Por que a insônia destrói o foco e o equilíbrio emocional?

Por Silvino Teles Filho*

Dormir mal não significa apenas acordar cansado no dia seguinte. A insônia interfere diretamente no funcionamento do cérebro e pode comprometer a concentração, a memória, a capacidade de tomar decisões e, principalmente, o equilíbrio emocional.

Durante o sono, o cérebro realiza uma série de processos fundamentais para consolidar memórias, organizar informações, regular emoções e recuperar o funcionamento adequado das redes responsáveis pela atenção. Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, essas funções podem ser prejudicadas. Por isso, quem sofre com insônia frequentemente percebe que está mais distraído, esquece informações com facilidade, tem dificuldade para manter o foco e sente que tarefas simples exigem um esforço muito maior.

O impacto emocional também é importante. A privação de sono pode aumentar a reatividade das estruturas cerebrais relacionadas às emoções, enquanto reduz a eficiência das regiões responsáveis pelo controle dos impulsos e pela avaliação racional das situações. Na prática, isso pode fazer com que pequenos problemas sejam percebidos como muito maiores, aumentando a irritabilidade, a ansiedade, a impaciência e a dificuldade de lidar com situações cotidianas.

É comum, então, surgir um ciclo difícil de interromper: a pessoa dorme mal, acorda mais cansada e emocionalmente vulnerável, enfrenta mais estresse durante o dia e, à noite, encontra ainda mais dificuldade para relaxar e adormecer. Com o passar do tempo, esse padrão pode afetar o desempenho profissional, os relacionamentos, a qualidade de vida e a própria percepção de bem-estar.

A insônia, portanto, não deve ser encarada simplesmente como uma dificuldade para dormir. Quando se torna frequente ou persistente, pode ser um sinal de que algo precisa ser investigado e tratado. Cuidar do sono é também cuidar da capacidade de pensar, concentrar-se, controlar as emoções e enfrentar melhor os desafios do dia a dia.

Uma boa noite de sono não é luxo. É uma das condições fundamentais para que o cérebro funcione bem.

*Médico pós-graduado em Psiquiatria, Neurologia Clínica e Medicina da Dor

Por Gastão Cerquinha Neto*

Você deve se lembrar ou já ter ouvido falar de alguma área da sua cidade onde antes havia uma vegetação verde e exuberante, acompanhada de um riacho, uma lagoa ou um terreno alagadiço. Com o passar dos anos, porém, essa paisagem foi sendo degradada, aterrada e ocupada para dar lugar a algum tipo de empreendimento, possivelmente um novo condomínio, um loteamento, um shopping center, uma avenida ou uma instalação industrial.

Esse processo ajuda a compreender como a urbanização transforma não apenas a paisagem, mas também o funcionamento natural da água dentro das cidades. Antes da ocupação, esse terreno geralmente apresenta solo permeável e cobertura vegetal. Parte da chuva é interceptada pelas folhas, outra parte infiltra no solo e apenas uma parcela escoa superficialmente. Para a implantação do empreendimento, entretanto, a vegetação é removida e o terreno começa a ser modificado. Muitas vezes são realizadas obras de terraplenagem, com cortes e aterros que alteram a topografia original e, consequentemente, os caminhos naturais percorridos pela água.

Em seguida, surgem ruas, estacionamentos, telhados, calçadas, edificações e outras superfícies impermeáveis. Pouco a pouco, aquela área que anteriormente conseguia absorver e armazenar parte significativa da chuva perde essa capacidade. Quando esse processo se repete em diferentes pontos de uma mesma bacia hidrográfica, seus efeitos se acumulam e passam a modificar profundamente o comportamento da drenagem urbana.

Quais são os impactos para o sistema de drenagem?

À medida que a cidade se urbaniza, ela se torna progressivamente mais impermeável. Isso significa que uma parcela maior da chuva se transforma em escoamento superficial e chega mais rapidamente aos canais, galerias e cursos d’água. Como consequência, há aumento dos volumes escoados e dos picos de vazão, além da redução do tempo necessário para que essas vazões cheguem aos pontos mais baixos da bacia. O sistema de drenagem passa, portanto, a receber uma quantidade maior de água em um intervalo de tempo menor.

É por essa razão que o controle da impermeabilização deve fazer parte do planejamento urbano. Não basta simplesmente construir sistemas de drenagem cada vez maiores para transportar a água para frente. É necessário também atuar na origem do problema, reduzindo a quantidade e a velocidade da água que deixa cada lote ou empreendimento. Uma das estratégias é estabelecer limites para a impermeabilização e exigir que novos empreendimentos adotem medidas capazes de compensar o aumento do escoamento superficial provocado pela urbanização.

Entre essas medidas estão os telhados verdes, jardins de chuva, áreas vegetadas, pavimentos permeáveis e reservatórios de detenção ou retenção no próprio lote. Esses dispositivos ajudam a armazenar temporariamente a água da chuva, favorecer sua infiltração quando as condições do solo permitem e retardar sua chegada ao sistema público de drenagem.

O que acontece com os rios e riachos durante a urbanização?

Os cursos d’água também são profundamente afetados pelo crescimento das cidades. À medida que a ocupação urbana avança, as construções frequentemente se aproximam das margens dos rios e riachos e, em muitos casos, ocupam suas próprias planícies de inundação. Essas áreas fazem parte naturalmente do funcionamento dos rios: durante eventos de cheia, a água ultrapassa a calha principal e ocupa temporariamente as áreas adjacentes. Quando essas planícies são ocupadas, a população e as edificações passam a ficar diretamente expostas às inundações.

Ao mesmo tempo, ocorre a retirada da mata ciliar, a impermeabilização das margens, a retificação dos canais e, em situações mais extremas, até mesmo a cobertura completa dos cursos d’água. Rios e riachos naturais passam então a ser tratados simplesmente como estruturas de drenagem. Em muitos casos, o lançamento clandestino de esgoto e resíduos contribui ainda mais para que a população deixe de reconhecê-los como elementos naturais da paisagem.

Esse processo pode chegar a tal ponto que muitas pessoas sequer sabem que determinados canais existentes em suas cidades foram, originalmente, rios ou riachos naturais, cercados por vegetação e capazes de sustentar diferentes formas de vida.

Por isso, quando você observar um canal revestido de concreto atravessando sua cidade, vale fazer uma pergunta: como esse riacho deveria ser? Em muitos casos, aquele canal é um curso d’água que, ao longo das décadas, foi retificado, impermeabilizado e artificializado para se adequar ao processo de urbanização.

Os rios escondidos das cidades

A cidade de São Paulo é um dos exemplos mais conhecidos desse processo. Durante décadas, diversos rios e córregos foram canalizados, cobertos e incorporados ao sistema de drenagem subterrânea. Muitos deles continuam correndo sob ruas, avenidas, praças e edificações, praticamente invisíveis para quem circula pela cidade.

Ao esconder esses cursos d’água, perde-se também parte das funções ambientais, paisagísticas e sociais que eles poderiam desempenhar no espaço urbano. Nos últimos anos, iniciativas de reconhecimento como o Projeto Rios e Ruas têm ajudado a população a redescobrir os caminhos naturais da água dentro das cidades. Esse movimento contribui para mudar a maneira como enxergamos a natureza no ambiente urbano: em vez de considerar os rios obstáculos ao desenvolvimento, podemos reconhecê-los como parte da infraestrutura ambiental da própria cidade.

Em alguns locais, inclusive, a retirada de estruturas de concreto, a recuperação das margens e da vegetação e a reabertura dos cursos d’água podem transformar espaços degradados em áreas ambientalmente mais qualificadas. Essas intervenções também podem criar espaços de lazer e convivência. A população passa a se aproximar novamente da água por meio da contemplação da paisagem, da vegetação, da biodiversidade e do contato com a natureza dentro da própria cidade.

Quando a cidade perde a capacidade de lidar com a água

Quando os cursos d’água não são preservados, aumentam-se as condições favoráveis à ocorrência de desastres hidrológicos, como alagamentos, enxurradas e inundações. Por isso, o manejo das águas pluviais precisa considerar a cidade a partir de suas bacias hidrográficas.

A água não reconhece os limites administrativos de bairros, lotes ou municípios. Ela segue a topografia. Compreender como a água entra, infiltra, escoa, se acumula e deixa cada bacia é fundamental para identificar as causas dos problemas e definir intervenções capazes de reduzir a exposição da população aos riscos de alagamentos, enxurradas e inundações.

Recuperar a capacidade de armazenar água

É nesse contexto que ganha força o conceito de cidade-esponja. A ideia parte de um princípio relativamente simples: em vez de tentar retirar a água da chuva da cidade o mais rapidamente possível, devemos criar condições para que parte dessa água seja retida, armazenada, infiltrada e liberada de maneira mais lenta e controlada.

Isso pode ser feito por meio da ampliação das áreas verdes, recuperação de rios e riachos, preservação de áreas alagáveis, implantação de parques inundáveis, jardins de chuva, telhados verdes, pavimentos permeáveis, reservatórios de detenção e outras soluções baseadas na natureza.

Talvez essa seja uma das principais mudanças de perspectiva necessárias para as cidades contemporâneas: a água da chuva não deve ser vista apenas como algo que precisa ser eliminado rapidamente, mas como um elemento natural cujo espaço precisa ser respeitado e incorporado ao planejamento urbano. Construir cidades mais resilientes às inundações passa, portanto, por uma ideia fundamental: é preciso devolver espaço para a água dentro da cidade.

*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).

Jaboatão dos Guararapes - Saúde nas escolas 2026

Por Luciano Bivar*

A partir do século XV, onde se deu origem ao que se criou no século XII para perseguir opositores políticos, a Igreja juntou-se aos absolutistas, hoje transfigurados em ditadores e golpistas como se fossemos cátaros ou valdenses. O Bolsonarismo apropriou-se da bandeira do Brasil como se patriotas fossem e paradoxalmente estendem uma bandeira americana em plena luz do dia na Avenida Paulista.

Dizem preservar as empresas privadas e confiscam mais de seis bilhões do DPVAT (um seguro social) e estatizaram, já que na verdade eram administrados por empresas privadas, e agora têm milhões de acidentados e famílias que perderam seu provedor, sem um tostão sequer para indenizá-los. 

Caruaru - Minha rua nova

Por Zé Américo Silva*

A conversa telefônica entre Lula e Donald Trump pode ter produzido muito mais do que um movimento diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Em plena campanha presidencial, deu ao petista um argumento poderoso para enfrentar Flávio Bolsonaro: a soberania nacional.

Depois de meses de tensão, tarifas e declarações duras, Lula e Trump conversaram diretamente. E esse simples fato tem enorme valor político. O presidente brasileiro pode agora sustentar que é possível defender os interesses do Brasil, enfrentar pressões da maior potência econômica e militar do mundo e, ainda assim, manter abertas as portas do diálogo.

É exatamente aí que a soberania deixa de ser uma palavra abstrata e ganha materialidade eleitoral.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Por Renato Fonseca*

O debate público brasileiro vive um momento perigoso, em que o preconceito virou moeda de troca e o ataque às religiões de matriz afro-indígena se transformou em estratégia calculada de engajamento digital.

O que assistimos no plenário da Câmara Municipal do Recife durante a votação do Projeto de Lei nº 147/2026 — proposta de minha autoria levada ao parlamento pela vereadora Jô Cavalcanti — não foi um simples debate parlamentar. Foi uma demonstração explícita do duplo padrão institucional que rege a política pernambucana.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

Por Mauro Souza*

O investidor global opera sob modelos de fluxo de caixa, nos quais a previsibilidade é a moeda de maior valor. No Brasil, a complexidade regulatória destrói essa previsibilidade de duas maneiras, cada qual de per si: 1) a volatilidade normativa; e 2) o conflito de competências.

No que diz respeito à volatilidade normativa, o papel de destaque fica com a mudança frequente das regras, muitas das vezes com o jogo em curso. Resoluções de diretoria, portarias ministeriais e instruções normativas são constantemente revisadas. Para um investimento em infraestrutura, que se paga em 30 anos, a alteração de uma regra, tarifa ou exigência ambiental pode inviabilizar a taxa de retorno prevista.

O conflito de competências, por sua vez, surpreende o investidor sempre que ele se depara com decisões antagônicas sobre o mesmo ativo. Uma concessão aprovada por uma agência reguladora pode ser paralisada por uma liminar judicial, ou contestada por um órgão de controle, gerando um limbo jurídico.

Palmares - Forró Mares 2026

Por Antonio Magalhães*

É grande o eleitorado brasileiro de votantes com mais de 60 anos e tem uma presença expressiva no pleito. Mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) prefere focar os jovens na propaganda institucional das eleições gerais deste ano. O preconceito institucional, que tipifica o crime de etarismo, e a falta de incentivo afastam eleitores mais idosos, incluindo os de 70 anos, para quem o voto é facultativo nas urnas, o que vem resultando em alto índice de ausência desse grupo em pleitos recentes.

O favorecimento aos jovens foi assim também em 2022, quando o TSE intensificou uma campanha pública com o objetivo de cadastrar milhares de eleitores juvenis, favorecendo o eleitorado de esquerda. Agora, impossibilitado de uma campanha massiva como a anterior, o TSE vende a eleição como um pagode de Jorge Aragão, a “Coisa da Pele”, em que aparecem eleitores “menores de 60 anos” no remelexo pré-eleitoral sem os “coroas”.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Por Luciano Bivar*

Pois é! Por mais que você almeje o poder absoluto, como um Czar, um Faraó ou um Cézar, se não estiver imbuído de ideais e valores morais, jamais alcançará sua paz interior, muito menos da sociedade que você vive ou circunstancialmente comanda, porque na verdade você é uma fraude.

Não sou religioso, mas tenho uma profunda fé. Por outro lado, não acredito que Deus castiga e muda o destino de alguém, que julga pessoas e que ouve pedidos. Vender essa esperança em púlpitos ou palanques é um estelionato.

Camaragibe - IPTU Verde 2026

Por Cláudio Soares*

Decisão do Supremo Tribunal Federal abre caminho para a concessão de medidas protetivas em casos de violência baseada no gênero mesmo quando não existe relação familiar, doméstica ou afetiva entre vítima e agressor.

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu um passo importante na ampliação da proteção jurídica às mulheres vítimas de violência de gênero. No Tema 1.412 da repercussão geral, relativo ao ARE 1.537.713, a Corte discute justamente o alcance das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha quando a violência ocorre fora dos contextos tradicionalmente previstos pela legislação.

Por Rinaldo Remígio

Magno, bom dia! Que maravilha o podcast com Xico Sá!

Ouvir uma conversa como essa é perceber o quanto a história possui bastidores que, muitas vezes, somente chegam ao conhecimento da sociedade décadas depois dos acontecimentos. São informações reveladoras que, infelizmente, o tempo vai guardando até que alguém resolva pesquisar, ouvir personagens, confrontar versões e, finalmente, colocá-las à disposição do público.