Abuso de poder nas redes sociais: quando o impulsionamento vira ilícito eleitoral

Por Diana Câmara

À medida que o processo eleitoral se adapta às dinâmicas digitais, as redes sociais deixam de ser meras ferramentas de comunicação para se consolidarem como verdadeiros espaços de disputa política. Nesse ambiente, o impulsionamento de conteúdo ganha protagonismo como estratégia de alcance e visibilidade, sendo prática admitida pela legislação eleitoral. No entanto, o uso dessa ferramenta exige cautela, pois, a depender das circunstâncias, pode ultrapassar os limites da legalidade e configurar ilícito eleitoral capaz de comprometer a própria lisura do pleito.

A legislação brasileira não proíbe o uso da internet nas campanhas eleitorais. Ao contrário, reconhece sua relevância e estabelece parâmetros para sua utilização, especialmente por meio da Lei nº 9.504/97 e das resoluções do Tribunal Superior Eleitoral. O impulsionamento de conteúdo é permitido, desde que realizado diretamente por candidatos, partidos ou coligações, com a devida identificação do responsável e o registro regular das despesas na prestação de contas. Trata-se, portanto, de um instrumento legítimo dentro do jogo democrático, desde que utilizado com transparência e observância das regras.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Por Marcus Prado*

Sabe-se, na história mundial da literatura, de escritores de todas as épocas, que deixaram seus arquivos secretos. Muitas vezes, o que chamamos de “gênio” é o resultado de uma escrita rigorosa; o que sobra no rascunho é a vulnerabilidade, o erro e o caminho tortuoso até à perfeição. A tortura da forma. Talvez o caso mais famoso seja o do poeta português Fernando Pessoa. Cada vez que se abre a sua “arca”, há sempre um novo tesouro. Vladimir Nabokov foi outro desses casos.

O autor de “Lolita” era obsessivo com o controle de sua imagem; deixou instruções para que sua esposa destruísse o manuscrito inacabado de “The Original of Laura”. Philip Larkin, poeta britânico, ordenou que seus diários fossem triturados após sua morte. Já J.D. Salinger, após o sucesso de “O Apanhador no Campo de Centeio”, isolou-se e continuou escrevendo por décadas sem publicar nada. Seus arquivos originais tornaram-se o “Santo Graal” literário, guardados sob sete chaves em sua casa em Cornish, longe de biógrafos e curiosos. Não se pode falar de originais secretos sem citar Franz Kafka. Foi demais…

Petrolina - Destino

Por Delmiro Campos*

A notícia lida no Painel do Estadão deste último domingo, apontando a possível indicação do senador Ciro Nogueira (PP), do Piauí, para presidir a federação União Progressista em São Paulo, vai além de um movimento de pacificação local. Ela evidencia, com clareza, o novo desenho partidário em curso no país.

Trata-se de um modelo decisório e determinante concentrado na direção nacional. O estatuto da federação, especialmente em seu art. 27, não deixa margem a dúvidas ao atrair para a instância superior a solução de conflitos estaduais, sobretudo nas definições sobre eleições majoritárias. Nesse contexto, Antônio Rueda e Ciro Nogueira assumem papel central na condução dos impasses.

Ipojuca - IPTU 2026

Por Flávio Chaves*

Receber, mais uma vez, a generosa homenagem de Fernando Machado, em sua já consagrada seção Pausa Poética, foi, para mim, motivo de alegria verdadeira e reflexão profunda. Não se trata apenas da gentileza de ver meu nome novamente acolhido. Trata-se, sobretudo, da honra de ser lembrado por Fernando Machado, um jornalista, colunista atento à vida cultural pernambucana e responsável por um blog que se consolidou como espaço de registro, memória, elegância e valorização da sensibilidade artística. Ser mencionado em um ambiente tão respeitado amplia o significado da homenagem e me toca de maneira especial.

Desta vez, esse gesto me alcança de forma ainda mais expressiva. Em outra ocasião, agradeci com a emoção natural de quem recebia uma distinção afetuosa. Hoje, volto a agradecer com a mesma sinceridade, mas também com a consciência de quem segue adiante, ampliando sua caminhada literária e jornalística. Por isso, esta nova homenagem tem para mim um valor ainda mais simbólico: ela representa não apenas uma lembrança generosa, mas a renovação pública de um compromisso com a palavra, com a cultura e com o exercício permanente da sensibilidade.

Caruaru - São João na Roça

Por Elio Gaspari
Do jornal O Globo

Entre propinas, festas, milicianos, consultorias e honorários, em três anos, Daniel Vorcaro aspergiu, numa conta de padaria, mais de R$ 1 bilhão. Contratou serviços de um ex-presidente (Michel Temer, com R$ 10 milhões), dois ex-ministros (Ricardo Lewandowski, do STF, com pelo menos R$ 6,1 milhões e Guido Mantega, da Fazenda, com R$ 14 milhões.) Nessa constelação de notáveis brilha o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes (R$ 80 milhões). Em quatro anos o Master gastou mais de R$ 500 milhões com advogados de 91 bancas.

A milícia privada de Vorcaro custou-lhe R$ 68,66 milhões em 2023. Nas asas de suas empresas voaram pelo menos três ministros do Supremo: Alexandre de Moraes, marido da doutora Viviane, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Este, como relator do caso Master, quis impor sigilo ao processo e tentou blindar a investigação.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

O mercado de mentoria empresarial vive um processo de expansão impulsionado pelo avanço da economia digital, pelo aumento do empreendedorismo e pela crescente demanda por orientação estratégica para empresas em fase de crescimento. Apesar desse movimento, o setor ainda apresenta fragilidades estruturais importantes, como baixa padronização, ausência de certificação institucional, forte dependência da marca pessoal dos mentores e pouca governança organizacional.

É nesse contexto que Janguiê Diniz cria a Mentor Capital Group (MCG), uma holding empresarial estruturada para consolidar autoridade, padronização, governança, escalabilidade e capital no mercado de mentoria empresarial. Constituída como uma Sociedade Anônima (S/A), inicialmente fechada, a organização nasce com governança corporativa implantada, auditoria formal e tese futura de abertura de capital (IPO).

Palmares - IPTU 2026

Por Silvino Teles Filho*

Viver com depressão é como carregar uma mochila invisível que fica mais pesada a cada passo. Psicoterapia e medicação são fundamentais para aliviar esse peso, mas existe um terceiro pilar que muitas vezes define a diferença entre estagnar e se recuperar: a rede de apoio.

Depressão não se enfrenta sozinho

A depressão é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como um transtorno que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo. Ela altera neurotransmissores, sono, apetite e a forma como interpretamos a realidade. Um dos sintomas centrais é o retraimento social. A pessoa se afasta, sente que é um fardo e passa a acreditar que ninguém pode ajudar.

Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360

Em 1979, os aiatolás derrubaram o regime do Xá Reza Pahlav, que fugiu em janeiro daquele ano. Imediatamente estourou a crise com o preço do petróleo disparando e um desarranjo mundial com insegurança e escassez. A crise do início dos anos 1970 ainda estava fresca na memória do planeta. Governos entraram em pânico, companhias pararam e seus navios vazios ficaram ancorados.

Os Estados Unidos do então presidente democrata Jimmy Carter fez embargo contra os iranianos. Passados 47 anos, a história se repete com Trump atacando o Irã junto com Israel sob o argumento de conter a escalada nuclear. Naquele mundo dos anos 1970, sem celulares e inteligência artificial, as coisas aconteciam mais vagarosamente, e a criatividade poderia superar obstáculos.

Isolado politicamente e com uma reeleição ameaçada, o deputado estadual Jarbas Filho, o Jarbinhas, dá mostras a cada dia de que está desnorteado. O que tem se visto nas recentes declarações do filho de Jarbas Vasconcelos é uma fúria crescente, talvez pela iminente derrota nas urnas, talvez pela falta de habilidade em articular uma candidatura consistente à reeleição.

O semblante fechado e o tom agressivo com os quais o deputado atacou o presidente da Alepe, Álvaro Porto, em uma rádio, nesta sexta, não escondem o que os números e as alianças já apontam: ele está perdido e tenta, a todo momento, se salvar.

Fontes ligadas ao Palácio e aos principais articuladores do Estado confirmam que o parlamentar vem perdendo terreno de forma acelerada. Jarbinhas, que antes circulava com desenvoltura, hoje assiste ao encolhimento de seu grupo e à perda de suas principais bandeiras. A raiva citada por interlocutores seria o reflexo de quem se sente desnorteado diante de um tabuleiro que já não consegue mais controlar.

A disputa de 2026 revela três estilos — e um eleitor ainda indeciso

Por Zé Américo Silva*

O Brasil de 2026 ainda não escolheu seu próximo presidente — mas já começou a escolher o estilo que quer ver no poder.

De um lado, Lula corre. Literalmente. Aos 80 anos, o presidente transforma a própria imagem em argumento político. Vídeos na academia, caminhadas aceleradas em eventos, gestos ensaiados para transmitir vigor. Mais do que governar, Lula parece empenhado em responder a uma pergunta silenciosa do eleitor: “ele aguenta?”. E responde com o corpo.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro salta. Sua estratégia é movimento, energia, presença constante. Em eventos, especialmente com jovens, encena dinamismo e tenta consolidar-se como herdeiro de um campo político que permanece mobilizado. Não é apenas discurso — é performance. Flávio quer parecer novo, mesmo carregando um sobrenome que representa continuidade.

E então há Ronaldo Caiado. Que não corre. Não salta. Trabalha a imagem de quem entrega.

Enquanto seus adversários disputam percepção, Caiado disputa credibilidade. Sua entrada no jogo se dá pelo contraste: menos espetáculo, mais currículo. Menos gesto, mais histórico. É uma aposta clara — ocupar o espaço de uma direita que quer vencer, mas sem repetir os excessos da polarização.

Os números da pesquisa Meio/Ideia ajudam a organizar esse cenário. Lula lidera o primeiro turno com 40,4%, seguido de perto por Flávio Bolsonaro, com 37%.  Não há folga. Há disputa.

No segundo turno, o dado é ainda mais revelador: Flávio aparece com 45,8% contra 45,5% de Lula — um empate técnico com leve vantagem do candidato da direita.  O país segue dividido ao meio, como já esteve antes, mas agora com novos protagonistas.

Caiado, por sua vez, ainda aparece com 6,5% no primeiro turno.  Um número modesto — mas politicamente relevante. Porque cresce. E cresce justamente no espaço onde há maior volatilidade.

E aqui está o dado mais importante da eleição até agora: mais da metade dos eleitores (51,4%) ainda pode mudar de voto.

Isso muda tudo.

Significa que Lula lidera, mas não consolida. Flávio cresce, mas ainda precisa provar que amplia. E Caiado aposta em algo raro na política recente: convencer, em vez de mobilizar.

Há, portanto, três campanhas em curso.

A de Lula, baseada na resistência — política e física.

A de Flávio, baseada na energia — ideológica e estética.

E a de Caiado, baseada na previsibilidade — administrativa e pragmática.

No fundo, o eleitor brasileiro está diante de uma escolha menos ideológica do que parece. Não se trata apenas de esquerda contra direita. Trata-se de estilo de liderança.

Quer um presidente que prove que ainda tem fôlego?

Um que encarne a continuidade de um projeto político já conhecido?

Ou um que ofereça a promessa de gestão sem espetáculo?

O problema — ou a oportunidade — é que o Brasil ainda não decidiu.

E, até decidir, vai assistir.

Um que corre, outro que salta e quem propõe entrega.

*Jornalista e consultor de marketing político