Prefeitura do Recife recebe o mais alto prêmio de política pública da ONU

Diretamente da sala do Conselho de Segurança da ONU, o prefeito do Recife, João Campos, fez uma fala de agradecimento pelo recebimento do mais alto prêmio de política pública da ONU. Nesta sexta-feira (16), o gestor se disse grato pelo destaque do Compaz em nível internacional – o Centro Comunitário da Paz foi contemplado com a comenda.

“Recebemos o mais alto prêmio de política pública da ONU, que foi dado ao Compaz. E eu falo sobre esse prêmio aqui, na sala do Conselho de Segurança da ONU, local em que são tomadas as decisões mais estratégicas do mundo em relação à segurança. Que bom que o Recife optou pelo caminho certo – o caminho da paz, da igualdade, oportunidade. Que o Compaz siga crescendo no Recife e inspirando tanta gente no Brasil”, afirmou o prefeito.

O reconhecimento em questão trata-se do Prêmio de Serviço Público das Nações Unidas, vencido pelo Compaz como iniciativa que melhor contempla os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e excelência no serviço público. Este equipamento da Prefeitura se enquadra nos requisitos da Agenda 2030 da ONU,  plano de ação global das Nações Unidas que reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, criados para erradicar a pobreza e promover vida digna a todos, dentro das condições que o nosso planeta oferece e sem comprometer a qualidade de vida das próximas gerações.

Fábrica de cidadania – O Recife possui quatro Centros Comunitários da Paz (COMPAZ). Cada unidade está localizada em uma área periférica da cidade, identificada com alto índice de violência. São eles: o Compaz Governador Eduardo Campos (Alto Santa Terezinha), o Compaz Escritor Ariano Suassuna (Cordeiro), O Compaz Governador Miguel Arraes (Praça da Caxangá) e o Compaz Dom Hélder Câmara, no Coque.  

Os equipamentos oferecem práticas esportivas, culturais e educacionais em primorosas obras arquitetônicas. É um espaço de convivência para todas as idades. Os Compaz são um celeiro de cidadania, onde se pratica a cultura de paz e não violência, através da oferta de várias atividades e serviços. Procon, CRAS, Mediação de Conflitos, Junta Militar, artesanato, futebol, basquete, vôlei e programação ativa nas bibliotecas de cada um são algumas das opções que os recifenses podem fazer. Tudo de graça e qualidade.

Os nomes e fotos dos fugitivos do presídio de segurança máxima de Mossoró (RN) passaram a constar na difusão vermelha da Interpol, hoje. A lista é para criminosos procurados internacionalmente.

Os procurados são:

  • Deibson Cabral Nascimento, de 33 anos;
  • Rogério da Silva Mendonça, de 35.

Logo após a fuga, ocorrida na quarta-feira (14), o Brasil pediu a inclusão dos dois fugitivos no rol de difusão vermelha da Interpol – normalmente utilizado para cooperação entre as polícias de diferentes países quando criminosos perigosos conseguem fugir das nações onde são procurados.

A informação foi confirmada pelo secretário nacional de Políticas Penais, André de Albuquerque Garcia, em entrevista coletiva na quinta-feira (15). Segundo o secretário nacional, no entanto, isso não significa que, para a polícia, os dois fugitivos tenham conseguido deixar o país.

Em entrevista à jornalista Andréia Sadi, o vice-presidente da Interpol para as Américas, Vandecy Urquiza, explicou que a Interpol trabalha com a possibilidade de que os fugitivos tentem sair do país. “Em casos como esse, há sempre a possibilidade que eles [fugitivos] venham a tentar sair do país. A partir do momento que esses nomes são incluídos nessa difusão [vermelha], nós conseguimos que todos os países que compõe a organização tenham acesso imediatamente a informações”, disse.

Na avaliação de Urquiza, a maior probabilidade é de que os criminosos, caso tentem deixar o Brasil, busquem países que fazem fronteira terrestre. Entre as informações compartilhadas com os 196 países estão as digitais dos dois criminosos fugitivos. Dessa forma, segundo Urquiza, existe a possibilidade que eles sejam identificados automaticamente por órgão de imigração dos países integrantes da Interpol.

“Em vários países, o banco de dados da Interpol é cruzado com os bancos de dados nacionais, dados migratórios, lista de passageiros. Isso aumenta o espectro de instrumentos disponíveis para a polícia para tentar localizar a movimentação fora do Brasil”, disse Urquiza.

O avião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pousou, na tarde de hoje, na capital da Etiópia, Adis Abeba. Lula foi recebido pelo ministro das Relações Exteriores do país, Taye Atsekeselass. A partir de amanhã até domingo (18) Lula terá reuniões fechadas com o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmede, e participará da Cúpula da União Africana como convidado.

Além dessas agendas, há previsão que o presidente participe do evento “Financiamento climático para a agricultura e segurança alimentar: Implementação da Declaração de Nairóbi e resultados da COP-28”. Esse é o segundo giro de Lula por países da África desde que tomou posse como presidente da República. Lula teve atividades no Egito nos últimos dois dias. No ano passado, Lula passou por África do Sul, Angola e São Tomé e Príncipe.

Em dia de folga no Egito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja da Silva visitaram as pirâmides próximas da capital, o Cairo, e a esfinge.

Lula chegou ao Cairo mais cedo. No Egito, ele começa um giro de viagens oficiais pela África. Depois, o presidente vai para a Etiópia. Lula também visitou as Pirâmides de Gizé em viagem oficial em 2003, no primeiro ano de seu primeiro mandato como presidente. Ele estava acompanhado da então primeira-dama Marisa Letícia, que faleceu em 2017.

Egito e Etiópia passaram a integrar o Brics neste ano. O grupo, que reúne algumas das principais economias emergentes do mundo, conta com a presença do Brasil desde a fundação. O governo brasileiro apoiou a ampliação e a entrada dos dois países africanos.

Compromissos no Egito

Segundo o Itamaraty, a agenda de Lula no Cairo, na quinta-feira (15), prevê duas reuniões com o presidente egípcio, Abdel Fatah Al-Sisi. Uma dessas reuniões será privada (entre os dois e intérpretes) e uma será ampliada (da qual costumam participar integrantes dos dois governos).

Devem integrar a comitiva brasileira, além de Lula e Janja, o chanceler Mauro Vieira, o assessor especial de Lula Celso Amorim e a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos.

Em comunicado divulgado à imprensa nesta terça, o Ministério das Relações Exteriores informou que os dois presidentes discutirão nos encontros as mudanças climáticas e a guerra entre Israel e o Hamas.

A guerra começou em outubro do ano passado, após o grupo terrorista atacar Israel. Milhares de pessoas morreram na região. Desde que o conflito começou, o Brasil repatriou cerca de 1,5 mil cidadãos que estavam na região de conflito e pediram ajuda ao governo para retornar ao país.

Desse grupo, 115 eram brasileiros que viviam na Faixa de Gaza — que faz fronteira com o Egito — e só puderam retornar ao país após o Egito abrir as fronteiras.

Etiópia

No segundo destino da viagem, Lula deverá ter reuniões com autoridades locais e participar da Assembleia da União Africana. O grupo passou a integrar o G20, obtendo o mesmo status da União Europeia junto à entidade.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o discurso do presidente ainda não está finalizado, mas Lula deverá reforçar as oportunidades de cooperação entre os países africanos e o Brasil, acrescentando que, durante a presidência brasileira do G20, os três eixos centrais do grupo são:

  • inclusão social com combate à fome e à pobreza;
  • desenvolvimento sustentável e transição energética;
  • reforma da governança global.

Sobre este último ponto, Lula tem defendido, por exemplo, que ao menos um país africano tenha representante no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) — Lula também tem defendido que o Brasil, a Alemanha e o Japão também passem a integrar o grupo.

O Carnaval de Olinda foi recentemente destacado em uma publicação do jornal americano ‘The New York Times’, por sua celebração singular e vibrante. O tema da matéria foram os famosos bonecos gigantes, que desfilam pelas ruas históricas durante os quatro dias de festa. Quem deseja ter acesso ao conteúdo produzido por um dos jornais mais famosos do mundo, basta acessar o link: https://www.nytimes.com/2024/02/13/world/americas/brazil-carnival-john-travolta.html

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, disse, hoje, que o surto de dengue no Brasil faz parte “de um grande aumento em escala global” da doença e que, “a exemplo de muitos países, também enfrenta desafios significativos”.

Neste ano, o país já registrou mais de 360 mil casos (prováveis e confirmados) de dengue, com 40 mortes confirmadas. Isso representa um aumento de 291% em relação ao mesmo período de 2023, quando foram registrados pouco mais de 93 mil casos nas primeiras cinco semanas do ano.

Em visita ao Brasil, ele participou do lançamento de um plano do Ministério da Saúde para eliminação de doenças e infecções que acometem, de forma mais intensa, as populações em situação de maior vulnerabilidade social, como malária, doença de Chagas, sífilis, hepatite B e HIV.

“Este surto de dengue atual faz parte de um grande aumento em escala global da dengue, com mais de 500 milhões de casos e mais de cinco mil óbitos relatados ano passados em 80 países de todas as regiões do mundo”, disse Tedros.

A visita dele ao Brasil acontece em meio ao aumento de casos de dengue no país. O total registrado em janeiro já ultrapassou todos os casos de 2017, quando foram contabilizadas 239.389 notificações.

O governo federal instalou um Centro de Operações de Emergência (COE) contra a dengue e outras arboviroses para coordenar as ações de combate e monitorar o avanço da epidemia.

A cidade do Rio de Janeiro decretou estado de emergência em saúde pública por causa da dengue. A primeira morte no ano foi confirmada.

O governo do Distrito Federal também já tinha tomado decisão semelhante no fim de janeiro por causa do surto da doença: já foram registradas 11 mortes neste ano e foi aberto um hospital de campanha para tratar os doentes.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, descartou, porém, decretar emergência nacional. “Neste momento, não faz sentido uma emergência nacional, o que não quer dizer que não estejamos num estado de alerta e atenção nacional”, afirmou a ministra.

Por Juliana Albuquerque – repórter do Blog

Na iminência de deflagrar, logo mais, o primeiro movimento paredista da gestão Raquel Lyra, o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco reúne, neste momento, centenas de servidores em uma caminhada rumo ao Palácio ao som de “se não valorizar, a polícia vai parar”.

Ao chegar no local, caso não haja acordo com o Governo, será realizada uma assembleia geral que pode deflagrar, já na madrugada da quinta, uma greve por tempo indeterminado, o que pode deixar o Carnaval deste ano ainda mais inseguro.

A ministra da Defesa do Chile, Maya Fernández Allende, interrompeu o descanso na Praia dos Carneiros, onde passava um curto período de férias, para acompanhar as ações do Governo do Chile no combate aos incêndios florestais que atingem a região turística de Valparaíso, no centro do país, desde a última sexta-feira, assim como áreas no sul do território. Ela foi chamada às pressas pelo presidente Gabriel Boric, retornando na madrugada deste domingo.

Maya estava hospedada na casa da vice-presidente nacional do Partido Solidariedade, Marília Arraes. Elas são amigas e companheiras de militância política há cerca de 10 anos e mantêm até hoje uma relação de afinidade. Coincidentemente, também, ambas são netas de figuras icônicas da esquerda internacional.

Outras conexões: os avós de Maya, ex-presidente do Chile Salvador Allende, e de Marília, o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, também eram amigos e aliados políticos, e foram depostos, respectivamente, através de golpe militar enquanto exerciam seus mandatos.

Da CNN

Nos Estados Unidos, o estado da Carolina do Sul – que garantiu a Joe Biden a candidatura democrata há quatro anos – deverá entregar, neste sábado (3), a primeira vitória do presidente nas primárias da campanha de 2024. Os outros dois concorrentes do partido – o deputado Dean Phillips, de Minnesota, e a escritora Marianne Williamson – também estão na cédula de votação.

De toda forma, Biden continua como amplo favorito à vitória, à medida que inicia oficialmente sua corrida para reunir os delegados necessários para obter a nomeação democrata.

As primárias da Carolina do Sul colocam 55 delegados em jogo. Além disso, este ano marca a primeira vez que o estado inaugura o calendário eleitoral do partido – uma mudança feita em grande parte pela insistência de Biden.

As mudanças do Partido Democrata

Durante décadas, os estados americanos de Iowa e New Hampshire foram os primeiros a votar nas primárias presidenciais democratas. No entanto, o Comitê Nacional Democrata (a Executiva do partido) decidiu recuar esses estados no calendário.

O motivo foram as críticas de que Iowa e New Hampshire possuem um eleitorado majoritariamente branco, que não refletia a base democrata que é muito mais diversificada a nível nacional. As autoridades democratas de Iowa aceitaram as mudanças, optando por realizar um caucus com votação pelo correio com cédulas enviadas aos eleitores a partir de 12 de janeiro.

Os democratas de Iowa têm até 5 de março para enviar as cédulas, mesmo dia da chamada “Superterça”, quando mais de uma dúzia de outros estados estão programados para realizar suas primárias.

Já as autoridades de New Hampshire, usando de justificativa uma lei estadual que exige que suas primárias sejam as primeiras do país, recuaram – realizando uma disputa democrata esvaziada no mesmo dia das primárias republicanas, em 23 de janeiro.

O Comitê Nacional Democrata puniu New Hampshire, excluindo os delegados do estado da convenção do partido daqui alguns meses, quando o candidato democrata será oficialmente escolhido.

E como New Hampshire não cumpriu o calendário estabelecido pelo partido, Biden não se inscreveu para aparecer na cédula de votação do estado – embora os apoiadores do presidente tenham lançado uma campanha bem-sucedida de escrever a mão seu nome na cédula, que o levou a obter 64% dos votos.

Carolina do Sul impulsionou a vitória de Biden em 2020

Para consolidar o status da Carolina do Sul como o primeiro estado a ter uma primária democrata em 2024, Biden visitou o “estado de Palmetto” duas vezes no mês passado, e a vice-presidente Kamala Harris encabeçou um evento para conseguir votos na Universidade Estadual da Carolina do Sul, em Orangeburg, na sexta-feira.

“Vocês me protegeram e espero que eu tenha a sua [proteção]”, disse Biden à multidão no almoço de domingo na Igreja Batista Brookland, em Columbia, no fim de semana passado.

O presidente não estará na Carolina do Sul neste sábado, quando partirá para uma campanha de arrecadação de fundos pelo sul da Califórnia e Nevada.

Com Biden enfrentando pouca competição séria pela corrida democrata, as primárias deste sábado são importantes para o presidente porque marcam um retorno ao lugar que o catapultou para a indicação democrata em 2020.

Biden chegou vacilante às primárias da Carolina do Sul naquele ano, depois de terminar em quinto lugar nas prévias de Iowa, em quarto lugar nas primárias de New Hampshire e em um distante segundo lugar nas prévias de Nevada.

No entanto, a grande população negra do estado – e um apoio tardio do influente deputado democrata Jim Clyburn – ajudaram a entregar a Biden uma vitória dominante que, pela primeira vez, demonstrou força com um eleitorado democrata decisivo, que nenhum outro candidato primário poderia rivalizar.

Dias depois, Biden esteve mais perto de garantir a nomeação do partido ao acumular uma liderança de delegados praticamente intransponível em uma ampla faixa de diversos estados na “Superterça”.

A Carolina do Sul é tradicionalmente dominada pelos republicanos nas eleições gerais. O último candidato presidencial democrata a vencer o estado foi Jimmy Carter em 1976.

Mas o impulso da campanha de Biden e dos seus aliados na Carolina do Sul faz parte de um esforço mais amplo para reforçar o apoio dos eleitores negros, um bloco crucial para as perspectivas de reeleição do presidente, especialmente em estados decisivos como a Geórgia e os estados da chamada “parede azul”: Michigan, Pensilvânia e Wisconsin.

As primárias democratas ocorrerão três semanas antes da votação dos republicanos no estado, em 24 de fevereiro.

As primárias republicanas da Carolina do Sul podem ser a última chance da ex-governadora do estado, Nikki Haley, de desacelerar a marcha do ex-presidente Donald Trump para uma terceira indicação presidencial republicana consecutiva.

Mas uma pesquisa recente da Monmouth University-Washington Post mostrou que ela estava 26 pontos atrás de Trump nas primárias de seu estado natal.

Por Marcelo Tognozzi*

A fome e a pobreza andam de mãos dadas com a guerra. O alimento anda de mãos dadas com a paz, ensinou nosso Alysson Paulinelli (1936-2023), pai da nossa revolução agrícola tropical sustentável, responsável por transformar o Brasil num dos 3 maiores players agrícolas do planeta. As revoltas dos produtores rurais da União Europeia comprovam que mais uma vez o nosso Paulinelli tinha razão.

Desde 2022, com o início da guerra na Ucrânia, a temperatura vem subindo na Europa. Em 2023, os agricultores holandeses venceram as eleições provinciais depois de criarem um partido liderado por uma mulher, a jornalista Caroline van der Plas e se tornaram a 2ª força política. Agora, protestos não cessam na Alemanha, França, Bélgica e já estão chegando à Espanha e Portugal. E não vão parar.

Quando foi invadida pela Rússia, em fevereiro de 2022, a Ucrânia era o principal fornecedor de 3 produtos básicos para a União Europeia: trigo, soja e milho. Trigo é base para a alimentação humana. Soja e milho são a base para a produção de proteína animal, especialmente suínos e aves, as principais fontes proteicas dos europeus, além de bovinos, caprinos e ovinos produtores de laticínios e carne.

Conforme o conflito evoluiu, os campos agrícolas da Ucrânia foram sendo bombardeados e não custa lembrar o tamanho do estrago causado por um míssil. Ao explodir, não faz só uma cratera, é uma arma projetada para matar. Contamina com elementos químicos altamente tóxicos tudo o que está em volta, tornando os campos férteis imprestáveis. Não há solução de curto prazo para descontaminação. A produção desabou.

A falta dos insumos ucranianos produziu inflação e escassez. A Europa não tem a mesma capacidade produtiva do Brasil que, junto com os Estados Unidos, é um dos poucos países capaz de suprir a lacuna deixada pela guerra.

Os produtores alemães, franceses, belgas, italianos ou espanhóis se acostumaram a viver bancados pelos seus respectivos governos que, diferentemente daqui, tratam o agro como uma questão de Estado, de segurança nacional. O Brasil, nunca é demais lembrar, não subsidia o agro como fazem os europeus.

A União Europeia já gastou € 85 bilhões em ajuda à Ucrânia, mas os resultados não foram os melhores. A guerra se alongou e a vida piorou. O dinheiro está curto feito cobertor de pobre.

Europeus tinham o gás russo bom e barato para aquecer residências e mover indústrias. Esse gás sustentou anos a fio o discurso ecológico e a postura crítica contra sul-americanos e asiáticos, apontados com destruidores de florestas.

Com o boicote ao governo Putin foram obrigados a reativar as usinas a carvão, tão criticadas pelos ambientalistas nas COPs, pagando caro por isso. A inflação não dá sinais de queda e os juros continuam altos. A vida ficou mais cara. O azeite de oliva subiu 74% em 2023 na Espanha, enquanto a inflação de alimentos chegou a 7,3% ao ano. Quase o mesmo que na França (7,4%).

Os agricultores e pecuaristas europeus querem continuar sendo financiados por seus governos. Em 2022, receberam nada menos que € 57 bilhões em subsídios. Desse total, os franceses, espanhóis, alemães e italianos ficaram com a maior parte. Não é por acaso que a França é o maior adversário do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

A revolta dos agricultores europeus favorece a Rússia de Vladimir Putin e a direita. São 10 milhões de agricultores na União Europeia e 40 milhões de postos de trabalho ligados ao setor de alimentação. Grande parte desses agricultores tende a votar na direita nos seus respectivos países, em protesto contra a redução dos incentivos e as políticas ambientais, como já ocorreu na Holanda. Essa tendência está sendo observada principalmente na França, Alemanha e Espanha.

Jordan Bardella, 28 anos, é o líder do Rassemblement National (nova versão da Front National), cabeça de lista às eleições europeias (em junho de 2024), sendo já o favorito. Queridinho de Marine Le Pen, a líder da direita francesa e antieuropeísta, sua popularidade está em contínua ascensão.

O presidente Macron escolheu Gabriel Attal, 34 anos, o mais popular dos ministros, para o cargo de 1º ministro para neutralizar Bardella. O desafio é grande e a confusão maior ainda. Na Espanha, o PP de centro-direita é favorito para as eleições parlamentares.

Como diz o velho ditado: “Em casa que falta pão todo mundo briga e ninguém tem razão”. Putin com sua guerra tirou os europeus da zona de conforto. Os norte-americanos, que mandam na Otan, não acham isso de todo ruim. As consequências dessa instabilidade serão sentidas a partir das próximas eleições para o Parlamento Europeu em junho. A crise está transformando a Europa, igual há 100 anos no entre guerras.

*Jornalista