Indefinição marca convenção de Raquel
A convenção que homologará a candidatura da governadora Raquel Lyra (PSD) está marcada para amanhã, no Recife. O que poderia, entretanto, se traduzir num grande ato de demonstração de força e sinalização pela confiança dos aliados na reeleição pode resultar num tremendo fiasco. Não de público, porque a máquina tem um poder incomensurável de mobilização, mas de incertezas na chapa.
Raquel não teve capacidade, traquejo nem tampouco liderança para botar ordem na casa. A convenção perdeu o brilho em razão da chafurdação entre o presidente estadual da federação União Progressista, Eduardo da Fonte, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que duelam pela segunda vaga de candidato ao Senado.
Leia maisCom cinco mandatos na Câmara Federal e o apoio de uma base de dez deputados estaduais, além de mais de 30 prefeitos, Eduardo ganhou no voto a indicação da federação por 5 x 3, mas Miguel não respeitou o resultado democrático. A governadora demonstra apreço por Miguel, mas ele não tem a maioria da Federação União Progressista, controlada por Eduardo.
Na reta final, Raquel assumiu uma posição de firmeza em defesa de Miguel, mesmo tendo sido diversas vezes alertada sobre as dificuldades de emplacar a candidatura dele, pelo fato de não ter o controle da federação.
A governadora é concursada da Polícia Federal e tem na transparência de sua gestão uma bandeira de campanha, mesmo que da boca pra fora. Assessores da governadora temem que ela quebre a cara na insistência com Miguel, primeiro porque perderá o fundo eleitoral; segundo, porque perderá o tempo da federação na propaganda eleitoral.
Eduardo fez uma jogada de mestre que complicou ainda mais a vida da governadora: marcou para o dia 5, no apagar das luzes do prazo das convenções partidárias, o ato solene e formal da federação para definir os nomes dos candidatos da federação para deputado e senador, ou seja, três dias após a deliberação da convenção da governadora.
VERGONHA – Aliados de João Campos avaliam que Raquel chegou ao teto das intenções de voto na disputa estadual. O cenário que aparece em levantamentos é de equilíbrio, com Raquel numericamente à frente. O entendimento do PSB pernambucano é de que o melhor momento da governadora já passou e que a situação mudará quando a campanha “começar para valer”, a partir de 16 de agosto, segundo escreveu o jornalista Houldine Nascimento, do site Poder360, de Brasília. Ao repórter, o ministro do Empreendedorismo e um dos secretários do PSB nacional, Paulo Pereira, classificou como uma “vergonha” a quantidade de ordens de serviço assinadas por Raquel em 2026.

O palanque e a força de Lula – Em entrevista à Folha de S.Paulo, o pré-candidato do PSB a governador de Pernambuco, João Campos, manifestou confiança na dobradinha nacional com o presidente Lula para instalar um novo ciclo econômico no Estado. “A nossa relação com o presidente não é uma relação eleitoral, é uma relação política construída de muitos anos, de uma aliança nacional feita em todos os estados do Brasil, construindo palanques. Tenho certeza que o presidente vai participar da eleição de Pernambuco. E o palanque, dito pelo próprio presidente, o palanque é nosso”, afirmou.
Bolsonaristas com Raquel – Na mesma entrevista, João avalia que parte dos eleitores que hoje declaram voto em Raquel Lyra mudará de opinião quando perceberem que Lula o apoia. Além disso, o ex-prefeito rechaça a neutralidade da adversária, apontando que a aliança da opositora é composta majoritariamente por bolsonaristas e outros segmentos da direita. “Se for perguntado a Flávio Bolsonaro em quem ele votaria em Pernambuco, eu tenho certeza que ele nunca votaria em mim. Todos os representantes da direita de Pernambuco estão no palanque do PSD e votam nela. Então é um fato”, disse.
Lula próximo a Vargas – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será formalmente anunciado amanhã, em convenção marcada para São Paulo, candidato do PT à Presidência da República. Aos 80 anos, o petista pode renovar o recorde de candidato mais velho eleito presidente e empossado no cargo. Também pode, caso reeleito, se aproximar ainda mais de Getúlio Vargas como presidente que mais tempo ficou no cargo. Getúlio, porém, comandou o Brasil em um momento da ditadura do Estado Novo, de 1937 a 1945.

Novo ato em agosto – A convenção nacional do PT será realizada no Expocenter Norte, centro de convenções localizado na zona norte de São Paulo. O evento começará por volta das 10h e contará com a presença do presidente e de uma série de ministros, entre eles o da Fazenda, Dario Durigan. O PT prepara, no entanto, um ato em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, em 16 de agosto, como o pontapé oficial da campanha petista. Por isso, a convenção deve ter um ar mais contido e voltado para os militantes e delegados petistas.
CURTAS
CONVENÇÃO 1 – Já a convenção que vai homologar a candidatura a governador do ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), será realizada hoje a partir das 13h40, no Clube Internacional do Recife. A oficialização da chapa majoritária – Carlos Costa (Republicanos), para vice; e Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), para o Senado – ocorrerá de forma conjunta com a convenção do PDT, simbolizando a união das forças políticas aliadas na disputa estadual.
CONVENÇÃO 2 – Já a convenção do PSD que vai oficializar a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra e da vice Priscila Krause ocorrerá amanhã, a partir das 9 horas, no Parador, localizado no Bairro do Recife (Recife Antigo). Diferente de João, Raquel faz sua convenção sem a chapa completa por causa do impasse na segunda vaga ao Senado.
REVIRAVOLTA – A abertura do inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mobilizou o gabinete do ministro André Mendonça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), além da área técnica da Corte. Um debate nos bastidores que se arrastou por quase uma semana diante da investida da Polícia Federal acabou escalando o desgaste dos investigadores com o gabinete de Mendonça, com direito a uma espécie de reviravolta eletrônica.
Perguntar não ofende: Faltaram experiência política e capacidade de diálogo a Raquel para superar o impasse na sua chapa?
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