Por Agência O Globo
Mesmo sem a obrigação de votar, eleitores com mais de 70 anos fizeram questão de comparecer às urnas neste domingo, segundo turno das eleições presidenciais. Aos 86 anos, Maria Salete Barca dos Santos enfrentou a chuva que cai desde a madrugada na capital fluminense para votar no CIEP Presidente Tancredo Neves, no Catete, na Zona Sul.
Acompanhada de três netos, que a ajudaram a sair do táxi e a caminhar com o auxílio de uma bengala até a seção eleitoral, ela não abriu mão de exercer seu direito ao voto. No interior do estado, a mobilização também chegou aos mais idosos. Aos 93 anos, Maria França Cosme, de Engenheiro Paulo de Frontin, não se deixou intimidar pela chuva e fez questão de ir às urnas para participar da escolha do próximo presidente.
Leia mais“É importante demais votar. Faz parte da cidadania. Eu falo assim: sou uma cidadã, pago meus impostos e sou eleitora”, afirmou Maria Salete, que também participou do primeiro turno.
Eleitora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Maria Salete destacou a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) como um dos motivos de sua escolha. Ela conta que depende da rede pública para cuidar da saúde e conseguir equipamentos de que necessita.

“A gente depende muito do SUS para viver. Eu, que já estou velha, vou para o SUS e lá consigo tudo. Até aparelho de surdez. Então, para mim, é importante”, contou.
No mesmo local, o aposentado Onésimo Fraga Sobrinho, de 88 anos, também fez questão de participar dos dois turnos. Ele relatou que a votação foi rápida, sem filas, e declarou apoio ao candidato do PL, Flávio Bolsonaro. “Ele demonstra ter mais respeito, mais dignidade e, acima de tudo, conhecimento. O outro eu já conheço desde 1960”, afirmou.

Na PUC-Rio, na Gávea, o cenário se repetiu. Com o auxílio de um andador, o aposentado Antônio César Teixeira, de 76 anos, caminhava lentamente pelas dependências da universidade no início da tarde. Para subir as escadas até o local de votação, precisou da ajuda da filha e de outras duas pessoas. Apesar das dificuldades de locomoção, fez questão de votar, assim como havia feito no primeiro turno.
Eleitor de Lula, Antônio afirmou considerar fundamental participar da escolha do próximo presidente, diante da preocupação com uma eventual vitória do adversário.

Também acompanhada da família, a professora aposentada Ana Helena Moussatché, de 87 anos, compareceu à PUC-Rio ao lado das filhas Márcia Adler, de 64 anos, produtora cultural, e Kátia Adler. As três já haviam votado no primeiro turno e relataram uma experiência tranquila neste domingo.
Aos 93 anos, voto no interior
A mobilização dos eleitores idosos também chegou ao interior fluminense. Aos 93 anos, Maria França Cosme, de Engenheiro Paulo de Frontin, não se deixou intimidar pela chuva e fez questão de sair de casa para votar neste domingo. Vestida de vermelho, chegou sorridente à seção 0008 da 74ª Zona Eleitoral e fez um gesto de apoio ao seu candidato. Para ela, o voto também é uma forma de defender conquistas sociais e evitar que as novas gerações enfrentem as dificuldades que marcaram sua vida.
“Eu nem precisava votar, mas fui porque já passei muito aperto na vida, sem ajuda. Penso nas crianças que agora podem estudar, fazer faculdade e ainda contam com auxílio. Sofri muito preconceito, minha avó foi escravizada. Tudo melhorou e não posso deixar que a gente sofra de novo”, afirmou.

Também acompanhada da família, a professora aposentada Ana Helena, de 87 anos, compareceu à PUC-Rio ao lado das filhas Márcia Adler, de 64 anos, produtora cultural, e Kátia Adler. As três já haviam votado no primeiro turno e relataram uma experiência tranquila neste domingo.
“Porque eu sou cidadã. Eu, como cidadã, tenho que ter o meu direito de me expressar. Faço questão absoluta, não importa a idade”, afirmou Ana Helena.
Filha do cientista Haity Moussatché, pesquisador da Fiocruz que esteve entre os dez cientistas cassados durante a ditadura militar, Ana Helena declarou voto em Lula, a quem considera mais preparado para governar o país. “Porque eu acho a pessoa mais democrática, mais preparada. Pelo discurso dele, pela história de vida”, justificou.
Na Tijuca, Aziz Blal, de 93 anos, também fez questão de ir às urnas, acompanhado da neta Juliana. Há menos de um mês, ele recebeu alta hospitalar após sofrer um episódio isquêmico. Ainda em recuperação, não quis deixar de participar da escolha do próximo presidente, mesmo sem ter a obrigação de votar.

A aposentada Joana Morais, de 85 anos, também contou com a ajuda da família. Chegou à universidade de braços dados com a neta, a estudante Júlia de Figueira, de 23 anos, que não vota no local, mas fez questão de acompanhar a avó. Eleitora de Lula, Joana disse que sua motivação está ligada à preocupação com o futuro do país.
“Porque eu tenho muito medo do Bolsonaro conseguir ser presidente. Ele vai destruir o Brasil”, afirmou.
Apesar da apreensão com o resultado, Joana não encontrou dificuldades para votar. “Tranquilíssimo”, resumiu.
A professora aposentada Naide Araújo, de 84 anos, também fez questão de comparecer à PUC-Rio. Ela havia deixado de votar no primeiro turno por não estar se sentindo bem, mas, desta vez, não quis ficar de fora. Deixou a universidade de braços dados com o filho, o programador Alexandre Araújo, de 59 anos, que a ajudava a caminhar.
“Vim para ver se consigo botar meu candidato para dentro”, afirmou Naide, que declarou voto em Lula e justificou a escolha pela trajetória política do petista. “São muitos anos já, muitas escolhas. Vamos nele mesmo. Vamos tentar.”
Mãe e filho destacaram o desejo de continuidade como motivação para o voto. Na universidade, a votação transcorria sem filas, com entrada e saída rápidas dos eleitores.
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