Esta foi a crônica domingueira mais dramática e difícil de fluir da minha alma poética, porque trata de uma tragédia humana: a morte do jovem João Caio Pereira Rodrigues, de apenas 26 anos, filho do meu amigo-irmão João Batista Rodrigues, ex-prefeito de Triunfo, comentarista de política municipal no meu programa Frente a Frente pela Rede Nordeste de Rádio. Foi num acidente de motocicleta na madrugada do sábado, nas imediações do distrito de Jatiúca, na PE-365, em Santa Cruz da Baixa Verde.
A perda de um filho é uma dor indescritível. Tudo porque a partida de um herdeiro, seja em qualquer circunstância, contraria a ordem natural da vida, de filho enterrar pai. Quem perde, tem que buscar muito a proteção da mão divina para superar o vazio deixado. Buscar conforto espiritual em Deus. Só Ele traça as curvas da vida e nos fortalece em momentos tão difíceis.
Leia maisCaio era filho único de João Batista. Advogado jovem, já tinha virado o braço direito do pai no escritório de advocacia e contabilidade da família, em Triunfo. Moravam juntos numa harmonia bela e perfeita, num casarão que vivia repleto de amigos e familiares. Era a razão do mundo colorido de João, orgulhoso do filho tão promissor e generoso como ele.
Meu pai Gastão Cerquinha, que fez a última viagem aos 100 anos, sempre agradecia a Deus por protegê-lo de tragédias envolvendo filhos. Erguia as mãos ao céu em sinal de graça a cada reunião familiar. Já o seu irmão, meu tio José Cerquinha, o tio Coió, teve o infortúnio da perda de dois filhos, um assassinado, aos 18 anos, outro vítima de um acidente de carro, com pouco mais de 50 anos.
Meu tio nunca mais foi o mesmo! No seu semblante, passava o tamanho da dor. Ninguém se prepara para uma perda tão devastadora. Tão logo tomei o choque brutal com a notícia trágica, ontem cedo, me veio à memória outras fatalidades envolvendo, inclusive, gente famosa.
Em 1990, Pedro, de 19 anos, baterista da banda Ego Trip, filho do cantor Gilberto Gil, morreu em um grave acidente de carro após perder o controle do veículo na Rodovia Presidente Dutra. Já em 2019, Danilo, o filho mais velho de Cafu, ex-capitão da Seleção Brasileira, sofreu um infarto fulminante aos 30 anos de idade enquanto jogava futebol na casa da família, em Barueri.
A icônica cantora Wanderléa, da Jovem Guarda, por sua vez, sofreu uma perda irreparável em 1984, quando seu filho de apenas dois anos morreu por afogamento após cair acidentalmente na piscina de uma casa em que a família estava hospedada
A João, meu grande amigo, só restará a lembrança de cada emoção vivida ao lado de Caio. Nas suas lágrimas, o amor — algo eterno, maior que a própria vida —, e as memórias, que são tesouros que ninguém pode tirar. Que João possa ter muitos ombros amigos, para conversar ou simplesmente ficar em silêncio ao seu lado.
Que o tempo, o senhor da razão, possa trazer algum alívio e que João encontre formas de voltar a sentir paz e esperança no seu coração. Não tenho ideia do que dizer mais para confortar meu amigo, pois sei que a vida dele, como se deu com a do meu tio, nunca mais será a mesma sem a presença querida do filho.
O mundo pode parecer mais escuro agora, mas cada momento compartilhado, cada sorriso e cada lembrança de Caio se transformarão em luz no dolorido coração dele. Que a força do amor e o apoio de todos ao redor tragam algum conforto neste período tão difícil.
Sou cristão, temente a Deus e creio na vida eterna, mas é muito doloroso um pai ou uma mãe se despedir de um filho para sempre. A ordem natural da vida foi quebrada. Perder um filho não é apenas perder alguém que se ama, é perder o futuro, os sonhos e a história que ainda estava por ser escrita.
Na vida de João e da mãe Tarciane se instalará um silêncio incompreensível, uma dor sem nome para uma ausência eterna. Eles precisam, mais do que nunca, da proteção, do amparo e da misericórdia de Deus. Que entreguem a dor nas mãos do Senhor!
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