A deputada federal Maria Arraes (PSB) classificou como “repugnante” a fala da governadora Raquel Lyra (PSD), que sugeriu realizar uma laqueadura sem o conhecimento da paciente. “De nada adianta a gente ter uma governadora se ela não colocar a luta das mulheres como prioridade e, quando a gente chega lá, a responsabilidade é ainda maior. Usar a caneta para abrir caminhos, garantir direitos e proteger outras mulheres, nunca para tirar delas o direito de decidir sobre o próprio corpo”, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais.
A declaração da governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sugerindo a realização de uma laqueadura em uma paciente do Hospital Dom Moura, em Garanhuns, “sem ela saber”, ganhou repercussão nacional após ser revelada pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.
O caso passou a ser destaque nos noticiários de todo o país neste domingo (20) e, na Folha de S.Paulo, tornou-se a notícia mais lida da editoria de Política.
O candidato a governador João Campos (PSB) se pronunciou nas redes sociais, na noite deste domingo (20), sobre a divulgação de um vídeo em que Raquel Lyra (PSD) aparece recomendando a realização de um procedimento de laqueadura sem o consentimento de uma paciente. Segundo o líder da Frente Popular de Pernambuco, a postura da governadora, sintetizada na frase “Faz sem ela saber”, causa “indignação” e representa uma “violação da integridade física de uma mulher”.
“‘Faz sem ela saber’. Assisti com indignação ao vídeo em que a candidata usa essa frase pra sugerir a laqueadura de uma gestante, sem ela saber. A lei é clara: esterilização exige manifestação expressa da vontade da mulher. Autoridades e gestores públicos têm o dever legal e ético de garantir direitos e proteger a população, jamais de sugerir práticas ilícitas ou violações da integridade física. Fazer “sem ela saber” não é cuidado. É violência. É crime previsto em lei”, escreveu.
As imagens que viralizaram foram gravadas em 2025, no Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, no Agreste. Na gravação, a governadora aparece ouvindo o relato feito por uma servidora sobre uma mulher que já tinha filhos e estava novamente grávida. Raquel sugere a realização de uma laqueadura, ouve da funcionária uma frase que não é possível entender no vídeo e, então, diz: “Mas faz sem ela saber, vai!”. O caso vem gerando indignação de diversas autoridades, influenciadoras e outras personalidades em todo o país.
Pegou mal. Mais uma vez. A declaração da governadora Raquel Lyra (PSD) que sugere a uma paciente do Hospital Dom Moura, em Garanhuns, ser submetida a uma laqueadura, nas palavras de Raquel, “sem ela saber”, acabou por ganhar uma dimensão que ultrapassa, e muito, os limites de uma fala infeliz.
Trata-se de um episódio que envolve consentimento, autonomia individual, ética médica e valores defendidos por setores que, sim, integram o campo político da ex-prefeita de Caruaru.
Mas antes de analisar o teor do que foi sugerido pela governadora, é necessário se debruçar sobre a Constituição Federal. A legislação brasileira exige manifestação expressa da vontade para a esterilização voluntária.
Ou seja, fora das quatro linhas do que preconiza a lei tudo seria ilegal. Bacharel em Direito, a procuradora licenciada teria por obrigação de ofício saber disso, justamente para evitar que a incumbisse em erro grave, ilegal e inconstitucional.
Com um palanque abarrotado de bolsonaristas e conservadores, é justamente junto ao eleitor católico que a declaração de Raquel esbarra em um dogma: o catecismo considera moralmente ilícita a esterilização direta e estabelece que a regulação dos nascimentos deve ocorrer sem imposições externas.
A encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, também rejeita a esterilização direta e adverte contra a interferência coercitiva do poder público nas decisões relacionadas à geração da vida. Portanto, a frase da governadora colide não apenas com a legislação brasileira, mas também com princípios centrais da doutrina católica.
Politicamente, o episódio cria mais uma situação delicada para uma governadora que busca manter em seu entorno setores de centro, direita e conservadores. Mais uma porque, recentemente, a base de apoio a Raquel Lyra expurgou de perto de si a figura de Mendonça Filho, candidato do PL ao Senado, tendo chegado a acionar a Justiça Eleitoral para evitar que o ex-governador fizesse uso da imagem da governadora em peças publicitárias.
Acontece que, oportunamente ou não, hoje, Mendonça carrega consigo parte de um eleitorado que atribui peso relevante a valores ligados à família, à religião e à liberdade individual.
Em resumo: como uma candidata que precisa dialogar com diferentes segmentos conservadores explicará uma declaração que sugere uma intervenção definitiva no corpo de uma mulher sem seu conhecimento? Entre a legislação, a doutrina católica e a própria necessidade de preservar alianças eleitorais, a frase transformou um comentário de poucos segundos em um problema político de proporções bem maiores.
Amanhã (21), Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (Psol) participam de um debate promovido pela TV Guararapes. O encontro será realizado das 18h às 19h45, com mediação da apresentadora Meiry Lanuce. A emissora optou por um formato que os candidatos farão perguntas entre si.
O debate será dividido em quatro blocos. No primeiro e no terceiro, os candidatos poderão abordar temas livres nas perguntas feitas uns aos outros. A ordem de quem pergunta e quem responde será definida por sorteio, com direito a réplica e tréplica. No segundo bloco, o formato será semelhante, mas os temas das perguntas também serão sorteados.
O quarto e último bloco será destinado às considerações finais dos candidatos. O encontro ocorre a 14 dias do primeiro turno das eleições para o Governo de Pernambuco.
Após a repercussão de um vídeo divulgado neste domingo (20) pela coluna da jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, em que a governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), sugere a realização de uma laqueadura em uma mulher sem o seu conhecimento, a governadora veio a público pedir desculpas pela declaração.
O registro foi feito durante a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns. Na gravação, a funcionária relata o caso de uma gestante que já teria sete filhos — a mulher mencionada na conversa não aparece nas imagens. Raquel sugere, então, que a mulher seja submetida a uma laqueadura sem que tenha conhecimento do procedimento.
Raquel classificou a declaração como “uma fala equivocada” e pediu desculpas. “Essa fala minha em nada traduz o respeito que eu tenho às mulheres. Por isso, eu peço desculpas, foi uma fala equivocada, eu não tenho compromisso com o erro”, afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais. A governadora também disse defender que mulheres tenham acesso à informação e ao planejamento familiar pela rede pública de saúde.
Na sequência, Raquel afirmou que a divulgação do vídeo seria “mais uma tentativa de desviar o verdadeiro foco do debate” no contexto eleitoral. “Não é sobre ataques, deve ser sobre propostas”, declarou.
Este é daqueles textos que nenhuma jornalista gostaria de escrever. Sendo mulher, é ainda mais pesado analisar a fala mais indefensável de todos os tempos vinda justamente da primeira mulher a comandar Pernambuco, um Estado libertário e rebelde por natureza, a terra das Heroínas de Tejucupapo.
Mas, quando se pensava que já tinha se visto todo tipo de absurdo na campanha para o Governo de Pernambuco em 2026, como gabinete do ódio liderado por servidor estadual, pix para comentários favoráveis à governadora Raquel Lyra (PSD) e panfletos apócrifos que até hoje não tiveram suas origens bem explicadas, eis que, neste domingo (20), faltando 15 dias para o primeiro turno das eleições, o eleitorado pernambucano se depara com o horror de ver uma mulher defendendo laqueadura em outra mulher “sem ela saber”.
A mulher que defende a laqueadura em outra mulher sem consentimento, pasmem, é a própria governadora Raquel Lyra, em um vídeo de 2025, quando houve a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns (Agreste). “Mas faz sem ela saber! Vai!”, diz Raquel, após ouvir de uma pessoa que aparenta ser funcionária da unidade o relato sobre uma paciente que estaria novamente grávida e já teria sete filhos.
São tantas camadas aqui de absurdo que é inevitável sentir repulsa com a fala, uma indignação que todos podem e devem sentir, mas sendo mulher é ainda mais doído. Como pode ser aceitável defender que uma mulher seja esterilizada sem saber, sem consentir, simplesmente acordar de uma cirurgia e ter seu corpo modificado sem sua expressa autorização? Como? Sob qual justificativa essa violência teria amparo? Ninguém, absolutamente ninguém tem direito de modificar o corpo de outra pessoa sem consentimento, nem familiares, nem médicos, e muito menos o Estado.
Quando a governadora do Estado diz algo do tipo ela está chancelando que o Estado possa se apropriar de uma decisão que só pertence à própria mulher, independentemente das condições em que essa mulher se encontre. A fala de Raquel Lyra produz o que há de pior na política: a desumanização das pessoas economicamente vulneráveis, ou você, leitor/leitora, acredita que a governadora seria capaz de sugerir a laqueadura de uma mulher “sem ela saber” que estivesse internada em hospitais particulares? Mulheres de classe média, classe média alta ou ricas jamais veriam a governadora sugerindo esterilização compulsória, porque essas são “consideradas humanas” e têm direito de tomarem as próprias decisões.
No entanto, na cabeça de uma governadora repleta de privilégios de todos os tipos e que claramente não enxerga a mulher periférica como igual em direitos é aceitável desumanizá-la ao ponto de fazer nela uma laqueadura “sem ela saber”. É estarrecedor e por mais que Raquel Lyra evite associação com a extrema direita, mesmo tendo representantes em seu palanque, sua fala é semelhante aos piores absurdos já proferidos pelos fascistas. Que diferença Raquel Lyra acha que tem das mulheres periféricas?
Como se sentiria a governadora ao acordar de uma cirurgia e tomar ciência de que nela fora feita uma laqueadura “sem ela saber”? Essa é a pergunta que a governadora e também sua vice, Priscila Krause (PSD), devem se fazer. Além disso, devem se questionar por qual razão uma laqueadura sem consentimento seria inaceitável nelas, mas é aceitável na paciente da rede pública. Raquel e Priscila devem uma explicação às mulheres de Pernambuco. Mais, devem desculpas.
João Campos (PSB) e Marília Arraes (PDT) anunciaram, neste domingo (20), uma proposta para que o Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco Governador Miguel Arraes (Lafepe) passe a produzir a substância utilizada nas chamadas canetas emagrecedoras. O projeto prevê a construção de uma nova planta do Laboratório, com investimento estimado em R$ 100 milhões, e a oferta do tratamento pelo SUS para pacientes que atendam aos critérios médicos.
A proposta combina a ampliação do acesso a medicamentos para o tratamento da obesidade, do diabetes e de doenças associadas além da recuperação do protagonismo do Lafepe na produção pública de medicamentos. O laboratório pertence ao Estado, desenvolve e fabrica medicamentos voltados às políticas públicas de saúde e acumula seis décadas de atuação no setor farmacêutico.
“Vai ter caneta emagrecedora no SUS. Marília já vinha trazendo essa ideia e o presidente Lula apresentou. Qual é a novidade? Nós vamos produzir a substância no Lafepe, aqui em Pernambuco, para garantir essa ação ao povo de Pernambuco que tem essas comorbidades”, afirmou João Campos.
Marília Arraes destacou que a obesidade deve ser tratada como problema de saúde pública. “Obesidade é uma doença crônica que gera um monte de comorbidades. Tem que ser tratada com seriedade”, afirmou Marília.
João Campos relacionou a iniciativa ao movimento do Governo Lula para incorporar esse tipo de medicamento ao SUS. O Ministério da Saúde trabalha na definição de protocolos para ampliar o acesso às chamadas canetas emagrecedoras na rede pública, com acompanhamento médico e critérios específicos para os pacientes.
Em Pernambuco, a proposta prevê uma estrutura específica para essa nova produção. A intenção é atender inicialmente a demanda estadual e, com o aumento da capacidade industrial, abrir a possibilidade de fornecimento a outros estados.
“Pessoas com diabetes, com obesidade e outras comorbidades, que tenham orientação médica, poderão receber esse medicamento. Nós vamos produzir no Lafepe a substância. Uma nova planta de R$ 100 milhões vai ser construída para isso e, quem sabe, a gente também possa ajudar outros estados fornecendo a partir daqui”, disse o candidato da Frente Popular.
Marília afirmou que pretende atuar no Senado para buscar recursos destinados ao projeto e destacou o papel que o laboratório pode voltar a exercer na política industrial da saúde. “Nosso mandato vai disponibilizar os recursos para isso e Pernambuco vai voltar a ser protagonista na produção desses medicamentos de ponta com o Lafepe, que sempre foi um grande sonho de Arraes: ver o Lafepe forte, servindo ao nosso povo”, afirmou a candidata ao Senado pela Frente Popular.
Para Marília, produzir o medicamento em Pernambuco também significa reduzir a dependência externa de tecnologias estratégicas. “É transferência de tecnologia, é soberania nacional, porque o Brasil e Pernambuco não vão ficar dependendo de outros países. E é o povo com acesso a um tratamento de qualidade para viver mais e viver melhor”, declarou.
João Campos encerrou o anúncio fazendo referência a um dos produtos mais conhecidos da história do laboratório. “O Lafepe, que já teve a melhor vitamina C, agora vai ter a melhor caneta emagrecedora. Se preparem”, concluiu.
O prefeito de Timbaúba, Marinaldo Rosendo (PP/UP), entregou uma nova via pavimentada no bairro do Ozanan, neste domingo (20). A antiga Rua Projetada 27 recebeu o nome de Rua Edivan Pacheco de Aguiar Silva, em homenagem ao artista timbaubense Ivan Clássico Show, já falecido.
A entrega contou com a presença da presidente da Câmara Municipal, vereadora Balazinha Rosendo, dos vereadores Tarcísio Batista e Lon Ferreira Lima, além de secretários municipais e lideranças políticas. Moradores da localidade também acompanharam a solenidade.
Durante o evento, Marinaldo lembrou intervenções realizadas no bairro desde seu primeiro mandato, em 2009, quando, segundo ele, foi construído um canal para o escoamento de águas e prevenção de alagamentos. O prefeito também anunciou o início das obras da Rua Projetada 19. “O trabalho não para, agora, estou dando ordem de serviço das obras da rua projetada 19, com obras já iniciadas e muito em breve entregue aos moradores”, afirmou.
Um vídeo gravado em 2025 durante a inauguração da ala pediátrica do Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns (PE), mostra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) sugerindo que uma paciente seja submetida a uma laqueadura sem saber do procedimento. A coluna teve acesso ao vídeo.
“Mas faz sem ela saber! Vai!”, diz Raquel, após ouvir de uma mulher que aparenta ser funcionária do hospital o relato sobre uma paciente que estaria novamente grávida e já teria sete filhos. Procurada, a governadora admitiu ter feito o comentário.
A laqueadura é um método contraceptivo de esterilização feminina considerado definitivo e de difícil reversão. E realizá-la sem o consentimento da mulher é crime, de acordo com a Lei 9.263/1996 (Lei do Planejamento Familiar).
A gravação, de cerca de 13 segundos, foi feita durante a inauguração da ala pediátrica do Dom Moura, em maio de 2025. Raquel aparece em pé dentro de uma sala do hospital, de blusa verde-clara, conversando com funcionários e integrantes de sua comitiva pouco antes de posar para uma foto.
Ao redor da governadora estão pelo menos três pessoas: duas mulheres e um homem de óculos. Uma das mulheres gesticula com as mãos ao falar sobre o tamanho da barriga da paciente. A gestante mencionada na conversa não aparece nas imagens.
— Chega assim, ó, gestante, desse tamanho, com sete “menino” na barriga.
Raquel reage:
— Ai, meu Deus…
Em seguida, a governadora diz:
— Aí, a gente tem que fazer laqueadura, visse? Aí, a gente bota na fila da laqueadura.
A mulher responde algo que não é possível compreender na gravação. Raquel, então, afirma:
— Mas faz sem ela saber! Vai!
Laqueadura depende de consentimento
A legislação brasileira estabelece que a esterilização deve ser voluntária. A Lei nº 9.263/1996, que trata do planejamento familiar, determina que a realização da laqueadura depende da manifestação expressa da vontade da paciente, registrada em documento escrito e assinado.
A mulher também deve ser informada previamente sobre os riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de reversão e métodos contraceptivos reversíveis disponíveis.
O artigo 15 da mesma lei estabelece como crime realizar esterilização cirúrgica em desacordo com essas exigências. A pena prevista é de dois a oito anos de reclusão e multa, caso a conduta não constitua crime mais grave.
Governadora admite ter sugerido laqueadura sem consentimento
Procurada pela coluna, a governadora divulgou a seguinte nota e fez um vídeo nas suas redes admitindo a fala. “A governadora Raquel Lyra reconhece que a fala feita em Garanhuns foi infeliz e reafirma seu respeito às mulheres. Raquel defende que toda mulher tenha acesso, pela rede pública, a planejamento familiar com informação e escolha, compromisso que orientou sua gestão em Pernambuco. Raquel Lyra segue focada no que interessa aos pernambucanos: saúde, escola e emprego na vida de quem mais precisa. A eleição deve ser decidida na apresentação de propostas, não na fabricação de ataques. Trata-se de mais uma tentativa de desviar o foco do que realmente importa, que é Pernambuco”.