Por Cristiane Ribeiro – JC
O metrô do Recife receberá um investimento de R$ 500 milhões para a sua recuperação, conforme anunciado em vistoria realizada na última sexta-feira (16) pelo ministro das Cidades, Jader Filho, em companhia com a governadora Raquel Lyra.
O engenheiro civil e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENCPE), Stênio Cuentro, participou do programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, e fez uma análise crítica sobre o anúncio e as condições atuais do sistema metroviário da capital pernambucana.
Leia maisInvestimento necessário, mas insuficiente
Para Stênio Cuentro, o investimento é positivo, mas ele questiona a falta de um plano estruturado. “Cadê o plano que levou 4 anos para ser feito e não foi feito?”, referindo-se ao detalhamento inicial do aporte anunciado.
O especialista enfatizou a importância de planos claros para aplicação dos recursos, com prioridades definidas conforme o valor disponível: “tem que ter um plano A, B e C”.
Segundo ele, do valor total de R$ 500 milhões, apenas R$ 57 mi serão destinados diretamente ao metrô, sendo o restante à compra de 100 ônibus elétricos e melhorias no sistema como um todo.
Trens seminovos são solução temporária
O anúncio incluiu a chegada de 11 trens seminovos de Belo Horizonte e Porto Alegre. Para o engenheiro, trata-se de um “presente de grego”, que serve apenas para ganhar tempo até que a concessão seja formalizada.
“Se esses trens prestassem, o próprio concessionário teria interesse em reformar e colocar em operação. São trens com diferenças técnicas, não é certeza que vão se adaptar ao nosso sistema”, disse.
Problemas estruturais e manutenção
Cuentro destacou que os principais problemas do metrô do Recife são relacionados à manutenção e à operação do sistema, mas que não é observado, até então, um problema grave de estrutura.
“Temos uma máquina de R$ 5 milhões que nivela os trilhos diariamente, mas também instalações elétricas antigas e vulnerabilidades de segurança, como pessoas acessando indevidamente a linha e roubando cabos. Mas não me parece que haja risco grave de acidentes”, explicou.
Concessão e investimentos futuros
O governo federal estima que a concessão do metrô terá prazo de 30 anos, com investimentos da União estimados em R$ 4 bilhões nos cinco primeiros anos após a assinatura do contrato.
Para Cuentro, esses recursos, caso bem aplicados, poderão modernizar efetivamente o transporte metroviário, mas somente se houver planejamento e acompanhamento técnico rigoroso.
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