Coluna da terça-feira

Efeito Lula impulsiona João e reforça liderança na disputa em PE

A ampla vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco, revelada pelo Instituto Opinião em números abaixo, não apenas consolida a força do petista no Estado como projeta efeitos diretos sobre o cenário local. Traz benefícios imediatos ao ex-prefeito do Recife, João Campos, que já lidera com folga a disputa pelo Governo de Pernambuco.

A dianteira superior a 30 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro (PL) cria um ambiente político favorável ao campo progressista e tende a irradiar capital eleitoral para candidaturas alinhadas. O levantamento evidencia que Lula não apenas lidera, mas o faz com capilaridade social e territorial, alcançando índices expressivos em todas as regiões do Estado – com destaque para o Sertão e o São Francisco.

Petrolina - Destino

João consolida liderança e amplia pressão sobre Raquel

A pesquisa do Instituto Opinião reforça um cenário que já vinha se desenhando em levantamentos anteriores: a consolidação de uma disputa altamente polarizada em Pernambuco, com dois polos claramente definidos. Nesse contexto, o desempenho de João Campos (PSB) ao atingir 56% dos votos válidos indica não apenas liderança, mas um patamar eleitoral que, se mantido, configuraria vitória em primeiro turno — algo que depende diretamente da manutenção dessa concentração de votos em um ambiente com poucas candidaturas competitivas.

A tendência de um confronto essencialmente binário entre João Campos e Raquel Lyra (PSD) é um fator central para compreender o resultado. Em disputas desse tipo, a fragmentação do eleitorado é menor, e vantagens numéricas tendem a se traduzir com mais facilidade em desfechos eleitorais antecipados. Nesse cenário, ultrapassar a barreira dos 50% dos votos válidos se torna mais factível, especialmente quando há consistência regional e desempenho equilibrado em diferentes segmentos sociais, como aponta o levantamento.

Ipojuca - IPTU 2026

O desgaste no judiciário e a necessidade de reação

A crise de confiança no Poder Judiciário brasileiro ganhou novos contornos, ontem, após declarações públicas de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecendo a gravidade do cenário e a necessidade de enfrentamento institucional. As manifestações reforçam a percepção de desgaste da imagem da Justiça junto à sociedade e colocam em evidência desafios estruturais e de credibilidade.

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, admitiu que o país está “imerso em uma crise”, apontando para um ambiente de questionamentos que atinge diretamente o sistema de Justiça. A avaliação sinaliza preocupação com a relação entre o Judiciário e a população, em meio a críticas recorrentes sobre decisões, funcionamento e alcance das instituições.

Caruaru - São João na Roça

Depois de percorrer o Estado, João cresce e venceria já no 1º turno

A nova rodada da Datafolha sobre a disputa pelo Governo de Pernambuco oferece mais do que números: revela movimento político, tendência de crescimento e, sobretudo, mudança de clima na corrida eleitoral. O dado mais evidente é o avanço de João Campos (PSB), após iniciar uma agenda mais intensa pelo interior do Estado.

A presença fora da Região Metropolitana do Recife, historicamente decisiva em eleições estaduais, começa a produzir efeitos concretos. Ao transformar atos políticos em mobilizações expressivas, especialmente no Sertão, Campos demonstra capacidade de expansão territorial e conexão popular. O resultado aparece na pesquisa: 54% dos votos válidos, o que o colocaria em condição de vitória já no primeiro turno.

Esse movimento tem um peso simbólico relevante. Não se trata apenas de liderar, mas de crescer no momento em que a campanha ganha rua, corpo e capilaridade. Em eleições estaduais, esse tipo de inflexão costuma indicar não apenas consolidação de base, mas também potencial de atração de indecisos e eleitores moderados.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Datafolha contratada por empresa de Caruaru

A divulgação da pesquisa Datafolha sobre a corrida ao Governo de Pernambuco, prevista para hoje, está envolta em desconfianças. Embora o instituto tenha renome nacional, a classe política do Estado vê com reservas o fato de a empresa contratante do levantamento, que já encomendou outras sondagens de caráter duvidoso nos últimos meses, ter sede em Caruaru, reduto eleitoral de Raquel Lyra (PSD).

As suspeitas sobre a credibilidade do resultado aumentam porque, nas redes sociais, páginas pró-governo já celebram um suposto empate ou liderança da governadora antes mesmo de a pesquisa sair. A sondagem do Datafolha foi encomendada pela Rede Nordeste de Comunicação, controladora da TV Asa Branca e da Rádio CBN Caruaru, ao custo de R$ 120 mil.

Pesquisa do mesmo instituto divulgada em fevereiro e também contratada pelo veículo de comunicação de Caruaru já havia destoado de outros levantamentos nacionais. O Datafolha apontou uma diferença de 12 pontos entre Raquel e o líder das pesquisas, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), em um mesmo período em que Paraná Pesquisas e Real Time Big Data indicaram uma vantagem entre 20 e 22 pontos para o pré-candidato do PSB.

Palmares - IPTU 2026

Avante avalia candidatura de Cury, mas segue alinhado a Lula, diz Waldemar Oliveira

A entrevista de ontem do novo líder do Avante na Câmara, Waldemar Oliveira, ao podcast Direto de Brasília, trouxe à tona o debate interno do partido sobre a possibilidade de lançamento de uma candidatura própria à Presidência da República, ao mesmo tempo em que mantém alinhamento com o presidente Lula.

Waldemar confirmou que foi o responsável por apresentar o psiquiatra e escritor Augusto Cury ao presidente nacional da sigla, Luís Tibé. Segundo ele, o nome do intelectual está sendo discutido como pré-candidato. “Ele (Tibé) está com essa ideia de lançar o nome (de Cury) como pré-candidato a presidente da República e ver o que a população acha dessa possibilidade”, afirmou, acrescentando que a iniciativa partiu de uma aproximação construída ao longo dos últimos anos.

Ao comentar o perfil de Cury, o deputado destacou a formação acadêmica e o posicionamento do possível candidato. “É uma pessoa muito culta, muito inteligente, muito preparado, com doutorado, diversos livros escritos, professor universitário. É um cara extremamente equilibrado, que não é radical e não gosta de radicalismo”, disse. Em outro momento, voltou a mencionar o ambiente político atual para justificar a discussão em torno de novos nomes. “O Congresso e o Brasil estão precisando de muita razoabilidade, de pessoas equilibradas”, afirmou.

Wolney revigorado e com autonomia

Em nova fase no Ministério da Previdência, logo após renunciar à tentativa de voltar ao Congresso como deputado, o ministro Wolney Queiroz emplacou, ontem, a presidente do INSS, em uma afirmação da sua autonomia e prestígio com o presidente Lula (PT). Embora servidora de carreira, Ana Cristina Silveira, a nova dama de ferro do INSS, integra o grupo de Wolney.

Desde que substituiu Carlos Lupi, afastado por envolvimento no escândalo do INSS, Wolney não havia nomeado alguém da sua cota.
A escolha de Ana revela que ele passou a ter uma grande autonomia e o mesmo respaldo do presidente da República, já que o INSS é o principal instrumento de fomento e realização das políticas previdenciárias. O principal foco da nova gestão do INSS passa a ser a redução da fila de benefícios e a reorganização interna do órgão.

A chapa das incertezas

A indefinição da governadora Raquel Lyra (PSD) em relação a montagem da sua chapa não estende apenas o ciclo de ansiedade em quem tanto aguarda sem ter certeza da opção pelo seu nome, como é o caso do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), que sonha acordado em uma das vagas ao Senado.

Provoca também desgastes. A vice-governadora Priscila Krause (PSD) não sabe igualmente se será mantida na chapa da reeleição. Já está prejudicada porque se sobrar apenas a alternativa de disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados ou de volta à Assembleia Legislativa, como se especula, o cenário em busca de parcerias com prefeitos se estreitou. E muito!

João lidera e Raquel não converte aprovação em votos

A disputa pelo Governo de Pernambuco este ano começa a ganhar contornos mais definidos sob a lógica clássica de que “eleição é comparação”. No cenário atual, o embate entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) revela uma assimetria importante entre aprovação administrativa e intenção de voto, indicando que a avaliação de governo não tem se convertido automaticamente em capital eleitoral. A análise foi feita, a princípio, no jornal O Globo.

João Campos aparece, até aqui, como o nome mais competitivo. Amparado por alta aprovação à frente da Prefeitura do Recife, forte presença digital e pelo peso simbólico da herança política ligada a Miguel Arraes e Eduardo Campos, o socialista amplia sua influência para além da capital. Pesquisas recentes o colocam consistentemente na liderança, com índices que variam de cerca de 45% a mais de 50% das intenções de voto, em alguns cenários com possibilidade de vitória no primeiro turno. Esse desempenho reflete não apenas sua força na Região Metropolitana, mas também a capacidade de nacionalizar sua imagem dentro de um campo político alinhado ao lulismo.

Um parto que parecia sem fim

O pernambucano Jorge Messias vai ter, enfim, seu processo retomado para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destravou, ontem, a indicação do ainda advogado-geral da União. A sabatina foi marcada para 29 de abril, segundo garantiu o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator da indicação.

Já na próxima quarta-feira será feita a leitura do relatório na Casa Alta. Jorge teve que esperar mais de quatro meses após o anúncio do seu nome pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A leitura do relatório marca o início formal do processo e abre caminho para a realização da sabatina e, posteriormente, da votação no plenário.

Weverton afirmou que vai conversar com Messias e seguir ajudando na busca de votos. O avanço ocorre após uma semana de intensificação da articulação política em torno do nome de Messias. O governo montou uma força-tarefa envolvendo o líder no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), o líder no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), que conversaram com Alcolumbre sobre o tema.