Coluna da segunda-feira

Enquanto os hospitais sangram, Raquel curte Noronha

A permanência da governadora Raquel Lyra (PSD) em Fernando de Noronha após cumprir agenda oficial na sexta-feira transformou-se em mais um símbolo da desconexão entre o Palácio do Campo das Princesas e a realidade enfrentada diariamente por quem depende da saúde pública estadual.

Em um momento em que Pernambuco convive com uma escalada de denúncias, imagens de superlotação e relatos de atendimento degradante nas maiores unidades hospitalares do Estado, a escolha política da governadora não poderia produzir outro efeito senão indignação.

Os corredores do Hospital da Restauração seguem sendo retrato permanente do colapso. Macas espalhadas, pacientes acomodados em condições precárias, acompanhantes vivendo jornadas exaustivas e profissionais submetidos a uma rotina desumana já deixaram de ser situações excepcionais.

Mais vazamentos abalam clã dos Bolsonaro

O vazamento de contratos, mensagens e documentos relacionados ao filme “Dark Horse”, autobiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, amplia a crise política em torno do núcleo bolsonarista e cria um foco de desgaste para o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República.

Embora o centro das revelações esteja no deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL), os documentos divulgados pelo Intercept Brasil colocam Flávio diretamente na articulação financeira do projeto e reforçam a percepção de que a família atuava de forma integrada em uma operação milionária cercada de controvérsias. Em um cenário eleitoral, a associação entre os irmãos tende a tornar impossível limitar os danos políticos apenas a Eduardo.

O principal elemento de desgaste decorre da contradição entre o discurso público de Eduardo e os documentos revelados. Enquanto o ex-deputado afirmou nas redes sociais que apenas cedeu direitos de imagem para o filme sobre o pai, contratos assinados por ele o colocam como produtor-executivo, com participação em decisões estratégicas e financeiras da produção. As mensagens obtidas pelo Intercept reforçam essa participação ao mostrarem Eduardo discutindo mecanismos de remessa de recursos aos Estados Unidos e estratégias para acelerar transferências internacionais.

Jaboatão dos Guararapes - Operação Chuvas

“Flávio precisa dar explicações o mais rápido possível”, diz Girão sobre caso Master

Ao longo desta semana, a crise provocada pelo escândalo do Banco Master atingiu um novo patamar dentro da oposição e já começa a produzir efeitos sobre o tabuleiro da sucessão presidencial de 2026. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) precisa dar “explicações o mais rápido possível” sobre os áudios divulgados envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o senador, as informações sobre os valores cobrados por Flávio ainda são desencontradas, mas o episódio levanta dúvidas num momento em que a direita tenta construir um nome competitivo para enfrentar o presidente Lula (PT) em 2026. “A gente precisa de alguém que enfrente os poderosos e que esteja sem nenhum tipo de problema na Justiça”, afirmou. Ao defender a instalação de uma CPI ou CPMI para investigar o Banco Master, Girão resumiu: “Quem for podre que se quebre”.

Petrolina - São João 2026

Ungida por Flávio Bolsonaro, Raquel teme desgaste após vazamento de áudio

O vazamento do áudio em que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Planalto, aparece tratando de arrecadação financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro para o filme do seu pai, Jair Bolsonaro, lançou uma nova sombra sobre a governadora Raquel Lyra (PSD).

Mais do que o conteúdo constrangedor do diálogo, o episódio ganhou contornos ainda mais delicados em Pernambuco porque, entre as anotações atribuídas ao núcleo político bolsonarista, o nome da governadora aparece acompanhado de uma observação simbólica e politicamente explosiva: “Tamo junto”.

A expressão, aparentemente simples, carrega um peso devastador no ambiente político atual. Ela sugere alinhamento, afinidade e compromisso político num momento em que o entorno de Bolsonaro volta ao centro de controvérsias envolvendo financiamento, articulações paralelas e bastidores pouco republicanos.

Ipojuca - Na palma da sua mão

A maquiagem da Restauração derreteu

Uma máxima na política é a de que, para render dividendos eleitorais aos governantes, as obras precisam ser vistas pela população. E Raquel Lyra (PSD) parece ter levado esse conceito a sério. Insatisfeita com a falta de repercussão da reforma de apenas dois andares do Hospital da Restauração (HR), que ninguém viu e acabou sucumbindo diante da continuidade dos problemas históricos da unidade, ela resolveu apostar na pintura da fachada, que causa impacto visual na Avenida Agamenon Magalhães, em pleno reduto de seu principal adversário nas eleições deste ano, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).

Desde 28 de abril, as redes sociais da governadora e de seu governo postaram à exaustão imagens da intervenção externa. Influenciadores e páginas patrocinadas pela gestão estadual também foram escalados para turbinar o conteúdo positivo, assim como a vice-governadora Priscila Krause (PSD). O ex-secretário Daniel Coelho (PSD) fez o mesmo, mas não teve muita sorte.

Caruaru - São João na Roça

O efeito Master em Flávio e Lula

Vítima de uma operação da Polícia Federal na semana passada, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) arrastou o pré-candidato ao Planalto da direita, Flávio Bolsonaro, para o furacão do escândalo Banco Master. O que se diz em Brasília é quanto mais essa podridão atingir congressistas e governadores do Centrão, mais difíceis serão as explicações que Flávio Bolsonaro terá de dar.

Por outro lado, quanto mais os holofotes iluminarem ministros do STF, pior para o presidente Lula (PT), candidato à reeleição. Tem muito político graúdo dormindo sob efeito de tranquilizantes em razão de uma nova operação da Federal prevista para o final desta semana, entre quinta e sexta-feira.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

A maior vitória de Lula

Foi mais do que um gesto diplomático entre os presidentes Lula (PT) e Donald Trump, dois líderes que vinham atravessando meses de tensão comercial e política. A reunião realizada em Washington representou uma vitória política para Lula em meio a um cenário doméstico de desgaste, investigações e derrotas no Congresso.

O encontro resultou na suspensão temporária das tarifas americanas sobre produtos brasileiros por 30 dias e abriu conversas sobre minerais críticos e terras raras — um dos temas centrais da disputa. Lula conseguiu converter uma reunião inicialmente prevista para durar cerca de 30 minutos em um encontro de aproximadamente três horas.

Palmares - Casa Azul

Priscila na corda bamba

A demora da governadora Raquel Lyra (PSD) em definir a sua chapa da reeleição já começa a provocar movimentações e especulações nos bastidores políticos. Apesar do discurso público de cautela e equilíbrio político, aliados da gestora admitem reservadamente que existe uma forte desconfiança em relação à permanência de Priscila Krause na vice.

Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que Raquel tem acumulado incômodos com a postura política de Priscila, especialmente pela avaliação de que ela tenta constantemente dividir protagonismo dentro da gestão estadual, buscando espaço próprio em agendas, anúncios e articulações políticas.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Operação da PF empurra escândalo do Master para a pré-campanha de Flávio

A ofensiva da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ontem, empurrou o escândalo do Banco Master para o centro da articulação política da oposição e atingiu em cheio a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, presidente nacional do PP e um dos principais operadores da federação União Progressista, Ciro passou a ocupar o núcleo político da investigação sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com integrantes do Congresso.

A operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atingiu uma aliança considerada estratégica pelo entorno de Flávio. Assessores do senador trabalhavam para aproximar o PL da federação formada por PP e União Brasil, movimento visto como essencial para ampliar tempo de televisão, fundo partidário e palanques estaduais em 2026.

A cautela ficou evidente na reação pública do próprio Flávio. Em nota divulgada após a operação, o senador evitou citar Ciro nominalmente e classificou as informações como “graves”. “Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, afirmou. O parlamentar também destacou a condução do caso pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro.

Múcio distensiona relação de Lula com Alcolumbre  

Atual ministro da Defesa, o pernambucano José Múcio Monteiro entrou para a história como o mais duradouro e melhor ministro de Articulação Política da República no segundo mandato de Lula, de 2007 a 2009, substituindo Tarso Genro. Vocacionado engolidor de sapos, exerce o ofício da política para apagar incêndios com a conhecida paciência de Jó.  

Desde a derrota do Governo no Senado, na semana passada, quando o presidente Lula não conseguiu emplacar o também pernambucano Jorge Messias no STF, Múcio age silenciosamente nos bastidores para distensionar a relação de Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.