O livro “Uma noite em Anhumas” é uma história da economia e sociedade canavieiro-açucareira de Alagoas e Pernambuco, no século vinte, contada por meio de fragmentos biográficos de familiares do autor (Maia Gomes, Maias, Gomes de Barros, Bahias, Pedrosas, Calheiros, Cardosos, Kuhns e outros) e de pessoas a eles ligadas que foram protagonistas na construção da referidas economia e sociedade.
O livro tem 624 páginas, existência independente, mas também pode ser lido como uma continuação de “O trem para Branquinha” (do mesmo autor, 564 páginas, 2018). A impressão de “Uma noite em Anhumas” terminou há poucos dias. O lançamento no Recife será feito na Mercearia Pará (Rua Olímpio Tavares, 110, Casa Amarela), às 19 horas, da próxima quinta-feira (25).
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a senadores que, diante de uma eventual pressão incontornável para abrir um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia adotar uma estratégia de “impeachment cruzado”, autorizando também a tramitação de um pedido contra André Mendonça. A movimentação teria como principal efeito político criar um equilíbrio de forças e evitar que o Senado fosse colocado diante de uma única frente de pressão contra o Supremo.
A estratégia ajudou a reduzir a temperatura das articulações nos últimos dias, sobretudo em meio ao aumento do embate entre ministros do STF. O cenário ganhou novos contornos na noite de quinta-feira (3), quando Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigação sobre Mendonça no âmbito do inquérito das fake news. Na solicitação, Moraes apontou possíveis indícios de crime de responsabilidade e mencionou, entre os envolvidos no contexto das apurações, o próprio Alcolumbre, dando ao episódio uma dimensão política que ultrapassa a disputa entre os dois ministros.
A iniciativa de Moraes chegou a ser interpretada no Senado como uma espécie de sinal verde para que Alcolumbre também permitisse o avanço de medidas contra integrantes do STF. A leitura, porém, perdeu força ontem, após Fachin retirar o pedido do âmbito do inquérito das fake news. O presidente do Supremo determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e Mendonça se manifestem em até cinco dias e transferiu para a Presidência da Corte a condução dos casos envolvendo os dois ministros.
O conflito ganhou força depois que Mendonça decidiu, na terça-feira (1º), retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal elaborado por determinação sua. O documento trouxe mensagens e contatos envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em resposta, Moraes acusou Mendonça de ter interferido na condução das investigações, conduzido de forma irregular tratativas relacionadas a uma possível delação e direcionado apurações por supostas razões “pessoais e políticas”. O ministro também apontou a presença de seu próprio nome e do presidente do Senado no material.
Moraes sustenta ainda que a Constituição e o regimento do STF estabelecem que cabe ao colegiado da Corte avaliar eventual crime comum atribuído a magistrados. Na avaliação do ministro, o relatório da PF revelaria decisões de Mendonça tomadas com “flagrante perda de imparcialidade”. O episódio, portanto, amplia a disputa institucional entre Supremo e Senado e coloca Alcolumbre em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que enfrenta a pressão de setores favoráveis ao impeachment de Moraes, precisa administrar uma crise dentro da própria Corte sem permitir que o Senado se transforme no principal palco de uma escalada entre os Poderes.
Portas fechadas – O presidente Lula (PT) teve conversa reservada com o presidente do STF, Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ontem, no Palácio do Planalto. O encontro aconteceu no gabinete de Lula, no terceiro andar do Planalto, e contou ainda com a presença dos ministros Jorge Messias (AGU) e Wellington César Lima e Silva (Justiça). A conversa reservada, segundo apurou o portal Metrópoles, ocorreu antes da cerimônia de sanção, pelo presidente da República, de medidas relacionadas a fundos do sistema de Justiça. Na reunião, Lula ressaltou os pronunciamentos sobre a crise feitos por ele e por Fachin no dia anterior e pediu que o presidente do STF e Gonet deem resposta “equilibrada” para a crise.
Cármen presta solidariedade – A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), procurou o ministro Alexandre de Moraes para prestar solidariedade. A coluna da jornalista Andreza Matais apurou que Cármen disse que não concordava com a exposição a que o colega vem sendo submetido após o vazamento e a posterior retirada do sigilo do relatório da Polícia Federal que expôs suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. O diálogo, contudo, não significa que a ministra votará a favor do colega quando o caso for a julgamento no plenário. A ministra tem indicado que não antecipa voto e que só se posiciona depois de conhecer o teor dos processos.
PGR apura possível interferência em relatório da PF – A Procuradoria-Geral da República informou, ontem, ao presidente do STF, Edson Fachin, que abriu um procedimento para apurar se houve ordem ou interferência externa na elaboração do relatório da Polícia Federal produzido a pedido de André Mendonça e que revelou mensagens entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que a PGR não foi comunicada previamente sobre a determinação e sustenta que isso impediu o órgão de exercer o controle externo da atividade policial. A PF será chamada a esclarecer as circunstâncias em que o documento foi produzido e se houve alguma interferência capaz de comprometer seu conteúdo.
PF vai investigar origem de foto do Bastidor.PE – A Justiça Eleitoral determinou, ontem, que a Polícia Federal aprofunde a investigação sobre a fotografia de um cartaz com ataques a Raquel Lyra (PSD) publicada inicialmente pelo Bastidor.PE, após pedido da coligação de João Campos (PSB). A PF terá de identificar quem produziu e enviou a imagem ao portal, quando e onde ela foi feita e, principalmente, se o cartaz realmente existiu e chegou a ser afixado em espaço público ou se a fotografia resultou de montagem, manipulação ou fabricação digital. O Bastidor.PE terá 48 horas para entregar o arquivo original, metadados e registros relacionados à edição e publicação do material.
Saúde domina embate no guia – A saúde concentrou, ontem, o confronto entre João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) no horário eleitoral da disputa pelo Governo de Pernambuco. João manteve o programa em que contrapõe ações realizadas no Recife à situação da rede estadual, cita superlotação, problemas estruturais e redução de investimentos e promete construir quatro hospitais regionais. Raquel respondeu em novo guia, no qual defendeu as ações de sua gestão, destacou reformas em unidades estaduais e rebateu as críticas do adversário sobre a venda de aeronaves e helicópteros utilizados pelo Estado, afirmando que 80 vidas foram salvas pelo serviço desde dezembro de 2025.
CURTAS
LOMBADAS – O Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE) desligou temporariamente os equipamentos de fiscalização eletrônica na rodovia PE-060 e em um trecho da BR-232 para o feriado da Independência do Brasil. A medida entrou em vigor às 12h de ontem e segue até as 5h da próxima terça-feira (8).
LOMBADAS II – Na PE-060, principal rota de acesso às praias do litoral Sul, todas as lombadas eletrônicas serão desligadas nos municípios do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Sirinhaém, Rio Formoso, Barreiros e São José da Coroa Grande. Já na BR-232, apenas o equipamento localizado no km 10,7, no bairro do Curado, em Jaboatão dos Guararapes, no sentido Recife, será desativado. Os demais radares e lombadas continuam operando normalmente.
INSS – Neste final de semana, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Ministério da Previdência Social (MPS) oferecerão 3.175 vagas de atendimento em Agências da Previdência Social distribuídas pelo país. Os atendimentos serão destinados à realização de perícias médicas e avaliações sociais. As vagas serão oferecidas em 14 estados, contemplando todas as regiões do Brasil. Para ser atendido, o cidadão precisa agendar pelo site ou aplicativo Meu INSS ou por ligação para a Central 135.
Perguntar não ofende: Alcolumbre conseguirá manter os dois pedidos de impeachment na gaveta?
A candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) participou, nesta sexta-feira (4), de um arrastão da Frente Popular pelas ruas de Cupira, no Agreste de Pernambuco. A mobilização contou com o prefeito Duda Lira (União), que declarou apoio à pedetista no mês passado, além dos candidatos João Campos (PSB) ao Governo do Estado, Carlos Costa (Republicanos) a vice-governador e Humberto Costa (PT) à reeleição para o Senado.
Durante o ato, Marília destacou a parceria com o município e a atuação que pretende ter no Senado. “Receber esse carinho nas ruas, ao lado de Duda, de todo o seu grupo e dos nossos companheiros da Frente Popular, aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. O Agreste pode ter certeza de que terá em mim uma senadora presente, parceira dos municípios e pronta para defender os interesses de Pernambuco em Brasília”, afirmou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou, nesta sexta-feira, de materiais de campanha o associando à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará. O postulante do petista no pleito é Elmano de Freitas, que tenta reeleição.
— Eu já vi material do Ciro comigo, mas o que eu tenho que dizer para o povo é que o Ciro não está comigo. O Ciro está com outra pessoa. Quem está comigo é o Elmano — disse Lula, em referência à aliança do tucano com siglas de oposição, inclusive o PL. As informações são do jornal O GLOBO.
A declaração ocorreu durante entrevista à rádio Progresso, de Juazeiro (CE). Como mostrou o GLOBO há uma semana, aliados de Ciro adotaram como estratégia a defesa de um voto casado no tucano e em Lula.
— Se uma pessoa quiser votar no Ciro, vote por conta do Ciro. Mas não pode votar enganada, achando que eu tenho ligação com o Ciro. O Ciro fez uma opção. Ele foi para o outro lado. Se ele foi para o outro lado, a gente não tem o que brincar com isso — completou Lula.
A campanha de Ciro atua para evitar a nacionalização da disputa. Há tentativa de atrair eleitores de diferentes campos ideológicos, tratando a segurança pública como principal tema do pleito deste ano.
Rompimento político
Nos últimos meses, Lula fez críticas pontuais a Ciro. Em entrevista aos podcasts “As Cunhãs” e “Não Inviabilize”, no meio de agosto, o petista afirmou que o tucano é muito “personalista” e “acha que o mundo gira em torno dele”.
— Eu quando falo do Ciro falo de uma pessoa que gostei muito, não falo de uma pessoa que eu não gosto. O problema é que o Ciro acha que o mundo gira em torno dele. Quantos partidos ele já entrou? A única coisa que presta é o que ele acha que presta. Ele não se enquadra em um coletivo — disse Lula, que completou: — Se ele fosse escrever um livro, o título seria “eu me amo”.
Lula disse, posteriormente, que quer guardar “as lembranças das coisas boas” que fizeram juntos:
— Não vou ao Ceará falar mal dele. Ele tomou o destino dele. Ele achou que ia ser a salva pátria da esquerda e não foi, do centro e não foi. Ele disputou comigo, ele poderia ter ganho de mim. Ele é tão sabido. Ele tem que saber que a grande coisa de alguém que quer ser presidente é ter um pouco de humildade. E ele não tem. Esse é o dado concreto.
Lula e Ciro tiveram uma relação próxima, principalmente no primeiro mandato do petista, quando o hoje tucano foi ministro da Integração Nacional.
Com o correr dos anos, mantiveram o contato, apesar de alguns ataques pontuais. O clima entre eles, porém, se deteriorou ao longo da eleição de 2018. Lula era o candidato do PT, chegou a ser inscrito na Justiça Eleitoral, mas foi impedido de concorrer por causa de condenação na Lava-Jato — posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Os petistas ofereceram a Ciro a possibilidade ser vice de Lula para depois que ocorresse o indeferimento — desta forma, o tucano assumiria a cabeça da chapa. Ciro classificou a oferta, entre outros termos, de “aberração” e “papelão” e disse que não aceitaria ser um “vice de araque”.
O tucano se candidatou ao Planalto pelo PDT na ocasião e terminou em terceiro lugar, com 12,46% dos votos válidos no primeiro turno.
O prefeito de Flores, Gilberto Ribeiro (PSD), e o ex-prefeito Marconi Santana (PSD), candidato a deputado estadual, declararam apoio à reeleição do senador Humberto Costa (PT). O anúncio foi feito nesta sexta-feira (4). Marconi administrou o município do Sertão do Pajeú por quatro mandatos.
Humberto afirmou que as adesões reforçam sua campanha na região. “Receber, no mesmo dia, o apoio do prefeito Gilberto e do ex-prefeito Marconi tem um significado muito especial para nós. São duas lideranças que conhecem Flores profundamente e que representam a história recente do município”, disse o senador.
Em depoimento à Polícia Federal (PF), Daniel Vorcaro negou ter realizado o pagamento de vantagens indevidas a Paulo Sérgio Neves de Sousa e Belline Santana, servidores do Banco Central (BC).
O ex-dono do Banco Baster admite, no entanto, ter feito um “agrado” a Paulo Sérgio ao prestar apoio à família dele uma viagem para a Disney, nos Estados Unidos. As informações são do g1.
O depoimento foi revelado pelo Metrópoles. A TV Globo também teve acesso ao material.
A oitiva ocorreu na sexta-feira (28) no âmbito do inquérito que investiga a relação do ex-banqueiro com dois servidores suspeitos de receber vantagens indevidas e de atuar em favor do Banco Master.
“Em uma determinada reunião, o Sr. Paulo Sérgio menciona que ele já iria fazer, já tinha programado uma viagem com a sua família para a Disney, e aí eu disse, olha, eu tenho um serviço lá de concierge que é interessante, vou pedir para te procurar. Então, obviamente, ali foi um agrado dentro de uma estrutura que eu já possuía ali para dezenas de pessoas. Ele ressarciu? Ele pagou por esse serviço ou não? Eu não me recordo, delegado, acredito que não, porque eu ofereci como um agrado, até porque não era um valor específico, se eu não me engano, para utilização. Era um serviço que eu tinha que oferecer para muitas pessoas mesmo, amigos, amigos de amigos”, disse Vorcaro no depoimento. Paulo Sérgio Neves de Sousa era ex-diretor de fiscalização do BC. Ele e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária, foram afastados pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) em março.
Ambos são investigados por suspeita de atuação inadequada na supervisão do Master antes da liquidação do banco, ocorrida após o agravamento da crise da institução, no fim de 2025.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, ele já havia sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Atuação servidores
As investigações apontam que os servidores davam orientações estratégicas sobre processos administrativos e regulatórios do BC que envolviam o Master.
Além disso, as apurações da PF indicam que eles revisavam e sugeriam alterações em documentos que o Master mandava ao BC – e vazavam informações para que Vorcaro se antecipasse a eventuais medidas adotadas pela autoridade monetária.
O que disseram as defesas
Em nota divulgada após o depoimento, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que esta foi a primeira oportunidade dada ao ex-banqueiro para se manifestar diretamente sobre parte dos fatos apurados e responder aos questionamentos da investigação.
Segundo os advogados, Vorcaro respondeu “de forma clara e consistente” às perguntas formuladas e sustentou que não houve ato de corrupção envolvendo os servidores citados no inquérito.
A defesa de Paulo Sérgio disse que todos os custos da viagem de Paulo e sua família à Orlando, Flórida, foram pagas pelo servidor e “devidamente comprovadas”.
Ainda de acordo com os advogados, Paulo Sérgio “tem demonstrado sua atuação escorreita na regulação prudencial e supervisão” junto ao BC. E que não há “quaisquer elementos de prova que permitam a ilação de que Paulo Sérgio e sua equipe tenham de qualquer modo beneficiado Daniel Vorcaro”.
O candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP/UP) participou, nesta sexta-feira (4), de uma caminhada com mulheres em Caruaru, no Agreste, ao lado da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e do candidato ao Senado Túlio Gadêlha (PSD). Com concentração no Pátio da Estação Ferroviária, o ato reuniu apoiadoras, lideranças e militantes e percorreu ruas do Centro da cidade.
Durante a mobilização, Eduardo da Fonte defendeu políticas públicas voltadas à proteção, à autonomia e ao enfrentamento da violência contra as mulheres. “Precisamos avançar na defesa de políticas públicas que garantam mais proteção, oportunidades e autonomia para as mulheres, além de fortalecer o combate à violência doméstica”, afirmou o candidato.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez circular entre os colegas no Congresso Nacional que se a pressão para dar início ao processo de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se tornar insustentável, iria também autorizar o processo contra outro ministro da corte: André Mendonça.
Essa proposta de impeachment cruzado teve efeito de baixar a temperatura no Senado ao longo dos últimos dias. As informações são do g1.
O argumento de Alcolumbre se tornou mais palpável a partir da decisão, na quinta-feira (3) à noite, de Alexandre De Moraes, de pedir ao presidente do STF, a Edson Fachin, a investigação de Mendonça.
Na decisão, no bojo no polêmico inquérito das Fake News, Moraes cita indícios de crime de responsabilidade de Mendonça e até de que Alcolumbre havia sido investigado.
Estes pontos foram lidos como uma senha para permitir a atuação de Alcolumbre no Senado.
No entanto, nesta sexta-feira (4), Fachin retirou do âmbito do inquérito das fake news o pedido de Moraes. Na decisão, o presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o ministro André Mendonça se manifestem, no prazo de até cinco dias, sobre o pedido de Moraes, e transferiu os casos para a Presidência da Corte.
Com isso, os dois inquéritos que envolvem Moraes e Mendonça passam a ser conduzidos pelo presidente Fachin.
Na terça-feira (1), o ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
No pedido de Moraes, o ministro afirmou que Mendonça teria usurpado as autoridades policiais da direção das investigações, conduzido irregularmente tratativas de eventual delação e direcionado, por “motivos pessoais e políticos”, a investigação de determinados alvos, e cita seu próprio nome, e o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Moraes citou a Constituição Federal e o regimento do STF, que afirmam ser de competência de órgão colegiado analisar a possível prática de crime comum por parte de magistrados.
Segundo Moraes, o relatório da PF indica medidas tomadas por Mendonça “com flagrante perda de imparcialidade”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, conversaram sobre a crise que atinge a Corte em uma reunião restrita antes do evento de sanção de projetos que cria fundos para a Justiça Federal, Ministério Público e Defensoria Pública da União (DPU) nesta sexta-feira, no Palácio do Planalto.
Também participaram do encontro no gabinete de Lula, que durou cerca de meia hora, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, que chegou ao final. As informações são do jornal O GLOBO.
Dos presentes, Gonet e Rodrigues são citados na leva de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro reveladas nesta semana.
De acordo com presentes, Lula e Fachin trataram da crise no Supremo, mas não se aprofundaram na discussão de caminhos para contornar a situação. Ambos anteciparam temas que depois abordariam no discurso público durante o evento. O presidente do Supremo falou, por exemplo, que não pode haver precipitação e que as coisas vão acontecer dentro dos prazos jurídicos. Lula abordou a necessidade de dar respostas à sociedade.
Ainda segundo os participantes, os nomes dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça —os dois principais atores dessa crise no Supremo—foram citados apenas de forma lateral na conversa.
Na quinta-feira, Moraes enviou a Fachin relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontam supostas irregularidades cometidas por Mendonça na condução das investigações sobre o caso Master e as fraudes no INSS. Na decisão, Moraes afirma haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade pelo colega.
O evento desta sexta também marcou o encontro entre Messias e Andrei Rodrigues. O advogado-geral da União foi citado no relatório da PF usado por Moraes contra Mendonça. Na avaliação feita pelo AGU a pessoas próximas, a Polícia Federal se vingou por ele não ter atendido o pedido da corporação apresentado em julho para contestar iniciativas de Mendonça no inquérito que investiga fraudes no INSS.
Nas conversas internas, Messias aponta a existência de uma aliança que envolve Moraes, o ministro Flávio Dino e Rodrigues para desgastá-lo. Mesmo com esse desconforto, ao fim do evento no Planalto, chamou a atenção o fato de Messias ter convidado Rodrigues para se juntar à foto que estava sendo tirada com os participantes da cerimônia.
Nesse feriadão em São Paulo, um programa que não estava nos meus planos acabou entrando no roteiro: a Bienal Internacional do Livro, que começou nesta sexta-feira (4). Passei boa parte do dia por lá com meus filhos, circulando pelos estandes e, claro, comprando alguns livros. Foi sensacional compartilhar esse momento com eles e acompanhar de perto a movimentação do evento.
A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, no Distrito Anhembi, com centenas de expositores e uma programação que reúne escritores brasileiros e estrangeiros. Entre os nomes confirmados estão Conceição Evaristo, Raphael Montes, Paula Pimenta, Carina Rissi e os internacionais Jay Kristoff, Ana Huang e Elena Armas. A edição também estreia um espaço exclusivo para quadrinhos, com artistas como Laerte, Rafael Coutinho e Fábio Yabu, além de promover debates, encontros com autores e sessões de autógrafos. A expectativa da organização é de receber cerca de 700 mil visitantes ao longo dos dias de evento.
A Justiça Eleitoral determinou que a Polícia Federal aprofunde a investigação sobre a origem da fotografia de um panfleto com ataques à governadora Raquel Lyra, publicada inicialmente pelo portal Bastidor.PE. Em decisão proferida nesta sexta-feira (4), a juíza eleitoral Anamaria de Farias Borba Lima Silva acolheu integralmente parecer favorável do Ministério Público Eleitoral e deferiu os pedidos apresentados pela Coligação Frente Popular de Pernambuco.
A decisão abre uma frente de investigação para esclarecer não apenas quem produziu e divulgou a fotografia, mas uma questão central para o episódio: se o cartaz chegou efetivamente a existir e ser afixado em espaço público ou se a imagem publicada nas redes foi resultado de edição, montagem, manipulação ou fabricação digital. A PF deverá identificar o autor da fotografia, quando e onde ela foi produzida, quem encaminhou o arquivo ao Bastidor.PE e quais intervenções foram feitas antes da publicação. Também foi determinado exame pericial do arquivo original.
A Frente Popular levou à Justiça a informação de que, aparentemente, existiria uma única fotografia originária do material, publicada inicialmente pelo perfil @bastidor.pe no Instagram. A petição também apontou vínculos profissionais entre integrantes do portal e a equipe de comunicação da governadora, destacando a atuação de Léo Malafaia como videomaker da campanha de Raquel Lyra.
Outro ponto considerado pela Justiça foram as alterações que, segundo a petição, ocorreram no site Bastidor.PE depois que essas relações vieram a público. De acordo com a decisão, foram relatadas a retirada do nome de Léo Malafaia da relação de autores e a exclusão de matérias anteriormente atribuídas a ele. Para a magistrada, as modificações descritas caracterizam “risco concreto de perecimento ou alteração de elementos probatórios armazenados em ambiente digital”.
Bastidor.PE terá 48 horas para entregar arquivo original
A ordem judicial determina que o Bastidor.PE e seus administradores entreguem à Polícia Federal, em até 48 horas, o arquivo digital original da fotografia publicada em 30 de agosto, em formato nativo e sem conversão, compressão ou qualquer alteração adicional. O portal também terá de fornecer metadados, dados EXIF eventualmente existentes, data e horário de criação, equipamento utilizado, coordenadas geográficas, histórico de modificações e software empregado.
A Justiça também quer saber quem produziu, enviou, recebeu, selecionou, editou e publicou a imagem, além do meio pelo qual o arquivo chegou ao portal, incluindo conta, e-mail, telefone, perfil ou usuário remetente. A determinação alcança ainda arquivos intermediários ou derivados utilizados durante a edição e publicação.
Além da entrega do material, o portal, seus administradores e o provedor de hospedagem deverão preservar registros de acesso, endereços IP, históricos de edição, versões anteriores de páginas alteradas ou excluídas, backups e dados dos usuários responsáveis por inserções, edições ou exclusões. A ordem menciona especificamente os registros relacionados à inclusão ou retirada do nome de Léo Malafaia da lista de autores e conteúdos modificados ou excluídos a partir de 2 de setembro.
Justiça também determina preservação de dados do Instagram
A decisão alcança ainda a Meta, responsável pelo Instagram. A empresa deverá preservar o arquivo original enviado ao perfil @bastidor.pe, data e horário do carregamento, endereços IP, sessões relacionadas à publicação, histórico de edições e exclusões, identificação técnica da conta responsável e outros registros relacionados à postagem.
A juíza ressaltou que as medidas têm caráter de preservação e não autorizam, neste momento, acesso indiscriminado a comunicações privadas. Caso a Polícia Federal considere necessária a apreensão e perícia de celulares ou computadores utilizados na produção, recepção, edição ou publicação da fotografia, deverá apresentar novo pedido à Justiça, individualizando pessoas, endereços, equipamentos e dados pretendidos.
Ao fundamentar a decisão, a magistrada afirmou que a documentação apresentada contém “elementos concretos que justificam a pronta intervenção judicial para preservação das fontes de prova”. Para a Justiça, o fato de o Bastidor.PE ter sido apontado como primeiro veículo a divulgar a fotografia torna necessária a obtenção do arquivo original e a reconstrução da cadeia de recebimento, edição e publicação.
As determinações deverão ser cumpridas com urgência. Depois das diligências iniciais, a Polícia Federal terá de encaminhar relatório ao Juízo informando as providências adotadas e se há necessidade de novas medidas investigativas.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro avalia a possibilidade de confessar seus crimes caso não prospere a terceira tentativa de colaboração premiada.
A delação segue como prioridade da defesa porque garante acertar previamente quais serão as obrigações e os benefícios do investigado. As informações são da CNN.
Entretanto, após duas tentativas frustradas de acordo, há certo desânimo por parte do ex-dono do Banco Master e de seus advogados, segundo relatos feitos à CNN.
Eles avaliam que as cúpulas da Polícia Federal e da PGR (Procuradoria Geral da República) não demonstram disposição de fechar acordo com Vorcaro.
Nesse cenário, ele cogita a possibilidade de confessar seus crimes, no curso das investigações ou do processo penal, ao relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro André Mendonça.
Dessa forma, ele seria julgado, condenado, mas obteria o benefício do atenuante da pena.
Mesmo sendo menos favorável, Vorcaro avalia que a essa altura não tem “mais nada a perder”, conforme disse a interlocutores.
O ex-banqueiro está preso há mais de seis meses. O pai dele, Henrique Vorcaro, também está preso preventivamente há quase quatro meses.
Conforme noticiou o analista Elijonas Maia, o ex-dono do Master disse que tem “passado um terror” desde que o banco foi liquidado, em novembro do ano passado, mesma época em que foi preso preventivamente pela primeira vez.
“Eu tenho passado um terror, passado por algo desumano, mas ainda tenho esperança e confiança que a verdade ainda vai aparecer”, disse à PF (Polícia Federal) na última sexta-feira (28).
Se o leitor não conseguiu acompanhar o tributo do Sextou à cantora e compositora Rita Lee, não se preocupe. Clique aqui e confira! O programa, ancorado por este blogueiro e exibido pela Rede Nordeste de Rádio, contou com a participação da jornalista fluminense Chris Fuscaldo.