Renegade MHEV: como o velho guerreiro enfrenta os chineses

O Renegade, montado no Polo Automotivo da Stellantis em Goiana, em Pernambuco, é um guerreiro. Em 2025, vendeu 44,8 mil unidades no Brasil. De janeiro a junho deste ano, foram negociadas 21 mil unidades do SUV — ou 47% do volume do ano anterior. Em 11 anos, a Jeep produziu no país mais de 700 mil unidades. O modelo continua vendendo muito apesar de estar envelhecido. Enfim: mantém uma presença comercial relevante — apesar de dois fatores:
a) a grande quantidade de SUVs compactos e médios que surgem no mercado a cada mês, muitos deles com preços e equipamentos extremamente atrativos. Há 10 anos, o compacto reinava quase sozinho nas ruas; hoje enfrenta uma concorrência de pelo menos 15 modelos
b) o natural desgaste comercial que afeta qualquer modelo com mais de uma década no mercado
Então, a que se atribui essa resistência? Vai do design (ponto forte do modelo) à tradição da marca Jeep ou de um motor turbo eficiente (agora com um sistema híbrido-leve) à ampla rede de concessionárias e um bom mercado de usados. Apesar da erosão compreensível do ciclo de vida, o modelo ainda mantém atributos que sustentam bem suas vendas. A coluna De Bigu, na tentativa de entender esse fenômeno, testou por 15 dias a versão Sahara, talvez a que oferece o melhor custo-benefício para o comprador.
Leia maisPor ser 4×2, ela não foi posta em ambientes off-road, que exigem o uso de 4×4; e a avaliação se limitou a estradas regulares do litoral nordestino (algumas bem ruins) e vias urbanas. O Renegade avaliado já era da linha renovada, com algumas novidades no visual: na dianteira, a tradicional grade de sete fendas exibe aberturas ligeiramente menores, emoldurada por uma máscara em preto brilhante. O para-choque ganhou retoques. Nas laterais, apenas novo desenho para as rodas de liga leve de 18 polegadas. Na traseira, só a reestilização do para-choque.
Mas a grande sacada das áreas de engenharia e comercial da Jeep foi a adoção da tecnologia híbrida leve (MHEV). Essa é a principal arma para prolongar o ciclo de vida do jipinho. A montadora garante que o motor de 48V ajuda na diminuição do consumo (em até 9%) e na redução da emissão de poluentes (em até 16%). O sistema, chamado Bio-Hybrid, usa uma máquina elétrica que reúne as funções de motor-gerador, substituindo o conjunto convencional de alternador e motor de partida. Quem o alimenta é uma bateria de íons de lítio de 0,94 kWh. Além disso, auxilia o motor a combustão nas acelerações, por exemplo. Há ainda benefícios indiretos, como a dispensa do rodízio municipal em São Paulo e, em algumas unidades da Federação, incentivos tributários específicos.
Central multimídia – Outra mudança bem perceptível vem do painel: a nova central multimídia, que ocupa o lugar da então acanhada antecessora. Agora flutuante de 10,1 polegadas, ela tem espelhamento sem fio com suporte para Android Auto e Apple CarPlay. E entrega uma conectividade moderna e boa integração com o carro. A tela é de qualidade, agora com visibilidade até sob o Sol forte e capacitiva (com toque sensível e preciso). Ah, o carregador de celular também é sem fio e tem até uma saída de ventilação própria para mitigar o superaquecimento do aparelho em uso.
Resultado: em junho deste ano, o Renegade registrou 4.533 emplacamentos, com um crescimento de 5% em relação a maio. O motivo do impulsionamento? A versão híbrida leve, responsável por 48% das vendas neste segundo trimestre. No fechamento do primeiro semestre de 2026, o Renegade ocupou a 11ª posição entre os SUVs mais vendidos do Brasil, com participação de mercado de 3,34% dentro do segmento. A versão Sahara tem preço sugerido de R$ 176 mil. Com a cor branca da unidade testada, ofertada à parte por R$ 2.500, o jipinho sai por R$ 178.490. A Willys é a versão topo de linha em preço, enquanto a Sahara é uma das versões superiores e a MHEV mais equipada. A gama 2027 é composta por Altitude, Longitude MHEV, Sahara MHEV e Willys. A Sahara custa R$ 175.990 e a Willys R$ 189.490. O teto solar Sahara, associado à grande área envidraçada do jipinho, garante uma excelente visibilidade. Os passageiros do banco traseiro ganharam dois mimos (claro, o carro custa R$ 176 mil): saídas do ar-condicionado e tomadas USB dos tipos A e C.
Mimos interessantes – Por falar em ar-condicionado, ele é digital de duas zonas. O acionamento de faróis (luz alta e baixa) e limpadores (com pingos de chuva) é automático. Mas a comutação de farol alto e baixo (a troca alternada e automática entre as duas intensidades de luz) tem um atraso (que chamamos de delay) que pode ser bem perigoso. À noite, nas estradas, o retorno à luz alta depois das ultrapassagens durava uma ‘eternidade’ de cinco ou dez segundos. Se uma vaca surgisse à frente, só Deus na causa…
A partida remota do motor pela chave presencial é outro mimo interessante. O sistema de conectividade Adventure Intelligence, idem: ele habilita funções de controle remoto do veículo e até de diagnóstico de parâmetros via smartphone. O banco do motorista tem ajustes elétricos. Vale ser destacado, ainda, o pacote de segurança – incluindo o Adas, de apoio à condução. Ele entrega frenagem autônoma de emergência, monitor de pontos cegos e alerta de mudança de faixa. O motor 1.3 turbo flex de quatro cilindros, que agora gera 176cv de potência, continua sendo um dos trunfos do modelo. O torque é de 27,5kgfm — e logo aos 2.000rpm. Ele garante boas retomadas e ultrapassagens. A Jeep lembra que o elétrico de 48V entrega até 6,5kgfm de torque suplementar nas acelerações iniciais.
Mas, sinceramente, essa força não foi sentida — pelo menos de forma perceptível ao motorista. Quanto ao consumo, vale reforçar: essas medidas dependem de vários fatores, como condições das vias, do peso do pé do motorista, da qualidade do combustível usado etc. No geral, durante esse período de testes, ele ficou na faixa dos 11 km/l na cidade e cerca de 13 km/l nas rodovias.

Primeiro carro 100% elétrico da VW custa R$ 300 mil. Vale? – O futuro elétrico da Volkswagen parece que chegou mesmo. A marca alemã finalmente apresentou oficialmente o ID.4 Pro 2027. Pela primeira vez, um Volkswagen totalmente elétrico passa a ser vendido no Brasil. Aliás, é uma das últimas empresas a entrar nesse segmento por aqui. O SUV 100% elétrico chega às concessionárias em outubro. Globalmente, o ID.4 já é referência na linha de modelos elétricos da Volkswagen como o EV mais vendido da marca no mundo e um dos principais responsáveis pelo sucesso global da família ID., construída sobre a plataforma modular elétrica MEB, desenvolvida exclusivamente para seus veículos. O ID.4, na verdade, já estava no Brasil desde 2023 por meio do programa Sign&Drive, de aluguel de carros.
Isso permitiu que a marca acompanhasse de perto a experiência dos consumidores e da rede de concessionárias com a eletrificação. Agora, o ID.4 retorna em sua configuração mais avançada já oferecida localmente. “Estamos dando mais um passo importante em nossa estratégia de eletrificação”, comenta Ciro Possobom, Presidente & CEO da Volkswagen do Brasil. Com a nova plataforma elétrica MEB e as proporções de um SUV médio, o exterior do ID.4 tem design fluido e de linhas limpas com, segundo a Volks, ‘inspiração na natureza’, garantindo excelência em aerodinâmica, com um coeficiente de arrasto de apenas 0,28. As rodas são de 19 polegadas e permite um jogo de pneus mais robusto (medidas 235/55 R19 na dianteira e 255/50 R19 na traseira), entregando mais conforto na rodagem, sem perda de eficiência e desempenho.
Sem ‘couro’ animal – No interior, o contexto é minimalista e com foco em sustentabilidade. Por exemplo: o painel dianteiro e as portas contam com revestimento livre de couro animal em marrom, composto por materiais sintéticos premium. Já nos bancos, a microfibra sustentável — com 71% da composição com materiais reciclados —, acompanha o mesmo revestimento premium marrom, além da assinatura ID.4 perfurada no encosto dos bancos dianteiros. Outra novidade importante está no propulsor elétrico. Agora, o ID.4 dispõe de 286 cv de potência e 55,6 kgfm de torque garantidos pela nova bateria de 84 kWh. Os números são entregues por quatro modos de condução diferentes (Eco, Normal, Sport e Individual). O mais interessante é que, mesmo com mais potência, o ID.4 garante uma autonomia de 389 km (Inmetro) e permite carregamento em corrente contínua de até 185 kW. Isso quer dizer que, num carregador de 180 kW, o ID.4 parte de 10% para 80% da carga em apenas 25 minutos.
Iluminação – O ID.4 traz o que existe de mais atual à disposição de um SUV na categoria tecnologia + iluminação. Os faróis IQ. Light Matrix são 100% em LED e trabalham ativamente na condução. Além de canhões direcionais, a tecnologia matricial permite um trabalho de farol alto automático com feixes de luz, garantindo visibilidade em qualquer condição, sem ofuscar outros condutores à frente ou no outro sentido. Na traseira, as lanternas IQ. Light têm apresentação 3D e desenho exclusivo para o ID.4, além da conexão em LED entre as lanternas (que também conectam os faróis na dianteira), criando uma assinatura inconfundível do ID.4 nas ruas. O ID.4 2027 ganhou novo conjunto de telas.
O painel de instrumentos digital permanece fixo na coluna de direção atrás do volante (que retoma os botões físicos), agora acompanhado da nova central multimídia de 12,9 polegadas com comando de voz nativo (IDA) e navegação nativa (GPS). A tela tem interface intuitiva, simples de usar e mais responsiva. Todas as configurações estão na ponta dos dedos: desde a climatização da cabine, os modos de condução, a configuração de bancos, a câmera 360° e até o GPS nativo, disponível de série no ID.4. Na conexão com smartphones, o sistema também acompanha o Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além das opções de carregamento no console central, seja pelo carregador por indução ou pelas quatro portas USB-C no console central dianteiro e traseiro.
Segurança – Como parte do DNA da Volkswagen, a segurança é prioridade. O ID.4, além de nota máxima em segurança, acompanha uma lista extensa de sistemas ativos de segurança ao condutor. Como, por exemplo, o Emergency Assist, sistema exclusivo da Volkswagen que assume o controle do carro caso o motorista tenha uma perda de consciência, garantindo que o carro possa parar de forma segura. Já no dia a dia, ao estacionar em casa e no trabalho, o ID.4 também é referência com o Memory Park Assist. Nos locais que o motorista costuma estacionar com frequência, o ID.4 pode salvar o trajeto próximo do local de manobra e do espaço exato em que a vaga fica assumindo o controle do carro durante toda a manobra. Além dos exemplos acima, a lista repleta de funções ainda oferece: Travel Assist combinado ao Lane Assist, ACC com função Stop&Go, AEB com detecção de pedestres e ciclistas, Detector de Ponto Cego e o Rear Cross Traffic Alert.
Conforto – No interior, os bancos dianteiros ergoActive são elétricos com função memória, aquecimento e ainda com função massagem. As opções de massagem podem ser configuradas pela central multimídia e contam com três opções e até 30 minutos de duração. O ar-condicionado de três zonas é inteligente e conta com funções direcionadas para as necessidades do ocupante, seja de frio ou calor. A cabine conta com três zonas com configuração independente para motorista, passageiro e banco traseiro. De proporções, são 4,58 m de comprimento, com um entre-eixos de 2,77 m. No porta-malas são 533 litros de capacidade, o maior espaço da categoria. Na parte superior, o teto solar panorâmico de vidro completa o conforto da cabine, ocupando o teto de ponta a ponta, dando ainda mais iluminação e sensação de espaço para a cabine do ID.4.

O Nordeste e o mercado de elétricos e híbridos – A região nordestina manteve a segunda maior participação regional nas vendas de veículos leves eletrificados em agosto de 2026, com 12.453 unidades comercializadas, o equivalente a 21,7% do total nacional. Os dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) mostram que a região ficou atrás apenas do Sudeste e reforçam o avanço da mobilidade elétrica fora dos principais centros consumidores do país.
No Brasil, os eletrificados representaram 24,3% das vendas de veículos leves em agosto, com 63.709 unidades comercializadas, segundo dados da Bright Consulting baseados nos registros do Renavam. O volume foi mais que o dobro do registrado em agosto de 2025, quando foram vendidas 24.755 unidades. A expansão ocorre em um cenário de maior oferta de modelos, entrada de novas marcas e ampliação da infraestrutura de recarga. No mercado nordestino, a disputa entre os modelos também evidencia a mudança no perfil de consumo.
De acordo com dados da consultoria Jato, o BYD Dolphin Mini foi o veículo eletrificado mais vendido no Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia em agosto. Já o Geely EX2 liderou no Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. O avanço das marcas chinesas também aparece no cenário nacional, com BYD e Geely entre as fabricantes que ampliaram presença no mercado brasileiro ao longo de 2026. Para Leonardo Dall’Olio, diretor comercial do Grupo Carmais, os números indicam uma mudança gradual na relação do consumidor nordestino com a tecnologia. “O consumidor está mais informado e encontra hoje uma oferta muito maior de veículos eletrificados. Isso muda a percepção sobre esse tipo de automóvel e faz com que a tecnologia passe a ser considerada de forma mais natural no momento da compra”, afirma.

Do Fusca ao Maverick: sim, há vários à venda por aí – Fusca, Maverick, Rural Willys e outros modelos que marcaram época continuam despertando o interesse de quem vê nos carros muito mais do que um meio de transporte. No NaPista, marketplace automotivo do banco BV com mais de 385 mil anúncios ativos, veículos fabricados há pelo menos 30 anos formam um universo movido por memória, design e paixão sobre rodas. Entre os anúncios de carros antigos, há opções para diferentes perfis, bolsos e décadas. Vão desde veículos com pouco mais de 30 anos até relíquias com 93 anos de história. A maior parte dos preços está na faixa de R$ 20 mil a R$ 50 mil, mas alguns modelos chegam perto de R$ 500 mil. É o caso de um Ford Maverick 1977, o clássico mais caro encontrado na plataforma.
No ranking por estado, São Paulo lidera os anúncios, seguido por Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais. “O mercado automobilístico é cíclico e, embora tenhamos evoluído muito na mecânica e na tecnologia empregadas nos carros, quem compra um clássico está em busca de algo que vai além da engenharia. Esses modelos carregam história, despertam nostalgia e são, em muitos casos, bons investimentos”, explica Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV. “Isso ajuda a explicar por que alguns desses veículos, mesmo com décadas desde a fabricação, não são vistos como obsoletos, mas como peças raras, que seguem se valorizando”, completa o executivo.
Relíquias e clássicos populares – Entre os veículos mais antigos anunciados está um Chevrolet C14 ano 1933, colocado à venda por R$ 120 mil em Colombo, no Paraná. A plataforma também reúne versões do Willys Overland fabricadas entre 1948 e 1958, com preços de aproximadamente R$ 60 mil a R$ 160 mil. Ícone das estradas brasileiras, o Ford Rural Willys aparece em modelos a partir de 1962, com valores próximos de R$ 60 mil. Para os fãs do Fusca, há exemplares do início da década de 1960 anunciados por valores entre R$ 26 mil e R$ 90 mil. Já o Ford Maverick, símbolo dos anos 1970, aparece em diferentes versões, com preços que vão de R$ 116 mil a R$ 499 mil. Antes restritos a feiras, encontros e garagens de colecionadores, esses modelos agora também podem ser encontrados pela internet, com poucos cliques e sem sair de casa. Confira as listas dos anúncios de carros mais antigos e também dos mais valorizados do NaPista.
Os clássicos mais antigos
- Chevrolet C14 (1933, 93 anos) – R$ 120 mil – Colombo (PR)
- Willys Overland (1948, 78 anos) – R$ 159,9 mil – São Paulo (SP)
- Willys Overland CJ-5 (1957, 69 anos) – R$ 79,99 mil – Campinas (SP)
- Willys Overland (1958, 68 anos) – R$ 59,99 mil – São José dos Campos (SP)
- Fusca 1.3 (1961, 65 anos) – R$ 89,9 mil – Sorocaba (SP)
- Fusca 1.3 (1961, 65 anos) – R$ 40 mil – Curitiba (PR)
- Fusca 1200 (1962, 64 anos) – R$ 25,99 mil – Alvorada (RS)
- Ford Rural Willys (1962, 64 anos) – R$ 59,9 mil – Belo Horizonte (MG)
- Willys Overland (1963, 63 anos) – R$ 75,9 mil – Blumenau (SC)
- Fusca 1200 (1964, 62 anos) – R$ 45,99 mil – Taubaté (SP)
Os clássicos mais caros
- Ford Maverick 5.0 Super Luxo V8 (1977, 49 anos) – R$ 499 mil
- Ford Maverick Super Luxo Coupê V8 (1974, 52 anos) – R$ 449,9 mil
- Ford Maverick Super Luxo Coupê V8 (1978, 48 anos) – R$ 370 mil
- Ford Maverick 2.3 LDO Sedan (1974, 52 anos) – R$ 349 mil
- Ford Maverick 5.0 Super Luxo V8 (1975, 51 anos) – R$ 300 mil
- Ford Maverick 5.0 GT Coupê V8 (1974, 52 anos) – R$ 249,9 mil
- Puma GTB 4.1 Coupê (1977, 49 anos) – R$ 209,95 mil
- Puma GTB 4.1 Coupê (1978, 48 anos) – R$ 207,45 mil
- Ford F-600 (1969, 57 anos) – R$ 199,8 mil
- Ford Maverick Super Coupê 6 cil. (1975, 51 anos) – R$ 190,97 mil
Uber & Cia.: por que motoristas desconfiam das plataformas? – A Uber acaba de descobrir que, para os reguladores europeus, há decisões que não podem ser terceirizadas para um algoritmo. Por exemplo: a Autoridade Holandesa de Proteção de Dados multou a empresa em 825 milhões de euros, cerca de R$ 4,94 bilhões, por suspender e desativar contas de motoristas por meio de sistemas automatizados sem informação adequada e supervisão humana suficiente.
É a segunda maior multa aplicada com base no GDPR, atrás apenas da penalidade de 1,2 bilhão de euros imposta à Meta em 2023. O caso toca em uma questão central da economia de plataformas. Para a empresa, automatizar decisões significa escala e eficiência. Para o motorista, porém, uma conta bloqueada pode significar simplesmente deixar de trabalhar. É justamente essa diferença que torna a decisão holandesa relevante: o problema não está apenas no uso do algoritmo, mas no poder que ele passa a exercer sobre a renda de quem depende da plataforma.
A falta de transparência ajuda a explicar por que esse tipo de conflito vem ganhando espaço. Levantamento do GigU, em parceria com a Jangada Consultoria de Comunicação, mostra que 58,2% consideram que as plataformas não são claras sobre suas regras e repasses. Outros 36,7% dizem compreender apenas parcialmente essas informações. Só 5,1% enxergam transparência total. O GigU é um aplicativo brasileiro criado para ajudar motoristas e entregadores de aplicativos (como Uber e 99) a calcularem o lucro real de suas corridas e gerenciarem melhor o trabalho.
“Os motoristas não são insumos de um algoritmo. São pessoas que trabalham longas horas para sustentar suas famílias, negociando às cegas contra a máquina de precificação mais sofisticada já construída. O GigU existe para acender as luzes. Esta pesquisa mostra ao mundo exatamente o que os motoristas têm visto do banco da frente”, destaca Luiz Gustavo Neves, CEO da plataforma. Sem contar que, no Brasil, o Ministério Público do Trabalho quer multa de R$ 329 milhões à Uber por impor taxas para motoristas. Na ação, os procuradores afirmam que a empresa cobra valor dos trabalhadores sem a garantia de retorno por meio da realização de corridas na plataforma.
Na Europa, a investigação contra a Uber começou após uma reclamação de Brahim Ben Ali, ex-motorista na França que teve a conta desativada em 2019. Ele reuniu relatos de outros 171 motoristas. Segundo a autoridade holandesa, os sistemas da empresa eram usados, entre outras situações, para suspender motoristas suspeitos de fraude e para desativar contas associadas a avaliações baixas. A Uber contestou que desligamentos permanentes tenham ocorrido sem revisão humana e afirma que a maior parte das suspensões é temporária. A empresa vai recorrer e classificou a multa como desproporcional. O episódio, no entanto, deixa uma questão que não diz respeito apenas à Uber: quanto mais as plataformas transferem decisões para sistemas automatizados, maior precisa ser a capacidade de explicar, revisar e contestar o que esses sistemas decidem. Na Europa, pelo menos, os reguladores estão deixando claro que eficiência tecnológica não elimina essa responsabilidade.


Três vantagens para caminhoneiros autônomos – Nos últimos anos, o setor de transporte rodoviário de cargas passou por transformações significativas. “Com as recentes mudanças da ANTT, o aumento das exigências fiscais e o avanço das plataformas e soluções digitais, o caminhoneiro autônomo precisa estar cada vez mais preparado para se adaptar e atuar de forma regular e competitiva no mercado”, avalia André Pimenta, CEO da Motz, transportadora que conecta embarcadores a caminhoneiros autônomos e transportadoras na logística do agronegócio e construção civil.
Há, em todo o país, cerca de 4,4 milhões de motoristas profissionais no país, de acordo com um estudo da ILOS feito com base em dados do Senatran. Apesar de alto, o número esteve em queda, com redução de 22%, quando comparado com 2024. Pensando na movimentação da logística e ouvindo os profissionais do setor, a Motz elencou três vantagens da profissão de caminhoneiro autônomo e apoia a movimentação desse segmento, essencial para o desenvolvimento econômico do país. São elas:
- Independência nas decisões: dados da FGV IBRE mostram que 55% dos profissionais autônomos, no geral, escolhem o modelo por vontade própria, destacando a independência e flexibilidade como grandes atrativos. Para os caminhoneiros que optem por esse regime, isso não é diferente. Nesse sistema, os motoristas podem definir suas melhores rotas, que tipos de carga transportar e com quais empresas trabalhar. Essa independência permite buscar os fretes mais vantajosos, evitar rotas que não compensam financeiramente e atuar em regiões que trazem mais segurança e rentabilidade. No entanto, também exige responsabilidade e visão estratégica para manter a operação sempre ativa e lucrativa.
- Controle financeiro e potencial de ganhos: o CEO defende que, diferente do regime CLT, o autônomo tem a possibilidade de ampliar seus ganhos conforme o volume de viagens e a eficiência da gestão, a depender da organização e gestão do profissional — já que esse controle financeiro depende de pontos essenciais de disposição, prontidão e agilidade e vindo dos profissionais nessa condição. “Por isso, é preciso ficar atento à saúde física e mental — uma atenção que deve ser tanto para o empregador quanto para o próprio autônomo — buscando sempre equilibrar o trabalho com a qualidade de vida e prezando pela segurança e bem-estar dos profissionais”, afirma Pimenta.
- Autonomia como empreendedor: o caminhoneiro autônomo precisa administrar seu veículo, sua agenda, suas parcerias e investimentos. Essa autonomia traz desafios, como lidar com a manutenção do caminhão e o controle das despesas, mas também fortalece a sensação de propriedade sobre o próprio trabalho.
“Essa independência vai além de questões financeiras, trazendo também liberdade para escolha de horário de trabalho, rota mais adequada e pausas estratégicas. Para melhor aproveitamento de tempo, com o apoio de ecossistemas parceiros, é possível gerenciar tudo com mais solidez e eficiência”, acrescenta o CEO.
O executivo reforça a importância de investir em soluções que facilitem o dia a dia dos caminhoneiros, garantindo mais segurança, saúde e bem-estar para os profissionais e amplificando os benefícios do modelo autônomo. “É necessário transformar a jornada na estrada em uma experiência mais conectada, produtiva e, acima de tudo, valorizada por toda a cadeia logística. Afinal, investir em quem move o país é o primeiro passo para construir um setor de transportes mais humano e sustentável. Com o apoio da tecnologia e de parceiros seguros, é possível rodar com tranquilidade, reduzir riscos operacionais e alcançar uma rotina que seja equilibrada e rentável”, ressalta o gestor.

Pneu tem prazo de validade? Vale a pena comprar usado? – Quantos quilômetros dura um pneu? Existe uma data de validade? Um pneu pouco utilizado pode envelhecer mesmo com a banda de rodagem aparentemente em boas condições? Essas são dúvidas frequentes entre os motoristas e mostram que determinar a vida útil de um pneu envolve mais fatores do que simplesmente observar há quanto tempo ele foi instalado no veículo.
Por isso, a Bridgestone, líder mundial neste segmento, fez uma pequena cartilha para mostrar o que é verdade ou mito nesse assunto. Por exemplo: os técnicos da fabricante garantem que não é possível estabelecer uma data máxima de validade aplicável a todos os pneus. Com o passar do tempo e a exposição a diferentes condições de utilização, os componentes do pneu podem perder gradualmente suas características originais. Ao mesmo tempo, fatores como hábitos de condução, calibragem, alinhamento, balanceamento, condições das vias e quilometragem percorrida também influenciam diretamente sua durabilidade.
“Não existe um único fator capaz de determinar a vida útil de um pneu. É preciso considerar tempo, quilometragem, condições de uso e, principalmente, seu estado de conservação. Dois pneus fabricados na mesma época podem apresentar condições bastante diferentes dependendo da utilização e da manutenção recebida ao longo dos anos. Por isso, a inspeção periódica é fundamental tanto para a segurança quanto para aproveitar adequadamente a vida útil do produto”, explica Roberto Ayala, gerente de Engenharia de Vendas da Bridgestone no Brasil.
Mito ou verdade: pneu tem data de validade?
Mito. Quando se entende validade como uma data fixa após a qual todo pneu necessariamente deixa de poder ser utilizado. Diferentemente de produtos que possuem uma data de vencimento determinada, os pneus não têm uma data fixa de validade. O recomendado é que, após cinco anos da data de fabricação, o pneu seja verificado por um técnico qualificado.
Também é recomendável não usar pneus com mais de dez anos de fabricação. A idade pode ser identificada por meio do número de série DOT presente no pneu, que permite consultar a semana e o ano em que foi produzido. Por isso, mesmo um pneu que tenha rodado pouco merece atenção à medida que envelhece. Tempo e quilometragem devem ser considerados juntamente com as condições reais do produto.
Mito ou verdade: quilometragem é mais importante que a idade?
Depende. Não há um único parâmetro que, isoladamente, determine quando um pneu precisa ser substituído. Um motorista que percorre longas distâncias diariamente pode atingir o limite de desgaste da banda de rodagem muito antes de outro que utiliza o automóvel apenas ocasionalmente.
A durabilidade pode variar de acordo com o tipo de pneu, carga transportada, maneira como o motorista conduz o veículo, condições das estradas, clima e manutenção. Por isso, mais importante do que estabelecer uma disputa entre tempo e quilometragem é acompanhar regularmente as condições reais dos pneus.
Mito ou verdade: pneu com sulcos ainda profundos está necessariamente em boas condições?
Mito. A profundidade da banda de rodagem é um indicador fundamental, mas não deve ser observada isoladamente. O motorista também deve ficar atento a sinais como cortes, bolhas, deformações e desgaste irregular. Diante de qualquer avaria, a orientação é procurar uma revenda autorizada para avaliação, já que alguns danos podem ser reparados e outros podem exigir a substituição do pneu.
Outro ponto de atenção é o TWI (Tread Wear Indicator), indicador existente nos sulcos dos pneus que sinaliza quando a banda de rodagem alcançou o limite de desgaste de 1,6 milímetro. Ao atingir esse nível, o pneu deve ser substituído.
O desgaste irregular também merece atenção porque pode indicar problemas que vão além do próprio pneu. Componentes gastos ou com folgas, desalinhamento da suspensão ou desbalanceamento das rodas podem provocar esse tipo de desgaste, afetando a dirigibilidade do veículo e reduzindo a vida útil dos pneus.
Mito ou verdade: vale a pena comprar pneus usados?
Exige atenção. Um pneu usado é aquele que já sofreu algum desgaste de sua banda de rodagem. Além disso, nem sempre o consumidor terá acesso ao histórico completo de utilização e manutenção daquele produto. Antes de considerar esse tipo de pneu, é fundamental verificar aspectos como o nível e a uniformidade do desgaste, possíveis avarias e a compatibilidade com as especificações determinadas pelo fabricante do veículo. Em caso de dúvida sobre as condições do produto, a recomendação é buscar uma avaliação técnica especializada.
Manutenção adequada – Além da manutenção preventiva, escolher o pneu adequado ao veículo é fundamental para aproveitar melhor sua vida útil. A orientação da Bridgestone é utilizar produtos que atendam às especificações estabelecidas pelo fabricante do automóvel, disponíveis no manual do proprietário. Na substituição, devem ser respeitados critérios como medida, construção, índice de carga e símbolo de velocidade. Preferencialmente, todos os pneus devem ser da mesma marca e modelo. Quando isso não for possível, pelo menos os pneus instalados no mesmo eixo devem ser iguais, uma vez que produtos diferentes podem apresentar comportamentos dinâmicos distintos.
Os cuidados devem continuar durante toda a utilização. A Bridgestone recomenda verificar a pressão semanalmente, sempre de acordo com a especificação indicada pelo fabricante do veículo, além de manter alinhamento, balanceamento e rodízio em dia. Também é importante evitar sobrecarga, acompanhar periodicamente o TWI e adotar uma condução que evite freadas fortes, mudanças bruscas de direção e impactos contra buracos, guias e outras imperfeições da pista. A combinação entre a escolha correta e a manutenção adequada contribui para preservar as características dos pneus e aproveitar melhor sua vida útil.
Renato Ferraz é especializado em jornalismo automobilístico. Além da coluna “De Bigu com a Modernidade”, também assina a “Multieixos”, no Correio Braziliense.
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