PF e imprensa implo­dem pacto de silên­cio

Editorial da Folha de S.Paulo

Foi abalado o pacto de silêncio tacitamente firmado nos últimos anos entre altas autoridades e a elite política do país em torno das evidências de alastramento da corrupção. A Polícia Federal, na esfera pública, e o jornalismo profissional, na sociedade, têm sido os responsáveis por fazer soar o alarme.

A esta altura, pode-se estimar o efeito da anestesia se ela ainda estivesse ativa com a sem cerimônia usada para suspender R$ 18,8 bilhões em multas da Lava Jato, Dias Toffoli teria enterrado qualquer investigação dos malfeitos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Por Italo Rocha*

O saudoso casal Hermilo Borba Filho e Leda Alves morava num dos andares mais altos do Edifício Dom João VI, no número 1353 km, na Rua dos Navegantes, em Boa Viagem. Hermilo era advogado, jornalista, escritor e teatrólogo. Leda era formada em Arte Dramática pela UFPE, foi atriz e dirigiu a Secretaria de Cultura do Recife, o Teatro Santa Isabel, a Fundarpe e a Companhia Editora de Pernambuco – Cepe.

Os dois se amavam e respiravam cultura por todos os poros. No apartamento, também vivia Maria Alves, sem parentesco com Leda. Maria era funcionária exemplar e o casal a idolatrava. Quando Neil Armstrong desceu na lua, em 20 de julho de 1969, Hermilo gritou bem alto:

— Maria, vem ver na TV o homem pisar na Lua!

Maria foi, olhou e não moveu um músculo sequer do rosto nem comentou nada.

Petrolina - Destino

Por Silvino Teles Filho*

A maternidade de crianças com condições do neurodesenvolvimento ou doenças crônicas — frequentemente chamada de “maternidade atípica” — envolve demandas emocionais, financeiras e sociais significativamente maiores quando comparadas à maternidade típica. Entre as condições mais frequentemente associadas estão o Transtorno do Espectro Autista, o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, paralisia cerebral, síndromes genéticas e doenças raras. Nesse contexto, muitas mães assumem o papel central de cuidadoras, o que pode resultar em sobrecarga crônica e maior vulnerabilidade ao adoecimento mental.

A rotina de mães atípicas frequentemente inclui uma série de responsabilidades adicionais: acompanhamento em consultas médicas, terapias multiprofissionais, intervenções educacionais, além da necessidade constante de monitorar o desenvolvimento e o comportamento da criança. Essa dinâmica exige disponibilidade contínua e reduz significativamente o tempo destinado ao autocuidado, lazer e descanso.

Ipojuca - IPTU 2026

Por Hylda Cavalcanti
Do jornal O Poder

O Brasil perdeu ontem (13), vítima de um infarto fulminante, uma das suas maiores jornalistas: Lêda Rivas. Era referência no jornalismo pernambucano, mas admirada por colegas de todo o país — e posso afirmar, sem dúvida, que era uma das nossas mais talentosas. Culta, detentora de títulos de mestrado e doutorado, aplicada, disciplinada e muito organizada, sempre chamou a atenção pela forma esmerada com que desenvolvia seu trabalho.

Escreveu para a Revista Cruzeiro; trabalhou durante mais de 20 anos no Diário de Pernambuco como editora do caderno Viver; criou, instalou e fez crescer o arquivo do Diário de Pernambuco; foi diretora de pesquisa do mesmo jornal; coordenou publicações e reportagens que ficaram na história e ganharam prêmios; atuou também na Fundação Joaquim Nabuco; deu aulas; fez muitos amigos; viveu, enfim!

Caruaru - São João na Roça

Por Marcelo Tognozzi
Colunista do Poder360

Será que o Supremo precisa mesmo de um código de conduta, como defende o ministro Edson Fachin? A Constituição, no seu artigo 101, especifica serem condições mínimas para nomeação de ministro a reputação ilibada e o notável saber jurídico. Alguém com reputação ilibada é ético, íntegro, sem manchas. O contrário de devasso, ensina Antônio Houaiss.

Se assim o é, por que a Corte necessitaria de um código de conduta? O filósofo Fernando Savater já escreveu muito sobre ética e comportamento humano. Um código de conduta não é nada mais do que um regulamento de compliance, desses adotados por empresas ou corporações e cujo único e principal objetivo é controlar e impor limites. Esse tipo de regramento parte do princípio de que os indivíduos a ele submetidos não são confiáveis do ponto de vista das suas condutas pessoais. Precisam ser vigiados.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Por Marlos Porto*

O episódio envolvendo a tentativa de visita do assessor do governo Donald Trump, Darren Beattie, ao ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão revela muito mais do que um desencontro diplomático entre Brasil e Estados Unidos. Expõe, em suas entrelinhas, uma fragilidade estrutural da posição brasileira no cenário internacional — fragilidade esta que é, em grande medida, produto da própria estratégia de confronto interno adotada pelo governo Lula.

Analisado em seus detalhes, o caso Beattie revela uma sucessão de trapalhadas de todas as partes envolvidas. O governo norte-americano errou ao não informar, desde a solicitação do visto, que o assessor pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O visto foi concedido com base em um propósito declarado — a participação em um fórum sobre minerais críticos em São Paulo — e a visita a Bolsonaro simplesmente não constava desse objetivo, conforme registrou o chanceler Mauro Vieira, em ofício ao STF.

Palmares - IPTU 2026

Por Zé Américo Silva*

Durante décadas, guerras e disputas políticas foram narradas por discursos oficiais, reportagens e debates públicos. Hoje, porém, grande parte dessas narrativas nasce e circula primeiro nas redes sociais — e cada vez mais com linguagem inspirada no cinema, nos videogames e na cultura pop digital.

A política contemporânea começa a adotar códigos narrativos típicos do entretenimento: trilhas épicas, cortes rápidos, estética cinematográfica e elementos visuais inspirados em jogos. Líderes são apresentados como protagonistas de grandes batalhas simbólicas, enquanto adversários são retratados como antagonistas de uma história em disputa. O resultado é uma comunicação mais emocional, dramática e altamente viralizável.

Marlos Porto*

Era segunda-feira, 9 de março de 2026, quando o padre Pierre El Raii, pároco maronita de Qlayaa, no sul do Líbano, ouviu o bombardeio que atingiu a casa de um paroquiano. Sem hesitar, correu com dezenas de jovens para socorrer os feridos. Foi então que um segundo ataque atingiu o mesmo local. O sacerdote de cinquenta anos ficou gravemente ferido. Morreu quase à porta do hospital, para onde foi levado sem conseguir entrar.

A operação militar israelense que matou o padre chama-se “Rugido do Leão” — uma ofensiva lançada contra o Irã e que se estendeu ao Líbano, pretensamente contra posições do Hezbollah. Por sua vez, o Papa Leão XIV, líder máximo da Igreja Católica, da qual os maronitas do Líbano fazem parte, expressou, por meio da Sala de Imprensa da Santa Sé, “profunda dor”. Na hora do Angelus, implorou que “cesse o barulho das bombas”. Palavras justas, mas que soam como um débil sussurro diante do rugido dos caças e das bombas.

Por Antonio Magalhães*

Música de protesto não derruba governo; serve mais para agregar a oposição contra um regime ditatorial, como aconteceu no período militar com as obras de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Geraldo Vandré, entre outros. Mas, neste estranho Brasil de hoje, um comediante de esquerda, Murilo Couto, criou uma canção para debochar do pré-candidato presidencial da direita Flávio Bolsonaro que se transformou, contra a vontade do autor, no seu hino de campanha pré-eleitoral. Em poucos dias chegou a ser um dos temas mais comentados nas redes sociais por milhões, e a canção “Meu amigo Flávio” foi apresentada em muitas versões e ritmos.

O tiro saiu pela culatra. O que seria um deboche ganhou o ciberespaço espantosamente. Ao lançar a música, Murilo Couto disse que compôs depois que Flávio Bolsonaro passou a segui-lo nas suas redes sociais. Disse também que passou a considerar a possibilidade de segui-lo de volta. “O filho do Bolsonaro quer ser meu amigo. Flávio. O meu amigo Flávio. Ele é muito sábio. Flávio Bolsonaro”, cantou no seu stand-up.

Por Inácio Feitosa*

Meu pai contava uma história curiosa. Dizia que antigamente era fácil reconhecer quando alguém atravessava a fronteira entre Pernambuco e Paraíba apenas pela qualidade das estradas. Ele narrava o caso de um ceguinho que viajava pelo interior de ônibus, seguindo em direção a Monteiro, terra dos meus antepassados, no Cariri paraibano.

Em determinado momento do caminho, o viajante dizia:
“Eita, Pernambuco danado, já saímos da Paraíba.”

Noutras ocasiões, no sentido inverso, a frase vinha com outro tom:
“Eita, Paraíba boa danada, já entramos aqui em boas estradas.”