O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o secretário executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Carlos de Almeida Neto, para chefiar a pasta interinamente. A indicação foi publicada ontem no Diário Oficial da União.
Ele substitui temporariamente o ex-ministro Ricardo Lewandowski, que entregou, na quinta-feira (8), uma carta com pedido de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lewandowski assumiu a pasta em fevereiro de 2024 e alegou que questões pessoais e familiares o levaram a tomar a decisão.
“Tenho a convicção de que exerci as atribuições do cargo com zelo e dignidade, exigindo de mim e de meus colaboradores o melhor desempenho possível em prol de nossos administrados, consideradas as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das circunstâncias pelas quais passamos”, escreveu Lewandowski na carta.
Interino
O ministro interino Manoel Carlos de Almeida Neto já foi secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, em 2014, teve o nome aprovado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para ocupar o cargo de secretário-geral da Corte.
Almeida Neto exerceu por oito anos o cargo de diretor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). No âmbito acadêmico, foi professor e cursou pós-doutorado e doutorado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública abre espaço para uma mudança estratégica de perfil na Esplanada. O presidente Lula (PT) tem planos de escolher ex-governadores para a vaga, buscando alguém com “casca grossa” e experiência direta no comando das polícias. A preferência por um ex-gestor estadual obedece a uma lógica pragmática: credibilidade e facilidade de diálogo.
Quem já sentou na cadeira de governador sabe o que é enfrentar problemas crônicos de segurança pública e ter sob seu comando as Polícias Civil e Militar. Essa vivência gera uma solidariedade natural, facilitando a interlocução até mesmo com governadores de oposição. É mais fácil e produtivo um ex-governador tratar com os atuais mandatários do que alguém que nunca ocupou o cargo e vive apenas da teoria jurídica.
A sucessão reaquece inevitavelmente o debate sobre o desmembramento da pasta e a recriação do Ministério da Segurança Pública — uma ideia que Lula já defendia desde a transição, embora condicionasse a primeiro consertar a Justiça.
Existe um velho dogma em Brasília de que criar esse ministério jogaria o problema da violência no colo do presidente. Dilma Rousseff acreditava nessa tese. No entanto, essa lógica envelheceu mal: o problema já está no colo do presidente.
Com o crime organizado infiltrado na economia formal, no alto escalão e operando como máfias transnacionais, a sociedade não encara mais facções como o PCC ou o Comando Vermelho apenas como problemas locais do Rio ou de São Paulo. A percepção é de um problema nacional.
Nesse cenário, um ministro exclusivo da Segurança Pública funciona como um fusível: em momentos de crise, ele queima antes de atingir o presidente. Ele serve de anteparo. A sociedade passa a ter a quem cobrar diretamente, preservando a figura presidencial.
Lewandowski deixa o cargo não apenas por questões pessoais, mas também em meio a um processo de desgaste.
A 83ª edição do prêmio Globo de Ouro acontece neste domingo (11), a partir das 22h, no horário de Brasília, no Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, Estados Unidos.
E, pela primeira vez, a cerimônia será transmitida por uma TV aberta, no caso a Globo, além das transmissões via streaming – TNT e HBO Max. A comediante Nikki Glaser será a anfitriã da noite e, entre as novidades do prêmio, a criação da categoria Melhor Podcast.
O Golden Globes é uma das mais importantes distinções do audiovisual mundial e, em 2026, tem um Brasil inteiro de olho nele: o já premiadíssimo longa-metragem do diretor Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto”, concorre em três categorias (Melhor Filme de Drama, Melhor FIlme de Língua Estrangeira e Melhor Ator de Drama), fazendo com que os cinéfilos brasileiros não se aguentem de expectativa.
Pudera. Em 2025, saímos vencedores com a atriz Fernanda Torres levando a estatueta de Melhor Atriz de Drama por sua atuação em “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, filme que ainda arrematou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025. Torres concorria com Kate Winslet, Nicole Kidman, Pamela Anderson, Angelina Jolie e Tilda Swinton.
Indicados
Na categoria Melhor Filme de Drama, o “Agente” disputa a estatueta com “Foi apenas um acidente”, “Pecadores”, “Frankenstein”, “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”, “Valor Sentimental”, enquanto que Wagner Moura concorre com Joel Edgerton (”Sonhos de Trem”), Oscar Isaac (“Frankenstein”), Dwayne Johnson (“Coração de Lutador: The Smashing Machine”), Michael B. Jordan (“Pecadores”) e Jeremy Allen White (“Springsteen: Salve-me do Desconhecido”).
Já em Melhor Filme de Língua Não inglesa, o longa brasileiro concorre com: “Foi Apenas um Acidente” (França, Irã, Luxemburgo), “No Other Choice” (Coreia do Sul), “Valor Sentimental” (Noruega, França, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Reino Unido), “Sirât“ (Espanha, França) e “A Voz de Hind Rajab” (Tunísia, França).
O “Agente”
Ambientada no Recife dos anos 1970, a trama do “O Agente Secreto” é sustentada em uma sátira política bem-humorada e conta a história do professor e pesquisador universitário Marcelo (Wagner Moura), que volta para a cidade onde nasceu (a capital pernambucana), durante o Carnaval de 1977 para se reunir com seu filho e se refugiar de uma perseguição política.
Entre as locações que aparecem no filme de Kleber Mendonça Filho, está o parque gráfico da Folha de Pernambuco, que mantém preservada uma máquina rotativa de impressão para representar um jornal dos anos 1970.
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um documento em que nega qualquer participação em práticas de disseminação de desinformação contra o Banco Central após a liquidação da instituição financeira.
No pedido, os advogados solicitam a abertura de uma investigação para apurar a propagação do que classificam como fake news e crimes contra a honra.
Segundo a defesa, a apuração é necessária para demonstrar que Vorcaro não tem relação com ataques virtuais direcionados ao Banco Central, que se intensificaram nas redes sociais em dezembro, depois da decisão da autoridade monetária de decretar a liquidação do Master. As informações são do g1.
Influenciadores relatam propostas para criticar o BC Um criador de conteúdo digital de São Paulo afirmou ao g1, sob condição de anonimato, que recebeu R$ 7,8 mil por uma única postagem com críticas ao Banco Central, publicada em dezembro. Segundo ele, após essa publicação, recusou uma proposta de contrato de três meses para continuar divulgando conteúdos semelhantes.
De acordo com o influenciador, o pagamento foi feito no mesmo dia do post, em 19 de dezembro, e teria partido da conta de Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi. Ele diz que apagou o conteúdo dois dias depois por considerar que o material “ultrapassava limites éticos” e afirma ter devolvido o valor recebido.
“Num primeiro momento, agi de boa-fé. Não tinha entendido que vinha de Vorcaro. Achei interessante, diferente do que eu estava pensando”, relatou. “Depois, fui entender que minha opinião estava sendo comprada.”
Contratos previam série de vídeos e ausência de checagem O contrato ao qual o g1 teve acesso previa a produção de oito vídeos por mês, no formato reels, durante três meses. Ao fim do período, com desconto de comissão, o influenciador receberia R$ 188 mil. O documento também estabelecia que o criador de conteúdo não teria obrigação de fazer apuração própria ou checagem adicional, devendo se limitar a comentários informativos em tom neutro.
Procurado, Thiago Miranda não respondeu. A Olivetto Comunicação, citada no contrato como intermediária, informou em nota que apenas indicou influenciadores para eventual produção de vídeos sobre temas em alta, mas que nenhum deles aceitou a proposta e que não houve contratação nem veiculação de conteúdo.
Vereador diz ter sido convidado para campanha contra o BC Na terça-feira (6), o blog da colunista Andréia Sadi revelou o relato do vereador Rony Gabriel (PL-RS), que expôs nas redes sociais um contrato preliminar para participar de uma campanha contra o Banco Central. Nesta sexta-feira (9), em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, ele afirmou ter ouvido, durante as negociações, que o contratante da campanha seria Daniel Vorcaro — e disse que recusou o trabalho.
O contrato mencionava um “Projeto DV”, em referência às iniciais do banqueiro, previa cláusula de confidencialidade por cinco anos e estabelecia multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Rony afirmou que o cachê oferecido era “de milhões, no plural”.
PF vai apurar possível ação coordenada A Federação Brasileira de Bancos identificou, no mesmo período, uma enxurrada de ataques ao Banco Central nas redes sociais. A Polícia Federal deve investigar se houve uma ação coordenada para difundir críticas à autoridade monetária após a liquidação do Banco Master.
Outros influenciadores relataram ao g1 propostas semelhantes, também com contratos de três meses e oito postagens mensais. Alguns afirmam ter recusado o trabalho ao perceberem o objetivo da campanha.
O Congresso Nacional só deve analisar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria após o feriado de Carnaval. Os congressistas retornam ao trabalho no dia 2 de fevereiro, mas as primeiras semanas de trabalho ficarão restritas à organização das pautas e ao realinhamento das comissões.
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, deputado Sóstenes Cavalcante (PL), disse à CNN que o movimento “está alinhado desde dezembro” e que “será derrubado com toda certeza”. As informações são da CNN.
A oposição pressiona para que a análise do veto ocorra o quanto antes, com o objetivo de derrubar integralmente a decisão presidencial sobre o projeto que revisa as penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Nos bastidores, a articulação já vinha sendo feita desde dezembro, quando a posição do Palácio do Planalto era tratada como certa.
Paralelamente, a base governista tenta se articular para sustentar a resolução de Lula. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), anunciou mobilização para impedir a derrubada da decisão presidencial.
“Histórico! Dosimetria vetada! Agora é com a gente. Vamos mobilizar as redes e as ruas para que não seja derrubado no Congresso!”, escreveu o deputado no X.
O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) afirmou que o projeto abriria caminho para a impunidade de golpistas. “Quem atentou contra a democracia deve pagar por seus crimes”, disse.
Segundo levantamento da AtlasIntel/Bloomberg, o projeto da Dosimetria é rejeitado por 63,3% da população brasileira. Outros 34% se dizem favoráveis à proposta.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) passou o fim do ano visitando figurões do mercado financeiro, entre eles André Esteves, dono do BTG Pactual. Nos encontros, se comprometeu a anunciar até abril um nome do quilate do ex-ministro da Economia Paulo Guedes para ser o seu “Posto Ipiranga” — expressão eternizada por seu pai, Jair Bolsonaro, na campanha presidencial de 2018, quando designou o aliado para responder tudo por ele na área econômica inspirado em um comercial de TV da rede de postos de gasolina.
Os gestos têm uma razão objetiva: a Faria Lima se mostrou órfã da candidatura ao Planalto do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e é preciso seduzi-la para que não caia no colo de concorrentes. Em dezembro, vale lembrar, a bolsa de valores caiu e o dólar disparou após o anúncio do filho do ex-presidente.
Por ora, as duas grandes estrelas econômicas da Era Bolsonaro não demonstram interesse em voltar para o jogo. Flávio procurou Paulo Guedes em dezembro, mas o ex-ministro reafirmou o desejo de seguir longe da vida pública. Embora já tenha negado publicamente, o ex-presidente do Banco Central (BC) Roberto Campos Neto estava muito mais entusiasmado para virar um homem forte de um futuro governo Tarcísio do que de uma administração de continuidade do clã Bolsonaro.
Há dois nomes na manga de Flávio, de impacto muito menor que Guedes e Campos Neto: Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES, com passagens pelo Opportunity e o próprio BTG Pactual de Esteves; e o economista Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica de Guedes e ex-ministro de Minas e Energia de Bolsonaro.
Em seu perfil no X, Sachsida vem ganhando relevância diante de milhares de seguidores ao atacar frequentemente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. No último dia 2, a defesa de Bolsonaro solicitou que o ex-secretário de Guedes passe a integrar a defesa do ex-presidente. Se autorizado pelo próprio Moraes, Sachsida poderá visitar Bolsonaro na Polícia Federal como outros advogados.
Nas conversas com o mercado desde dezembro e em entrevistas para a imprensa e podcasts de direita, Flávio tem feito o clássico discurso liberal de ano de campanha: genérico na maioria das vezes e específico quando convém. O senador vem defendendo a privatização dos Correios, estatal hoje no vermelho com bilhões de reais de prejuízo e que o seu pai tentou (sem sucesso) vender para a iniciativa privada. Quando fala da Petrobras, as metas são menos claras. Em entrevista para o influenciador Paulo Figueiredo esta semana, em que sinalizou a possibilidade do irmão Eduardo ser ministro das Relações Exteriores, Flávio explicou o que pensa sobre a estatal:
— Tem a parte de extração, tem a parte de pesquisa, tem a parte de distribuição, tem a parte de refino. Então ela é um grande conglomerado de empresas que a gente tem que ver o que funciona e tem que continuar, e o que não funciona e pode ser privatizado.
Assim como o pai em 2018, Flávio tem falado em enxugamento de gastos, mas sem se comprometer com dois temas impopulares sempre citados como cruciais pela turma do mercado financeiro para um ajuste fiscal robusto: a desvinculação dos benefícios da Previdência com o salário mínimo e o fim dos pisos constitucionais de repasses de recursos para as áreas da saúde e educação.
O senador está em modo campanha desde o fim de 2025. Em novembro, tentando fugir da pecha de “candidato das elites”, votou favorável à proposta de Lula de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. No mês seguinte, no Programa do Ratinho, no SBT, sugeriu que os beneficiários do Bolsa Família continuem a receber o auxílio por dois anos após conseguirem um emprego, além de um adicional de R$ 200 para estimular a inserção no mercado.
Os países da União Europeia deram aval nesta sexta-feira (9) ao acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco que reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O próximo passo é a assinatura pelo dois blocos, o que deve acontecer no próximo dia 17, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina. Para valer, o tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países sul-americanos.
O acordo não envolve só o agro, mas este foi o ponto mais sensível ao longo das décadas de negociação do livre comércio. As informações são do g1.
Uma parte ruidosa dos produtores europeus protagonizou diversos protestos, alegando que seria prejudicada com a entrada de produtos sul-americanos mais competitivos.
O Brasil, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, deve ser um grande beneficiário do acordo. O bloco europeu já é o segundo maior cliente do agro brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.
O acordo assume um peso ainda mais estratégico para o Brasil depois que as vendas do agro para os EUA despencaram em 2025, diante do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump.
A sobretaxa acabou sendo retirada em novembro — mas quase metade das exportações do agro brasileiro ainda está submetida a ela.
Além disso, recentemente, China e México, outros grandes compradores do Brasil, adotaram limitações para as importações de carne.
O que o acordo prevê para o agro? O acordo prevê eliminar as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul.
Com isso, o setor poderá aumentar as vendas de diversos itens, como café, frutas, peixes, crustáceos e óleos vegetais, que terão taxas de importação gradualmente zeradas na Europa.
As tarifas serão reduzidas em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto.
Itens como as carnes bovina e de frango terão cotas de exportação. São alimentos considerados “sensíveis” pelos europeus, pois competem diretamente com a produção local.
Potencial para carnes Uma das principais tensões do acordo está no setor de carnes. Pecuaristas europeus, sobretudo da França e da Polônia, resistem ao tratado por temerem perder espaço para os sul-americanos, que podem ganhar competitividade no continente.
Atualmente, a França lidera a produção de carne bovina na Europa, enquanto a Polônia ocupa a dianteira na produção de frango. O Brasil é o maior exportador global desses dois tipos de carnes e, há anos, consegue ofertá-los a preços mais baixos do que seus concorrentes. Atualmente, a carne bovina brasileira tem dois tipos de tarifação para ser comprada por países da UE, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Uma delas é a cota Hilton, destinada a cortes nobres, que permite ao Brasil exportar 10 mil toneladas por ano com uma taxa de 20%. Esse percentual será zerado, caso o acordo seja aprovado.
Outros tipos de carne bovina têm uma taxa menor, de 12,8%, mais 221,1 euros por 100 kg. Segundo a Abiec, se o acordo UE-Mercosul entrar em vigor, o Brasil deve deixar de pagar essa tarifa, já que passará a ter uma nova cota de exportação em conjunto com os demais países do Mercosul.
Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar, juntos, até 99 mil toneladas por ano, com uma tarifa inicial de 7,5%.
Sueme Mori, da CNA, avalia que essa cota é pequena, mas que o acordo em si eleva o nível da relação entre os parceiros comerciais e faz com que o Mercosul passe a ser um parceiro preferencial da União Europeia.
Uma lógica semelhante vai funcionar para as carnes de aves, explica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Hoje, o setor conta com diferentes cotas de acesso à União Europeia: no caso do frango in natura, por exemplo, o país pode exportar 15.050 toneladas com tarifa zero, enquanto os volumes excedentes pagam 1.024 euros por tonelada.
Com o acordo, o Brasil terá, junto com os outros países do Mercosul, uma cota anual de exportação de 180 mil toneladas com tarifa zero.
Ela vai começar em um nível menor no primeiro ano e vai sendo aumentada em parcelas anuais iguais até chegar ao total, no sexto ano, detalhou a ABPA.
No entendimento da associação, as exportações brasileiras de frango que ocorrerem fora da cota do tratado continuarão sujeitas às regras tarifárias atualmente em vigor. “O que teremos com o Mercosul é outra cota, será adicional”, disse a associação.
“Se o acordo for implementado com previsibilidade e respeito às regras, há espaço concreto para aumento das exportações brasileiras de carne de frango”, concluiu a ABPA. Em 2024, a UE foi apenas o oitavo maior comprador de carnes brasileiras.
Potencial para o café solúvel O café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a UE em valor exportado, depois da soja.
O café em grão — que representa 97% das vendas do setor à UE — já entra na Europa sem tarifa. Mas, atualmente, o bloco aplica uma taxa de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o torrado e moído, afirma o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.
“O nosso maior concorrente em café solúvel, o Vietnã, já tem tarifa zero. Então, o acordo pode tornar nosso solúvel mais competitivo na Europa”, destaca Matos.
O acordo UE-Mercosul prevê que as tarifas do café solúvel e torrado e moído zerem em 4 anos.
Matos reforça que um acordo comercial é “muito mais do que exportação”. Segundo ele, se o tratado for para a frente, há possibilidades de grupos empresariais europeus investirem ainda mais na indústria de café do Brasil.
Nada muda para a soja O acordo, no entanto, não deverá ter impacto para a soja, que é o produto do agro brasileiro mais exportado para a União Europeia.
Isso porque ela já conta com tarifa zero tanto para o grão, como para o farelo, explica o diretor de Economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Furlan Amaral.
“Esse tratamento se mantém há muitos anos. Por essa razão, o acordo Mercosul-União Europeia não altera o cenário tarifário da soja”, afirma Amaral.
Blindagem do agro europeu incomodou As chamadas salvaguardas, uma série de regras aprovadas pela UE no início de dezembro para proteger o agro europeu, incomodaram produtores brasileiros.
Em resumo, elas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE entenda que isso esteja prejudicando algum setor do agro local.
Ainda em dezembro, a diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), Sueme Mori, disse que as salvaguardas são preocupantes.
Isso porque elas podem limitar as exportações brasileiras para o mercado europeu, o que é contraditório, em um momento em que se espera assinar um acordo de livre comércio.
Ela esclareceu que as salvaguardas não serão acrescentadas ao acordo que foi negociado entre as partes e deverá ser assinado em breve, mas que farão parte de um regulamento interno da UE.
Na prática, se as importações de um determinado produto agrícola considerado sensível aumentarem em 5%, na média de 3 anos, a UE poderá abrir uma investigação para avaliar a possível suspensão dos benefícios.
Na proposta original da comissão, divulgada em outubro, esse limite era maior, de 10%.
Os integrantes da comissão também reduziram o tempo de duração dessas investigações: de 6 para 3 meses, em geral, e de 4 para 2 meses, para produtos sensíveis.
“Isso permite à União Europeia aplicar penalidades de forma muito mais rápida, dando menos tempo aos países do Mercosul para se explicarem e se defenderem”, diz Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A comissão também propôs uma nova regra que obriga os países do Mercosul a adotar as mesmas normas de produção exigidas na União Europeia.
Segundo Munhoz, essa cláusula não estava prevista no acordo original e pode gerar insegurança jurídica. “A UE pode questionar, por exemplo, se o Brasil usar defensivos agrícolas ou fertilizantes que não são utilizados na Europa”, exemplificou.
Para a ABPA, essas proteções não eliminam o potencial de exportação, mas podem ter algum efeito sobre a previsibilidade, dependendo de como forem aplicadas.
“Do ponto de vista do Brasil, o que defendemos é que qualquer salvaguarda seja estritamente técnica, transparente e baseada em critérios objetivos, de forma a não transformar um mecanismo excepcional em barreira disfarçada”, disse a ABPA, ao g1.
UE também ganha O tarifaço de Trump também atingiu a UE e este foi um ponto crucial para que o acordo tenha sido defendido também por países europeus, sobretudo Alemanha e a Espanha, apesar da oposição liderada pela França.
Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia também foram contrários ao acordo nesta sexta, segundo a Reuters.
O grupo, entretanto, não conseguiu o apoio mínimo para barrar o tema, com outros 21 países votando a favor, também de acordo com a agência. A Bélgica se absteve.
Para destravar a negociação, além de aprovar as salvaguardas para proteger o agro europeu, a UE prometeu reduzir tarifas de fertilizantes, o que reduziria custos de produção.
Com o livre comércio com o Mercosul, a UE poderá aumentar exportações de carros, máquinas e produtos químicos, além de itens agrícolas, como queijos e vinhos, para o Mercosul. E também reduzir a dependência da China na área de minerais.
Acordo que se arrasta desde os anos 90 O acordo de livre comércio UE-Mercosul não vale apenas para produtos agrícolas, mas este setor tem protagonizado boa parte dos embates.
As discussões começaram em 1999 e foram paralisadas depois de um acordo inicial alcançado em 2019. As conversas só foram retomadas em 2024, a pedido da Comissão Europeia.
O acordo foi, então, anunciado no fim de 2024, o que encerrou o período de negociações e inaugurou o de aprovações pelos países.
“É um acordo que envolve praticamente 722 milhões de habitantes e US$ 22 trilhões de Produto Interno Bruto (PIB). É uma coisa extremamente importante, possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo”, disse o presidente Lula, em novembro, durante o G20 – grupos das maiores economias do mundo.
Meu filho André Gustavo, que atua numa rede de escolas para filhos de imigrantes, em Salem, nos Estados Unidos, me pediu para expandir ao Brasil uma campanha de solidariedade em favor de um pai de família nas escolas de Salem que foi preso pela agência federal de imigração e alfândega, a Immigration and Customs Enforcement, órgão responsável pela deportação de pessoas.
O pai, David, sempre trabalhou incansavelmente para sustentar sua esposa e filhos, muitas vezes colocando suas próprias necessidades em último lugar. Segundo meu filho, ele é inocente, nunca cometeu nenhum crime no Brasil ou nos Estados Unidos.
Por favor, ajude a reunir esta família e libere o David do ICE! Quem se sensibilizar e quiser ajudar com qualquer valor, em moeda americana ou brasileira, é só entrar no link disponível a seguir: https://gofund.me/28d7dc42e
De antemão, agradeço de coração em nome do meu filho!
As negociações de carteiras de crédito suspeitas de fraudes realizadas pelo banco Master com o Banco de Brasília (BRB) podem ter gerado um prejuízo para o banco público do Distrito Federal acima de R$ 4 bilhões. A estimativa é de investigadores da Polícia Federal e fiscais do Banco Central sobre os negócios suspeitos realizados entre as duas instituições.
Os investigadores do BC e da PF descobriram negócios de venda de carteiras de crédito com suspeitas de fraudes do Master para o BRB num valor de R$ 12,2 bilhões. Assim que a fiscalização do Banco Central detectou as operações irregulares, ela determinou aos dois bancos que elas fossem desfeitas. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Mas nem todas foram desfeitas. As avaliações preliminares indicam que ficou ainda um prejuízo para o BRB de mais de R$ 4 bilhões, dinheiro que pode gerar um rombo no caixa do banco do governo do Distrito Federal.
Em depoimento no Supremo Tribunal Federal (STF), o dono do Master, Daniel Vorcaro, disse, em sua defesa, que não gerou nenhum prejuízo para o BRB com a venda das carteiras de crédito. Algumas já foram apontadas com certeza como fraudulentas.
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa deu outra versão em depoimento no STF. Segundo ele, o banco público teria conseguido reverter a maior parte das operações suspeitas, mas que ainda teria ficado um saldo de R$ 2 bilhões que não foram recuperados pelo BRB com o Master.
Os investigadores da PF e do BC têm outro cálculo e já chegaram a uma avaliação de que o prejuízo causado pelo banco de Daniel Vorcaro ao BRB de mais de R$ 4 bilhões.
O inquérito atualmente no STF, e que está sendo tocado pela PF, investiga as negociações de carteiras de crédito falsas. Outras irregularidades que surgirem serão investigadas em outro inquérito, que seria aberto.
É o caso da contratação de influencers para divulgar nas redes sociais mensagens atacando o Banco Central e defendendo o banco Master. Por enquanto, há uma investigação preliminar para descobrir quem estava contratando de fato e pagando valores que poderiam chegar, por influencer, cerca de R$ 2 milhões.
A saída de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça esquentou a discussão sobre o que pode mudar na estrutura do governo em meio às investigações conduzidas nos últimos meses por uma Polícia Federal empoderada e autônoma. As informações são do blog da Andréia Sadi.
Vagas no governo sempre despertam cobiça, e neste caso há o temor dos políticos com o avanço de investigações. Está em jogo também a blindagem da PF, considerada uma questão-chave. Em Brasília, uma máxima que circula nestes dias é: a instituição que funciona hoje no Brasil é a Polícia Federal. Uma das propostas em discussão é dividir o ministério em dois: Justiça e Segurança Pública.
E um dos mais cotados para assumir essa nova estrutura é Andrei Rodrigues, o atual diretor-geral da Polícia Federal. É atribuída a ele a maior autonomia dada aos superintendentes da PF para trabalhar em suas investigações. É do interesse do presidente Lula, em ano eleitoral, turbinar o assunto segurança pública, que deve ser um dos temas principais da disputa.
O ponto central: quem iria para a vaga do Andrei na PF? Afinal, ele tem que fazer a sua sucessão para garantir a continuidade do trabalho, com bom orçamento e liberdade para os investigadores.
E o ministro da Justiça?
Para a vaga de Lewandowski como ministro da Justiça, a bancada da Bahia patrocina o nome do jurista Wellington César Lima e Silva. Ele foi secretário especial para Assuntos Jurídicos da Casa Civil no começo terceiro mandato de Lula e agora trabalha na Petrobras.
Ele tem apoio de integrantes do STF e o apreço do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner, muito próximos de Lula. Outros no governo querem emplacar Camilo Santana, ministro da Educação. E uma ala do Centrão apoia Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado. Se Andrei deixar mesmo o comando da PF, a operação casada poderá incluir a indicação de William Marcel Murad, hoje o número 2 da instituição.