Dois problemas graves em obras e licitações do Governo
As recentes decisões do Tribunal de Contas de Pernambuco revelam um padrão preocupante na condução de grandes contratos públicos do Governo do Estado. Em dois casos distintos, mas com características semelhantes, a Corte identificou falhas relevantes que colocam sob questionamento a qualidade do planejamento, da fiscalização e da gestão de recursos bilionários.
O primeiro caso envolve a licitação de aproximadamente R$ 767 milhões do programa estadual de recuperação de rodovias, o “PE na Estrada”, que inclui intervenções em mais de 1.500 quilômetros de estradas. Ao analisar o certame, a equipe técnica do TCE apontou uma série de irregularidades que vão desde exigências consideradas restritivas à competitividade até divergências entre documentos oficiais, inconsistências orçamentárias e falhas na justificativa para adoção de procedimentos excepcionais na licitação.
Leia maisDiante da quantidade e da gravidade dos problemas encontrados, os auditores recomendaram a suspensão imediata do processo licitatório. O que mais chama atenção é que não se trata de uma falha isolada ou meramente formal.
O parecer técnico descreve um conjunto de inconsistências que afetam a própria segurança jurídica e técnica da contratação. Foram identificadas diferenças entre os valores globais apresentados em documentos centrais da licitação, divergências de quilometragem utilizadas nos cálculos orçamentários e até incompatibilidades sobre quais trechos rodoviários efetivamente integrariam determinados lotes da concorrência.
O segundo caso diz respeito às obras de duplicação da BR-232, no trecho entre São Caetano e Belo Jardim. Também nesse processo, o TCE identificou irregularidades relevantes que levaram à adoção de medida cautelar para impedir o prosseguimento da licitação até que os problemas apontados sejam esclarecidos e corrigidos. A atuação da Corte reforça a preocupação com a condução de contratos de grande porte e alto impacto financeiro.
Juntos, os dois episódios revelam algo que vai além dos processos específicos. Eles expõem uma fragilidade preocupante na fase de planejamento das grandes obras anunciadas pelo governo estadual.
Quando o órgão de controle encontra divergências documentais, inconsistências técnicas e potenciais restrições à concorrência antes mesmo do início dos contratos, o alerta deixa de ser pontual e passa a atingir a governança dos investimentos públicos como um todo.
O problema é ainda mais grave porque ambos os empreendimentos foram apresentados como prioridades estratégicas da gestão estadual. São obras de grande visibilidade política e com impacto direto na infraestrutura do Estado. Justamente por isso, deveriam chegar ao mercado cercadas de rigor técnico, segurança jurídica e absoluta transparência.
RECADO – As decisões do TCE não significam condenação definitiva dos gestores, mas representam um recado claro: projetos bilionários não podem avançar com dúvidas relevantes sobre seus documentos, seus cálculos e suas regras de contratação. O que está em jogo não é apenas a execução das obras, mas a confiança da população na correta aplicação dos recursos públicos e na capacidade do Estado de planejar investimentos de forma eficiente e responsável.

Nas mãos de Deus – O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, afirmou ontem que “aprendeu a colocar a vida nas mãos de Deus” ao comentar a possibilidade de ser novamente indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). “Eu aprendi a colocar a minha vida nas mãos de Deus. E, quando Deus comissiona, Ele prepara. Ele envia e prepara. Eu vou esperar a resposta de Deus, vou esperar a posição do presidente”, disse o ministro ao longo da participação na 34ª Marcha para Jesus, na capital paulista.
Reação aos ataques de tubarão – O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) discute novas estratégias de prevenção no litoral pernambucano após dois incidentes registrados em pouco mais de 24 horas na Região Metropolitana do Recife. O investimento na prevenção dessas ocorrências chega a R$ 8 milhões no Estado. O montante abrange a aquisição de veículos aquáticos, novas placas de sinalização, reestruturação de guaritas de guarda-vidas, além do financiamento de pesquisas.
Mais competitividade – Em visita, ontem, à Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), o pré-candidato a governador pelo PSB, João Campos, defendeu a construção de uma agenda de longo prazo para ampliar a competitividade de Pernambuco diante dos desafios econômicos dos próximos anos. Alertou para os impactos da reforma tributária sobre a competitividade da região e ressaltou a importância de preparar Pernambuco para um cenário de maior concorrência entre os estados brasileiros.

Mais um bolsonarista com Raquel – Em entrevista, ontem, à rádio Folha, o deputado Alberto Feitosa, da linha de frente do bolsonarismo no Estado, admitiu subir no palanque da governadora Raquel Lyra (PSD), que disputa a reeleição, mas torceu o nariz para a candidatura de Túlio Gadelha ao Senado. “Tudo é possível. O que não é possível […] é a possibilidade de estarmos no mesmo palanque do PT e de Lula. Mas também nos incomoda muito, e até entendo que ela [Raquel] precisa colocar um ponto mais à esquerda, essa candidatura de Túlio Gadêlha”, afirmou.
CURTAS
APARTAMENTO 1 – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) pediu para permanecer morando no apartamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por mais “três ou quatro meses”, segundo uma troca de mensagens entre os dois revelada pela revista Piauí.
APARTAMENTO 2 – A conversa teria acontecido no dia 2 de novembro do ano passado, quinze dias antes de o banqueiro ser preso pela primeira vez, ao tentar embarcar em um voo para Dubai. No início do mês passado, Ciro foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que apurou indícios de irregularidades a partir da relação entre os dois.
DELAÇÃO – A defesa de Vorcaro apresentou uma nova proposta de delação premiada para a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento foi entregue em uma reunião na segunda-feira entre os advogados e os investigadores, e complementos foram levados no dia seguinte. Um novo encontro havia sido marcado para quarta-feira, mas foi cancelado porque os investigadores pediram mais tempo para analisar os novos anexos.
Perguntar não ofende: Quando Raquel vai fazer uma licitação sem vícios?
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