Coluna da segunda-feira

Campanha do Senado descolada da de governador

Em Pernambuco, a corrida para o Senado, com duas vagas em aberto nas eleições deste ano, está completamente indefinida, segundo a última pesquisa do Datafolha. E vai tomando um rumo que pode quebrar o paradigma do candidato a governador puxar os seus candidatos à Casa Alta, como se deu lá atrás, na eleição de Miguel Arraes, depois com Jarbas Vasconcelos e Eduardo Campos.

Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), que lideram, numericamente, integram a chapa do candidato da oposição, o socialista João Campos, que apareceu com 7 pontos percentuais abaixo da governadora Raquel Lyra – 47% a 40%, na mesma pesquisa. Ambos usam como estratégia uma vinculação direta com o presidente Lula (PT).

Lula ainda resiste ao desgaste familiar

A nova pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostra que o presidente Lula (PT) chega ao início efetivo da campanha presidencial ainda ocupando uma posição de vantagem na corrida pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário no levantamento. Embora a distância tenha diminuído em relação à pesquisa anterior, quando era de oito pontos, Lula continua à frente e preserva uma margem relevante para o segundo colocado.

O dado mais significativo, porém, está na capacidade de resistência eleitoral do presidente diante do ambiente político adverso. A pesquisa foi realizada entre 18 e 20 de agosto, já depois do início oficial da campanha, e revela que Lula não sofreu uma queda expressiva mesmo diante dos episódios negativos que atingiram seu entorno político e familiar, incluindo as controvérsias envolvendo seu filho. O resultado sugere que, até aqui, esse desgaste não foi suficiente para provocar uma migração relevante do eleitorado lulista.

Melhor ter uma madrasta

A governadora Raquel Lyra (PSD) parece ter encontrado uma fórmula curiosa para tratar seus aliados na disputa pelo Senado: distribuir simpatias para todos e deixar cada candidato acreditar que, em algum momento, será o escolhido da vez.

O problema é que, nessa estratégia de abraçar todo mundo, quem acabou ficando sem colo foi justamente Túlio Gadelha (PSD), o suposto candidato predileto da governadora.

Raquel ajudou a afundar Túlio no momento em que o colocou para cumprir uma missão política que talvez tenha sido fatal para sua própria candidatura: articular uma aproximação com a direita e até com setores da extrema-direita.

“Armação entre polícia e política para encobrir uma grande queima de arquivo”, diz Xico Sá sobre morte de PC Farias

A versão oficial para as mortes de PC Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino, nunca eliminou as suspeitas em torno do caso. Para o jornalista cearense Xico Sá, que mergulhou na trajetória do ex-tesoureiro de Fernando Collor para escrever O Tesoureiro: o esquema de corrupção, a fuga espetacular e a morte de PC Farias, a hipótese mais consistente é ainda mais grave. “Creio que a tese mais correta, e tudo leva a crer, é que foi uma armação entre a polícia e a política para encobrir uma grande queima de arquivo”, afirmou, ontem, em entrevista ao podcast Direto de Brasília.

PC e Suzana foram encontrados mortos em 23 de junho de 1996, na praia de Guaxuma, em Maceió. Xico sustenta sua desconfiança na maneira como as primeiras investigações foram conduzidas, citando desde a destruição do colchão em que o casal dormia até alterações na cena do crime. O biógrafo também menciona as dúvidas que cercaram a morte, dois anos antes, de Elma Farias, mulher de PC. “Parecia que estava todo mundo correndo para resolver logo uma versão de que teria sido um crime passional. Inclusive a família”, disse.

Vídeo de Lula com João desmonta narrativa de Raquel

O início oficial da campanha foi suficiente para Lula (PT) transformar em gesto eleitoral aquilo que, há meses, já estava definido no terreno político. Em vídeo gravado em Brasília, o presidente pediu votos de forma explícita e combinada para João Campos (PSB), seu candidato ao Governo de Pernambuco, e para Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), candidatos ao Senado pela Frente Popular.

A gravação não representa apenas mais uma manifestação de apoio. Estabelece, de maneira inequívoca, a fronteira entre relação institucional e aliança política e esvazia a zona de ambiguidade que Raquel Lyra (PSD) tentou preservar em torno de sua relação com o presidente.

Raquel afunda Túlio nas águas do Velho Chico

A presença da governadora Raquel Lyra (PSD), domingo passado, em Petrolina, só serviu para deixar ainda mais evidente o isolamento político de Túlio Gadêlha (PSD) na disputa por uma das vagas ao Senado na chapa governista.

No principal ato promovido pela família Coelho, Raquel apareceu ao lado apenas de Eduardo da Fonte (PP), dos principais integrantes do grupo político de Petrolina e de Mendonça Filho (PL), que não integra a chapa oficial e discursou ao lado da governadora.

O grupo Coelho, inclusive, oficializou apoio à reeleição de Raquel e às candidaturas de Eduardo da Fonte e Mendonça Filho ao Senado. Para quem conhece os meandros da política, a fotografia transmitiu uma mensagem muito clara: a candidatura do neodireitista Túlio Gadêlha, que já vinha enfrentando enormes dificuldades para ganhar musculatura, ficou ainda mais fragilizada, com a desfaçatez de sua maior incentivadora.

João larga na frente enquanto Raquel se apresenta sem molho e sem sal

Toda largada de campanha é, antes de qualquer coisa, uma disputa de narrativa. É o momento em que cada candidato tenta dizer, sem precisar explicar demais, que Pernambuco quer representar, que futuro pretende construir e com quem pretende caminhar. E, nesse quesito, João Campos saiu na frente.

Sua largada foi construída como uma espécie de mapa simbólico de Pernambuco. Começou no extremo Oeste, em Poção, distrito de Afrânio, na divisa com Piauí e Bahia. Depois de percorrer mais de 40 quilômetros de estrada de barro, ouviu de um morador que o último governador a aparecer por ali havia sido Eduardo Campos. A resposta resumiu a mensagem: “Aqui não é longe. Distante é o governo que não chega até aqui.”

Lula entra de vez no jogo em Pernambuco

O início oficial da campanha eleitoral, amanhã (16), coloca em evidência um dos principais ativos políticos das disputas estaduais, a imagem do presidente Lula (PT). Mesmo sem confirmação de presença em Pernambuco no primeiro turno, Lula já começa a participar diretamente da campanha do seu aliado no estado, João Campos (PSB), por meio de gravações e fotografias produzidas, em Brasília, ontem.

O movimento não é casual. Em um cenário de disputas acirradas, a imagem do presidente pode ser utilizada pelos candidatos como instrumento de identificação política e eleitoral. Em Pernambuco, onde Lula mantém forte capital político, a associação com o presidente tende a ocupar espaço importante na comunicação das candidaturas, especialmente no horário eleitoral e nas redes sociais.

É justamente nesse contexto que João Campos (PSB) passa a explorar uma das principais credenciais de sua campanha, ser o candidato de Lula ao Governo de Pernambuco. A estratégia está sendo construída de maneira explícita, com o próprio presidente participando das peças que serão utilizadas na campanha e com imagens ao lado da chapa majoritária da Frente Popular, composta por João e os candidatos ao Senado Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT).

A duplicação fantasiosa da BR-232

Em sua gestão, próxima a fechar o quarto ano, a governadora Raquel Lyra (PSD) não entregou uma só obra de infraestrutura capaz de alavancar o desenvolvimento do Estado, gerar empregos e contribuir na melhora do perfil socioeconômico da população.

Há 15 dias, fez a terraplanagem de apenas 500 metros da margem direita da BR-232, entre São Caetano e Tacaimbó, e anunciou como se fosse o início das obras de ampliação da duplicação da rodovia federal, iniciada e concretizada no Governo Jarbas Vasconcelos com o trecho do Recife a São Caetano.

Com sua materialização, promessa de campanha de Jarbas que só se concretizou com o dinheiro nos cofres do Estado a partir do leilão de privatização da Celpe, Pernambuco entrou num novo ciclo de desenvolvimento, graças ao corredor econômico criado no Agreste. Cidades como Vitória de Santo Antão, Gravatá, Bezerros e Caruaru mudaram de feição, se agigantaram, atraindo investimentos com perfis diversificados.

Ministro prevê novo teto do MEI ainda este ano e diz que governo prepara fundo para pequenas empresas

O governo Lula (PT) aposta em duas frentes para ampliar o espaço de micro e pequenas empresas na economia: elevar o teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e criar um fundo voltado à inserção dos pequenos negócios no mercado externo. As medidas foram detalhadas, ontem, pelo ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira (PSB), em entrevista ao podcast Direto de Brasília. Segundo ele, o projeto que altera o limite do MEI pode avançar no Congresso ainda este ano.

Pereira afirmou que vem conversando com líderes partidários para tentar incluir o Projeto de Lei Complementar (PLP) 186/2026 no próximo esforço concentrado da Câmara, previsto para o fim de agosto. A proposta prevê uma atualização gradual do teto, hoje em R$ 81 mil anuais, para R$ 110 mil e, posteriormente, R$ 140 mil, além de permitir a contratação de até dois empregados por CNPJ. “O problema do teto é que ele está sem atualização desde 2018, ou seja, oito anos”, declarou o ministro.