A reação de João no empate do Datafolha
A mais recente rodada de pesquisa do Datafolha desenha com precisão a mudança de rota na disputa pelo Governo de Pernambuco: com a margem de erro de três pontos percentuais, os 47% de Raquel Lyra contra os 42% de João Campos colocam os dois líderes em um empate técnico real no limite da amostragem, reabrindo de vez uma corrida que muitos davam como precoce definição.
Mais do que a simples flutuação de dígitos, o que a pesquisa reflete é a recompensa de uma escolha tática e comportamental certeira do candidato do PSB. Em disputas acirradas, o instinto inicial de muitas campanhas acuadas costuma ser a retração ou o refúgio na vitimização.
João Campos optou exatamente pelo caminho inverso. No lugar de assumir o papel de vítima dos ataques ou das circunstâncias, assumiu a linha de frente. Chamou para si o peso da liderança, impondo um ritmo combativo e autônomo que devolveu energia à militância e restabeleceu sua posição como verdadeiro protagonista do processo eleitoral.
Leia maisEssa guinada fica ainda mais nítida no contraste de tom com a adversária. Enquanto a largada da campanha governista apostou repetidamente em um semblante pesado, emotivo e de queixas, João contrapôs com sorriso no rosto, disposição e calor popular nas ruas.
Trocou o ressentimento pela proximidade física com o eleitor e por uma agenda robusta de futuro.
O crescimento nas intenções de voto não veio do vazio, mas da articulação de compromissos concretos que conversam direto com o bolso e as carências da população: a isenção total do IPVA para motos de até 180 cilindradas, a interiorização do exitoso Embarque Digital para formar jovens na economia do futuro e a promessa da construção de quatro novos grandes hospitais regionais para destravar a saúde no Estado.
Esse reposicionamento atingiu o ápice no primeiro grande confronto direto em Caruaru. No debate que colocou os postulantes cara a cara, João desmontou a blindagem moral da gestão estadual com precisão cirúrgica ao escancarar a questão do supersalário de Raquel. Ao demonstrar que a governadora acumulava remunerações e penduricalhos que chegam a quase três vezes o teto constitucional permitido, o candidato tirou a atual mandatária da zona de conforto e colocou a coerência do discurso oficial sob xeque.
A fotografia do Datafolha, portanto, não é um acidente estatístico. É o retrato de uma campanha que soube recalcular a rota, abandonar posturas defensivas e se colocar, com propostas nas mãos e coragem no microfone, como a alternativa viável para liderar Pernambuco.
DEBATE – Para acompanhar os desdobramentos desse confronto direto e ver os candidatos frente a frente discutindo suas propostas e divergências, assista ao debate entre Raquel Lyra e João Campos ocorrido ontem em Caruaru num pool de emissoras liderado pela rádio Cidade FM, do grupo do empresário Adolfo da Modinha. O vídeo é fundamental, porque traz a íntegra do primeiro embate cara a cara dos principais concorrentes ao governo estadual, em que o embate sobre remunerações e prioridades de gestão foi travado ao vivo.

Fujona e sem resposta para nada – Depois de levar uma verdadeira saraivada de cobranças de João Campos (PSB), candidato da oposição, a governadora Raquel Lyra (PSD) preferiu não enfrentar, pela segunda vez no mesmo dia, as perguntas que exigem respostas sobre o seu governo, cancelando sua ida ao debate da Nova TV, em Olinda. Para Raquel, seria o debate chuchu: sem respostas, sem posição e sem clareza, exatamente como tem sido sua estratégia. Ela não tem resposta para a saúde, para a segurança, para a falta de água, para sua relação com os bolsonaristas, em resumo, não tem respostas para nada.
Tarcísio se mantém na frente – Em São Paulo, maior colégio eleitoral do País, a nova pesquisa do Instituto Datafolha de ontem mostra que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, continua na liderança da disputa com 49% das intenções de voto. Fernando Haddad (PT), principal adversário, aparece em segundo lugar com 29%. O levantamento mostra um crescimento de ambos os candidatos. Na pesquisa anterior, feita em agosto, Tarcísio tinha 44% e Haddad 27%. Os outros candidatos não passam de 3% das intenções de voto.
Paes firme no Rio – Já no Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes, candidato do PSD a governador, segue na liderança da disputa pelo governo do Rio de Janeiro, com 43% das intenções de voto no primeiro turno, segundo a pesquisa Datafolha. Apesar da dianteira, Paes viu o aliado de Flávio Bolsonaro e presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Douglas Ruas (PL), reduzir a distância ao subir seis pontos percentuais na disputa e chegar a 25%. No levantamento anterior, em 22 de agosto, Paes tinha 41% e Ruas, 19%.

Cleitinho avança em Minas – A nova pesquisa do Datafolha para o governo de Minas Gerais mostra o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) na liderança, com 37% das intenções de voto. Em seguida, aparecem o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e o deputado Patrus Ananias (PT), com 11% e 13%, respectivamente. Na pesquisa anterior, Cleitinho aparecia com 32%, enquanto os candidatos do PT e PDT apareciam empatados com 12% cada.
CURTAS
MASTER 1 – Do presidente Lula (PT) ao se manifestar ontem, mais uma vez, sobre a crise no STF envolvendo o escândalo Master: “O povo brasileiro precisa saber a verdade. Abertura total do sigilo. Quem não deve não teme.”
MASTER 2 – “O ministro André Mendonça está certo, gente. Ele está sendo juiz. E, assim, eu queria muito que todos no Supremo fossem iguais ao André Mendonça, que não pesassem para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência. Mostra para a imprensa, mostra para o povo, vamos ver quem é que está certo — afirmou Flávio Bolsonaro, por sua vez, durante agenda em Manaus.
FIM DO SIGILO – O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, acolheu pedidos feitos pela Procuradoria-Geral da República e pelo ministro Alexandre de Moraes e solicitou ao ministro André Mendonça que levante, em até 24h, todo o sigilo sobre o caso do Banco Master. Mendonça tornou parte do processo público na noite de quinta-feira (10), mas manteve sob sigilo a investigação do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por causa do dinheiro recebido pelo banqueiro Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme Dark Horse.
Perguntar não ofende: No debate da Globo, Raquel também não vai responder às perguntas?
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