Mais de dois anos depois de ser anunciado pelo Governo de Pernambuco como uma aposta para movimentar a economia da Mata Sul, o Polo Empresarial de Palmares ainda não funciona como o polo de empresas apresentado à população. No local, as imagens atuais mostram uma extensa área destinada aos empreendimentos, mas ainda marcada por obras de infraestrutura, terra e espaços sem galpões ou atividade empresarial instalada.
O projeto foi anunciado em 12 de junho de 2024. Naquele momento, o Governo do Estado informou que investiria R$ 5,7 milhões na implantação do polo, em uma área de dez hectares às margens da BR-101. O espaço seria dividido em 12 lotes destinados a empresas, com o objetivo declarado de impulsionar a economia e ampliar a geração de empregos na região.
Leia mais
A licitação também foi aberta naquele dia. O edital previa a contratação de uma empresa para executar terraplenagem, drenagem, pavimentação e sinalização. A disputa estava marcada para 10 de julho de 2024.
O contrato acabou sendo firmado com a Construtora JMT. O extrato publicado no Diário Oficial registra valor de R$ 4,57 milhões. Um documento da própria Adepe indicou início da execução em 30 de setembro de 2024, prazo de dez meses e conclusão prevista para 30 de julho de 2025. Na atualização de 30 de setembro de 2024, a obra aparecia como em execução, ainda sem valores medidos ou pagos naquele período.
A data prevista para conclusão passou, mas o polo continuou em obras. Em abril de 2026, quase nove meses depois daquele prazo, o próprio Governo de Pernambuco voltou a divulgar o empreendimento. A informação oficial dizia que cerca de R$ 5,5 milhões estavam sendo investidos na implantação do sistema viário, com serviços de terraplenagem, drenagem e pavimentação em mais de dez hectares. As 12 áreas continuavam sendo preparadas para receber empresas.
O contraste está justamente aí. Em junho de 2024, o polo foi apresentado como uma estrutura capaz de abrir Palmares para novos investimentos e empregos. Em abril de 2026, quase dois anos depois daquele anúncio, a própria comunicação oficial ainda descrevia obras destinadas a criar as condições necessárias para que as empresas pudessem chegar. Agora, em setembro de 2026, já se passaram mais de dois anos desde o lançamento do projeto.
Nas imagens atuais da área destinada ao polo, ainda não se vê a estrutura de um distrito empresarial em funcionamento. Não há, nos espaços registrados, uma concentração de galpões, fábricas, caminhões ou movimentação empresarial compatível com o objetivo anunciado para os 12 lotes. O cenário continua sendo predominantemente de implantação da infraestrutura.
Há ainda uma informação que precisa ser esclarecida pelo Governo do Estado. Em 2024, a Krenke Brinquedos foi anunciada como a primeira empresa prevista para o polo, com investimento de R$ 3,5 milhões e expectativa de criação de 45 empregos diretos. Atualmente, registros empresariais apontam uma filial ativa da companhia em Palmares, na BR-101, e o próprio site da Krenke informa a existência de uma unidade no município. As informações públicas localizadas, porém, não permitem confirmar se essa operação está instalada dentro dos lotes do Polo Empresarial ou em outra área de Palmares.
Por isso, a situação exige respostas mais detalhadas da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco e do Governo do Estado. É preciso esclarecer qual é hoje o percentual executado da obra, quanto já foi efetivamente pago, qual o custo atualizado do projeto e qual é o novo prazo para conclusão. Também é necessário informar quantas empresas possuem lotes confirmados, quais delas já iniciaram a instalação e quando o polo começará efetivamente a funcionar.
Mais do que a aparência atual do terreno, o que está em discussão é o tempo. O investimento começou a ser anunciado em junho de 2024. O cronograma oficial chegou a apontar julho de 2025 como data para conclusão da infraestrutura. Em abril de 2026, os serviços ainda estavam sendo executados. Agora, a pergunta que permanece para Palmares e para a Mata Sul é quando aquela área finalmente estará pronta para receber empresas e transformar a expectativa de desenvolvimento em atividade econômica e empregos.
Leia menos