Por Maysa Sena – Blog da Folha
Criada há três anos com a proposta de ampliar o acesso à saúde especializada, a Tech Mais Saúde vem se consolidando em municípios pernambucanos por meio de um modelo de telemedicina voltado principalmente para pacientes em situação de vulnerabilidade social. A empresa atua conectando cidades do interior a médicos especialistas de diversas áreas, reduzindo filas do SUS e diminuindo a necessidade do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), utilizado para transportar pacientes até centros urbanos maiores.
Segundo o diretor comercial da empresa, Geovane de Freitas, o projeto nasceu inicialmente com o objetivo de atender pessoas sem plano de saúde. No entanto, ao lado do sócio e vice-presidente da empresa, Anchieta Mascena, ele percebeu as dificuldades enfrentadas pela população de baixa renda para ter acesso a atendimento especializado, o que acabou redirecionando a iniciativa.
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“A ideia inicial era atender o cidadão comum que não tinha plano de saúde, mas podia pagar uma consulta. Depois entendemos que existia uma camada da população ainda mais vulnerável, que não tinha condição alguma de chegar até um especialista. Foi aí que decidimos direcionar o projeto para atender essas pessoas através das prefeituras”, explicou.
Modelo
A proposta da empresa, é levar o atendimento especializado para dentro das próprias unidades básicas de saúde dos municípios. O paciente é encaminhado pela regulação do SUS e realiza a consulta em um ambiente preparado pela prefeitura, com computador, câmera, televisão e suporte de profissionais locais treinados pela equipe da empresa.
Segundo Geovane, o diferencial do modelo está no acolhimento humanizado. Antes da consulta, o médico tem acesso ao histórico clínico e ao prontuário do paciente, permitindo um atendimento mais próximo da realidade daquela pessoa.
“O médico entra alguns minutos antes para entender o histórico do paciente e conhecer aquela realidade. A consulta não é fria. Existe acolhimento, conversa, atenção e escuta. Muitas vezes o paciente já chega fragilizado por tudo o que enfrenta para conseguir atendimento”, destacou.
Dados
Atualmente, a Tech Mais Saúde contabiliza mais de 15 mil atendimentos realizados e afirma possuir cerca de 1.200 médicos cadastrados em sua plataforma. Os profissionais atuam em mais de 30 especialidades, entre elas cardiologia, neurologia, endocrinologia, psiquiatria, ortopedia, dermatologia e neuropediatria.
“A neuropediatria, por exemplo, tem uma procura enorme por causa do aumento de diagnósticos relacionados ao TDAH e ao espectro autista. É uma especialidade muito cara e difícil de encontrar no interior”, disse.
A empresa utiliza plataforma própria de telemedicina, com certificações voltadas à proteção de dados clínicos e adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Referência
O primeiro município atendido pela empresa foi Afogados da Ingazeira, considerado hoje o principal case da operação. Segundo Geovane, foi na cidade que o projeto conseguiu demonstrar, na prática, os impactos da telemedicina na redução das filas do SUS.
“O prefeito acreditou no projeto desde o início e investiu na criação de um centro clínico digital. Hoje muitos gestores visitam Afogados para conhecer o modelo”, afirmou.
Além dos avanços no acesso à saúde, a prefeitura aponta redução significativa nos custos públicos. O prefeito do município, Alessandro Palmeira, informou que a contratação da plataforma gerou economia direta de R$ 80 mil em relação aos valores inicialmente previstos.
Segundo ele, a redução de deslocamentos para Recife evitou gastos de R$ 473,7 mil com transporte e alimentação de pacientes pelo TFD. Somando os dois fatores, a economia para os cofres municipais chegou a R$ 553,7 mil. “A estratégia conseguiu unir eficiência financeira e ampliação da oferta de consultas especializadas para a população”, destacou o prefeito.
Geovane defendeu que investimentos em saúde digital podem impactar diretamente no desenvolvimento social e econômico dos municípios. “Quando o gestor investe em saúde e acesso à especialidade médica, ele reduz internações, melhora a qualidade de vida da população e fortalece o desenvolvimento da cidade. Uma população saudável também é mais produtiva”, concluiu.
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