Bilhões em nome do povo administrados por quem não merece credibilidade

Por Cláudio Soares*

O fundo partidário brasileiro, que se aproxima da casa dos R$ 6 bilhões, escancara uma das contradições mais incômodas da política nacional: o financiamento público robusto de estruturas partidárias comandadas, em muitos casos, por figuras historicamente associadas ao pragmatismo extremo, à sobrevivência política e a sucessivos rearranjos de poder.

Nomes como Valdemar Costa Neto, Gilberto Kassab, Paulinho da Força, Baleia Rossi, Antonio Rueda, Ciro Nogueira e Edinho Silva representam diferentes espectros ideológicos, mas convergem em um ponto essencial: o controle de máquinas partidárias abastecidas por recursos públicos vultosos e recorrentes.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Por Antonio Magalhães*

O governo federal sabe onde o presidente Lula se hospeda e dorme todas as noites. Pode ser no Brasil ou fora do país, uma vez que ele gosta tanto de viajar e é uma figura pública. Já uma portaria do Ministério do Turismo extrapola o bom senso ao implantar um registro digital de hóspedes, invadindo a privacidade e informando onde os turistas brasileiros e estrangeiros estão abrigados, onde descansam à noite, de onde vêm e para onde vão, qual o transporte usado, o interesse turístico, a forma de pagamento das diárias e outras informações privadas e desnecessárias. A portaria, que começa a valer em abril, transforma o segmento de hospedagem em agentes de vigilância estatal totalitária ao entregar informações que o cliente lhe confiou. Parece a China, mas é o Brasil.

Este é o estranho mundo digital brasileiro que sancionou esta semana a Lei do Felca, ou ECA Digital, com o objetivo de proteger menores na internet, mas enfrenta críticas severas sobre a privacidade de dados, restrição excessiva à liberdade digital de jovens, bloqueio de jogos populares e a transferência da responsabilidade dos pais para o Estado. A exigência de verificação de idade rígida pode obrigar plataformas a coletar documentos oficiais ou biometria facial, gerando preocupações sobre o vazamento de dados sensíveis de menores.

Petrolina - Destino

Por Carlos Britto*

O presidente estadual do Partido Liberal (PL) em Pernambuco, Anderson Ferreira, recebeu mais do que uma missão do senador Flávio Bolsonaro: recebeu uma convocação estratégica. O ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes terá o desafio de consolidar um palanque robusto para a direita em nosso estado historicamente reconhecido pelo forte viés lulista.

A liderança de Anderson já vinha sendo chancelada nos bastidores. Durante o encontro da cúpula nacional do PL, realizado em Brasília nesta semana, o ex-prefeito demonstrou poder de articulação ao transitar entre as principais lideranças do partido no país.

Ipojuca - IPTU 2026

Por Julio Lossio*

A expressão “corda esticada” está sempre associada, na política, a movimentos que testam a tolerância da outra parte. Na política pernambucana, o deputado Eduardo da Fonte sempre foi conhecido como um craque nesse jogo da corda. Com uma bancada de deputados federais e estaduais de peso, soube ocupar espaços no governo federal e estadual. No governo estadual, percebendo a relativa fragilidade da governadora em relação à Assembleia Legislativa, usou a corda com força e obteve espaços invejáveis para qualquer grupo político.

A acomodação de seus aliados políticos o deixou tão confortável que se sentiu com liberdade para discutir com os dois polos da política atual a ocupação de chapa majoritária.

Caruaru - São João na Roça

Por Muciolo Ferreira*

Hoje, 17 de março, remete a uma pessoa bem especial pelo fato de tê-la até hoje como minha diva, a maior cantora que o Brasil já produziu. Falo da eterna “pimentinha” Elis Regina, que nos deixou muito cedo.

Também era a data de nascimento de Múcio Catão, o maior maquiador e artista pernambucano na arte de transformar rostos femininos em verdadeiras obras de arte quando as mulheres adentravam nos salões dos eventos sociais que reuniam a chamada “nata” da sociedade pernambucana.

Todavia, minha homenagem hoje vai para a aniversariante Nayla Valença Martins — a flor sertaneja, o girassol, esposa, companheira e musa inspiradora do jornalista, cronista, blogueiro e escritor Magno Martins. E qual o motivo de lembrar três pessoas de gerações tão diferentes jogando num único baú cultural? É só porque nasceram no dia 17 de março? Não. É porque são pessoas que admiro por admirar. A Elis Regina e o Múcio Catão pelo que eles foram como profissionais. Quanto a Nayla, é admiração pura e simples. E isso não tem explicação.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

O sol abriu hoje com mais luz e intensidade. Tão forte e belo como minha Nayla, que hoje celebra a vida, mais um aninho de mulher ao sol, feita ao sol e no sol da sua caliente Sertânia. Minha Nayla nasceu assim, fulgurando todo o pólen da flor do mandacaru, cheiro de marmeleiro, doce mel de engenho.

Eu sempre repito Vinicius de Moraes para ela: mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas. E como se ama uma mulher? Com graça e leveza, a leveza do resto de uma nuvem. Fiel ao princípio e o fim dos seus desejos. Dando o máximo amor que se possa dar.

Nayla nasceu magna para o encontro com o Magno da sua vida. Por isso é magnânima, gigante na beleza, guerreira nas adversidades, fortaleza como mãe, rocha como filha do sol. É meu porto seguro. Um presente divino que valorizo todos os dias ao nascer do sol, ao florescer a luz da lua.

Nossa história tem sido escrita com risos, beijos e sonhos. Desde o dia que a conheci seus sinais me confundem da cabeça aos pés, mas por dentro a devoro. Tenho fome da sua boca, da tua voz, do seu sorriso lindo, enfim.

Há homens secos, insensíveis, ríspidos, que não sabem pôr poesia e romantismo nos relacionamentos. Coitadinhos! Podem me chamar de cafona, mas sou ainda dos últimos românticos, daqueles que ainda mandam flores. Mulher amada é ar que se respira, é entrega, é desejo. Ilumina a alma, é sol do dia. Tudo numa mulher é bonito. Só os idiotas não pensam assim.

Todos os dias amanheço mais apaixonado ainda por minha Nayla, o amor da minha vida. Enxergo nela a flor do gênesis da mulher. Quando a contemplo, assim penso: Somos todos frutos de um ventre acolhedor e do querer de uma mulher. O doce querer, o amor incondicional de uma mulher, o amor indescritível de mãe.

A celebração da mulher deve ser feita com todas as letras, como figura de amor incondicional, força e beleza plural. Quando estava distante da sua amada, Rubem Alves, meu cronista preferido, do alto das montanhas de Minas escrevia cartas de amor.

Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel, escreveu ele. Que lindo! Rubem Alves nasceu, cresceu e morreu falando de amor, o sentimento mais profundo e importante da humanidade.

Sobre o encontro de almas gêmeas, escreveu: “A busca amorosa é a busca da pessoa que, se achada, irá completar a cena. Antes de te conhecer eu já te amava…. E então, inesperadamente, nos encontramos com rosto que já conhecíamos antes de o conhecer. E somos então possuídos pela certeza absoluta de haver encontrado o que procurávamos. A cena está completa. Estamos apaixonados”.

Para minha Nayla, que hoje faz um brinde ao lado da nossa família, sua mãe Ivete e suas duas amadas Marias – Beatriz e Heloisa – me despeço com o mesmo Rubem Alves: “Como a rosa que floresce porque floresce, eu te amo porque te amo”.

Palmares - IPTU 2026

Por Flávio Chaves*

Vivemos uma época em que quase tudo parece pesado demais. As notícias chegam carregadas de pressa, conflitos e desconfiança. Às vezes dá a impressão de que a humanidade está se tornando um lugar mais frio. No entanto, enquanto o barulho do mundo tenta nos convencer de que tudo está perdido, existe uma força discreta trabalhando silenciosamente para manter a vida de pé. Essa força não aparece nos discursos nem nos palcos do poder. Ela vive nos gestos pequenos, quase invisíveis, que acontecem todos os dias entre pessoas comuns. São eles que, sem que percebamos, continuam sustentando o mundo.

Há dias em que parece que tudo perdeu o rumo. As notícias chegam carregadas de pressa, de conflitos, de disputas intermináveis e de uma sensação estranha de que a humanidade anda cansada de si mesma. Quem observa a vida apenas pelas vitrines do barulho pode facilmente acreditar que o mundo se sustenta por causa das grandes decisões, dos palácios, das máquinas ou das engrenagens da economia. No entanto, existe uma verdade mais silenciosa e profundamente humana que raramente aparece nas manchetes. O mundo continua existindo por causa de coisas muito menores, quase invisíveis, delicadas como o sopro de uma lembrança boa.

Por João Batista Rodrigues*

Uma publicação do jornal Valor Econômico trouxe, nesta semana, dados alarmantes em relação ao equilíbrio financeiro e atuarial dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) do país. O levantamento retrata que apenas 20 entes com regimes próprios não apresentam déficit atuarial, de um total de 2.131 existentes. A situação é ainda mais preocupante no âmbito municipal: deste total, 2.078 são fundos geridos pelas prefeituras.

A existência de déficit atuarial na quase totalidade dos fundos significa, na prática, que essas instituições possuem hoje (e nas projeções futuras) menos recursos do que o efetivamente necessário para honrar o pagamento das aposentadorias e pensões prometidas. Como esses benefícios possuem natureza alimentar, a conta desse desequilíbrio recai sobre o tesouro das prefeituras, quando o correto seria a manutenção do equilíbrio entre receitas e despesas nos referidos fundos.

Por José Adalberto Ribeiro*

MONTANHAS DA JAQUEIRA – Um alquimista, aquele que transforma catrevagens em ouro, sonhou com uma serpente no jogo do bicho e resolveu construir uma fábrica de fumaça. Alugou uma sala, comprou lobistas, móveis e utensílios, capangas e marqueteiro. Acendam as luzes. A produção de fumaça vai começar a todo vapor, vapores malignos.

Um hotel de luxo na cidade de Taormina, região da Sicília, berço dos mafiosos na Itália, foi escolhido como cenário para um supershow do vendedor de fumaças. Imaginem vocês um espetáculo tipo Lollapalooza, free, com os astros Andrea Bocelli, Coldplay, David Guetta, os gringos mais badalados do show business internacional, com bebida, comida e periguetes de graça, e sete helicópteros à disposição dos convidados. O custo foi além dos 220 milhões de denários.

Por Flávio Chaves*

Durante décadas, enquanto o Brasil atravessava mudanças profundas em sua vida política e institucional, um pernambucano de formação técnica e temperamento sereno percorreu os caminhos da administração pública com discrição e firmeza. Deputado constituinte, senador da República, ministro de Estado e integrante do Tribunal de Contas da União, José Jorge de Vasconcelos Lima pertence a uma geração de homens públicos que ajudaram a construir os alicerces da democracia brasileira. Sua trajetória, marcada pela sobriedade e pela dedicação ao interesse público, agora ganha registro em uma obra que revisita episódios decisivos da política nacional.

Há biografias que contam apenas a história de um homem. Outras acabam revelando também o percurso de um país. A trajetória pública de José Jorge de Vasconcelos Lima pertence a esse segundo grupo. Engenheiro, professor, gestor público, deputado federal, senador, ministro de Estado e integrante do Tribunal de Contas da União, o pernambucano construiu ao longo de décadas uma carreira marcada pela sobriedade, pela capacidade administrativa e pelo compromisso com as instituições republicanas.