Por José Adalbertovsky Ribeiro*
MONTANHAS DA JAQUEIRA – Nosso País é signatário de tratados internacionais pela não proliferação de armas nucleares. A Constituição estabelece que a energia nuclear só poderá ser explorada para fins pacíficos. Se o Congresso entender que haja interesse nacional e for decisão de Estado, o princípio constitucional poderá ser alterado.
Estava eu a ruminar essas ideias quando fui atropelado pelas palavras de um isentão sobre as “tradições pacifistas” da sociedade brasileira, em meio às controvérsias sobre construir ou não uma bomba atômica verde-amarela. Senti câimbras no cérebro. Quase desmaiei. O isentão compareceu ao meu gabinete e eu perguntei: onde você ingeriu esses pensamentos sobre o pacifismo auriverde? Na guerra da Tríplice Fronteira contra o Paraguai!?
Leia maisOu mais, no massacre de Canudos!? Nas chacinas do dia a dia?! Na Inconfidência Mineira?! Na Confederação do Equador de Frei Divino Caneca? Eu disse: “Você está recriminado, isentão. Comporte-se!” Ele ficou murcho.
O “Brazil“, a exemplo de inúmeros países, já detém tecnologia para explorar a energia atômica com fins pacíficos. As usinas de Angra dos Reis 1 e 2, no Rio de Janeiro, foram construídas no Governo Geisel, como parte do acordo nuclear Brasil-Alemanha de 1975.
Construir uma bomba atômica para que? Torrar bilhões de denários, mais que o escândalo dos gangsters da corrupção, apenas para frequentar o clube das potências nucleares, 50 anos mais avançadas? Ou para botar moral no meio do mundo, a pretexto do argumento dissuasório? Isto seria malversação de recursos. Os cofres públicos não aguentam.
Nos tempos da guerra fria, o Doutor Strangelove cavalgava uma ogiva nuclear entre a Cortina de Ferro comunista e o império capitalista dos Estados Unidos. Chamava-se a isto de equilíbrio do terror.
Os brasileiros lidam com milhões de bombinhas atômicas no dia a dia. Os revólveres, rifles, bacamartes e bazucas expelem bombas atômicas de chumbo e moléculas de pólvora. Ao longo de cinco ou seis anos esses artefatos produzem tatos defuntos quanto a bomba atômica de 15 megatons de Hiroshima, de 15 milhões de toneladas por centímetro cúbico de espaço. Tudo são átomos e moléculas neste mundo de Deus.
As facas-peixeiras foram feitas para eviscerar peixinhos inocentes. Nas mãos assassinas se transformam em lâminas atômicas inoxidáveis para eviscerar seres humanos. Quem comete este tipo de crueldade não merece respirar o ar que respiramos.
Tirando onda de doido, Adelio Bispo deu uma facada atômica que perfurou as tripas de Jair Bolsonaro. Os mistérios de Adelio ainda hoje são mais protegidos que o atirador que perfurou a orelha do cowboy Donald Tramp.
Daqui a 50 anos, quando for publicado novamente na poderosa Folha de Pernambuco e no Blog de Magno, por generosidade do comendador Eduardo Monteiro e do magnífico blogueiro, este lindo artigo continuará atualíssimo, pois os problemas do “Brazil” em 2076 serão os mesmos de hoje, de corrupção, violência e má governança. Eu estarei bem velhinho com 125 anos, se Deus quiser. Vestido de kryptonita vermelha, lépido e fagueiro, eu navegarei nos espaços siderais. Aguardem para conferir. Hasta la vista, meninas e meninos!
*Periodista, escritor e quase poeta
Leia menos
















