Judia, vice-governadora finalmente dá uma pancadinha em Lula

A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, afirmou hoje que o presidente Lula errou ao comparar os ataques israelenses à Faixa de Gaza com o Holocausto. Priscila, que é judia, ressaltou que o líder petista “continua errando ao não pedir desculpas ao povo judeu”.

“Assisti ontem ao filme ‘Zona de Interesse’ e nada, absolutamente nada, é comparável ao holocausto. O presidente Lula errou feio ao fazer absurda comparação com o que acontece hoje ao que aconteceu no passado”, escreveu a vice-governadora em suas redes sociais.

O filme citado por Krause está em exibição nos cinemas e narra um complexo caso de amor entre um oficial nazista e a esposa de um comandante do campo de concentração de Auschwitz.

“O Hamas é um grupo terrorista que coloca à prova não só a coexistência de dois povos, judeus e palestinos, mas também a paz mundial. Diante disso, acredito que a voz na diplomacia mundial precisa ser pela busca incessante de soluções que desarmem esse cenário de guerra e terror”, complementou Priscila.

Da Veja

Ao comparar a ação militar israelense em Gaza com o Holocausto, o presidente Lula não fomentou apenas uma crise diplomática. Ele também deu um tiro no pé na política interna, tomando para si o protagonismo da agenda negativa, que até então estava toda no colo de seu principal adversário, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante boa parte da semana, as suspeitas de que Bolsonaro comandou as articulações para um golpe de Estado perderam espaço no noticiário e no debate público. O desatino verbal de Lula também serviu de combustível para a convocação feita por aliados do capitão para o ato em apoio a ele marcado para este domingo (25), na Avenida Paulista, em São Paulo.

Nas redes sociais, os bolsonaristas exploraram à exaustão a desastrada comparação feita pelo presidente. Entre os dias 18 e 20 de fevereiro, houve 1,56 milhão de menções ao tema, segundo levantamento da Quaest consultoria. Do total, 68% eram de críticas ao presidente, e 32% em defesa dele. O saldo poderia ser pior não fosse o esforço deflagrado pelos governistas, ao perceberem o tamanho do prejuízo, para tentar equilibrar o jogo no universo digital.

Reação no Congresso

A comparação feita por Lula também foi criticada, com diferentes graus de intensidade, por líderes evangélicos, segmento no qual o petista enfrenta forte resistência. Até aliados no Legislativo fizeram ressalvas ao petista.

Conhecido por seu perfil conciliador, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, cobrou de Lula uma retratação por comparar a ação militar de Israel em Gaza ao Holocausto. “Ainda que a reação do governo de Israel (aos atos terroristas do Hamas) venha a ser considerada desproporcional, excessiva, violenta, indiscriminada, não há como estabelecer um comparativo com a perseguição sofrida pelo povo judeu no nazismo”, disse o senador.

O líder do governo na Casa, Jaques Wagner, um dos poucos quadros no PT com coragem para dizer o que pensa ao presidente da República, seguiu caminho parecido. Durante a sessão plenária, Wagner relatou ter dito o seguinte a Lula: ‘Não tiro uma palavra do que vossa excelência disse, a não ser o final’, porque, na minha opinião, não se traz à baila o episódio do Holocausto para nenhuma comparação”.

Um carro furou o bloqueio na chegada ao Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República em Brasília, que se encontrava no local. Segundo fontes, os agentes do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) atiraram contra o veículo. O primeiro disparo foi de advertência, ainda na altura do Palácio do Jaburu, residência do vice-presidente. 

Em nota, a Polícia Federal afirmou que já iniciou as diligências para elucidar as circunstâncias. O diretor-geral da Polícia Federal determinou à Diretoria de Proteção à Pessoa (DPP) a instauração de inquérito policial. A corporação aguarda comunicação formal do Gabinete de Segurança Institucional, responsável pelos bloqueios e abordagem, relatando detalhes do ocorrido para auxiliar nas investigações. As informações são do portal R7.

Após os disparos, o carro retornou, passou por cima da barreira de fura-pneu, quando recebeu outro tiro. Após o segundo disparo, ele foi embora com tiro e pneu furado. Até o momento não houve prisão e um dos motivos seria o fato de não terem anotado a placa. O outro motivo para demora seria o fato de não haver câmeras próximo ao jaburu.

Apesar do incidente, a movimentação no Palácio da Alvorada ao longo do dia está tranquila. O presidente Lula passa o final de semana em Brasília. Na semana que vem, o presidente viaja para a Guiana, onde participa da 46ª Cúpula do Mercado Comum e Comunidade no Caribe (Caricom). Em seguida, segue para a Ilha de São Vicente e Granadinas. Lá, participa da  Cúpula da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (CELAC).

Reincidência 

Em 2021, um homem de 45 anos foi preso depois de tentar invadir o Palácio da Alvorada. Uma equipe do Exército que faz a segurança do local impediu a entrada do homem no Alvorada ao efetuar um disparo de arma de fogo contra ele. Apesar disso, segundo a PM, o homem não ficou ferido.

Após ser detido pelos militares, o homem foi encaminhado à sede da Polícia Federal em Brasília. 

A denúncia da cantora evangélica Aymeé, sobre a exploração sexual e tráfico de crianças na Ilha do Marajó, no Estado do Pará, tomou grande repercussão e reacendeu a luz de alerta das autoridades políticas do Brasil.

Após sua apresentação no Dom Reality (show de talentos que busca revelar novos talentos da música gospel), nesta semana, Aymeé disse ao público e jurados as seguintes informações: “O Marajó é uma ilha há alguns minutos de Belém; e as crianças de lá tem muito tráfico de órgãos, lá é normal. Lá tem pedofilia em nível hard; crianças com cinco anos, quando elas veem um barco vindo de fora com turistas (o Marajó é muito turístico e as famílias de lá são muito carentes), as criancinhas [de 6 e 7 anos] saem numa canoa e se prostituem dentro do barco por 5 reais”.

Sem perder tempo, o deputado federal Messias Donato (Republicanos), o deputado federal Coronel Meira (PL) e outros deputados, entraram com requerimento junto à Câmara Federal, solicitando a convocação do Ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, para prestar esclarecimentos sobre o tema. 

“Diante das novas e alarmantes denúncias de exploração sexual e tráfico de crianças na Ilha do Marajó, feitas pela cantora, entendemos se tratar de caso de extrema urgência. Vale lembrar que a Senadora Damares Alves, em 2022, à época Ministra do Governo Bolsonaro, já havia alertado sobre tal situação e vinha combatendo essas ações, mas, foi ridicularizada nas redes sociais por militantes de esquerda e apoiadores de Lula.”, lembrou Meira. “Como representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministro Silvio Almeida e o Governo Lula têm o dever de combater essas sérias violações.”, completou.

Em 2020, o Governo Bolsonaro havia lançado o programa Abrace o Marajó que tinha, entre seus pilares, o acesso aos direitos humanos da população que vive no Arquipélago do Marajó e o combate à exploração sexual e violência contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos, mas, o Governo Lula, revogou o ‘programa’ e posteriormente criou o ‘Cidadania Marajó’, com os mesmos propósitos.

“Como presidente da Frente Parlamentar de Combate à Sexualização Precoce de Crianças e Adolescentes, junto aos demais deputados signatários deste requerimento, considero de suma importância a convocação do ministro Silvio Almeida, devido à urgente necessidade de enfrentar e erradicar a exploração sexual e o tráfico de crianças na Ilha do Marajó. Precisamos garantir uma resposta eficaz, proteger os direitos das vítimas e responsabilizar os perpetradores desses crimes hediondos e abomináveis”, afirmou Messias Donato.

“A convocação do ministro Silvio Almeida é crucial para garantir transparência e prestação de contas. Explicando quais medidas estão sendo tomadas para lidar com a situação na Ilha do Marajó. A gravidade desses crimes exige uma ação imediata por parte do Governo Federal “, concluiu Meira.

Sites especializados e institutos de meteorologia mostram que há chances de chuva em São Paulo durante o ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para amanhã. A manifestação está marcada para começar às 15h, na avenida Paulista. O assessor Fábio Wajngarten diz esperar até 700 mil pessoas.

A previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) é de “muitas nuvens”, com trovoadas isoladas na parte da tarde e da noite na região metropolitana de São Paulo. A temperatura ficará entre 28 ºC e 22 ºC. As informações são do Poder360.

Segundo o site Climatempo, a probabilidade de chuva na capital paulista é de 90%. As pancadas estão previstas para começar a partir das 12h e podem ser recorrentes até as 22h. O site indica que a chuva deve ser de 10 mm (milímetros), o que é considerada moderada.

Como será o ato

O ato do ex-presidente deve ter divisão de autoridades, poucos discursos e 2 trios elétricos. O evento foi organizado e integralmente pago por Silas Malafaia. São esperadas a presença de ao menos 4 governadores na manifestação. São eles:

  • Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP);
  • Romeu Zema (Novo-MG);
  • Ronaldo Caiado (União Brasil-GO);
  • Jorginho Mello (PL-SC).

O ato também deve contar com a presença de ao menos 11 senadores e 92 deputados federais. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também deve participar do evento.

Do blog Capital Digital

O contrato 5/2018, no valor de R$ 22,4 milhões, assinado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com a BR Mais Comunicação Ltda, encerrado no último dia 19, acabou chamando a atenção da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou um prejuízo de R$ 18 milhões aos cofres públicos por conta de repasses de recursos entre ministérios (Termo de Execução Descentralizada) para prestação de serviços de monitoramento de redes sociais. “A celebração de TED nessas circunstâncias careceu de amparo legal devido à falta de alinhamento da finalidade desses instrumentos às competências institucionais do MCTI”, informou a CGU.

Esse contrato vem sendo renovado desde o Governo Temer e foi muito utilizado no Governo Bolsonaro para ações de marketing político do ex-ministro e hoje senador, Marcos Pontes (PL-SP). Pontes usava quase que diariamente os serviços da BR Mais e acabou ganhando forte popularidade nas redes sociais. Até um estúdio para realização de lives o ex-ministro astronauta tinha no subsolo do MCTI.

Também serviu para atender aos interesses midiáticos da ministra Luciana Santos (PCdoB/PE) no primeiro ano do Governo Lula 3. No dia 17 de fevereiro do ano passado, o blog Capital Digital informou que a ministra do MCTI renovou o contrato 5/2018 da BR Mais Comunicação, com prazo de vigência de um ano, para ser encerrado no último dia 19 de fevereiro. Porém, a mudança nos valores do contrato foram gritantes. O valor inicial – no primeiro ano dos serviços que prestaria ao Governo Temer, e pelo período de quatro anos seguintes, a BR Mais receberia R$ 18 milhões. Entretanto, no Governo Lula 3 a ministra Luciana Santos (MCTI) decidiu renová-lo por mais um ano ao custo de R$ 22.454.937,70.

A empresa foi quarteirizada para outros ministérios, entre eles, a Secretaria de Comunicação Social (SECOM), para também fazer monitoramento de redes sociais. A denúncia partiu do jornalista  Pedro Nakamura, do site “Nucleo“. Isso acabou chamando a atenção da Controladoria-Geral da União, que após concluir auditoria no final do ano passado, verificou que oito órgãos federais se valeram desse contrato da empresa com o MCTI, para também obterem serviços de monitoramento de redes sociais sem a necessidade de realizar novas licitações. E que isso provocou um sobrepreço na quarteirização desses serviços. A SECOM-PR, uma das beneficiadas com o contrato, agora disse ao Núcleo – após a decisão da CGU e o vencimento do contrato da BR Mais no MCTI – que pretende realizar um novo certame em março para escolha de uma nova empresa.

Ninguém foi punido ou teve de devolver dinheiro aos cofres públicos por conta desse prejuízo apontado pela CGU. E, pelo andar da carruagem, dificilmente será.

Por Pedro Melchior*

Apesar de já terem se passado mais de três anos das eleições de 2020, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) continua a punir partidos que tentaram burlar a cota de gênero nas últimas eleições municipais. A mais recente decisão que afetou os eleitos do Partido Republicanos da cidade paraibana de Boa Ventura demonstra que o TSE está atento à questão das candidaturas femininas.

Por unanimidade, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceram a fraude à cota de gênero praticada pelo Partido Republicanos nas eleições de 2020, em Boa Ventura (PB). O julgamento, que ocorreu na sessão plenária da quinta-feira (22), segue parecer do Ministério Público Eleitoral. Com a decisão, todos os votos recebidos pelo Republicanos para o cargo de vereador no município de Boa Ventura em 2020 foram anulados e os candidatos eleitos foram cassados.

No caso específico, o TSE negou os recursos apresentados contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE/PB), que já havia condenado o partido pelo lançamento de duas candidatas laranjas ao cargo de vereador. A Corte cassou o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (Drap) e anulou os diplomas e registros vinculados à legenda. As duas candidatas envolvidas na fraude foram declaradas inelegíveis por oito anos.

No parecer, o MP Eleitoral defendeu a manutenção da decisão tomada pelo TRE/PB. Para o órgão, estão presentes todos os elementos que comprovam a fraude à cota de gênero, como votação não expressiva das candidatas – uma teve apenas um voto e a outra seis -, ausência de atos de campanha e de material de propaganda eleitoral.

Portanto, os pretensos candidatos a vereador e vereadora nas eleições de 2024 devem ficar atentos a essa exigência da cota de gênero que está sendo cada vez mais cobrada pelos tribunais eleitorais em todas as instâncias.

Como determina a legislação eleitoral em voga, cada partido ou federação, já que as coligações foram extintas, deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada gênero nas eleições para vereador. A tentativa de burlar a regra, lançando candidaturas femininas fictícias, com certeza irá ser alvo de ações do MP eleitoral em qualquer parte do País.

Ao fraudarem a cota, os partidos prejudicam um dos principais objetivos da ação afirmativa, que é o aumento da representatividade feminina na política. No dia em que comemoramos a conquista do voto feminino, esse alerta segue cada vez mais atual. O Ministério Público defende que, quando comprovada a irregularidade, todos os candidatos eleitos pelo partido sejam cassados, visto que se beneficiaram da fraude.

*Advogado especialista em direito público – administrativo, eleitoral e tributário

Gabriel Garcia*

O ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill passou noites em claro, iluminado pelos torpedeiros da Luftwaffe, a força aérea nazista, em busca de discursos que pudessem unificar o Reino Unido no combate ao ditador Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Com Londres em chamas, escolhia minuciosamente cada palavra, por vezes recorrendo ao dicionário, para convencer os aliados – e os adversários – da importância de derrotar o sádico que exterminou mais de 6 milhões de judeus.

Dono de uma oratória inigualável, o Velho Buldogue tinha convicção, entre uma baforada no charuto e uma dose de uísque, vícios que os acompanhavam religiosamente, que precisaria das letrinhas para fazer frente à estrondosa campanha publicitária de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda da Alemanha – que balançou até parte do Parlamento britânico.

No Brasil, guardadas as devidas proporções, os bons exemplos não costumam ser levados em consideração. Temos visto em duas décadas a comunicação como arma de desconstrução e desinformação, destinada à exaltação do governante do momento. Esquece-se do princípio da impessoalidade previsto na Constituição Federal.

Nesse período, dois líderes carismáticos e populares arrastaram multidões por onde passaram, monopolizando as cores vermelha, verde e amarela. Uma luta constante do bem contra o mal, da esquerda contra a direita. De alguma forma, o brasileiro se acostumou a ter um corrupto de estimação, desprezando o conselho do ex-presidente Juscelino Kubitscheck: “Quero apenas ressaltar que recusamos a opção entre direita e esquerda. A humanidade não marcha para os lados, marcha para frente.”

Em uma dessas marchas laterais, o ex-presidente Jair Bolsonaro experimentou uma máquina poderosa de informação (ou desinformação, segundo seus críticos), que lhe rendeu vitória em 2018, com um discurso de defesa da família e da liberdade. Rodado nas urnas, tendo sido deputado federal por quase 30 anos, faturou na sua primeira eleição à Presidência. E inovou ao transformar as redes sociais no principal instrumento de diálogo com seu eleitorado.

Ainda sob efeito épico da única vitória ao Palácio do Planalto, Bolsonaro conduziu de forma errática a pandemia, debochou das 700 mil vítimas fatais, inoculou nos brasileiros o vírus do ódio, dividindo o país entre apoiadores e detratores, e se enrolou na rachadinha – repasse ilegal de parte dos salários de assessores para o parlamentar – envolvendo sua família. Faltou-lhe fôlego para abater o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, que inaugurou em janeiro seu terceiro mandato presidencial.

Com parte da população incomodada com a guinada à direita, Lula ressurgiu após um período na prisão, condenação imposta no âmbito da Operação Lava Jato e revogada em seguida pelo Supremo Tribunal Federal, e venceu com a promessa de reunificar o país. 

Ex-sindicalista, o filho de Garanhuns, cidade do interior de Pernambuco, conquistou adeptos com a forma simples de se comunicar com o eleitorado. Na primeira passagem pelo Planalto, recebeu a alcunha de pai dos pobres com o Bolsa Família, considerado o maior programa de transferência de renda do Brasil. 

Lula quebrou recordes de popularidade, o que o levou a encerrar seu segundo mandato, em 2010, com aprovação de 87%. Porém, no governo, colecionou escândalos que levaram à descrença com a política petista: o mensalão, pagamento de propina a deputados da base aliada; os Aloprados, compra de dossiês contra adversários; e a Lava Jato, que desviou bilhões da Petrobras. 

Agora, Lula estreia o segundo ano do terceiro mandato comparando o Holocausto, que tinha como claro objetivo dizimar os judeus da Europa e do mundo, com o massacre patrocinado por Israel na Faixa de Gaza contra os palestinos. Insiste na manutenção da divisão do Brasil. Embora ainda tenha quase três anos pela frente de governo, não parece disposto a cumprir a promessa de reunificar o Brasil. Churchill deu a senha: “A vida dá lições que só se dão uma vez”. Bolsonaro desperdiçou. Resta saber se Lula tirará algum ensinamento que não seja meramente eleitoreiro.

*Jornalista e articulista deste blog

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, confirmou há pouco que irá participar do ato convocado para amanhã, em São Paulo, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Segundo o colunista Lauro Jardim, do O GLOBO, Zema não deve discursar. O governador mineiro se junta ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que inicialmente estava elencado para falar durante o ato, mas tem dito a interlocutores que irá apenas “solidarizar-se” com o ex-presidente Bolsonaro.

Márcio de Freitas*

A declaração do presidente Lula sobre Israel, evocando comparação desigual entre holocausto e o massacre conduzido hoje na Faixa de Gaza pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, tem poder de dano duplo: nas relações internacionais, como já ficou demonstrado, e nas disputas eleitorais deste ano, como pode ainda acontecer. 

Nas relações diplomáticas, os punhos e rendas tradicionais podem também ser usados como ataduras para cobrir feridas e estancar sangramentos. Na disputa política eleitoral, o sangue pode não estancar tão facilmente. A lógica de eleições, pelo contrário, pode gerar mais feridas abertas e hemorragias internas nos contendores.

Lula não conseguiu apoio de grandes nações para sua avaliação comparativa ao holocausto – de resto um erro histórico e conceitual. Mesmo compreendendo que haja a intenção explícita de denunciar um crime contra a humanidade dentro de uma guerra de extermínio onde há 25 palestinos mortos para cada judeu. As 1,3 mil vítimas de Israel pereceram em sua maioria no atentado terrorista do Hamas – o deflagrador do conflito ao atacar civis, crianças e mulheres. 

A fala de Lula o distancia ainda mais de um público nacional que passou a estar ligado por laços espirituais aos judeus, os evangélicos. Notadamente os pentecostais. É sempre bom lembrar que há mais templos religiosos no país do que hospitais e escolas.

O impacto sísmico da declaração foi notado principalmente na cidade de São Paulo, onde o chão tremeu sob os pés de Guilherme Boulos (PSol), candidato de oposição ao prefeito Ricardo Nunes (MDB). Habilidoso com palavras e criativo nas respostas, Boulos não encontrou a fórmula de como negar o presidente ou endossar a afirmação. Tentou uma saída tucana, mas não teve asas para voar.

A equação usada por Boulos não conciliou suas crenças pró-palestinas sem ferir o influente eleitorado paulistano de origem hebraica. E, por correlação, os numerosos evangélicos que vivem às margens do encoberto Riacho do Ipiranga. Estima-se que esse eleitorado flutue acima de 30% da população total brasileira, com característica de grande unidade de ação e pensamento – o que torna um público que pode ter ação social impactante numa disputa eleitoral acirrada como aparenta ser a da capital São Paulo.

Os evangélicos votaram majoritariamente em Jair Bolsonaro em 2018 e 2022. O Palácio do Planalto traça estratégias para se aproximar desse público. Mas a declaração do presidente é mais uma pedra no caminho para mostrar a esses crentes que Lula e eles nutrem a mesma fé. Eles podem manifestar, já neste ano, um voto de desconfiança nos candidatos do PT, ou apoiados pelo governo federal. E dificultar os planos do governo de eleger um aliado na principal cidade do país.

*Sócio-diretor e analista político da FSB Comunicação