O mais recente desconforto de Miguel Coelho (UB) não passou despercebido nos bastidores da política pernambucana. Aliados e lideranças próximas ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), interpretaram como mais um capítulo da insatisfação recorrente do ex-prefeito de Petrolina na tentativa de garantir um espaço na chapa majoritária que deverá ser liderada pelo PSB nas próximas eleições.
Ao ser questionado pelo blog Cenário, de Caruaru, se estava animado com a pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado, Miguel garantiu que o partido estará no palanque de quem acreditar no projeto do União Brasil, que busca viabilizar um espaço na majoritária para a Casa Alta.
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A declaração, segundo o mesmo blog, foi suficiente para que inúmeros setores da política fizessem diferentes interpretações sobre o “recado” enviado pelo ex-prefeito. Uma delas é a de que ele estaria disposto a recalcular sua rota para não ficar refém de uma aliança antecipada com a Frente Popular.
Segundo interlocutores do campo socialista, o movimento soou menos como estratégia e mais como ansiedade. Na avaliação desses aliados, ainda falta a Miguel maturidade política para compreender o ritmo e a lógica das grandes construções eleitorais. Não por acaso, dizem, cada novo movimento acaba reforçando a impressão de que o grupo político que o acompanha trabalha com uma ansiedade descontrolável.
A leitura não é nova. Nos bastidores, há quem recorde que o próprio Eduardo Campos já fazia observações pouco entusiasmadas sobre esse tipo de comportamento, enxergando com cautela alianças que se constroem mais pela conveniência do momento do que por projeto político. O prefeito, no entanto, tem reagido com a tranquilidade de quem sabe que o tempo costuma ser o melhor filtro da política.
A avaliação entre aliados é de que João seguirá trabalhando no compasso do calendário e com atenção redobrada àqueles que querem, de fato, ajudar a construir uma solução para o futuro de Pernambuco e não apenas tirar proveito imediato dessa ideia de futuro.
Um aliado próximo a João, em tom ainda mais direto, ironizou ao afirmar que Miguel Coelho “não tem partido, aliás nunca teve”. Segundo essa fonte, falta ao ex-prefeito uma identidade política clara, o que o leva a falar quase sozinho no Vale do São Francisco, como se o eco regional fosse suficiente para garantir protagonismo estadual.
Apesar da ironia e das críticas, o mesmo grupo reconhece que Miguel Coelho é, sem dúvida, uma liderança importante no sertão do São Francisco.
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