Deus levou hoje o ex-vereador Alvinho Patriota, irmão do meu amigo Gonzaga Patriota, um dos sertanejos mais autênticos que já conheci e convivi, daqueles que nunca se renderam aos apelos da Canaã, a terra prometida, que se chama São Paulo. Salgueiro está enlutada. Foi a cidade em que Alvinho nasceu, amava e de lá nunca arredou o pé.
Convivi pouco com Alvinho. Na sua família, sou mais próximo de Gonzaga Patriota, irmão dele. Mas todas as vezes em que botei os pés em Salgueiro, sua pátria idolatrada, me estendeu tapete vermelho. Era um gentleman, leitor voraz do meu blog, defensor intransigente das causas do Sertão e da sua gente.
Leia maisVez por outra, me pedia para assumir movimentos em defesa do Alto Sertão. Chegou a transmitir o meu programa Frente a Frente na rádio Vida, de sua propriedade. Tínhamos um amigo em comum, o jornalista Machado Freire, outro salgueirense ardente e apaixonado pela terra. Alvinho era do bem, tinha um coração em que cabiam milhões de amigos, como diz a canção de Roberto Carlos. Ganhou a confiança do povo da sua terra para quatro mandatos de vereador.
Seu sonho maior, entretanto, virou pesadelo: sentar na cadeira de prefeito. Disputou apenas uma eleição majoritária, mas mesmo com o irmão Patriota em alta, prestígio em Brasília, não materializou o projeto. Isso, porém, nunca engessou sua disposição de continuar trabalhando em favor de Salgueiro.
Logo cedo, liguei para Patriota. O localizei em São Paulo, arrasado com a morte do irmão querido. Revelou-me que tinha por Alvinho uma grande admiração, não apenas pelo companheirismo, mas sobretudo pelo elevado espírito público e pela sua disposição de servir ao povo salgueirense.
Alvinho foi um lutador. Como escreveu Machado de Assis, a vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal. A beleza da vida às vezes se perde nas sombras, mas é reconfortante saber que existem pessoas, como Alvinho, que trazem a luz de volta.
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