Em Pernambuco, a motocicleta há muito tempo deixou de ser um mero item de lazer ou luxo. Ela é, para a imensa maioria, a principal ferramenta de trabalho e meio de transporte viável. Por isso, a recente proposta apresentada por João Campos (PSB) de zerar o IPVA para motos de até 180 cilindradas não é apenas uma medida tributária, mas uma decisão que dialoga diretamente com o campo popular e o trabalhador da base da pirâmide.
Beneficiar cerca de 1,4 milhão de famílias que dependem de uma moto para fazer entregas, ir ao emprego ou levar os filhos à escola representa um alívio real e imediato no orçamento doméstico. Estamos falando de colocar mais dinheiro no bolso de motoboys, encanadores, feirantes e trabalhadores rurais. Além disso, a visão se estende à proposta da Moto Rural, que prevê apoio na retirada da habilitação e a entrega gratuita do capacete, humanizando o trânsito no interior, no lugar de apostar na perseguição.
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O que torna o cenário intrigante, e digno de forte contestação, é a postura de omissão do atual Governo de Pernambuco. A isenção do IPVA para motos populares não é uma bandeira utópica ou exclusiva da oposição. Trata-se de uma necessidade tão evidente que o próprio deputado estadual Abimael Santos, membro da base governista de Raquel Lyra, já havia feito essa solicitação formal à gestão estadual. Mesmo diante de um pedido vindo de dentro de sua própria bancada, o governo estadual se negou a agir.
Essa resistência se torna ainda mais indefensável quando olhamos para o resto do país. Estados reconhecidos nacionalmente pela extrema responsabilidade fiscal já adotaram a mesmíssima medida, provando que é perfeitamente viável equilibrar as contas públicas e apoiar o trabalhador. São Paulo, Paraíba e Maranhão já isentaram essas cilindradas. Até mesmo Goiás, sob a liderança de Ronaldo Caiado, – um gestor rigoroso com as finanças e, ironicamente, pré-candidato à presidência pelo PSD, o mesmo partido da governadora Raquel Lyra -, implementou a proposta. Se Caiado e o PSD nacional enxergam a relevância da medida, por que o governo de Pernambuco escolhe dar as costas?
No fundo, governar é fazer escolhas. Enquanto o Palácio do Campo das Princesas se fecha para uma proposta que aliviaria o bolso de 90% da frota de motocicletas do estado, o debate público assiste ao governo gastar mais de R$ 150 milhões na compra de aviões ou helicópteros, também empregados para o “transporte de autoridades”.
A matemática social de João Campos se mostra mais conectada com a realidade das ruas: em vez de investir em aeronaves, a prioridade deveria ser o trabalhador que enfrenta o sol e a chuva sobre duas rodas para garantir o sustento. Retirar um imposto de aproximadamente R$ 500 anuais de quem ganha um salário-mínimo significa garantir semanas de combustível, a manutenção do veículo ou o alimento na mesa. Isentar o IPVA das motos populares é viável, é justo e, acima de tudo, é o que o povo trabalhador precisa e merece.
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