Coluna da terça-feira

Uma diferença clara

O conjunto de agendas e fatos recentes evidencia dois movimentos distintos na condução da crise provocada pelas chuvas em Pernambuco. De um lado, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), e o atual gestor da capital, Victor Marques, têm atuado de forma articulada junto ao Governo Federal, priorizando a mobilização institucional e a busca por soluções estruturais.

De outro, a governadora Raquel Lyra (PSD) aparece em um movimento mais reativo, com iniciativas que ocorreram posteriormente aos primeiros desdobramentos da crise.

No caso do ex-prefeito, a atuação se deu em múltiplas frentes: articulação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diálogo com o senador Humberto Costa , além da coordenação com prefeitos e com a Defesa Civil Nacional.

Sebrae - Esquenta semana do MEI

Federação Progressista, o impasse na chapa de Raquel

Maio chegou, daqui a pouco os festejos juninos batem à porta sem a governadora Raquel Lyra (PSD) bater o martelo em relação a montagem da sua chapa. Enquanto João Campos (PSB), com quem polariza a disputa, já percorre o Estado com o vice e seus dois candidatos ao Senado, nem o vice Raquel escolheu.

A única sinalização que deu seria a presença do deputado Túlio Gadelha, que fez a travessia da Rede para o PSD, na disputa por uma das vagas ao Senado. Mesmo assim, nada de oficial. Nem mesmo a vice-governadora Priscila Krause tem certeza da sua candidatura à reeleição.

Jaboatão dos Guararapes - Operação Chuvas

O Desenrola ainda enrolado

Em mais uma cartada eleitoral com vistas à reeleição, o presidente Lula (PT) anunciou a criação do que ele chamou de “Novo Desenrola Brasil” em pronunciamento na véspera do 1º de maio, Dia do Trabalhador. O programa é um novo pacote de medidas para reduzir o endividamento das famílias por meio de renegociações com bancos.

O presidente afirmou que vai lançar na próxima segunda-feira. O que se sabe já de antemão é que deve permitir a troca de dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia por um contrato mais barato.

Petrolina - Destino

O último a sair apague a luz

Duas derrotas acachapantes seguidas, um dia após o outro, dão uma sensação de que o governo Lula desmoronou. O último que sair, favor apagar a luz. Em Brasília, onde acompanhei de perto os dois reveses — o primeiro, a rejeição de Jorge Messias para o STF, e o segundo, a derrubada do veto de Lula ao projeto de redução das penas dos envolvidos nos atos golpistas de 2023 —, o presidente e os aliados andam de cabeça baixa.

O Centrão, os partidos de direita e, principalmente, os bolsonaristas, encerraram a sessão do Congresso Nacional de ontem, após a segunda derrota seguida do governo, com um sonoro “Fora Lula”. Nas duas votações, o grande vitorioso atende pelo nome de Davi Alcolumbre, senador do Amapá pelo União Brasil, presidente da Casa Alta.

Ipojuca - Na palma da sua mão

Alcolumbre desmoraliza Lula

A maior derrota de Lula tem um algoz: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB-AP). Nos bastidores, ele articulou voto a voto para desmoralizar o governo, mostrando força e liderança. Nunca na história se viu algo tão avassalador. Nunca um governo errou tanto na articulação e na condução do processo.

A derrota materializada ontem foi anunciada e prevista desde novembro, quando o próprio presidente do Senado liderou uma rebelião contra a indicação de Jorge Messias, porque queria e defendia outro nome bem mais assimilável: o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG). O governo foi alertado o tempo todo que Messias não passava.

Caruaru - São João na Roça

Ministra das Mulheres diz que deputados travam lei contra misoginia: “Machistas e misóginos não vão votar a favor”

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes (PT), defendeu, ontem, no podcast Direto de Brasília, comandado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco, a aprovação do projeto de lei que transforma a misoginia em crime. Para ela, a medida é essencial para enfrentar agressões, discursos de ódio e perseguições contra mulheres em diferentes espaços da sociedade, inclusive na política.

“A misoginia é crime. Uma pessoa que é violenta, isso é crime. Então, aí nós não podemos aceitar de lado nenhum”, afirmou a ministra. Segundo Márcia, a proposta já foi aprovada no Senado e agora está na Câmara, onde enfrenta resistência de setores conservadores. “Deputados que são machistas e misóginos não vão votar a favor dessa lei, mas eu tenho certeza que a sociedade já está mobilizada”, disse.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

O ‘Quem quer dinheiro?’ do baú da Compesa

Como era esperado, a governadora Raquel Lyra (PSD) aproveitou o congresso estadual dos prefeitos, ontem, no Recife, para palanque eleitoral. Além de assinar o edital para duplicação da BR-232 no trecho entre os municípios de São Caetano e Belo Jardim, distribuiu dinheiro para quase todos os prefeitos presentes.

Parecia reviver Silvio Santos no seu “Baú da Felicidade”: “Quem quer dinheiro?” Só faltou imitar o refrão do comunicador diante de prefeitos sedentos por recursos. A dinheirama, simbolizada em cheques gigantes exibidos pelos gestores contemplados, sai do baú em que se transformou a Compesa com a sua privatização disfarçada de concessão.

Palmares - Casa Azul

A “realidade paralela” de Raquel

A ideia de uma “realidade paralela” ajuda a explicar o tom adotado pela governadora Raquel Lyra (PSD), que teve o atrevimento de postar em suas redes que o Palácio das Princesas, sede do Governo do Estado, estava sendo aberto, finalmente, ao povo pernambucano pela primeira vez, somente com a sua chegada ao poder.

Isso em parte dá o tom de sua comunicação política. Ao sugerir, ainda que indiretamente, que Pernambuco começa a existir a partir de sua gestão, constrói-se uma narrativa que ignora deliberadamente a trajetória histórica do Estado, como se antes não houvesse avanços em infraestrutura, saúde, educação ou segurança pública.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Com aval de Lula, PT lança manifesto e convoca “mutirão” em defesa da democracia contra o bolsonarismo

Sob orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cúpula do PT vai apresentar, no 8º Congresso do partido, neste fim de semana, o manifesto “Construindo o Futuro”, que propõe a formação de um mutirão em defesa da democracia contra o bolsonarismo. O texto também antecipa diretrizes do programa de governo e busca repetir o movimento de 22, ampliando o apoio político além da base tradicional da legenda.

“Faz-se necessário consolidar um amplo processo de concertação social que supere a fragmentação e institua um novo pacto pelo desenvolvimento nacional”, diz o manifesto, ao defender a articulação entre setor produtivo, trabalhadores e movimentos sociais.

A menos de seis meses das eleições, o partido retirou da versão final temas considerados sensíveis e priorizou pontos de convergência interna. Ficaram de fora discussões como mudanças no estatuto, guinada à esquerda e propostas mais amplas na economia.

Raquel cada vez mais à direita

A movimentação política recente em Pernambuco deixa de ser episódica e passa a indicar um padrão mais estruturado. A postagem de ontem neste blog expõe um gesto carregado de simbolismo: às vésperas da agenda do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, aliado direto do presidente Lula (PT), setores vinculados à governadora Raquel Lyra (PSD) aparecem prestando homenagem ao senador Flávio Bolsonaro (PL), uma das principais referências do campo do conservadorismo e do bolsonarismo no País.

Não se trata de um detalhe casual ou sem importância. Em política, gestos constroem narrativas e, sobretudo, revelam alinhamentos. Enquanto a presença de Boulos poderia sugerir uma aproximação institucional com o Governo Federal, o movimento paralelo de valorização do filho do ex-presidente aponta, de forma mais objetiva, para outro campo político.