Do jornal O Globo
Oito em cada dez eleitores afirmam que a crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) não altera a sua intenção de voto para presidente. É o que aponta uma pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12). Entrevistadores do instituto saíram às ruas entre terça-feira (8) e quinta (10) para captar a percepção do eleitorado sobre diferentes temas — incluindo a parte até então divulgada sobre o embate público entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça pelo Caso Master.
Segundo a sondagem, as mensagens que implicam Moraes no caso Master não mudaram a preferência eleitoral de 85%, assim como o pedido de investigação contra Mendonça não afetou 86%.
Leia maisNeste sábado, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, vetou o agendamento de uma sessão conjunta para analisar, na próxima terça-feira (15), as condutas dos dois colegas. Fachin manteve a data para análise do pedido de investigação do elo de Moraes com o banqueiro preso Daniel Vorcaro no dia 15 e marcou para 23 de setembro a deliberação sobre a suposta parcialidade contra Mendonça. A decisão representou um revés para Moraes, que pediram a análise em conjunto dos casos.
Na véspera, Mendonça tornou públicos todos os processos do Supremo relacionados às fraudes do Banco Master. O conflito estourou na terça-feira, quando o ministro revelou relatório sigiloso que mencionava mensagens entre Vorcaro e Moraes. O ato expôs detalhes sobre o contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da mulher do magistrado, Viviane Barci de Moraes, e pedidos do ex-banqueiro para que o interlocutor ajudasse a barrar ações contra o banco e o orientasse sobre a convivência de sair do país.
Em resposta, Moraes questionou a legalidade dos atos de Mendonça, pediu que ele fosse investigado no inquérito das fake news, então sob sua relatoria, e acusou o colega de proteger de forma “ostensiva” um determinado “grupo político” ao manter o sigilo de parte das investigações do Master. Fachin interveio e, entre o início da madrugada de sexta-feira ao início da noite, 54 procedimentos vieram à tona.
O conflito no STF foi para o centro da disputa eleitoral, com Flávio Bolsonaro (PL) vinculando Moraes ao adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dada a atuação do magistrado no processo da trama golpista, que levou à prisão de seu pai, Jair Bolsonaro (PL). Lula rebateu o rival e apontou a motivação política dos atos de Mendonça, que teria divulgado apenas parte dos inquéritos relacionados à instituição financeira — deixado de lado, por exemplo, as apurações sobre o financiamento de Vorcaro ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente.
O levantamento apontou que, para 7% dos eleitores, as mensagens entre Moraes e Vorcaro não mudaram a intenção de voto, mas deixaram em dúvida o voto para presidente. Outros 4% indicaram que alteraram a escolha para presidente a partir disso, e 4% não responderam.
Na sondagem sobre o efeito do pedido de investigação de Mendonça, 2% apontaram ter mudado de ideia sobre o voto. Outros 7% afirmaram não ter mudado, mas ficado em dúvida, e 4% não souberam.
De acordo com o instituto, 66% disseram saber do caso Moraes, e 26% deles se disseram bem informados. Os eleitores de Flávio foram os mais que relataram saber do caso: 75%, ante 61% entre aqueles que declaram voto em Lula no primeiro turno.
As suspeitas contra Mendonça são menos conhecidas pelo eleitorado: 45% afirmaram ter conhecimento, com 22% desses se classificando como bem informados. Os bolsonaristas (60%) também indicaram saber, em maior proporção, do caso Mendonça, em relação aos lulistas (37%).
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades de terça-feira (8) a quinta (10). A margem de erro é de dois pontos para mais ou menos. Encomendado pela Folha e pela TV Globo, o levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-01833/2026.
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