Bolsonarismo aproveita posse de Milei para antecipar campanha eleitoral

A ordem unida transmitida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro é tentar transformar a posse de Javier Milei como presidente da Argentina numa antecipação da campanha pelas eleições municipais de 2024 no Brasil.

Bolsonaro carregou para a posse de Milei, além de seus filhos, três governadores brasileiros marcadamente bolsonaristas: Tarcísio de Freitas (São Paulo), Claudio Castro (Rio de Janeiro) e Jorginho Mello (Santa Catarina). Além de candidato à reeleição em 2026, eles tentarão eleger o máximo de aliados em 2024. As informações são do UOL.

O ex-presidente aposta na posse de Milei como o início da formação de uma frente internacional ultraconservadora capaz de influenciar a campanha eleitoral do Brasil em 2024.

Essa frente estará completa se o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, derrotar o atual, Joe Biden, nas eleições presidenciais daquele país.

Os governadores bolsonaristas aderiram de bom grado a essa estratégia, assim como o PL, partido do ex-presidente, e algumas legendas próximas, como o Republicanos, de Tarcísio de Freitas.

Diferentemente do PL, no entanto, o Republicanos ainda mantém um pé em cada canoa, tanto abrindo espaço para candidatos marcadamente bolsonaristas em todo o país, como para candidaturas próximas ao governo.

Essa estratégia está sendo seguida pela maioria dos partidos do chamado centrão: mantém-se próximos ao governo petista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não se afastam totalmente do bolsonarismo, à espera de ver para onde soprarão os ventos em 2024.

Do Blog do Ney Lopes

Diz o provérbio: “Se você não quer se meter em dificuldades, tome cuidado com o que diz”.

Esse conselho deve ser dado ao presidente Lula, em relação a sua participação na busca da paz no atual confronto entre a Venezuela e a Guiana. Mesmo dizendo-se amigo do ditador Maduro, a quem tratou como um democrata em reunião de presidentes em Brasília.

Lula pagará caro se não defender a paz na América Latina. Além de tudo que já fez, Maduro ameaça invadir um país vizinho para defender à força suas reivindicações territoriais. Nas últimas horas, há sinais de diálogo com o encontro na próxima quinta (14) dos presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e o guianense Irfaan Ali, na ilha São Vicente e Granadinas.

O presidente Lula, a convite de ambas as partes, estará presente. O bom senso indica que só existe uma alternativa: exigir do presidente Maduro que não crie uma guerra na América do Sul e acabe arranhando a liderança do Brasil na região.

Já há muitos conflitos no mundo. Uma guerra na América do Sul seria péssimo sinal para a posição geopolítica brasileira e a economia do continente. A controvérsia terá que ser resolvida pelas vias legais e diplomáticas.

Lula reuniu-se com o seu eficiente ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, e já analisou o quadro da discórdia entre os dois países. As Forças Armadas brasileiras, por precaução, estão unidas e alertas. O presidente brasileiro não pode atuar com “panos mornos”. Tem de ser mais enfático – e até fazer ameaças à Venezuela, caso não recue em suas intenções bélicas.

É óbvio que se houver guerra, os Estados Unidos e o Reino Unido entrariam em cena para proteger a Guiana. Sobretudo, porque têm negócios importantes no país, uma ex-colônia britânica. Seria uma nova guerra das Malvinas.

As raízes do conflito encontram-se na região de Essequibo, uma área de 160.000 quilômetros quadrados, localizada na costa norte-atlântica da América do Sul, entre a Venezuela, a oeste, e o Suriname, a leste. É maior que a Grécia e rica em minerais.

Tanto a Venezuela quanto a Guiana fazem fronteira com o Brasil. O governo venezuelano reivindica Essequibo, apesar da região ter sido reconhecida pela comunidade internacional, primeiro como parte da Guiana Britânica e depois como parte da República Cooperativa independente da Guiana, há mais de 100 anos.

Maduro assumiu o país em 2013, após a morte do ex-presidente Hugo Chávez, e persistiu com políticas que debilitaram a economia da Venezuela. A legitimidade do governo Maduro tem sido questionada internacionalmente desde 2019, depois que ele manteve o poder, apesar de aparentemente perder a eleição presidencial no ano anterior.

Com uma nova eleição marcada para 2024, Maduro faz grande esforço a fim de galvanizar os eleitores apelando para o nacionalismo de reverter a região de Essequibo para o território do país.

A disputa fronteiriça ganhou destaque, depois que a petroleira ExxonMobil provou que há bilhões de barris em depósitos de petróleo bruto acessíveis comercialmente localizados na costa de Essequibo, nas águas territoriais da Guiana.

Os fatos mostram que o presidente Maduro está em posição delicadíssima na política venezuelana. Atualmente, o país encontra-se em uma encruzilhada, enfrentando  crise política em razão da disputa entre Nicolás Maduro e a oposição venezuelana, que denuncia os abusos de poder cometidos pelo presidente.

As próximas eleições presidenciais estão marcadas para 2024, segundo a Constituição do país, mas ainda não há data definida para a ida às urnas. Maduro está no poder há mais de 10 anos.

Recentemente, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, venceu facilmente a disputa das primárias presidenciais, com 93% dos votos. Entretanto, ela está inabilitada para exercer cargos públicos por 15 anos, em decorrência da aplicação de legislação autoritária editada pelo governo.

Como forma de intimidação, o governo Maduro decretou a prisão de quatro líderes oposicionistas, sob o argumento de traição à pátria, conspiração, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Todos eles pertencem ao staff da pré-candidata vitoriosa María Corina Machado.

Maduro estimula o fervor patriótico e já foi à Rússia pedir apoio. O Reino Unido condenou formalmente as ações da Venezuela na Guiana. Os Estados Unidos fazem exercícios militares na área. Os sinais são de que se caminha para um “beco sem saída”.

Quem pode colocar um ponto final é o Brasil, por ser fronteira e o único acesso por terra da Venezuela à Guiana. Para evitar a guerra,  Lula terá que  segurar o “amigo” Maduro, enquanto é tempo. Do contrário, passará a história como co-responsável pelo conflito.

Da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na manhã deste sábado (9) um telefonema do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A informação foi divulgada pela assessoria do Palácio do Planalto. A conversa tratou sobre a situação em Essequibo, território em disputa por Venezuela e Guiana, que faz também fronteira com o norte do Brasil, no estado de Roraima.

“O presidente Lula transmitiu a crescente preocupação dos países da América do Sul sobre a questão do Essequibo. Expôs os termos da declaração sobre o assunto aprovada na Cúpula do Mercosul e assinada por Brasil, Uruguai, Paraguai, Argentina, Colômbia, Peru, Equador e Chile. Recordou a longa tradição de diálogo na América Latina e que somos uma região de paz”, informou o Planalto, em nota.

No domingo (3), a Venezuela aprovou em referendo a anexação do território de Essequibo. O presidente venezuelano já determinou a criação de um estado na área disputada, que está no território da Guiana.

O assunto entrou na pauta do Conselho de Segurança das Nações Unidas na sexta-feira (8) e o governo dos Estados Unidos anunciou a realização de exercícios militares aéreos conjuntos com militares da Guiana, adicionando um ingrediente extra de tensão.

Ainda durante a conversa com Maduro, o presidente Lula fez um chamado ao diálogo e sugeriu que o presidente de turno da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), Ralph Gonsalves, primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, faça uma mediação sobre o assunto entre as duas partes envolvidas. Lula também reiterou que o Brasil está à disposição para apoiar e acompanhar essas iniciativas e pediu que não haja ações unilaterais que piorem a situação.

Da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite desta sexta-feira (8), que um dos motivos para o impasse no acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul tem a ver com o tema de compras governamentais, que o bloco europeu pretende que seja flexibilizado. A declaração do presidente foi dada durante discurso na abertura da Conferência Eleitoral do PT, em Brasília, quando Lula falava também sobre a competitividade do agronegócio brasileiro.    

“É por isso que nós não fizemos acordo com a União Europeia, porque a gente não quer ceder em compras governamentais. Compras governamentais é uma coisa pra gente atender os interesses do governo, do fortalecimento da indústria e fazer com que as nossas micro, pequenas e médias empresas cresçam. É por isso que nós vamos voltar a colocar componente nacional, vamos voltar a fazer navio e vamos exigir, pelo menos, 65% de conteúdo nacional nas coisas fabricadas, para gerar emprego aqui dentro”.

No último fim de semana, durante a 28ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças do Clima (COP28), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o presidente da França, Emmanuel Macron, mostrou-se contrário a um acordo. No entanto, dias depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ter esperança na conclusão de um acordo, cujas negociações se arrastam há mais de 20 anos. Durante a Cúpula do Mercosul, essa semana, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também demonstrou otimismo no fechamento de um acordo “muito em breve”.

O acordo UE-Mercosul chegou a ter um anúncio de conclusão geral em 2019, mas nem todos os pontos foram pactuados e, mesmo assim, há um longo caminho para sua efetiva entrada em vigor. Isso porque o tratado precisa ser ratificado e internalizado por cada um dos Estados integrantes de ambos os blocos econômicos. Na prática, significa que o acordo terá que ser aprovado pelos parlamentos e governos nacionais dos 31 países envolvidos, uma tramitação que levará anos.

O ministro da Defesa, José Múcio, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não apoiará arbitrariedades na crise entre a Venezuela e a Guiana. Segundo o petista, a questão deve ser “resolvida no campo diplomático”.

“O presidente estava tranquilo. Disse que o Brasil não apoia nem apoiará nenhum ato de arbitrariedade e que a coisa precisa ser resolvida no campo diplomático”, falou Múcio à CNN depois de reunião com Lula, na sexta-feira (8).

Há preocupação nas Forças Armadas em relação às movimentações do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Foi realizado um referendo no país para anexar a região de Essequibo, na Guiana. A consulta popular teve 95% de aprovação, segundo o governo.

Questionado sobre uma possível escalada de tensão, Múcio disse não ser possível afirmar que o conflito evoluirá. “Eu não sei o que vai acontecer. É uma briga de 2 países. Temos que ter cuidado para não entrar. A comunidade internacional cuidará do resto”, declarou. “Mas acredito que Maduro não irá provocar o Brasil”.

Ao Poder360, o ministro contou que o presidente orientou o monitoramento da fronteira. “Sobre a fronteira com a Venezuela, o presidente disse para termos cuidado”, falou.

Há um mal-estar nas Forças Armadas com o silêncio do presidente em relação à região. Militares dizem que, sem uma orientação política de como agir – o Brasil faz fronteira tanto com a Venezuela quanto com a Guiana – é difícil criar uma estratégia.

O silêncio contrasta com as diversas falas de Lula a respeito de outros conflitos a milhares de quilômetros do Brasil, como a guerra na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Lula fez diversas críticas e propostas. Quanto à Venezuela, nada ainda.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assinou na sexta-feira (8) seis decretos para incorporar Essequibo e transformar a região em um Estado venezuelano. A medida dá sequência ao referendo realizado no país no domingo (3), sobre a anexação do território guianês. A consulta popular teve 95% de aprovação, segundo Caracas.

“Assinei os decretos oficiais para o desenvolvimento e defesa do novo Estado da Venezuela ‘Guayana Esequiba’. Peço a bênção do criador e todo o apoio do povo venezuelano e da FANB [Força Armada Nacional Bolivariana] para avançarmos em paz rumo ao grande objetivo: que a nossa Venezuela permaneça com seu mapa completo e siga seu caminho de glória e união. Publique e cumpra”, disse Maduro em post no X, antigo Twitter. As informações são do Poder360.

Na terça-feira (5), o presidente venezuelano já havia apresentado um projeto de lei para regulamentar a criação do novo Estado. Ele também divulgou o que chamou de “novo Mapa da Venezuela”, onde a região de Essequibo aparece como parte do país.

Confira os temas dos 6 decretos assinados por Maduro:

  • concessão para licenças de exploração de gás e petróleo em Essequibo e criação de um setor na estatal petrolífera para a região;
  • criação do Alto Comissariado para a Defesa da Guiana Essequiba;
  • publicação e divulgação do novo Mapa da Venezuela em escolas e universidades do país;
  • criação da Zona de Defesa Integral da Guiana Essequiba;
  • nomeação do deputado Alexis Rodríguez Cabello como a autoridade única da Guiana Esequiba de forma provisória;
  • Programa de assistência social à população de Essequibo e expedição de uma nova carteira de identidade para os cidadãos.

Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, 60 anos, comanda um regime autocrático e sem garantias de liberdades fundamentais. Mantém, por exemplo, pessoas presas pelo que considera “crimes políticos”.

Há também restrições descritas em relatórios da OEA (Organização dos Estados Americanos) sobre a “nomeação ilegítima” do Conselho Nacional Eleitoral por uma Assembleia Nacional ilegítima, e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (de outubro de 2022, de novembro de 2022 e de março de 2023).

Por Marcelo Tognozzi*

14 de junho de 1904.

Joaquim Nabuco, 54 anos, atuando como advogado do Brasil, ouve a sentença de apenas duas páginas do rei da Itália, Vitorio Emanuel 3º, sobre a disputa territorial entre o Brasil e o Reino Unido envolvendo um pedaço do que hoje é a Guiana. Nabuco, sempre elegante, um lorde, perfeito cavalheiro, dessa vez não consegue esconder a decepção: o Brasil perderá parte do que hoje é Roraima para os ingleses. A mão treme quando ele assina o recibo da decisão do rei.

Desde 1898, Brasil e Inglaterra disputavam um pedaço de terra conhecido como Pirara, e Nabuco não imaginou perder a parada. Mesmo sendo um monarquista ferrenho, aceitou o convite do presidente Campos Salles e encarou o desafio. Seu fiador era o Barão do Rio Branco, que o municiou de informações, mapas e documentos capazes de sustentar sua defesa.

Nessa mesma época, a Venezuela disputa com os mesmos ingleses parte do território da Guiana conhecido como Essequibo. Por decisão de uma arbitragem internacional, a Inglaterra venceu e ficou com 90% do território em disputa. Em 1948, foram descobertos documentos revelando uma negociação secreta entre os árbitros para dar a vitória aos ingleses, fazendo com que os venezuelanos passassem a questionar a validade da arbitragem. O Brasil, apesar de Nabuco nunca ter confiado na isenção do rei Vitorio Emanuel no julgamento de 1904, jamais a questionou por absoluta falta de provas.

Agora a chapa começa a ferver novamente e a Venezuela quer tomar o Essequibo da Guiana, um país independente, fora do controle inglês, com uma população formada majoritariamente por negros, descendentes de indianos e indígenas. Maduro iniciou sua marcha da insensatez quando promoveu um plebiscito pelo qual o povo venezuelano decidiria sobre a anexação do Essequibo. A ameaça de invasão começa a render e os Estados Unidos já iniciaram a militarização da área onde empresas americanas exploram petróleo. A embaixada dos Estados Unidos em Georgetown anunciou manobras militares conjuntas. O objetivo, segundo a embaixada, é garantir a segurança e a capacidade de responder a ameaças.

Maduro voará para Moscou ainda em 2023 para encontrar Vladimir Putin e trazer a Rússia para dentro da crise sul-americana. Os russos têm sido aliados estratégicos da Venezuela, fornecedores de armas e equipamentos militares, incluindo treinamento. Basta checar o perfil da Venezuela na página da CIA para entender que a disputa com a Guiana pode ser apenas o começo. Com um dos Exércitos mais bem armados da América do Sul, 123 mil homens em armas, a Venezuela esmagaria facilmente os 3.200 soldados da Guiana.

Maduro também cobiça a Ilha das Aves, a 370 milhas da sua costa, onde há grandes estoques de gás natural e de guano, matéria-prima para a produção de fertilizantes e pólvora. Território da minúscula Dominica, com só 80.000 habitantes, a ilha é reivindicada pelo governo venezuelano.

A encrenca do Essequibo é maior do que supunha nossa vã diplomacia.

O Brasil, como país mais importante da região, deve liderar os esforços para que o mapa da América do Sul não seja modificado por uma guerra de conquista. Há inúmeras formas de resolver conflitos sem banhos de sangue e a diplomacia brasileira sempre foi craque na arte do entendimento. Conseguiu resolver, por exemplo, o conflito do Amapá pela via diplomática, depois de escaramuças com os franceses, sem guerra. E deu show na Guerra das Malvinas ao se equilibrar entre ingleses e argentinos.

A região norte da América do Sul foi ocupada por ingleses, franceses e holandeses que nunca conseguiram se estabelecer nos domínios portugueses e espanhóis. Até hoje a França controla a Guiana Francesa. O Brasil, com sua tradição diplomática, tem legitimidade para atuar pela paz, impedindo a marcha da insensatez de Maduro em direção à Guiana. Mas até agora o que vimos foi uma diplomacia tímida, sem o devido protagonismo, quase amadora.

E se os Estados Unidos intensificarem a presença militar na região, o que parece ser inevitável? Será que o Brasil tem como barrar uma eventual invasão da Guiana pela Venezuela? Enquanto Maduro conversa com Putin e distribui nas escolas um novo mapa da Venezuela com o Essequibo anexado, ninguém por aqui sabe o que pensa do assunto a embaixadora brasileira em Georgetown, Maria Clara Duclos Carisio. Lula fala de paz em cima do muro. Diz que Venezuela e Guiana precisam se entender, do mesmo jeito que culpou Ucrânia e Rússia pela guerra. Vamos ver até onde vai a força da nossa diplomacia.

Joaquim Nabuco morreu em 1910, 6 anos depois da derrota para a Inglaterra. Era embaixador do Brasil em Washington e tinha 60 anos. Homenageado pelas universidades de Yale, Wisconsin e Chicago, entrou para a História pela porta da frente, reconhecido como um dos grandes diplomatas brasileiros ao lado do Barão do Rio Branco, seu dileto amigo. Mas a derrota para a Inglaterra deixou uma ferida aberta, conforme ele mesmo escreveu: “Tenho feito todo o meu dever, estou com a consciência tranquila, mas o coração sangra-me; parece-me que sou eu o mutilado do pedaço que falta ao Brasil”.

*Jornalista

Às vésperas da posse de Javier Milei como presidente da Argentina, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-ministro do Turismo, Gilson Machado (PL), se reuniram em Buenos Aires . Em pauta,  a altíssima inflação que o país está, algo em torno de 15 mil por cento ao ano, e as medidas que serão anunciadas no próximo domingo (10), dia da posse, para recuperar a Argentina. 

Na ocasião, Gilson Machado falou da experiência como ministro do turismo. “Uma das maiores relações entre Brasil e Argentina é justamente no Turismo. É muito importante manter e fortalecer essa relação que só trará ganhos para a economia dos dois países”, destacou.

Gilson Machado não perdeu a oportunidade de reforçar esse potencial para o Turismo e Economia através da relação com a capital pernambucana. “Muitos recifenses vão a Buenos Aires e movimentam o turismo daqui. Recife também tem muito a oferecer aos turistas argentinos”, reforçou Gilson.

Também na pauta,  a preocupação do presidente argentino eleito com a segurança em relação aos atentados terroristas. O país já foi vítima de um atentado terrorista em 1994, quando a Associação Israelita Argentina sofreu uma explosão, por um grupo terrorista, matando 85 pessoas e deixando 300 feridas em Buenos Aires. Dois anos depois, em 1996, um novo atentado à Embaixada de Israel matou 29 pessoas na capital Argentina.

O ex-ministro do Turismo brasileiro acompanhará, ao lado de Jair Bolsonaro, a posse de Javier Milei no próximo domingo.

O presidente da Frente Parlamentar Brasil-EUA, deputado federal Eduardo da Fonte (PP), recebeu nesta quarta-feira (6), o Secretário de Estado Adjunto de Assuntos Econômicos e Negócios dos EUA, Ramin Toloui. 

Na pauta, intercâmbio de informações, capacitação e as oportunidades de negócios entre os dois países, sobretudo na área de turismo, incluindo questões como hospedagem e entretenimento, colocando o Brasil num patamar de destaque no setor.

No encontro com Toloui, que representa o órgão mais importante do Poder Executivo depois da Presidência norte-americana, também estiveram presentes os deputados federais Lula da Fonte, (PP/PE), Dep. Bebeto (PP/RJ) e Fernando Máximo (União/RO). 

Também presente no encontro, o deputado estadual Romero Sales Filho (União/PE) ressaltou a importância da integração do Porto de Suape, em  Ipojuca, a toda a região, como forma de desenvolvimento e geração de emprego. Já o prefeito de Santa Maria da Boa Vista, George Duarte, abordou a qualidade e a importância da exportação de frutas e das vinícolas da região do São Francisco. 

Temas de interesse do Congresso Nacional em relação aos Estados Unidos e também da  Embaixada foram abordados no encontro, que também contou com a presença do seu Conselheiro Econômico,  Matt Lowe.

O Brasil anunciou as 13 cidades-sede que irão receber as reuniões dos grupos de trabalho do G20: Brasília (DF), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Foz de Iguaçu (PR), Maceió (AL), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Salvador (BA), São Luís (MA) e Teresina (PI). 

A capital pernambucana, Recife, não foi contemplada pelo governo brasileiro.

As primeiras reuniões estão programadas para dezembro, em Brasília, no Palácio do Itamaraty. Entre os  dias 11 e 15 ocorrem os encontros das Trilhas de Sherpas — que supervisiona as negociações e discute os pontos que formam a agenda da cúpula, e de Finanças — que trata de assuntos macroeconômicos. No dia 13, pela primeira vez na história, as Trilhas de Sherpas e de Finanças estarão em uma reunião conjunta no início dos trabalhos do G20, e não no final, como acontecia em cúpulas anteriores. A integração entre as esferas políticas e financeiras em nível global será um desafio central durante esses encontros.

A descentralização das atividades é uma inovação desta edição, transformando o G20 em um fórum mais acessível e representativo. A realização das reuniões nas cidades-sede espalhadas pelas cinco regiões do País, também é uma estratégia para fomentar o turismo e o intercâmbio cultural e fortalecer relações bilaterais entre as cidades e as nações participantes. O secretário de Relações Internacionais do Governo do Distrito Federal e coordenador do G20 Brasília, Paco Britto, diz que o impacto econômico, de forma direta e indireta, será positivo na Capital Federal. 

Segundo ele, as redes de hotéis da cidade contam com mais de 500 vagas disponíveis, nos meses de janeiro e fevereiro, para receber os visitantes. “Historicamente o período do início do ano é considerado de baixa temporada no Distrito Federal, mas com os eventos do G20 a cidade estará movimentada. Estamos colaborando com a presidência brasileira para mostrar uma boa imagem de Brasília e do Brasil. Nos preparamos para receber as pessoas, e vamos fazer o possível e o impossível para que isso aconteça da melhor forma”, salienta.

Paco Britto acredita que a visibilidade do Brasil na liderança do G20 vai despertar interesse de investidores. Ele avalia que as reuniões do G20 não apenas destacam a relevância do país no cenário global, mas também oferecem uma oportunidade valiosa para abordar questões específicas de cada região. “Brasília, em especial, vai ganhar muito a longo prazo. Temos capacidade para receber investimentos e oferecemos rentabilidade e segurança jurídica”, afirma.  

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Serafim Corrêa, diz que a cidade de Manaus tem uma tradição de sediar eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas, em 2016. Ele avalia que a escolha da cidade para receber reuniões do G20 mostra a relevância da Amazônia para o mundo, e que isso tem efeito imediato no número considerável de pessoas que estarão em Manaus. 

“As economias mais importantes do mundo estarão em Manaus e terão a oportunidade de conhecer o nosso modelo econômico. Também vão trazer os olhos do mundo para ver a Amazônia de outra maneira. A outra oportunidade que nos parece bem relevante é a discussão de assuntos que interessam a Amazônia nessas oportunidades que teremos”, observa.

Reuniões Ministeriais acontecem a partir de fevereiro

Nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2024 será realizada a primeira reunião ministerial da Trilha de Sherpas, no Rio de Janeiro. O encontro presencial estará sob a coordenação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Ainda em fevereiro, nos dias 28 e 29, é a vez de São Paulo sediar a reunião ministerial da Trilha de Finanças. Também de forma presencial, o evento terá a coordenação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Neste evento, a capital Paulista vai receber ministros de finanças e presidentes de bancos centrais das maiores economias do mundo.

Os eventos programados incentivam a participação de líderes e populações locais, empresas e organizações, e representam um passo significativo na descentralização da diplomacia global e contribuem para soluções mais equitativas e sustentáveis sobre uma base de diversidade e entendimento mútuo. O G20 no Brasil em 2024 não é apenas um evento, mas uma oportunidade de redefinir as relações internacionais em um contexto mais inclusivo e participativo.