Do jornal O Globo
O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima terça-feira (15), às 10h, uma sessão extraordinária para analisar o processo que trata das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro da Corte Alexandre de Moraes, e traz indícios de que o empresário era orientado pelo magistrado às vésperas de sua prisão. Como ocorre com as outras sessões, a plenária será transmitida ao vivo na Rádio e TV Justiça, e pelo canal oficial da Corte no YouTube.
A confirmação foi feita ontem (12) por uma publicação no site da instituição. Formalmente, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, convocou o plenário para apreciar a Petição 16.662, relatada por André Mendonça. É o processo que reúne o relatório produzido pela PF a partir da requisição de Mendonça sobre a rede de influência de Vorcaro e que trouxe informações envolvendo Moraes. O próprio Mendonça já havia enviado o caso ao plenário, argumentando que caberia ao colegiado analisar os novos elementos da PF. No mesmo processo também consta um parecer da PGR, assinado por Paulo Gonet, sustentando a “nulidade” do documento produzido pela PF.
Leia maisFachin suspendeu a tramitação da ação, mas convocou os demais ministros para apreciá-la no dia 15. Na véspera do julgamento se encerra o prazo que havia sido aberto pelo presidente do STF para que Mendonça, Moraes, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se manifestassem sobre o caso.
Apesar disso, a reunião está sem um roteiro definido.
Segundo a avaliação de ministros, o início da sessão deve ser marcado por discussões sobre a validade do relatório pedido por André Mendonça à Polícia Federal. Interlocutores não descartam a possibilidade de o debate ser suspenso, por exemplo, por um pedido de vista.
Em relação ao despacho do próprio Moraes com questionamentos à conduta de Mendonça, Fachin marcou a sessão para o próximo dia 23. O presidente negou o agendamento de uma sessão conjunta com a de terça-feira, para avaliar as condutas de Moraes e Mendonça juntas. Moraes havia feito o pedido e com a alegação de ser inviável a deliberação sobre o seu caso sem um debate sobre a ação de Mendonça na requisição de relatório da Polícia Federal (PF) que mostrou troca de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nos diálogos, o dono do Master pede conselhos ao magistrado às vésperas de sua prisão.
No despacho assinado por Fachin para negar o pedido, o presidente do STF argumentou que os casos Moraes e Mendonça podem ser analisados em sessões separadas porque “possuem contornos e objetos bem delineados” e assim são preservados “os limites” do que será submetido ao plenário na próxima semana.
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