Coluna da segunda-feira

Raquel brinca o São João sem descascar o abacaxi da sua chapa

Em meio à maior festa popular de Pernambuco, o São João, a movimentação não acontece apenas nos arraiais. A política também entrou no ritmo das festividades e o que se percebe é uma intensa movimentação em todo o Estado. De um lado, João Campos (PSB), após voltar a aparecer à frente de Raquel Lyra (PSD) nas pesquisas, demonstra força, mobilização e vitalidade política.

Do outro, a governadora parece ter sentido uma ducha fria, especialmente após a declaração do presidente Lula em apoio ao seu principal adversário. Mas a eleição tem outro componente fundamental: o Senado. Neste ano, estarão em disputa duas vagas, o que torna essencial a formação de um time forte e competitivo.

Eleição deste ano: Esquerda x Direita

A eleição de Pernambuco tende a reproduzir, em grande medida, a polarização que deve marcar a disputa nacional em 2026. O cenário caminha para um embate cada vez mais claro entre os campos liderados por Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, com reflexos diretos na política estadual.

Em Pernambuco, a disputa será entre João Campos e Raquel Lyra. De um lado, João, com o apoio de Lula e das forças políticas alinhadas ao governo federal. Do outro, Raquel, que está cada vez mais alinhada ao campo da direita e do bolsonarismo, podendo dividir espaço tanto com Flávio Bolsonaro quanto com o eventual presidenciável de seu partido, Ronaldo Caiado.

Os movimentos desta semana reforçaram essa percepção. O presidente estadual do Novo, Eduardo Moura, bem como lideranças do PL, sinalizou a possibilidade de estar no mesmo palanque da governadora, indicando uma convergência política que reduz as dúvidas sobre o posicionamento de cada grupo.

Petrolina - São João 2026

Miguel não tem respaldo da federação

Com quem conversou reservadamente em Araripina na última quarta-feira, quando esteve na abertura oficial dos festejos juninos do município, a governadora Raquel Lyra (PSD) sinalizou que o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), estará na sua chapa como candidato ao Senado ao lado de Túlio Gadelha (PSD), já escolhido, mas também não oficializado.

A decisão, se confirmada, não terá o respaldo da Federação Progressista, formada pelo União Brasil e PP, que tem como presidente o deputado federal Eduardo da Fonte (PP). Dudu da Fonte, como é mais conhecido, aliás, marcou para o próximo dia 29 a deliberação da federação, da qual tem o controle absoluto, por ter a maioria dos seus integrantes no Estado.

Ipojuca - Na palma da sua mão

O desafio de Raquel depois do apoio de Lula a João

A confirmação do apoio do presidente Lula (PT) ao pré-candidato do PSB, João Campos, cria um desafio político de grande dimensão para a governadora Raquel Lyra (PSD). Não se trata apenas do posicionamento de uma liderança nacional ou de uma aliança partidária. Trata-se do presidente que, há mais de três décadas, construiu em Pernambuco uma relação política, afetiva e eleitoral sem paralelo na história recente do Estado.

Nas eleições de 2022, Lula recebeu 65,27% dos votos válidos no primeiro turno e ampliou sua votação para 66,93% no segundo turno, demonstrando uma força eleitoral que atravessa gerações e regiões do Estado. Por essa razão, qualquer tentativa de minimizar ou desconstruir o apoio do presidente tende a encontrar um obstáculo evidente: Lula não é apenas um cabo eleitoral.

Caruaru - São João que o mundo reconhece

Leo Bezerra minimiza peso eleitoral de Lula na Paraíba

O prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSB), relativizou, ontem, a importância de um eventual apoio do presidente Lula (PT) à candidatura do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB) ao Governo da Paraíba. Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, apresentado pelo titular deste blog em parceria com a Folha de Pernambuco, o gestor afirmou que a pré-campanha já está em curso e disse que o petista não pode ser tratado como fator decisivo na disputa estadual.

Ao comentar o cenário eleitoral, Leo lembrou que Lula venceu a eleição presidencial em João Pessoa por cerca de mil votos em 2022 e afirmou que o peso político do presidente dependerá mais das ações do Governo Federal do que de uma declaração formal de apoio. “Eu não poderia dizer que é imprescindível. Isso vai depender do PT. Independentemente de ter ou não o apoio do PT, a campanha já está na rua”, afirmou.

O prefeito também demonstrou dúvidas sobre uma eventual aproximação entre o PT e o governador Lucas Ribeiro (PP), provável adversário de Cícero na disputa estadual. “Eu não consegui entender hoje como vai ser esse apoio do PT ao governador Lucas Ribeiro”, declarou, ao comentar as articulações em curso para 2026.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

Uma largada gigantesca com cheiro de povo

O pré-candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos, deu uma demonstração, ontem, em Gravatá, de que parte fortíssimo no enfrentamento à governadora Raquel Lyra (PSD). Uma consulta à população, quanto às demandas e prioridades do Estado, se transformou num gigantesco ato de mobilização popular. O auditório do hotel Canarius, local do evento, com capacidade para seis mil pessoas, lotou logo cedo.

Segundo a organização do evento, mais de 20 mil pessoas estiveram presentes. Muitos prefeitos não conseguiram chegar ao auditório para ouvir a fala do socialista, como Sandrinho Palmeira (PSB), de Afogados da Ingazeira, que viajou 300 km para o ato. “Nunca vi uma loucura dessas, nem no tempo de Arraes”, comentou, emocionado, o gestor afogadense.

Sem lugar no recinto principal, a multidão tomou, literalmente, todas as dependências do hotel, numa verdadeira invasão. As delegações partiram de todas as regiões do Estado, formadas por prefeitos, ex-prefeitos, deputados, vereadores e lideranças comunitárias. Quando João chegou, foi carregado nos ombros por populares e seguido por milhares de aliados.

Palmares - 147 anos

Tapumes e ordens de serviço

A governadora Raquel Lyra (PSD) só tem mais 20 dias, até 4 de julho, para propagandear um rosário de feitos no horário nobre da TV que, na verdade, não passam de muito oba-oba. Em três anos, pouco ou quase nada seu governo entregou.

O tempo se encarregou de revelar a face mais cruel, mas ao mesmo tempo real: um governo sem identidade, sem entregas de obras ou projetos estruturadores para o Estado. O que é o Governo Raquel? Um amontoado de tapumes sem obras por dentro e um festival de ordens de serviço para obras fantasiosas.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

A face excludente da Copa nos EUA

A Copa do Mundo nos Estados Unidos começou longe da imagem de festa universal que a FIFA costuma promover. Em vez da celebração da diversidade e do encontro entre nações, os primeiros relatos do torneio revelaram um país cada vez mais fechado ao estrangeiro, onde o medo, a desconfiança e a seletividade no tratamento de visitantes refletem um ambiente político alimentado pelas políticas migratórias endurecidas do governo do presidente Donald Trump.

Nos aeroportos americanos, jogadores, jornalistas e torcedores de países africanos, árabes e asiáticos relataram abordagens constrangedoras e tratamentos que levantaram acusações de racismo e xenofobia. A recepção hostil contrasta com o ideal de uma Copa sem fronteiras e reforça a percepção de que, sob o discurso de segurança nacional, determinados povos continuam sendo vistos como suspeitos antes mesmo de cruzarem a imigração.

Camaragibe - Forró da Vila

Palanque único de Lula em PE é balde de água fria nos planos de Raquel

A informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá gravar um vídeo reafirmando apoio ao projeto para o Governo do Estado liderado por João Campos (PSB) representa um duro revés para a estratégia política da governadora Raquel Lyra (PSD).

Nos bastidores, aliados de Raquel trabalhavam com a expectativa de manter o presidente distante da disputa estadual ou, ao menos, preservar uma zona de ambiguidade que permitisse à governadora dialogar com setores do lulismo sem enfrentar um posicionamento explícito do chefe do Executivo federal.

A possível manifestação pública de Lula, entretanto, tende a encerrar qualquer dúvida sobre qual será o palanque presidencial prioritário em Pernambuco. Mais do que uma declaração de apoio, um vídeo gravado pelo presidente tem forte valor simbólico e eleitoral.

Avanço de Lula na Quaest fortalece João e pressiona Raquel

A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada, ontem, apontando um distanciamento maior do presidente Lula (PT) ante Flávio Bolsonaro (PL), produz efeitos que vão muito além da disputa presidencial. Ao mostrar o petista abrindo seis pontos de vantagem em um eventual segundo turno, o levantamento reforça um movimento político que pode ter consequências diretas sobre a eleição para o Governo de Pernambuco.

Num primeiro olhar, os números parecem tratar apenas da sucessão presidencial. Mas, em estados onde a imagem de Lula possui forte influência eleitoral, como Pernambuco, a pesquisa funciona também como um indicador da força dos palanques locais associados ao presidente. E hoje nenhum projeto político está mais claramente vinculado a Lula no Estado do que o liderado por João.