UOL
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concluiu hoje o julgamento que cassou o governador de Roraima, Edilson Damião (União), e tornou inelegível o ex-governador Antonio Denarium (Republicanos) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Na ação, o procurador do Estado de Pernambuco e advogado Walber Agra atuou pela acusação, representando a coligação adversária “Roraima Muito Melhor”. Ele sustentou que houve uma “inundação de verbas públicas” em ano eleitoral para favorecer a reeleição da chapa, caracterizando abuso de poder político e econômico. Agra também apontou desvio de finalidade em programas sociais como o “Cesta da Família” e o “Morar Melhor”, destacando que apenas em 2022 foram investidos R$ 134 milhões, valor superior ao registrado em anos anteriores.
Leia maisO julgamento terminou hoje, mas a votação já havia sido concluída anteontem. Na sessão de terça-feira (28), seis dos sete ministros votaram pela cassação de Damião e pela realização de novas eleições no estado. São eles: André Mendonça, Estela Aranha, Floriano de Azevedo, Antonio Carlos, Cármen Lúcia e Isabel Galloti. Só Kássio Nunes Marques se opôs.
Todos os ministros votaram pela inelegibilidade, por oito anos, de Denarium. O ex-governador renunciou ao cargo no mês passado para concorrer ao Senado nas eleições de outubro. Com sua saída, Damião, que era vice, assumiu.
Sessão foi retomada hoje apenas para apresentação de um complemento do voto de Mendonça. Ele concordou com a cassação e a inelegibilidade, mas votou para que a eleição para o mandato-tampão seja indireta —realizada pela Assembleia Legislativa de Roraima—, dado o curto prazo do mandato e para atender a questões técnicas das urnas. O entendimento é contrário ao dos demais ministros.
TSE determinou a execução imediata da pena. A decisão foi lida ao final do julgamento pela presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia.
Defesa de Damião informou que “apresentará os recursos cabíveis”.
Entenda o caso
A ação original foi movida pela coligação liderada pelo MDB. Derrotada nas eleições de 2022, a coligação Roraima Muito Melhor acusou a chapa formada por Denarium e Damião de obter vantagens na disputa por meio do uso eleitoral de programas sociais.
Despesas do governo de Roraima subiram mais de 42 vezes entre 2021 e 2022, segundo dados avaliados pelo TSE. Uma falsa calamidade pública teria sido usada como justificativa para a transferência irregular de recursos com finalidade eleitoral, segundo a ministra relatora, Estela Aranha.
A defesa de Denarium nega irregularidades nos programas sociais e diz que eles não tinham caráter eleitoreiro. Também afirma que a transferência de recursos para as prefeituras ocorreu dentro da legalidade.
O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima já havia condenado a chapa eleita em 2022, determinando a cassação dos mandatos e a inelegibilidade por oito anos, além da convocação de novas eleições.
Em maio de 2024, governador e vice recorreram ao TSE. O julgamento foi iniciado em agosto do ano passado, quando a então relatora, ministra Isabel Gallotti, reiterou a decisão do TRE-RR.
O que diz a relatora
Estela Aranha apontou a “criação de novo programa assistencial em ano eleitoral” e destacou como agravante a diferença de apenas 40 mil votos no resultado da eleição.
“Está amplamente demonstrada nos autos a prática das condutas ilícitas investigadas (…), que configuram tanto abuso de poder econômico (…) quanto de poder político, tendo em vista o desvio de finalidade do uso de recursos públicos para fim de obter proveito eleitoral”, declarou a ministra.
Leia menos

















