Do UOL
O ministro do STF André Mendonça disse que abrir a íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pode “tumultuar o julgamento” e comprometer investigações.
O despacho de hoje (13) responde a cobranças internas por acesso total ao espelhamento do iPhone apreendido pela Polícia Federal. Nos últimos dias, os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin acionaram a presidência do STF para pedir a liberação integral do material ligado às apurações sobre o Banco Master.
Leia maisMoraes criticou a ideia de o relator definir o que o colegiado pode ver. “Não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento”, escreveu o ministro, em manifestação à presidência da Corte.
Mendonça disse que os ministros terão, para o julgamento de terça, o mesmo conjunto de documentos que ele usará. “Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os Ministros deste Tribunal”, argumentou. Para tal fim, este Ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão”, afirmou.
O ministro sustentou que anexar dados que ainda não estão nos autos abriria espaço para desviar o foco do processo. “A inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro, somente contribuiria para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural”, disse Mendonça.
Citando o presidente do STF, Edson Fachin, Mendonça afirmou que a gravidade do caso não justifica atalhos nem manobras. “Como bem enfatizou o eminente Presidente, ‘A gravidade dos fatos não autoriza atalhos’, mas também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça”, completou.
Pedido de explicações à PF
No mesmo despacho, Mendonça pediu a Fachin que quatro delegados da PF prestem informações em 24 horas sobre o envio de relatórios e mídias ao seu gabinete em março de 2026. O ministro disse haver “divergência de informações” sobre como o material foi encaminhado e citou um ofício que chegou sem indicar decisão que determinasse a remessa.
Mais cedo, a Polícia Federal informou que havia encaminhado o material a pedido do gabinete do ministro, o que ele nega. Mendonça também solicitou que os delegados detalhem as circunstâncias da entrega e relatem se sofreram constrangimentos durante as apurações. A solicitação ocorre em meio à troca de ofícios no STF às vésperas do julgamento.
Em resposta a Fachin na manhã de hoje, a PF informou que pode enviar o material original extraído do celular de Vorcaro a todos os ministros da corte. O presidente do STF havia dado prazo de 24 horas para que a corporação informasse sobre o estado do material.
Corporação afirmou que o celular e a extração originais seguem guardados com segurança, e esclareceu que material enviado a Mendonça, em março, era uma cópia. O ministro também já havia declarado que mantém os arquivos lacrados e criptografados no gabinete como contraprova, sem manuseá-los.
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