Por Gastão Cerquinha Neto*
Manter o ar das cidades limpo é um desafio crescente frente ao rápido avanço da urbanização e da industrialização. As tecnologias atuais de controle das emissões nas indústrias muitas vezes são insuficientes, fazendo atingir níveis preocupantes nos centros urbanos. A exposição contínua a essas diferentes fontes de poluição, que emitem compostos nocivos, como o ozônio e materiais particulados finos, traz graves riscos à saúde pública.
Esses poluentes penetram no sistema respiratório e causam irritação, inflamação pulmonar e estresse oxidativo, aumentando significativamente a incidência e o agravamento de doenças respiratórias crônicas e agudas, tais como asma, pneumonia e bronquite.
Leia maisGrupos vulneráveis, especialmente as crianças, devido à imaturidade de seus sistemas imunológico e respiratório, e os idosos, que sofrem com o declínio progressivo da função pulmonar, são afetados de maneira mais severa. Além disso, estudos apontam que o impacto das emissões gasosas na saúde respiratória é intensificado por fatores socioeconômicos precários e pela falta de uma infraestrutura verde adequada nas cidades.
As zonas de ar limpo
As práticas internacionais para a redução da poluição nos centros urbanos têm se concentrado fortemente na implementação das chamadas Zonas de Ar Limpo, que buscam priorizar as pessoas em detrimento dos carros e promover o transporte ativo e público. Diversas medidas e regulamentações vêm sendo adotadas por cidades ao redor do mundo para enfrentar as crises interligadas de mudança climática, qualidade do ar, congestionamento e saúde pública.
Essas zonas podem atuar proibindo completamente veículos poluentes, permitindo apenas os que tenham emissão zero, que são as zonas de emissão zero. Podem cobrar taxas ou pedágios para que veículos entrem em uma determinada área da cidade, inibindo a circulação de veículos. As restrições também podem ser direcionadas para determinados tipos de veículos, como caminhões e ônibus, que geram maiores emissões.
A cidade de 15 minutos
Podem ser adotadas também medidas distribuídas em pequenas áreas para melhorar a infraestrutura, como introduzir vegetação nos espaços públicos e promover o conceito de “cidades de 15 minutos”, onde as necessidades diárias dos residentes são atendidas a uma curta caminhada ou viagem de bicicleta.
O fechamento temporário de ruas próximas a escolas no início e final do dia, ou o fechamento de ruas comerciais em dias específicos para favorecer pedestres e atividades ao ar livre também reduzem as emissões e incentivam as pessoas a caminharem ou utilizarem bicicleta.
A garantia de um futuro saudável exige o engajamento coletivo na mitigação da poluição atmosférica. Nesse processo de conscientização, cada etapa é crucial, e todo espaço urbano vegetado exerce uma função indispensável para a dinâmica da cidade. Paralelamente, a transição para uma frota de veículos elétricos, integrada a políticas públicas voltadas à expansão da infraestrutura verde e à arborização urbana, configura-se como uma estratégia altamente benéfica para a qualidade do ar nas cidades.

*Engenheiro civil, doutor em Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente, é tecnologista do Cemaden (MCTI) em São José dos Campos (SP).
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