O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou, nesta sexta-feira, de materiais de campanha o associando à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. O postulante do petista no pleito é Elmano de Freitas, que tenta reeleição.
— Eu já vi material do Ciro comigo, mas o que eu tenho que dizer para o povo é que o Ciro não está comigo. O Ciro está com outra pessoa. Quem está comigo é o Elmano — disse Lula, em referência à aliança do tucano com siglas de oposição, inclusive o PL. As informações são do jornal O GLOBO.
Leia maisA declaração ocorreu durante entrevista à rádio Progresso, de Juazeiro (CE). Como mostrou o GLOBO há uma semana, aliados de Ciro adotaram como estratégia a defesa de um voto casado no tucano e em Lula.
— Se uma pessoa quiser votar no Ciro, vote por conta do Ciro. Mas não pode votar enganada, achando que eu tenho ligação com o Ciro. O Ciro fez uma opção. Ele foi para o outro lado. Se ele foi para o outro lado, a gente não tem o que brincar com isso — completou Lula.
A campanha de Ciro atua para evitar a nacionalização da disputa. Há tentativa de atrair eleitores de diferentes campos ideológicos, tratando a segurança pública como principal tema do pleito deste ano.
Rompimento político
Nos últimos meses, Lula fez críticas pontuais a Ciro. Em entrevista aos podcasts “As Cunhãs” e “Não Inviabilize”, no meio de agosto, o petista afirmou que o tucano é muito “personalista” e “acha que o mundo gira em torno dele”.
— Eu quando falo do Ciro falo de uma pessoa que gostei muito, não falo de uma pessoa que eu não gosto. O problema é que o Ciro acha que o mundo gira em torno dele. Quantos partidos ele já entrou? A única coisa que presta é o que ele acha que presta. Ele não se enquadra em um coletivo — disse Lula, que completou: — Se ele fosse escrever um livro, o título seria “eu me amo”.
Lula disse, posteriormente, que quer guardar “as lembranças das coisas boas” que fizeram juntos:
— Não vou ao Ceará falar mal dele. Ele tomou o destino dele. Ele achou que ia ser a salva pátria da esquerda e não foi, do centro e não foi. Ele disputou comigo, ele poderia ter ganho de mim. Ele é tão sabido. Ele tem que saber que a grande coisa de alguém que quer ser presidente é ter um pouco de humildade. E ele não tem. Esse é o dado concreto.
Lula e Ciro tiveram uma relação próxima, principalmente no primeiro mandato do petista, quando o hoje tucano foi ministro da Integração Nacional.
Com o correr dos anos, mantiveram o contato, apesar de alguns ataques pontuais. O clima entre eles, porém, se deteriorou ao longo da eleição de 2018. Lula era o candidato do PT, chegou a ser inscrito na Justiça Eleitoral, mas foi impedido de concorrer por causa de condenação na Lava-Jato — posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os petistas ofereceram a Ciro a possibilidade ser vice de Lula para depois que ocorresse o indeferimento — desta forma, o tucano assumiria a cabeça da chapa. Ciro classificou a oferta, entre outros termos, de “aberração” e “papelão” e disse que não aceitaria ser um “vice de araque”.
O tucano se candidatou ao Planalto pelo PDT na ocasião e terminou em terceiro lugar, com 12,46% dos votos válidos no primeiro turno.
Leia menos















