Do Correio Braziliense
Recife recebeu pela primeira vez o Festival de Jornalismo, evento que já se tornou parte da programação dos estudantes brasilienses. O encontro, voltado à formação de universitários e à discussão dos desafios da profissão no Brasil, foi realizado na última quarta-feira (28), no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE).
Ao todo, 300 pessoas registraram presença, entre elas cerca de 200 estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Católica de Pernambuco, da Uninassau, da UniFavip, de Caruaru, e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Alguns universitários que marcaram presença vieram de João Pessoa para participar da programação.
Leia maisCom entrada gratuita, o festival reuniu 15 profissionais de diferentes áreas da comunicação. Ao longo da tarde, os palestrantes compartilharam experiências sobre apuração, ética, responsabilidade social, mercado de trabalho e as transformações na produção e circulação de notícias.
Presidente do Prêmio Engenho de Comunicação e organizadora do festival, a jornalista Kátia Cubel contou ao Correio que levar o projeto para a capital pernambucana representou a realização de um sonho. Para ela, aproximar profissionais experientes dos futuros jornalistas contribui tanto para a formação dos estudantes quanto para a valorização da profissão.
“É uma troca muito importante, que ainda traz à tona a importância estratégica do jornalismo para toda a sociedade, valorizando a profissão e intensificando sua credibilidade”, destacou.
Segundo Kátia, uma das principais preocupações apresentadas pelos estudantes durante o encontro foi como acompanhar as mudanças nas plataformas de comunicação e fazer a transição da universidade para o mercado de trabalho. A organizadora ressaltou que a formação acadêmica é a base do conhecimento, mas o contato com profissionais em atividade permite antecipar situações que fazem parte da rotina das redações.
Outro ponto destacado pela organizadora foi a responsabilidade de exercer um jornalismo íntegro em um cenário marcado por desafios na produção e na circulação de informações. Para a Kátia, a experiência compartilhada pelos convidados ajuda os universitários a compreenderem as exigências da profissão para além da teoria.
Troca de experiências e desafios do jornalismo
A programação começou com uma discussão sobre o papel do jornalismo na sociedade, com Breno Pires, da repórter da revista piauí e diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji); Carla Egydio, diretora da Associação de Jornalismo Digital (Ajor); e Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta.
Na sequência, profissionais da imprensa pernambucana Carol Santos, repórter do Marco Zero; Leusa Santos, editora-chefe da Folha de Pernambuco; Laurindo Ferreira, diretor do Sistema Jornal do Commercio; e Magno Martins, do Blog do Magno, discutiram os desafios de produzir jornalismo no estado.
Um dos momentos mais marcantes, destacados por Kátia, foi a conferência do jornalista Francisco José, conhecido pelas reportagens no Globo Repórter. Com 103 participações no programa, o repórter compartilhou experiências de sua trajetória e falou sobre coragem, dedicação e os princípios necessários ao exercício da profissão.
“Aos 81 anos, encantou a todos nós. Foi ovacionado, aplaudido, fez rir e chorar e transmitiu com muita clareza os paradigmas do jornalismo. Falou de coragem e incentivou”, ressaltou Kátia sobre a participação de Francisco.
O mercado de trabalho também esteve em pauta, em um debate com Eduardo Scolese, editor da Folha de S.Paulo; Eldo Gomes, do Blog do Eldo; e Felipe Resk, repórter do Diário de Pernambuco. Os convidados discutiram as competências esperadas dos profissionais que ingressam na área.
Já Basília Rodrigues, colunista no SBT News, e Roberta Aureliano, gerente de jornalismo na TV Guararapes, abordaram a precisão da informação e os impactos sociais de uma apuração cuidadosa. A programação terminou com a exibição do documentário Escola Base – Um Repórter Enfrenta o Passado, que revisita um dos episódios mais emblemáticos da imprensa brasileira e reforça os riscos de uma cobertura baseada em informações não verificadas.
Próximas edições
Criado em Brasília, em 2024, o Festival de Jornalismo surgiu a partir de uma iniciativa de Kátia Cubel com coordenadores acadêmicos dos cursos de jornalismo da capital federal. A proposta era aproximar estudantes de profissionais reconhecidos no mercado e compartilhar conhecimentos sobre técnica, ética e comportamento profissional.
Depois de duas edições na capital federal, a iniciativa chegou a Pernambuco e deve continuar crescendo. Kátia anunciou que a terceira edição em Brasília está prevista para 13 e 14 de abril de 2027. A organização também pretende repetir o encontro no Recife e levar o festival a outras duas cidades. “Eu gostaria de levar o Festival para Manaus e Goiânia”, adiantou ao Correio.
Para a jornalista, a expansão do projeto depende da colaboração entre profissionais, instituições e apoiadores. O objetivo, segundo ela, é fortalecer a profissão, ampliar a confiança da sociedade no jornalismo e valorizar o trabalho dos jornalistas.















