As fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana e a Zona da Mata, em maio deste ano, seguem causando desconforto para o Governo Raquel Lyra. Diferente do que fez em anos anteriores, e com as eleições à porta, a governadora decidiu visitar cidades atingidas e anunciar um auxílio de R$ 2.500 mil para as famílias que foram afetadas.
De imediato, Raquel Lyra decretou situação de emergência e avançou em contratos que só poderiam seguir em regime de excessão, fazendo dispensas de licitação. O que chama atenção é a conta que não fecha. Foram mais de 9,5 mil pessoas afetadas com as chuvas, segundo dados divulgados à imprensa pelo próprio Governo de Pernambuco. Mas na hora de assinar o decreto, que virou propaganda na TV antes da aprovação na Assembleia Legislativa, falaram em beneficiar pouco mais de 3 mil pessoas.
Leia maisO que fazer com as mais 9 mil que ficaram de fora? Por que criar uma pequena camada de beneficiados para fazer marketing e deixar tanta gente de fora? Mais parece uma nova tentativa de criar uma “fachada”, desta vez em forma de auxílio. A demanda popular pela medida era clara e o Governo já sabia. Mas por que tratar o pleito legítimo como um ato de atuação política?
Por que os protestos populares ocorreram em tantas cidades? Não haveria motivação para famílias que perderam tudo com as chuvas? Em 2022, durante o último inverno, o Recife chegou a atender, sozinho, mais de 20 mil pessoas. Por que o estado, com um orçamento 7 vezes maior, não fez o mesmo?
Não é só uma questão de prioridade, mas de empatia. Ficam as perguntas: por que comprar uma UTI Aérea usada para o deslocamento da própria governadora por mais de R$ 60 milhões? Por que fechar um contrato considerado suspeito pelo TCE de R$ 185 milhões para fazer a manutenção de escolas que, depois das “obras”, deixam o teto atingindo estudantes? Por que o investimento para quem foi atingido pelas chuvas não passou de R$ 8 milhões? Pelo visto, o auxílio pra quem realmente precisa ficou pro final da fila. Era fachada, feita pra ilustrar solução e não pra resolver o problema.
Leia menos













