O Sistema Transporte lançou a nova edição da Agenda Institucional Transporte e Logística. A publicação organiza os principais temas de interesse do setor e apresenta o posicionamento institucional sobre projetos em tramitação no Congresso Nacional, ações do Poder Executivo e decisões do Judiciário.
O documento é resultado de trabalho técnico realizado em conjunto com as entidades de base do Sistema Transporte e reúne pautas voltadas ao fortalecimento da mobilidade, da logística e da competitividade do país. “A Agenda organiza consensos e aponta caminhos para que o transporte esteja no centro dos grandes debates nacionais. Nesse cenário de avanços tecnológicos, muito se fala em inteligência artificial, mas ela não substituirá o relacionamento e a representação. A tecnologia evolui, mas o diálogo, a confiança e a presença continuam insubstituíveis”, afirma o diretor de Relações Institucionais da CNT, Valter Souza.
Poder Legislativo: 40 propostas prioritárias
A Agenda reúne 40 projetos considerados estratégicos para o setor. Entre eles, estão propostas como a renovação automática da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e o novo marco legal da Política Nacional de Mobilidade Urbana. O documento também destaca debates sobre tributação, reforma do Código Civil e regulamentação da geração de energia eólica offshore, temas que ampliam a inserção do transporte na agenda da transição energética.
Poder Executivo: entregas e desafios
Em 2025, o setor registrou avanços com concessões rodoviárias, novos marcos ferroviários, leilões portuários e aeroportuários e investimentos em mobilidade urbana limpa. Para 2026, a Agenda aponta quatro prioridades: ampliação das concessões, elaboração do Plano Nacional de Logística 2050, fortalecimento da segurança pública e regulamentação tributária. A CNT também defende maior autonomia para as agências reguladoras como forma de ampliar a segurança jurídica e a confiança dos investidores.
Poder Judiciário: segurança jurídica
A CNT acompanha 11 temas relevantes em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), atuando institucionalmente em debates que impactam diretamente o setor de transporte. Entre os assuntos em discussão estão desoneração da folha de pagamento, piso mínimo do frete e pejotização.
No Tribunal Superior do Trabalho (TST), a entidade atua como amicus curiae em 25 processos, alguns deles com previsão de julgamento em 2026, muitos relacionados aos Incidentes de Recursos de Revista Repetitivos (IRRs). Esses incidentes são instrumentos utilizados pelo tribunal para uniformizar a jurisprudência trabalhista, contribuindo para maior previsibilidade e segurança jurídica nas relações de trabalho.
SEST SENAT: qualificação e inovação
A Agenda dedica um capítulo às ações estratégicas do SEST SENAT, com foco na qualificação de trabalhadores e na preparação do setor para novas tecnologias. Entre as prioridades, estão a ampliação da base de arrecadação, o acesso a dados da Receita Federal e a criação de cursos obrigatórios voltados à amarração de cargas e à condução de veículos por motoristas de aplicativo.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Amanhã, mesmo dia previsto para o Supremo Tribunal Federal (STF) definir o destino político do Rio de Janeiro, se será direta ou indireta a eleição do governador-tampão que administrará o estado até a posse do eleito em outubro, há na pauta da Corte um outro julgamento importante.
Ele definirá se prosseguirão ou não os trâmites para a construção da Ferrogrão, ferrovia que cortará parte do Centro-Oeste e do Norte do país, ligando a cidade de Sinop, no Mato Grosso, até o porto de Mirituba, no Pará. A estrada de ferro criará um eixo de transporte de soja e outros grãos. O problema é que seu trajeto passa por região indígena. E a discussão em torno disso expõe claramente um racha dentro do governo.
Leia maisPara viabilizar a ferrovia, uma medida provisória, convertida em projeto de conversão, reduziu em 862 hectares a área do Parque Nacional do Jamanxim, onde vivem caiapós e outros povos. Essa decisão esbarra em um grande problema: a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário, estabelece que povos originários precisam ser sempre consultados a respeito de situações que os afetem diretamente.
A Ferrogrão é uma das obras previstas no novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) desde o início deste terceiro governo Lula. E tornou-se um dos pontos centrais a dividir os grupos mais ambientalistas e os mais desenvolvimentistas do governo. O Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) defendem a ferrovia. Meio Ambiente e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) defende a posição dos povos originários. Um tipo de divisão que ficou clara durante a COP30, em Belém.
Um dos pontos que será julgado é um agravo da ANTT, que sustenta que a consulta aos povos prevista na Convenção 169 só deva se dar no momento de discussão do licenciamento ambiental e efetivo início da obra. Isso permitiria, então, que se fizesse agora licitação, parcerias e outros instrumentos que, na prática, poderiam tornar a ferrovia um fato consumado.
O advogado Melillo Dinis, que representa o Instituto Kabu, organização não governamental ligada aos caiapós, contesta essa visão, afirmando que a consulta prévia aos indígenas é inequívoca segundo a convenção. Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes tentou uma conciliação, que não evoluiu.
Quando apresentou seu relatório, em outubro do ano passado, Moraes julgou favorável à redução da área do parque. Foi acompanhado pelo ainda ministro Luís Roberto Barroso. Houve, então, um pedido de vista de Flávio Dino. Para Moraes, a redução não implicaria dano ambiental, porque ali já passa a rodovia BR-163.
Segundo o voto de Moraes, dos 977 km previstos para a ferrovia, 635 km já são impactados pela BR-163, rodovia que passa em paralelo ao traçado da estrada de ferro. Para Alexandre de Moraes, a ferrovia, pela capacidade muito maior de transporte, será menos poluente e trará menos impactos ambientais.
Na visão de Alexandre de Moraes, a emissão de CO2 da ferrovia será 50% menor que a da atual rodovia. De acordo com relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), a expectativa é que no primeiro ano após a construção tenham sido transportados 42,3 milhões de toneladas pela ferrovia, abrindo um novo corredor de transporte.
Hoje, 70% da produção de grãos do país é exportada pelo porto de Santos, que fica a mais de dois mil quilômetros dos centros produtores. Quem defende a Ferrogrão, portanto, estabelece que ela criará um corredor mais racional. O problema, na visão contrária: os povos que ali vivem precisam ser consultados.
No fim, é mais um capítulo do cada vez maior impasse entre proteção ambiental e desenvolvimento. Durante anos, o mundo avançou sem se preocupar com isso. Paga hoje o preço real da destruição. Por um lado, tenta pisar no freio. Por outro, considera manter o acelerador. No meio disso tudo, nós, os seres humanos.
Leia menos
Pré-candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta segunda-feira (6), que não há a menor possibilidade de Donald Trump invadir o Brasil.
“Não há a menor possibilidade disso acontecer [Trump invadir o Brasil]. Ele usa essa narrativa do medo para fazer média com esse segmento que vota nele”, disse o senador. As informações são da CNN.
Leia maisA possibilidade de uma invasão dos Estados Unidos ao Brasil foi levantada devido a intenção do governo americano em classificar facções criminosas como organizações terroristas.
Esse tipo de designação pode ampliar o alcance de ações americanas, incluindo sanções econômicas e operações contra redes ligadas ao crime organizado.
As declarações de Flávio foram feitas durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda. Durante a entrevista, Flávio também defendeu a classificação de facções criminosas como organizações terroristas.
“Sim, não tenho dúvida. Se você analisar, existem relatórios de inteligência sobre Hamas e Hezbollah atuando no Brasil […] O Brasil é uma rota de tráfico de armas e de drogas que abastece o terrorismo. E quando a gente vê o Lula reticente, ele está fazendo gestos para o terrorismo, para o PCC”, afirmou Flávio.
Para o governo Lula, uma possível classificação de facções criminosas como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode representar uma ameaça à soberania nacional.
Terrorismo e organizações criminosas na lei brasileira
De acordo com a Lei Antiterrorismo (Lei nº 13.260/2016), o terrorismo é caracterizado no Brasil pela prática de atos específicos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.
O objetivo central deve ser a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoas, patrimônios ou a paz pública. Assim, o terrorismo possui natureza ideológica ou política, segundo a legislação brasileira.
Por outro lado, facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) são enquadradas como organizações criminosas porque sua atuação é voltada prioritariamente para a obtenção de lucro.
Essas atividades econômicas ilícitas incluem, majoritariamente, o tráfico de drogas e de armas.
Leia menos
O governo federal anunciou nesta segunda-feira (6) um pacote de medidas para conter a alta dos combustíveis diante da escalada do preço do petróleo.
Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o custo total das medidas anunciadas será de R$ 30,5 bilhões. Mas, segundo ele, não terá impacto fiscal, pois será compensado por receita advinda do óleo diesel e royalties, por exemplo. As informações são do g1.
As ações contemplam subvenção (um apoio financeiro) ao diesel importado, ao Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha, e ao querosene da aviação.
Leia maisEntre as medidas anunciadas estão:
Entre as medidas anunciadas estão uma medida provisória, um projeto de lei e decretos que buscam conter os impactos da alta dos combustíveis decorrentes da guerra no Oriente Médio.
Medidas provisórias têm força de lei, mas depois precisam ser confirmadas pelo Congresso Nacional – que tem a prerrogativa de alterar o que foi proposto.
Medidas para o diesel
A subvenção ao diesel prevê um desconto de R$ 1,20 por litro de diesel importado (R$ 0,60 de subsídio federal e R$ 0,60 estadual).
Somada ao subsídio anterior concedido pela União, de R$ 0,32, a subvenção total chega a R$ 1,52.
O objetivo central é blindar o setor produtivo, especialmente o agronegócio, contra a disparada de preços causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
O diesel é o principal combustível usado no transporte de cargas no Brasil. Por isso, quando seu preço sobe, há um efeito em cadeia na economia. O custo maior do frete, por sua vez, tende a ser repassado para alimentos, produtos industrializados e serviços, pressionando a inflação.
A divisão busca repartir o custo da medida e facilitar a adesão dos governos estaduais, reduzindo a pressão sobre apenas um nível de governo.
Segundo o governo, a medida será aplicada pelo menos durante os meses de abril e maio deste ano e terá custo de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal.
Pelo lado dos estados, o subsídio será feito por meio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). O fundo é usado pelo governo federal para repassar recursos mensalmente aos governos estaduais.
Agora, parte desse dinheiro será retido, em valor equivalente a R$ 0,60 por litro, que cada estado vai contribuir.
O FPE é formado por 21,5% da receita líquida do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
O benefício será direcionado aos importadores de diesel, empresas responsáveis por trazer o combustível do exterior para complementar a oferta no país.
A medida também cria uma nova subvenção de R$ 0,80 por litro de diesel produzido no Brasil, que se somará àquela de R$ 0,32/litro que já está em vigor.
Essa subvenção será realizada apenas com recursos federais, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês.
A medida durará por dois meses, podendo ser prorrogada por igual período. Os produtores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.
Além disso, o governo vai publicar um decreto que zera o PIS/Cofins que incidem sobre o biodiesel. Segundo o Palácio do Planato, a medida vai gerar uma economia de R$ 0,02 por litro do combustível.
O combustível renovável hoje é adicionado ao óleo diesel vendido nas bombas, em uma proporção de 15%.
Acordo com os estados
Segundo o Ministério da Fazenda, o apoio financeiro não terá validade nos estados que não aderiram ao acordo com o governo federal. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, 25 estados já aderiram ao programa.
“Alguns governadores me ligaram, independentemente do lado político, apontei o que a gente estava vendo, o que tinha que agir e felizmente, depois de muito dialogo, a gente viu 25 estados ja manifestando positivamente pela adesão ao programa. Dois estados ainda não se manifestaram pela adesão, espero que esses dois estados não deixem sua população com diesel mais caro e faço apelo para que todos os estados adiram”, disse Durigan.
Gás de cozinha
O governo também subsidiará o gás de cozinha. Segundo o governo, haverá uma compensação relativa à diferença entre o preço nacional e o internacional, que será coberto por uma subvenção de até R$ 330 milhões.
De acordo com o ministro da Fazenda, a isenção do PIS/Cofins, tanto para o biodiesel quanto para o querosene da aviação, será compensada pelo ajuste da alíquota dos cigarros.
Com isso, a alíquota será elevada a 3,5%, e o preço mínimo aumentará de R$ 6,50 para R$ 7,50.
Querosene da aviação
Diante do risco de as passagens aéreas aumentarem em até 20%, o governo federal anunciou que vai zerar o PIS/Cofins até o final do ano sobre o querosene da aviação.
O combustível é um insumo sensível para aviação, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), passou a representar cerca de 45% do custo operacional das companhias aéreas após o aumento anunciado pela Petrobras na última semana.
Também serão lançadas duas linhas de crédito. Uma delas será ofertada pelo Fundo Nacional da Aviação (Fnac) e terá valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e foco em reestruturação financeira das empresas.
As tarifas de navegação também serão prorrogadas. As taxas referentes aos meses de abril, maio e junho serão pagas pelas empresas aéreas somente no mês de dezembro.
Cenário desfavorável
A medida surge em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada por tensões no Oriente Médio, que aumentaram os custos e trouxeram incertezas sobre o abastecimento.
Como o Brasil ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel que consome, o cenário externo tem impacto direto nos preços internos e no custo de vida da população.
Com o aumento do petróleo no mercado internacional, o custo do diesel sobe rapidamente, o que pode gerar risco de desabastecimento ou aumentos mais bruscos.
A subvenção tenta suavizar esse impacto e dar mais estabilidade ao mercado no curto prazo, até o fim de maio. A ideia é atuar apenas durante o período mais crítico da alta de preços.
Leia menos
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira que tem atuado para conter declarações do irmão Eduardo Bolsonaro contra aliados, em meio a tensões recentes no campo bolsonarista. Segundo ele, o momento exige coordenação e redução de conflitos internos.
O senador afirmou que precisará reunir lideranças de diferentes correntes da direita para viabilizar sua candidatura e vencer a eleição presidencial. A estratégia, segundo ele, passa por reduzir disputas internas. Flávio também disse compreender a postura do irmão, que está fora do país e, de acordo com ele, vê sua eleição como a principal forma de retornar ao Brasil. As informações são do jornal O GLOBO.
— Dos irmãos, converso com Eduardo sempre. Converso até mais com Eduardo do que com o Carlos. Por conta da necessidade, às vezes, de aparar uma aresta, trocar uma ideia, segurar uma onda aqui e ali. Ele é um cara muito preparado. É contraproducente (a postura), ainda mais nesse momento, não é inteligente — disse, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Leia maisFlávio também citou o deputado Nikolas Ferreira ao comentar o ambiente na direita e tentou equilibrar a relação entre os dois aliados.
— Eduardo é uma liderança, Nikolas é uma liderança. Mas o Eduardo, por ter tido as contas bloqueadas, fica indignado porque acha que tem que ter a união da direita. Ele fica pensando que o povo tem que fazer mais, mas eu entendo o tempo das pessoas. Nikolas está comigo, é um moleque de ouro. É maduro, inteligente e ajuda expondo o PT — afirmou.
A declaração ocorre após um atrito público entre Nikolas e Eduardo, que expôs divergências dentro do bolsonarismo em meio à pré-campanha.
A discussão começou depois de Eduardo afirmar que Nikolas compartilha conteúdos de perfis que não declaram voto em Flávio. O deputado mineiro reagiu com um riso, e o ex-parlamentar respondeu dizendo que não havia “limites para o desrespeito” com a família Bolsonaro.
Após o episódio, Nikolas compartilhou um vídeo de Flávio pedindo “união na direita” com a mensagem “concordo, presidente”. A divergência, segundo aliados, não é isolada e reflete uma tensão mais ampla sobre os rumos da pré-campanha.
Nos bastidores, o movimento está ligado à estratégia do senador de ampliar alianças para além do bolsonarismo mais fiel, com a incorporação de novos nomes e negociações em estados. A guinada tem gerado resistência entre aliados mais ideológicos e dentro da própria família.
O ambiente interno também foi alterado pela situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Com acesso restrito, a interlocução política passou a depender ainda mais de quem está no entorno imediato, ampliando o peso da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e intensificando a disputa por influência.
Conversas com Tarcísio
Na entrevista, Flávio também afirmou que não vinha se articulando para disputar a Presidência, mas passou a ser considerado candidato após conversas com o pai sobre o cenário eleitoral.
— Eu nunca costurei meu nome, não rodei o Brasil. Meu foco sempre foi o Rio de Janeiro. As pesquisas diziam que eu tinha uma eleição tranquila — disse.
Segundo ele, foram avaliados outros nomes da direita, como Eduardo Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, antes da definição.
— Nesse contexto, Bolsonaro disse: “tem que ser você” — afirmou.
Flávio relatou que discutiu diretamente com Tarcísio a estratégia da pré-campanha ainda no fim do ano passado e afirmou que mantém diálogo frequente com o governador.
— Fui conversar com o Tarcísio em dezembro e disse para ele que essa seria a estratégia. Falei que ele é muito mais preparado do que eu, tem experiência no Executivo, é governador de São Paulo. Mas disse também que, quando começasse essa hiperexposição, as pessoas conheceriam um Bolsonaro diferente — afirmou.
Segundo o senador, Tarcísio concordou com a avaliação e manifestou apoio ao movimento. Flávio afirmou que os dois voltaram a se encontrar recentemente e que preparam novas agendas em conjunto em São Paulo.
— Ele disse que eu tinha razão, que eu recuperaria espaço e seria vitorioso. Desde então, a conversa foi muito franca. Hoje almoçamos juntos e estamos preparando várias agendas em São Paulo — disse.
Leia menos
O deputado federal Waldemar Oliveira (Avante-PE) assumiu a liderança do Avante na Câmara dos Deputados, passando a representar a bancada da sigla nas articulações políticas e nas votações da Casa.
A chegada de Waldemar ao posto reforça o espaço do parlamentar dentro do partido e consolida seu nome entre as lideranças com forte atuação em Brasília. Em seu primeiro mandato, ele já vinha ocupando posições estratégicas, como a vice-liderança do governo Lula, o que agora ganha novo peso com o comando da bancada do Avante.
Com perfil conciliador, bom trânsito entre diferentes forças políticas e reconhecida capacidade de articulação, Waldemar assume a função em um momento importante para o fortalecimento do partido na Câmara. A escolha também sinaliza a aposta do Avante em um nome com capacidade de diálogo, construção de entendimentos e presença ativa nos principais debates do Congresso.
Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã
Na quinta-feira (2), a senadora maranhense Eliziane Gama dirigiu uma educada carta “aos amigos e amigas” que fez enquanto esteve filiada ao PSD. Deixa sua “gratidão” ao presidente do partido, Gilberto Kassab, e cita ainda outros companheiros de partido – os senadores Omar Aziz e Otto Alencar.
Cita também o ex-governador do DF Paulo Octávio, mas este também não está no PSD, foi para o PP. Eliziane sai do PSD e vai para o PT, partido por onde disputará a reeleição ao Senado pelo Maranhão. A mudança, é claro, já vinha sendo construída e faz parte dos planos de montagem da chapa de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Maranhão. Mas houve um fator que foi decisivo para Eliziane.
Leia maisCandidatura do goiano foi decisiva
Esse fator decisivo foi a opção de Gilberto Kassab em ter o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como candidato a presidente. Eliziane foi eleita senadora pelo Cidadania e de lá mudou-se depois para o PSD. Não é tida, portanto, como alguém marcadamente de esquerda. Mas está longe de proximidade com a direita representada por Caiado. E especialmente é muito próxima de Lula. Sempre foi parte fiel de sua base no Senado.
Na chapa de Felipe Camarão
O Maranhão vive hoje uma situação complicada. O vice-governador, Felipe Camarão (PT), é candidato a governador. E Eliziane, assim, entraria como uma das candidatas da chapa ao Senado. Mas Camarão rompeu com o governador Eduardo Brandão (que deixou o PSB e está sem partido), que apoia uma candidatura de seu sobrinho, o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleãns Brandão (PSB). Carlos Brandão avisa que não deverá deixar o governo para que Camarão dispute como candidato à reeleição.
Situação beligerante
Ele pode disputar o governo no cargo, mas não poderá assumir interinamente em nenhum momento. Se Brandão viajar para o exterior, ele terá que viajar também. Pode-se criar, então, uma situação meio inusitada. O Maranhão teria dois palanques para Lula, mas concorrendo entre eles de uma forma complicada e beligerante. A briga entre o governador e o vice é feia.
Investigação
Recentemente, Camarão divulgou um vídeo contra Brandão, no qual chama o governador de “coronel” e de estar fazendo uma “canalhice” contra ele. Chegou a haver um pedido de afastamento de Camarão. O afastamento seria por conta de uma investigação do Ministério Público do Maranhão.
CPI
Camarão afirma ter sido uma “armação” de Brandão. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liminar na segunda-feira da semana passada (30) mantendo Camarão no cargo. Mas pode ser instalada uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar Camarão por conta da denúncia do MP.
Braide
Nesse nível de briga dentro do governo maranhense, as pesquisas no momento apontam liderança para o governo do agora ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, do PSD de onde saiu Eliziane Gama. Braide renunciou à prefeitura na terça-feira (31). É, por enquanto, um palanque neutro quanto à Presidência.
Fragmentação
Há risco, porém, para Lula em toda essa carga de briga. Os palanques fragmentados demais podem acabar atrapalhando em vez de ajudar o presidente. E isso também pode acontecer em outros estados do Nordeste. Com carga beligerante menor, há problemas também na formação de palanques no Ceará e na Bahia.
Bahia
Na Bahia, a possibilidade de uma chapa puro-sangue do PT tendo o governador Jerônimo Rodrigues candidato à reeleição com o senador Jaques Wagner e o agora ex-ministro da Casa Civil Rui Costa como nomes para o Senado pode produzir a criação de outra chapa aliada para abrigar outros nomes aliados.
Ceará
No Ceará, a sombra de uma vitória ao governo de Ciro Gomes (PSDB) leva a rearranjos. Em vez da reeleição do governador Elmano de Freitas, o ex-ministro da Educação Camilo Santana poderia vir a sair pelo PT. E definir os nomes para senador, entre Luiziane Lins e José Guimarães, do PT, e Eunício Oliveira, do MDB.
O relator da CPI do Crime Organizado no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), informou, hoje, que protocolou um pedido de prorrogação dos trabalhos do colegiado por mais 60 dias. Instalada em novembro do ano passado para apurar a atuação de organizações criminosas, a comissão tem, atualmente, prazo final no próximo dia 14 de abril. As informações são do portal G1.
O pedido de prorrogação, segundo Vieira, foi assinado por 28 senadores e será analisado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Recentemente, Alcolumbre se posicionou contra a prorrogação da CPMI do INSS. O relator afirma que o colegiado reuniu um “volume monumental” de documentos para analisar e que é necessário mais tempo para cruzar os dados coletados e ouvir investigados e testemunhas.
Leia maisVieira argumenta também que a comissão ainda não teve prazo suficiente para concluir um diagnóstico sobre a atuação de facções e milícias em diferentes estados do país. O relator quer ouvir ainda governadores e secretários de segurança de diferentes regiões.
“O encerramento prematuro desta CPI representaria não apenas um retrocesso inaceitável na elucidação completa da infiltração do crime organizado nos mais diferentes domínios da economia brasileira, mas também um prejuízo incalculável ao interesse público”, diz Vieira.
Entre os parlamentares que assinaram o pedido de prorrogação, está o presidente do colegiado, Fabiano Contarato (PT-ES), que agendou para esta semana os seguintes depoimentos:
Por Houldine Nascimento e Lara Brito – Poder360
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém o padrão dos anos anteriores no início de 2026, ano eleitoral: a maioria das viagens nacionais tem como destino o Sudeste. No acumulado do ano, o petista realizou cerca de 30 deslocamentos a 10 Estados.
O Sudeste concentrou mais de 60% dos compromissos fora de Brasília. São Paulo lidera: pelo menos 10 visitas a municípios do Estado, seguido do Rio de Janeiro, com 5, e de Minas Gerais, com 4. A região reúne o maior número de eleitores do país, com aproximadamente 66 milhões, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Em 2022, o Sudeste foi decisivo para a vitória de Lula nas eleições. O PT teve 7,8 milhões a mais de votos que em 2018 no 2º turno, quando concorreu com Fernando Haddad.
Lula assegurou palanques em 3 dos 4 Estados na região. No Rio de Janeiro, está fechado: o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD) é pré-candidato ao governo estadual e tem o apoio declarado do presidente. Em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) será candidato ao governo.
No Espírito Santo, o deputado federal Helder Salomão (PT) é o nome escolhido para concorrer ao governo do Estado. Na última segunda-feira, o congressista se reuniu com Lula em Brasília e recebeu aval do presidente para se lançar candidato ao Palácio Anchieta. “Conversei com o presidente Lula e ele declarou apoio à minha pré-candidatura ao governo do Estado. Estou feliz com a confiança e pronto para liderar um projeto majoritário que contemple todos os capixabas”, declarou Salomão.
Minas Gerais segue sem definição. É um Estado estratégico – o 2º maior colégio eleitoral do país. Neste ano, Lula esteve lá duas vezes, passando por Juiz de Fora, Ubá, Betim e Sete Lagoas. Em 28 de fevereiro, o petista visitou áreas atingidas pelas fortes chuvas na Zona da Mata mineira.
O presidente tenta consolidar uma aliança para 2026 no Estado mais disputado eleitoralmente do país. Continua a investir na candidatura do ex-presidente do Congresso Rodrigo Pacheco (PSB-MG) ao governo estadual, mas o senador ainda não deu sinal verde. Na quarta-feira, Pacheco se filiou ao PSB. Não cravou que concorrerá em Minas.
