Coluna da segunda-feira

Wal curou os males da política

No Brasil, notadamente em Pernambuco, a política anda em baixa, modorrenta, sem graça. E ficou mais pobre ainda com a morte do deputado Waldemar Borges (PSB), no sábado passado. Wal, como era tratado pelos amigos, era um político diferenciado. Tinha a exata noção do poder, não do seu usufruto, mas da compreensão de transformar sociedades e moldar o futuro.

Era ético, correto, inimigo da deslealdade. A ética na política não é uma escolha, é uma obrigação e assim cumpriu à risca o agora saudoso Wal, cuja excelência na vida pública herdou do pai, o também ex-deputado Waldemar Alberto Borges Rodrigues Filho, conhecido como Deminha, que Deus chamou em 2023, aos 93 anos.

Sebrae - Fazer dar certo

A ligação que esvaziou o discurso de Túlio

A relação entre o presidente Lula (PT) e o pré-candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos, ganhou um novo capítulo, colocando em xeque a narrativa apresentada pelo deputado federal Túlio Gadelha (PSD). De acordo com o parlamentar, que é pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), Lula “não estava feliz” ao gravar um vídeo de apoio à pré-candidatura de João ao Governo, no último mês. Túlio sugeriu que o gesto teria ocorrido por circunstâncias políticas, e não por convicção, citando, inclusive, que Lula estaria constrangido com o ato.

Porém, ontem, um fato público caminhou em direção oposta. Durante agenda em Brasília, Lula telefonou espontaneamente para João, que participava de um evento em Garanhuns. Na ligação, pediu que ele transmitisse um recado ao público presente. “O presidente ligou e pediu para tirar uma foto com o quadro de dona Lindu. A gente colocou o quadro aqui na frente. Ele estava tirando a foto e, por isso, pediu para interromper a transmissão”, relatou João em vídeo postado no Instagram. O gesto ocorreu de forma natural e foi interpretado como mais um sinal da boa interlocução entre os dois.

Caruaru - Transparência 2026

Kassab se sente “laranja chupada”

Nos bastidores da política nacional, cresce a percepção de que a governadora Raquel Lyra (PSD) soube utilizar o PSD para ampliar seu espaço político e, agora, tenta distribuir gestos à esquerda. Ao mesmo tempo, mantém ao seu lado o neodireitista Túlio Gadelha, que transferiu da Rede para o seu partido e que atua na articulação junto ao eleitorado de direita e conservador.

A estratégia evidencia o esforço da governadora para tentar dialogar com todos, a qualquer custo. Quem acompanha esse movimento com atenção é o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, além do presidenciável Ronaldo Caiado, que recentemente anunciou Kassab como seu companheiro de chapa em seu projeto nacional.

Entre interlocutores do partido, a avaliação é de que Kassab passou a se sentir como uma “laranja chupada”. A expressão popular é utilizada para definir alguém que foi aproveitado enquanto era útil e, depois de cumprir seu papel, acabou sendo deixado de lado ou descartado.

Na leitura de setores do PSD, essa seria a sensação deixada pela condução política de Raquel Lyra em relação ao partido e ao seu principal dirigente nacional.

O MAIS PREPARADO – No forró do ex-ministro José Jorge, na quarta-feira passada, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, preferiu silenciar em relação a esse jogo sujo da governadora. Preferiu tratá-la como personagem importante que o PSD agregou aos seus quadros e se mostrou confiante quanto ao projeto da reeleição de Raquel. Sobre a decisão de sair na vice de Caiado, afirmou que foi muito bem pensada. “A chapa está pronta e temos o candidato mais preparado para governar o Brasil”, disse.

Ídolos intocáveis – Do empresário e educador Janguiê Diniz, no artigo “Urna não é arquibancada”, postado ontem no meu blog: “Quando um cidadão escolhe um presidente, um governador, um senador ou um deputado, não está escolhendo um time para torcer durante uma temporada. Está ajudando a definir os rumos do país, da economia, da educação, da saúde, da segurança pública e de inúmeras outras áreas que impactam diretamente a vida de milhões de pessoas. Apesar disso, o que se observa cada vez mais é uma espécie de ‘futebolização’ da política. Candidatos passam a ser tratados como ídolos intocáveis”.

Superlotação 1 – Relatório do Conselho Nacional de Justiça divulgado ontem traz dados inéditos sobre as condições de ambiência e infraestrutura prisional no Brasil, apontando que sete das oito unidades prisionais vistoriadas em Pernambuco apresentam superlotação de até 425%. Além da superlotação, foram identificados racionamento de água, com fornecimento acontecendo em alguns casos por apenas uma hora e meia por dia, e ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros em todas as unidades visitadas.

Superlotação 2 – De acordo com o CNJ, o 1º Mutirão Nacional de Diagnóstico da Habitabilidade do Sistema Prisional realizou as inspeções entre os dias 21 de outubro e novembro do ano passado. Foram vistoriadas a Colônia Penal Feminina de Abreu e Lima (CPFAL), a Cadeia Pública de Petrolândia, o Presídio de Salgueiro, a Cadeia Pública de Afogados da Ingazeira, a Cadeia Pública de Tabira, o Presídio de Vitória de Santo Antão (PSVA), a Cadeia Pública de Nazaré da Mata e a Cadeia Pública de Carpina. Outras unidades prisionais que apresentam superlotação crítica são a Cadeia Pública de Petrolândia, no Sertão (300%); o Presídio de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata (291%); a Cadeia Pública de Tabira, no Sertão (240%); e a Cadeia Pública de Afogados da Ingazeira (212,5%), também no Sertão.

Quem mente? – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro garantiu a integrantes do PL que o ex-presidente Jair Bolsonaro tinha conhecimento sobre o vídeo feito por ela com ataques ao enteado Flávio Bolsonaro na semana passada. Já o candidato à Presidência garante que o pai não tinha conhecimento de que a gravação seria feita. Em relatos a aliados, o senador afirmou que, ao contar ao pai sobre o vídeo, Bolsonaro ficou “extremamente chateado” e se recusou a ver o material.

CURTAS

VITÓRIA – Flávio Bolsonaro disse, ontem, que as tarifas propostas por Lula a Trump dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que causariam danos à economia norte-americana e aos próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos.

MAIORIA ACREDITA – Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada ontem mostra que 74,3% dos entrevistados que disseram ter conhecimento da operação da PF contra o senador Jacques Wagner (PT-BA) acreditam que ele recebeu vantagens indevidas do Banco Master. Outros 9,4% disseram não acreditar, enquanto 16,2% afirmaram não saber.

Já 59% acreditam que o envolvimento do senador baiano afeta diretamente o presidente Lula e o governo. Wagner foi alvo, em 18 de junho, da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao Banco Master. O Supremo Tribunal Federal expediu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master, também foi alvo da operação.

Perguntar não ofende: Afinal, quem são os candidatos de Raquel ao Senado?

Ipojuca - Na palma da sua mão

O que sobra em Miguel é insistência

Pernambuco assiste, mais uma vez, à reedição de um roteiro conhecido: o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), se apresenta novamente como pré-candidato a uma eleição majoritária em 2026. A pergunta que se ouve nos bastidores diz respeito a exatamente o que representa esta nova “candidatura” depois de uma trajetória que parece ter sido desenhada para representar a si mesmo.

Miguel começou no PSB, partido pelo qual foi eleito deputado estadual e, depois, prefeito de Petrolina. Migrou para o MDB para disputar a reeleição. Em seguida, trocou o MDB pelo DEM, legenda que mais tarde se fundiu ao PSL, dando origem ao União Brasil, na aritmética eleitoral que apontava para a formação do “superpartido” da vez.

Quatro siglas em pouco mais de uma década não configuram uma trajetória política. Revelam, antes, uma permanente geolocalização do poder. Miguel disputou o Governo de Pernambuco e terminou em último lugar entre os cinco candidatos competitivos, embora não humilhante pela diferença de votos.

Investigação sobre morte de Jango segue aberta, afirma neto do ex-presidente

A investigação sobre a morte do ex-presidente João Goulart, falecido em 1976, continua aberta no Ministério Público Federal e a família pretende seguir acompanhando o caso de perto. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, ontem, o advogado e escritor Christopher Goulart, neto de Jango, afirmou que, embora a exumação realizada em 2014 não tenha produzido uma conclusão definitiva sobre a tese de envenenamento, a hipótese permanece plausível diante do contexto da Operação Condor.

Ele também defendeu a abertura de documentos ainda mantidos sob sigilo no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países. “Nós vamos continuar trabalhando no inquérito civil público”, ressaltou.

Ao longo da entrevista, Christopher explicou que a principal motivação da família é preservar a memória do ex-presidente e buscar o esclarecimento histórico sobre as circunstâncias de sua morte. “Mais importante do que a morte de Jango é a vida dele”, pontuou, acrescentando que o interesse pelo caso ajuda a manter vivo o legado político do ex-presidente. “Jango é imortal”, completou.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

O fim do sonho de Miguel

O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, sofreu uma derrota acachapante, ontem, na “convenção” da Federação Progressista, que escolheu o deputado federal e presidente da federação estadual, Eduardo da Fonte, como o nome do colegiado que disputará o Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD). Foi um dia, aliás, humilhante para Miguel.

Tudo isso porque tentou, a todo custo, convencer o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, a promover algum movimento que impedisse a reunião do diretório estadual da Federação Progressista. O encontro aconteceu e, na prática, terminou com maioria absoluta em favor da deliberação, já que não houve votos contrários, apenas abstenções.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que Miguel vem sendo submetido a um processo de isolamento político. Há quem atribua esse cenário à estratégia da governadora Raquel Lyra, que, ao perceber a dificuldade de viabilizar a candidatura dele ao Senado, teria deixado que enfrentasse sozinho o desgaste interno.

Palmares - 147 anos

Federação escolhe hoje Dudu para o Senado

A Federação Progressista em Pernambuco bate, hoje, o martelo e acaba com o mistério. Pela maioria dos que têm direito a voto na reunião da sua cúpula, convocada para logo mais dar o desfecho na escolha do nome que concorrerá ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), o escolhido será o presidente do colegiado, Eduardo da Fonte.

Dudu, como é mais conhecido, preside a Federação no Estado por delegação da direção nacional, leia-se os presidentes do PP e UB, respectivamente Ciro Nogueira e Antônio Rueda. Como tal, entra na disputa favorito contra o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que só tem três votos — o dele e os dos irmãos Fernando Filho, deputado federal, e Antônio Coelho, deputado estadual.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Aliança de Flávio com Rubio amplia desgaste com os EUA

A resposta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, à carta enviada pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) produziu um efeito político inverso ao esperado pelo parlamentar. Embora Rubio tenha agradecido o contato e sinalizado disposição para manter diálogo com um eventual futuro governo brasileiro, ele não cedeu um centímetro na principal reivindicação de Flávio: retirar ou suavizar a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

Ao contrário, reafirmou que a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos encontrou “diferenças substanciais” na relação bilateral e que manteve o apoio às medidas protecionistas. O episódio evidencia um problema recorrente na política externa brasileira recente, quando interesses partidários passam a se misturar com a diplomacia entre Estados.

Camaragibe - A prefeitura mudou

Túlio, o novo Gilson Machado da direita?

Pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), o deputado Túlio Gadêlha (PSD) parece ter definido com clareza sua estratégia eleitoral. Apostando todas as suas fichas no campo de centro-direita, vem ocupando um espaço político que até pouco tempo parecia improvável para sua trajetória de uma esquerda “festiva”.

Nesse contexto, tem buscado se apresentar como um nome capaz de dialogar com esse segmento do eleitorado. O movimento não passa despercebido e já provoca comentários entre lideranças políticas e observadores da cena local.

Mais bondades eleitorais de Lula

Em mais uma medida para reduzir o endividamento, o governo prepara programa de refinanciamento de débitos tributários voltado para microempreendedores individuais (MEIs). O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, antecipou ao jornal O Globo que a iniciativa é um desdobramento do Desenrola, que tem como foco dívidas bancárias, e terá como objetivo regularizar a situação de trabalhadores que estão em atraso ou que tiveram seu CNPJ cancelado por conta da inadimplência.

O “Refis” dos MEIs vai prever descontos de até 70% e parcelamento em até 12 anos. De acordo com o ministro, as transações serão limitadas a R$ 20 mil em dívidas e prestação mínima de R$ 25. Hoje, esse prazo é de até 2 anos, com parcela mínima de R$ 50.