Proibição de antecipação da eleição do presidente da Câmara Municipal

Por João Batista Rodrigues*

O Ministério Público de Pernambuco recomendou às Câmaras Municipais do Estado que se abstenham de realizar eleições para a Mesa Diretora do segundo biênio da atual legislatura antes do mês de outubro do corrente ano. De idêntica forma, recomendou a anulação das eleições já realizadas antecipadamente.

A imposição ministerial tem base em decisões do Supremo Tribunal Federal – ADI/DF 7733 e ADI 7737 MC/PE –, onde, na primeira, o voto do Ministro Gilmar Mendes consignou que a interpretação sistemática da Constituição Federal leva a compreensão de que as eleições da Mesa Diretora do Poder Legislativo, para o segundo biênio da legislatura, devem realizar-se a partir do mês de outubro do ano anterior ao início do mandato pertinente.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Por Marcus Prado*

“O riacho do Ipiranga recolheu a cenografia da Independência, o Capibaribe ficou com o sangue das vítimas da liberdade” (Nilo Pereira)

Nos dois primeiros artigos sobre o livro “A Confederação do Equador: A Luta pela Cidadania na Construção do Brasil” (Editora do Senado), afirmou-se que a obra – por ser coletiva e, portanto, complexa em sua organização – consegue uma unidade metodológica e acadêmica exemplar e inovadora.

Sob a coordenação de George Cabral e Marcos Albuquerque, ambos da UFPE, descreve o movimento revolucionário, separatista e republicano que desafiou as bases absolutistas e centralizadoras da Coroa brasileira, então encabeçada por D. Pedro I. (Dou ao ideário pernambucano e nordestino de cidadania, o sentido amplo, próximo – mas não idêntico –, ao cosmopolitismo kantiano, o “direito a ter direitos”, no entendimento de Hannah Arendt).

Petrolina - Destino

Por Jorge Henrique Cartaxo*
Especial para o Correio Braziliense

O Hotel Cassino Higino, em Teresópolis, foi, durante a Era Vargas, um dos recantos cultivados pela elite do Rio de Janeiro e, de certa forma, de todo o país. Esplendoroso como o Copacabana Palace e o Palácio Quitandinha, em Petrópolis, o Higino — todo feito em estilo enxaimel — oferecia, comme il faut, luxo e sociabilidade.

Foi no Higino — entre os dias primeiro e seis de maio de 1945 — que se realizou a Primeira Conferência das Classes Produtoras brasileiras (I Conclap). Aquele encontro histórico tinha boas e claras inspirações. No almoço daquele domingo de maio de 1945, enquanto as elites empresariais brasileiras encerravam a conferência contemplando as montanhas da Serra dos Órgãos, os canhões começavam a silenciar na Europa.

Ipojuca - IPTU 2026

Por Cláudio Soares*

Nos últimos anos, tornou-se comum nas redes sociais a exibição de imagens impactantes por parte de profissionais da odontologia: bocas mutiladas, dentes em estado avançado de deterioração, dentaduras, pacientes desdentados ou em condições de extrema vulnerabilidade. Publicações que, muitas vezes, são apresentadas sob o argumento de “antes e depois”, “conscientização” ou “resultado clínico”, mas que levantam uma questão incontornável: até que ponto isso é informação e a partir de quando se torna exploração?

A fronteira entre educação e sensacionalismo parece cada vez mais tênue. O que se vê, em muitos perfis profissionais, é espetacularização da miséria bucal. Imagens cruas, por vezes degradantes, são utilizadas como estratégia de engajamento, convertendo sofrimento humano em moeda de visibilidade digital.

Caruaru - São João na Roça

Por Silvino Teles Filho*

Dormir bem não é apenas uma questão de “descanso” ou luxo; é uma necessidade biológica fundamental que atua como a espinha dorsal da nossa regulação emocional e cognitiva. Quando negligenciamos o travesseiro, não estamos apenas ficando cansados, estamos comprometendo a química do nosso cérebro.

Aqui está uma visão detalhada de como essa relação funciona:

O cérebro em repouso: mais do que desligar

Durante o sono, especialmente na fase REM (Rapid Eye Movement), o cérebro processa experiências emocionais e consolida memórias. É como se houvesse uma “limpeza neuroquímica” que organiza as informações do dia e reduz a carga de estresse. Sem sono adequado, a comunicação entre o córtex pré-frontal (o centro lógico do cérebro) e a amígdala (o centro do medo e das emoções) é prejudicada.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Por Aldo Paes Barreto*

Tantos e tantos anos depois, lembro em detalhes dos acontecimentos no Recife, que culminaram com o golpe militar de 1964. Como está acontecendo atualmente, a cidade estava dividida. Naqueles últimos dias de março, os primeiros movimentos do golpe militar pareciam mais uma das tantas escaramuças que o recifense assistira nos últimos anos. Parte da sociedade civil queria a intervenção militar para combater o comunismo e a corrupção. A outra pedia o fim do capitalismo. Também como hoje, poucos sabiam, mas os interesses econômicos e políticos estavam longe daqui. Era a Guerra Fria.

Estudante vestibulando, fiquei zanzando pelo centro da cidade naquele resto de manhã do 1º de abril. O cursinho suspendera as aulas e poucos ônibus circulavam. Na confluência das avenidas Dantas Barreto e Guararapes, um grupo de jovens prosseguia na manifestação que tivera início da Escola de Engenharia, na Rua do Hospício, contra o golpe militar. As informações, desencontradas, diziam que o governador Miguel Arraes estava preso e era para o Palácio, já cercado pelo Exército, que os manifestantes se dirigiam.

Palmares - IPTU 2026

Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360

Barcelona amanheceu com o céu nublado na última quinta-feira (26), um frio de pouco menos de 10 ºC. Dia cinzento, nem parecia ter a primavera dado o ar da graça há menos de uma semana. Virou dia teimoso de inverno, a data que Noélia Castillo escolhera para ser a última e mais importante da sua vida. Às 18h, em plena hora do Angelus, tinha encontro marcado com a morte.

Demorou 601 dias até que aquela moça de 25 anos, cara e jeito de menina, olhos grandes e tristes, pudesse partir em paz. Na realidade, esperou quase toda a vida por aquele momento. Na Catalunha efervescente de política e independência, Noélia cresceu nas mãos da Generalitat, como é chamado o governo local. Nasceu em 14 de novembro de 2000. Ano de tragédias para os catalães: em junho, inundações, e, em 30 de dezembro, pelo menos sete esquiadores morreram nos Pirineus durante uma tempestade fortíssima com ventos que mais pareciam furacões.

Veja como o padrão de atuação da ANP é desigual em processos envolvendo refinarias no país. Os dados da tabela abaixo indicam que a Refit foi alvo de autuações rápidas, com tramitações em tempo recorde e multas máximas, enquanto casos semelhantes ocorridos com concorrentes, inclusive em situações piores e de maior risco, tiveram andamento mais lento, permaneceram pendentes ou sequer resultaram em processos sancionadores.

No primeiro caso envolvendo a Refit, a irregularidade apontada foi armazenar produtos para distribuidoras de combustíveis acima do volume previsto em contratos homologados anteriormente. O auto de infração foi lavrado em julho de 2025 (com base no período de abril de 2023 a março de 2025) depois de uma intervenção da Superintendência de Produtos Combustíveis (SPC), numa atuação que deveria estar a cargo da Superintendência de Fiscalização e do Abastecimento (SFI). Em apenas cinco meses, houve processo, defesa, alegações finais e julgamento, que culminou, em dezembro de 2025, numa multa no valor máximo — R$ 2 milhões — e até pedido de revogação da autorização da refinaria.

Por Zé Américo Silva*

Entre os dias 5 de março e 3 de abril de 2026, está aberta mais uma janela partidária no Brasil. Um mecanismo legal que permite a deputados federais e estaduais mudarem de partido sem perder o mandato. Criada como válvula de ajuste institucional, a regra acabou capturada por uma lógica muito mais pragmática — e muito menos republicana.

Na prática, a janela virou um período de intensa movimentação política, onde partidos disputam parlamentares como quem disputa ativos valiosos. Não se trata de exagero retórico. Trata-se de um mercado informal, porém evidente, em que mandatos são tratados como capital político negociável.

Por Antonio Magalhães*

O Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta instância do Poder Judiciário no Brasil, sempre foi um “puxadinho” do Poder Executivo. Em toda a história da Corte, os presidentes da República nomearam ministros simpatizantes ao regime vigente. Alguns, em determinados momentos, no entanto, agiram com independência, mesmo com o risco de perder o cargo, mas outros se entregaram totalmente ao poder vigente, como acontece hoje, que se vê um STF não mais como um ente subordinado, mas muito pior, como um sócio de governança, um “partido” que dá sustentação aos ditames do Executivo e extrapola a legalidade em benefício próprio.

Por isso, diante do desgaste da administração petista e a excessiva exposição negativa de suas ações e de seus integrantes, a Suprema Corte é mal vista pelos brasileiros. A recente pesquisa de opinião realizada pela AtlasIntel, apontou que 60% dos entrevistados não confiam no STF. Na mesma enquete, 70% dos nacionais acham que esta corte tem um alto grau de parcialidade. Que não trata todos os investigados da mesma forma. E o estudo aferiu ainda que 9 dos 10 ministros atuais da Corte são mais rejeitados do que os aprovados.