Coluna da terça-feira

Em 30 dias de campanha, Raquel fez 26 agendas em horário do expediente

Os primeiros 30 dias de campanha eleitoral mostram que Raquel Lyra (PSD) não vem conciliando as agendas políticas com o expediente que precisa dar como governadora. Das 45 atividades públicas como candidata em dias úteis, 26 foram cumpridas em horários em que ela precisaria trabalhar como chefe do Poder Executivo, o que corresponde a 57% do total.

Em ao menos um terço do calendário já transcorrido, ela não teve como cumprir as oito horas de serviço como governadora. O expediente oficial do Governo de Pernambuco vai das 8h às 17h, com uma hora de almoço, conforme determinado pela Secretaria de Administração.

Campanha de Raquel não vai bem

Movimentos dos últimos dias mostram que a campanha de Raquel Lyra (PSD) entrou em uma situação delicada na reta final. Reunir-se com prefeitos para cobrar engajamento foi como dar um “reset” em tudo o que foi feito até aqui e que parece não ter sido suficiente para ela se descolar de João Campos (PSB), seu principal adversário, nas pesquisas de intenção de voto.

Áudios vazados da reunião realizada no sábado passado revelaram uma candidata debilitada e altamente dependente dos aliados em um momento em que deveria mostrar vitalidade. O evento foi um desastre, com mais de 100 ausências, deputado barrado na porta e uma fala infeliz de André Teixeira, vice-presidente do PSD e primo de Raquel, cobrando que prefeitos assegurem ao menos 70% dos votos em suas cidades para que ela não precise “nem pisar” no Recife, principal reduto de João Campos.

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A reação de João no empate do Datafolha

A mais recente rodada de pesquisa do Datafolha desenha com precisão a mudança de rota na disputa pelo Governo de Pernambuco: com a margem de erro de três pontos percentuais, os 47% de Raquel Lyra contra os 42% de João Campos colocam os dois líderes em um empate técnico real no limite da amostragem, reabrindo de vez uma corrida que muitos davam como precoce definição.

Mais do que a simples flutuação de dígitos, o que a pesquisa reflete é a recompensa de uma escolha tática e comportamental certeira do candidato do PSB. Em disputas acirradas, o instinto inicial de muitas campanhas acuadas costuma ser a retração ou o refúgio na vitimização.

João Campos optou exatamente pelo caminho inverso. No lugar de assumir o papel de vítima dos ataques ou das circunstâncias, assumiu a linha de frente. Chamou para si o peso da liderança, impondo um ritmo combativo e autônomo que devolveu energia à militância e restabeleceu sua posição como verdadeiro protagonista do processo eleitoral.

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Se não é nazifascismo, o que é então?

Numa simples consulta aos manuais históricos das eleições mais agressivas da humanidade, as campanhas com métodos nazistas e fascistas foram centradas no uso da violência para destruir opositores. Também recorreram a táticas específicas para manipular as massas, conquistar ou se manter no poder absoluto a qualquer custo. No capítulo da desumanização das campanhas fascistas, o adversário não é visto apenas como alguém que pensa diferente, mas como um “câncer” ou “traidor” que precisa ser eliminado.

Qualquer semelhança com os métodos usados pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), na sua campanha de reeleição para se manter no poder não é mera coincidência. Para destruir João Campos (PSB), seu rival na guerra eleitoral, a governadora parece não ter limites. Primeiro, uma reportagem em rede nacional de TV Record mostrou um grande esquema de monitoramento ilegal e espionagem envolvendo a Polícia Civil da gestão de Raquel contra aliados do então prefeito do Recife.

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Raquel, a candidata “Bolsonara”

Um dos recortes da pesquisa Quaest pouco explorados foi a relação entre os dois principais presidenciáveis e os candidatos ao Governo de Pernambuco. Segundo o levantamento, 57% dos eleitores identificam que João Campos (PSB) é o nome apoiado por Lula (PT) no Estado, ainda que um percentual alto (35%) indique que não sabe ou não tenha respondido.

Quando o questionamento é feito sobre Flávio Bolsonaro (PL), porém, 26% dos entrevistados associam o apoio dele a Raquel Lyra (PSD), nome que chegou a aparecer em rascunhos do filho de Jair Bolsonaro que vieram a público no início deste ano.

O dado chama atenção porque a governadora vem fazendo um esforço enorme para não deixar explícita essa relação. Recentemente, a coligação dela conseguiu decisão da Justiça para obrigar Mendonça Filho (PL), candidato a senador do bolsonarismo, a remover bandeiras e materiais gráficos em que cola a imagem dele à dela.

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José Múcio revisita trajetória política, relembra disputa com Arraes e reforça desejo de deixar a Defesa

Quarenta anos depois de enfrentar Miguel Arraes na disputa pelo Governo de Pernambuco, em 1986, José Múcio Monteiro atribui àquela derrota um papel decisivo na trajetória que o levaria à Câmara dos Deputados, ao Governo Federal, ao Tribunal de Contas da União e, hoje, ao Ministério da Defesa. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o pernambucano revisitou uma das eleições mais duras da política pernambucana e afirmou não se arrepender do caminho percorrido. “Eu existo por causa daquela derrota”, resumiu.

Múcio tinha 37 anos quando disputou o Palácio do Campo das Princesas contra Arraes, então com 70. O resultado abriu, segundo ele, uma trajetória diferente daquela que imaginava naquele momento. “Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, afirmou.

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Cadê os eleitores de Lula?

Num intervalo de 40 dias, estive por duas vezes em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, berço do movimento sindical do ABC, onde Lula ingressou na vida pública como líder dos metalúrgicos, cuja trajetória muito tempo depois o levou à Presidência da República. Por onde passo, por dever de ofício, converso com pessoas dos mais amplos segmentos da sociedade.

Confesso que não encontrei um ambiente favorável à reeleição do presidente, nem na primeira vez, quando acompanhei a convenção que homologou sua candidatura, tampouco ao longo do feriadão da Independência, no qual andei muito pela cidade em passeios turísticos com os meus filhos.

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Mendonça, o senador do coração de Raquel

Quanto mais se aproxima o dia de os eleitores encararem as urnas, mais fica explícita a relação entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o deputado Mendonça Filho (PL). Embora ela tenha tentado manter uma distância regulamentar em uma entrevista de TV, dizendo que o liberal não é seu candidato ao Senado, o que se vê, na prática, é justamente o oposto.

Há, de fato, proximidade e aliança, ainda que não formalizada em documentos de uma coligação. Se existe hoje um candidato ao Senado que demonstra fazer questão de estar ao lado da governadora, esse é Mendonça. O próprio deputado afirmou recentemente que, caso eleito, será o senador de Raquel.

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Moraes e Mendonça nas mãos de Alcolumbre

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a senadores que, diante de uma eventual pressão incontornável para abrir um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia adotar uma estratégia de “impeachment cruzado”, autorizando também a tramitação de um pedido contra André Mendonça. A movimentação teria como principal efeito político criar um equilíbrio de forças e evitar que o Senado fosse colocado diante de uma única frente de pressão contra o Supremo.

A estratégia ajudou a reduzir a temperatura das articulações nos últimos dias, sobretudo em meio ao aumento do embate entre ministros do STF. O cenário ganhou novos contornos na noite de quinta-feira (3), quando Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigação sobre Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. Na solicitação, Moraes apontou possíveis indícios de crime de responsabilidade e mencionou, entre os envolvidos no contexto das apurações, o próprio Alcolumbre, dando ao episódio uma dimensão política que ultrapassa a disputa entre os dois ministros.

Crise no STF: relatórios da PF apontam “viés político” e estratégia de Mendonça para ampliar poder na Corte

Relatórios de inteligência da Polícia Federal divulgados ontem apontam possível “viés político” na atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, à frente das operações Compliance Zero e Sem Desconto e associam determinados movimentos do magistrado a uma estratégia para ampliar seu poder dentro da Corte. O material, revelado em matérias do jornal O Globo, embasou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, que apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Moraes retirou o sigilo dos documentos, determinou que a Procuradoria-Geral da República fosse cientificada e encaminhou o material ao presidente do tribunal, Edson Fachin.

Em uma das análises, a PF relaciona diretamente a conduta atribuída a Mendonça a uma possível alteração no equilíbrio interno do Supremo. “A mais provável [explicação], no momento, é a de que esses movimentos integrem estratégia mais ampla do relator, com a intenção de ampliar seu poder no Supremo Tribunal Federal, a fim de aumentar as chances de fazer prosperar as visões de mundo do grupo político do qual faz parte”, diz o texto. A corporação também menciona uma possível tentativa de enfraquecer o grupo de ministros que, segundo os investigadores, “atuou firmemente em defesa da democracia”.

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