A via de mão dupla: a complexa relação entre dor crônica e saúde mental

Por Silvino Teles Filho*

A medicina moderna caminha para uma compreensão cada vez mais integrada do ser humano, deixando para trás a ideia de que corpo e mente operam em compartimentos isolados. Um dos exemplos mais nítidos dessa interconexão é a relação entre a dor crônica (aquela que persiste por mais de três meses) e as doenças psiquiátricas.

Não se trata apenas de uma coincidência; existe uma via de mão dupla biológica e psicológica onde uma condição frequentemente alimenta e agrava a outra.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Por Cláudio Soares*

A possibilidade de uma colaboração premiada avançar sobre determinados agentes políticos e, ao mesmo tempo, omitir outros nomes de peso no cenário institucional, como ministros do Supremo Tribunal Federal, provoca um debate sobre os limites e a credibilidade desse instrumento no país. A discussão ganha contornos concretos diante de menções ao empresário Vorcaro, ligado ao Banco Master, e à eventual delimitação do alcance de suas declarações.

Pelo que estabelece o art. 4º da Lei nº 12.850/2013 (Lei de Organização Criminosa), a colaboração deve ser voluntária, eficaz e baseada na veracidade das informações prestadas. Na prática, isso impõe ao colaborador o dever de não omitir, de forma deliberada, fatos relevantes que estejam ao seu alcance, sob pena de comprometer os benefícios negociados com o Estado.

Petrolina - Destino

Por Leonardo Sakamoto
Do UOL

Há momentos em que um debate público revela mais sobre a estrutura de poder de um país do que sobre o tema que está sendo discutido. O embate em torno do fim da escala 6×1 virou um desses espelhos. Em poucas semanas, a pauta se transformou na principal queda de braço política e econômica do primeiro semestre de 2026. De um lado, milhões de trabalhadores que querem simplesmente ter dois dias seguidos de descanso. Do outro, uma engrenagem poderosa tentando convencer o país de que isso seria quase uma ameaça à civilização.

O governo percebeu que havia capital eleitoral nesse movimento e decidiu entrar de vez no jogo, pressionando publicamente o Congresso Nacional pelo ritmo lento na tramitação da pauta. Como o Legislativo empurra as PECs com a barriga, o Planalto deve recorrer a um projeto de lei em regime de urgência. Isso obrigaria a Câmara a votar a matéria em até 45 dias, expondo a posição de cada deputado antes das eleições.

Ipojuca - IPTU 2026

Por Roberto Almeida*

Em 1986, Pernambuco viveu uma das campanhas políticas mais bonitas de sua história. Miguel Arraes, deposto do governo pelos militares em 64, foi candidato ao Palácio das Princesas, enfrentando o então jovem José Múcio Monteiro, hoje ministro da Defesa do Governo Lula.

“A esperança está de volta” foi o slogan da campanha que empolgou os eleitores da capital e interior. “Arraes vai entrar pela porta que saiu”, anunciava o guia eleitoral da televisão, com uma participação marcante dos poetas populares Zeto e Bia.

Caruaru - São João na Roça

Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360

Faz muito tempo, Amartya Sen caminhava pelas ruas de Calcutá e decidiu comprar peixe de uma mulher que trabalhava usando um pequeno tabuleiro de madeira. Ela deu o preço do peixe e Sen, seguindo a tradição de bom bengalês, pechinchou. Naquela região da Índia, pechinchar é esporte nacional. Mas a mulher, desde cedo esfregando o umbigo naquele tabuleirozinho, conhecia Amartya e sabia ser ele professor.

“Você estuda muito, não é?”, começou muito séria. E arrematou: “Então deveria saber que se todo mundo pagasse o que quer pagar, eu e meus filhos não comeríamos hoje à noite”. Ele pagou o preço. E mais um pouco. Anos depois, ao desenvolver sua teoria das capacidades, a ideia de que desenvolvimento significa garantir às pessoas a liberdade real de viver uma vida digna, Sen reconheceu as pessoas do povo, das ruas de Calcutá, como seus grandes professores de economia, melhores que os de Oxford ou Cambridge.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Por Zé Américo Silva*

A escalada de tensão envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel mergulhou o mundo em mais um capítulo de instabilidade geopolítica, com impactos diretos sobre o preço do petróleo e seus derivados. Trata-se de um conflito cujas motivações seguem nebulosas para a maioria da população global, mas cujas consequências são imediatas e concretas: inflação energética, insegurança econômica e pressão sobre governos nacionais.

No Brasil, como em qualquer economia dependente de combustíveis fósseis, os reflexos são inevitáveis. No entanto, há um componente adicional que agrava a situação: o comportamento de setores do empresariado, especialmente na cadeia de distribuição e revenda de combustíveis. O que se observa não é apenas repasse de custos, mas uma antecipação agressiva de aumentos, muitas vezes dissociada da realidade imediata do mercado internacional.

Palmares - IPTU 2026

Por Flávio Chaves*

A madrugada se derrama diante de mim como uma carta sem destinatário, e, nesse gesto líquido e silencioso, há o abandono de quem já não espera resposta, mas ainda assim escreve. É uma extensão em branco onde a alma, cansada de se conter durante a tirania clara do dia, se embriaga de si mesma e se despe sem pudor, confessando tudo aquilo que jamais ousaria dizer sob a vigilância impiedosa da luz.

Não há regras aqui, não há lógica que sustente o mundo, há apenas a verdade mais crua, aquela que sangra em quem amou além da medida justa e já não sabe distinguir se é noite no mundo ou se a escuridão se instalou para sempre dentro de si.

(O Senado necessário)

Por Aldemar Santos (Dema)*

O Brasil atravessa um daqueles momentos em que o debate político deixa de ser mera divergência de ideias e passa a tocar as estruturas mais profundas da democracia. Não se trata apenas de quem governa, mas de como se governa e, sobretudo, com quais valores se constrói o futuro.

Nesse contexto, é inevitável reconhecer a necessidade de um Congresso Nacional mais alinhado com determinadas diretrizes programáticas historicamente associadas à esquerda brasileira. Não por uma questão de hegemonia ideológica, mas por coerência com um projeto de país que tem, entre seus pilares, a redução das desigualdades, a promoção da justiça social e o fortalecimento das instituições democráticas.

Por Joel de Hollanda*

Cine Bandeirante, foste presença constante nos dourados dias de minha infância.

Tínhamos quatorze, quinze anos.

Vivíamos eterna primavera.

Éramos alegres, risonhos.

Sonhadores.

Sonhávamos todos os sonhos que cintilavam na tua mágica tela.

Por Mauro Ferreira Lima*

Após o sucesso do filme o Agente Secreto, o Recife ganhou uma ampla visibilidade nacional e externa. Foi muito importante para a Cidade. Mas, há que dar continuidade a isto com medidas públicas que amplifiquem o que foi conseguido.

No Brasil, a grande maioria da população não sabe que o Recife está geminada a Olinda, Patrimônio Cultural da Humanidade. Apenas 4km separam a praça do Derby da entrada desta cidade de tanta importância histórica e cultural mundial.

Representa algo singular que não é divulgado, tanto nacional quanto internacionalmente. Não existe outra cidade no mundo que esteja geminada “geograficamente” a uma cidade que a UNESCO adotou com este honroso título.

Isto carrega em si um enorme potencial para ser trabalhado turisticamente. Explorar o potencial das duas cidades no âmbito da “economia criativa” se faz de grande importância. Urge que atentem para este potencial!

As duas cidades com quase 500 anos de história, com um formidável acervo cultural, artístico, arquitetônico e gastronômico constituem um denso conjunto urbano, raro e singular nacional e internacionalmente.

Mesmo com estes expostos atributos, não têm sido alvo de consistente e perene divulgação para transformar tudo isto em um produto único a ser vendido fortemente nos polos emissores internos e em países com acesso aéreo ao Recife.

Para superar a não assimilação pública de se divulgar este enorme potencial, conjuntamente, até presente, que isto seja superado pelos administradores das duas cidades. Que os órgãos vinculados à promoção turística de cada uma se unam aos mesmos do Estado e, suprapartidariamente, se parta para a criação de uma marca com uma denominação forte e marcante como “Circuito Recife-Olinda”.

Nesta marca, estariam unidos e consolidados todos os eventos anuais que acontecem nas duas cidades, incluindo ainda o macroevento da Semana Santa em Nova Jerusalém, por ser âncora atrativa do turismo do Estado. Este, atrai para o Recife público turístico que poderia ser trabalhado para aqui permanecer um pouco mais, tendo a oportunidade de desfrutar o que o “Circuito Recife-Olinda” oferece. Em termos gerais, está consolidação de eventos divulgados em mídia digital, proporcionaria aos turistas uma visão do que estaria acontecendo e o que acontecerá nas duas cidades.

Aqui, em breve, divulgarei o que poderia constar, a mais, nesta programação conjunta. Listarei inicialmente eventos e “propostas” já escritas para o Recife. Em seguida, viria Olinda, com uma pesquisa ainda em andamento.

Para o Recife seriam listados a necessidade de um amplo local no Recife Antigo para abrigar, diariamente, a exibição das manifestações de cultura e dança locais que iriam do forró aos blocos líricos passando pelo frevo, maracatu, quadrilhas, ciranda e mais e mais. A iniciativa privada poderia conduzir isto. O local poderia se chamar “Casa dos Festejos”. Seria algo que a Cidade se ressente para exibir, fora do carnaval e S. João para conhecimento e participação turística.

A Cidade não tem opção para se ver o que aqui se dança, se toca e se faz! Estaria também nesta lista movimentar o mês de junho adotando Santo Antônio (já homenageado no “centro”) e o Dia dos Namorados como evento a ser criado como âncora de atratividade. Ainda na listagem, agilizar a criação do Parque dos Zeppelins, local onde existe a última torre de atracação, no mundo, desses dirigíveis! Algo que há que ser trabalhado como atrativo singular e universal. A embaixada alemã deveria ser contactada para ajudar no financiamento disto, via PCR.

Indo um pouco mais adiante nesta lista, que sejam realizados dois eventos de porte agregador no Recife Antigo: dois grandiosos festivais. O Festival da Seresta, no mês de outubro e outro em meados de novembro: Festival do Brega. Ambos os meses de eventos de porte locais.

Como se constata, há muito a ser feito para que o Recife, agora com Olinda, dê continuidade ao que o Agente Secreto trouxe à tona: maior visibilidade da Cidade!

Há mais em “gestação”!

Que tudo isto sensibilize a quem administra estas duas marcantes cidades!

*Mestre em Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente