Revi, ontem, num animado e excelente almoço, o meu amigo José Jorge Vasconcelos, ministro aposentado do Tribunal de Contas da União. Nosso reencontro ficou mais divertido ainda com as presenças do empresário Agostinho Gomes e do enólogo Alberto Porpino, amigos comuns, frequentadores do Boteco Porto Ferreiro.
José Jorge é um grande, dileto e fraterno amigo. Homem público de mãos limpas, da escola Marco Maciel, de quem foi secretário de Habitação. Por onde passou – e foram muitos cargos, até virar ministro do TCU – José Jorge nunca teve seu nome envolvido em falcatruas.
Leia maisAos 81 anos de idade, está com uma cabeça de um jovem de 40. Com ele trabalhei no Governo Joaquim Francisco, ele secretário de Educação, eu de Imprensa. Mas como jornalista, acompanho a sua trajetória desde quando chegou em Brasília como deputado federal.
Teve quatro mandatos e nunca perdeu uma eleição. Em ano de campanha para renovação do seu mandato, eu chegava no seu gabinete, no anexo 4 da Câmara, e o encontrava fazendo as contas de votos.
Me mostrava o seu mapa eleitoral, município por município, onde era votado, com uma contabilidade real, aliás, sempre abaixo do que realmente se expressava nas urnas. “Magno, eu já tenho tantos votos. Só faltam tantos para me eleger, dizia.
E quando as urnas abriam, o resultado era certeiro. Nunca vi nada igual. Brincando, eu dizia que ele tinha vindo ao mundo com o bumbum voltado pra lua: foi ministro de FHC sem nunca sonhar, senador da República escolhido por acaso e depois aclamado no Senado, no voto, ministro do TCU.
Recentemente, o jornalista Ângelo Castelo Branco escreveu a biografia de José Jorge e lá, dentre outros fatos curiosos, um episódio que marcou a vida pública dele: demitido por ter dado uma entrevista a mim, quando atuava no Diário de Pernambuco.
Hilário? Foi no Governo Joaquim Francisco, quando ocupava a Secretaria de Educação. Joaquim o afastou por uma bobagem. Só porque José Jorge, na condição de deputado federal licenciado, me revelou que ia deixar o Governo, mais na frente, para participar da revisão da Constituição Cidadã, promulgada por Ulysses Guimarães.
“Já que vai sair, saia logo”, determinou Joaquim, pelo pombo-correio Luiz Alberto Passos, então secretário de Articulação Política. Na realidade, Joaquim não gostou foi de Jorge ter dado a entrevista a mim, de quem estava atritado depois da minha saída do Governo.
Nas eleições de 2006, José Jorge foi candidato a vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. Antes, havia assumido a presidência nacional do PFL, partido que participou da sua fundação e do movimento de apoio à candidatura de Tancredo Neves, em 1985, start da chamada Nova República.
A narrativa biográfica detalha uma carreira iniciada na área técnica e consolidada na política partidária. José Jorge se formou em engenharia em 1967 pela Escola de Engenharia de Pernambuco e se especializou em estatística.
Logo após a graduação, chegou a acumular três empregos simultâneos, dividindo-se entre as salas de aula da Universidade Federal e da Católica e o planejamento governamental. Sobre a obra, José Jorge confessa, com modéstia, que nunca teve a intenção de escrever um livro.
“Eu sou a favor de que biografia deve ser escrita depois que o cara morra, porque aí não dá mais para ele errar”, brincou, numa recente entrevista ao Correio Braziliense.
Leia menos

















