Por Ryann Albuquerque – JC
Após semanas de divergências internas, o Partido dos Trabalhadores em Pernambuco vai decidir neste sábado (28) se irá integrar a chapa do prefeito do Recife, João Campos (PSB), com a indicação do senador Humberto Costa para a disputa à reeleição. A deliberação será tomada em reunião do diretório estadual, às 9h, e anunciada às 11h, no Teatro Beberibe, no Centro de Convenções.
A tendência é de aprovação da aliança, embora pontos como a orientação de votos, o engajamento da militância e o formato do palanque ainda não estejam totalmente definidos e devam ser tratados ao longo da pré-campanha. O movimento ocorre em um cenário de forte disputa com a governadora Raquel Lyra (PSD), que também articula alianças e tenta atrair lideranças envolvidas nas negociações para o Senado.
Leia maisEm entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta sexta-feira (27), o deputado federal Carlos Veras afirmou que há uma sinalização predominante dentro do partido.
“Há um sentimento majoritário de caminhar pela aprovação do apoio à candidatura de João Campos, com o Humberto Costa estar nessa chapa”, disse.
Apoio deve ser confirmado, mas decisões serão “caso a caso”
Segundo Veras, a reunião deste sábado marca a definição da “tática eleitoral” do partido, respeitando o processo interno de debates.
“Amanhã nós teremos a reunião do diretório estadual […] para deliberar a nossa proposta eleitoral. O PT tem as suas instâncias, tem o seu tempo”, afirmou.
Apesar da tendência de apoio, o dirigente deixou claro que outros pontos da estratégia eleitoral – como orientação de votos e atuação em palanques – ainda não serão definidos integralmente agora.
“Não entra de maneira alguma nesse momento nessa discussão […] nós vamos discutir caso a caso”, disse, ao descartar uma diretriz nacional sobre liberação de campanhas locais.
Ele reforçou que o partido seguirá avançando gradualmente na construção da estratégia. “Um passo de cada vez”, resumiu.
Veras também destacou que duas prioridades unificam o partido: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a manutenção do mandato do senador Humberto Costa.
Senado é foco central e ainda concentra indefinições
A disputa pelas duas vagas ao Senado em Pernambuco segue como um dos principais pontos de tensão no cenário político.
Humberto Costa deve ocupar uma das vagas na chapa de João Campos, enquanto a segunda posição foi alvo de intensas articulações recentes, envolvendo nomes como Marília Arraes (PDT) e Silvio Costa Filho (Republicanos).
Em paralelo, essas mesmas lideranças também foram alvo de movimentações do grupo de Raquel Lyra, que buscou atrair apoios para fortalecer sua própria composição majoritária e isolar adversários.
Nesse contexto, João Campos chegou a redesenhar sua chapa em mais de um momento, em uma tentativa de equilibrar forças entre esquerda e centro sem abrir espaço para perdas no campo governista. A composição atualmente em construção inclui os nomes de Humberto Costa e Marília Arraes para o Senado, além da indicação de Carlos Costa (Republicanos) para a vice-governadoria.
O anúncio antecipado desse arranjo, antes de uma deliberação formal do PT, gerou desconforto interno na sigla, em um cenário já marcado por divergências sobre alianças.
Na entrevista, Veras também reforçou que o PT manterá controle sobre decisões estratégicas relacionadas à candidatura ao Senado, incluindo a definição dos suplentes.
“Nós do PT é quem vamos decidir quem será o primeiro e o segundo suplente do senador Humberto Costa […] essa é uma decisão do PT”, afirmou.
Segundo ele, a escolha poderá envolver nomes do partido, da federação ou até de fora, desde que alinhados ao objetivo central da reeleição.
Militância deve entrar gradualmente na campanha
Mesmo com a tendência de apoio ao PSB, a entrada efetiva da militância petista na campanha deve ocorrer de forma progressiva, acompanhando o calendário eleitoral.
“A militância vai entrando no processo de forma muito aguerrida […] para garantir a eleição do presidente Lula e do senador Humberto Costa”, disse.
A avaliação interna é que, apesar das divergências registradas ao longo das negociações, o partido deve unificar o discurso após a decisão deste sábado e seguir priorizando sua estratégia nacional, em alinhamento com o PSB, aliado histórico no plano federal.
Com a definição, o PT tende a reduzir um dos principais pontos de incerteza da política pernambucana e avançar na consolidação das alianças para a disputa de 2026, ainda marcada por rearranjos e negociações entre os principais grupos políticos do estado.
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