O deputado cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, trabalhou como produtor-executivo do filme sobre a história do pai, o ex-presidente Jair Bolsanaro.
A função consta em contrato a que o Intercept Brasil teve acesso. A TV Globo confirmou as informações.
Na quarta-feira (13), o site revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar “Dark Horse” e que as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As informações são do g1.
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras bilionárias, segundo a Polícia Federal.
A publicação exibiu áudio em que Flávio pede dinheiro e pressiona Vorcaro pelos pagamentos. De acordo com a reportagem, o banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. A TV Globo também confirmou essas informações.
Investigação sobre uso do dinheiro Segundo publicou o blog da Andreia Sadi, uma das linhas de investigação busca esclarecer se o dinheiro teria sido destinado oficialmente à produção do filme ou se esse discurso serviu apenas como justificativa para a transferência dos valores para financiar despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
O deputado cassado mora nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, e não retornou ao Brasil desde então.
Na quinta-feira (14), Eduardo disse, em uma publicação na internet, que o status migratório dele nos Estados Unidos o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado a Vorcaro.
Contrato traz definições sobre funções Segundo o Intercet, o contrato de produção do filme foi assinado digitalmente por Eduardo em 30 de janeiro de 2024. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece ao lado do deputado federal Mário Frias, também do PL de São Paulo, como produtor-executivo do filme.
Além disso, o documento traz a empresa GoUp Entertainment, que tem sede nos Estados Unidos, como produtora.
Ainda de acordo com o contato, cujos trechos foram publicados pelo site e confirmados pela TV Globo, a produtora e os produtores-executivos deveriam se dedicar a atividades de desenvolvimento do projeto.
Essas atividades incluíam o “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
Produtora sediada nos Estados Unidos A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida e tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis.
Segundo o Intercetp, Karina é também sócia do Instituto Conhecer Brasil, uma organização-não governamental.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma apuração preliminar para investigar supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a um grupo de entidades ligadas a GoUp, entre elas o Instituto Conhecer Brasil.
A medida foi tomada após pedidos apresentados pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Pastor Henrique (PSOL-RJ) dentro de uma ação que contesta a destinação de emendas.
O g1 revelou na quinta-feira (14) que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mário Frias (PL-SP) para que preste informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao instituto.
Em nota, a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por Karina da Gama, afirmou que os projetos que executa “seguem rigorosamente os trâmites exigidos pelos órgãos, incluindo apresentação formal de projetos, aprovação de plano de trabalho, metas, execução contratual, acompanhamento técnico, prestação de contas e fiscalização”.
A pré-candidata ao Senado Marília Arraes se reuniu nesta quinta-feira (15), no Recife, com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e com o prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos. Segundo os participantes, o encontro teve como pauta a articulação política entre os partidos e discussões sobre o cenário político estadual e nacional.
Durante a reunião, os dirigentes trataram de ações conjuntas para os próximos meses e da aliança entre as siglas em Pernambuco. “Estamos construindo um projeto unido, com diálogo permanente e compromisso com Pernambuco e com o Brasil”, afirmou Marília Arraes. João Campos também participou das conversas sobre a organização política do grupo para as eleições de 2026.
Carlos Lupi destacou a importância da composição entre PDT, PSB e aliados ligados ao governo federal no estado. “Pernambuco tem um papel estratégico para o Brasil”, declarou o dirigente partidário. Segundo ele, o encontro também debateu estratégias de fortalecimento do campo político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco.
O caso da relação de Flávio com Vorcaro expõe a baixa estatura moral do pré-candidato e torna ainda mais urgente que a direita democrática se mobilize para se libertar do bolsonarismo
O primeiro teste de estresse da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência terminou mal. A revelação de que o primogênito de Jair Bolsonaro cobrou do banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro para alegadamente bancar um filme sobre a trajetória do pai fez mais do que expor o despreparo político do indigitado: escancarou a sua baixa estatura moral, deficiência que o torna absolutamente indigno de ser presidente da República.
Esse episódio torna ainda mais urgente que a direita democrática se empenhe em construir uma alternativa conservadora séria, comprometida com a Constituição e com padrões mínimos de decência, para disputar a Presidência e impedir que o petista Luiz Inácio Lula da Silva ganhe mais quatro anos para arruinar o País. Para isso, a direita não pode seguir a reboque de um desqualificado como Jair Bolsonaro e de seu clã, cuja trajetória política é marcada desde sempre por sua vocação antidemocrática, por sucessivos escândalos, pela confusão deliberada entre público e privado e pela imoralidade.
Graças às conversas reveladas pelo site Intercept Brasil, confirmadas pelo Estadão, essa depravação fica ainda mais explícita. Nelas, constata-se o grau de proximidade entre um senador da República, hoje com a pretensão de governar o Brasil, e um banqueiro que já naquela época era suspeito de ser o protagonista do maior crime já cometido contra o sistema financeiro nacional.
De acordo com os documentos da Polícia Federal (PF) publicados pelo site, Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Vorcaro uma quantia equivalente a US$ 24 milhões para a produção de Dark Horse, a tal cinebiografia do ex-presidente, dos quais US$ 10 milhões já teriam sido pagos ao longo de 2025.
Primeiro, Flávio tentou negar. Questionado por jornalistas, disse que se tratava de “mentira”. Depois, quando as provas vieram à luz, o senador teve de reconhecer que pediu mesmo o dinheiro, mas enfatizou que se tratava de uma relação “privada”, sem envolver recursos públicos.
Ora, pouco importa se o dinheiro era privado ou público. O busílis é a origem dos recursos. A fortuna do sr. Vorcaro não advém do seu sucesso empresarial em atividades legais. Segundo a PF, o banqueiro construiu patrimônio por meio de fraudes bancárias, algumas das quais envolvendo fundos de previdência de servidores públicos em diversos Estados e municípios, além do Banco de Brasília (BRB). Em paralelo, Vorcaro construiu uma rede de influência nos Três Poderes, ao que parece a peso de ouro. Tudo isso já era sabido na época da conversa entre os dois.
O problema central aqui, portanto, é outro. Flávio Bolsonaro não pode ser tratado como um cidadão qualquer pedindo ajuda a um financiador qualquer. Era um senador com pretensões presidenciais esperando receber milhões de dólares de um notório escroque, cuja prisão aconteceria no dia seguinte à tal conversa.
Ademais, constrange o tratamento fraterno que Flávio Bolsonaro dispensa a Vorcaro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente”, disse o senador. A frase não deixa margem para dúvidas sobre a relação de proximidade, confiança e eventual “gratidão política”, chamemos assim, envolvidas naquela negociação.
Para piorar, a mambembe explicação do entorno bolsonarista só aprofundou as suspeitas sobre as reais intenções de Flávio Bolsonaro. O produtor do filme, o deputado Mário Frias (PL-SP), afirmou textualmente que “não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse”. Ora, se não havia dinheiro do banqueiro na produção, para onde iria a dinheirama cobrada pelo senador?
Não cabe a este jornal antecipar julgamentos. Mas tampouco se pode condenar quem acredite que a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro envolva suspeitas de lavagem de dinheiro, formação de caixa dois ou enriquecimento ilícito. Um pré-candidato à Presidência envolvido em transações desse jaez tem o dever de dar explicações convincentes ao País, o que Flávio Bolsonaro ainda não fez. Por ora, preferiu mentir, atacar a imprensa e zombar da inteligência alheia.
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) protocolou, nesta quinta-feira (15), um requerimento de informação direcionado ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, solicitando esclarecimentos sobre a substituição do delegado Guilherme Figueiredo Silva da chefia da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal. O parlamentar também questiona mudanças na condução dos inquéritos que investigam desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), incluindo apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
No documento, Alfredo Gaspar pede informações sobre a motivação administrativa da troca, questiona se houve pressão política ou influência externa na decisão e solicita detalhes sobre medidas adotadas para garantir a continuidade das investigações. O requerimento também menciona críticas feitas pela defesa de Lulinha à atuação do delegado substituído e cita reunião realizada com o ministro do STF André Mendonça sobre o caso.
Na justificativa, o deputado afirma que a substituição ocorreu em meio a diligências relacionadas ao rastreamento de recursos supostamente desviados do INSS e aponta preocupação com a continuidade das investigações. O texto também menciona pedidos de quebra de sigilo e investigações sobre supostos vínculos empresariais ligados ao caso.
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, com responsabilidades e poder sobre a gestão financeira do projeto, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil.
Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram, ontem, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, no post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão no “Dark Horse”.
Um contrato de produção, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, à frente da produção-executiva, função com poder para lidar diretamente com o controle de orçamento e gestão financeira de um projeto audiovisual.
Segundo o documento, a produtora e os produtores-executivos agiriam em conjunto para dedicar-se a atividades de desenvolvimento do projeto, dentre elas “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
O contrato obtido pelo Intercept define uma ampla gama das funções que Eduardo teria na produção. Junto com os outros produtores, a empresa GoUp e o deputado federal Mario Frias, ele teria a responsabilidade sobre as decisões sobre como os recursos seriam captados e gastos. Não há informação, porém, sobre quem, de fato, executou essas funções.
Enviamos questionamentos para Eduardo Bolsonaro e para o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto. A defesa do deputado Mario Frias informou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”.
Também mandamos perguntas para as defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do banqueiro Daniel Vorcaro, mas tampouco recebemos retorno. Se houver, o texto será atualizado.
Uma troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, e Daniel Vorcaro de 21 de março de 2025 destaca o papel de articulador financeiro exercido por Eduardo na produção do filme.
Miranda, que teve papel de intermediário entre Vorcaro, a família Bolsonaro e o deputado Mario Frias em tratativas sobre o filme, encaminha para o banqueiro uma captura de tela de uma mensagem que Eduardo o enviou e diz: “Já estou fazendo o aditivo da troca da empresa e preciso de um direcionamento seu para seguir.”
Na mensagem de Eduardo a Miranda, o deputado federal cassado diz: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”
Em seguida, de acordo com a mensagem obtida pelo Intercept, Eduardo explica como seria a melhor forma de enviar o dinheiro: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.
Embora não seja possível precisar a data que Eduardo enviou a mensagem a Miranda, o encaminhamento da captura de tela para Vorcaro indica que isso ocorreu em março de 2025 – mesmo mês em que Eduardo anunciou que ia se licenciar do mandato para ficar nos EUA e buscar as “devidas sanções aos violadores de direitos humanos”.
Enviamos questionamentos para Miranda, que esclareceu que ele “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação, gestão financeira e estratégia de lançamento do filme Dark Horse” tendo limitado sua participação a “intermediar o contato entre pretenso investidor e os interessados no projeto”. Leia a resposta na íntegra.
Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra ainda uma minuta de aditivo de contrato para a produção de “Dark Horse” em que Eduardo é qualificado como financiador do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Não há confirmação se o aditivo foi, de fato, assinado.
Embora ele diga não ser “dono do filme”, o contrato – datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 – designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente da GoUp. A minuta que o designa como financiador da operação também contradiz sua fala de que ele teria apenas cedido “direitos de imagem”.
A GoUp Entertainment é uma empresa sediada na Flórida que tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado nos Estados Unidos, Michael Brian Davis.
Em dezembro, revelamos como uma organização não-governamental na qual Karina é sócia, o Instituto Conhecer Brasil, havia recebido pelo menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março, o Ministério Público está investigando o contrato.
A TV Globo noticiou na quinta-feira, 14, que o STF tenta, há mais de um mês, intimar o deputado Mario Frias a prestar informações sobre “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas” destinados ao Instituto Conhecer Brasil – o parlamentar e produtor-executivo do filme teria destinado R$ 2 milhões à ONG. Enviamos questionamentos para Karina Gama e para seu sócio, Michael Brian Davis, mas não houve resposta até a publicação. O espaço segue aberto.
Fundo de advogado de Eduardo recebeu dinheiro de Vorcaro
Na quarta-feira, 13, o Intercept revelou como o senador Flavio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, irmão de Eduardo, articulou apoio do banqueiro Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse”, segundo mensagens obtidas com exclusividade.
Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção, dos quais pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse” teria custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. No Instagram, o deputado federal cassado negou ter recebido o dinheiro negociado para o filme.
O material analisado pelo Intercept indica que ao menos parte dos valores negociados por Flávio junto a Vorcaro foi para um fundo controlado por aliados de Eduardo – incluindo Paulo Calixto, o advogado encarregado de seu processo imigratório nos EUA, conforme apuração da Agência Pública.
Os diálogos, um comprovante de uma ordem de pagamento de 2 milhões de dólares e uma tabela com previsão de valores a serem pagos analisados pelo Intercept indicam que parte do dinheiro negociado com Vorcaro para o filme foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas do banqueiro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos EUA, e controlado por aliados de Eduardo.
Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo Havengate Development Fund LP foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, de Paulo Calixto.
Nos registros, o fundo aparece como sendo pertencente à companhia quase homônima Havengate Development Fund GP LLC, registrada no mesmo endereço comercial em Dallas.
Os documentos desta segunda firma apontam Altieris Santana como membro do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador. Ambos aparecem vinculados ao mesmo endereço comercial utilizado pelo Havengate.
Em uma das mensagens obtidas pelo Intercept, ao sugerir alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA, Eduardo Bolsonaro informa que Altieris Santana estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação financeira. Enviamos questionamentos para Altieris Santana e Paulo Calixto, mas não houve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.
No Instagram, Eduardo disse que “o escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos” e que foi ele quem apresentou Calixto a Mario Frias “por saber da sua competência”.
Plano de negócios previa “oportunidade de imigração”
Os documentos mostram que o filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro teve um orçamento total astronômico para os padrões brasileiros: o valor estimado é entre 23 milhões e 26 milhões de dólares. A quantia corresponde ao montante negociado por Flávio Bolsonaro com Vorcaro: 24 milhões de dólares. O custo total é superior ao de várias produções recentes de Hollywood, inclusive vencedoras do Oscar.
O orçamento do filme prevê, segundo os documentos aos quais o Intercept teve acesso, que mais de 10,7 milhões de dólares seriam destinados apenas aos custos “acima da linha”, rubrica que inclui “custos gastos antes da filmagem” – com direitos do roteiro, salários de atores, diretores, produtores, diretor de elenco, roteirista e outros envolvidos na direção financeira e criativa de alto nível do filme.
Ainda segundo os documentos, a estratégia para captar recursos consistia na oferta de 40 cotas de 500 mil dólares. Ou seja, um total de 20 milhões de dólares.
Para atrair grandes investidores, o orçamento do filme foi fatiado em pacotes de investimento VIP com regalias incomuns para o mercado de cinema. Se o investidor pagasse 1 milhão de dólares, ele comprava uma cadeira no conselho de produção – com direito a dar pitacos e influenciar as decisões do filme.
O pacote mais caro, e incomum, custava 1,1 milhão de dólares. O grande chamariz para esse investimento não era o filme, mas sim a promessa explícita de uma “oportunidade de imigração”. O plano de negócios oferecia o filme como um atalho para que ricaços comprassem o direito a um Green Card, garantindo assim o visto de residência permanente nos Estados Unidos.
Plano de negócios previa benefícios para investidores, incluindo uma “oportunidade de imigração”
A promessa de lucro da produtora era agressiva: os investidores teriam a devolução de 100% do capital aportado acrescido de um lucro de 20% sobre o valor investido. O plano de negócios projetava a receita global do filme em três cenários distintos: um pessimista (de 45 milhões de dólares), um conservador (70 milhões de dólares) e um otimista (100 milhões). Após a quitação prioritária do capital e do prêmio de 20% aos financiadores, todo o lucro líquido restante gerado pela bilheteria e plataformas de streaming seria dividido meio a meio entre investidores e produtores. Ou seja, Eduardo Bolsonaro e Mario Frias também lucrariam com o filme.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ironizou as movimentações financeiras e relações políticas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante evento em Barretos (SP), hoje, “Nesse hospital aqui não tem dinheiro do Vorcaro”, afirmou Lula.
A declaração foi dada durante visita ao Hospital do Câncer em Barretos. Lula participou de cerimônia na unidade de saúde, referência no tratamento oncológico no país, onde anunciou investimentos e ações na área. As informações são do portal G1.
O petista não citou nominalmente o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mas, a declaração foi feita na mesma semana em que vieram à tona áudios de conversas entre o banqueiro e o parlamentar.
Lula então prosseguiu a fala afirmando que a gestão do hospital, sempre que buscava o governo em busca de investimentos, levava projetos concretos. “Toda vez que esse moço me procurou para pedir recurso, levou projeto e eu dizia: ‘Não é discurso que me convence, mas o projeto. Se o projeto tiver consistência e base real, e tratar com dignidade as pessoas, não terá dificuldade comigo”, disse.
Ligação com Vorcaro
Nessa quarta-feira (13), reportagem do “Intercept Brasil” mostrou áudios e mensagens de texto em que Flávio trata Vorcaro, dono do Banco Master, como “irmão” e pede dinheiro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Vorcaro teria pago R$ 61 milhões a Flávio. A PF investiga se os valores foram usados para bancar Eduardo Bolsonaro, outro filho de Jair, nos Estados Unidos.
Mais cedo, Flávio foi questionado pela imprensa sobre o caso durante chagada ao Rio de Janeiro. Ele afirmou que “não tem que se justificar” sobre os áudios enviados ao banqueiro.
Os 91 anos de idade não impedem que Serafim Jardim cuide, com absoluto esmero, diariamente, da memória do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Presidente da Casa JK, em Diamantina, quando perguntam a Serafim qual é a sua especialização, ele responde: “Sou formado em Kubitschek”. Tal proximidade é que fez com que Serafim Jardim duvidasse desde o início da versão oficial para a morte de JK.
Foi ele o responsável por reabrir, em 1996 a investigação sobre a morte de Juscelino e de seu motorista, Geraldo Ribeiro. O ponto que levou agora a historiadora Maria Cecília Adão a elaborar relatório para a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos pedindo nova investigação é o mesmo levantado por Serafim.
Segundo o relatório de Maria Cecília a partir de estudos do perito Sergio Erberg, não há indícios de que o carro de JK desgovernou-se após sofrer uma batida de um ônibus na sua traseira. É exatamente o mesmo que dizia Serafim Jardim quando pediu, a partir do Ministério Público de Resende, onde aconteceu o acidente, a reabertura do caso. “Fico extremamente feliz de ver que agora, quem sabe, a verdade ser finalmente revelada”, disse Serafim.
Pela versão oficial, um ônibus da Viação Cometa bateu na traseira do Opala de cor marfim conduzido por Geraldo com JK como passageiro. Essa batida teria desgovernado o carro, que atravessou o canteiro e colidiu de frente com um caminhão. O laudo técnico da época, no entanto, não traz fotos claras da traseira do carro. Não há exame de tintas para verificar se havia marcas na traseira do Opala ou do Opala no ônibus. Não foram acrescentadas fotos dos cadáveres nem de Geraldo nem de Juscelino. “O laudo pericial é inaceitável”, conclui Serafim.
JK morreu no dia 22 de agosto de 1976. No dia 7 de agosto, o jornalista Wilson Frade telefonou para Serafim Jardim procurando confirmar a notícia de que Juscelino morrera num acidente de automóvel. Essa notícia chegou a diversos jornais naquele dia. JK estava na sua fazenda, em Luziânia. Lá localizado, o ex-presidente respondeu: “Estão querendo me matar”.
O próprio comportamento do motorista do ônibus não parece levar à conclusão de que ele teria batido no Opala. Ele parou após o acidente. Ajudou a tentar retirar das ferragens o motorista do caminhão. Depois, seguiu viagem e parou no posto da Polícia Rodoviária. Foi ele quem comunicou o acidente.
Juscelino estava em São Paulo e decidira viajar de carro de volta para o Rio. Em São Paulo, discutira a possibilidade de participação em uma construtora. Há, porém, um estranho detalhe no trajeto. Às 16h30, na divisa entre os dois estados, o Opala entrou no Hotel Fazenda Villa-Forte. Ficou por 90 minutos.
O que Juscelino foi fazer nesse hotel? O hotel fora fundado pelo brigadeiro Milton Junqueira Villa-Forte, um dos responsáveis pela criação do Centro de Informações de Aeronáutica (Cisa). JK deixou o hotel um pouco antes das 18h. Alguns quilômetros mais adiante, logo depois, aconteceu o acidente.
As razões dessa estranha parada do carro de Juscelino nunca foram investigadas a fundo. Ele teria sido atraído para alguma reunião nesse hotel? Ali, durante o tempo em que ficou estacionado, teria sido feita alguma sabotagem no automóvel? Ou teria havido algum atentado no km 165 da Via Dutra, onde houve o acidente?
Em 1996, quando o caso foi reaberto, Serafim pediu a exumação do cadáver de Geraldo Ribeiro, que estava enterrado em Belo Horizonte. O exame feito revelou a existência de um fragmento de metal na cabeça do motorista de JK. Na época, a conclusão do exame é de queria um prego do próprio caixão.
Em 1986, a viúva de JK, Sarah Kubitschek, deu uma entrevista na qual dizia achar “suspeita” a morte de JK. Sarah, porém, não teria avançado nas suspeitas para não atrapalhar a reabertura política. “Esperei Dona Sarah morrer para reabrir o caso”, diz Serafim. Quase 50 anos depois, tudo volta a ser investigado.
A Operação Sem Refino da Polícia Federal dificulta ainda mais a já complicada vida política do ex-governador Cláudio Castro. A candidatura dele ao Senado pode ser inviabilizada de vez depois da ação da PF de hoje. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Cláudio Castro planeja se candidatar sub judice, já que foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico na sua campanha pela reeleição e ficou inelegível. Ele recorreu, mas a avaliação é que uma questão de tempo que tanto o TSE como Supremo Tribunal Federal confirmem sua inelegibilidade.
A operação da PF deve facilitar também o planejamento político para as candidaturas no Rio do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flavio Bolsonaro, que também não está numa semana boa, não morre de amores por Claudio Castro. Por ele, já teria rifado a candidatura do ex-governador.
Agora, pode ficar mais fácil impedir a candidatura de Claudio Castro. Ele não só enfrenta problemas na Justiça, mas também no mundo da polícia e da política. Tudo misturado, o ex-governador do Rio fica ainda mais nas cordas e pode ser obrigado a submergir.
Uma solução rápida para a situação de Claudio Castro também interessa a Flavio Bolsonaro porque, sendo ele do PL, acaba desgastando também o senador e pré-candidato à Presidência da República, às voltas com seus problemas no relacionamento com o banqueiro Daniel Vorcaro.
E atinge também o esquema da máfia dos combustíveis, com mandado de prisão contra Ricardo Magro, dono da Refit. Empresário com forte laços políticos com integrantes do Centrão.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou, hoje, que as revelações que ligam o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro preso Daniel Vorcaro causam um “desgaste muito grande” à campanha de Flávio. As informações são do portal G1.
Na quarta-feira (13), reportagem do “Intercept Brasil” mostrou áudios e mensagens de texto em que Flávio trata Vorcaro, dono do Banco Master, como “irmão” e pede dinheiro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vorcaro teria pago R$ 61 milhões a Flávio. A PF investiga se os valores foram usados para bancar Eduardo Bolsonaro, outro filho de Jair, nos Estados Unidos.
“Tudo que envolve Master é polêmico, é impactante, é evidente que teve um impacto muito grande, até por conta do posicionamento do Flávio Bolsonaro, que passou a semana dizendo que não tinha contato com Daniel Vocaro. Realmente, trouxe um desgaste muito grande, isso é público”, disse Kassab ao ser questionado sobre o assunto em entrevista ao TMC.
Kassab, que foi ministro e prefeito de São Paulo, é fiador da candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República. Articulador político, Kassab inicialmente apoiava que o candidato a presidente da centro-direita fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Na avaliação de Kassab, os acontecimentos dessa semana devem impactar negativamente Flávio Bolsonaro nas próximas pesquisas de intenção de voto. “A tendência de que caia é evidente”, afirmou o presidente do PSD.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) negou nesta quinta-feira ter recebido dinheiro de um fundo do investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Residente nos Estados Unidos, ele afirmou ainda que o seu “status migratório não permitiria” o recebimento dos valores. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro classificou a suspeita, investigada pela Polícia Federal, como “tosca”.
“No meu processo migratório expliquei as autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, disse Eduardo Bolsonaro, em uma publicação no Instagram. As informações são do jornal O GLOBO.
Nesta quinta-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que o montante aportado pelo banqueiro foi direcionado ao longa metragem Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, por meio do fundo Havengate Development Fund LP, gerido pelo advogado do irmão, Paulo Calixto, e sediado no estado do Texas, nos Estados Unidos.
O advogado seria o responsável pelo processo de imigração de Eduardo nos EUA. Na nota divulgada na noite de hoje, o ex-deputado afirma que o profissional “tem mais de 40 anos de experiência, mestrado e doutorado”.
“Seu escritório atua em gestão de patrimônio e fundo de investimento há mais de uma década. A parte de migração é apenas um departamento deles, devido a necessidade de clientes de alto nível migrar o capital e residência para o local de seus investimentos”, escreveu Eduardo.
Na nota, o ex-deputado afirma ainda que o escritório “cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos”. Eduardo Bolsonaro acrescenta ainda ter sido o responsável por apresentar o advogado ao deputado estadual Mario Frias, produtor do filme.
“Apresentei ele ao Mário, que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência. Gostariam que apresentassem advogados petistas e que não conheço?”, escreveu Eduardo.