Largada
Para quem não acompanha de perto a rotina dos partidos, vale entender o que está em jogo: a convenção é o momento em que uma articulação de bastidores que pode levar meses se transforma em decisão oficial. “É quando se confirma oficialmente quem serão os candidatos”, explica a cientista política Priscila Lapa. Até o momento, os partidos só podem tratar seus postulantes como pré-candidatos. Com a homologação das convenções, passam a existir oficialmente as candidaturas, permitindo, entre outras medidas, a abertura de contas específicas e o recebimento de recursos do fundo eleitoral. O cientista político Alex Ribeiro reforça a leitura: a convenção “marca a passagem das articulações políticas para as definições oficiais”.
Cenários
Embora liderem as principais pré-candidaturas ao Palácio do Campo das Princesas, João Campos e Raquel Lyra chegam às convenções em momentos bem diferentes da formação da sua base aliada. Na convenção do PSB, João terá homologada uma chapa majoritária já consolidada e que percorre com ele o estado desde o lançamento do seu projeto político em março. O empresário Carlos Costa (Republicanos) será confirmado como candidato a vice-governador, o senador Humberto Costa (PT) disputará a reeleição e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) ocupará a segunda vaga ao Senado. A composição foi fechada após negociações entre os partidos da Frente Popular e permitiu ao pré-candidato iniciar o período das convenções sem pendências internas.
Além disso, a convenção formada por Solidariedade e PRD deve confirmar neste sábado a aliança com João Campos, após deixar a base da governadora Raquel Lyra. A sigla promove seu ato político com presença confirmada do ex-prefeito do Recife.
Ao lado da governadora na chapa, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) deve repetir a parceria firmada pelas gestoras desde o pleito de 2022. No material de campanha divulgado nas redes sociais da gestora, as duas líderes políticas são o destaque.
Senado
Com a retirada da candidatura de Miguel Coelho (União Brasil) da disputa ao Senado, às vésperas da convenção que oficializa a candidatura de Raquel Lyra, finamente se encerra a novela pela vaga ao Senado.
É justamente esse tipo de impasse, levado até o limite do calendário eleitoral, que costuma acender um alerta entre analistas políticos. Deixar a convenção para o último dia pode ser também estratégia. “Esticar a corda até o fim, primeiro, cria todo um clima, toda uma expectativa. Isso é muito utilizado como estratégia de comunicação […] Quem sai por último faz ali aquele desfecho e não deixa que o adversário crie um evento politicamente mais relevante”, avalia Priscila Lapa. Segundo ela, adiar a decisão também mantém possíveis dissidentes “reféns” do grupo político, já que não sobra tempo hábil para migrarem para outra legenda antes do fim do prazo.
Alex Ribeiro segue linha semelhante ao analisar a convenção da Federação União Progressista, marcada para o encerramento do calendário das convenções. Na avaliação do especialista, a data isolada não indica necessariamente desorganização interna.
“Adiar a decisão pode servir para prolongar negociações, acompanhar movimentos dos adversários e fechar questões como alianças, composição da chapa e candidaturas ao Senado. Porém, quando as divergências permanecem até o limite do prazo, isso pode revelar dificuldades internas. Portanto, a leitura política depende menos da data e mais das circunstâncias que levaram o partido a decidir no último momento”, pondera.
Já sobre quem, de fato, decide os nomes dentro de uma convenção, Priscila Lapa é direta: a decisão raramente passa pelo voto dos filiados. “Em geral, no Brasil, a regra é que a cúpula decide, o restante do partido apenas segue […] De fato, decisões mais colegiadas, mais democráticas assim são a exceção”, afirma, ajudando a explicar por que negociações como a do PSD em torno da vaga ao Senado se resolvem nos bastidores, entre líderes, e não em votação aberta de bases partidárias.
Expectativa
Enquanto especialistas analisam o significado político das convenções, os pré-candidatos tratam os atos como o início de uma nova fase da campanha e apostam em mobilizações para demonstrar força política. Em agenda pública no fim de semana passado, no Sertão, Raquel Lyra descreveu a expectativa para a convenção que a confirmará como candidata à reeleição.
“Tenho 47 anos e, desde os 30, estou em mandatos eletivos. Nesse momento, dá um frio na barriga danado. É meio como se fosse um momento de Ano Novo, onde a gente para pra refletir sobre tudo o que fez, o que nos trouxe até aqui e o que nos move daqui em diante”, afirmou a governadora de Pernambuco.
Antes do ato político, a gestora buscou dar visibilidade às ações do seu governo com vistorias nas regiões do Agreste, Sertão e Mata Sul que somam investimentos na ordem de R$ 484,6 milhões. Na véspera do fim de semana de convenções, ela buscou dar visibilidade ao roteiro. “Estamos visitando muitas cidades em todas as regiões do nosso estado, acompanhando obras, fiscalizando o andamento, colocando recursos para que nosso governo possa fazer as inaugurações que entregam o melhor serviço para a população”, destacou.
Já João Campos projeta um ato de grande porte no Clube Internacional e destacou a parceria com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. “A gente conversou bastante […] ele me ligou para dizer que estava muito feliz, que estava animado. […] Convidamos todo mundo para este grande momento, onde faremos uma bonita festa e iniciaremos uma nova etapa com muita energia e sentimento positivo”, afirmou o pré-candidato pela oposição.
Ao anunciar o encontro, João Campos ressaltou a construção do arco de alianças que reúne, além do PSB, legendas como Republicanos, MDB e as Federações Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e PRD/Solidariedade. “Tenho certeza de que esse movimento se materializará nas urnas, garantindo uma eleição vitoriosa para o governo do estado, para o Senado e para a presidência.”
Nos últimos dias, João Campos intensificou suas postagens nas redes sociais para convocar aliados. “Será o momento de reafirmar a força do povo pernambucano, consolidar o time de Lula e mostrar que o futuro de Pernambuco será construído com coragem, trabalho e união”, destacou João Campos.
Federação
Além das duas principais chapas na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas, as convenções deste fim de semana oficializam as candidaturas das demais forças políticas. Pré-candidato da Federação Rede/PSOL, em aliança com o PCB, Ivan Moraes apresenta sua trajetória fora dos partidos tradicionais como principal diferencial da candidatura.
Segundo ele, a convenção “é um momento importante para juntar nossa turma e apresentar a Pernambuco alternativas”. “Estou há mais de duas décadas atuando ao lado das organizações sociais e coletivos populares, mesmo antes de resolver meter o pé na porta da política. Eu conheço a vida real das pessoas porque essa é a minha vida”, afirmou.
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