Augusto Cury tenta se viabilizar com discurso social e antipolítica
O psiquiatra e escritor Augusto Cury, pré-candidato à Presidência da República pelo Avante, tem buscado se apresentar ao eleitorado como uma alternativa fora da política tradicional, combinando discurso de forte apelo social com críticas à experiência dos atuais líderes. Em entrevista ao podcast ‘Direto de Brasília’, meu projeto em parceria com a Folha de Pernambuco, ele destacou especialmente sua relação com o Nordeste brasileiro, região que afirma conhecer profundamente e à qual promete dar centralidade em um eventual governo.
Cury define sua ligação com o Nordeste como um “caso de amor” e costuma descrever a região como “mais do que um território, uma poesia”. Segundo ele, o conhecimento adquirido ao visitar todos os nove estados reforçou a convicção de que o semiárido precisa deixar de ser negligenciado e passar a ocupar posição estratégica nas políticas públicas nacionais.
Entre as propostas apresentadas, o pré-candidato defende a criação de um “Banco do Empreendedor”, voltado especialmente para micro e pequenos negócios nordestinos. A ideia inclui redirecionar parte de recursos de instituições como o BNDES e de dividendos de estatais para fomentar o empreendedorismo local. Para Cury, essa seria uma forma de reduzir desigualdades históricas e transformar a região em um polo de geração de renda.
Apesar do tom propositivo, o próprio Cury reconhece um dos principais pontos de questionamento sobre sua candidatura, a ausência de experiência política. Ele não apenas admite essa condição, como a transforma em argumento, ao afirmar que os políticos tradicionais são corresponsáveis pelo cenário atual do país. Em suas declarações, critica práticas como conchavos e interesses pessoais, que diz não querer reproduzir.
O pré-candidato também procura contrapor sua falta de trajetória política com a experiência acumulada na área empresarial e na saúde mental. Ele ressalta ter liderado projetos que alcançaram milhões de pessoas, além de décadas de atuação clínica. Segundo Cury, essa vivência lhe daria uma visão mais humanizada da gestão pública, resumida na ideia de “mente capitalista e coração social”.
Ao justificar sua entrada na disputa presidencial, Cury afirma não ser movido pelo desejo de poder, mas por um compromisso com o que chama de combate à polarização e à desesperança. Ele aposta no prestígio como escritor e psiquiatra para viabilizar a candidatura e sustenta que sua participação no processo político se dá justamente por não depender dele, reforçando a narrativa de independência em relação ao sistema tradicional.
“Make Humanity Great Again” – Cury quer apostar em uma campanha barata, pacífica e inteligente, que promova uma “repaginação” educacional no país, voltada a criar profissionais para a nova economia e com forte estímulo ao empreendedorismo. O slogan bolado para a sua campanha – Make Humanity Great Again (fazer a humanidade grande outra vez) – é propositalmente adaptado do “Make America Great Again”, da campanha do norte-americano Donald Trump. Se dizendo de centro, Augusto Cury ambiciona preparar o Brasil para o que chama de ‘grande tsunami da robótica e da inteligência artificial”, propondo a criação de clubes de empreendedorismo pelo país.

Nobel da “Guerra” – O presidente Lula afirmou ontem (21) que o presidente norte-americano Donald Trump tem que “ganhar logo” o Prêmio Nobel da Paz para que as guerras no mundo acabem. “O que a gente vê todo santo dia são declarações, que eu não sei se são brincadeira ou não, do presidente Trump dizendo que já acabou com oito guerras e que ainda não ganhou o prêmio Nobel da Paz”, afirmou Lula. “É importante que a gente dê logo um Prêmio Nobel ao Trump, para não ter mais guerra. Aí, o mundo vai viver em paz, tranquilamente”, completou. A fala ocorreu enquanto o brasileiro defendia o multilateralismo e a cooperação entre os países durante agenda em Portugal, ao lado do primeiro-ministro português Luís Montenegro.
A pedidos – Menos de um mês após assumir, Tadeu Alencar foi substituído pelo advogado Paulo Pereira, nome apoiado pela cúpula do PSB para conter ruídos internos. A troca ocorreu ontem pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB), em consonância com articulação do presidente nacional da sigla, João Campos. A pasta mantém-se sob influência do PSB, mas muda o perfil do comando: sai um quadro político e entra um técnico com trânsito no governo federal. Nos bastidores, a indicação teve aval de Márcio França e ocorre após uma confusão na nomeação anterior, que desagradou lideranças da legenda. Alencar deve ser realocado e pode retornar à Câmara como suplente dentro da reorganização partidária em Pernambuco.
“Mais Justiça, não menos” – O artigo do ministro do STF Flávio Dino, publicado no site ICL Notícias, em defesa de mudanças no Judiciário, abriu divergências no Supremo. Embora elogiado pelo presidente da Corte, Edson Fachin, o texto incomodou parte dos ministros, que, sob reserva, apontam falhas no foco das propostas e cobram o enfrentamento de problemas mais sensíveis. Em um texto recheado de recados velados, Dino defende ampliar eficiência e transparência, endurecer punições e reduzir a sobrecarga do sistema, além de criticar a autocontenção, linha defendida por Fachin, ao afirmar que “o Brasil precisa de mais Justiça, não menos”. Nos bastidores, a iniciativa foi lida como um recado interno e acirrou o debate sobre os rumos da Corte. As informações são do jornal O Globo.

“Escravidão” de R$ 91 mil – A fala da desembargadora Eva do Amaral Coelho, que comparou a situação de magistrados a um “regime de escravidão” após mudanças em penduricalhos salariais, provocou reação e ironia nos bastidores. Em sessão do Tribunal de Justiça do Pará, ela criticou o novo patamar remuneratório e alegou que colegas estão abrindo mão de consultas médicas e remédios. A declaração ganhou ainda mais repercussão diante dos vencimentos da magistrada, que chegaram a R$ 91 mil líquidos em um único mês. O contraste com a realidade de um terço dos brasileiros (cerca de 68 milhões que vivem com salário-mínimo de R$ 1.621) é inevitável: a remuneração da desembargadora chega a ser quase 50 vezes maior.
CURTAS
PROFECIA – O prefeito de Garanhuns, Sivaldo Albino (PSB), afirmou que João Campos deve vencer a eleição ao Governo de Pernambuco no município com “bastante tranquilidade”. Segundo ele, há sentimento favorável ao pré-candidato no Agreste Meridional, “mesmo sem a maioria dos prefeitos”.
RENÚNCIA – O vereador Claudelino Costa (PSB), vice-presidente da Câmara de Arcoverde, renunciou ao mandato na segunda (20) para se dedicar à própria defesa. Ele afirma que vai “restabelecer a verdade dos fatos” e provar inocência. A saída ocorre no dia em que seria discutido processo de cassação por suposta quebra de decoro, após denúncia de oferta de cargos como pagamento de dívida.
RECORDISTA – Pelo sexto mês seguido, “Os Leões do Norte”, publicado pela editora Eu Escrevo, continua entre os mais vendidos na livraria Leitura, do Riomar, no Recife. Já no interior, a lojinha de conveniência do posto Cruzeiro, em Arcoverde, é campeã em vendas. Em seis meses, 1,2 mil exemplares foram vendidos.
Perguntar não ofende: se Augusto Cury diz combater a polarização, como concilia esse discurso com a defesa aberta da dosimetria aos acusados por tentativa de golpe de Estado em sua “terceira via”?
Leia menos









