O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enviou um vídeo de apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) que foi exibido durante a convenção nacional do partido ontem (25). Na gravação, Netanyahu deu parabéns ao candidato pelo lançamento oficial da campanha e afirmou ter confiança de que ele “levará o Brasil a patamares cada vez maiores”.
Netanyahu tem histórico de proximidade com a família Bolsonaro construído ao longo dos anos, o que torna o gesto parte de um padrão de alinhamento ideológico. O premiê israelense e o presidente argentino Javier Milei foram os dois entre os líderes de Estado que declararam apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro na convenção. As informações são do Poder360.
Na mensagem exibida no evento do PL, Netanyahu chamou Flávio de “meu amigo” e exaltou a relação entre ele e a família Bolsonaro. “Você é um grande campeão do Brasil. Você é um grande campeão da amizade entre os nossos povos e sei que levará o Brasil a patamares cada vez maiores”, afirmou o premiê, em inglês. “Parabéns pela sua candidatura”, concluiu Netanyahu ao final do vídeo.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ministro Edson Fachin afirmou que as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, sobre o ministro Alexandre de Moraes se trata de “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro”. Em nota, o ministro afirmou ainda que o tribunal “deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.
Javier Milei foi um dos convidados que discursaram na convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência neste sábado (25) em São Paulo. O presidente argentino chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca” após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”, afirmou Fachin.
“Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, completou o ministro.
Visita a Bolsonaro negada
Milei usou seu discurso para criticar o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem chamou de “lixo careca”. Na última semana, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro para que ele recebesse a visita do argentino, mas o pedido foi negado.
“Estimado Jair, mando-lhe um abraço à distância. Tenho certeza de que, quando os obstáculos burocráticos forem superados, poderemos nos reencontrar e dar um abraço pessoalmente, querido Jair Bolsonaro”, comentou.
“A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”, continuou. “Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis”, completou.
Javier Milei foi um dos convidados que discursaram na convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência neste sábado (25). Em um discurso inflamado, o presidente argentino fez críticas ao socialismo, valorizou a chamada “onda azul” na América do Sul e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca” após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Confio plenamente em meu amigo Flávio”, disse Milei enquanto fazia críticas às políticas econômicas adotadas por governos anteriores na Argentina. Também disse acreditar que o Brasil se juntaria a outros países da América Latina ao eleger um presidente de direita. As informações são do g1.
O argentino afirmou ver o senador como o nome capaz de conduzir uma mudança política no Brasil. Segundo ele, a disputa eleitoral representa uma escolha entre dois modelos: o que chamou de “socialismo” e uma agenda baseada na liberdade econômica e na redução do tamanho do Estado.
Milei também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de uma transformação política em curso na América Latina. Segundo ele, países da região estariam abandonando governos de esquerda e adotando políticas liberais na economia, movimento ao qual o Brasil poderia se juntar.
Além disso, criticou programas de transferência de renda, afirmando que governos de esquerda ampliam gastos públicos para obter vantagem eleitoral e deixam problemas fiscais aos sucessores. Segundo Milei, esse modelo leva ao aumento da dívida pública e exige, posteriormente, medidas de ajuste econômico.
Em outro momento do discurso, Milei defendeu que um eventual governo de Flávio Bolsonaro deveria adotar uma política de disciplina fiscal, redução dos gastos públicos e diminuição da participação do Estado na economia, bandeiras que também marcaram sua campanha presidencial na Argentina. “Por isso, é preciso alguém que, como aconteceu na Argentina, esteja disposto a enfrentar essa realidade e a se tornar a voz dessa maioria silenciosa que já sofreu muito. Falo do meu amigo Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro”, defendeu.
Visita a Bolsonaro negada
Milei usou seu discurso para criticar o ministro do STF Alexandre de Moraes, a quem chamou de “lixo careca”. Na última semana, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu autorização ao ministro para que ele recebesse a visita do argentino, mas o pedido foi negado.
“Estimado Jair, mando-lhe um abraço à distância. Tenho certeza de que, quando os obstáculos burocráticos forem superados, poderemos nos reencontrar e dar um abraço pessoalmente, querido Jair Bolsonaro”, comentou.
“A Justiça brasileira não me permitiu visitar meu amigo injustamente encarcerado, quando Lula se cansou de receber dirigentes estrangeiros enquanto esteve preso, entre eles o então presidente da Argentina, Alberto Fernández”, continuou. “Isso não é nada além de mais uma clara demonstração da injustiça de sua detenção e do caráter vingativo de seus responsáveis”, completou.
Mais cedo, neste sábado, Milei recebeu a Ordem do Ipiranga, maior honraria concedida pelo governo do Estado de São Paulo das mãos de Tarcísio de Freitas, governador de SP. A cerimônia ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, na Zona Sul da capital, antes da convenção do PL.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou os pedidos de visto solicitados pelos diplomatas Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Os dois foram citados em reportagem do jornal “The Washington Post” como reponsáveis por uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. A negativa do governo foi feita ontem (24), antes da publicação da reportagem.
A viagem estaria prevista para ocorrer poucas semanas antes das eleições presidenciais do país, agendadas para 4 de outubro. Segundo informações obtidas pela reportagem, o governo brasileiro foi informado do caráter “inusitado” da missão dos dois funcionários e decidiu negar os vistos.
Segundo fontes da diplomacia, o Brasil tem tradição de receber observadores internacionais nas eleições, mas a avaliação é que os norte-americanos não são observadores, na verdade tinham “outro papel”.
Dúvidas sobre as urnas eletrônicas
Na avaliação de assessores presidenciais, a decisão do secretário de Estado Marco Rubio de enviar a missão no momento em que Flávio e Eduardo Bolsonaro levantaram dúvidas sobre as urnas eletrônicas mostra que eles estavam combinando uma operação para descrebidilizar o sistema eleitoral brasileiro.
Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro teve uma reunião com representantes de cerca de 40 países em um evento privado, na última semana. Durante o encontro, ele afirmou que o Brasil utiliza urnas fabricadas por uma empresa venezuelana suspeita de fraudes, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O senador nega estar questionando o sistema eleitoral brasileiro, mas defendeu que os países presentes enviem observadores internacionais para acompanhar as eleições no Brasil.
Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros classificaram a tentativa de missão como “escandalosa” e “inusitada”. Para integrantes da Corte, a iniciativa representaria uma tentativa de interferência externa em um tema de competência exclusiva das instituições brasileiras e no processo eleitoral do país. Os magistrados também defendem uma reação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à tentativa de enviar a missão americana.
O governo brasileiro emitiu uma nota na noite desta quinta-feira (23) rechaçando a sobretaxa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida justificada por Washington no âmbito de uma investigação sobre trabalho forçado. A resposta foi considerada célere e, segundo apuração, já estava preparada pelo Palácio do Planalto, que aguardava o anúncio americano para publicá-la.
O que diz a nota do governo brasileiro
O governo brasileiro argumenta, na nota, que a tarifa imposta pelos Estados Unidos seria, na prática, uma substituição das tarifas derrubadas pela Suprema Corte americana. O Palácio do Planalto critica Washington por utilizar o tema do trabalho forçado — considerado “bastante sensível” — como pretexto para essa substituição tarifária. As informações são da CNN.
Em um trecho mais técnico, a nota indica que o Ministério do Trabalho e Emprego já enviou aos Estados Unidos informações e dados que demonstram o comprometimento do Brasil com o combate ao trabalho forçado.
O documento ainda menciona que o Brasil é reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho como um país engajado nessa causa e que é signatário de 66 convenções no âmbito da organização — em contraste com os Estados Unidos, signatários de apenas 10, segundo a crítica do próprio governo brasileiro.
Ao final, a nota anuncia que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e que acionará a lei de reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que o governo está disposto a acionar o mecanismo como sinalização política, mas não necessariamente levará a medida adiante.
“Há uma avaliação de que é necessário firmar uma posição e indicar que o Brasil estaria disposto a acionar, sim, esse mecanismo”, relatou o repórter Danilo Moliterno.
Decisão sobre reciprocidade deve aguardar calendário eleitoral
Segundo a analista de Política da CNN Jussara Soares, a decisão sobre a aplicação efetiva da lei de reciprocidade não deve ser tomada em curto prazo.
O processo previsto é longo: inclui análise interna dos setores atingidos, consulta aos setores produtivos, avaliação técnica, consultas públicas e, por fim, a decisão presidencial. Nenhuma dessas etapas foi iniciada até o momento.
A avaliação de integrantes do governo é de que uma eventual decisão sobre a aplicação ou não da lei — que já enfrenta resistência de setores produtivos e também dentro do próprio governo — só deve ocorrer após as eleições de 2026.
Jussara Soares destacou que o Brasil “vai ganhar tempo” com esse trâmite, uma vez que o calendário eleitoral estará praticamente encerrado antes que o processo chegue à sua etapa final.
Eleições e relação com os Estados Unidos
No cenário eleitoral, Lula concorrerá à reeleição tendo como principal oponente Flávio Bolsonaro, que argumenta que, com ele no poder, as negociações com os Estados Unidos seriam conduzidas de forma mais tranquila.
Integrantes do governo avaliam que, confirmada a reeleição de Lula, as negociações entre Brasil e Estados Unidos poderiam ser retomadas em outros termos.
Quanto a um eventual contato direto entre Lula e Donald Trump, a avaliação interna é de que isso não deve ocorrer.
Segundo Jussara Soares, a percepção do governo brasileiro é de que Trump também adotará cautela e optará por ganhar tempo até o resultado das eleições brasileiras, uma vez que um contato entre os dois líderes poderia ser interpretado como uma vitória política para Lula.
O governo de Donald Trump comentou, hoje, as falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o secretário Marco Rubio. Na última segunda (20), Lula afirmou que, se Rubio quiser apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, “que venha, que monte um comitê”. Questionado pelo portal G1, um porta-voz do Departamento de Estado se limitou a afirmar que os Estados Unidos estão interessados na “liberdade de expressão” e na “integridade do processo democrático” no Brasil.
“Em termos gerais, os Estados Unidos têm um interesse histórico e global na liberdade de expressão e na integridade dos processos democráticos em todo o mundo, inclusive no Brasil”, diz a nota. O tom adotado pelo governo Trump ressoa com o do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Na última terça (21), Flávio atacou as urnas eletrônicas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A família Bolsonaro tem Marco Rubio como aliado nos EUA.
Além de citar Rubio, Lula também afirmou em seu discurso na segunda que “vai derrotar todos”, em nome da democracia. “Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que venha, que monte um comitê, porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país”.
Sem citar nomes, o presidente voltou a falar que “antigamente traidor era enforcado”. Em outras ocasiões, Lula chegou a chamar os integrantes da família Bolsonaro de ‘traidores da pátria’.
“Hoje temos não um, mas vários traidores que vão aos EUA pedir para os EUA impor punição ao Brasil. Eu acho isso tão engraçado que eles podem até montar um comitê para apoiar nosso adversário aqui, porque não há neste país, a não ser vocês, que decida que país a gente quer para os próximos anos nesse país”.
Lula deu a declaração durante a convenção nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), na sede nacional do partido em Brasília. Durante o evento, o PDT anunciou apoio à pré-candidatura à reeleição do petista. O apoio foi aprovado por unanimidade dos presentes na convenção.
Durante o discurso, o presidente afirmou ainda que está “convidando quem quiser do mundo para ver as eleições aqui no Brasil” e que não tem “o direito de perder essas eleições”. “Nós não temos o direito de perder essas eleições. Nós não temos o direito de permitir que o negacionismo, o fascismo, volte a pensar em governar esse país. Outro dia eu disse, nesse país antigamente traidor era enforcado. Trair a pátria é uma coisa muito grave”.
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros entrou em vigor hoje, à 1h01 (horário de Brasília). As informações são do portal Metrópoles.
A medida, chancelada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, estabelece sobretaxa de 25% sobre parte das importações do Brasil e foi oficializada pelo governo estadunidense na última quarta-feira (16/7).
A sobretaxa pode causar prejuízo de até US$ 11 bilhões às exportações brasileiras. A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que encerrou investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo Trump, o Brasil adota práticas comerciais consideradas desleais em áreas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e políticas relacionadas ao Pix.
Depois do tarifaço de 25% na semana passada, o governo brasileiro aguarda para esta ou próxima semana a definição sobre novo aumento de 12,5% de tarifas – fruto de uma investigação americana sobre importação de produtos produzidos com trabalho forçado em outros países.
A ordem no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é buscar aumentar a lista de exceções de produtos brasileiros sujeitos às novas tarifas e retomar as negociações. As informações são do blog do Valdo Cruz.
Nada de radicalismo nem rompantes, como adotar de imediato medidas de reciprocidade, porque é isso, na avaliação de assessores presidenciais, que o presidente norte-americano Donald Trump e o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, desejam.
Se isso acontecer, ambos podem atacar o governo Lula de intransigente e afirmar que Lula submete os planos eleitorais aos interesses das empresas brasileiras.
O Brasil vai insistir na retomada das negociações, mas avalia que, se antes a equipe do presidente dos Estados Unidos não quis de fato negociar, não será agora que eles vão mudar de posição.
“Eles colocaram na mesa temas inviáveis de negociação. E eles sabiam disso. Ceder seria muito prejudicial para as empresas brasileiras, como zerar imposto de importação nos setores químicos, automotivos e de etanol”, reclama um assessor presidencial.
O governo Lula calcula bem sua reação às decisões de Donald Trump porque, hoje, a maioria dos brasileiros tem uma avaliação negativa do presidente dos Estados Unidos e associa o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ao novo tarifaço.
Inicialmente, a equipe de Lula falou em acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, mas a preferência é por retomar as conversas. De todo modo, isso não está descartado, mas o processo é demorado.
A Lei da Reciprocidade Econômica autoriza o governo brasileiro a adotar medidas contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil. Entre as possibilidades previstas estão a elevação de tarifas sobre produtos importados, a suspensão de benefícios comerciais e outras restrições econômicas.
A preferência é insistir nas negociações, buscando passar para o lado dos Estados Unidos a decisão de não retomar as conversas. Por sinal, dentro do governo ninguém acredita que algo seja acordado antes das eleições presidenciais no Brasil. Na avaliação de integrantes do governo, os últimos movimentos da equipe de Donald Trump são na linha de apoiar a eleição de Flávio Bolsonaro.
A Espanha balançou as redes na prorrogação, venceu a Argentina por 1 a 0 na final da Copa do Mundo e conquistou seu segundo título mundial. A decisão aconteceu no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey (EUA), neste domingo (19).
O gol salvador foi de Ferran Torres, atacante do Barcelona. O camisa 7 foi o herói no tempo extra com o mesmo roteiro de 16 anos atrás, quando Iniesta também fez na prorrogação e deu o título à Espanha. Os espanhóis martelaram por 106 minutos até superarem o goleiro Dibu Martínez. As informações são do UOL.
Enzo Fernández foi expulso no fim do tempo regulamentar. O jogador levou o segundo amarelo após chegar atrasado em dividida com Cubarsí e complicou a Argentina na prorrogação.
A Espanha começou a Copa com empate contra Cabo Verde, mas venceu todas as partidas na sequência. Liderada pelo treinador Luis de La Fuente, a Fúria levou apenas um gol, na vitória contra a Bélgica, nas quartas de final. O ataque balançou as redes 14 vezes na competição.
Com a vitória neste domingo (19), a Espanha também bateu recorde e agora é a seleção com maior sequência invicta na história. São 38 jogos sem perder, um a mais que a Itália, que teve 37 partidas de invencibilidade entre 2018 e 2021.
A Argentina venceu os sete jogos no caminho até a decisão. O time comandado pelo técnico Lionel Scaloni marcou 19 gols e cedeu apenas oito. Viradas ‘relâmpago’ no fim dos jogos contra Egito e Inglaterra, ambas no mata-mata, marcaram a campanha argentina.
A Copa do Mundo teve 104 partidas disputadas. Foi a primeira edição com número ampliado de participantes, com 48 seleções em vez de 32. O Mundial também teve três sedes: Estados Unidos, México e Canadá.
A Copa do Mundo da Fifa 2026 entrou para a história antes mesmo do apito inicial. A edição, que terá a final disputada entre Espanha e Argentina neste domingo (19), dividiu espaço com episódios políticos e controvérsias que extrapolaram as quatro linhas do campo. Entre os protagonistas desses episódios esteve o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as políticas de imigração do seu governo.
Antes mesmo do início da competição, o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito o melhor do continente africano em 2025, foi impedido de entrar nos Estados Unidos para apitar a Copa do Mundo e o atacante da seleção do Iraque Aymen Hussein foi interrogado durante sete horas em sua chegada ao país. Além disso, a delegação iraniana foi proibida de se hospedar em solo norte-americano devido a restrições de vistos.
O caso de maior repercussão, contudo, ocorreu após a expulsão do atacante Folarin Balogun, da seleção norte-americana. Trump admitiu que entrou em contato com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da punição aplicada ao jogador.
O cartão vermelho foi anulado, e o jogador participou da partida contra a Bélgica. Em resposta, atletas da seleção europeia imitaram uma famosa dança do presidente norte-americano após eliminarem os Estados Unidos com uma goleada de 4×1, em Seattle.
Geopolítica
Para o cientista político e professor universitário Manoel Moraes, a relação entre política e Copa do Mundo está longe de ser uma novidade. Segundo ele, o esporte sempre despertou o interesse do poder político.
“Há muito tempo se percebe a influência das decisões políticas na Fifa e na geopolítica internacional. O poder precisa ocupar os espaços que ajudam a organizar a sociedade. Como o esporte mobiliza milhões de pessoas, recursos e atenção, ele naturalmente se torna um ambiente disputado pelo poder político. Isso não é novo. Desde a Roma Antiga já existia a lógica do ‘pão e circo’, em que o entretenimento também cumpria uma função política”, afirmou.
Já na visão da cientista política Priscila Lapa, o contexto mundial contribuiu para ampliar a percepção sobre os episódios políticos que envolveram a competição. “A gente vive um contexto internacional de extremos políticos, de muita fragilidade dos organismos internacionais de mediarem conflitos. A gente nunca mais tinha vivenciado tantos conflitos armados ao mesmo tempo. Então eu acho que a Copa vem com esse plano de fundo da gente ter um contexto político internacional mais acirrado.”
Relação
Para Moraes, o protagonismo dos Estados Unidos decorre não apenas de sua posição política, mas também do peso econômico que exerce sobre o futebol mundial. Segundo Moraes, a relação de força pode ser observada ao comparar a Copa do Mundo de 2026 com a edição de 2014, realizada no Brasil.
Enquanto o governo brasileiro precisou alterar normas e atender a uma série de exigências impostas pela Fifa para sediar o torneio, nos Estados Unidos a lógica foi inversa, com a entidade se adequando às condições estabelecidas pela maior potência econômica do planeta.
“No caso do Brasil, a pressão da Fifa levou até à mudança de leis. Havia uma legislação que proibia a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, mas ela precisou ser alterada por causa dos patrocinadores internacionais. Isso mostra como o capitalismo exerce influência sobre o esporte. Já nos Estados Unidos aconteceu o oposto: eles não precisaram se adaptar porque já ocupam essa posição de força dentro da lógica do capitalismo global”, comparou.
Tensão
Outro episódio que evidenciou a tensão entre futebol e política envolveu a seleção do Haiti. Às vésperas da Copa do Mundo, a Fifa proibiu que a equipe utilizasse um uniforme com a ilustração da Batalha de Vertières, confronto travado em 1803 que marcou a derrota das tropas francesas, a independência haitiana e o fim da escravidão no país.
A entidade considerou que a imagem possuía caráter político e, por isso, violava as regras da competição, obrigando a equipe a alterar o uniforme. Já o técnico da seleção do Egito, Hossam Hassan, foi advertido após realizar um gesto de solidariedade à população palestina durante coletiva.
Por outro lado, o torcedor símbolo da seleção da República Democrática do Congo, Michel Kuka Mboladinga, foi convidado pela delegação congolesa e teve liberdade para acompanhar os jogos da equipe na Copa. No estádio, o torcedor, vestido com um terno com as cores da bandeira da nação, imita Patrice Lumumba, um dos líderes da independência do país.
Outra demonstração política foi protagonizada por jogadores argentinos, que comemoraram a vitória nas semifinais contra a Inglaterra segurando uma faixa com a frase “As Malvinas são argentinas”. As Ilhas Malvinas são um território britânico e objeto de uma disputa de soberania entre o Reino Unido e Argentina. Em reação, o secretário britânico de Negócios e Comércio, Peter Kyle, afirmou esperar que a Fifa realize uma investigação completa sobre o ocorrido.
Contradição
Os casos reacenderam críticas sobre a seletividade da Fifa na aplicação de seu Código Disciplinar, sobretudo diante de outras manifestações políticas registradas ao longo do Mundial. Para Priscila Lapa, os episódios também revelaram dificuldades da Fifa em exercer o papel de mediadora entre diferentes países e conflitos políticos.
“A Fifa deveria funcionar como um grande órgão intermediador dessas relações, de neutralizar os conflitos, de deixar com que as regras do mundo esportivo prevalecessem sobre qualquer outro tipo de leitura política. Mas isso é muito difícil na prática. A gente viu a incapacidade da Fifa muitas vezes em atuar como ela deveria”, afirmou.
Um dos episódios mais desafiadores para a entidade envolveu o árbitro-assistente de vídeo Shaun Evans. Durante a partida da Alemanha contra Curaçao, o profissional foi acusado de fazer um gesto supremacista na transmissão da partida. Ele negou ter feito um sinal de forma intencional e foi inocentado pela Fifa após investigação.
Dimensão
Na avaliação do professor Manoel Soares, o esporte exerce um papel que vai além do entretenimento e pode funcionar como instrumento de formação cidadã. “Existe uma dimensão no esporte que transforma a vida humana para além da geopolítica. O esporte tem esse impulso de unir pessoas diferentes para buscar um resultado que não necessariamente é a vitória, mas a participação no jogo”, defendeu.
Para o especialista, atletas e grandes competições possuem capacidade de influenciar debates públicos e fortalecer valores democráticos quando há espaço para manifestações legítimas. “O esporte pode ser um grande instrumento de educação, um vetor de civilização. Se reproduzirmos iniciativas que fortalecem a cidadania, teríamos jogadores contribuindo para a dignidade humana”, destacou.
Um caso que extrapolou a rivalidade dos estádios envolveu comentários racistas da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o jogador francês Kylian Mbappé após a eliminação do Paraguai pelos Les Bleus. Em resposta, o jogador chamou a parlamentar de “desprezível”. O episódio gerou investigação na França e repúdio internacional.
Na esteira de tantas polêmicas, Moraes alerta que o potencial de conciliação do esporte tem sido gradativamente substituído por interesses comerciais. Para o especialista, a crescente influência econômica sobre o futebol contribui para enfraquecer o papel social das grandes competições. “O esporte pode ser um instrumento de alienação, como também pode ser um elemento de reflexão. Quando ele se torna apenas comércio e um jogo de interesses do capital, empobrece bastante”, concluiu o professor.