A eleição presidencial de hoje, com Lula (PT) reeleito, traz mais do que um resultado eleitoral. Traz, sobretudo para Pernambuco, uma realidade política objetiva. Durante quatro anos, a governadora Raquel Lyra (PSD) contou com o apoio do governo federal. Nas eleições, porém, fez questão de ficar em cima do muro.
Apostou que Lula não viria a Pernambuco, que não tomaria partido, que não teria lado nem time. Mas teve. E o resultado está aí: embora João Campos não tenha conseguido se eleger governador, Lula saiu vitorioso em Pernambuco e fez os dois senadores.
Leia maisRaquel, por sua vez, investiu o tempo todo numa aproximação com a direita. Chegou, inclusive, a contribuir para a desfiguração da trajetória política de Túlio Gadêlha, colocando-o no centro de uma articulação com setores da direita pernambucana, enquanto administrava as diferentes candidaturas da maneira que considerava mais conveniente para seus próprios interesses.
Depois da vitória nas urnas, comportou-se como se fosse a dona absoluta do jogo político. Ainda assim, fez questão de demonstrar que não tinha posição política definida, renovando acenos à direita, tanto publicamente quanto nos bastidores. Apostou, ao que tudo indica, numa derrota do presidente Lula.
A realidade, entretanto, foi outra. Lula venceu. Venceu com força e teve, em Pernambuco, uma votação expressiva, com uma margem histórica. E agora começa a realidade de um novo mandato presidencial.
É nesse cenário que Raquel terá de enfrentar as contradições que acumulou ao longo do governo e, principalmente, durante o processo eleitoral. Não será tão simples continuar desfrutando dos benefícios da relação com o governo federal.
A partir de agora, a governadora terá de lidar com uma esquerda que não pretende assistir passivamente à tentativa de transformar em mérito exclusivo de sua gestão os investimentos e as obras viabilizados pelo governo federal em Pernambuco. A disputa pela paternidade política dessas realizações será inevitável.
Porque, na política, alianças têm preço, conveniências cobram suas contas e a falta de posição também é uma posição. E a traição, quando fica evidente, costuma ter consequências.
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