No Baixo Império, quando as legiões aclamavam um novo imperador, o rei era levado nos ombros dos soldados. Era um gesto para legitimá-lo antes mesmo da aprovação do Senado. Na Roma Antiga, o ato de carregar generais ou líderes vitoriosos era o triunfo, mas quem os carregavam eram soldados submetidos a todo tipo de humilhação.
Por isso, quando vi, há pouco, o vídeo de Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, carregando a governadora Raquel Lyra (PSD) nos ombros, num ato político na cidade que ele governou com tamanha competência e se projetou para o Estado, não acreditei. Pensei ser um servo, vassalo.
Mas não. Era o melhor prefeito de Petrolina submetido a tamanho vexame! Um político que rompeu as fronteiras do Sertão e ganhou admiração e respeito em território urbano, além dos grotões.
Por isso, deu aquele estalo: estamos diante da cena mais patética de toda esta campanha em Pernambuco. Em regiões com histórico de desigualdade socioeconômica, como o Nordeste, a relação entre eleitor e político muitas vezes é pautada pelo clientelismo. O ato físico de carregar um político nos ombros choca, agride.
Nos remete a mais elevada sensação de humilhante e deslavada submissão. Deu náuseas. Miguel não precisava disso. Carregar nos ombros alguém que lhe negou pão e água, até o mínimo respeito, que o traiu, o usou como descartável, não é só humilhante. É repugnante!
O candidato a governador João Campos (PSB) publicou, neste sábado (26), uma mensagem de solidariedade à ex-deputada Roberta Arraes (PP), que registrou boletim de ocorrência após denunciar ter sido vítima de violência física e verbal em Araripina, no Sertão de Pernambuco. Nas redes sociais, João defendeu uma apuração rigorosa do caso e criticou a governadora Raquel Lyra (PSD) por ter ouvido o relato da violência e, mesmo assim, ter seguido em agenda de campanha com um aliado apontado como responsável pela violência contra a ex-parlamentar.
“Me solidarizo com a deputada estadual Roberta Arraes, que registrou boletim de ocorrência após denunciar ter sido vítima de violência física em Araripina. O caso precisa ser rigorosamente apurado pela Polícia Civil. Causa estranheza que, diante do relato, a candidata não tenha tomado nenhuma medida como governadora. Mesmo estando ao lado da vítima, que pediu medida protetiva, preferiu seguir sua agenda com o homem apontado por ela como agressor”, escreveu o candidato.
O caso ocorreu na tarde de ontem (25), dentro do Hospital de Câncer do Sertão, em Araripina. Um vídeo mostra Roberta Arraes abordando Raquel Lyra e dizendo que havia sido agredida pelo ex-prefeito Raimundo Pimentel (PSD). No boletim de ocorrência, segundo informações divulgadas sobre o caso, a ex-deputada relatou que teria sido empurrada com o ombro e posteriormente intimidada com agressões verbais. Ela solicitou medidas protetivas urgentes.
Após o episódio, Raimundo Pimentel confirmou que seguiu para Ouricuri acompanhando a agenda da governadora e classificou a denúncia como “factoide”. A agenda foi cumprida depois do episódio de violência denunciado por Roberta Arraes e relatado à governadora ainda nas dependências do hospital. Raquel não se manifestou publicamente sobre a denúncia.
Durante agenda pelo Sertão do Pajeú, neste sábado (26), o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) afirmou que, caso eleito, pretende ampliar os investimentos na região a partir do próximo ano. Em entrevista à Rádio Gazeta 95.3 e ao Blog do Marcelo Patriota, o candidato citou diversos investimentos, como Centro de Hemodiálise, Companhia de Polícia e Delegacia da Mulher, além da ampliação do ensino técnico.
Grupo de mulheres de Petrolina participaram neste sábado (26) da caminhada de Raquel Lyra pelas ruas do centro da cidade. Durante o ato, elas distribuíram cópias xerox de mensagens pedindo respeito às mulheres, em uma manifestação que fez referência direta ao episódio que ganhou repercussão nacional após a frase “faz sem ela saber”, dita por Raquel em um vídeo gravado em 2025. A governadora posteriormente pediu desculpas e classificou a fala como equivocada.
A manifestação tem um significado especial porque foi justamente de Petrolina que partiu, na última quinta-feira (24), o pedido formal ao Ministério Público para que o caso seja investigado, protocolado por um grupo de mulheres liderado pelas rendeiras do bairro José e Maria.
A caminhada de Raquel também foi marcada por uma participação abaixo do esperado, segundo relatos e imagens do ato. A governadora chegou ao centro de Petrolina acompanhada por um grupo reduzido de apoiadores e, durante o percurso, teve de conviver com a manifestação das mulheres que cobravam respeito e investigação.
Ontem (25), em Arcoverde, João Campos foi recebido por lideranças políticas, apoiadores e moradores durante uma carreata pelas principais vias do município. A ex-prefeita Madalena Britto esteve presente no evento, que também contou com a participação do candidato a deputado federal Luciano Pacheco (MDB), do deputado estadual e candidato à reeleição Diogo Moraes (PSB) e do candidato a deputado estadual Rosinaldo Manoel Veras (PSB). A concentração ocorreu na região da Praça da Rodoviária, no bairro São Cristóvão.
A participação de Madalena ocorre em momento de intensa movimentação política no município. Nos últimos dias, a ex-prefeita também participou de agendas de rua e reafirmou publicamente seu apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco.
A governadora Raquel Lyra está em Petrolina neste sábado (26) para participar de uma caminhada que sai da Praça do Galo e segue até a área atrás da Igreja Matriz, onde está previsto um ato político.
A mobilização, porém, começou marcada pelo esvaziamento. As imagens registradas no local mostram uma participação muito abaixo do esperado, em um evento organizado com o apoio da família Coelho.
Raquel chega a Petrolina depois de não ter participado das comemorações pelo aniversário da cidade. Agora, encontra um cenário de baixa mobilização. Além do esvaziamento, há mobilizações de grupos que prometem protestar durante a passagem da governadora, o que pode aumentar a pressão sobre Raquel durante a agenda.
Em reportagem a ser exibida em rede nacional neste domingo (27) pela TV Record, Amisadai Andrade da Silva — tido como operador de um esquema de ataques na internet, e que seria financiado com dinheiro público do governo de Pernambuco na gestão Raquel Lyra (PSD) — relata detalhes de como funciona a estrutura dedicada a, na palavras dele, “desidratar” o ex-prefeito do Recife e candidato ao governo João Campos (PSB). Nomeado pela própria governadora em 2025, e exonerado no último dia 26 de agosto, em caráter de urgência, menos de 12 horas após a denúncia da Rede Record sobre o “gabinete do ódio” dentro do Palácio, Amisadai confessa receber pagamentos sem nota fiscal por serviços. “A gente já recebeu até em caixa de charuto”, diz.
“A gente tem os parceiros que batem em João (Campos). Tem uma estrutura de jornalistas, uma equipe que constrói conteúdo.”, relata ele. No vídeo, Amisadai está na companhia dos dois sócios da Portal Comunicação e Marketing, José Roberto Júnior e Rodolfo Costa. Apesar de se dizer desligado da empresa (que é dona do site Portal de Prefeitura, dedicado à difusão de ataques a adversários de Raquel Lyra), o servidor da Caixa Econômica Federal, e que estava cedido ao governo, se apresenta como um integrante da Portal Comunicação. No vídeo, Rodolfo Costa relata que “tem relação” com dezenas de parceiros e perfis para “colabs” (post em parceria entre perfis do Instagram).
Amisadai também relata como se dá o esquema de distribuição dos conteúdos de ataque entre os perfis “parceiros” dos sócios da Portal Comunicação. “Dependendo do tipo de conteúdo que você coloque, se é um conteúdo que é viral, você tem parceria com uns oito perfis”.
O caso do “gabinete do ódio” de Raquel Lyra ganhou destaque nacional após matéria publicada no último dia 25 de agosto, também pela Rede Record. Nela, Amisadai revela ter sido chamado para o Palácio do Campo das Princesas pela governadora Raquel Lyra para, nas palavras dele, comandar uma estrutura digital dedicada a “desidratar” João Campos na internet. O esquema teria sido “encomendado” ainda em 2024, quando Campos foi reeleito prefeito do Recife com votação histórica de 78%.
Amisadai foi exonerado por Raquel Lyra na manhã do dia 26 de agosto, menos de 12 horas após a exibição da matéria pela Record. Nesse mesmo dia, após a governadora negar qualquer contato com o servidor, o portal Metrópoles divulgou documentos oficiais do Palácio do Campo das Princesas que mostram entradas de Amisadai para reuniões no local.
O BRAÇO DAS BETS – Na reportagem da Record deste domingo, uma testemunha relata que uma bet do município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, realizava os pagamentos e cobrava “engajamento” contra Campos e a favor da governadora Raquel Lyra (PSD). Funcionários da Aposta Ganha, casa de apostas sediada no reduto eleitoral de Raquel e que tem vínculos estreitos com a Prefeitura de Caruaru há pelo menos cinco anos, recrutavam as pessoas e comandavam os grupos — um esquema que começou em 2024.
“Raquel não estava tendo muito engajamento nas redes sociais e aí o grupo era meio que pra isso, para a gente estar engajando. Ela chegou a fazer sorteios de um valor de R$ 50 para os comentários melhores, para incentivar as meninas a estarem comentando”, diz a jovem.
Ela conta que pagamentos eram feitos por meio de pix de R$ 75 por pacote de comentários em perfis do Instagram. Os links das postagens eram distribuídos para que as pessoas comentassem. E, tão logo era dado o “visto”, uma das administradoras do grupo, Maria Eduarda Lucena — que no Linkedin se apresenta como advogada da bet Aposta Ganha — fazia o pagamento. Um dos administradores da bet, Alex Galindo, também estava no grupo de Whatsapp destinado aos ataques. O esquema começou a funcionar em 2024, pouco antes da eleição para prefeito do Recife, quando João Campos despontava com robusta vantagem. A operação segue ativa até os dias de hoje.
“Quem pagava era Eduarda Lucena, ela fazia via pix. E numa data certa para o pessoal que tava no grupo. Era R$ 75 e era só por comentários. Tipo assim, se você não comentasse em todas as publicações, ou em quase todas, não recebia”, continua. “O grupo é de Eduarda Lucena e era ela quem mandava as postagens, o que era pra comentar, o que era pra se basear no comentário que ela dizia, e ela é de Caruaru. Ela trabalha com a agência Prospect. Ela se apresentou através desse grupo da agência Prospect. No começo ela fez o convite para entrar no grupo de eventos. E depois, através do grupo de eventos, foi que veio o convite para o outro grupo relacionado a política”.
O braço das bets no esquema de manipulação digital contra João Campos foii revelado pelo Portal Metrópoles, no último dia 9. Segundo a testemunha ouvida pela reportagem, Maria Eduarda Lucena Freire, conhecida como Duda Lucena, administrava o “Grupo Engajamento”.
Para a tarefa de recrutar pessoas para os grupos de Whatsapp, Duda Lucena não informava o vínculo com a Aposta Ganha, e sim com a empresa Prospect, que realiza eventos como festas e shows na área de Caruaru, Gravatá e no Litoral Sul. As pessoas “contratadas” para comentar em favor de Raquel Lyra e contra João Campos eram recrutadas em grupos de divulgação destes eventos.
Alex Galindo, um dos administradores da Aposta Ganha, também é sócio-proprietário da Prospect. Em seus perfis do Linkedin, ambos são, respectivamente, Diretor de Operações (COO, de Chief Operating Officer), e advogada da “bet” caruaruense. Galindo também aparece em uma foto ao lado do primo, braço-direito e ex-secretário de Raquel Lyra, André Teixeira Filho, no Instagram deste último. No post, Teixeira refere-se à organização da festa privada Gonzagão, que acontece em Caruaru. “Mais um ano fazendo o que a gente ama”, diz o primo de Raquel.
INVESTIGAÇÃO – No dia 27 de agosto, os advogados da Frente Popular de Pernambuco entraram, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra o que consideram abusos políticos e econômicos por parte da atual gestão do governo do Estado. Entre eles, o uso da estrutura digital para atacar João Campos. Além disso, o corpo jurídico da coligação também realizou denúncias ao Ministério Público Estadual (MPPE), Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Eleitoral (MPE).
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) reafirmou, durante uma carreata em Arcoverde, no Sertão pernambucano, na noite desta sexta-feira (25), a proposta de zerar o IPVA de motocicletas de até 180 cilindradas. Segundo a campanha, a medida poderá beneficiar cerca de 1,4 milhão de proprietários no estado. A mobilização marcou o início da agenda do candidato pelo Sertão neste fim de semana, após um ato com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Marco Zero do Recife.
“Mais de um milhão de pernambucanos vão ter o IPVA zerado para motos de até 180 cilindradas. A maioria das pessoas utiliza a moto para trabalhar. Então, quando a gente tira imposto, sobra mais dinheiro, e quando sobra mais dinheiro, as famílias podem ter uma renda maior. Isso é fazer o que é justo e vai ajudar na renda das pessoas”, afirmou João Campos.
A carreata percorreu ruas de Arcoverde e reuniu apoiadores e lideranças políticas. Participaram do ato o candidato a deputado federal Luciano Pacheco (MDB), o deputado estadual e candidato à reeleição Diogo Moraes (PSB) e o candidato a deputado estadual Rosinaldo Manoel Veras, conhecido como “Já Morreu” (PSB).
A governadora Raquel Lyra chega a Petrolina neste sábado e encontrará uma pergunta que não pode ser respondida com discurso, promessa ou fotografia: onde está a solução para os pacientes que precisam de tomografia e continuam esperando?
O Ministério da Saúde destinou R$ 6,7 milhões para ampliar a oferta de tomografias em Petrolina. O recurso chegou a Pernambuco, mas, segundo as informações disponíveis, o Governo do Estado ainda não contratou o hospital credenciado para colocar o serviço efetivamente à disposição da população.
Enquanto isso, pacientes continuam enfrentando dificuldades para realizar um exame essencial e, em determinados casos, precisam se deslocar para Recife.
E não é uma questão burocrática qualquer. O próprio Ministério da Saúde reconheceu, ao levar uma carreta de exames para Petrolina, que existe uma demanda urgente por tomografias na região. A pasta também alertou que, quando o exame não é realizado no momento necessário, o cuidado do paciente pode ser atrasado.
A situação é ainda mais delicada para quem está investigando ou acompanhando um câncer. Diagnóstico e tratamento dependem de tempo. Não se pode transformar a espera por um exame em mais uma barreira para quem já está enfrentando uma doença.
É por isso que a visita de Raquel Lyra a Petrolina precisa ser acompanhada de uma resposta objetiva:
Se o dinheiro está disponível, por que o serviço ainda não está funcionando?
O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) percorreu as ruas de Arcoverde, no Sertão do Estado, durante uma grande carreata realizada na noite desta sexta-feira (25). A mobilização reuniu apoiadores e contou com a presença de Luciano Pacheco (MDB), Diogo Moraes (PSB) e Rosinaldo Manoel Veras, conhecido como “Já Morreu” (PSB).