Após a primeira tentativa frustrada, integrantes do Palácio do Planalto demonstram otimismo quanto ao presidente Lula conseguir aprovar, no Senado, a indicação do ministro Jorge Messias ao STF em segunda investida. As informações são do portal Metrópoles.
A aposta de ministros e assessores palacianos é de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estará fragilizado diante do avanço do Caso Master, o que abriria espaço para negociação mais favorável ao governo.
Auxiliares de Lula lembram que investigadores da Polícia Federal (PF) apuram possíveis irregularidades em aportes da Amapá Previdência, gerida por aliados de Alcolumbre, no banco comandado por Daniel Vorcaro.
A nova indicação de Messias foi anunciada por Lula na sexta-feira (29/5), dias após conversa do presidente com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e com o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
No Planalto e entre aliados de Messias, a expectativa é de que Lula reenvie a indicação de Messias ao Senado assim que conversar com Alcolumbre. A leitura no entorno presidencial é de que esse movimento não deve demorar. “Ele (Lula) não ia anunciar isso agora se não fosse para mandar logo”, diz uma fonte do governo.
O pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (NOVO) foi notificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e agora tem 15 dias para se manifestar a respeito do caso em que é suspeito de ter cometido calúnia contra Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O caso diz respeito a um vídeo publicado por Zema no perfil dele no Instagram no dia 5 de março. Na publicação, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli são retratados de forma irônica por meio de fantoches, em um vídeo que trata do caso Master. As informações são do portal G1.
Zema foi notificado pouco tempo depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviar a denúncia de calúnia ao STJ. O pré-candidato e ex-governador de Minas Gerais publicou um vídeo em seu Instagram nesta segunda-feira (1º) para comentar a notificação.
“Fui notificado pela Justiça Federal e adivinha quem é o autor: ministro Gilmar Mendes. Parece que ele não gostou quando eu falei que ele pega carona em jatinho de banqueiro bandido, quando eu falei que outros ministros do Supremo fizeram contratos com esse banqueiro bandido. Estou aqui indignado, mas tenho certeza de que a justiça vai prevalecer”, declarou Zema.
Em 20 de abril, o ministro do STF Gilmar Mendes pediu ao também ministro da Corte Alexandre de Moraes que incluísse Zema no inquérito das fake news, do qual Moraes é relator, por calúnia pelo vídeo publicado no dia 5 de março.
No pedido, Gilmar Mendes acusa o pré-candidato de calúnia por publicar o conteúdo associando o magistrado ao caso Master.
Depois de ser denunciado por Gilmar Mendes ainda em abril, Zema publicou um novo vídeo no seu Instagram, com fantoches dos ministros. Nas redes, o ex-governador de MG chama a série de “intocáveis”.
Atendendo ao pedido de Gilmar Mendes, Moraes acionou então a Procuradoria-Geral da República (PGR), que, no dia 15 de maio, denunciou o caso de calúnia ao STJ por entender que é onde o tema deve tramitar.
Na decisão que enviou o caso para o STJ, o procurador-geral Paulo Gonet discordou de que Zema deveria ser incluído no inquérito das fake news e entendeu que o foro para o tema é o STJ porque o crime tem relação com o exercício do cargo, já que Zema teria utilizado perfis públicos associados à sua atuação institucional e política e o ato ocorreu dentro da atuação pública do então governador.
A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) foi processada por um famoso site de fofocas na internet, que tem nada menos que 25 milhões de seguidores. O site queria – não conseguiu – que ela retirasse um vídeo na qual ela mostrava um curioso processo.
No meio das notas em que contava que o ex-BBB tinha começado a namorar modelo famosa, o site começava a publicar notícias sobre políticos, algumas elogiosas e outras críticas. Depois, críticas ao Banco Central, quando o banco começou a tomar medidas até liquidar o Banco Master. E que coincidência havia por trás de mesclar sua fofoca costumeira com notas políticas? O patrocínio de uma importante casa de apostas do tipo bet.
“Percebe a engrenagem?”, questiona Tabata. “Essa máquina de fofocas entra em ação quando certos interesses precisam ser defendidos”. Tabata faz o fio do processo. “Dinheiro de aposta financia página de entretenimento; página de entretenimento faz propaganda política disfarçada de entretenimento; página disfarçada ataca quem investiga a corrupção e promove quem protege o esquema”, enumera ela.
Eis aí mais um risco do bilionário esquema das bets: o jogo que hoje vicia e adoece famílias quer eleger sua bancada política. “Enfrentamos hoje o maior lobby existente no Brasil”, acusa Tabata Amaral, em conversa com o Correio Político. Na semana passada, ela e um grupo suprapartidário, do qual fazem parte desde a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), à esquerda, à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), à direita, lançaram no Congresso a campanha “Brasil contra as bets”, destinada a coibir o crescimento desse tipo de aposta no país.
O atual peso publicitário das bets não precisa nem ser descrito em números. É evidente a qualquer momento em que se ligue uma televisão. Vai crescer fortemente às vésperas da Copa do Mundo. Mas, como mostra Tabata, pode seguir de forma mais subliminar até outubro, quando acontecerão as eleições para presidente, governador e parlamentos.
O movimento do qual faz parte Tabata não quer proibir o jogo. Mas restringir o seu avanço, especialmente a partir da publicidade. Estabelecer que haja sobre ele o mesmo tipo de restrição de propaganda que há hoje no Brasil sobre cigarros e bebidas alcoólicas, o que reduziria fortemente a sua presença.
O grupo integrado por Tabata Amaral é iniciativa da Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental. Porque a epidemia das bets já se tornou um caso grave de saúde pública. Segundo relatório do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), 1,4 milhão de brasileiros têm hoje Transtorno de Jogo.
Diz ainda o estudo do Ieps que um impressionante número de 10,9 milhões de pessoas já têm hoje envolvimento com jogos de apostas com potencial de dano de saúde mental. São potenciais viciados que irão engordar o segmento de mais de um milhão que hoje a saúde brasileira já trata.
É perigoso, portanto, alerta Tabata Amaral, que tudo isso hoje aconteça livremente, com forte exposição de propaganda. Que não somente estimula novos apostadores pelo esporte, patrocinando times e campeonatos de futebol, como também irriga páginas de influenciadores que tratam de eleger uma bancada do jogo.
Disposta a enfrentar esse lobby, Tabata compara a luta com a que conseguiu aprovar o Estatuto da Criança e Adolescente para ambiente virtual, que ficou conhecido como ECA Digital. “O movimento não começou com o vídeo do Felca. O vídeo do Felca o impulsionou”, explica ela.
Tabata refere-se ao vídeo no qual o influenciador Felca mostrava o processo de adultização de crianças a partir de páginas na internet. O trabalho de Felca chocou o país e criou o ambiente para a aprovação do ECA Digital. “Precisamos agora chocar o país com a ameaça das bets”, diz Tabata Amaral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deseja conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para insistir em um trabalho de cooperação no combate ao crime organizado, com objetivo de evitar qualquer tipo de medida que venha a prejudicar o sistema financeiro nacional.
Ainda não há uma data para essa conversa, mas Lula também quer evitar novos aumentos de tarifas na importação de produtos brasileiros. As informações são do blog do Valdo Cruz.
O impacto mais imediato no Brasil da classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas pode ser sentido no sistema financeiro, com risco de sanções a empresas que investem ou transferem recursos em setores que podem ter a infiltração das duas organizações criminosas.
O receio é que a medida possa a afugentar alguns investimentos americanos do Brasil.
No campo político, Lula vai continuar insistindo na defesa da soberania nacional. Além de associar a Flávio Bolsonaro qualquer tipo de medida que venha a prejudicar a economia brasileira, na mesma linha da estratégia adotada no período do tarifaço contra importações de produtos brasileiros.
Na equipe de Flavio Bolsonaro, a avaliação é que ele sair da defensiva com a decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e vai insistir que Lula defende as duas organizações.
O senador sabe, porém, que vai continuar sendo cobrado fora e dentro de sua campanha sobre suas relações próximas de Daniel Vorcaro.
“Ganhamos tempo, mas não podemos ter nenhuma nova surpresa e explicar de forma crível sobre como o filme Dark Horse foi financiado”, diz um interlocutor do filho do ex-presidente Bolsonaro.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) enviou ofício à Polícia Federal e à Interpol pedindo a adoção de medidas de cooperação internacional para apurar a origem, a movimentação e os beneficiários de recursos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). O parlamentar solicita o compartilhamento de informações com autoridades de países como Estados Unidos, Holanda e Hungria e pede a preservação de registros financeiros ligados ao projeto.
No pedido, Lindbergh afirma que reportagens apontaram a participação de empresas estrangeiras e mecanismos financeiros internacionais na produção do filme. Segundo o deputado, documentos revelados pela Agência Pública indicariam que Eduardo Bolsonaro foi descrito como “financiador” do projeto e que houve tentativa de contratação de uma estrutura de conta de custódia para movimentação de recursos destinados à obra. As informações são do portal Metrópoles.
O parlamentar também cita informações sobre uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil para a empresa New Path Pictures Inc., na Califórnia (EUA), intermediada pela Stichting Freeway Custody, entidade registrada na Holanda. Segundo Lindbergh, os envolvidos buscavam uma estrutura que permitiria que investidores permanecessem anônimos, o que justificaria a identificação dos beneficiários finais e da origem dos recursos.
No ofício, o deputado sustenta que os fatos apontam para uma possível “arquitetura transnacional de movimentação de recursos” envolvendo Brasil, Estados Unidos, Holanda e Hungria. Ele argumenta que a utilização de empresas, fundações, contratos privados e estruturas de custódia em diferentes países exige apuração sobre a origem e o destino dos valores empregados no projeto audiovisual.
Cerca de 600 objetos coletados, adquiridos ou doados entre as décadas de 1920 e 1950 estão, finalmente, saindo da reserva técnica do Museu do Ipiranga para ter sua existência reconhecida e ressignificada.
Ontem (30), a instituição, que tem revisitado, desde a reinauguração em 2022, as narrativas abrigadas em seu acervo, colocou ceramistas, museólogos e agentes culturais de Taubaté, São Luiz do Paraitinga e Cunha, municípios da região do Vale do Paraíba (SP), frente a frente com um conjunto chamado de Coleção Sertaneja. São objetos de uso cotidiano — como roupas e utensílios de cozinha —, peças de cunho religioso e artesanatos feitos, sobretudo, de madeira, metal, material têxtil, couro e palha.
De muitas das peças ninguém tem maior referência a não ser que foram coletadas de 1920 a 1950. Entre as que têm origem conhecida a maioria é de São Paulo. Há também itens vindos de outros estados: Paraíba, Goiás, Bahia, Pernambuco, Paraná, Pará, Ceará, Alagoas, Minas Gerais e Piauí. Ao menos 60 foram coletadas pelo folclorista Alceu Maynard Araújo, nascido em Piracicaba, no interior paulista.
O que se sabe hoje, durante muito tempo não se soube. O estudo da coleção, que passou décadas guardada na reserva técnica do museu, teve início há dois anos, quando o historiador David Ribeiro ingressou na instituição. Sua área é a de “memórias identitárias e memórias traumáticas”. Ao entrar, teve de escolher um acervo para estudar.
Ribeiro nasceu em Laranjal Paulista, cidade justamente vizinha de Piracicaba. Formado no campus de Assis da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), estudou, no mestrado e no doutorado, o patrimônio afro-brasileiro e indígena e o catolicismo popular — com especial atenção às irmandades negras. Um de seus objetos de pesquisa foi o das comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. As cerca de 600 peças foram coletadas sobretudo no Vale do Paraíba entre 1920 e 1950
“O racismo no interior de São Paulo opera de forma bastante diferente do contexto urbano”, diz ele. “A população negra vive de forma quetificada. A mobilidade social é muito mais difícil”
Os objetos que agora vêm a público contam parte dessa história. A parcela sob a guarda do Museu do Ipiranga é a maior de um total de quase mil peças; o resto está no Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP. Entre as peças do MAE, há um grupo cuja origem ajuda a dar concretude ao que Ribeiro diz.
Ali, há quase 300 objetos de culto afro-brasileiro — oratórios, imagens e instrumentos musicais — apreendidos pela Delegacia de Costumes da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo em 1947 e posteriormente doados à USP.
Mas não só de perseguição se constitui esta coleção. O interesse do museu pelo “caipira remonta a um movimento do pintor Almeida Júnior, de Itu, e de Cesário Motta Júnior, de Porto Feliz. Motta Júnior foi o secretário que assinou o decreto de criação do Museu Paulista. Ambos nascidos no interior, eles desejavam valorizar a figura do “homem da roça” que, acreditavam, acabaria por desaparecer ante o progresso.
Em um segundo momento — ainda na primeira metade do século XX —, o museu, propagador da figura do bandeirante, passou a espelhar a visão do caipira como alguém associado à pobreza e ao atraso.
A maior parte da Coleção Sertaneja é, não por acaso, posterior a esse momento e alinha-se a Missão de Pesquisas Folclóricas (1938), liderada por Mário de Andrade, e a outros movimentos que buscavam registrar um patrimônio cultural que, sob o risco de esvair-se, deveria ser salvaguardado.
Todas essas visões foram, com o passar do tempo, se tornando não apenas anacrônicas como problemáticas. Hoje, a própria designação de caipira ou sertanejo é questionada. “É como se essas categorias estivessem acima ou além do enquadramento racial, e ser caipira fosse algo que superasse o ser negro, o ser branco, o ser mestiço e o ser indígena”, explica Ribeiro.
E o Museu Paulista, prossegue o historiador, tem um lugar central na construção do imaginário sobre o sertão. Os bandeirantes, ali louvados por muito tempo, foram eles mesmos “sertanistas — homens que adentravam o interior para “conquistá-lo” ou “domá-lo”.
Não por acaso, além de buscar, por meio de um diálogo com as comunidades ligadas às regiões de onde vieram esses objetos, “qualificar e requalificar” a coleção, o historiador cogita rediscutir a própria nomenclatura dela.
O sertão, afinal de contas, é tanto o que viu Euclides da Cunha quanto o que enxergou Guimarães Rosa, além de ser aquilo que as instituições culturais, por muito tempo, não souberam ou não quiseram nomear.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) é o autor da PEC do horário flexível, alternativa dos senadores de oposição ao governo Lula (PT) para enterrar o fim da escala 6×1 no Senado. Marinho é o coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi relator da reforma Trabalhista de 2017, enquanto era deputado federal, e ministro do Desenvolvimento Regional do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são do jornal Extra Classe.
Ele tem sido apontado como o “bombeiro” da pré-campanha do primogênito do ex-presidente desde que explodiu a crise envolvendo Flávio, o banqueiro Daniel Vorcaro e negociações de vultuosas quantias para a produção do filme “Dark Horse”. Cabe a Marinho, mais alinhado ao mercado financeiro que às alas ideológicas do bolsonarismo, tranquilizar o mercado financeiro de que a candidatura de Flávio ainda é viável para desbancar Lula.
Também foi Marinho, que é líder da oposição no Senado, quem solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apure o vazamento de informações envolvendo conversas de Flávio com Vorcaro, que ele classifica no documento enviado à corte como “vazamento seletivo”.
A PEC 12/2026 cria regime flexível baseado em horas trabalhadas, aposta na negociação entre empregador e trabalhador e calculará salários e benefícios como FGTS, férias e 13º salário de forma proporcional à carga horária cumprida. A proposta foi protocolada na última quinta-feira (28). No mesmo dia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou o projeto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Tarefa no Senado é sabotar fim da 6×1
O senador Rogério Marinho é quem encabeça a PEC do “horário flexível”, que contou com apoio de outros 39 dos 81 senadores. A tarefa é sabotar o fim da escala 6×1. Enquanto isso, o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, que é senador pelo PL/RJ, se poupa do desgaste de criticar o fim da escala, medida que conta com apoio de mais de 70% da população brasileira.
O senador potiguar também teria sido o responsável por traçar a estratégia do PL em relação ao fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados. Dos 19 votos contrários ao fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados na última quarta, 27 de maio, 11 vieram do PL, outros quatro votos foram do Novo, e mais quatro de parlamentares do União Brasil, PP, MDB e Missão.
Reforma Trabalhista
Marinho, que é economista, foi relator da Reforma Trabalhista de 2017 na Câmara dos Deputados, um dos articuladores da reforma da Previdência de 2019 e afirmou à Folha de São Paulo, em entrevista em 6 de março, que se Flávio ganhar a eleição, irão “revisitar” as reformas da Previdência e Trabalhista.
A PEC 12/2026 retoma pontos centrais da Reforma Trabalhista de 2017 como ampliar a prevalência de acordo individual sobre acordos coletivos negociados por sindicatos. A remuneração seria proporcional à jornada efetivamente trabalhada, o que impacta férias, 13º salário, FGTS e demais direitos, que seriam calculados de acordo com a carga horária ajustada individualmente.
A Polícia Civil de São Paulo pediu acesso a dados sigilosos da empresária Karina Ferreira da Gama, dona do Instituto Conhecer Brasil, no âmbito de um inquérito que investiga suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de serviços de internet gratuita.
Segundo a investigação, os policiais querem obter relatórios financeiros sobre movimentações consideradas atípicas e comunicações de operações suspeitas envolvendo a empresária. O pedido está sob análise da Vara Regional de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo. As informações são do jornal O Globo.
A principal linha de apuração trabalha com a hipótese de que recursos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para atividades ligadas à produção do filme Dark Horse, obra sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os investigadores também suspeitam de uma possível confusão patrimonial entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora responsável pelo longa-metragem.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que, até o momento, não identificou irregularidades nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil. A administração municipal informou ainda que, caso sejam constatados problemas, as providências cabíveis serão adotadas.
Karina Ferreira da Gama ainda não se manifestou publicamente sobre o pedido de acesso aos dados sigilosos. Sobre o contrato com a prefeitura, a empresária sustenta que o processo ocorreu de forma regular e nega qualquer ligação entre os recursos do programa e a produção do filme Dark Horse.
Aos 85 anos, Boris Casoy não pensa em se aposentar. “Enquanto aguentar fisicamente e, especialmente, mentalmente, eu não pretendo. Brinco que quero morrer em frente a uma câmera.”
Em 2020, o jornalista passou a apresentar o Jornal do Boris, atração diária transmitida pelo YouTube, com cerca de meia hora. E acaba de voltar ao Grupo Silvio Santos, onde atuou de 1988 a 1997.
Boris se tornou no SBT um dos primeiros âncoras do telejornalismo brasileiro com liberdade para emitir opinião no ar. Além disso, lançou bordões que ganharam popularidade, como “isso é uma vergonha!”.
Desta vez, porém, ele estará no SBT News, canal de notícias lançado em dezembro do ano passado. A partir de amanhã, dia 1º, o Jornal do Boris passa a ser exibido simultaneamente no YouTube e no SBT News, de segunda a sexta, às 8h.
O retorno à casa de Silvio Santos (1930-2024) acontece no momento em que Boris celebra 70 anos de carreira. Começou aos 15 anos na rádio Piratininga, em São Paulo. Teve, em seguida, uma fase dedicada à assessoria de imprensa de líderes políticos, que se estendeu do final dos anos 1960 ao início da década de 1970. Esteve na equipe de nomes como Luís Fernando Cirne Lima, ministro de Agricultura do governo Médici.
Boris foi editor-chefe da Folha em dois períodos no intervalo entre 1974 e 1987. No ano seguinte, iniciou seu percurso no telejornalismo. Depois da passagem pelo SBT, trabalhou na Record, Band, RedeTV! e CNN, entre outros canais.
Na entrevista, ele critica o jornalismo brasileiro da atualidade. “O país se apequenou politicamente e economicamente, e a imprensa acaba refletindo esse apequenamento”, diz. Mas pondera: “Estamos vendo um momento de transição, e toda transição é confusa”.
Também afirma não se arrepender do apoio ao golpe de 1964. Segundo ele, “existia mesmo um perigo, talvez não tão intenso quanto um regime comunista, mas uma república sindical, algo assim”. Porém, com o passar do tempo, decepcionado com abusos, como a tortura, Boris defendeu a volta da democracia.
O jornalista diz se considerar de “centro-direita. Eu seria uma direita europeia civilizada, liberal mesmo”.
Antes do início da entrevista, em meio a livros, troféus, caricaturas e rádios antigos que dominam seu escritório em Alphaville, em Santana do Parnaíba (SP), Boris pediu: “Não me chame de senhor”.
Boris na redação da Folha em 1988, seu último ano no jornal | Bettina Musatti, 24 de maio de 1988 – Folhapress
Como foi o convite para voltar ao SBT?
Eu tinha trabalhado na CNN com o Leandro Cipoloni, que agora é diretor de jornalismo do SBT e do SBT News. Foi quem me convidou. Não aceitei inicialmente por causa da vida pessoal. Estou com uma certa idade e mereço ter mais espaço para lazer. Estava satisfeito com o que eu fazia no meu jornal matinal, o Jornal do Boris, na internet.
Depois, ele fez uma nova proposta e, em um momento de fraqueza [risos], acabei aceitando.
Não estou submetido a nenhuma orientação de caráter político. Se tiver que me submeter a qualquer tipo de injunção, estou fora. Aliás, o SBT News está trabalhando com liberdade e independência. Não pretende ser popular ou popularesco, que é um carimbo que existe no SBT e que eu não acho que seja um carimbo ruim, é uma escolha, um reflexo do próprio Silvio Santos.
Temos hoje pelo menos oito canais dedicados exclusivamente ao noticiário. Existe público para tantos canais?
É um ponto de interrogação. Acho que há sempre espaço para um jornalismo insuspeito, realmente independente, mas não sei se isso resulta em lucro. São emissoras privadas que procuram lucro, e televisão custa muito caro. Não acho que a sobrevivência de todas essas emissoras será fácil. O telespectador vai perceber quem tem mais qualidade, e vejo uma grande chance do SBT representar esse tipo de jornalismo.
Quando fiz o TJ Brasil, eu era totalmente livre. O Silvio Santos jamais interferiu. Eu ataquei a candidatura dele à Presidência da República [em 1989], e o Silvio, espertamente, usou isso para mostrar que era tão democrata que o empregado o atacava no ar e não acontecia nada.
Mas não foi tranquila a minha decisão. Eu conversei com Guilherme Stoliar, sobrinho do Silvio e vice-presidente do SBT. Disse a ele que precisava falar sobre aquele assunto, que havia imperfeições. E ele respondeu: “Faz o que você quiser”.
De que forma você avalia o jornalismo brasileiro hoje?
A pandemia foi um choque para a imprensa, provocou crises enormes nos jornais, televisões e rádios. Foram obrigados a demitir quem tinha os maiores salários. Acho que houve perda de qualidade e vejo agora um grande esforço de recuperação.
A principal perda, a meu ver, foi a correia de transmissão. Uma Redação é o espaço onde as pessoas trocam informações e ideias, é onde se fala do futuro. É importante que o jornalista mais novo possa pedir ajuda para o mais velho, esse é um ensino que vale muito mais do que qualquer faculdade de comunicação. Essa correia de transmissão se perdeu.
No período das vacas gordas, a gente tinha um jornalismo comparável ao melhor jornalismo americano, com os mesmos cuidados, a mesma tecnologia. Havia um imã, que era a redemocratização, com espectros ideológicos mais claros e definidos. O país se apequenou politicamente e economicamente, e a imprensa acaba refletindo esse apequenamento.
Quando o Tancredo Neves foi eleito [janeiro de 1985], acho que a imprensa tinha uma presença maior na sociedade e também tinha sensores — sensores com S — que conseguiam captar melhor as tendências. Hoje, há acontecimentos que a imprensa tem dificuldade para captar.
Estamos vivendo um momento de transição, e toda transição é confusa. Tenho esperança de que as coisas melhorem. Eu sou suspeito porque sou partícipe disso tudo, não estou isento, não sou observador.
Como tem sido a experiência como youtuber?
As pessoas costumam tachar os veículos de maneira muito diferente. Televisão é uma coisa, rádio é outra, jornal é outra, internet é outra. Para mim, o que predomina é o jornalismo. De modo geral, é igual em todos: é preciso ter cuidado com as fontes; deve se expressar corretamente, escrevendo ou falando; deve ter assuntos atraentes. O resto é técnica, e quem gosta de jornalismo aprende.
Uma das coisas de que me orgulho é ter feito um ciclo completo. Fiz rádio, televisão, jornal, imprensa escrita, assessoria de imprensa e agora estou na internet, sou um youtuber. E não vou ter falsa modéstia, fiz esse ciclo com sucesso.
Como é a equipe do Jornal do Boris?
Minha equipe é meu exército, e hoje os exércitos têm armas tecnológicas modernas e pouca gente. São quatro pessoas, além de mim. Fernando CA, jornalista e músico, cuida da transmissão, ao lado do Cássio Emerick, que trabalha comigo há mais de 30 anos. Cássio é engenheiro. Luiz Nartis acompanha o noticiário e chama atenção para os erros. E Iraci Teixeira, excelente cozinheira, cuida do penteado e da maquiagem.
Como se prepara?
Como o jornal entra no ar às 8h, eu acordo entre 5h30 e 6h. Leio os jornais enquanto tomo café. Tenho a mania de olhar o celular no meio da noite, acho que isso acontece com outros jornalistas. De repente, o mundo acabou e eu não sei.
Anoto algumas coisas e também improviso no ar. Quando acaba, depois de meia hora, estou cansado. Descanso uns 10, 15 minutos e, em seguida, definimos os cortes que vão para o Instagram.
As pessoas ainda se lembram bem dos seus bordões. Como surgiu “Isso é uma vergonha”?
Durante uma transmissão do TJ Brasil, no SBT. Havia uma reportagem sobre um pronto-socorro no Recife, onde faltava tudo, pessoas feridas estavam no chão, médicos correndo de um lado para o outro, água escorrendo pela parede, chuva entrando, um caos.
Fiquei olhando aquilo, não era comum a televisão mostrar. Nesse momento, me lembrei de uma TV do Meio Oeste dos EUA que, quando John Kennedy foi assassinado, colocou um letreiro em que se lia “shame” (vergonha). Quando a câmera abriu para mim, foi um impulso: “Isso é uma vergonha!”
Quando terminou, uma figura importante do SBT, que não vou nomear, falou que, como eu estava em “big close” [enquadramento em que a câmera se concentra no rosto], aquilo agredia o telespectador. Pensei: “destruí a televisão do Silvio Santos.”
Quando deixei o estúdio e voltei para a Redação, o telefone estava estourando, eram muitos os telespectadores se manifestando. Era um grito que estava atravessado há anos na garganta da população. O Silvio até quis fazer um programa chamado “Isso é uma vergonha”, mas eu não quis porque seria um filão. Até hoje, quando fico muito tempo sem falar o bordão, as pessoas reclamam.
Tem algum arrependimento ao longo destes 70 anos de jornalismo?
Tenho pequenos arrependimentos, pontuais.
Pode dar um exemplo?
A história dos garis na Band [na noite de 31 de dezembro de 2009, dois varredores apareceram em uma vinheta do canal desejando feliz Natal, e uma falha técnica levou ao ar o áudio de Boris dizendo: ‘Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho’].
Eu estava fora do ar e fiz uma brincadeira. Fiz um comentário com um humor cruel, não precisava ter falado aquilo e pedi desculpas depois. Acham que foi racismo, não foi. Foi uma infelicidade.
Arrepende-se de ter apoiado o golpe de 64?
Não me arrependo. Primeiro, é preciso levar em consideração que havia um ambiente de Guerra Fria. Segundo, os meus pais saíram da Rússia –aliás, a região em que eles moravam hoje é a Ucrânia, mas pertencia à Rússia naquela época– e descreviam o que era o comunismo. Minha mãe dizia que o que estava acontecendo no Brasil naquele período se parecia com a realidade da Rússia.
Existia mesmo um perigo, talvez não tão intenso quanto um regime comunista, mas uma república sindical, algo assim. O governo [de João Goulart] não ia bem, havia movimentos revolucionários de esquerda no Nordeste, as Ligas Camponesas. Já havia Cuba, um país comunista.
Existia também a guerrilha. Hoje a esquerda brasileira — inclusive o Lula — caracteriza [as ações da guerrilha] como uma luta democrática, mas não eram, eram uma luta para impor um regime. Nenhuma das guerrilhas queria a volta dessa democracia tal como a conhecemos.
Mais tarde, apoiei a volta da democracia, mas não me arrependo [do apoio ao golpe].
Aconteceu algo que te fez acreditar que a situação havia atingido um limite?
A tortura, a tortura. Sempre condenei a tortura, é um desrespeito aos direitos humanos. Me perguntam: “Como você defende os direitos humanos?” Eu digo que os direitos humanos são o respeito à Constituição. Não é a favor do bandido, é a favor da lei.
Como se considera do ponto de vista ideológico?
De centro-direita. Eu seria uma direita europeia civilizada, liberal mesmo. A esquerda precisa ser respeitada, há ideias e governos de esquerda e centro-esquerda muito bons. Procuro separar a ideologia da administração do dia a dia de um país e procuro ser construtivo. Não odeio os meus amigos de esquerda, não rompi com ninguém.
Planeja se aposentar?
Não. Enquanto aguentar fisicamente e, especialmente, mentalmente, eu não pretendo. Brinco que quero morrer frente a uma câmera. É preciso ter uma ocupação na vida. Quem se aposenta, bota um chinelinho e fica vendo TV é um candidato à morte prematura.
Faço a pergunta que fez para o então candidato Fernando Henrique Cardoso no último debate da disputa pela Prefeitura de São Paulo, em novembro de 1985. Acredita em Deus?
Eu acredito, só que dispenso intermediários. A minha relação é direta. Tenho motivos para acreditar e tenho motivos para dispensar intermediários. Eu acredito, graças a Deus.
Gostaria de acrescentar algo?
Sim. A Folha foi minha mais longa experiência jornalística, onde aprendi mais e me firmei como um jornalista de certa qualidade.
Mesmo exercendo duas vezes a função de editor-chefe, tive dois professores de enorme capacidade: Cláudio Abramo, meu queridíssimo amigo, que tinha ideias diferentes das minhas, mas muitas convergências; e o publisher Octavio Frias de Oliveira, o melhor jornalista que eu conheci. Ele não gostava de que falassem que era jornalista, mas era quem melhor conhecia a notícia como consumidor. Aprendi muita coisa empresarial com ele e fizemos amizade — eu tinha uma relação quase filial com ele.
Depois que deixei o cargo de editor-chefe, Otavio Frias Filho assumiu a função, e eu fiquei durante quatro anos editando o Painel. Foi meu trabalho predileto na Folha.
Tive que fazer o jornal atravessar o Rubicão, passando incólume pelo regime militar. Ao lado da minha porta de entrada, aqui em casa, tenho uma gravura com um mar revolto e, sobre ele, um avião de papel. Eu me sentia pilotando este avião, acho que consegui aterrissar bem. O jornal foi ameaçado de ser fechado, mas está aí, vivo.
Gilson Vieira da Silva, cantor e compositor famoso pela música “Casinha Branca”, morreu aos 73 anos. A informação foi confirmada pela viúva. Giani Carla Aguiar Braga, radialista e produtora cultural, lamentou a morte do artista.
Giani não deu grandes detalhes sobre o falecimento do marido e nem abriu a causa da morte. Ela escreveu: “Gratidão, meu marido Gilson Vieira Silva, por tudo. Para sempre em meu coração”. O enterro de Gilson aconteceu hoje. Ele foi velado no distrito de Boa Família em Muriaé, em Minas Gerais. As informações são do UOL.
Nascido em Macau, no Rio Grande do Norte, ele trabalhou como compositor de MPB. Um dos trabalhos de maior sucesso de Gilson foi a faixa “Casinha Branca”, da qual foi coautor ao lado de Joran, além de ter sido o primeiro intérprete da obra, eternizada em sua voz. A canção alcançou enorme sucesso nacional no fim da década de 1970 e integrou a trilha sonora da novela Marron Glacê (1979), da TV Globo, tornando-se um clássico regravado por diversos artistas ao longo dos anos, como Roberta Campos.
Outras composições marcantes foram “Verdade Chinesa”, gravada por Emilio Santiago, “Fim de Solidão”, registrada por José Augusto, e “I Love You”, sucesso na voz da cantora Adriana.