Por Anthony Santana
Do Blog da Folha
A eleição para o governo de Pernambuco ganhou novo capítulo com a disputa pelo movimento brega e brega-funk. A manifestação cultural, historicamente ligada à periferia do Recife e Região Metropolitana, está no centro da estratégia de campanha dos dois principais candidatos ao comando do estado, a governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), e o candidato da Frente Popular e ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Raquel iniciou a campanha com o jingle “Chama Ela” como aposta das suas agendas de rua, a versão eleitoral é uma adaptação do hit homônimo lançado pelo MC Leozinho do Recife ainda em 2013.
Leia maisLogo depois, a gestora incorporou o brega-funk “Raquel é Pro Max” do MC Gordinho Bolado. Recentemente, a postulante ganhou mais uma música do ritmo, dessa vez reunindo mulheres que fizeram sucesso no brega pernambucano a partir dos anos 2000, como Elisa Mel, Palas Pinho e Dayanne Henrique.
Já o candidato João Campos tem uma relação histórica com o brega-funk. Durante as gestões dele à frente da Prefeitura do Recife, artistas do gênero ganharam espaço em eventos culturais da cidade. O ritmo também embalou as campanhas do socialista para a Prefeitura em 2020 e em 2024.
Na disputa para o governo estadual este ano, Campos encomendou ao artista Anderson Neiff um novo jingle. Neiff juntou outros artistas e influenciadores e criou a música “João é o meu, é o seu, é o nosso”, uma paródia do “Hit do Ab” lançado por Reny e a Galera, em 2013.
Na avaliação do professor da Universidade federal de Pernambuco Thiago Soares a manifestação cultural oferece aos políticos uma possibilidade de aproximação com públicos que dificilmente seriam alcançados apenas pelos formatos tradicionais de propaganda.
“Desde o início dos anos 2000, é o brega que ativa essa relação com a identidade pernambucana, muito conectado com a juventude, primeiro com as juventudes periféricas e agora não apenas com elas. Não é à toa que o brega-funk é o mais acionado pela classe política. É exatamente aquilo que vai conectar os políticos a esse universo da juventude periférica e da juventude pernambucana”, pontuou.
Para o cientista político Isaac Luna, a utilização do ritmo pelas campanhas pode ser traduzida a partir da lógica do marketing digital. Segundo ele, o objetivo inicial não é necessariamente convencer o eleitor sobre uma proposta, mas conseguir atenção. “No marketing digital existe uma coisa chamada isca. O brega funciona como uma isca, o que atrai a atenção de uma parte substancial do eleitorado, ou seja, do voto mais popular”, analisou Luna.
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