O plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu aprovar, nesta segunda-feira (8), o projeto de resolução que recomenda a revogação da prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil). A decisão foi tomada após votação aberta aos 70 parlamentares, atendendo ao rito constitucional para casos de prisão de deputados estaduais.
Segundo relatório da Polícia Federal, Bacellar é suspeito de vazar dados sobre a operação dos agentes contra o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.
Com o resultado do plenário, a Alerj referenda a posição da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que havia aprovado o texto por 4 x 3, horas antes. Para derrubar a prisão, eram necessários pelo menos 36 votos — número alcançado no plenário.
A votação terminou com 42 votos favoráveis, 21 contrários, 2 abstenções, 3 ausências e 1 deputado licenciado.
O projeto agora será publicado no Diário Oficial e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela decisão final sobre a soltura. Bacellar foi preso na última semana por ordem do ministro Alexandre de Moraes.
Discussão
A sessão no plenário da Alerj foi interrompida por mais de 20 minutos devido a um bate-boca entre deputados. A tensão começou quando a deputada Dani Monteiro (PSol) iniciou seu discurso antes da abertura do painel de votação, afirmando que aquele era “um dia triste para o Parlamento”.
A fala gerou reação imediata de outros parlamentares, que alegaram existir um acordo prévio para que apenas três deputados de direita e três de esquerda tivessem direito a discursos de até 10 minutos antes da votação. O PSol acusou parlamentares da chamada “Tropa do Bacellar” de tentar cercear os discursos.
O deputado Rafael Picciani se absteve da votação, alegando conflito de interesse, já que o STF investiga a chamada Carta Picciani, relacionada à sua nomeação para a Secretaria de Esportes e Lazer do governo do estado, que possibilitou a assunção da cadeira de TH Joias na Alerj.
A prisão
Bacellar foi preso preventivamente na última semana pela Polícia Federal (PF), após decisão de Alexandre de Moraes.
Ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas para beneficiar o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, também preso recentemente.
Investigações da Justiça carioca apontam que TH colaborava com o crime organizado no Rio, facilitando a compra e a venda de drogas, além de fuzis e armas antidrones para criminosos do Complexo do Alemão.
Dois protestos foram marcados para este domingo (7) na avenida Paulista: um contra os recentes casos de feminicídio no Brasil e outro em prol da anistia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Perto das 15h, o primeiro movimento fechou ambos os lados da avenida, em frente ao Masp e ao longo de dois quarteirões próximos. Já a reunião da direita bloqueou apenas um dos lados da avenida.
Grupos começaram a se reunir por volta do meio-dia. Eles ficavam a 650 metros de distância. O entorno do Masp foi escolhido pelo movimento nacional Levante Mulheres Vivas para a concentração do protesto em defesa e proteção das mulheres. Já o prédio da TV Gazeta é a referência para a manifestação que pede a liberdade do ex-presidente Bolsonaro. Próximo às 14h, a concentração do movimento bloqueou a Avenida Paulista para iniciar o protesto.
Personalidades do movimento Levante Mulheres Vivas, como a atriz Livia La Gatto e a atriz e ativista Rachel Ripani, leram bases do movimento contra feminicídios. Pedem-se, entre outras coisas, a criminalização da misoginia e previsão no orçamento público de políticas que atuem contra a violência de gênero.
O movimento nacional Levante Mulheres Vivas organizou manifestações para hoje em todas regiões do Brasil contra os recentes casos de feminicídio. “A gente veio cobrar da nossa cidade, governo e Congresso”, disse Rachel. “Todos nós e vocês que estão no governo do estado, municipal e federal tem o dever de nos proteger. A gente não merece morrer por ser mulher, qualquer mulher, progressista ou conservadora.”
Protesto contra feminicídios reúne mulheres na Avenida Paulista — Foto: Tuane Fernandes/Reuters
Protesto contra feminicídio tinha tendas e distribuição de adesivos. Movimentos sociais pela educação e das mulheres negras também participaram. Levantamento do Monitor do Debate Político do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, contabilizou 9,2 mil participantes na manifestação.
Josy Oliveira, 38, do povo tupinambá, participou do protesto com a filha de 4 anos. “É pelo legado, que ela cresça uma mulher independente, que saiba do seu empoderamento, confiança e sua autoestima. Que ela entenda que o coletivo é importante, que ela vai poder contar com outras mulheres”, disse ela ao UOL.
O ato ocorre após uma semana de casos de feminicídios marcarem o noticiário pelo Brasil. “Queremos mostrar o quanto violentam os nossos corpos todos os dias, para que algo seja feito, e para nós mesmos pensarmos qual educação estamos dando aos nossos filhos homens”, afirmou Josy.
Grupo pró-Bolsonaro pede anistia
Manifestantes pró-Bolsonaro se reuniram na escadaria do prédio da TV Gazeta. Vestidos de verde e amarelo, com camisetas e bandeiras do Brasil, algumas mescladas com a dos EUA, eles pedem a liberdade do ex-presidente e entoam gritos como “sem anistia, não há democracia”.
Ato foi convocado por padre Kelmon e pelo vice-prefeito coronel Mello Araújo. Segundo contagem do Monitor do Debate Político do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, cerca de 1,4 mil pessoas participaram. A manifestação foi encerrada com uma caminhada até a Praça da Sé.
Protesto na av. Paulista, convocado por padre Kelmon e pelo vice-prefeito de São Paulo defende anistia a Jair Bolsonaro — Imagem: Ludimila Honorato/UOL
“O que aconteceu no dia 8, a intenção não era invadir nada, ali foi um grupo de baderneiros que entrou no meio e levou pessoas inocentes”, alegou um protestante, que não quis se identificar, e afirmou ter acampado em quartéis em São Paulo, na época.
“A intenção nunca foi tomar o poder de Lula, não no meio dos patriotas, mas ter a contagem, que mostrasse o código-fonte [das urnas eletrônicas] pra população aceitar a derrota”, afirmou.
João Zambelli, filho de Carla Zambelli, compareceu ao ato. “Vamos ao Congresso, vamos pressionar, isso pode parecer pequeno, mas somos todos filhos de Deus, temos que acreditar nele todos os dias”, disse ele.
“Agora Natal, Ano Novo, meu aniversário chegando, sem passar com minha mãe. Minha mãe presa, mais de 120 dias na Itália, cinco meses sem ver minha mãe, é muita tristeza, é muito ruim isso, mas a gente não pode desistir em momento nenhum”, afirmou.
Feminicídio no Brasil
No Brasil, quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia. Segundo o Mapa da Segurança Pública 2025, o país registrou no ano passado o maior número de casos de feminicídio da série histórica, desde 2020. Os casos de estupro também chegaram ao maior número em cinco anos.
Na capital paulista, 53 feminicídios foram registrados em 2025, o maior da série histórica. Em 2024, foram 51 casos de janeiro a dezembro, até então o maior número já registrado.
Casos recentes
• Mulher foi arrastada por carro dirigido por ex-namorado. Na manhã de 29 de novembro, Douglas Alves da Silva, 26, atropelou Tainara Souza Santos, 31, e a arrastou por cerca de um quilômetro na zona norte de São Paulo. Ela teve as duas pernas amputadas. Segundo relato de testemunhas à polícia, o atropelamento foi intencional e ele teria puxado o freio de mão do carro para aumentar o atrito e machucar ainda mais a vítima.
• Mulher e quatro filhos morrem em incêndio no Recife. Também no dia 29, a Polícia Civil de Pernambuco registrou o crime tipificado como incêndio, homicídio e feminicídio. O suspeito, pai das crianças, foi preso em flagrante no mesmo dia e teve a prisão preventiva decretada.
• Mulher é baleada com duas armas. Em 1º de dezembro, uma mulher de 38 anos foi baleada no local de trabalho pelo ex-companheiro. Imagens de câmera mostram o homem vestido com moletom preto e capuz conversando com a vítima. Em dado momento, ele aponta duas armas contra ela e dispara. A mulher foi socorrida e levada ao Hospital das Clínicas.
• Mulher é morta dentro de regimento do Exército. A cabo Maria de Lourdes Freire Matos, 25, morreu em um incêndio criminoso no 1.º Regimento de Cavalaria de Guardas (RCGd) do Distrito Federal. O soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou o assassinato e está preso no Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. Ele responderá na Justiça pelos crimes de feminicídio, furto de arma de fogo, incêndio e fraude processual.
Em caso de violência, denuncie
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.
Uma multidão de torcedores do Flamengo tomou as ruas do centro do Rio de Janeiro na manhã deste domingo (30) para celebrar a conquista da Copa Libertadores 2025. O Rubro-Negro venceu o Palmeiras em Lima, no Peru, por 1 a 0, garantindo seu quarto título na competição continental.
O avião com a delegação pousou Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, por volta das 10h da manhã deste sábado (30). De lá, os jogadores seguiram para o trio elétrico. As informações são da CNN Brasil.
O desfile vai seguir um percurso de 850 metros no centro da cidade. As Rua Primeiro de Março e a Avenida Presidente Antônio Carlos foram interditadas e, antes mesmo da chegada dos jogadores, se transformaram em um mar vermelho e preto, com torcedores ocupando todos os espaços possíveis para recepcionar os jogadores campeões.
Famílias inteiras, incluindo crianças, se posicionaram estrategicamente, alguns até mesmo em cima de bancas de jornal e árvores, aguardando a chegada do elenco. A organização espera 500 mil pessoas ao todo na comemoração.
O empresário Thiago Brennand, de 46 anos, foi transferido da Penitenciária II de Tremembé, na região do Vale do Paraíba, em São Paulo, para a Penitenciária I de Guarulhos, ontem, após pedido do próprio interessado e da defesa. A informação foi confirmada pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária).
Condenado a mais de 20 anos de prisão, Brennand responde a nove processos no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) – a maioria pelos crimes de estupro e violência contra mulher. Após a decretação da prisão em 2022, o empresário fugiu para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Somente em abril de 2023 Thiago foi extraditado e preso no Brasil, inicialmente no Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros. Em junho de 2024, ele foi transferido para a Penitenciária II de Tremembé, o “presídio dos famosos”, onde permaneceu até ontem. Segundo a defesa de Brennand, o pedido de transferência aconteceu para facilitar o contato do preso com a família e os advogados.
A cidade do Rio de Janeiro entrou em estágio 2 na manhã de ontem (8) devido à chuva e ventos fortes registrados em várias regiões do município. O estágio 2 é o segundo nível em uma escala de cinco e indica risco de ocorrências de alto impacto.
Segundo o Centro de Operações da Prefeitura, os núcleos de chuva já se afastaram e perderam intensidade. Os ventos chegaram a 77,7 km/h no Aeroporto Internacional Tom Jobim, por volta das 6h. Em Copacabana, uma árvore caiu e interditou uma rua próxima à Barata Ribeiro, levantando o concreto da calçada. O bairro registrou os segundos ventos mais fortes da cidade, com rajadas acima de 70 km/h. As informações são da Band News TV.
Além da queda de árvores e galhos, há bolsões d’água em diversas vias. Cinco estações do MetrôRio — entre Coelho Neto e Colégio — estão fechadas após a queda de um muro sobre a via. Equipes da concessionária trabalham no local.
Também houve registros de chuva e vento forte em Niterói, Maricá e em cidades da Baixada Fluminense, como Nilópolis, São João de Meriti e Duque de Caxias.
Menos de vinte dias após ser anunciado como novo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL) lança seu primeiro programa à frente da pasta: o Governo na Rua. A iniciativa prevê uma série de reuniões em regiões periféricas do país para ouvir demandas da população e aproximar o governo federal das comunidades.
O lançamento está marcado para este sábado (8), em São Paulo. Boulos deve inaugurar o projeto no Morro da Lua, no Campo Limpo, zona sul da capital — comunidade com a qual mantém ligação simbólica. Morador da região há anos, ele escolheu a comunidade para realizar a convenção que marcou o início de sua pré-candidatura à prefeitura de São Paulo, em 2020. As informações são do jornal O Globo.
Como mostrou O GLOBO, a escolha de Boulos para a Secretaria-Geral é vista como uma tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reaproximar os movimentos sociais a um ano das eleições municipais. O deputado do PSOL substituiu Márcio Macêdo e protagonizou a 13ª mudança no primeiro escalão desde o início do mandato.
Com a troca, Lula quer colocar à frente da pasta — responsável pela interlocução com a sociedade civil e movimentos sociais — um nome com forte capacidade de mobilização e diálogo direto com as bases. No Planalto, a avaliação é de que a presença de Boulos pode ajudar a engajar entidades populares em pautas do governo, fortalecer a comunicação com jovens e ampliar o alcance político do presidente.
Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Boulos construiu sua trajetória no ativismo social e tem forte presença nas redes. “Minha principal missão será ajudar a colocar o governo na rua, levando as realizações e ouvindo as demandas populares em todos os estados do Brasil. Minha grande escola de vida e de luta foi o movimento social brasileiro, e levarei esse aprendizado agora ao Planalto”, escreveu nas redes sociais ao ser escolhido para o cargo.
Com sua nomeação, o PSOL passa a comandar dois ministérios: além da Secretaria-Geral, o partido já está à frente da pasta dos Povos Indígenas, com Sonia Guajajara. Boulos também deve assumir papel central nas negociações sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos — promessa de campanha de Lula em 2022 que ainda não saiu do papel.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a preservação e a documentação integral de todos os elementos materiais relacionados à operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, que deixou ao menos 121 mortos na última terça-feira. Moraes determinou a preservação das de perícias e a manutenção das respectivas cadeias de custódia. A medida atendeu a uma solicitação da Defensoria Pública da União (DPU).
Moraes destacou que o procedimento está em conformidade com o que foi definido pelo Plenário do STF no julgamento do mérito da ação da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635, a ADPF das Favelas, que estabelece a necessidade de preservar vestígios de crimes e de garantir a independência técnica das perícias em casos de crimes contra a vida. O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), deve ser intimado ainda neste domingo (2) para assegurar o cumprimento da decisão. As informações são do jornal O Globo.
Moraes estará com Castro amanhã (3), no Rio de Janeiro. A previsão é que eles se encontrem no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Polícia Militar. A audiência ocorre no âmbito da ADPF das Favelas, ação que monitora a letalidade policial no estado. Na avaliação de integrantes do Supremo, a reunião deve servir para cobrar o cumprimento das diretrizes já estabelecidas pelo Supremo com relação às ações policiais no estado. A expectativa é que, na sequência, o ministro já deve avaliar quais serão os desdobramentos e as medidas que serão adotadas no caso.
Em decisão na última semana, Moraes exigiu que Castro apresente informações detalhadas sobre a operação, incluindo a justificativa formal para o grau de força empregado, o número de agentes envolvidos, os armamentos utilizados, e o total de mortos, feridos e detidos. Também foi cobrada a adoção de medidas de responsabilização por eventuais abusos, a atuação da perícia, o uso de câmeras corporais e a assistência às vítimas.
Nenhum dos 109 mortos na megaoperação contra o CV (Comando Vermelho) identificados até ontem (1º) está na lista de 68 nomes denunciados à Justiça pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). A denúncia apresentada pelo órgão foi usada como base para o planejamento da ação que deixou 121 mortos – sendo 4 policiais – e prendeu 113 pessoas na terça-feira (28).
O documento obtido pelo Poder360 reúne nomes da cúpula do CV e de diferentes níveis da estrutura criminosa. Os denunciados, no entanto, não aparecem na lista parcial de mortos. Até a tarde de sábado (1º), ainda havia 8 corpos a serem identificados. Eis a comparação das listas de mortos já identificados e dos denunciados pelo MP (clique aqui para ler).
Em nota, o MP disse que ainda analisa os resultados da operação e que não tem o balanço de quantos dos denunciados foram presos ou mortos. Apesar de a denúncia ter sido usada para basear a operação, o procurador-geral do Estado, Antônio Moreira, declarou na quarta-feira (29) que o órgão não participou da execução nem do planejamento da ação.
Segundo o governo do Rio, não há mais corpos a serem contabilizados. Dos 109 mortos já identificados, 43 tinham mandados de prisão em aberto e 78 tinham “extenso histórico criminal”. Do total, 54 eram de outros Estados: 15 do Pará, 11 da Bahia, 9 do Amazonas, 7 de Goiás, 4 do Ceará, 4 do Espírito Santo, 2 da Paraíba, 1 do Mato Grosso e 1 de São Paulo.
Procurado pelo Poder360, o Governo do Rio de Janeiro afirmou que “os bandidos que entraram em confronto com as forças de segurança não eram necessariamente os alvos dos mandados da operação, mas portavam armas de guerra, enfrentando as equipes, oferecendo resistência e colocando em risco a vida dos agentes [policiais]“.
A nota enviada diz ainda que “quem não teve cumprimento de mandado, foi preso em flagrante ou morreu durante o confronto“.
Leia a íntegra do posicionamento:
“A Operação Contenção contou com um ano de investigação e 60 dias de planejamento, envolvendo 2,5 mil policiais civis e militares, além da participação do Ministério Público. Dos 109 mortos durante a troca de tiros com agentes de segurança pública, 43 contavam com mandados de prisão pendentes e pelo menos 78 apresentavam relevante histórico criminal.
Os bandidos que entraram em confronto com as forças de segurança não eram necessariamente os alvos dos mandados da operação, mas portavam armas de guerra, enfrentando as equipes, oferecendo resistência e colocando em risco a vida dos agentes dedicados à missão da segurança pública em prol da população.
Quem não teve cumprimento de mandado, foi preso em flagrante ou morreu durante o confronto. Os quatro policiais que perderam suas vidas foram os verdadeiros heróis e únicas vítimas.“
Uma pesquisa divulgada ontem (1º) pelo instituto Genial/Quaest revelou que 64% dos moradores do Rio de Janeiro aprovaram a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na semana passada. A ação conjunta das polícias Civil e Militar terminou com 121 mortos, incluindo quatro policiais, e foi considerada a mais letal da história do estado. Segundo o levantamento, 98% da população entrevistada tomou conhecimento da operação.
O estudo, feito entre os dias 30 e 31 de outubro, ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, de diferentes regiões do estado. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. De acordo com os dados, 27% dos entrevistados desaprovaram a operação, 6% não se posicionaram e 3% não souberam ou não quiseram responder. A ampla maioria, porém, também defende a continuidade das ações: 73% acreditam que a polícia deve realizar operações semelhantes em outras comunidades. As informações são do portal g1.
A aprovação foi mais alta entre os homens, com 79% favoráveis à operação, enquanto entre as mulheres o apoio chegou a 51%. Já a desaprovação foi de 17% entre os homens e 36% entre as mulheres. A faixa etária que mais apoiou a ação foi a de 31 a 50 anos, com 68%, seguida pelos jovens de 16 a 30 anos (65%). Entre os entrevistados com mais de 51 anos, o índice de aprovação foi menor, de 58%, embora ainda majoritário.
A renda e o nível de escolaridade também influenciaram as opiniões. A maior aprovação foi observada entre pessoas com renda entre dois e cinco salários mínimos (69%) e entre quem estudou até o ensino fundamental (67%). Já entre os que possuem ensino superior incompleto ou mais, o apoio caiu para 59%, com 39% de desaprovação. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, a reprovação foi a mais alta: 36%.
Regionalmente, a Baixada Fluminense apresentou o maior índice de apoio, com 73% dos moradores aprovando a operação. Na capital, o número foi de 68%, enquanto nas cidades de Niterói, São Gonçalo e Maricá, o apoio ficou em 56%. No Sul Fluminense, na Serra e nas regiões Norte e dos Lagos, a aprovação foi de 57%. A pesquisa também destacou que a percepção positiva é mais acentuada entre moradores de áreas com maior incidência de confrontos entre polícia e facções.
O posicionamento político mostrou grande variação nas respostas. Entre os bolsonaristas, 93% aprovaram a operação, e entre os direitistas não bolsonaristas, 92%. Já entre os lulistas, apenas 35% demonstraram apoio, enquanto 59% desaprovaram. No grupo de esquerda não lulista, o apoio caiu para 27%. Por outro lado, 61% dos independentes disseram aprovar a ação. Também 58% dos entrevistados consideraram a operação um sucesso.
Movimentos sociais de várias partes do Brasil realizaram ontem (31) manifestações contra megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. A operação foi a maior e a mais letal do estado, com 121 mortos, quatro deles policiais. A ação foi duramente criticada pela letalidade, por diferentes instituições, pesquisadores e parcela da sociedade. O ato, “Chamada geral contra a morte: o Estado mata negros e pobres no Rio de Janeiro e no Brasil”, manifestou luto e solidariedade às vítimas e exigiu apuração transparente e independente das mortes e responsabilização dos envolvidos.
No Rio de Janeiro, a mobilização aconteceu no Complexo da Penha e contou com a participação do Instituto Papo Reto, Raízes em Movimento e Voz das Comunidades. Entre os manifestantes, estavam moradores da comunidade, como Liliane dos Santos, que relatou o pânico vivido no dia da ação. “No dia da operação, pra gente foi um um baque. Foi um dia desesperador pra gente, que parece que o tiro estava sendo dentro de casa”.
A dirigente sindical Raimunda de Jesus criticou o modo como os moradores foram tratados. “A forma que aconteceu aqui não acontece na zona sul, nas áreas mais ricas, que lá também tem bandidos. Então, não é da mesma forma. Então, aqui, nós que moramos na periferia, somos discriminados. O Estado não pode nos ver como inimigos. O Estado tem que tratar e cuidar do seu povo, da sua população”.
Já Tainã de Medeiros, do Instituto Papo Reto, destacou que essa não foi a primeira operação que abalou a comunidade local. “Isso já aconteceu antes, isso já aconteceu, teve a chacina do PAN, teve a de 2010, teve uma ocupação aqui também com os militares também que teve muitas mortes. Recentemente tinha tido uma outra chacina aqui com 21 pessoas assassinadas. Toda essa construção de narrativa de que tem que entrar para matar bandido não está fazendo sentido pra gente”.
Os atos também tiveram como objetivo fortalecer a mobilização comunitária para a garantia de direitos nas comunidades.