Por Tarsila Castro
Do Blog da Folha
A Federação Renovação Solidária, composta pelo Solidariedade e pelo PRD, realiza convenção partidária neste sábado (1º) com a presença do pré-candidato ao governo de Pernambuco João Campos (PSB). O ato político formaliza o apoio da federação à candidatura do ex-prefeito do Recife.
Recentemente, a federação anunciou que retornou à Frente Popular de Pernambuco, deixando de apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD).
A decisão foi anunciada após uma reunião entre João Campos e o presidente estadual do Solidariedade, Edinazio Silva e também contou com o apoio do prefeito de São Caetano e presidente estadual do PRD, Josafá Almeida.
Escolhido pela governadora Raquel Lyra (PSD) para disputar uma vaga no Senado na chapa governista, o presidente da Federação União Progressista e deputado federal Eduardo da Fonte (PP) publicou, há pouco, nas redes sociais, imagens em que aparece com a bandeira de Pernambuco sobre os ombros, acompanhadas de trechos do frevo “Madeira que Cupim Não Rói”. Na legenda da publicação, o parlamentar escreveu: “A tradição continua viva, a cultura segue forte e o orgulho de ser pernambucano permanece de pé”.
A definição do nome de Eduardo da Fonte ocorre após meses de disputa interna pela indicação ao Senado com o presidente do União Brasil e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho. Na manhã deste sábado, Miguel anunciou, em vídeo divulgado nas redes sociais, a retirada de sua pré-candidatura ao Senado. A decisão foi tomada após uma reunião com Raquel Lyra, realizada na noite de ontem e concluída na madrugada deste sábado.
A montagem da chapa governista para o Senado terminou com uma derrota política explícita para a governadora Raquel Lyra (PSD). Depois de meses bancando publicamente a candidatura de Miguel Coelho (União Brasil), ela foi obrigada a abandonar sua própria estratégia e aceitar a indicação de Eduardo da Fonte (PP), que fez prevalecer sua vontade na principal decisão política da aliança governista. O desfecho fortalece o deputado federal, expõe a fragilidade da liderança de Raquel sobre sua base e deixa Miguel fora da chapa após ter sido incentivado pela própria governadora a permanecer na disputa.
Mais do que uma disputa por uma vaga ao Senado, o episódio se transformou em uma demonstração de força dentro da base governista. Ao final das negociações, prevaleceu a posição de Eduardo da Fonte, enquanto Raquel assistiu ruir a composição que vinha defendendo desde o início das conversas. Na prática, a governadora terminou cedendo à correlação de forças da federação União Progressista.
Leia maisPara Miguel Coelho, o desfecho foi o encerramento de uma candidatura que a própria governadora estimulou durante meses. Ao anunciar sua desistência, afirmou que a decisão ocorreu por “questões de forças maiores”. Nos bastidores, a versão predominante é que a garantia de espaço partidário para os deputados Fernando Filho e Antônio Coelho pesou para que o grupo aceitasse retirar sua candidatura, evitando um confronto maior.
O episódio também reabre uma ferida antiga na relação entre Raquel Lyra e o grupo dos Coelho. Em recente almoço que já sinalizava um possível rompimento político entre ambos, Fernando Bezerra Coelho Filho teria classificado a então aliada como “traidora”. Agora, após incentivar Miguel a permanecer na disputa e não conseguir sustentá-lo até o fim, aliados do ex-prefeito voltam a associar o desfecho ao histórico de rompimentos da governadora.
No balanço final, Eduardo da Fonte sai da negociação como o principal vencedor. Demonstrou força suficiente para impor sua estratégia à chefe do Executivo estadual e consolidou sua posição dentro da coalizão governista. Raquel Lyra, por sua vez, inicia a campanha carregando o desgaste de uma articulação em que sua vontade não prevaleceu justamente na definição mais importante de sua chapa majoritária.
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Por Anthony Santana, Felipe Nascimento e Maysa Sena
Do Blog da Folha
O fim de semana promete dar a largada para a corrida às urnas em Pernambuco. Neste domingo (2), a governadora Raquel Lyra (PSD) irá reunir aliados para confirmar seu projeto de reeleição. Será no Parador, no Bairro do Recife, a partir das 9h. Neste sábado (1º), a Frente Popular deve confirmar a candidatura ao governo do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), em ato político no Clube Internacional, no horário simbólico de 13h40 — em referência à aliança dos socialistas com o PT.
Outras convenções também estão previstas para este fim de semana. Neste sábado, a Federação PRD/Solidariedade e os partidos Progressistas e União Brasil farão seus atos políticos. Amanhã, será a vez da Federação Rede/Psol formalizar a candidatura ao governo do ex-vereador Ivan Moraes (Psol), com a advogada Alice Gabino (Rede) e o pré-candidato ao Senado Paulo Rubem Santiago (Psol). O calendário de convenções só se encerra na quarta-feira (5), quando a Federação União Progressista realiza sua convenção, considerada decisiva para que Raquel Lyra conclua a montagem da própria chapa.
Leia maisLargada
Para quem não acompanha de perto a rotina dos partidos, vale entender o que está em jogo: a convenção é o momento em que uma articulação de bastidores que pode levar meses se transforma em decisão oficial. “É quando se confirma oficialmente quem serão os candidatos”, explica a cientista política Priscila Lapa. Até o momento, os partidos só podem tratar seus postulantes como pré-candidatos. Com a homologação das convenções, passam a existir oficialmente as candidaturas, permitindo, entre outras medidas, a abertura de contas específicas e o recebimento de recursos do fundo eleitoral. O cientista político Alex Ribeiro reforça a leitura: a convenção “marca a passagem das articulações políticas para as definições oficiais”.
Cenários
Embora liderem as principais pré-candidaturas ao Palácio do Campo das Princesas, João Campos e Raquel Lyra chegam às convenções em momentos bem diferentes da formação da sua base aliada. Na convenção do PSB, João terá homologada uma chapa majoritária já consolidada e que percorre com ele o estado desde o lançamento do seu projeto político em março. O empresário Carlos Costa (Republicanos) será confirmado como candidato a vice-governador, o senador Humberto Costa (PT) disputará a reeleição e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) ocupará a segunda vaga ao Senado. A composição foi fechada após negociações entre os partidos da Frente Popular e permitiu ao pré-candidato iniciar o período das convenções sem pendências internas.
Além disso, a convenção formada por Solidariedade e PRD deve confirmar neste sábado a aliança com João Campos, após deixar a base da governadora Raquel Lyra. A sigla promove seu ato político com presença confirmada do ex-prefeito do Recife.
Ao lado da governadora na chapa, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) deve repetir a parceria firmada pelas gestoras desde o pleito de 2022. No material de campanha divulgado nas redes sociais da gestora, as duas líderes políticas são o destaque.
Senado
Com a retirada da candidatura de Miguel Coelho (União Brasil) da disputa ao Senado, às vésperas da convenção que oficializa a candidatura de Raquel Lyra, finamente se encerra a novela pela vaga ao Senado.
É justamente esse tipo de impasse, levado até o limite do calendário eleitoral, que costuma acender um alerta entre analistas políticos. Deixar a convenção para o último dia pode ser também estratégia. “Esticar a corda até o fim, primeiro, cria todo um clima, toda uma expectativa. Isso é muito utilizado como estratégia de comunicação […] Quem sai por último faz ali aquele desfecho e não deixa que o adversário crie um evento politicamente mais relevante”, avalia Priscila Lapa. Segundo ela, adiar a decisão também mantém possíveis dissidentes “reféns” do grupo político, já que não sobra tempo hábil para migrarem para outra legenda antes do fim do prazo.
Alex Ribeiro segue linha semelhante ao analisar a convenção da Federação União Progressista, marcada para o encerramento do calendário das convenções. Na avaliação do especialista, a data isolada não indica necessariamente desorganização interna.
“Adiar a decisão pode servir para prolongar negociações, acompanhar movimentos dos adversários e fechar questões como alianças, composição da chapa e candidaturas ao Senado. Porém, quando as divergências permanecem até o limite do prazo, isso pode revelar dificuldades internas. Portanto, a leitura política depende menos da data e mais das circunstâncias que levaram o partido a decidir no último momento”, pondera.
Já sobre quem, de fato, decide os nomes dentro de uma convenção, Priscila Lapa é direta: a decisão raramente passa pelo voto dos filiados. “Em geral, no Brasil, a regra é que a cúpula decide, o restante do partido apenas segue […] De fato, decisões mais colegiadas, mais democráticas assim são a exceção”, afirma, ajudando a explicar por que negociações como a do PSD em torno da vaga ao Senado se resolvem nos bastidores, entre líderes, e não em votação aberta de bases partidárias.
Expectativa
Enquanto especialistas analisam o significado político das convenções, os pré-candidatos tratam os atos como o início de uma nova fase da campanha e apostam em mobilizações para demonstrar força política. Em agenda pública no fim de semana passado, no Sertão, Raquel Lyra descreveu a expectativa para a convenção que a confirmará como candidata à reeleição.
“Tenho 47 anos e, desde os 30, estou em mandatos eletivos. Nesse momento, dá um frio na barriga danado. É meio como se fosse um momento de Ano Novo, onde a gente para pra refletir sobre tudo o que fez, o que nos trouxe até aqui e o que nos move daqui em diante”, afirmou a governadora de Pernambuco.
Antes do ato político, a gestora buscou dar visibilidade às ações do seu governo com vistorias nas regiões do Agreste, Sertão e Mata Sul que somam investimentos na ordem de R$ 484,6 milhões. Na véspera do fim de semana de convenções, ela buscou dar visibilidade ao roteiro. “Estamos visitando muitas cidades em todas as regiões do nosso estado, acompanhando obras, fiscalizando o andamento, colocando recursos para que nosso governo possa fazer as inaugurações que entregam o melhor serviço para a população”, destacou.
Já João Campos projeta um ato de grande porte no Clube Internacional e destacou a parceria com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “A gente conversou bastante […] ele me ligou para dizer que estava muito feliz, que estava animado. […] Convidamos todo mundo para este grande momento, onde faremos uma bonita festa e iniciaremos uma nova etapa com muita energia e sentimento positivo”, afirmou o pré-candidato pela oposição.
Ao anunciar o encontro, João Campos ressaltou a construção do arco de alianças que reúne, além do PSB, legendas como Republicanos, MDB e as Federações Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e PRD/Solidariedade. “Tenho certeza de que esse movimento se materializará nas urnas, garantindo uma eleição vitoriosa para o governo do estado, para o Senado e para a presidência.”
Nos últimos dias, João Campos intensificou suas postagens nas redes sociais para convocar aliados. “Será o momento de reafirmar a força do povo pernambucano, consolidar o time de Lula e mostrar que o futuro de Pernambuco será construído com coragem, trabalho e união”, destacou João Campos.
Federação
Além das duas principais chapas na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas, as convenções deste fim de semana oficializam as candidaturas das demais forças políticas. Pré-candidato da Federação Rede/PSOL, em aliança com o PCB, Ivan Moraes apresenta sua trajetória fora dos partidos tradicionais como principal diferencial da candidatura.
Segundo ele, a convenção “é um momento importante para juntar nossa turma e apresentar a Pernambuco alternativas”. “Estou há mais de duas décadas atuando ao lado das organizações sociais e coletivos populares, mesmo antes de resolver meter o pé na porta da política. Eu conheço a vida real das pessoas porque essa é a minha vida”, afirmou.
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Às vésperas da convenção que oficializará a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) anunciou, na manhã deste sábado (1º), que retirou sua pré-candidatura ao Senado. Em vídeo publicado há pouco nas redes sociais após uma reunião com a governadora, ele afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo para evitar desgastes à chapa governista e reforçou apoio ao projeto de reeleição de Raquel.
“Sempre defendi que o projeto prioritário é o projeto de eleição de Raquel e de Priscila. Independentemente de quem fossem os candidatos escolhidos, a gente estaria ao lado dela”, afirmou. Segundo Miguel, os dois concluíram que era o momento de retirar a candidatura ao Senado para não colocar o projeto político “em risco”.
“Não era o desfecho que eu queria, vocês sabem. Mas, de novo, não é sobre o eu. É sobre um projeto maior, um projeto para o bem de Pernambuco”, disse.
Apesar da desistência, Miguel afirmou que seguirá atuando politicamente ao lado da governadora. “O Galeguinho continua aqui, de cabeça erguida, firme, continuando o propósito de trabalhar por Pernambuco.”
Por Yuri Costa – Blog da Folha
Lideranças pernambucanas do Partido dos Trabalhadores (PT) se manifestaram, nesta sexta-feira (31), sobre a possível ausência do presidente Lula (PT) dos debates eleitoras do primeiro turno. Nessa quinta (30), o chefe do Executivo nacional afirmou, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, que vai analisar o quadro eleitoral antes da decisão de ir ou não aos compromissos.
Para a senadora Teresa Leitão (PT), a possibilidade terá que ser avaliada a depender do rumo da campanha. A petista, no entanto, se posicionou favorável à participação de Lula nos debates.
Leia mais“Eu acho que isso é muito conjuntural. É uma análise que se faz dependendo do rumo da campanha. Não é uma posição definida. Acho que é sempre bom debater, e Lula é muito bom de debate, vai ter muito o que mostrar do seu governo para garantir uma quarta possibilidade de governar o Brasil”, argumentou.
O senador e pré-candidato à reeleição Humberto Costa (PT) reforçou que será necessária uma análise de Lula sobre a participação ou não nos compromissos. O legislador, no entanto, se mostrou pessimista com o nível dos debates no primeiro turno.
“Eu acredito que não (vai prejudicar). Uma coisa era o debate do passado, quando se debatia com Fernando Henrique Cardoso, Ulisses Guimarães, com gente assim. Outra coisa é o debate com pessoas que trabalham o tempo inteiro com deboches e com agressão. O presidente vai ter que avaliar. No segundo turno, eu acho que é outra realidade, e eu sou mais favorável que ele participe do debate”, avaliou.
Já o presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras (PT), não há adversários qualificados para debater com o presidente. O líder da sigla, no entanto, reiterou que a ida de Lula aos compromissos será avaliada pela coordenação nacional do partido na campanha.
“Essa escolha vai ser feita pela coordenação nacional do partido na campanha. Ainda falta um tempo para iniciar os debates. Quando eu olho para o outro lado, eu não vejo candidato qualificado para fazer um debate com o presidente Lula. Não tem proposta, não tem conteúdo e a gente viu o que eles fizeram nesse país. A principal obra do governo Bolsonaro foi 700 mil covas para a população brasileira (durante a pandemia de Covid-19)”, opinou.
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Por Bela Megale – O GLOBO
Não é só no cenário nacional que PP e União Brasil não estarão com o PL e seu candidato, Flávio Bolsonaro. A federação formada pelos dois partidos negou os apelos do presidente Valdemar Costa Neto para coligarem com o PL em Roraima.
Nos últimos dias, Valdemar Costa Neto ligou para o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, tentando reverter a decisão, mas sem sucesso. Ele ofereceu à federação a indicação do candidato a vice-governador de Artur Henrique.
Leia maisO principal motivo da negativa foi a chapa montada pelo partido de Flávio Bolsonaro, na qual os dois candidatos ao Senado — os deputados Helio Negão e Nicoletti — são do PL.
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Em vídeo publicado nas redes sociais, o cantor e compositor Maciel Melo falou sobre o processo criativo de “Uma Canção Atemporal”, sua nova composição. Segundo o artista, a música foi inspirada pelo atual momento histórico, marcado por guerras, violência e desumanidade. “Toda vez que eu vou compor, embora eu queira fazer uma música alegre, por trás sempre tem uma pitadazinha de melancolia. Eu queria fazer uma música falando sobre esse momento atual”, afirmou. Confira:
Pesquisa Datafolha/Rede Tribuna mediu o cenário de intenção de voto para senador de Pernambuco entre eleitores com 16 anos ou mais
O Datafolha testou dois possíveis cenários e, em todos eles, a liderança é de Marília Arraes (PDT), seguida sempre por Humberto Costa (PT). Na eleição deste ano, há duas vagas em disputa para o Senado em cada estado.
No primeiro cenário, com dez pré-candidatos testados, Marília Arraes alcança 18% das intenções de voto, empatada tecnicamente com Humberto Costa (PT), com 15%. Na sequência, empatados, aparecem Mendonça Filho (PL), com 10%, Miguel Coelho (União), com 9%, e Pastor Wellington Carneiro (Mobiliza), com 2%. O nome de Sílvio Nascimento (Mobiliza) é indicado por 3%, Carlos Sant’Anna (Novo), por 2%, Paulo Rubem Santiago (Rede), por 1%, e Fernando Dueire (PSD), por 1%. Há 21% que votariam em branco e 9% estão indecisos.
No segundo cenário, em que o senador Fernando Dueire (PSD) é substituído por Túlio Gadêlha (PSD), Marília Arraes mantém a liderança, com 18%, em patamar semelhante ao de Humberto Costa, com 14%. Mendonça Filho aparece com 10%, e Miguel Coelho, com 9%. Eduardo da Fonte aparece com 7%, e Sílvio Nascimento e Carlos Sant’Anna, com 3%. O nome de Túlio Gadêlha é citado por 3%.
