Embora esteja em recesso fora do Brasil desde os primeiros dias do ano, a governadora Raquel Lyra (PSD) não transmitiu o cargo para a vice-governadora Priscila Krause (PSD). Na prática, a medida deixa as principais ações governamentais paradas, já que inviabiliza atos inerentes à chefe do Poder Executivo, como nomeações e remanejamentos orçamentários. Fontes no Palácio do Campo das Princesas dizem que o retorno de Raquel só é aguardado para a semana que vem.
O afastamento na surdina pode ser uma estratégia de Raquel para evitar desgastes semelhantes aos ocorridos no ano passado. Em março, durante um período de interinidade de Priscila à frente do Governo de Pernambuco, denúncias apontaram a ocorrência de 25 repasses, com um valor total de R$ 3 milhões, em favor do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. A unidade tem como sócio Jorge Branco Neto, marido da então governadora em exercício.
Leia maisAinda no mesmo período, a própria Raquel enfrentou desgaste por estar de férias com os filhos no Canadá enquanto cerca de 700 estudantes selecionados pelo Ganhe o Mundo se frustravam em meio a burocracias do programa. O grupo viajaria para aquele país e para os Estados Unidos, mas teve o sonho adiado em quase um ano devido a falhas na licitação que escolheria a agência responsável pelo intercâmbio. Após muita pressão, o embarque dos alunos só ocorreu em novembro.
Em maio de 2025, Raquel também transmitiu o cargo a Priscila para participar de missão oficial em Nova Iorque, e um novo revés afetou o governo. Prefeitos de municípios atingidos por fortes chuvas reclamaram do tratamento distante dado pela gestão estadual às demandas que apresentaram. As queixas se agravaram depois que veio à tona uma foto que comprovou que Raquel já estava de volta em solo pernambucano, jantando com amigos em um restaurante refinado, na noite anterior à audiência com os prefeitos, que foi conduzida por Priscila Krause ainda na condição de governadora em exercício.
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