Mendonça, o senador do coração de Raquel
Quanto mais se aproxima o dia de os eleitores encararem as urnas, mais fica explícita a relação entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o deputado Mendonça Filho (PL). Embora ela tenha tentado manter uma distância regulamentar em uma entrevista de TV, dizendo que o liberal não é seu candidato ao Senado, o que se vê, na prática, é justamente o oposto.
Há, de fato, proximidade e aliança, ainda que não formalizada em documentos de uma coligação. Se existe hoje um candidato ao Senado que demonstra fazer questão de estar ao lado da governadora, esse é Mendonça. O próprio deputado afirmou recentemente que, caso eleito, será o senador de Raquel.
Leia maisE foi além: disse ter “certeza” de que é o senador do coração da governadora. Em todos os atos de rua, ele está lá, vestindo uma camisa do fictício “Raquel Lyra Futebol Clube”. Em agosto, esteve ao lado dela na caminhada em Paulista, onde declarou apoio à sua reeleição e disse estar pedindo votos para Raquel. Pouco depois, voltou a aparecer com a governadora em uma caminhada na Várzea, no Recife.
A proximidade também apareceu em momentos estratégicos da campanha. Em Petrolina, Mendonça esteve em um ato que reuniu Raquel Lyra e integrantes do grupo Coelho. Dias depois, esteve novamente ao lado da governadora em Belo Jardim, onde chegou a dizer que “a luta de Raquel será a nossa luta”.
Mesmo sem ser o candidato oficial de Raquel, Mendonça aparece mais do que Eduardo da Fonte (PP), nome que está na coligação e que disputa o mesmo eleitorado de direita. Dois dias depois de ele ser oficializado na convenção dela, Mendonça lançou-se candidato ao Senado. No meio político, fala-se que ele jamais entraria em tal empreitada sem o aval da governadora, ainda que ela não possa assumir isso publicamente.
Sempre que tentam associar Raquel ao bolsonarismo, o jurídico da campanha da candidata do PSD se apressa em recorrer à Justiça. Com Mendonça, tem sido diferente. Há bandeiras com a foto dele associada à dela espalhadas por Pernambuco sem que a governadora pareça se incomodar. É mais um indício forte de que, no coração roxo de Raquel, tem lugar de sobra para o senador de Bolsonaro.
NA JUSTIÇA – O candidato do Psol ao Governo do Estado, Ivan Moraes, ingressou com ação na Justiça Eleitoral para assegurar seu direito de participação no debate promovido pela TV Nova Nordeste, marcado para a próxima sexta-feira. A emissora convidou os candidatos João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD), que lideram as pesquisas de intenção de voto, mas excluiu Ivan. De acordo com a Coligação Frente Pernambuco de Luta (Federação PSOL/REDE e PCB), a medida contraria o artigo 46 da Lei Federal nº 9.504/1997, que estabelece as regras do processo eleitoral. “A lei eleitoral não deixa qualquer dúvida em seu artigo 46. Qual é a dificuldade da gente conversar sobre Pernambuco? Não há qualquer saída legal que não seja me chamar. Eu estou pronto para debater”, afirmou o candidato.

Raquel assume o “Mainha” – A governadora Raquel Lyra (PSD) recorreu às entregas da gestão para rebater as promessas dos adversários e pedir votos, ontem, durante ato de campanha no Cabo de Santo Agostinho. Em discurso marcado pelo uso da expressão “mainha”, adotada pela candidata na campanha, Raquel afirmou que prefere prometer pouco e apresentar realizações do governo. “Tem gente que chega aqui prometendo para frente o que não fez para trás. Deixa mainha trabalhar”, disparou a governadora, sem citar nominalmente os adversários. Na sequência, reforçou: “Você sabe que o papo com mainha é reto. Mainha promete, mainha cumpre. Aliás, mainha gosta de prometer muito pouco, mas mainha trabalha que só a gota”.
Inquérito fake news – Dois dias após o presidente do STF, Édson Fachin, defender o fim do inquérito das fake news, há sete anos em andamento, o ministro Flávio Dino questionou nas redes sociais a validade de um integrante da Corte prometer o fim de uma investigação que já está tramitando há muito tempo. Dino não citou Fachin na publicação. “É possível a um julgador, qualquer que seja ele, ‘prometer’ o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos? Eu pessoalmente sou a favor da conclusão dos inquéritos, até porque eles foram feitos para terminar mesmo, mediante a propositura das ações penais ou dos arquivamentos cabíveis. De todo modo, temos aí um interessante debate doutrinário: antes do prazo prescricional, um inquérito deve ser arquivado por motivo de tramitação longa?”, escreveu o ministro.
Comparação de posturas – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva postou, ontem, véspera do Dia da Independência, nas redes sociais, um vídeo em que compara as posturas do petista e seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em relação aos Estados Unidos. As pesquisas de intenção de voto mais recentes mostram o acirramento da disputa pela Presidência, o que vem gerando preocupação na campanha petista. O Datafolha mostrou na sexta-feira um empate técnico no segundo turno: Lula tem 46%, enquanto Flávio aparece com 44%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Crise complica Messias – Se já estava difícil para o presidente Lula (PT) insistir em nova indicação do pernambucano Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, a crise após a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, que reagiu com pedido de investigação contra o colega André Mendonça, gerou mais incertezas. E o pior: a pressão sobre o Advogado-Geral da União tem gerado um quadro de consequências imprevisíveis. O ápice da tensão no Judiciário abriu a possibilidade de a indicação ficar para um segundo momento. Lula vinha dizendo até então a auxiliares e em falas públicas que enviaria novamente o nome do aliado para o lugar de Luís Roberto Barroso, que se aposentou há quase um ano.
CURTA
DERROTA – Messias foi rejeitado pelo Senado em abril, num movimento feito pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), com aval de ministros da Corte, como Moraes. Cinco meses depois e dentro de um quadro tumultuado no Supremo, integrantes do círculo próximo de Lula tentam convencê-lo a indicar o desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio, que tem adotado uma postura de combater as ilegalidades e a corrupção no estado.
ELOGIOS – O presidente não é próximo de Couto, mas já fez a ele elogios públicos. Nas palavras de um interlocutor do presidente, seria necessário “sacrificar” Messias para atenuar a crise e indicá-lo em outro momento, em caso de reeleição. Procurado, o chefe da AGU não se manifestou. Messias é próximo a Mendonça, que pediu votos a ele na tentativa barrada pelo Senado.
ANTAGONISTA – Mendonça, no entanto, integra na Corte um bloco antagonista ao de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, ministros com quem Lula tem mais interlocução. O receio dessa ala é que a entrada represente uma composição com o bloco oposto. Messias, por sua vez, tem afirmado reservadamente que há uma tentativa de desgaste que incluiu um relatório de inteligência da Polícia Federal. O documento, usado por Moraes para questionar a conduta de Mendonça, diz que Messias pode ter evitado atender a demandas da PF para contestar decisões nos inquéritos sobre fraudes no INSS e as suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para manter a boa “relação política” com Mendonça.
Perguntar não ofende: Por que Raquel se irritava quando eu a tratava de Mainha?
Leia menos








