Por Betânia Santana e Tarsila Castro – Blog da Folha
O presidente nacional do PSB, prefeito do Recife e potencial candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, saiu em defesa do nome do presidente do União Brasil no estado e pré-candidato ao Senado, Miguel Coelho, dez dias após a operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos ligado a emendas parlamentares e a fraudes em processos licitatórios.
“Eu jamais vou fazer prejulgamento na política. Acho que se a gente prejulga qualquer pessoa, qualquer ato, a gente corre um sério risco de cometer uma injustiça”, declarou o prefeito, ao ser questionado se o nome de Miguel Coelho continuava em sua lista de opções para uma das vagas para o Senado.
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Aprovado
A operação da Polícia Federal foi realizada no dia 25 de fevereiro e batizada de “Vassalos”. “Eu não tenho nenhuma dúvida de que Miguel é uma pessoa preparada, foi um grande prefeito de Petrolina, tem capacidade política, de gestão, e presidente de um grande partido, o União Brasil. O principal: Miguel foi prefeito de Petrolina e saiu com 90% de aprovação. O povo que ele governou sempre aprovou, inclusive, aprova no dia de hoje. E é isso que posso dizer e que Miguel conta com o meu respeito”, destacou o prefeito.
João Campos conversou com a imprensa na manhã de ontem (6), minutos antes de inaugurar a primeira etapa do Parque Linear do Rio Pina, na Vila Cipuíra, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. Com investimento de R$ 5,2 milhões, o novo espaço representa uma mudança histórica. A área era ocupada por uma média de 400 palafitas e habitações precárias. As mudanças devem beneficiar cerca de 12 mil moradores, de seis comunidades da região.
Avulsas
Na entrevista, o prefeito do Recife descartou a existência de candidaturas avulsas e defendeu o que chamou de “arranjo padrão” na composição da chapa majoritária. A declaração foi feita após reunião com o presidente do PT nacional, Edinho Silva, realizada na última quarta-feira (4), em Brasília. Também participaram do encontro o senador Humberto Costa e o deputado federal Carlos Veras. Os petistas enfatizaram a necessidade de a chapa ter apenas dois candidatos ao Senado, para evitar o risco de pulverizar os votos e acabar, com isso, favorecendo a oposição.
“Se você tem uma chapa majoritária, é natural que essa chapa seja composta de uma candidatura ao governo, uma a vice e duas ao Senado. Esse é o arranjo desenhado no Brasil inteiro, não só em Pernambuco. O arranjo padrão é esse e é uma forma que eu defendo, e é uma forma que Edinho defende, que o PT defende e que todos os partidos com os quais eu conversei defendem”, declarou.
João Campos reiterou que o PSB seguirá essa diretriz em todo o Brasil. “Não é só em Pernambuco. Você olha no Brasil inteiro. Você vê a construção em São Paulo, por exemplo. O que é que está sendo construído? Uma candidatura ao governo e duas candidaturas ao Senado. Então, no Brasil inteiro essa é a diretriz que a gente vai seguir”, disse.
O alinhamento entre os partidos PT e PSB ocorre em meio ao anúncio da ex-deputada federal Marília Arraes (Sem partido) de que irá candidatar-se ao Senado, nas eleições deste ano, compondo ou não uma chapa majoritária. Ela está disposta a ser candidata avulsa, sem candidato ao governo.
Decisão conjunta
Após ser questionado se o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), estaria cotado para ser seu vice na disputa pelo Governo de Pernambuco, João Campos também afirmou que a composição da provável chapa liderada por ele não será decidida por uma pessoa só e, sim, pela frente de partidos que estão juntos em defesa de um projeto político semelhante.
“Em relação à composição de chapa não será uma pessoa que tomará uma decisão sozinha sobre quem será vice, senador, governador. Ninguém toma decisão sozinho. Isso se constrói em torno de uma frente. Então, você precisa convencer a maioria e ter apoio de partidos políticos, porque ninguém é candidato de si”, disse Campos.
Segundo o gestor, é natural que todos os partidos conversem entre si, apresentem nomes, alternativas e chapas. “A janela partidária foi até o dia 4 de abril. Então, é um momento onde a política no Brasil e a política partidária começam a fervilhar. Eu tenho um carinho enorme pelo ministro Wolney. Ele é um amigo pessoal e sabe disso. Um parceiro político que tem uma história excepcional também”, reiterou o prefeito.
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