O lançamento ao Senado de Mendonça Filho (PL), aliado de primeira hora de Raquel Lyra (PSD), vai além de uma candidatura-relâmpago. Construída em apenas três dias, a postulação tem as digitais da governadora, que segue à risca uma estratégia traçada por Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições em Pernambuco.
Em fevereiro, anotações do presidenciável do PL vazadas para a imprensa mostraram o nome de Raquel como a candidata do bolsonarismo no Estado. Para o Senado, a preferência era pelo deputado Mendonça Filho, que seguiu a cartilha de Flávio, trocou o União Brasil pelo PL, mas evitou assumir uma candidatura para não colar a direita de forma explícita em Raquel.
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A opção da governadora, então, passou a ser Miguel Coelho (União Brasil), outro nome da lista de Flávio. O ex-prefeito de Petrolina passou meses sendo estimulado e chegou a ser apresentado por Raquel, em reuniões internas, como o nome de sua preferência dentro da União Progressista. No último sábado (1º), porém, a governadora foi obrigada a rifá-lo da disputa para não perder o apoio da federação, que é presidida pelo deputado Eduardo da Fonte (PP), nome que se impôs como candidato a senador na chapa governista.
Desolado, Miguel declarou apoio à postulação de Mendonça ao Senado nesta terça-feira (4), mas não é seu principal fiador. É difícil imaginar que o candidato do PL se lançasse sem o aval da governadora, sobretudo quando se sabe que ele vai tirar votos de Eduardo da Fonte, que tem inserção na direita.
Não ter feito nada para impedir um movimento que prejudica um membro de sua própria chapa prova que Raquel ou carece de liderança ou trabalhou para que o bolsonarismo tenha um palanque completo em Pernambuco: ela é o nome para o Governo do Estado, e Mendonça Filho, o candidato a senador, exatamente do jeito que Flávio Bolsonaro rabiscou.
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