Coluna da sexta-feira

Lula pode dar o impulso final à campanha de João

A vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pernambuco hoje, para reforçar publicamente seu apoio a João Campos, pode representar um novo momento na disputa pelo Governo do Estado. Na reta final da eleição, a presença do petista ao lado do candidato do PSB tende a ampliar a visibilidade da campanha e a colocar no centro do debate a associação política entre o presidente e João.

O movimento ocorre em um cenário de aproximação nas pesquisas. No Datafolha divulgado ontem, Raquel aparece com 48% e João Campos com 44% no primeiro turno, uma diferença de quatro pontos dentro da margem de erro de três pontos.

No levantamento anterior do instituto, realizado no início de setembro, a vantagem era de cinco pontos: 47% a 42%.

“Faz sem ela saber” pode ser fatal para Raquel

“Faz sem ela saber”. A frase dita pela governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), sugerindo a realização de uma laqueadura sem o consentimento da paciente, tem tudo para entrar no rol de declarações que foram marcantes para derrotas eleitorais de seus autores.

O caso veio à tona no último domingo, após o Portal Metrópoles publicar um vídeo em que a gestora aparece na inauguração da ala pediátrica do Hospital Dom Moura, em Garanhuns, respondendo ao que parece ser uma funcionária da unidade. A mulher diz a Raquel que recebeu uma gestante com sete filhos, ao que a governadora sugere que a coloque na fila para a laqueadura.

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Presidente da Abrapel alerta para o peso da abstenção na disputa presidencial

A disputa presidencial chega à reta final com um cenário de estabilidade nas pesquisas, mas a abstenção pode alterar o resultado, especialmente se atingir os segmentos de menor renda. A avaliação é da cientista política e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Mara Telles, que, em entrevista ao podcast Direto de Brasília, chamou atenção para dois fatores capazes de influenciar a eleição: o efeito dos levantamentos de intenção de voto sobre as escolhas dos eleitores e a dificuldade dos institutos de antecipar quem efetivamente comparecerá às urnas.

Para Mara, as pesquisas não apenas registram a preferência do eleitorado, mas também podem interferir nas decisões tomadas nos últimos dias de campanha, inclusive pela opção pelo voto útil. “Sim, as pesquisas mudam os rumos das eleições na reta final. Pode ser que influenciem um plebiscito, pelo voto útil”, afirmou. A cientista política ressaltou, porém, que os levantamentos oferecem uma fotografia do momento e não impedem mudanças de opinião. “Temos inúmeros elementos que podem mudar a opinião do eleitor que não está cristalizado, que não tem uma posição de afeto com o candidato”.

Caruaru - Minha rua nova

João propositivo diante de uma Raquel sem respostas

O debate da TV-Guararapes, ontem, protagonizou, mais uma vez, um cenário que os pernambucanos vêm acompanhando ao longo da campanha: o candidato do PSB a governador, João Campos, extremamente propositivo, afirmativo e seguro ao apresentar caminhos para o futuro de Pernambuco. Do outro lado, a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, fugindo das respostas para as questões importantes que chegam ao centro da disputa.

O episódio da laqueadura, com forte repercussão nacional, foi de largada abordado pelo candidato do Psol, Ivan Moraes, para uma governadora apática, que foi logo pedindo desculpas, revelando dificuldades em responder aos questionamentos que estão sendo colocados pela sociedade.

A diferença ficou clara: enquanto João procurou apresentar propostas, compromissos e uma visão de futuro para Pernambuco, Raquel tentou resgatar uma memória do passado, sem conseguir oferecer respostas convincentes para as questões do presente e, principalmente, sem apresentar com clareza as perspectivas para o futuro.

Ipojuca - Na palma da sua mão

O que a fala de Raquel revela sobre o poder de decidir pelo corpo de uma mulher pobre

Há frases que podem ser classificadas como infelizes. E outras que obrigam a sociedade a discutir algo muito maior do que o constrangimento de quem as pronunciou, como esta: “Mas faz sem ela saber! Vai!” Saiu, pasmem, da boca da governadora Raquel Lyra (PSD) em meio a uma visita ao Hospital Regional Dom Moura, em Garanhuns, em maio de 2025.

O vídeo, com a lamentável frase, veio a público, ontem, e mostra a governadora conversando com pessoas que aparentam integrar a equipe da unidade sobre uma paciente grávida que, segundo o relato ouvido por ela, já teria sete filhos. Na sequência, Raquel fala em colocá-la na fila para uma laqueadura e, depois de uma resposta inaudível, afirma que o procedimento deveria ser feito sem que a mulher soubesse.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

A bombada eleitoreira do Bolsa Família

Diante do bombardeio da oposição e da reprovação da sociedade, por representar uma medida com desconfiança de propósito eleitoral, o governo Lula apelou, ontem, ao Supremo Tribunal Federal para que reconheça a legalidade do decreto que aumentou os valores do Bolsa Família em ano eleitoral.

O pedido foi apresentado um dia depois de o governo publicar decreto que reajustou os benefícios em 15,04%, correspondente à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto deste ano. O piso garantido às famílias, por exemplo, passa de R$ 600 para R$ 691. Os novos valores começam a produzir efeitos financeiros no primeiro dia do mês seguinte à publicação do decreto.

Palmares - Forró Mares 2026

Felipe Santa Cruz critica sessão do STF e alerta para risco de eleição pautada pela Corte

O ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, classificou como um “desserviço ao Brasil e à própria Corte” a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) da última terça-feira (15), marcada por embates entre ministros durante a discussão dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o advogado pernambucano avaliou que a polarização política chegou ao Supremo e contaminou o debate institucional.

Santa Cruz afirmou ter acompanhado a sessão “com muita preocupação” e criticou especialmente o tom adotado pelos ministros. “O STF teve uma tarde de muita agressividade. Em vários momentos, a sessão passou do que era aceitável”, disse. Para ele, houve “excessos de parte a parte” e faltou a solenidade compatível com o papel desempenhado pelo tribunal. “O STF não só é a Corte Magna da República, como também é quem fala por último, inclusive no conflito entre os outros Poderes. Então, há que se resguardar uma certa solenidade, que foi abandonada na terça-feira”.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Decisão leva STF ao sangramento

O que era esperado aconteceu: a grande expectativa gerada pela sessão de ontem do STF, destinada a discutir se o ministro Alexandre de Moraes seria investigado pelos áudios vazados que o envolvem com o banqueiro Daniel Vorcaro, não entrou na discussão do seu mérito porque o ministro Flávio Dino pediu vista. Dino terá um prazo de 90 dias para devolver o caso ao plenário da Corte.

Uma das questões levantadas por Dino é que o relatório sobre Moraes foi feito a pedido de Mendonça, então relator do caso Master. No entanto, Fachin afastou o colega da investigação, tomando-a para si. Segundo Dino, essa não seria uma prerrogativa do presidente do Supremo.

Camaragibe - IPTU Verde 2026

Em 30 dias de campanha, Raquel fez 26 agendas em horário do expediente

Os primeiros 30 dias de campanha eleitoral mostram que Raquel Lyra (PSD) não vem conciliando as agendas políticas com o expediente que precisa dar como governadora. Das 45 atividades públicas como candidata em dias úteis, 26 foram cumpridas em horários em que ela precisaria trabalhar como chefe do Poder Executivo, o que corresponde a 57% do total.

Em ao menos um terço do calendário já transcorrido, ela não teve como cumprir as oito horas de serviço como governadora. O expediente oficial do Governo de Pernambuco vai das 8h às 17h, com uma hora de almoço, conforme determinado pela Secretaria de Administração.

Campanha de Raquel não vai bem

Movimentos dos últimos dias mostram que a campanha de Raquel Lyra (PSD) entrou em uma situação delicada na reta final. Reunir-se com prefeitos para cobrar engajamento foi como dar um “reset” em tudo o que foi feito até aqui e que parece não ter sido suficiente para ela se descolar de João Campos (PSB), seu principal adversário, nas pesquisas de intenção de voto.

Áudios vazados da reunião realizada no sábado passado revelaram uma candidata debilitada e altamente dependente dos aliados em um momento em que deveria mostrar vitalidade. O evento foi um desastre, com mais de 100 ausências, deputado barrado na porta e uma fala infeliz de André Teixeira, vice-presidente do PSD e primo de Raquel, cobrando que prefeitos assegurem ao menos 70% dos votos em suas cidades para que ela não precise “nem pisar” no Recife, principal reduto de João Campos.