INSS: A fila que o Estado decidiu aceitar

Por Wellington Fonseca*

O Brasil não acabou com a fila do INSS. Apenas a escondeu.
Saiu a madrugada nas portas das agências. Entrou a espera silenciosa nos sistemas digitais. A promessa de modernização virou, na prática, uma forma mais eficiente de administrar a demora.

Quando a Portaria nº 1.919/2026 foi editada, o país já acumulava mais de 3 milhões de pedidos de benefícios pendentes de análise. Não é um número trivial. É um diagnóstico.

Enquanto isso, a legislação administrativa brasileira estabelece prazos que, em regra, não deveriam ultrapassar 45 dias para decisão. A distância entre o que a lei prevê e o que o Estado entrega deixou de ser um desvio — virou método.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Por Muciolo Ferreira*

Além de se destacar nos jardins, campos e bosques, nos interiores de qualquer ambiente, seja residencial ou comercial, a Margarida sempre foi muito mais que uma flor singela — branca ou amarela — delicada e associada ao amor, sobretudo ao lembrarmos da tradicional brincadeira “mal-me-quer, bem me quer”.
E será eterna fonte de inspiração citada em poesias e canções românticas.

Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa e Álvaro de Campos eternizaram essa flor tão popular e fácil de ser cultivada. Todavia, muitos desconhecem suas propriedades medicinais que atuam no organismo humano como um anti-inflamatório, antioxidante, tratando e curando doenças digestivas, dermatológicas e ajudando na cicatrização.

Petrolina - Destino

Por Diana Câmara

À medida que o calendário eleitoral avança, alguns marcos silenciosos começam a redesenhar o tabuleiro político. Entre eles, poucos são tão determinantes e, ao mesmo tempo, tão subestimados quanto o prazo de filiação partidária.

Para as eleições de 2026, a regra é objetiva: o cidadão que pretende disputar um cargo eletivo deve estar com filiação deferida por partido político até seis meses antes do pleito, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.504/1997. Trata-se de condição de elegibilidade, não de mera formalidade. Sem ela, não há candidatura possível.

Ipojuca - IPTU 2026

Por Inácio Feitosa*

Levei recentemente um grupo de Brasília para almoçar em Olinda, no Oficina do Sabor. Era para ser uma experiência, um encontro com a história, um mergulho na beleza que sempre nos definiu. Mas algo me atravessou. O olhar deles – externo, limpo, sem vício – disse muito sem precisar dizer nada. E aquilo me causou silêncio.

O Memorial Arcoverde abandonado, a entrada do Varadouro esquecida, pichações por toda parte, casario mal preservado, um abandono que não se esconde mais, um trânsito caótico, sem regra, sem respeito. Não se trata de um ponto isolado. É um retrato. E, pior: um retrato que já começa a parecer normal.

Caruaru - São João na Roça

Por Cláudio Soares*

O ambiente político de Pernambuco começa a expor fissuras relevantes dentro do campo governista, especialmente na relação entre João Campos e o PT estadual. Nos bastidores do Agreste e do Sertão do Pajeú, cresce a avaliação de que o senador Humberto Costa pode não marchar ao lado do socialista em 2026, uma hipótese que, até pouco tempo, parecia improvável.

Lideranças já tratam o distanciamento como algo concreto. Prefeitos da região, inclusive aliados do grupo político de Caruaru, relatam que a relação entre Humberto e o PSB vem se desgastando de forma contínua. Mais do que um ruído pontual, o que se desenha é a possibilidade real de o senador rever sua própria candidatura à reeleição, abrindo espaço para uma reconfiguração mais ampla, que pode, inclusive, envolver aproximação com a governadora Raquel Lyra.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Por Lara Cavalcanti*

Na política, mudar de rumo faz parte do jogo. Mas em Petrolina, essa mudança chamou atenção pela velocidade. Após o afastamento do projeto de João Campos e do PSB, o grupo que está no poder na cidade anunciou apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). Do ponto de vista estratégico, a decisão é compreensível. Nenhum grupo político quer ficar isolado.

O que causa estranheza não é a aliança, mas a mudança repentina de discurso. Até poucos dias, o tom era de forte oposição. Havia críticas constantes ao abandono do Sertão, à insegurança, às estradas em más condições e aos problemas da Compesa. Essas críticas eram frequentes nas redes sociais e no rádio, sempre direcionadas de forma clara à governadora.

Palmares - IPTU 2026

Por Mariana Teles*

Eu não devia ter mais de cinco anos quando sonhei, pela primeira vez, com a perda do meu pai. Era madrugada. O telefone tocava. Do outro lado, a notícia: um acidente de carro havia levado Painho. Acordei assustada — e o medo era tão real que fiz minha mãe ligar para ele naquela mesma hora, só para ouvir sua bênção atravessando a linha e me devolver o chão.

Cresci com esse fantasma. Um pressentimento infantil, insistente, que eu combatia com orações simples, daquelas que só as crianças sabem fazer — diretas, puras, urgentes. Eu pedia a Deus que aquele pesadelo nunca virasse verdade.

Por José Nêumanne Pinto*

Os dois Josés — Juca de Oliveira e Nêumanne Pinto — chegaram a São Paulo no fim dos anos 60 e no momento mais duro e pesado da ditadura militar de 1964: os sangrentos últimos anos do decênio. Ele, nascido em São Roque, nas proximidades da capital, veio para estudar na Escola de Arte Dramática de São Paulo após ter resolvido abandonar o Direito como profissão. Eu, sem diploma algum, estreava na reportagem local da Folha de S.Paulo de Frias e Caldeira, sob chefia de J. B. Lemos, como setorista do Metrô no início da obra fantástica: fui o primeiro profissional de imprensa a andar de tatuzão, que perfurava o túnel sob o centro da maior cidade do Brasil.

Ele, após adotar seu ofício, convivendo com os colegas de classe Aracy Balabanian e Glória Menezes. No Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) brilhou em peças como “O Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, e “A Morte do Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller. Formado, foi ainda colega de uma geração brilhante: Augusto Boal, Flávio Império e Paulo José, montando textos que se tornariam clássicos de Gianfrancesco Guarnieri: “Eles não Usam Black-Tie” e “O Filho do Cão”. Depois do espetáculo no Teatro de Arena, a turma se reunia no Redondo, esquina de Avenida Ipiranga e Rua da Consolação. O jornalista iniciante na plateia, mas sem renda para participar dos comes e bebes.

Por Ivanildo Sampaio*
Do Jornal do Commercio

Foi numa sexta-feira, 13, que um enfarte fulminante e traiçoeiro levou de forma cruel e inesperada a pernambucana, de sangue espanhol, Leda Maria Rivas Cervino — ou simplesmente Leda Rivas, que como jornalista foi, por muitos anos, uma estrela brilhante na imprensa de Pernambuco — e como educadora, a mestra que encantava seus alunos, na Universidade Federal de Pernambuco. Querida e admirada, pelo conhecimento, pela fidalguia, pela compreensão. Foi também uma escritora precoce, editando o livro “Às margens do Capibaribe”, que escreveu quando mal tinha completado 20 anos.

Minha admiração por Leda Rivas vem de longe, vem há mais de meio século. Nós fomos colegas de turma, ingressamos juntos na Universidade Católica de Pernambuco naquele ano funesto de 1964, quando veio o golpe que implantou a ditadura e colocou o país na escuridão. Integramos a terceira turma do Curso Superior de Jornalismo. Um curso criado pelo pesquisador Luiz Beltrão — que no ano seguinte deixaria o Recife para fundar, em Brasília, um curso semelhante, num conglomerado de ensino privado que se tornaria um dos maiores da capital federal.

Por Rinaldo Remígio*

Nestes últimos dias, ao percorrer as páginas dos blogs, ouvir as rádios do nosso Pernambuco e acompanhar as entrelinhas das declarações políticas, me deparei com mais um daqueles momentos que revelam, não apenas o jogo do poder, mas, sobretudo, a essência da convivência democrática.

Li, ouvi, comparei versões — como sempre faço, com o cuidado de quem não deseja apenas repetir notícias, mas compreender o que está por trás delas. E foi assim que cheguei à fala do prefeito do Recife, João Campos, comentando a saída do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, de sua base política, agora alinhado à governadora Raquel Lyra.