Por Jovino Filho*
Casas lotéricas atualmente são espaços de cidadania. Prestam serviços de utilidade pública à população. Mas lamentável é reconhecer que as lotéricas e seus concessionários, os empresários lotéricos, são tratados com descaso pelos agentes públicos – a saber, os permissionários deste serviço, no caso os Gestores da Caixa Econômica Federal.
Na realidade, as lotéricas funcionam como extensão da Caixa e sem ônus para o Governo. Ao contrário, acarretam lucros para os cofres públicos. De origem, as lotéricas são entes privados que funcionam como concessões obtidas através de leilões da Caixa.
Leia maisAs lotéricas cumprem uma função social ao gerar empregos para o mercado. Com o atual aperto financeiro causado pela Caixa, esta função está prejudicada. Atualmente, estas casas se converteram em espaço de convivência, principalmente para idosos. É comum hoje se ouvir a expressão: “A gente se encontra na lotérica”. Estes estabelecimentos estão incorporados ao dia a dia de nossa sociedade. O pagamento de boletos é de utilidade pública para toda a comunidade.
Conheci um empresário lotérico que possui cinco terminais de atendimento. Trata-se de uma lotérica bem localizada, com enormes filas nos dias úteis de jogos e pagamentos. Aos sábados, as filas de jogos mereciam destaque. Quando soube que a tarifa recebida pelo empresário variava aproximadamente entre R$ 0,30 e R$ 1,50, achei grotesco. Significa uma remuneração descolada em relação aos valores praticados no mercado. Existe uma defasagem em relação à demanda de jogos e bolões.
Conversando com entendedores de loterias, foi-me dito que a Caixa tinha criado uma “lotérica online”. Trata-se de uma concorrência desleal, pois os clientes não precisarão mais comprar jogos na vitrine das lotéricas. A mencionada lotérica tinha sete funcionárias e hoje tem somente três.
O desemprego nesta atividade deve ter crescido mais de 60%. Quem fazia jogo na lotérica, como eu, levava um bolão ou um bilhete da Federal. A lotérica perdeu de forma acentuada a sua demanda e, consequentemente, a sua receita pela venda dos bilhetes federais e de jogos.
Com um só tiro, a Caixa matou dois coelhos contra os lotéricos. Será que os políticos sabem desta aflição financeira vivenciada pela grande maioria dos lotéricos? É possível entender que se trata de uma “política de Estado” para anular as pequenas e médias lotéricas.
No interior e no centro das cidades, o que se apresenta são lotéricas fechadas ou quase falidas, como, por exemplo, as do centro da cidade. Tenho pena das cidades onde a população não tem banco nem lotérica. O Estado tem a obrigação de prover à população uma opção de pagamento, pois em muitas cidades a internet é precária.
Além da brutal queda de demanda, existe outro fator que proporciona a perda de faturamento: as constantes interdições no funcionamento provenientes da falta ou queda do sistema e do sinal de internet da Caixa. Estes agravos sistemáticos devem-se ao obsoleto sistema de TI da Caixa. Não tenho conhecimento se a Caixa ressarcirá as paralisações provenientes de elementos exógenos às lotéricas.
*Administrador de empresas aposentado
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