A duplicação fantasiosa da BR-232
Em sua gestão, próxima a fechar o quarto ano, a governadora Raquel Lyra (PSD) não entregou uma só obra de infraestrutura capaz de alavancar o desenvolvimento do Estado, gerar empregos e contribuir na melhora do perfil socioeconômico da população.
Há 15 dias, fez a terraplanagem de apenas 500 metros da margem direita da BR-232, entre São Caetano e Tacaimbó, e anunciou como se fosse o início das obras de ampliação da duplicação da rodovia federal, iniciada e concretizada no Governo Jarbas Vasconcelos com o trecho do Recife a São Caetano.
Com sua materialização, promessa de campanha de Jarbas que só se concretizou com o dinheiro nos cofres do Estado a partir do leilão de privatização da Celpe, Pernambuco entrou num novo ciclo de desenvolvimento, graças ao corredor econômico criado no Agreste. Cidades como Vitória de Santo Antão, Gravatá, Bezerros e Caruaru mudaram de feição, se agigantaram, atraindo investimentos com perfis diversificados.
Leia maisPernambuco sonha acordado com a duplicação da 232 até Arcoverde, numa primeira etapa, e Serra Talhada, numa outra, mas isso se faz com projeto, com responsabilidade e não olhando apenas para o viés eleitoreiro.
Passei, ontem, pela área do suposto início das obras e encontrei apenas uma terraplanagem de 300 metros abandonada e uma máquina escavadeira num outro trecho, sem canteiro de obras, sem trabalhadores, sem placa, enfim, sem nada que leve a acreditar em algo sério.
Deu, assim, para inferir que o Governo de Raquel sofisma em cima de um projeto que deveria, ao contrário, ser encarado e enfrentado com seriedade, planejamento, coragem, ousadia e metas. E não usá-lo como exploração política com vistas a tirar dividendos eleitorais.
NOVA ORLA – Em entrevista, ontem, ao DP, o prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), garantiu que conclui o projeto de requalificação da orla de Boa Viagem até dezembro, obra vitrine da gestão de João Campos (PSB) que o ex-prefeito não teve tempo hábil para entregar. Anunciou também a reocupação do Centro do Recife, que já começa a sair do campo das intenções com a aquisição de quatro prédios na Avenida Guararapes, para 500 moradias. “Estamos também construindo cinco complexos educacionais. Um aluno vai entrar no berçário e só sair de lá no nono ano”, informou.

A dobradinha Lula x João – Entusiasta declarado do presidente Lula (PT), Victor disse, na mesma entrevista, que a parceria do Governo Municipal com o governo federal foi uma das chaves para ampliar investimentos no Recife e disse não ter dúvida de que o Estado passará a viver uma era de pleno desenvolvimento com a reeleição de Lula e a chegada de João Campos ao Palácio das Princesas. “A gente vai ter uma alegria grande de ver Lula reeleito e João Campos eleito governador. Muita coisa boa para a nossa gente vai acontecer no Recife e no Estado”, afirmou.
Sem desistência – Após um dia marcado por rumores de que poderia desistir da candidatura ao Senado e retornar à disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) reafirmou, ontem, que permanece na corrida por uma das duas vagas de Pernambuco. O parlamentar divulgou um vídeo com declarações de apoio de prefeitos aliados da governadora Raquel Lyra (PSD), em uma tentativa de demonstrar força política após a turbulência que cercou sua candidatura, entre eles, os de Gravatá, Itamaracá e Verdejante.
Bronca no registro – O senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, não conseguiu registrar, ontem, sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após seu nome aparecer como filiado ao Missão no sistema da Justiça Eleitoral. A alteração, registrada na quarta-feira passada, impede, neste momento, que o PL conclua o registro da candidatura. Certidão emitida pelo TSE, ontem, aponta que Flávio consta como filiado ao Missão desde quarta-feira. O documento também registra a desfiliação do senador do PL na mesma data.

TSE abre inquérito – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou, ontem, que a alteração da filiação partidária do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não decorreu de um ataque hacker ao sistema da Justiça Eleitoral, mas do uso indevido das credenciais de acesso do partido Missão por uma pessoa autorizada a operar a ferramenta de filiação da legenda. A Corte determinou a abertura de investigação sobre o caso. Diante da constatação, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para adoção das providências cabíveis e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar eventuais responsabilidades.
CURTAS
FILIAÇÃO RESTABELECIDA – O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, determinou, ontem, o restabelecimento imediato da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL e a exclusão do vínculo com o Missão. A decisão preserva a data original de filiação, em 30 de novembro de 2021, e libera o sistema Candex para o registro da candidatura do senador à Presidência. O ministro considerou “inverossímil” que Flávio tivesse migrado voluntariamente para o Missão, que já possui candidato próprio ao Planalto.
FRAUDE – O Missão, por sua vez, afirmou também ter sido vítima de fraude. Em nota, a legenda disse que seu sistema identificou a filiação irregular e tentou cancelá-la no mesmo dia, mas que a operação foi rejeitada pelo TSE. O partido afirmou ainda que o gabinete de Flávio havia sido avisado sobre uma tentativa de filiação desde o último dia 2 e que os e-mails enviados foram abertos, mas não respondidos.
SOLIDARIEDADE – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu, ontem, a proteção da liberdade de imprensa e indicou que a decisão do colega Alexandre de Moraes, que determinou busca e apreensão contra fonte de jornalista no Maranhão, será analisada em plenário. Fachin prestou solidariedade ao ministro Flávio Dino, que diz ter sido perseguido pelo profissional da imprensa investigado na Corte. Durante o debate sobre o assunto, Moraes, por sua vez, apontou que a Primeira Turma da Corte poderia julgar o assunto.
Perguntar não ofende: Dá para acreditar numa obra que não tem canteiro de obras?
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