STF pode decidir eleição
Nunca uma eleição presidencial no Brasil esteve atrelada a um outro poder, o Judiciário, cuja crise no Supremo Tribunal Federal pode interferir no resultado do pleito. Até a imprensa internacional tem conduzido seu noticiário nessa direção.
O britânico Financial Times, um dos principais jornais de economia do mundo, descreve a crise no STF como uma “disputa acirrada” entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Ressalta que está “lançando uma sombra sobre a disputa” entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O jornal cita analistas ao informar que a crise no STF é potencialmente prejudicial a Lula na disputa eleitoral. Um analista afirma que existe uma percepção em parte do eleitorado brasileiro de que Alexandre de Moraes está de alguma forma alinhado ao lado do governo.
Leia mais“Embora Lula não tenha sido acusado no caso do banco Master, o episódio atinge um ponto sensível do veterano líder de esquerda, que no passado foi preso por corrupção em condenações posteriormente anuladas”, afirma o jornal londrino.
O jornal segue informando que Flávio Bolsonaro tem tentado tirar proveito da situação ao renovar as exigências pela destituição de Moraes, que condenou seu pai. ‘Um voto em Lula é um voto em Moraes’, disse ele a apoiadores na semana passada, relata o jornal.
O jornal destaca que Flávio foi citado no escândalo do Master, que é tema de inquérito no STF, após revelações em maio de que ele pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse — algo que o senador disse não ser ilegal.
Apesar dessas revelações, Flávio reduziu nas últimas semanas a diferença nas pesquisas de opinião, chegando a um empate técnico com Lula. O jornal cita analistas ao dizer que a crise no STF é potencialmente prejudicial a Lula na disputa eleitoral. Afirma que existe uma percepção em parte do eleitorado brasileiro de que Alexandre de Moraes está de alguma forma alinhado ao lado do governo.
“O episódio manchou a credibilidade de uma instituição aclamada internacionalmente nos últimos anos por defender o Brasil contra uma tentativa de golpe militar de Jair Bolsonaro, após sua derrota eleitoral para Lula em 2022”, diz o jornal.
“Isso também revitalizou a direita brasileira, que há muito acusa Moraes de perseguir injustamente conservadores e restringir a liberdade de expressão.”
“O episódio levou o tribunal à beira de um colapso institucional e alimentou apelos por uma reforma do Judiciário”, acrescenta. “Isso também revitalizou a direita brasileira, que há muito acusa Moraes de perseguir injustamente conservadores e restringir a liberdade de expressão”, completa.
EMPATE TÉCNICO – A nova pesquisa Datafolha não mostrou mudança significativa no cenário eleitoral em função da crise no STF. Nem Flávio Bolsonaro, após a revelação de que é investigado em inquérito relacionado ao caso envolvendo Daniel Vorcaro, teve alteração nos índices. O levantamento, realizado entre terça-feira e quinta-feira, mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, o mesmo percentual da rodada anterior. Flávio Bolsonaro passou de 35% para 36%, dentro da margem de erro. No segundo turno, os dois repetiram os números da pesquisa anterior: Lula com 46% e Flávio com 44%.

Empatados na rejeição também – A pesquisa não é ruim para o presidente Lula. Ele permanece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro e no segundo turnos. A avaliação do governo teve ligeira melhora no ótimo e bom, ainda que a avaliação negativa continue maior e o “desaprova” é maior do que o “aprova”. Esse é o ponto a melhorar nos poucos dias que restam. O empate na rejeição, com 47% para cada um dos dois candidatos, é o retrato dessa eleição: a batalha de rejeições. Flávio Bolsonaro se mostra um competidor difícil e resiliente. Quadro ainda indefinido a 17 dias do primeiro turno. O empate técnico mostra que a luta será voto a voto. Ganha quem conseguir mobilizar mais seus eleitores e os independentes.
Aumento do Bolsa questionado – A decisão do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de anunciar um reajuste do Bolsa Família em meio à disputa pelo Palácio do Planalto é considerada uma medida “eleitoreira” e que pode ter sua validade questionada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de acordo com especialistas em direito eleitoral. Economistas também contestam a medida. José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos e professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio, afirma que os efeitos colaterais poderão ser mais desequilíbrio nas contas do governo e mais inflação. Ele pondera ainda que, no patamar atual de transferência, o programa pode acabar servindo de desincentivo ao trabalho.
Bandeiras manipuladas – A equipe jurídica da Coligação Pernambuco de Coração, liderada pela governadora Raquel Lyra (PSD), diz ter elementos de que bandeiras da candidata teriam sido usadas no ato de Flávio Bolsonaro por uma ação orquestrada pela direção do PSB. “Militantes falsos, vestidos com as cores partidárias da governadora, foram cooptados pela militância do PSB, pela direção da campanha do PSB, para criar um falso fato eleitoral, de maneira a vincular a governadora à candidatura à presidência [de Flávio Bolsonaro] com a qual ela não tem nenhuma conexão”, disse o advogado Edgar Moury Neto.

O ataque de Lula – O presidente Lula (PT) afirmou, ontem, em entrevista para a Rádio Itatiaia, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, está utilizando o cargo na Corte para “fazer política”. “O André Mendonça estava utilizando o cargo dele de relator para fazer política, está provado. Estava fazendo denúncia seletiva, divulgando apenas aquilo que interessava para ele”, declarou. Sobre Alexandre de Moraes, Lula declarou que o magistrado sofre oposição do bolsonarismo por ter “defendido a democracia” durante as eleições de 2022 e o julgamento de tentativa de golpe de Estado.
CURTAS
BOLSA 1 – O reajuste do Bolsa Família anunciado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 17 dias do primeiro turno colocou o seu adversário Flávio Bolsonaro, candidato do PL, diante de um dilema sobre como reagir à medida.
BOLSA 2 – Embora o candidato classifique o aumento como “ilegal” e diga que o petista tenta tirar proveito eleitoral do benefício, sua campanha avalia que não pode atacar frontalmente o programa sem correr o risco de ser associado à ideia de retirar ou reduzir recursos destinados à população de baixa renda.
NEGOCIAÇÕES – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, passou a receber ministros em seu gabinete ao longo do dia de ontem em mais uma rodada de conversas em meio à crise interna na Corte, após o impasse no julgamento desta semana e uma nova troca de acusações envolvendo integrantes do tribunal.
Perguntar não ofende: Alexandre de Moraes pode derrotar Lula?
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