Erramos

Por Marcelo Tognozzi

Colunista do Poder360

Sou grato à geração dos meus pais, porque nos entregaram um país melhor do que aquele que receberam. Viveram duas ditaduras: a de Getúlio Vargas e a de 1964. Quando Getúlio deu o golpe em 1937, meus pais tinham três anos de idade. Cresceram sob o manto do culto à personalidade de um sujeito que ficou 15 anos no poder e só saiu porque o mundo foi varrido por uma onda democrática contra o nazifascismo.

Eles tinham 12 anos quando a Constituição de 1946 foi promulgada. Viveram a adolescência e boa parte da mocidade num país onde havia liberdade (menos para os comunistas, eleitos e depois cassados). Chegaram aos anos 1950, com Getúlio de volta ao poder eleito pelo voto direto e universal, mas que acabaria com a própria vida depois de cair num labirinto criado por ele próprio.

Naqueles anos 1950 tínhamos uma direita movida pelo ódio e sem apego à democracia recém-nascida. Seu líder, Carlos Lacerda, declarou que “Juscelino Kubistchek não poderia ser eleito, se eleito, não poderia tomar posse e, se empossado, deveria ser derrubado”.

Câmara Municial Recife - O Recife que amamos

Por Míriam Leitão
Do Jornal O Globo

Aceita a denúncia e tornado réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu quartel-general, agora é que realmente começa a ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria-Geral da República (PGR) terá que mostrar a solidez das provas apresentadas na peça acusatória. Por outro lado, os advogados farão a contraprova, terão que ter direito ao contraditório, terão acesso a todos os documentos e o amplo direito de defesa.

Ao contrário do que aconteceu no Mensalão, quando os advogados precisavam ir ao Tribunal para ter acesso aos documentos físicos, todas as provas estão disponíveis em meio eletrônico, como me explicou o professor Ademar Borges, do IDP. Ou seja, é mais fácil acessar essas provas e todos os documentos necessários.

Nessa etapa, serão feitas diligências, os réus serão interrogados, serão apresentadas testemunhas, que vão prestar depoimentos. Então, é agora que toda a história começa.

É assim no devido processo legal que acontece na democracia. Nas ditaduras não há nada do que se possa chamar de devido processo legal. E esses réus são acusados de atentar contra a democracia.

Toritama - Tem ritmo na saúde

Por Maria Cristina Fernandes
Do Valor Econômico

A exibição do vídeo com uma seleção dos atos mais violentos do 8 de janeiro, bem como dos documentos que comprovam o acesso das pessoas que preparam o golpe ao ex-presidente Jair Bolsonaro foi o ápice do voto do ministro relator, Alexandre de Moraes, que levou duas horas para fazer a leitura detalhada do seu voto.

A unanimidade com a qual a denúncia foi aceita demonstra não apenas o reconhecimento do trabalho do procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas também o sucesso de Moraes, secundado pelos ministros Flávio Dino e Carmen Lúcia, em contrapor a “guerra campal” para desfazer a ideia do “passeio no parque” com a qual o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro , que, no primeiro dia do julgamento, foi alvo de questionamento do ministro Luiz Fux.

Caruaru - Primeiro lugar no IDEPE

Por Igor Gielow
Da Folha de S. Paulo

Aceitações de denúncias são passos meramente protocolares num processo judicial: são checadas as condições legais para que o caso mereça ter seu mérito examinado.

No Brasil de 2025, claro, o Supremo Tribunal Federal ter começado a a analisar a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu entorno por tentativa de golpe virou imediatamente duas coisas.

Cabo de Santo Agostinho - Vem aí

Dedico este artigo ao meu colega o fogueteiro bilionário Elon Musk, cuja nave Falcon Freedom está na pista do Vermelhão

Por José Adalbertovsky Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – O Lunário número 3 está fora de órbita. O Véio do Pastoril do Cordão Encarnado caiu num buraco afrodescendente. Os olhos dele estão situados no toitiço e ele só vê o passado. Galípolo, o galo de briga do Copom, Comitê de Política Econômica do BC, segue a receita e aumentou a taxa de juros Selic conta das galinhas poedeiras.  

(Eu não falo “buraco negro” porque um bicho da caterva vermelha me disse que esta é uma expressão politicamente incorreta).

Palmares - Natal Encantado 2025

Por Bonny Fonseca

Do jornal Opção

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua a manter um forte alinhamento com a parcela mais pobre da população brasileira, especialmente entre aqueles que possuem renda familiar de até dois salários mínimos. Esse grupo continua a dar sustentanção ao governo petista. A persistência desse fenômeno cunhou o termo “lulismo” para descrever essa conexão entre Lula e a base da sociedade, independentemente do Partido dos Trabalhadores (PT).

No entanto, esse apoio não se estende de forma homogênea por todas as faixas de renda. Conforme a renda aumenta, o governo encontra dificuldades em manter sua aprovação. Esse fenômeno está diretamente ligado às transformações do capitalismo contemporâneo, ao aumento do custo de vida e às mudanças no mercado de trabalho. Essas questões não são exclusivas do Brasil, mas o governo Lula 3 tem falhado em comunicar sua estratégia para enfrentar tais desafios, o que intensifica a insatisfação de setores mais integrados ao mercado formal.

Essa fragilidade na comunicação ficou evidente na polêmica sobre a fiscalização das transações via Pix. Diante da disseminação de fake news que sugeriam uma suposta taxação ou um monitoramento excessivo com fins tributários, o governo não conseguiu responder de forma clara e eficaz. O resultado foi um recuo da medida diante da pressão popular, reforçando a percepção de que falta coordenação na estratégia de comunicação oficial.

Olinda - Refis últimos dias 2025

Por Cláudio Soares*

Na tarde de ontem, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, proferiu um voto que ecoa como um triste reflexo das distorções que permeiam nosso sistema judicial. A decisão de condenar Débora Rodrigues dos Santos, uma cabeleireira de Paulínia, a 14 anos de prisão, levanta sérias questões sobre o que consideramos justiça em nosso país.

Débora não é uma criminosa de ter ceifado vidas, nem uma agente de desvio de verbas públicas, como tantos outros que, mesmo após atos corruptos, continuam a caminhar impunes pelos caminhos de Brasília. Seu “crime” foi expressar sua indignação em um momento de fervor político, utilizando um batom para pichar um recado na estátua da Justiça em frente ao STF durante os atos de 8 de janeiro.

As palavras “Perdeu, mané” eram uma referência a uma declaração do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, direcionada a um manifestante bolsonarista. Em um Estado democrático, a liberdade de expressão deve ser um direito inalienável, e ações como a de Débora deveriam ser vistas como uma manifestação de insatisfação, e não como um ato criminoso.

Por Waldemar Borges*

Tinham uns dois ou três xeleléus da governadora que aplaudiam o afastamento da gestão em relação à classe política, enaltecendo essa conduta em nome de uma nova forma de fazer política no estado. Tratava-se, diziam, de um novo tempo que estaria sendo rechaçado por políticos viciados nos velhos métodos de cooptação. Era assim que enalteciam o descaso de um governo fechado e indisposto para interagir com a sociedade.

Gostaria de saber o que esses porta vozes das Princesas estão dizendo agora, depois que a governadora loteou o governo no mais autêntico estilo do velho toma lá-dá-cá. Será que estão decepcionados com o que juravam ser uma revolução nas práticas políticas em Pernambuco, ou já arrumaram um discurso pra justificar a queda impiedosa dessa “nova política”?

*Deputado estadual

Por Marcelo Tognozzi

Colunista do Poder360

O desastre de Mariana, famoso internacionalmente, despertou a ganância de advogados ingleses que enxergaram a possibilidade de ganhar centenas de milhões de libras esterlinas, abrindo um processo para obrigar a Vale e a BHP, donas da Samarco e responsáveis pela barragem do Fundão, a pagar uma cara indenização, da qual uma gorda fatia seria transformada em honorários.

O Pogust Goodhead, escritório famoso por vencer disputas judiciais contra grandes empresas como a Johnson & Johnson ou a Volkswagen, entendeu que o caso brasileiro seria mais um case de sucesso para seu portfólio. A confiança era tanta que o fundo abutre Gramercy investiu US$ 500 milhões no PG, apostando num retorno bilionário. Em artigos anteriores, mostrei aqui e aqui quem são e como agem os advogados do PG. Eles também têm causas envolvendo desastres ambientais em Brumadinho (MG), Barcarena (PA) e Maceió (AL).

Tudo o que os maganos do PG e do fundo abutre Gramercy não previam era um mico. E foi justamente o que aconteceu quando o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ser fiador de um acordo entre as empresas e as vítimas, o qual determina o pagamento de R$ 170 bilhões, provavelmente o maior valor já pago como reparação por uma tragédia ambiental. O alto índice de adesão ao acordo brasileiro desestabilizou os advogados britânicos. Um deles, Pogust, deixou o escritório e foi curtir a vida.

Por Eliane Cantanhêde
Do Estadão

Gleisi Hoffmann mostra serviço e Fernando Haddad força a porta para voltar ao palco e à cena principal, depois de derrotas consecutivas e de ver seu prestígio interno balançar e a confiança na opinião pública desabar. De “alternativa natural” ao presidente Lula como candidato da esquerda, acaba de se defrontar com 58% de avaliação negativa na pesquisa Genial Quaest no mercado financeiro.

Por mais que Haddad tente desqualificar o resultado, alegando que a pesquisa nem pode ser chamada de pesquisa, vamos combinar que 106 economistas, gestores e analistas de fundos de investimento de São Paulo e Rio é, sim, uma amostra significativa do mercado.