O prefeito do Recife, João Campos (PSB), voltou a comentar, nesta segunda-feira (9), a especulação de que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) pode não ser mantido na chapa majoritária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano. Lula e Alckmin trocaram afagos no encontro do PT em Salvador, na Bahia, na semana passada, mas nenhum dos dois cravou como ficará a configuração da chapa.
“Acho que não só é importante para o nosso partido ele como vice, mas eu acho que faz bem ao Brasil ter Alckmin como vice”, declarou o prefeito.
João Campos, que também participou do encontro do PT, preside o PSB, partido de Alckmin e é um defensor da manutenção da aliança entre os dois. Na semana passada, o prefeito recifense chegou a dizer que “não se mexe em time que está ganhando”, ao comentar a possibilidade do vice-presidente não entrar na chapa de Lula.
Pesquisa Real Time Big Data sobre a eleição presidencial de 2026 divulgada nesta segunda-feira (9) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente nas intenções de voto.
Em um primeiro cenário, Lula aparece com 39% das intenções de voto e Flávio, com 30%. Com 20 pontos percentuais a menos, vem o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 10%. As informações são da CNN.
Segundo cenário Em um segundo cenário — com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), no lugar de Ratinho —, Lula aparece com 40%; Flávio, 32%; e o governante goiano com 6%.
Pela margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Caiado aparece empatado tecnicamente com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 4%.
Terceiro cenário A Real Time Big Data também testou o nome do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
Neste cenário, Lula aparece com 40%; Flávio, 32%; e o governante gaúcho, com 5%, em empate técnico com Zema (4%) e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo (3%).
Metodologia A pesquisa Real Time Big Data entrevistou 2.000 eleitores em todo o território nacional, entre os dias 6 e 7 de fevereiro, por meio de entrevista presencial. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-06428/2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, hoje, que se o presidente norte-americano, Donald Trump, soubesse do seu “parentesco com Lampião” não provocaria o Brasil. A declaração, em tom de brincadeira, foi feita durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo. Em seguida, Lula afirmou não querer briga com o norte-americano, já que haveria o risco de o Brasil ganhar.
“Quando eu viajar [para os EUA], eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe? Se o Trump conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente”, argumentou. As informações são do portal G1.
Lula ainda ponderou que o trabalho do Brasil é “na construção da narrativa” sobre a importância do multilateralismo para o mundo. “Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer? Então, a briga do Brasil é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo”, justificou.
Na sequência, o presidente ressaltou que foi o multilateralismo que garantiu a paz em uma parte do mundo. “Nós precisamos provar, num debate político, que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os Estados, e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo. O unilateralismo imposto pela teoria que de que o mais forte pode tudo contra o mais fraco, a nós, não interessa”, argumentou.
Enquanto o relator no Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, mantém sigilo total dos dados do Banco Master e de Daniel Vorcaro, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que acompanha as investigações, deve requisitar o compartilhamento desses documentos nesta quarta-feira (11), durante votação de requerimentos. As informações são do blog do Valdo Cruz.
No mesmo dia, a comissão vai estar com a direção da Polícia Federal (PF) e com o presidente do STF, Edson Fachin. Em 15 de janeiro, o Senado criou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações e apurações relacionadas a irregularidades atribuídas ao Banco Master. O grupo de trabalho pode convocar autoridades, além de realizar visitas institucionais.
Segundo o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da CAE, a Comissão do Master quer o compartilhamento dos dados sigilosos para evitar que haja uma blindagem das investigações e alguns documentos não sejam analisados.
“Não podemos permitir que esse caso seja abafado. Devemos votar nesta quarta o compartilhamento de dados sigilosos do Banco Master, mesmo dia em que vamos conversar sobre isso tanto na PF como no Banco Central”, afirmou o senador Renan Calheiros. A comissão já esteve com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
No BC, a orientação é para colaborar com a comissão, como tem sido no relacionamento com o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU). Causou desconforto, porém, uma mensagem publicada pelo presidente da CAE em que ele faria uma ameaça indireta a Galípolo.
O senador citou que um presidente do BC já saiu preso do Congresso e afirmou esperar que isso não venha a se repetir, acrescentando confiar no apoio do presidente do Banco Central.
Interlocutores de Gabriel Galípolo destacam que o BC agiu de forma técnica desde o início e que não poupou Daniel Vorcaro, dono do Master, que acionou sua rede de apoio político para tentar evitar, sem sucesso, a liquidação do Master.
Esses mesmos interlocutores afirmaram que, se houve alguma falha, a comissão de sindicância vai esclarecer onde poderia ter ocorrido e como evitá-la no futuro.
A saga do clã Bolsonaro em busca da manutenção do seu espaço político vai ganhando contornos que lembram essas novelas mexicanas que agora andam passando em alguns canais de streaming. Há madrastas, há filhos que não se entendem, há idosos abandonados, traídos, traidores. E, acima de todos, um patriarca que está preso.
Se o enredo tivesse mais qualidade, poderia dar um Rei Lear, de Shakespeare. A canastrice em alguns momentos, como no episódio da tornozeleira, deixa mais para algo mesmo como o Destino dos Bolsonaros2, A Missão. O capítulo de hoje desenrola-se entre as convidativas praias de mar azul de Santa Catarina e o árido – especialmente para alguns – sertão do Piauí.
Nos capítulos anteriores, vimos o patriarca Jair Bolsonaro tentar dar cabo de sua tornozeleira eletrônica, o que lhe valeu a ida para a prisão. Devidamente condenado, tratou de procurar espalhar seus filhos por vários postos como forma de manter o seu legado político. É nessa parte da trama em que estamos. Nessa tarefa, Bolsonaro enviou seu filho Carlos Bolsonaro para tentar a sorte política em Santa Catarina.
Ao se instalar na cidade de São José, próxima de Florianópolis, para iniciar sua campanha como senador por Santa Catarina, o recém-chegado Carlos Bolsonaro produziu uma tremenda bagunça na conformação que estava combinada na direita em torno da reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Ele tinha prometido dar a vaga de vice para o MDB, para Carlos Chiodini. E formar uma chapa na qual um dos senadores seria do PL e o outro seria o idoso Esperidião Amin, do PP, de 78 anos, candidato à reeleição.
A ida de Carlos produziu um problema. Lidera a corrida para o Senado a deputada Caroline de Toni, também do PL. Para abrir vaga para Carlos, alguém iria ter que sobrar: ou Carol de Toni ou Esperidião Amin. De Toni ameaçou ir para o Novo e formar uma chapa com o prefeito de Joinville, Adriano Silva, como candidato a governador. Jorginho Mello correu para desfazer a possibilidade.
Jorginho Mello procurou, então, o Novo, e fechou aliança com o partido. Adriano Silva seria seu candidato a vice. E a chapa para o Senado seria Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. Esse final feliz para alguns produziu novo problema: ficaram de fora o MDB e Esperidião Amin. O MDB tratou logo de romper.
A madrasta Michelle Bolsonaro, que não se dá bem com seus enteados, tratou de declarar em Santa Catarina apoio a Caroline de Toni. Contudo, mesmo tendo grande simpatia política por Michelle, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, resolver intervir na semana passada, mudando os destinos da chapa.
Valdemar interveio para manter Esperidião Amin na chapa para o Senado, retirando Caroline de Toni, que agora afirma que vai buscar outro partido. E por que Valdemar entrou em favor de Amin? Porque há risco de o PP não fechar apoio formal ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para presidente da República.
Saímos, então, das praias de Santa Catarina para o sertão do Piauí. Em um estado com grande domínio do PT, o presidente do PP, Ciro Nogueira, corre risco de não conseguir ser reeleito senador. Ele teria, então, tido um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final do ano passado para propor um pacto de não agressão.
Pelo pacto, Lula só se empenharia na campanha de um nome para o Senado, Marcelo Castro, do MDB. Isso daria a Ciro chance de se eleger na segunda vaga. Em troca, Ciro cozinharia Flávio em banho-maria, fazendo com que o PP não se empenhasse na sua campanha e entrasse oficialmente na sua chapa.
Valdemar, assim, precisa evitar novos ruídos com o PP. Caso da situação com Amin em Santa Catarina. Mas ali ainda ficaram outras pontas soltas. Como o julgamento da cassação do senador Jorge Seif (PL) no TSE, que pode abrir possibilidade de nova vaga. A seguir, cenas dos próximos capítulos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na última sexta-feira (6), em entrevista à TV Aratu, da Bahia, que pretende “decidir a relação” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando ele for visitar Washington. A previsão é que Lula seja recepcionado por Trump na Casa Branca em março.
“Eu disse ao Trump que está na hora da gente sentar, apertar a mão, olhar um no olho do outro e decidir a nossa relação”, disse Lula à TV Aratu.
O presidente afirmou também que é favorável ao Conselho da Paz proposto por Trump para a Faixa de Gaza. Porém, como mostrou o Broadcast Político, o governo brasileiro se opõe à larga margem da iniciativa de Trump, que abrange todos os conflitos mundiais.
Em conversa com o líder americano na semana passada, Lula pediu para que a ideia se limitasse à questão palestina. Por ora, o Brasil não deve fazer parte. “Eu sou favorável ao Conselho da Faixa de Gaza e eu falei ao Trump: ‘por que não tem um palestino no Conselho?'”, disse Lula.
Na entrevista, Lula também brincou sobre as disputas entre os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Casa Civil, Rui Costa. Segundo Lula, os conflitos são motivados devido ao orçamento federal. Alguns desentendimentos entre os dois se tornaram públicos, como na “Crise do Pix”, no início de 2025.
“Ele (Rui) briga com o Haddad porque o Haddad é o homem que cuida do dinheiro, ele tem o cofre na mão. O Rui cuida do PAC e das obras do governo. Então, o Rui está sempre querendo liberar mais dinheiro do Haddad para ele, mas o Rui também é muito mão-de-vaca quando é para liberar dinheiro para os ministros”, disse o presidente.
A senadora Teresa Leitão (PT) afirmou na noite de ontem (7), durante o 60º Baile Municipal do Recife, no Classic Hall, que a agenda do presidente Lula em Pernambuco na próxima semana segue mantida até o momento, embora ainda dependa de confirmação oficial. “Conversei com a equipe do presidente e, a princípio, a agenda está mantida, mas ainda falta confirmar se ele vem mesmo”, explicou. As informações são do Blog da Folha.
Os compromissos de Lula no estado incluem uma inspeção nas obras do Hospital de Amor, em Garanhuns, no Agreste, que receberá o nome de Dona Lindu, em homenagem à mãe dele. Mas segundo informações divulgadas pelo Blog de Edmar Lyra, a assessoria do presidente teria avaliado que não era o momento de dividir palanques no estado, o que teria influenciado na decisão de não comparecer ao desfile do Galo da Madrugada, que também está incluido na agenda.
Além disso, a agenda que Lula teria em Garanhuns, prevista para quinta-feira (13), teria sido cancelada. O hospital ainda não ficou pronto, e a inauguração deve ocorrer no final de março ou início de abril, o que também, segundo o blogueiro, teria contribuído para a mudança na programação.
Teresa também comentou os 46 anos do Partido dos Trabalhadores, realizada esta semana em Salvador, na Bahia. O evento reuniu líderes nacionais, ministros, parlamentares e militantes da legenda. A parlamentar destacou o caráter político e simbólico do encontro.
Segundo a senadora, a programação do aniversário foi além da festa. “A comemoração foi antecedida por uma reunião do Diretório Nacional, um seminário de formação e a posse dos secretários setoriais do partido. Foram dias de boas conversas e articulações internas”, afirmou.
Teresa Leitão ressaltou ainda a presença de importantes lideranças políticas no evento, como o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros, ministras, governadores do PT e dirigentes de partidos aliados. Também participaram o prefeito do Recife, João Campos (PSB), e a ministra Luciana Santos (PCdoB).
“O foco principal foi a comemoração, mas sempre sobra um tempo para um cochicho”, pontuou a senadora.
O vice-presidente Geraldo Alckmin elogiou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino por agir contra “esse escândalo dos supersalários acima da Constituição brasileira”.
Na quinta-feira (5), Dino concedeu uma liminar para suspender todas os chamados “penduricalhos” nos três Poderes em nível federal, estadual e municipal. Todos os órgãos dos Executivo, Legislativo e Judiciário deverão, em até 60 dias corridos, reavaliar o fundamento legal de todas as verbas remuneratórias e indenizatórias atualmente pagas aos membros de Poder e aos seus servidores públicos.
O ministro determinou que os chefes de Poderes devem publicar ato discriminando cada verba remuneratória, indenizatória ou auxílio, o seu valor, o respectivo critério de cálculo e o fundamento legal específico.
“Eu quero fazer um elogio público aqui a um juiz, o ministro Flávio Dino, que através da Constituição está servindo ao povo brasileiro. Esse escândalo dos supersalários, acima da Constituição brasileira, estabelece teto para cada Poder. Então, nós temos que valorizar esses aspectos importantes que o regime democrático, o funcionamento do Supremo nos trazem”, afirmou em entrevista ao programa Visão Crítica da Jovem Pan, que foi ao ar na noite da última sexta-feira (6).
Relação com Lula
O vice-presidente afirmou estar “muito feliz” onde está e disse que a decisão sobre a renovação ou não da chapa presidencial será “mais para frente”. Além da Vice-Presidência, Alckmin acumula o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
“Estou muito feliz trabalhando com o presidente Lula, trabalhando pelo país, suando lá a camisa no Ministério da Indústria, fazendo todas as reformas aí que a gente precisa fazer”, afirmou o vice em entrevista ao programa Visão Crítica da Jovem Pan, exibida na noite de sexta-feira (6).
Para São Paulo, Alckmin disse que seu campo terá “um bom candidato”, mas não será ele. “Não sou eu. Mas nós vamos ter, num momento adequado, nós vamos ter um bom candidato para poder colocar, para servir a população do Estado”, sustentou.
Alckmin elogiou os ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), destacando o desejo deste último de disputar o Palácio dos Bandeirantes. “E tem outros nomes, que nem estão na imprensa, mas tem outros nomes. Então, isso vai amadurecer”, completou.
Questionado sobre se o governo Lula merece um novo mandato, ele respondeu: “Política é comparação, é comparação. A democracia melhorou. O Brasil se consolida como uma das grandes democracias do Ocidente. A economia melhorou, você está com um desemprego mais baixo, renda mais alta, massa salarial maior, o meio ambiente melhorou. O desmatamento na Amazônia, que estava brutal, caiu 50%. A COP 30 foi aqui. A saúde melhorou”, resumiu.
E concluiu: “Se a gente tiver um quadro comparativo, nós vamos ver que avançamos. Temos muito mais condições de avançar num outro mandato com mais diálogo e entendimento”.
O PT deu neste sábado (7) o pontapé inicial da campanha presidencial de 2026. Em um ato político com tom histórico e eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que será candidato à reeleição, cobrou unidade interna, defendeu alianças amplas e exaltou a trajetória do partido, que completará 46 anos na próxima terça-feira (10). O presidente convocou a militância para o que chamou de guerra política em 2026. Disse que a fase “Lulinha paz e amor” acabou.
“Eu quero estar na frente com vocês”, afirmou Lula ao reafirmar que será candidato à reeleição. O petista pretende conquistar um quarto mandato. Declarou que vive seu “melhor momento físico e mental” aos 80 anos e disse estar “motivado para cacete” para a disputa eleitoral.
A cúpula do PT e militantes do partido se reuniram por três dias em Salvador para comemorar o aniversário da legenda. O ato político deste sábado encerrou as celebrações. Estavam presentes o presidente nacional Edinho Silva, os líderes do partido no Congresso José Guimarães (CE) e Jaques Wagner (BA), além de governadores, ministros e congressistas. Lula foi o último a discursar.
A militância ocupou o espaço com bandeiras, camisetas vermelhas e gritos de “sem anistia”. O Hino Nacional foi cantado pela ministra da Cultura, Margareth Menezes. Houve também manifestações de apoio à comunidade LGBTQIA+ e cânticos que exaltavam a coligação entre Lula e aliados no Nordeste. O clima foi de festa com forte carga política.
Guerra eleitoral
Ao falar do cenário eleitoral, Lula disse que será necessário construir alianças amplas e reforçou a estratégia de contrastar os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) com sua gestão.
Lula adotou tom combativo ao afirmar que a eleição será uma “guerra” e que acabou o “Lulinha paz e amor”. Orientou o PT a firmar alianças para vencer em 2026 e elogiou a parceria com PSB e PCdoB. No discurso, ignorou a presença do PSD, representado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e pelo senador baiano Otto Alencar.
“Não estamos com essa bola toda em todos os Estados. Precisamos compor e decidir se a gente quer ganhar ou perder. Como eu quero ganhar, Edinho, você vai ter que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática”, disse.
Sobre o partido, Lula disse que disputas internas acabaram com o PT na Grande São Paulo e enfraqueceram o partido ao longo dos anos. O petista não entrou em detalhes, mas sua fala também uma referência ao assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em 2002.
Sobre o partido, Lula disse que disputas internas acabaram com o PT na Grande São Paulo e enfraqueceram o partido ao longo dos anos. O petista não entrou em detalhes, mas sua fala também foi uma referência ao assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, em 2002.
“O PT governava 24 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Governava Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo (do Campo), Diadema, Mauá, Campinas, governou Piracicaba. Hoje o que o PT governa? O que aconteceu? Em algum momento nós erramos. É preciso ver onde erramos para a gente corrigir, não podemos continuar persistindo no erro. O PT de Santo André era um PT extremamente organizado, era símbolo. O que aconteceu com o PT de Santo André? As brigas internas acabaram com o PT”, afirmou.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o PT ainda não definiu quem liderará a chapa estadual nem a estratégia de alianças para 2026. Lula tenta convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a disputar o governo do Estado, mas ele resiste a entrar na corrida. O partido também convidou a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) para se filiar ao partido – ela está de saída da Rede – e disputar uma vaga ao Senado pelo Estado. Os petistas esperam ainda ter a ministra Simone Tebet (Planejamento) na mesma chapa ao Senado. Ela avalia se permanece no MDB ou migra para outra sigla como o PSB.
Há também a possibilidade de que o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin (Indústria e Comércio) venha a disputar algum dos cargos em São Paulo, embora ele tenha dado declarações em sentido contrário.
O presidente também cobrou que a filiação partidária não seja motivada apenas por projetos eleitorais, ao embalar críticas à atual mercantilização da política. Disse que a direita faz política movida pelo dinheiro.
Ainda, Lula tentou insuflar a militância a defender o governo e permanecer mobilizadas nas redes sociais. “Nós temos que ser mais desaforados porque eles são desaforados. E nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem mais essa de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra”, afirmou.
Pediu ainda que a militância vá para a periferia para conversar com a população, especialmente os evangélicos. Disse que a maioria deles recebe benefícios do governo federal.
O presidente criticou ainda o próprio PT por ter sido a favor das emendas parlamentares impositivas aprovadas pelo Congresso em 2025. O Orçamento de 2026 de 2026 foi aprovado com R$ 61 bilhões destinados para emendas. Disse que a decisão da bancada no Congresso foi “grave”.
Alckmin enaltecido
A presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, que já manifestou interesse em permanecer na chapa presidencial, foi tratada como símbolo da política de alianças defendida pelo PT.
Alckmin, que é filiado ao PSB, ganhou elogios de Lula. “Eu tenho muita sorte na vida e uma delas é saber escolher meu vice. Eu duvido que algum presidente tenha tido a sorte de ter o vice que eu tenho”, declarou.
O vice-presidente retribuiu. Compareceu ao evento usando meias vermelhas e elogiou o partido. “O PT não nasceu do alto. Nasceu do povo. Da voz e da luta do povo. Uma árvore cresce pela raiz. É um partido identificado pela liberdade, pela justiça”, afirmou. Em seguida, completou: “Vamos pra frente, Lula presidente”.
Na imagem, Geraldo Alckmin (à esq.) e Lula (à dir.) no evento dos 46 anos do PT, realizado em Salvador (BA). Foto: Sérgio Lima/Poder360
Edinho Silva também destacou a importância de Alckmin para a coalizão eleitoral. “O senhor simboliza nossa capacidade de diálogo, tão importante na vida do PT, com todos os partidos que estão nos ajudando a reconstruir o Brasil”, disse.
Na quinta-feira (5), Lula disse que Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad têm “um papel a cumprir nas eleições de São Paulo”. Nenhum dos dois, no entanto, quer disputar eleições no Estado. Haddad diz que quer contribuir na campanha à reeleição do petista elaborando o plano de governo. Alckmin quer continuar na chapa de Lula como vice. Na sexta-feira (6), Alckmin disse que não considera concorrer ao governo de São Paulo nas eleições de 2026.
O PT também afirma avaliar as alianças nacionais e estaduais, o que pode influenciar na escolha de outro vice. O presidente do PT disse, também, que o partido enfrenta desafios estruturais, como a ascensão do fascismo no mundo e a perda de espaço institucional. Defendeu a ampliação das bancadas estaduais e federais e a construção de um “grande Congresso” aliado. Criticou as emendas impositivas, afirmando que elas reduzem o poder do Executivo.
Homenagens e discursos
O evento começou com homenagens a militantes históricos que morreram recentemente. Lula pediu que os tributos fossem feitos com sua presença. Zé Dirceu homenageou Paulo Frateschi, Everaldo Anunciação e Frei Sérgio.
O presidente do PT na Bahia, Tássio Brito, abriu os discursos destacando a reconstrução da imagem de Lula após a prisão. Disse que a militância fará Lula presidente de novo no primeiro turno. “Nós ganhamos o país de novo. A tarefa importante é tarefa do PT”, afirmou.
Ao fim do evento, militantes cantaram parabéns com direito a bolo. Também ecoaram cânticos sobre a coligação “Jero-Lula”, em referência ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Lula encerrou lembrando que foi na Bahia, em julho de 1978, que defendeu pela primeira vez a criação do PT. “Foi aqui, no dia 15 de julho de 1978, que a classe trabalhadora decidiu criar um partido político”, recordou.
Na imagem, Lula e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Foto: Sérgio Lima/Poder360
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste sábado (7) que a eleição vai ser uma “guerra” e que acabou o “Lulinha paz e amor”. A fala aconteceu durante o evento de aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador (BA).
Segundo o petista, as redes sociais “têm mais mal do que bem” e, por isso, é preciso “escrachar” cada mentira contada. “Eles são desaforados e nós não podemos ficar sendo quietinhos. Não tem essa mais de Lulinha paz e amor. Essa eleição vai ser uma guerra, e nós vamos ter que estar preparados para ela”, disse. As informações são da CNN Brasil.
Lula também disse que o que está em jogo neste ano não é só a eleição, mas a democracia do país. E defendeu a construção de uma narrativa política pelo PT.
“Se depender do que nós fizemos comparado a eles, nós já ganhamos essas eleições, mas não é isso que vai decidir. Não se iluda. O que vai ganhar essas eleições é a nossa narrativa política”, finalizou.
A programação da comemoração do aniversário do partido começou na última quinta-feira (5) e, desde então, contou com debates e painéis.
O ato político deste sábado teve, além do presidente Lula, a presença de ministros do governo e líderes do PSB, PCdoB e Psol. O evento foi o pontapé inicial da pré-campanha à Presidência.