Coluna da quarta-feira

Apostando em vitória de Flávio, Gilson Machado prevê impeachment de Moraes, cassação de Alcolumbre e mudanças na Constituição

Eleito deputado federal no último domingo (4), Gilson Machado (Podemos) projeta uma próxima legislatura marcada por enfrentamentos com o Supremo Tribunal Federal (STF), trocas no comando do Congresso e uma revisão da Constituição. Em entrevista, ontem, ao podcast Direto de Brasília, o ex-ministro de Jair Bolsonaro traçou esse cenário apostando na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e no fortalecimento da direita nas urnas.

Alexandre de Moraes seria, segundo Gilson, o primeiro ministro do Supremo a enfrentar um processo de impeachment, mas não o único. “Dois ministros ultrapassaram todos os limites, inclusive Flávio Dino”, declarou. Ao citar os mais de 100 pedidos apresentados contra Moraes, acrescentou: “O primeiro deve ser ele”. Para o deputado eleito, a nova composição do Congresso dará força às investidas contra integrantes da Corte. “Eles estão vendo que perderam a eleição, que tentaram interferir e as urnas disseram ‘não’. Agora é muito tarde, os ministros do STF vão ter uma surpresa”.

Eleitor de Flávio aposta no impeachment de ministros do STF

Por que Flávio Bolsonaro (PL) teve mais votos do que Lula (PT) no primeiro turno e desponta como favorito no segundo turno, próximo dia 25? Quem votou no filho de Bolsonaro na realidade mandou um recado de insatisfação com o Governo, que não passa de 42% de aprovação, e, principalmente, com o Supremo Tribunal Federal. Uma provável vitória de Flávio representa o primeiro passo para o impeachment de ministros da alta corte da justiça envolvidos em negócios escusos, como o escândalo do Banco Master.

O eleitor de Flávio entende que uma reeleição de Lula, ao contrário da volta do bolsonarismo ao poder, garante a impunidade de ministros, como Alexandre de Moraes. Não tenha dúvida: eleito, Flávio vai detonar os algozes do seu pai. As condições iniciais para isso já foram construídas: 46 senadores eleitos ontem são comprometidos com as causas bolsonaristas.

A máquina só moeu em favor de Raquel

João Campos (PSB) perdeu a eleição pela onda bolsonarista, a mesma que arrastou o presidente Lula (PT) para um segundo turno mais favorável ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Aos 81 anos, ir ao segundo turno num cenário incerto, não estava no radar do petista. João foi vítima também do extremo desgaste do Governo Lula. Perdeu também pela baixa performance no Recife e Região Metropolitana. O Recife não traiu João. O que houve foi uma avalanche de votos à direita, fenômeno que ocorre na América do Sul.

João foi vítima principalmente do uso abusivo e ostensivo da máquina do Estado pela governadora, que teve 150 prefeitos moendo suas estruturas em favor dela. A máquina é um peso em qualquer eleição. João tinha consciência disso e apostou na estratégia de vincular seu nome ao prestígio de Lula no Estado.

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Raquel chega ao último dia sob o peso de uma campanha marcada por recuos e episódios negativos

A governadora Raquel Lyra (PSD) chega ao último dia da campanha tentando a reeleição tendo de administrar uma sucessão de episódios que, ao longo das últimas semanas, alteraram o ambiente da disputa. Em vez de encerrar a campanha ditando os termos do debate, a gestora chega à véspera da eleição reagindo a uma agenda que passou a ser cada vez mais imposta pelo adversário.

O movimento mais simbólico ocorreu nos últimos dias, quando sua campanha incorporou a defesa da isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas, uma proposta que João Campos já havia apresentado durante a campanha. O episódio ganhou relevância menos pelo conteúdo da medida, que passou a ser compartilhado pelos dois candidatos, e mais pelo momento em que ocorreu.

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Raquel acusa governo Lula de má-fé

Em uma reviravolta no discurso até então encampado pelo marketing da campanha à reeleição, a governadora Raquel Lyra (PSD) foi enfática ao acusar, ontem, durante debate promovido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de agir de “má-fé” ao “direcionar” as auditorias realizadas pelo Ministério da Saúde para investigar repasses de R$ 40 milhões a uma unidade de saúde privada da qual um dos sócios é o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD).

Ao ser questionada pelo candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), sobre o suposto quantitativo de 236 fraudes em “processos de tratamento de câncer e hemodiálise” realizadas no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, que tem como sócio-administrador Jorge de Noronha Branco Neto, marido de Priscila Krause, a governadora demonstrou certa confusão ao abordar o andamento do processo, ao passo que partiu para o ataque ao Ministério da Saúde.

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Efeito Lula começa a mostrar sua força na reta final

Há um elemento que ganhou peso decisivo na reta final da eleição em Pernambuco: a força de Lula no Estado. E, mais do que uma demonstração de popularidade, os dados disponíveis mostram que o presidente tem capacidade concreta de transferir votos para uma candidatura ao Governo.

Em julho, o Datafolha registrou que 36% dos pernambucanos afirmavam que votariam com certeza em um candidato a governador apoiado por Lula, enquanto outros 20% diziam que talvez votassem. Entre os eleitores de Lula para presidente, esse percentual chegava a 57%.

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João cresce na hora certa

A nova pesquisa da Quaest de ontem apontou que, diferentemente da governadora Raquel Lyra (PSD), o candidato do PSB, João Campos, manteve uma onda crescente. De agosto para cá, o socialista cresceu seis pontos, saindo de 36% para 42%, enquanto a atual gestora estadual perdeu dois pontos, saindo de 44% em agosto para 42% no levantamento de ontem.

Isso mostra uma tendência de o eleitorado que ainda está indeciso optar por quem está em ascensão, no caso João Campos. Polarizando a disputa, João e Raquel se defrontaram ontem em mais um debate, desta feita na poderosa TV Globo. Como estão empatados numericamente, a percepção do eleitor indeciso sobre o duelo global pode influenciar no resultado da eleição.

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Raquel e João duelam hoje na Globo

Historicamente, os debates na TV Globo, embora em horários não tão nobres, quando os trabalhadores que acordam cedo para a labuta do dia a dia já dormem, ainda exercem forte influência no eleitorado, especialmente entre os indecisos, que só se ligam ao ambiente eleitoral bem próximo ao pleito.

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se confrontam na próxima quinta-feira na telinha global, mas em Pernambuco e nos demais estados os candidatos a governador medem forças hoje, logo após a novela “Quem ama cuida”, por volta das 22 horas. Na Globo Pernambuco, o encontro será mediado pelo apresentador Márcio Bonfim e terá transmissão ao vivo também pelo g1, Globoplay e pela rádio CBN, direto da sede da emissora, no bairro de Santo Amaro.

Participam do debate Ivan Moraes, do PSOL; João Campos, do PSB; e Raquel Lyra, do PSD, candidata à reeleição. Foram convidados, conforme determina a lei, os candidatos de partidos, coligações e federações com representação no Congresso Nacional de ao menos cinco parlamentares.

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Raquel vomita um coração cheio de maldade

Na Bíblia, Jesus falou o seguinte aos fariseus: “Raça de víboras! Como podem vocês, que são maus, dizer coisas boas? Pois a boca fala do que está cheio o coração”. Quando alguém fala algo perverso, como fez a governadora Raquel Lyra (PSD), mulher pública e comandante de um Estado, sugerindo uma laqueadura sem a paciente saber, é porque, à luz da Bíblia, seu coração está contaminado pelo maligno.

No mesmo livro de Mateus, está muito claro o ensinamento bíblico: uma pessoa má não consegue produzir palavras verdadeiramente boas. Nossas palavras mostram o que guardamos por dentro, seja bondade, amor, raiva ou maldade. O “coração” na Bíblia representa o centro dos nossos pensamentos e da nossa vontade.

João promove maior ato da campanha de Lula

A vinda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Pernambuco, ontem, na reta final da corrida eleitoral, produziu um efeito que ultrapassa a dimensão de um simples ato de campanha. Ao colocar Lula no centro do Recife, ao lado de João Campos (PSB), a Frente Popular transformou a visita em uma demonstração pública de força política e, sobretudo, em uma demonstração de unidade entre Lula, o PSB e o PT num dos estados mais simbólicos da trajetória política do chefe da Nação.

A caminhada partiu do Cais de Santa Rita, em direção ao Marco Zero e reuniu, segundo a organização, mais de 80 mil pessoas espalhadas pelo percurso, incluindo a Avenida Alfredo Lisboa, a Ponte Giratória e o entorno do Cais de Santa Rita. No palco, Lula reforçou explicitamente seu apoio a João Campos e associou sua candidatura à do socialista.

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