhões e totaliza um prejuízo na ordem de R$ 26 bilhões, impactando 78% dos municípios do País (4.334) e deslocando mais de 4,2 milhões de pessoas que perderam suas casas ou tiveram que abandoná-las.

Bolsonaro preso – O ex-governador do Ceará e ex-candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) disse, ontem, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ser preso e que espera que ele tenha o devido processo legal “como qualquer bandido”. As declarações foram feitas em entrevista à CNN Brasil. Bolsonaro, ex-ministros e aliados nas Forças Armadas são investigados por suposto planejamento de um golpe de Estado, no âmbito da operação Tempus Veritatis. Ciro Gomes declarou que, além da prisão, espera que o ex-chefe do Executivo tenha seus direitos legais garantidos.

CURTAS

TRAPALHÃO E MOLEQUE – Toda vez que abre a boca, o presidente nacional do PDT, ministro Carlos Lupi (Previdência), joga labaredas para queimar seus aliados em Pernambuco – o ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz, e seu filho Wolney, presidente estadual da legenda. A última foi fogo ardente: disse que o partido vai apoiar Túlio Gadelha a prefeito e não à reeleição de João Campos, no Recife.

PSB COM QUEIROZ – À propósito, João Campos irá a Caruaru na próxima sexta-feira para anunciar, em ato público do PDT, apoio do PSB à candidatura de José Queiroz a prefeito. Em reciprocidade, diga-se de passagem, ao alinhamento da legenda com o seu projeto de reeleição na capital.

NOVA ALIANÇA – O senador Humberto Costa e o deputado Dudu da Fonte agendaram uma nova conversa em Brasília esta semana para dar prosseguimento a uma possível aliança do PP com o PT nas eleições do Recife. As tratativas já teriam o sinal verde do presidente Lula.

Perguntar não ofende: Bolsonaro será preso, como sugere Ciro Gomes?

Atestado de incompetência

Por Juliana Albuquerque – repórter do Blog

Chamou atenção uma entrevista exclusiva do secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização de Pernambuco (Seap), Paulo Paes, ao Jornal do Commercio, esta semana. Como solução para impedir a comunicação de presos com membros de facções que estão soltos, ao invés de falar que pretende reduzir o déficit de policiais penais, hoje em 2,2 mil cargos vagos, ele afirmou que negocia a instalação de bloqueadores de sinais de celulares nas unidades prisionais do Estado.

Ora, como servidor de carreira há 22 anos na Polícia Penal, o secretário deveria saber que de nada vai adiantar o uso da tecnologia, que já foi testada em outra época, mas que não surtiu o efeito esperado. Na prática, ao invés de bloquear o sinal dentro do presídio, terminou por atingir a comunicação dos moradores do entorno da unidade prisional.

O que tem que ser feito é impedir que os aparelhos entrem nas prisões estaduais. Mas como fazer isso, se há unidades, como no presídio de Igarassu, com cinco mil presos e apenas dez policiais penais para dar conta de uma simples revista?

A declaração de Paulo Paes remete a outra fala, feita há cerca de um ano, pelo secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará, Mauro Albuquerque. Na ocasião, ele afirmou que sua primeira ação, quando assumiu a pasta, foi remover todos os bloqueadores dos presídios cearenses. Segundo ele, além do alto custo para os cofres públicos, a tecnologia terminava impedindo até a comunicação interna dos agentes via rádio.

“Bloqueador é a assinatura de incompetência. Por que tem que ter celular?”, afirmou o secretário, criador da doutrina de Intervenção Penitenciária e procedimentos de segurança, alguns adotados pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

De acordo com Mauro, investir na formação do policial penal para realizar uma revista sistemática é a única forma de evitar que os aparelhos entrem nas unidades prisionais. Assim, se elimina de vez qualquer comunicação entre os membros de facções que estão presos com o que estão soltos.

Mas trazendo para a realidade pernambucana, para o atual secretário, ao que tudo indica, parece ser mais fácil investir uma fortuna na instalação desses aparelhos comprovadamente ineficazes, do que convocar os 864 policiais penais aprovados no último certame para reforçarem o efetivo e impedir a entrada dos aparelhos. A solução do problema é simples, e não é preciso nenhuma fórmula milagrosa, muito menos resgatar ideias obsoletas.

Vista grossa – Há pouco mais de um ano, reportagem do programa Fantástico escancarou as aberrações que ocorriam na penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru, onde Paulo Paes foi diretor até ser chamado para assumir como executivo de Ressocialização da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco. Assim como tem feito no comando da recém-criada SEAP, em Caruaru, a gestão de Paulo foi marcada por fazer vista grossa. Na unidade, os presos gozavam de regalias, com direito a fazer churrasco, jogar sinuca, vê Smart TV, além de ter um detento que operava de dentro da unidade o tráfico de drogas em São Paulo.

Executivo exonerado – Enquanto faz vista grossa para a inércia do atual secretário da SEAP à frente da pasta, que é apadrinhado do aliado Izaías Régis, a governadora exonerou, ontem, um dos poucos nomes conhecidos pela honestidade e dedicação ao trabalho. Deu a famosa canetada no secretário executivo de Coordenação e Gestão, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção a Violência, Flávio Rodrigues de Oliveira.

Homicídios aumentam – Na última segunda-feira, após ter o fim de semana mais violento deste ano até o momento, com 53 homicídios, boa parte deles tendo como mandates internos do sistema penitenciário, Pernambuco chegou ao total de 412 assassinatos. Sem efetivo suficiente em todas as forças da Segurança Pública, infelizmente, esses números tendem a aumentar se nada for feito para barrar o avanço do crime organizado que opera livremente mesmo por trás dos muros dos presídios pernambucanos.

Déficit na Polícia Civil – Se os números de cargos vagos na Polícia Penal, que é de 2,2 mil, já é alarmante, na Polícia Civil, responsável pela investigação dos crimes que ocorrem em Pernambuco, é ainda maior. Levantamento do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), divulgado esta semana, revelou que a entidade conta com mais de 6 mil cargos vagos, além de 1,4 mil policiais aptos a se aposentarem.

Joaquim na Casa Civil – O ex-presidente do IPA Joaquim Neto, que negou ter sido demitido pela governadora Raquel Lyra, e disse, inclusive, que iria se afastar do Governo para disputar a prefeitura de Gravatá, foi agraciado com um novo assento no Executivo Estadual. Na edição do Diário Oficial do Estado, publicada ontem, foi oficializado o nome de Joaquim como Assessor Especial da Casa Civil, com a benesse de ter o mesmo salário, sem trabalho, sem ser ordenador de despesa.

CURTAS

NA CARNE – Durante ato de apoio à reeleição de João Campos (PSB) à Prefeitura do Recife, na quinta-feira, o presidente estadual do Avante, Sebastião Oliveira, agradeceu ao prefeito o corte que fez em sua própria carne. Se referia ao fato de o socialista ter aberto mão do vereador Alcides Teixeira Neto para que ele possa concorrer à reeleição pelo Avante.

MELHORIAS – Por proposta de Sileno Guedes (PSB), a Alepe vai cobrar do Governo Estadual, em audiência pública, na próxima segunda-feira, respostas sobre a renovação da frota e a ampliação do número de ônibus climatizados.

ADIN – Com a decisão liminar, emitida esta semana, pelo ministro do STF André Mendonça, a governadora Raquel Lyra deixa de ser obrigada a repassar arrecadação excedente de R$ 384 milhões aos demais poderes. Desse total, Raquel está desobrigada a repassar R$ 71 milhões só da Alepe, conforme previa a LDO deste ano aprovada pela Assembleia, e contestada pela tucana por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) no STF.

Perguntar não ofende: Quais as cenas do próximo capítulo na guerra entre o Executivo e Legislativo pernambucano após a liminar em favor da governadora no STF?

Vielas criminosas

O maior problema do União Brasil, a partir de agora nas mãos do advogado Antônio Rueda, o algoz do ex-presidente Luciano Bivar, não está nos conflitos internos que se instalaram pelo comando da legenda, mas em questões muito mais profundas, que vão da credibilidade do novo cacique-mor a dualidade: é ao mesmo tempo governo e oposição.

Quem será capaz de se filiar a um partido dirigido por alguém que chega à mídia nacional com a imagem de crápula, traidor, conspirador e até bandido, na expressão de Bivar, a maior vítima de Rueda? O que terá dentro daquele envelope com o título “Denúncias”, que o ex-presidente do Desunião Brasil deixou fechado em cima da sua mesa enquanto dava uma coletiva, quarta-feira passada?

Se Bivar não abriu o envelope, mas em intramuros deixou vazar que o conteúdo é explosivo, envolvendo corrupção, capítulos novos dessa briga de cachorro grande virão pela frente, com um detalhe: se o presidente decapitado tiver as provas de tudo que o envelope contém, os dias de Rueda serão abreviados no comando da legenda.

Os problemas se acentuam muito além disso. O Desunião Brasil é governo, detém três gabinetes na Esplanada dos Ministérios, mas se comporta no Congresso, mais na Câmara do que no Senado, como um partido de oposição a Lula. Rueda vai assumir essa faceta ou vai preferir que sua boca seja adoçada pelo Governo com a prática e o discurso de que a Desunião é independente?

A nova executiva da Desunião é majoritariamente anti-Lula, a começar pelo vice-presidente ACM Neto e tem um pré-candidato ao Planalto, também incluído na executiva e no diretório nacional: o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Há muitos homens de princípios nos partidos políticos, mas não há nenhum partido de princípios e a Desunião Brasil não foge a essa regra.

Um partido político não se define por seus membros corruptos e por suas vielas criminosas, mas sim pela essência do interesse verdadeiro em lutar por todos aqueles que são esmagados pela desigualdade. A Desunião Brasil vai além disso. Segundo deixou a entender seu até então eterno dirigente Luciano Bivar, tem integrantes corruptos e age pelas vielas criminosas.

Convenção ilegal – Para o deputado Luciano Bivar, a vitória de Rueda não vale legalmente. Ele disse ao blog que reconhece a eleição do partido que marcou a vitória da chapa de Antonio Rueda e ACM Neto. “Eu suspendi as eleições. Essa ‘convenção’ feita hoje é juridicamente ilegal. Tenho mandato até maio e sou o presidente. O resto é fantasia”, afirmou. Segundo ele, não há ata de registro da eleição de ontem e, portanto, diante da lei e do partido, Rueda não pode ser considerado o novo presidente.

Vai brigar dentro do partido – Bivar disse, ainda, que, justamente por não reconhecer a eleição, não deixará o partido. Declarou que tampouco acionaria o jurídico, pois “a eleição não aconteceu”. Antonio Rueda anunciou a vitória da chapa que encabeça no final da tarde de ontem, ao lado do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, que será o novo vice. Rueda teve o apoio dos quatro governadores do partido e dos representantes do União na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Interlocução mais aberta – Na convenção, que Bivar não reconhece, Rueda venceu por unanimidade, teve 30 votos. Depois do anúncio da vitória, destacou a união do partido para que as eleições fossem realizadas. “O partido terá o exercício diário de diálogo e democracia. Na minha empresa funciona assim. A interlocução, que era bem mais em off, vai ser mais aberta”, disse Rueda. O político teve o apoio de mais de 50 deputados federais, todos os senadores e quatro governadores, “demonstrando a união” da sigla.

Federação ameaçada – Segundo o jornalista Augusto Tenório, que atua na coluna política do Estadão ao lado de Roseann Kennedy, até o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), atuou para tentar conter a crise no União Brasil, partido com o qual o Progressista iniciou tratativas para formar uma federação. A avaliação no PP é que, se o conflito no União não for superado, as negociações pela federação, que já são difíceis, podem afundar de vez.

Padre se alinha ao poder – Soube, ontem, que o prefeito de Gravatá, Padre Joselito, está deixando o PSB por divergências com o deputado Waldemar Borges, aliado histórico, mas com quem rompeu. Deve ingressar num partido alinhado ao Palácio do Campo das Princesas, com quem já iniciou as tratativas. Pesquisas internas apontam que o padre tem amplas chances de ser reeleito. Resta saber se Joaquim Neto, que deixou o IPA para disputar a Prefeitura, vai deixar a governadora selar essa aliança.

CURTAS

VERSÃO DE JOAQUIM – Em contato com o blog, Joaquim Neto negou a versão de que teria sido demitido pela governadora. Ressaltou que deixou o IPA para entrar na briga pela Prefeitura de Gravatá com o apoio de Raquel. “Apostei e aposto no projeto de Raquel. Vai dar certo”, disse.

CAVALINHO DA CHUVA 1 – Se Jarbas Filho, o Jarbinhas, deputado estadual pelo MDB, fazia planos de assumir uma pasta no primeiro escalão de Raquel, a esta altura, com a jogada de mestre ontem, do prefeito João Campos, de chamar o deputado Diogo Moraes para secretário, o herdeiro de Jarbas pode tirar o cavalinho da chuva.

CAVALINHO DA CHUVA 2 – É que Diogo abre vaga na Alepe para o vereador Davi Muniz, primeiro suplente do PSB. Como Jarbinhas foi eleito pelo PSB, embora hoje esteja no MDB, se Raquel o nomear, quem assume na Alepe é o segundo suplente Júnior Matuto, ex-prefeito de Paulista, aliado de primeira hora de João e da família Campos. Raquel teria tamanha ousadia?

Perguntar não ofende: Como Raquel vai descascar agora o abacaxi do MDB?

Bivar prova do veneno de afilhado

A política é, verdadeiramente, diabólica, como certa vez definiu o ex-governador Roberto Magalhães. Mas é, sobretudo, um território sem limites para os traidores. Leonel Brizola, que era um frasista sensacional, disse que a política ama a traição, mas abomina os traidores.

O União Brasil, legenda que surgiu da fusão do PSL ao DEM, terá sua executiva nacional e diretórios renovados hoje, num ambiente de tensão e conflito, marcado pelo sentimento da traição. Presidente da legenda, o deputado Luciano Bivar, que comandou lá atrás o seu PSL com mãos de ferro e a primeira fase do UB também, acusa Antônio Rueda, favorito na eleição, de ter lhe golpeado pelas costas.

Rueda, vice-presidente da legenda, é a criatura e Bivar o criador. Na relação histórica, de mais de 30 anos, pareciam pai e filho. Mas como a política ama a traição, como disse Brizola, Bivar está provando do veneno da criatura, que se aliou ao grupo majoritário do União Brasil, notadamente os remanescentes do DEM, para arrebatar o partido de quem lhe deu régua e compasso.

Numa coletiva, ontem, Bivar passou recibo e revelou toda mágoa com o ex-afilhado político. Admitiu que falou que ia “foder” Rueda em uma conversa por telefone que ocorreu na última segunda-feira. “Ele também me falou isso”, alegou. De acordo com relatos, Bivar teria dito que sabia o endereço da filha de Rueda.

Indagado sobre isso, ele repetiu” que sabe o endereço da filha de Rueda”, mas negou ter feito ameaças. Disse que os dois trocaram ofensas na conversa e que se considera um homem pacífico. Bivar, na verdade, foi isolado por outros integrantes da legenda. Rueda se elege hoje presidente do União Brasil com o apoio da esmagadora maioria dos filiados com direito a voto, inclusive dos líderes da legenda na Câmara, Elmar Nascimento (BA), e no Senado, Efraim Filho (PB).

Já li, em algum lugar que não me recordo: “Quem põe seus esforços a serviço dos ingratos age como quem lança a semente à terra estéril, ou dá conselhos a um morto, ou fala em voz baixa a um surdo”.

Faixa de Gaza – Bivar descreveu a parlamentares o clima com Rueda como “pior que Israel e Hamas na Faixa de Gaza”, em referência à guerra no Oriente Médio. Ao falar do antigo aliado, Bivar mostra mágoa com o que chama de “ingratidão” de Rueda e diz que foi ele quem cedeu o primeiro espaço para o advogado iniciar a carreira, em seu escritório. Em tom de provocação, também tem listado a aquisição de carros e artigos de luxo por Rueda, como uma coleção de relógios.

Envelope ficou lacrado – Sentado na sala de reunião da legenda, Bivar recebeu a imprensa, ontem, com um envelope escrito “denúncias”, mas, durante o encontro, não apresentou provas do que teria contra o adversário. Pressionado, falou que os advogados do partido estavam analisando a formação das chapas para saber se a eleição seria realizada. As chapas ainda não foram examinadas em suas minúcias. Então, a gente não pode dizer ainda dessa situação, com relação ao posicionamento do partido a respeito da legalidade das chapas”, disse.

Sinecura petista – O filho do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, foi nomeado para um cargo no gabinete do deputado petista João Daniel. Rafael Almeida Stedile vai exercer as funções de secretário parlamentar, com salário mensal de R$ 10,8 mil. Rafael Stedile é fotógrafo, com formação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP). Tem vários trabalhos publicados, inclusive relacionados ao MST. Suas fotos de João Pedro Stédile são usadas com frequência para divulgar atividades do movimento

Exames de rotina – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi internado na manhã de ontem no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, para realizar uma bateria de exames de rotina. Ele recebeu alta no início da tarde. O assessor Fabio Wajngarten afirmou que Bolsonaro precisou passar por exames para acompanhar a evolução da cirurgia no abdômen após a facada sofrida por ele em setembro de 2018 durante comício de campanha em Juiz de Fora (MG).

Avante com João – Depois do Republicanos, o Avante anuncia, hoje, o apoio formal à reeleição do prefeito do Recife, João Campos (PSB). O ato está marcado para as 17 horas no hotel Villa d’Oro, na Avenida João de Barros, 886. “O time Avante está totalmente alinhado ao projeto da Frente Popular do Recife, encabeçado por João, cujo êxito da gestão tem sido reconhecido nacional e internacionalmente”, disse o presidente estadual da legenda, Sebastião Oliveira, o Sebá.

CURTAS

TRANSTORNOS – Os motoristas que trafegarem pelo quilômetro 8 da Rodovia BR-232, no bairro do Curado, estão reclamando das mudanças no tráfego da rodovia. É que a passarela de pedestres construída durante as obras de triplicação da rodovia será demolida para que a rodovia fique em “conformidade com as especificações técnicas do trânsito”.

IBIRAJUBA – O presidente estadual do PSDB, Fred Loyo, anunciou, ontem, mais uma filiação de lideranças municipais partido: a prefeita de Ibirajuba, Maria Izalta, que está dando adeus ao Republicanos, do ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Filho.

PSB COM QUEIROZ – Acabou o mistério em Caruaru: no próximo dia 8, o prefeito do Recife, João Campos, vai a Caruaru prestigiar o ato de apoio do PSB à candidatura de José Queiroz (PDT) à Prefeitura. O estranho é que o partido de Queiroz acabou de ganhar uma secretaria na gestão de Raquel Lyra.

Perguntar não ofende: O PDT vai devolver a Secretaria a Raquel?

Um tiro no pé

As organizações de esquerda anunciam a realização de um ato nacional para o próximo dia 24 de março, em resposta à mobilização que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) promoveu no último domingo na Avenida Paulista, onde atraiu um contingente entre 800 mil e 1 milhão de seguidores.

A manifestação está sendo convocada pelas Frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, e o motivo é uma provocação cujo tiro pode sair pela culatra: mobilizar a população para pedir a prisão do ex-presidente. É um desafio imprudente, talvez, na medida em que, se fracassar a mobilização, de caráter nacional, reforçará ainda mais a imagem das forças bolsonaristas junto à opinião pública.

Participaram do encontro diversas entidades, incluindo UNE, CUT, MTST, MST, MNU, CMP, MMM, além das legendas PT, Psol e PCdoB. O entendimento foi a preocupação de que as forças de esquerda estão perdendo a primazia das manifestações de ruas e que é preciso recuperar o terreno, hoje, ocupado pelos setores evangélicos e conservadores.

Coincidentemente, a mobilização casa com a efeméride contra os 60 anos do golpe de 1964. Depois do êxito da manifestação promovida por Bolsonaro em São Paulo, as entidades de esquerda não avalizaram a orientação da Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal – Secom – de silenciar, desprezar, diminuir e ou responder com memes sobre o ato bolsonarista.

Coisa feia, Lula! – A primeira coisa que Lula faz quando se vê encrencado por causa das besteiras que diz é correr para dar uma entrevista a um amigo. Quanto aos áulicos lulistas, eles tentam convencer a choldra de que Lula não quis dizer o que ele disse, muito pelo contrário. Ele deu uma entrevista, ontem, a um amigo. Depois de comparar o que Israel faz em Gaza ao genocídio que Adolf Hitler perpetrou contra os judeus, afirmou: “Primeiro que não disse a palavra Holocausto. Holocausto foi interpretação do primeiro-ministro de Israel. Não foi minha. A segunda coisa é a seguinte, morte é morte”.

Matança vira audiência pública – O crescimento acelerado e descontrolado da violência no Estado, com pipocos chocantes, como o do último fim de semana, que foram registrados 53 homicídios, vai ao debate com mais intensidade na Assembleia Legislativa. Por iniciativa da deputada socialista Gleide Ângelo, delegada de carreira, a Casa aprovou uma audiência pública, com a convocação do secretário de Defesa, Alessandro Carvalho.

Uma morte por hora – Pelos cálculos da parlamentar, houve, no último fim de semana, um homicídio por hora. Na opinião dela, é preciso fortalecer as investigações dos crimes. “Do contrário, vamos perder para a criminalidade. Sem investigação, como vai prender? O Concurso da Polícia Civil teria 250 agentes. Passou para 500, mas não adianta nada (diante da demanda). Falta planejamento. Como é que as câmeras foram desligadas? Não falo aqui como oposição, porque não existe oposição ao povo de Pernambuco”, disse.

Pane na fiscalização eletrônica – Ruas e avenidas do Recife estão com equipamentos de fiscalização eletrônica de velocidade desativados desde junho de 2023, por causa de um atraso na realização de uma licitação para o serviço. O problema afeta 25 equipamentos, o que equivale a 34% dos 72 radares instalados na cidade, segundo o G1, portal da Globo. De acordo com diretores da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), o desligamento aconteceu porque as empresas que venceram a última licitação, de junho de 2023, não cumpriram algumas exigências técnicas do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Criatura contra o criador – O caldo engrossou para o presidente do União Brasil, Luciano Bivar, se manter no comando do partido. Cria dele, até homem na sua absoluta confiança, o advogado Antônio Rueda é o favorito para dirigir o partido. A eleição de renovação da executiva nacional está marcada para amanhã. Uma ala do União vê pouca chance de Bivar conseguir permanecer no comando do partido. O deputado está realizando uma ofensiva nas últimas semanas com o intuito de conseguir apoio para ficar na presidência.

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CHANCES REMOTAS – No entanto, nem deputados que eram do PSL antes da fusão com o DEM, da ala de Bivar, querem a manutenção. O nome do vice-presidente do partido, Antonio Rueda, já é quase um consenso e está sendo construído desde meados do ano passado.

RETALIAÇÃO – O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), deu um ultimato a partidos da base aliada cujos deputados assinaram o pedido de impeachment do presidente Lula protocolado pela oposição na semana passada. Em reunião, ontem, com líderes dessas legendas, Guimarães deu até amanhã para as siglas convencerem seus deputados a retirarem as assinaturas. Do contrário, serão penalizados.

FPM GORDINHO – A última parcela do repasse do FPM de fevereiro aos municípios entra nos cofres das prefeituras amanhã com um aumento de 35,09% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado positivo deste último decênio fica em 30,35%, desconsiderando a inflação do período.

Perguntar não ofende: Neste ritmo da matança desenfreada, o Governo Raquel vai conseguir reduzir em 30% a taxa de homicídios até o final de 2026?

Sem o plim-plim, Túlio resiste?

Tão logo foi confirmada, ontem, a saída da jornalista e apresentadora Fátima Bernardes, da TV Globo, após 37 anos, observadores da cena política estadual passaram imediatamente a vincular o episódio com as eleições municipais. Isto porque o namorado dela, deputado federal Túlio Gadêlha (Rede), ensaia novamente uma pré-candidatura a prefeito do Recife.

Sem a amada na mídia nacional, certamente algum impacto ocorreria com a já difícil postulação do parlamentar. Isso porque a Rede Sustentabilidade compõe uma federação partidária com o PSOL, que possui maioria no diretório e já escolheu que o nome a ser lançado para a Prefeitura será o da deputada estadual Dani Portela (PSOL).

Gadêlha luta nos bastidores para reverter a decisão, tendo, inclusive, marcando um ato político com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, líder nacional da Rede, para o próximo sábado, no Recife, com a intenção de dar o start da sua pré-campanha na capital pernambucana.

No entanto, a chance de reverter o quadro é ínfima, o que seria um segundo revés às suas pretensões. Há quatro anos, Túlio chorou quando sua candidatura foi negada pelo presidente nacional do PDT, o hoje ministro Carlos Lupi. Na época, era um deputado de primeiro mandato, que havia chegado ao Congresso Nacional com 75 mil votos, números constantemente atribuídos por analistas políticos, nos bastidores, ao namoro com a global.

Túlio sempre teve milhões de seguidores nas redes sociais, algo raro para políticos de Pernambuco com mais história que ele e até com cargos majoritários. Em 2022, Túlio conseguiu a façanha de quase dobrar de votação, atingindo 134 mil eleitores e deixando a candidata favorita do PSOL, Robeyonce, como suplente, apesar dos 80 mil votos.

Além disso, Túlio deseja ser o candidato do Palácio, numa federação que tem Dani Portela justamente como líder da oposição à governadora Raquel Lyra (PSDB). Pernambuco já viu movimentações políticas muito mais bem articuladas e pensadas do que se apresenta a disputa interna na federação. E agora com um trunfo a menos para o candidato, que já seria preterido.

Legitimidade – Ao ser informado que Dani Portela não abre mão da sua pré-candidatura no Recife, Gadêlha reagiu assim: “Fico surpreso, porque a federação sequer foi constituída para as eleições municipais. O Psol não pode falar pela federação. Além disso, os dois partidos (Psol e Rede) têm legitimidade para lançar suas pré-candidaturas até o período de convenção eleitoral, quando se decidirá o candidato. Espero que possamos construir métodos para discutir o projeto que nós defenderemos para a cidade e o nome também”.

O Estado que mais mata – Depois do grave episódio envolvendo a delegação do time do Fortaleza, alvo de apedrejamento e uma bomba, sem escolta policial, e as cenas de horror nos Aflitos, sábado passado, por parte de torcedores marginais após o jogo do Náutico contra o Sport, o Estado viveu o fim de semana mais violento da sua história: 53 homicídios em apenas 72 horas. Só nos dois primeiros meses do ano, mais de 600 homicídios. Raquel está perdida na guerra civil incontrolável no Estado. 

Culpa do Governo – Em nota, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), afirmou que o avanço da violência em Pernambuco está diretamente relacionado à falta de investimento na Polícia Civil por parte do Governo que, mesmo diante de vários alertas feitos pelo Sindicato ao Executivo Estadual, insiste em ignorar os fatos. “O crime organizado está avançando, assassinando e ganhando território. Estamos alertando o governo há meses sobre a urgente necessidade de ampliar o número de vagas oferecidas no concurso da PCPE. Temos um déficit de mais 6 mil policiais e o governo oferece 445 vagas no certame”, disse o presidente da entidade, Áureo Cisneiros.

A felicidade de Beira-Mar – Fernandinho Beira-Mar, um dos fundadores do Comando Vermelho, relatou a seus advogados que estava “feliz” com a fuga de dois homens da Penitenciária Federal de Mossoró há 11 dias, em 14 de fevereiro. Beira-Mar também está preso em Mossoró. Beira-Mar, segundo advogados que estiveram com ele nesta semana, exaltou a façanha da fuga de Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento, que é inédita na história dos presídios federais.

Derrapada de Bolsonaro – A Polícia Federal deve incluir no inquérito, que investiga uma suposta organização de golpe de Estado, a declaração dada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na avenida Paulista, durante ato com apoiadores. Em seu discurso, Bolsonaro se defendeu das acusações sobre a suposta tentativa de golpe de Estado. Para delegados do caso, ao dar a declaração, o ex-presidente confirma que tinha conhecimento sobre a existência da “minuta do golpe”, encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que decretava Estado de Defesa na sede do TSE.

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TREM DA ALEGRIA – A Câmara de São Caetano, no Agreste Setentrional, a 142 km do Recife, incluiu na pauta desta semana o projeto que aumenta o salário do prefeito, do vice-prefeito, dos secretários municipais e dos próprios vereadores. Se a moda pega…

EM FAIXA PRÓPRIA – Em Paulista, Francisco Padilha, que foi ao segundo turno nas eleições de 2020 e perdeu para Yves Ribeiro, mas se revelou uma grata surpresa, deve sair candidato a prefeito este ano, mas longe do palanque do ex-prefeito Júnior Matuto, com quem rompeu.

SÓ EM JULHO – Em Igarassu, o deputado estadual Mário Ricardo (Republicanos), rompido com a prefeita, a qual elegeu, só vai decidir se será candidato ou indica o filho Miguel Ricardo em julho, no último minuto da prorrogação.

Perguntar não ofende: Bolsonaro ainda vai ser preso?

Bolsonaro fez indireta ao STF

Foi um mar de gente, não dá para fazer prognósticos, mas provavelmente a expectativa de reunir 700 mil pessoas tenha sido confirmada, ontem, no ato pró-Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo. O tom do discurso do ex-presidente foi ameno. Aconselhado a evitar subir o tom contra o STF para não piorar a situação jurídica dele e de aliados, fez apenas uma citação indireta à corte e ao ministro Alexandre de Moraes.

“Quando o Estado Democrático de Direito não é respeitado, aquela minoria fabrica órfãos de pais vivos. O abuso por parte de alguns traz insegurança para todos nós”, disse. Todo mundo entendeu como uma indireta ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que foi alvo de outras manifestações de Bolsonaro. O ex-presidente é investigado em pelo menos oito inquéritos, de fake news sobre urnas eletrônicas a ataques golpistas e venda de joias do acervo da Presidência.

Ele está inelegível até 2030 e aliados já trabalham com a possibilidade de prisão dele. “Se eles te prenderem, você vai sair de lá exaltado. Se eles te prenderem, não vai ser para a tua destruição, mas para a destruição deles”, disse o pastor Silas Malafaia, organizador do ato, durante o discurso. Nas imediações da Avenida Paulista, os apoiadores evitaram mensagens contra integrantes do Judiciário e pedidos de intervenção militar.

Bolsonaro pediu expressamente para que ninguém comparecesse com “faixa e cartaz contra quem quer que seja”. Além de Bolsonaro e Malafaia, discursaram os deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos), e o senador Magno Malta (PL-ES). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também falou à multidão. As falas tiveram referências bíblicas e tom de pregação.

Colete à prova de balas – Jair Bolsonaro (PL) chegou para o ato político usando um colete à prova de balas e acompanhado por seguranças. Por ser ex-ocupante do Palácio do Planalto, ele tem direito à proteção especial. Ao subir no trio elétrico de onde foram feitos os discursos, um agente usou uma “mala balística” para proteger Bolsonaro enquanto ele acenava aos apoiadores. O objeto é feito de um material que funciona como escudo contra eventuais disparos de alguns tipos de armas.

Delegação pernambucana – A comitiva pernambucana presente ao ato na Avenida Paulista, ontem, foi composta pelo presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, seu irmão André Ferreira, deputado federal, os deputados federais Coronel Meira e Pastor Eurico e os deputados estaduais Alberto Feitosa, Renato Antunes, Abimael Santos e Joel da Harpa, além do ex-ministro do Turismo e pré-candidato a prefeito do Recife, Gilson Machado Neto.

Força dos governadores – Antes de comparecer à manifestação na Avenida Paulista, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) almoçou com os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); e de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O encontro foi no Palácio dos Bandeirantes. Além dos governadores, também marcou presença o senador e ex-ministro Rogério Marinho (PL). “Encontro de peso. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos!”, escreveu Tarcísio, em publicação pelas suas redes sociais.

Discurso relâmpago – Mesmo proibido pelo STF de manter contato com Jair Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, compareceu ao ato em desagravo ao ex-presidente e discursou por pouco mais de 20 segundos. Ele chegou ao evento por volta das 13h, duas horas antes de Bolsonaro. Foi ciceroneado até o trio elétrico pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica. “Vim aqui só para falar para vocês que vocês transformaram o PL no maior partido do Brasil. Paz, saúde, liberdade. Com a família. Um beijo para todos”, disse Valdemar.

No Renova Brasil – Pré-candidato a prefeito de Bonito, pelo MDB, o advogado Ademir Alves recebeu, ontem, uma boa notícia: seu nome foi aprovado para o curso de formação e reciclagem política Renova Brasil, uma das melhores escolas do País, por onde passaram políticos de futuro da nova geração, como o prefeito do Recife, João Campos, e sua namorada Tabata Amaral, deputada federal por São Paulo, ambos do PSB, além dos deputados Felipe Rigoni (UB-ES) e Vinicius Poit (Novo-SP).

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APUNHALADO POR LUPI – A governadora Raquel Lyra (PSDB) bateu o martelo no apoio à reeleição do prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro (PSDB). Como fica agora o ministro da Previdência, Carlos Lupi, que para garantir uma secretaria no Governo Raquel, acenou para Wolney que a tucana estaria no palanque do seu pai Zé Queiroz?

CAMPO DE GUERRA – A segurança nos estádios e fora deles nos jogos mais concorridos, por parte da PM, é uma vergonha. Na quarta-feira passada, jogaram uma bomba no time do Fortaleza, que saiu da Arena até o hotel sem escolta. No sábado, após a derrota do Sport para o Náutico, os Aflitos viraram um campo de guerra, sem a presença de um só policial. Que vergonha, governadora!

NO TRIBUNAL DE HAIA – Deputados de oposição abriram uma representação no Tribunal Penal Internacional contra o presidente Lula (PT). O grupo pede providências em relação às declarações do petista sobre a atuação de Israel na guerra na Faixa de Gaza. Liderados pelo deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-RS), o documento foi assinado por 68 congressistas. A representação acusa Lula de fomentar o discurso de ódio e antissemitismo.

Perguntar não ofende: Para que serviu mesmo o ato de Bolsonaro ontem em São Paulo?

Finalmente, uma bola dentro

Por Juliana Albuquerque – repórter do Blog

Finalmente, após tantas trapalhadas desde o início do seu mandato, em janeiro do ano passado, marcado por uma série de erros que quase paralisam a máquina estadual, a governadora Raquel Lyra (PSDB) deu uma bola dentro.

Ao anunciar, na última quinta-feira, a exclusão do anel B, que antes custava R$ 5,60, para integrar a tarifa única para o transporte coletivo na Região Metropolitana do Recife, conseguiu provocar um impacto imediato que deve atingir cerca de 700 mil pessoas.

Os usuários passarão, a partir de 3 de março, a pagar o bilhete único de R$ 4,10, o mesmo valor do anel A do ano passado, ou seja, sem qualquer reajuste. O repasse anual do governo para bancar a benesse será um subsídio de R$ 310 milhões, R$ 60 milhões a mais do que o aportado no ano passado.

A pergunta, contudo, que não quer calar é: Será que as empresas de ônibus vão cumprir com seu papel e colocar uma frota suficiente nas ruas para atender a demanda?

Não é segredo que tais empresas andam, já algum tempo, reduzindo a frota e, por tabela, penalizando os usuários, que passam horas a fio em paradas lotadas, expostos aos constantes assaltos, enquanto espera o coletivo que já chega lotado nas paradas.

Para quem acompanha todos os anos a batalha entre as empresas de ônibus com o Governo, viu a notícia com bastante espanto. Afinal, todos conhecem muito bem a saga anual dessas empresas que, geralmente, não costumam abrir mão do reajuste anual, principalmente quando os custos da operação aumentam anualmente e a demanda pelos coletivos caem diante do crescimento da procura por aplicativos de carona paga.

No fim, nos resta esperar se essa narrativa, por ora positiva, construída pelo Governo, irá se sustentar por longo prazo. Afinal, quando a esmola é demais, o cego desconfia.

Sem redução – De acordo com o Governo, a implementação da tarifa única não vai alterar a quantidade atual da frota, nem tampouco a frequência de viagens já disponibilizadas pelo sistema. A conferir a partir do próximo dia 3.

Promessa de Governo – Segundo comentou a governadora, a implantação da tarifa única foi um compromisso do Governo para garantir mais cidadania para o povo de Pernambuco. “Isso também prioriza aqueles que moram em áreas mais distantes e precisavam pagar mais caro para chegar aos seus destinos”, afirmou a tucana.

Alerta do sindicato – O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros, Urbana-PE, que reúne as empresas operadoras do sistema, apesar de votar a favor da tarifa única, fez um alerta. Disse que a medida deverá ser apoiada por mecanismos que confiram previsibilidade e segurança ao custeio do sistema de forma a assegurar que a operação não seja impactada.

Gol de placa – Defensor incondicional da governadora Raquel Lyra, o deputado Antônio Moraes (PP) disse que governadora marcou “gol de placa” com aprovação do bilhete único de transportes. “A tarifa única vai beneficiar cerca de 90% dos usuários dos transportes coletivos da região metropolitana, sobretudo os mais pobres. Isso era um sonho antigo dos usuários”, comemorou.

Nova legenda? – O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), não esconde a ânsia de ver o deputado Álvaro Porto, atualmente no PSDB, como parte de sua legenda. De acordo com Silvio, por seu protagonismo à frente da presidência da Alepe, Porto viria a somar muito ao projeto de ampliar qualitativamente o quadro do Republicanos em Pernambuco. Seja o Republicanos ou não o destino partidário de Porto, o fato é que ele só pode mudar de partido na janela partidária de abril de 2026. Do contrário, perde o mandato.

CURTAS

ORGANIZADAS – Ao comentar o episódio criminoso que resultou em seis jogadores do Ceará feridos, o presidente do Sinpol-PE, Áureo Cisneiros, lembrou que há pouco mais de um mês, uma briga entre as torcidas organizadas do Sport e Santa Cruz resultou em um Policial Militar e dois torcedores baleados. Porém, ao invés de investir na Polícia Civil, a governadora achou que substituir o comandante da Polícia Militar e da Polícia Civil seria a solução.

PAULISTA – O deputado pernambucano Coronel Meira (PL) está para lá de empolgado com o ato convocado pelo ex-presidente Bolsonaro (PL), que promete lotar a avenida Paulista, amanhã. Para ele, o evento significa que o bolsonarismo está mais vivo do que nunca.

ELEIÇÕES GERAIS – Faltando pouco mais de dois anos para as eleições gerais, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), já se coloca como pré-candidato à presidência. No seu mote de campanha, a redução da violência no Brasil, algo que vem conseguindo fazer, por sinal, com maestria em seu Estado.

Perguntar não ofende: Álvaro Porto trocará o PSDB pelo Republicanos?