Coluna da segunda-feira

A confusa e mal explicada chapa de Raquel

Se Mendonça Filho (PL) não é o candidato ao Senado da governadora Raquel Lyra (PSD), como ela própria tem reiterado, por que então prefeitos que juram fidelidade à gestora estão aderindo ao liberal e abandonando o neodireitoso Túlio Gadêlha (PSD)? Por que Raquel também não assume que trabalha em silêncio e nos bastidores pela reeleição do senador petista Humberto Costa, candidato na chapa de João Campos?

Com as candidaturas ao Senado já postas, a governadora continua fazendo o mesmo jogo da enganação da fase pré-eleitoral, quando alimentou esperança em quatro pré-candidatos — Miguel Coelho, Eduardo da Fonte, Túlio Gadêlha e Fernando Dueire, este no exercício do mandato como suplente de Jarbas Vasconcelos. Diz que seus candidatos são Eduardo da Fonte e Túlio, mas libera prefeitos da sua cozinha para apoiar outras candidaturas.

Caiado mira voto bolsonarista

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, decidiu incorporar um dos temas mais sensíveis do campo bolsonarista à sua estratégia eleitoral. Ontem, em entrevista à Globo News, o ex-governador de Goiás afirmou que, se eleito, encaminhará ao Congresso, já no primeiro dia de governo, um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Sob o argumento de que a medida seria necessária para “pacificar o país”, Caiado sinaliza uma tentativa de se aproximar de um eleitorado que tem na revisão das punições impostas aos envolvidos nos atos uma de suas principais bandeiras.

A proposta também revela uma movimentação de Caiado em um espaço político disputado pela direita, especialmente pelo bolsonarismo. Ao assumir uma posição favorável à anistia, o candidato procura dialogar com eleitores que rejeitam as condenações e defendem o fim do que consideram perseguição política aos envolvidos no 8 de Janeiro. A estratégia ganha relevância em uma eleição na qual o campo conservador tende a concentrar parte importante da disputa pelo eleitorado que apoiou Jair Bolsonaro nas últimas eleições.

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O beijo da morte

A governadora Raquel Lyra (PSD) passou a semana promovendo uma verdadeira engenharia política para reorganizar o campo da centro-direita e dos conservadores em Pernambuco. No movimento, acabou empurrando Túlio Gadelha (PSD) para ser percebido por parte do eleitorado como um neodireitista, agregou Eduardo da Fonte (PP) ao mesmo campo e consolidou Mendonça Filho (PL) como a principal referência do eleitorado de extrema direita e bolsonarista na disputa pelo Senado.

O resultado dessa articulação produziu, ao mesmo tempo, um efeito devastador sobre Miguel Coelho (UB). Depois de alimentar a expectativa de integrar a chapa majoritária, o ex-prefeito de Petrolina assistiu à construção de um cenário que muitos já classificam como a maior humilhação política imposta à família Coelho desde que o grupo se tornou protagonista da política pernambucana.

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Inábil, Raquel não escolheu nenhum dos três senadores

Mesmo sentada na cadeira de governadora, lugar confortável para liderar articulações políticas, Raquel Lyra (PSD) sequer conseguiu escolher seus senadores. Foi, literalmente, obrigada a ter Eduardo da Fonte, da federação União Progressista, em sua chapa, depois de um processo tumultuado e com muita chafurdação. As relações conflituosas deles dois são antigas e conhecidas por todos.

Teve que aceitar Mendonça Filho (PL) se lançar candidato, trazendo Flávio Bolsonaro e sua alta rejeição em Pernambuco para o palanque governista, o que terá que explicar diariamente durante a campanha. Aceitou também a indicação de Túlio Gadelha, vinda ninguém sabe de onde; alguns dizem Bahia, outros São Paulo.

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Brasil demorou a negociar tarifaço e não ganhará nada com retaliação, diz ex-presidente da CNI

O Brasil demorou a reagir ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e agora tenta reduzir os prejuízos de uma crise que poderia ter sido enfrentada mais cedo pela via diplomática. Esse foi o diagnóstico apresentado ontem pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, durante entrevista ao podcast Direto de Brasília. Para o empresário, o governo Lula (PT) perdeu tempo diante de uma ameaça concreta e deveria ter aberto imediatamente um canal de negociação com o presidente americano Donald Trump.

“Eu sou a favor da negociação. Acho que é o único caminho que temos para realmente resolver essa questão do tarifaço, que foi decidida de maneira unilateral e baseada em levantamentos ou em informações que não são corretas”, declarou Robson. Segundo ele, justamente por considerar frágeis os argumentos usados pelos Estados Unidos, o Brasil teria condições de contestá-los de maneira objetiva. “Acho que estamos agindo tarde, já devíamos ter agido desde antes, quando havia uma ameaça concreta. Não era uma ameaça que a gente poderia relegar”, acrescentou.

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Agendão de Lula inclui palanque de João

O presidente Lula (PT) mapeia a agenda eleitoral. Na campanha, a prioridade é eleger Fernando Haddad (PT) governador de São Paulo, que aparece 15 pontos em desvantagem em relação ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Regressei ontem da capital paulista, onde cobri a convenção que homologou a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar o quarto mandato.

Por mais que volte suas atenções para o maior colégio eleitoral do País, dificilmente Lula se converterá em um bom cabo eleitoral para Haddad. Fiz minha pesquisa pessoal. Conversei com taxistas, motoristas de aplicativos, porteiros, advogados, empresários e jornalistas. Constatei que Tarcísio emplaca a reeleição facilmente.

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Os Coelho passam a ser o fiel da balança

Por maior que tenha sido a convenção da governadora Raquel Lyra (PSD), ontem, no Recife, o que vai pesar no jogo da sua sucessão será a tomada de posicionamento do grupo Coelho, mais uma vez traído por ela, quando não cumpriu a palavra de escolher o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), candidato ao Senado na sua chapa.

Liderado pelo ex-senador Fernando Bezerra Coelho, pai de Miguel, o clã virou um poço de mágoa com a governadora. Sequer compareceu à convenção que referendou a chapa com o deputado Eduardo da Fonte candidato ao Senado ao lado do também deputado Túlio Gadêlha.

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Indefinição marca convenção de Raquel

A convenção que homologará a candidatura da governadora Raquel Lyra (PSD) está marcada para amanhã, no Recife. O que poderia, entretanto, se traduzir num grande ato de demonstração de força e sinalização pela confiança dos aliados na reeleição pode resultar num tremendo fiasco. Não de público, porque a máquina tem um poder incomensurável de mobilização, mas de incertezas na chapa.

Raquel não teve capacidade, traquejo nem tampouco liderança para botar ordem na casa. A convenção perdeu o brilho em razão da chafurdação entre o presidente estadual da federação União Progressista, Eduardo da Fonte, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que duelam pela segunda vaga de candidato ao Senado.

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Em Pernambuco, o palanque de Lula é o de João

É fato que, pela força da legalidade, as convenções partidárias levam o processo eleitoral a uma nova fase. Porém, mais do que por conta desse marco temporal, é possível dizer que a campanha em Pernambuco chega a um novo momento após dois divisores de águas nesta semana: a divulgação de novas informações sobre a importância de Lula (PT) como cabo eleitoral no Estado e a reafirmação da aliança dele com João Campos durante a convenção nacional do PSB, em Brasília.

A pesquisa Quaest, por exemplo, mostrou o presidente com 61% de aprovação entre os pernambucanos e 53% das intenções de voto no primeiro turno no Estado. Até aí, um cenário já captado em levantamentos anteriores. A novidade é que 47% dos eleitores dizem preferir um governador aliado ao presidente e mais de 50% ainda não sabem que João Campos é o candidato de Lula. Isso significa que existe um espaço considerável para crescimento do pré-candidato a governador do PSB.

Com Alckmin vice, PSB formaliza apoio a Lula

Numa convenção super concorrida, em alto astral, o PSB referendou, ontem, em Brasília, o apoio à reeleição do presidente Lula (PT), que chega à disputa eleitoral com a mesma chapa que venceu as eleições de 2022, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e com apoio de partidos de centro e esquerda. O PSB foi o segundo partido a formalizar apoio a Lula, que prestigiou a convenção ao lado de Alckmin e do presidente nacional da legenda, João Campos.

O primeiro partido a confirmar a aliança com Lula foi o PDT, na semana passada. Além do PSB e do PDT, siglas como PCdoB, PV e PSOL sinalizaram apoio à candidatura do petista à reeleição. A permanência de Alckmin na vice-presidência mantém uma das principais marcas da coalizão construída em 2022.