Tarcísio favorece tetra de Lula

Por Antonio Magalhães*

Quem apoiar uma chapa presidencial da direita encabeçada pelo governador Tarcísio de Freitas (SP), tendo como vice Michele Bolsonaro, vai garantir mais uma vitória de Lula para a Presidência da República, o “tetra” do lulismo. O bolsonarismo raiz vai perceber que houve chantagem contra Jair Bolsonaro, que indicou primeiramente Flávio para concorrer. E se mudou de opinião depois foi por pressão espúria de quem é contra o Brasil.

Os bolsonaristas entenderão que a mudança forçada foi uma forma da direita ser submetida ao “sistema”, sob a liderança aparente de Tarcísio, que tem como aliados banqueiros, a velha imprensa, o STF e um bando de oportunistas e traidores. Os votos orgânicos do ex-presidente desaparecerão para o terror de quem espera a submissão. Tente e verá.

Petrolina - Destino

Por Fernando Dueire*

Pernambuco vive um momento raro e necessário: o reencontro com a própria memória. Depois de anos em que a preservação do patrimônio histórico parecia distante das prioridades públicas, o estado retoma — com vigor — uma agenda de resgate material e simbólico de sua identidade. É um movimento que merece reconhecimento e que só se concretiza graças ao empenho do Governo do Estado e ao trabalho criterioso conduzido pela presidente da Fundarpe, Renata Borba.

As iniciativas em curso não se limitam a restaurar paredes, cobertas e estruturas antigas. São ações que devolvem vida ao centro do Recife, oxigenam o Sítio Histórico de Olinda e alcançam o Sertão e o arquipélago de Fernando de Noronha. Preservar, afinal, é garantir que as próximas gerações possam caminhar por onde caminhamos — reconhecendo a beleza, a luta, a fé e a criatividade que moldaram Pernambuco.

Ipojuca - IPTU 2026

Por Flávio Chaves*

Algumas ausências não fazem barulho, não derrubam portas, não acendem sirenes. Ainda assim, atravessam a casa como um vento que ninguém vê, mas que move, com delicadeza cruel, as cortinas daquilo que se acreditava estar arrumado. Não é a falta gritante de quem partiu ontem, com as malas ainda quentes de pressa. É outra espécie de desaparecimento: mais antigo, mais lento, uma retirada que já se instalou no cotidiano como uma lei invisível. Mesmo assim, continua doendo. Porque quando o coração aprende um corpo, uma voz, um modo de olhar o mundo, não desaprende com facilidade. Apenas se adapta, como quem passa a andar com um peso no bolso e um sorriso ensaiado no rosto.

Certas memórias preferem o abrigo do indizível. Como residência, caminham no mistério. Nomear seria dissolver a bruma que as protege. Há amores que não cabem em palavras porque nasceram para ser respirados em silêncio. Quando a lembrança é funda, o que a sustenta não é a fala, mas a permanência.

Caruaru - Quem paga antes, paga menos

Por Júlio Lóssio*

Os recentes resultados do ENADE para os cursos de Medicina no Brasil não são apenas estatísticas acadêmicas. Vão além disso: um sinal de alerta vermelho para a saúde pública. Os dados revelam um fosso crescente entre a entrega do diploma e a capacidade real de um novo médico exercer a profissão com a segurança que o paciente exige.

Como médico e ex-gestor público, vejo com preocupação que o ensino médico está se tornando, em muitos casos, um produto de prateleira, onde a teoria sobrevive em laboratórios modernos, mas a prática agoniza por falta de leitos e vivência real.

Cabo de Santo Agostinho - Hospital das praias

Por Rinaldo Remígio*

Há homens cuja biografia não se impõe pelo acúmulo de cargos, mas pela densidade dos compromissos assumidos ao longo da vida. O professor José Batista da Gama insere-se nesse seleto grupo de sertanejos que fizeram da coerência um método, do serviço público uma missão e da educação um instrumento permanente de transformação social.

Sua trajetória começa antes mesmo da formação acadêmica formal. No início da década de 1970, ainda jovem, iniciou sua vida profissional como professor de Língua Portuguesa, entre 1971 e 1974, na então EMAAF. Ali já se revelava uma vocação que o acompanharia por toda a vida: ensinar com responsabilidade, formar consciências e respeitar o tempo e a realidade de cada aluno. Não era apenas o domínio do conteúdo, mas o compromisso humano com o outro que marcava sua presença em sala de aula.

Palmares - IPTU 2026

Por Inácio Feitosa*

Uma reflexão íntima sobre Recife, sua paisagem urbana e nosso comportamento coletivo

Eu amo Recife. Amo sua história, seus rios, suas pontes, seu mar, sua cultura vibrante e sua identidade única. Mas amar uma cidade também é ter coragem de olhar para ela com honestidade. E há algo que me inquieta profundamente: nós nos acostumamos a conviver com o feio. E pior – deixamos de perceber o quanto isso diz mais sobre nós do que sobre o concreto que nos cerca.

Olinda - Refis últimos dias 2025

Por Diana Câmara*

As Eleições Gerais de 2026, que ocorrerão em outubro, representam mais uma oportunidade para a sociedade escolher seus dirigentes e definir os rumos do Estado e do país. Nesse pleito, serão eleitos os representantes para os principais cargos do Poder Executivo e do Poder Legislativo nas esferas federal, estadual e distrital.

Diferentemente das Eleições Municipais — cuja próxima edição ocorrerá em 2028 —, nas Eleições Gerais o eleitor escolhe todos os cargos eletivos, exceto Prefeito e Vereador. Assim, em 2026, cada eleitora e eleitor terá seis votos, sendo eles destinados aos seguintes cargos: Presidente da República, Governador(a) de Estado, Deputado(a) Federal, Deputado(a) Estadual ou Distrital e dois votos para o cargo de Senador(a).

Jaboatão dos Guararapes - Coleta de Lixo

Por Valéria Lucena*

O Censo 2022 do IBGE expõe uma realidade que nós, profissionais do Direito, já percebíamos no dia a dia: as famílias pernambucanas mudaram. E mudaram muito. Pela primeira vez, o estado tem praticamente o mesmo número de pessoas casadas e solteiras. Mas o dado que mais chama minha atenção é outro: as uniões consensuais, sem casamento civil ou religioso, já representam 42,76% dos relacionamentos. A informalidade afetiva se tornou predominante em Pernambuco, revelando escolhas legítimas, modernas e coerentes com um tempo em que as relações se moldam mais à autonomia do que à tradição.

Essa transformação, porém, traz desafios jurídicos que não podem ser ignorados. Ainda é comum ouvir pessoas acreditando que a união estável garante automaticamente pensão, herança ou partilha de bens. Não garante. Ao contrário do casamento, que se prova com uma certidão, a união estável precisa ser demonstrada. E quando essa comprovação não existe (nenhum contrato, nenhuma escritura, nenhum registro) o companheiro pode enfrentar obstáculos enormes justamente no momento mais vulnerável: uma separação inesperada, um falecimento ou um conflito entre herdeiros.

Jantava com minha Nayla, ontem, em Diamantina, berço do estadista JK, quando recebi a notícia da morte do ex-ministro Raul Jungmann. Com ele, tive uma longa convivência a partir do momento em que assumiu a Secretaria de Planejamento no Governo Carlos Wilson. Foi uma passagem meteórica, porque logo em seguida assumiu a presidência do Ibama, em Brasília, start da sua brilhante carreira pública.

Era um dos personagens que vinha sondando para entrevistar no meu podcast Direto de Brasília, mas em momento algum consegui localizá-lo. Seu sumiço só compreendi mais adiante quando soube da sua luta contra um câncer no pâncreas. Jungmann era brilhante, uma inteligência rara, mas tinha um tremendo pavio curto no convívio com quem o contrariava.

Por Flávio Chaves*

Algumas pessoas vivem como se carregassem uma pequena biblioteca dentro do peito. Uma coleção silenciosa de livros que ninguém vê, mas que pesam na alma com a exatidão de tudo o que foi sentido, perdido e aprendido. Não se trata de exibir as capas, muito menos de buscar compaixão. Trata-se de seguir vivendo com páginas que insistem em ser lidas novamente, mesmo quando o tempo tenta empurrá-las para o esquecimento.

Livros marcados por perdas. É assim que muitos de nós seguimos: com capítulos riscados, memórias dobradas, trechos que doem quando relidos. Cada perda se transforma em uma dobra no canto da página. Cada ausência deixa uma nota escrita à margem, em letras miúdas que só o coração entende. Algumas palavras ficam sublinhadas com raiva, depois com saudade. Outras, riscadas como quem tenta apagar o que jamais se apagará. E assim o livro da vida vai se construindo, não com capítulos perfeitos, mas com cicatrizes que se recusam a virar ponto final.