Por Roberto Almeida
Do Blog do Roberto Almeida
Os pré-candidatos ao governo de Pernambuco em 2026, João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD), têm origem comum. Ambos entraram na vida política pelo Partido Socialista Brasileiro, tendo Raquel sido deputada estadual e secretária de Eduardo Campos filiada ao PSB. João Lyra Neto, pai de Raquel, também foi do PSB, vice-governador de Eduardo Campos, que assumiu o poder em 2014.
João nasceu de pai e mãe ricos, se formou em engenharia, mas com pouco mais de 20 anos se elegeu deputado federal, obtendo a maior votação de um candidato proporcional em Pernambuco até hoje. Aos 26 se elegeu prefeito do Recife, tendo sido reeleito, em 2024, com perto de 80% dos votos.
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João Lyra Filho, avô de Raquel, foi um homem do povo que se tornou um dos maiores empresários de Caruaru. Foi prefeito de sua terra e deputado estadual. Era um homem de jeito tímido, meio calado, de postura cordial. Manteve a simplicidade dos tempos duros, mesmo quando já era um homem rico.
O bisavô de João Campos, Miguel Arraes, nasceu no Ceará. Mas foi em Pernambuco que se tornou um mito na política, tendo sido deputado estadual e federal, prefeito do Recife e governador do estado três vezes.
Arraes era um homem que lia, tinha conhecimento e procurava alinhar a teoria com a prática. Um homem de esquerda, coerente, preocupado a vida toda com o povo e que usou o poder para melhorar as condições de vida dos moradores da periferia das grandes cidade e dos habitantes da zona rural.
Os Lyra, de Caruaru, eram do antigo MDB, partido que fazia oposição à ditadura. Fernando, tio de Raquel Lyra, foi deputado federal por sete mandatos. Um parlamentar aguerrido, um gigante na luta contra a ditadura. Tanto João Lyra Filho quanto Neto também fizeram política no campo democrático.
Assim, Raquel e João têm origem comum: quando nasceram, os pais já eram ricos e as famílias tinham uma tradição de militar em partidos progressistas.
A governadora, porém, desde a campanha de 2022 vem adotando uma postura dúbia na política. Quando o Brasil se dividia entre Lula e Bolsonaro, um democrata e um filhote da ditadura, ela optou por ficar em cima do muro, para ter os votos do eleitorado conservador.
A partir daí, não conseguiu mais se desligar da direita. Teve bolsonaristas no secretariado e tudo indica que terá pelo menos um direitista na chapa majoritária a ser anunciada.
João, embora não seja tão esquerda quanto Arraes (faz política mais como o pai, Eduardo Campos), montou uma chapa com dois nomes à esquerda para o senado: Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT).
Raquel, a burguesa de família progressista se firma cada vez mais como de centro-direita, enquanto João, o burguês bisneto de Arraes se fixa como de centro-esquerda. Logicamente a ideologia não é tudo e a eleição não vai ser definida em cima de rótulos.
Os dois são gestores, tendo ela começado em sua terra, Caruaru, e ele também na sua cidade, Recife. Ela entregou menos do que prometeu. Ele, na capital, superou as expectativas. Até quem não acreditava nele, por ser muito jovem quando se elegeu pela primeira vez, terminou se surpreendendo.
De certeza, temos dois grandes políticos, com origem comum, mas que no momento trilham rumos diferentes.
Um se liga ao presidente Lula, ao projeto democrático, aos grupos que combatem a onda conservadora. A outra juntou em torno dos Meira, os Mendonça, os Moura, os Ferreira — todos alinhados ao bolsonarismo que nada fez, tentando retomar o poder com o filhote do presidiário
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