Coluna do sabadão

A bombada eleitoreira do Bolsa Família

Diante do bombardeio da oposição e da reprovação da sociedade, por representar uma medida com desconfiança de propósito eleitoral, o governo Lula apelou, ontem, ao Supremo Tribunal Federal para que reconheça a legalidade do decreto que aumentou os valores do Bolsa Família em ano eleitoral.

O pedido foi apresentado um dia depois de o governo publicar decreto que reajustou os benefícios em 15,04%, correspondente à variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto deste ano. O piso garantido às famílias, por exemplo, passa de R$ 600 para R$ 691. Os novos valores começam a produzir efeitos financeiros no primeiro dia do mês seguinte à publicação do decreto.

Felipe Santa Cruz critica sessão do STF e alerta para risco de eleição pautada pela Corte

O ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, classificou como um “desserviço ao Brasil e à própria Corte” a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) da última terça-feira (15), marcada por embates entre ministros durante a discussão dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o advogado pernambucano avaliou que a polarização política chegou ao Supremo e contaminou o debate institucional.

Santa Cruz afirmou ter acompanhado a sessão “com muita preocupação” e criticou especialmente o tom adotado pelos ministros. “O STF teve uma tarde de muita agressividade. Em vários momentos, a sessão passou do que era aceitável”, disse. Para ele, houve “excessos de parte a parte” e faltou a solenidade compatível com o papel desempenhado pelo tribunal. “O STF não só é a Corte Magna da República, como também é quem fala por último, inclusive no conflito entre os outros Poderes. Então, há que se resguardar uma certa solenidade, que foi abandonada na terça-feira”.

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Decisão leva STF ao sangramento

O que era esperado aconteceu: a grande expectativa gerada pela sessão de ontem do STF, destinada a discutir se o ministro Alexandre de Moraes seria investigado pelos áudios vazados que o envolvem com o banqueiro Daniel Vorcaro, não entrou na discussão do seu mérito porque o ministro Flávio Dino pediu vista. Dino terá um prazo de 90 dias para devolver o caso ao plenário da Corte.

Uma das questões levantadas por Dino é que o relatório sobre Moraes foi feito a pedido de Mendonça, então relator do caso Master. No entanto, Fachin afastou o colega da investigação, tomando-a para si. Segundo Dino, essa não seria uma prerrogativa do presidente do Supremo.

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Em 30 dias de campanha, Raquel fez 26 agendas em horário do expediente

Os primeiros 30 dias de campanha eleitoral mostram que Raquel Lyra (PSD) não vem conciliando as agendas políticas com o expediente que precisa dar como governadora. Das 45 atividades públicas como candidata em dias úteis, 26 foram cumpridas em horários em que ela precisaria trabalhar como chefe do Poder Executivo, o que corresponde a 57% do total.

Em ao menos um terço do calendário já transcorrido, ela não teve como cumprir as oito horas de serviço como governadora. O expediente oficial do Governo de Pernambuco vai das 8h às 17h, com uma hora de almoço, conforme determinado pela Secretaria de Administração.

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Campanha de Raquel não vai bem

Movimentos dos últimos dias mostram que a campanha de Raquel Lyra (PSD) entrou em uma situação delicada na reta final. Reunir-se com prefeitos para cobrar engajamento foi como dar um “reset” em tudo o que foi feito até aqui e que parece não ter sido suficiente para ela se descolar de João Campos (PSB), seu principal adversário, nas pesquisas de intenção de voto.

Áudios vazados da reunião realizada no sábado passado revelaram uma candidata debilitada e altamente dependente dos aliados em um momento em que deveria mostrar vitalidade. O evento foi um desastre, com mais de 100 ausências, deputado barrado na porta e uma fala infeliz de André Teixeira, vice-presidente do PSD e primo de Raquel, cobrando que prefeitos assegurem ao menos 70% dos votos em suas cidades para que ela não precise “nem pisar” no Recife, principal reduto de João Campos.

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A reação de João no empate do Datafolha

A mais recente rodada de pesquisa do Datafolha desenha com precisão a mudança de rota na disputa pelo Governo de Pernambuco: com a margem de erro de três pontos percentuais, os 47% de Raquel Lyra contra os 42% de João Campos colocam os dois líderes em um empate técnico real no limite da amostragem, reabrindo de vez uma corrida que muitos davam como precoce definição.

Mais do que a simples flutuação de dígitos, o que a pesquisa reflete é a recompensa de uma escolha tática e comportamental certeira do candidato do PSB. Em disputas acirradas, o instinto inicial de muitas campanhas acuadas costuma ser a retração ou o refúgio na vitimização.

João Campos optou exatamente pelo caminho inverso. No lugar de assumir o papel de vítima dos ataques ou das circunstâncias, assumiu a linha de frente. Chamou para si o peso da liderança, impondo um ritmo combativo e autônomo que devolveu energia à militância e restabeleceu sua posição como verdadeiro protagonista do processo eleitoral.

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Se não é nazifascismo, o que é então?

Numa simples consulta aos manuais históricos das eleições mais agressivas da humanidade, as campanhas com métodos nazistas e fascistas foram centradas no uso da violência para destruir opositores. Também recorreram a táticas específicas para manipular as massas, conquistar ou se manter no poder absoluto a qualquer custo. No capítulo da desumanização das campanhas fascistas, o adversário não é visto apenas como alguém que pensa diferente, mas como um “câncer” ou “traidor” que precisa ser eliminado.

Qualquer semelhança com os métodos usados pela governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), na sua campanha de reeleição para se manter no poder não é mera coincidência. Para destruir João Campos (PSB), seu rival na guerra eleitoral, a governadora parece não ter limites. Primeiro, uma reportagem em rede nacional de TV Record mostrou um grande esquema de monitoramento ilegal e espionagem envolvendo a Polícia Civil da gestão de Raquel contra aliados do então prefeito do Recife.

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Raquel, a candidata “Bolsonara”

Um dos recortes da pesquisa Quaest pouco explorados foi a relação entre os dois principais presidenciáveis e os candidatos ao Governo de Pernambuco. Segundo o levantamento, 57% dos eleitores identificam que João Campos (PSB) é o nome apoiado por Lula (PT) no Estado, ainda que um percentual alto (35%) indique que não sabe ou não tenha respondido.

Quando o questionamento é feito sobre Flávio Bolsonaro (PL), porém, 26% dos entrevistados associam o apoio dele a Raquel Lyra (PSD), nome que chegou a aparecer em rascunhos do filho de Jair Bolsonaro que vieram a público no início deste ano.

O dado chama atenção porque a governadora vem fazendo um esforço enorme para não deixar explícita essa relação. Recentemente, a coligação dela conseguiu decisão da Justiça para obrigar Mendonça Filho (PL), candidato a senador do bolsonarismo, a remover bandeiras e materiais gráficos em que cola a imagem dele à dela.

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José Múcio revisita trajetória política, relembra disputa com Arraes e reforça desejo de deixar a Defesa

Quarenta anos depois de enfrentar Miguel Arraes na disputa pelo Governo de Pernambuco, em 1986, José Múcio Monteiro atribui àquela derrota um papel decisivo na trajetória que o levaria à Câmara dos Deputados, ao Governo Federal, ao Tribunal de Contas da União e, hoje, ao Ministério da Defesa. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o pernambucano revisitou uma das eleições mais duras da política pernambucana e afirmou não se arrepender do caminho percorrido. “Eu existo por causa daquela derrota”, resumiu.

Múcio tinha 37 anos quando disputou o Palácio do Campo das Princesas contra Arraes, então com 70. O resultado abriu, segundo ele, uma trajetória diferente daquela que imaginava naquele momento. “Tudo valeu a pena naquela eleição. Não me arrependo de nada do que fiz. Depois dali, fui deputado federal por cinco mandatos, líder do governo Lula, ministro das Relações Institucionais, ministro do Tribunal de Contas da União e agora ministro da Defesa. Se não tivesse perdido aquela eleição, não teria a história política que construí ao longo dos anos”, afirmou.

Cadê os eleitores de Lula?

Num intervalo de 40 dias, estive por duas vezes em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, berço do movimento sindical do ABC, onde Lula ingressou na vida pública como líder dos metalúrgicos, cuja trajetória muito tempo depois o levou à Presidência da República. Por onde passo, por dever de ofício, converso com pessoas dos mais amplos segmentos da sociedade.

Confesso que não encontrei um ambiente favorável à reeleição do presidente, nem na primeira vez, quando acompanhei a convenção que homologou sua candidatura, tampouco ao longo do feriadão da Independência, no qual andei muito pela cidade em passeios turísticos com os meus filhos.