Coluna da segunda-feira

João larga na frente enquanto Raquel se apresenta sem molho e sem sal

Toda largada de campanha é, antes de qualquer coisa, uma disputa de narrativa. É o momento em que cada candidato tenta dizer, sem precisar explicar demais, que Pernambuco quer representar, que futuro pretende construir e com quem pretende caminhar. E, nesse quesito, João Campos saiu na frente.

Sua largada foi construída como uma espécie de mapa simbólico de Pernambuco. Começou no extremo Oeste, em Poção, distrito de Afrânio, na divisa com Piauí e Bahia. Depois de percorrer mais de 40 quilômetros de estrada de barro, ouviu de um morador que o último governador a aparecer por ali havia sido Eduardo Campos. A resposta resumiu a mensagem: “Aqui não é longe. Distante é o governo que não chega até aqui.”

Lula entra de vez no jogo em Pernambuco

O início oficial da campanha eleitoral, amanhã (16), coloca em evidência um dos principais ativos políticos das disputas estaduais, a imagem do presidente Lula (PT). Mesmo sem confirmação de presença em Pernambuco no primeiro turno, Lula já começa a participar diretamente da campanha do seu aliado no estado, João Campos (PSB), por meio de gravações e fotografias produzidas, em Brasília, ontem.

O movimento não é casual. Em um cenário de disputas acirradas, a imagem do presidente pode ser utilizada pelos candidatos como instrumento de identificação política e eleitoral. Em Pernambuco, onde Lula mantém forte capital político, a associação com o presidente tende a ocupar espaço importante na comunicação das candidaturas, especialmente no horário eleitoral e nas redes sociais.

É justamente nesse contexto que João Campos (PSB) passa a explorar uma das principais credenciais de sua campanha, ser o candidato de Lula ao Governo de Pernambuco. A estratégia está sendo construída de maneira explícita, com o próprio presidente participando das peças que serão utilizadas na campanha e com imagens ao lado da chapa majoritária da Frente Popular, composta por João e os candidatos ao Senado Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT).

Jaboatão dos Guararapes - Trabalho em todo lugar 2026

A duplicação fantasiosa da BR-232

Em sua gestão, próxima a fechar o quarto ano, a governadora Raquel Lyra (PSD) não entregou uma só obra de infraestrutura capaz de alavancar o desenvolvimento do Estado, gerar empregos e contribuir na melhora do perfil socioeconômico da população.

Há 15 dias, fez a terraplanagem de apenas 500 metros da margem direita da BR-232, entre São Caetano e Tacaimbó, e anunciou como se fosse o início das obras de ampliação da duplicação da rodovia federal, iniciada e concretizada no Governo Jarbas Vasconcelos com o trecho do Recife a São Caetano.

Com sua materialização, promessa de campanha de Jarbas que só se concretizou com o dinheiro nos cofres do Estado a partir do leilão de privatização da Celpe, Pernambuco entrou num novo ciclo de desenvolvimento, graças ao corredor econômico criado no Agreste. Cidades como Vitória de Santo Antão, Gravatá, Bezerros e Caruaru mudaram de feição, se agigantaram, atraindo investimentos com perfis diversificados.

Caruaru - Transparência 2026

Ministro prevê novo teto do MEI ainda este ano e diz que governo prepara fundo para pequenas empresas

O governo Lula (PT) aposta em duas frentes para ampliar o espaço de micro e pequenas empresas na economia: elevar o teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e criar um fundo voltado à inserção dos pequenos negócios no mercado externo. As medidas foram detalhadas, ontem, pelo ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira (PSB), em entrevista ao podcast Direto de Brasília. Segundo ele, o projeto que altera o limite do MEI pode avançar no Congresso ainda este ano.

Pereira afirmou que vem conversando com líderes partidários para tentar incluir o Projeto de Lei Complementar (PLP) 186/2026 no próximo esforço concentrado da Câmara, previsto para o fim de agosto. A proposta prevê uma atualização gradual do teto, hoje em R$ 81 mil anuais, para R$ 110 mil e, posteriormente, R$ 140 mil, além de permitir a contratação de até dois empregados por CNPJ. “O problema do teto é que ele está sem atualização desde 2018, ou seja, oito anos”, declarou o ministro.

Ipojuca - Na palma da sua mão

O primeiro grande erro de Marília

Em eleição para o Senado, suplente também é mensagem política. Humberto Costa (PT) foi buscar Luciano Bivar (MDB) para a primeira suplência. Ex-deputado federal e ex-presidente nacional do UB, Bivar é um nome com peso próprio, uma escolha que amplia a chapa e demonstra capacidade de articulação, além de trânsito nacional incontestável.

Mendonça Filho (PL) também não ficou apenas no preenchimento de uma vaga. Escolheu Adriana Ferreira, irmã de Anderson Ferreira, do seu partido, para a primeira suplência. É um nome ligado a uma família com forte presença política estadual e com uma trajetória de atuação junto a segmentos sociais e religiosos.

Olinda - Trabalhando para superar desafios

A confusa e mal explicada chapa de Raquel

Se Mendonça Filho (PL) não é o candidato ao Senado da governadora Raquel Lyra (PSD), como ela própria tem reiterado, por que então prefeitos que juram fidelidade à gestora estão aderindo ao liberal e abandonando o neodireitoso Túlio Gadêlha (PSD)? Por que Raquel também não assume que trabalha em silêncio e nos bastidores pela reeleição do senador petista Humberto Costa, candidato na chapa de João Campos?

Com as candidaturas ao Senado já postas, a governadora continua fazendo o mesmo jogo da enganação da fase pré-eleitoral, quando alimentou esperança em quatro pré-candidatos — Miguel Coelho, Eduardo da Fonte, Túlio Gadêlha e Fernando Dueire, este no exercício do mandato como suplente de Jarbas Vasconcelos. Diz que seus candidatos são Eduardo da Fonte e Túlio, mas libera prefeitos da sua cozinha para apoiar outras candidaturas.

Palmares - Forró Mares 2026

Caiado mira voto bolsonarista

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, decidiu incorporar um dos temas mais sensíveis do campo bolsonarista à sua estratégia eleitoral. Ontem, em entrevista à Globo News, o ex-governador de Goiás afirmou que, se eleito, encaminhará ao Congresso, já no primeiro dia de governo, um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Sob o argumento de que a medida seria necessária para “pacificar o país”, Caiado sinaliza uma tentativa de se aproximar de um eleitorado que tem na revisão das punições impostas aos envolvidos nos atos uma de suas principais bandeiras.

A proposta também revela uma movimentação de Caiado em um espaço político disputado pela direita, especialmente pelo bolsonarismo. Ao assumir uma posição favorável à anistia, o candidato procura dialogar com eleitores que rejeitam as condenações e defendem o fim do que consideram perseguição política aos envolvidos no 8 de Janeiro. A estratégia ganha relevância em uma eleição na qual o campo conservador tende a concentrar parte importante da disputa pelo eleitorado que apoiou Jair Bolsonaro nas últimas eleições.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

O beijo da morte

A governadora Raquel Lyra (PSD) passou a semana promovendo uma verdadeira engenharia política para reorganizar o campo da centro-direita e dos conservadores em Pernambuco. No movimento, acabou empurrando Túlio Gadelha (PSD) para ser percebido por parte do eleitorado como um neodireitista, agregou Eduardo da Fonte (PP) ao mesmo campo e consolidou Mendonça Filho (PL) como a principal referência do eleitorado de extrema direita e bolsonarista na disputa pelo Senado.

O resultado dessa articulação produziu, ao mesmo tempo, um efeito devastador sobre Miguel Coelho (UB). Depois de alimentar a expectativa de integrar a chapa majoritária, o ex-prefeito de Petrolina assistiu à construção de um cenário que muitos já classificam como a maior humilhação política imposta à família Coelho desde que o grupo se tornou protagonista da política pernambucana.

Camaragibe - IPTU Verde 2026

Inábil, Raquel não escolheu nenhum dos três senadores

Mesmo sentada na cadeira de governadora, lugar confortável para liderar articulações políticas, Raquel Lyra (PSD) sequer conseguiu escolher seus senadores. Foi, literalmente, obrigada a ter Eduardo da Fonte, da federação União Progressista, em sua chapa, depois de um processo tumultuado e com muita chafurdação. As relações conflituosas deles dois são antigas e conhecidas por todos.

Teve que aceitar Mendonça Filho (PL) se lançar candidato, trazendo Flávio Bolsonaro e sua alta rejeição em Pernambuco para o palanque governista, o que terá que explicar diariamente durante a campanha. Aceitou também a indicação de Túlio Gadelha, vinda ninguém sabe de onde; alguns dizem Bahia, outros São Paulo.

Brasil demorou a negociar tarifaço e não ganhará nada com retaliação, diz ex-presidente da CNI

O Brasil demorou a reagir ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos e agora tenta reduzir os prejuízos de uma crise que poderia ter sido enfrentada mais cedo pela via diplomática. Esse foi o diagnóstico apresentado ontem pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, durante entrevista ao podcast Direto de Brasília. Para o empresário, o governo Lula (PT) perdeu tempo diante de uma ameaça concreta e deveria ter aberto imediatamente um canal de negociação com o presidente americano Donald Trump.

“Eu sou a favor da negociação. Acho que é o único caminho que temos para realmente resolver essa questão do tarifaço, que foi decidida de maneira unilateral e baseada em levantamentos ou em informações que não são corretas”, declarou Robson. Segundo ele, justamente por considerar frágeis os argumentos usados pelos Estados Unidos, o Brasil teria condições de contestá-los de maneira objetiva. “Acho que estamos agindo tarde, já devíamos ter agido desde antes, quando havia uma ameaça concreta. Não era uma ameaça que a gente poderia relegar”, acrescentou.