Funcionário da ONU acusado de participação em ataque a Israel é morto, diz Secretário-Geral

Dos 12 funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência e Obras aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) supostamente envolvidos no ataque mortal do Hamas contra Israel em 7 de outubro, um funcionário foi morto, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Ainda de acordo com Guterres, outros nove funcionários foram demitidos, e as identidades de outros dois estão “sendo esclarecidas”. As informações são da CNN.

“As Nações Unidas estão tomando medidas rápidas na sequência das alegações extremamente graves contra vários funcionários da Agência de Assistência e Obras da ONU (UNRWA)”, disse Guterres neste domingo (28), acrescentando que o órgão de supervisão da ONU já lançou uma investigação e uma revisão independente está prevista.

“Qualquer funcionário da ONU envolvido em atos de terror será responsabilizado, inclusive através de processo criminal”, disse o secretário-geral.

Ele instou, no entanto, os países a continuarem a assistência financeira à UNRWA, que apoia 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza que dependem da “ajuda crucial” para a “sobrevivência diária”, alertando que o financiamento atual da agência “não lhe permitirá cumprir todos os requisitos para os apoiar em fevereiro.”

Na sequência das alegações contra a UNRWA, nove países suspenderam até agora o financiamento da principal agência da ONU em Gaza.

“Embora compreenda as suas preocupações – fiquei horrorizado com estas acusações – apelo veementemente aos governos que suspenderam as suas contribuições para, pelo menos, garantirem a continuidade das operações da UNRWA”, disse Guterres.

“Os alegados atos repugnantes destes funcionários devem ter consequências. Mas as dezenas de milhares de homens e mulheres que trabalham para a UNRWA, muitos deles em algumas das situações mais perigosas para os trabalhadores humanitários, não devem ser penalizadas. As necessidades das populações que atendem devem ser atendidas”, disse ele.

O porta-voz do governo venezuelano, Héctor Rodríguez, acusou a oposição do país de planejar um “golpe de estado” que inclui o assassinato do presidente Nicolás Maduro.

Numa entrevista coletiva televisionada na tarde de sábado (27) em Caracas, Rodríguez disse, sem apresentar provas: “Nenhum processo de negociação pode ser usado para justificar um golpe de Estado. Há pessoas na oposição que estiveram diretamente envolvidas nos planos para matar o presidente e apelar a uma revolta militar. Isso é injustificável. […] O que foi acordado em Barbados referia-se a elementos gerais, mas nunca discutimos o perdão do crime e nunca discutimos nenhum candidato em particular.” As informações são da CNN.

Também no sábado, o negociador da oposição Gerardo Blyde acusou o governo de iniciar “uma escalada repressiva” depois que o Supremo Tribunal do país – que está repleto de apoiantes do governo – desqualificou a candidata María Corina Machado de competir nas eleições presidenciais deste ano. Blyde instou o Supremo Tribunal a permitir que Machado competisse nas eleições e rejeitou quaisquer alegações de que a oposição estava a tentar remover Maduro do poder pela força.

“Nosso caminho é rumo a uma transição pacífica. Nunca participamos de conspirações, planos de golpe ou intervenção armada”, disse ele.

Tanto a oposição como os Estados Unidos acusaram o governo Maduro de repudiar um acordo histórico assinado em Barbados em outubro de 2023, no qual Maduro se comprometeu a realizar eleições livres e justas em troca de uma redução das sanções, entre outras condições.

Rodríguez, que é governadora do estado de Miranda, no centro da Venezuela e participou em vários processos de negociação entre o Governo e a oposição, insistiu que o acordo de Barbados ainda era válido e que Machado foi desqualificado sob acusações de corrupção, o que ela negou repetidamente.

Rodríguez também acusou os Estados Unidos, que estão a considerar restabelecer sanções econômicas à Venezuela na sequência da decisão do Supremo Tribunal, de tentarem “chantagear” a Venezuela e insistiu que as eleições presidenciais serão realizadas “com ou sem sanções”.  

Do blog do Ney Lopes

A Índia foi por muitos anos vista como a relação pobre com a China, retida por um setor estatal esclerosado e burocrático. O país tem enormes problemas de pobreza e infraestrutura precária, mas está começando a emergir como rival de seu grande vizinho, com o tipo de crescimento econômico que já foi o orgulho de Pequim.

A Índia com população de 1,4 bilhão de pessoas ultrapassou recentemente o Reino Unido, como a quinta maior economia global e pode ser a terceira em 2030. O mundo se familiarizou com super milionários chineses, como Jack Ma, o fundador do “Alibaba” (sites de business-to-business, vendas no varejo e pagamentos online).

A Índia rivaliza e tem empresários de expressão global, como Gautam Shantilal Adani, bilionário indiano e fundador do Adani Group, conglomerado multinacional focado no desenvolvimento e operações portuárias. Em 2022, Adani se tornou a segunda pessoa mais rica do mundo, de acordo com a Forbes.

O Banco Asiático de Desenvolvimento projetou que a economia da Índia crescerá em ritmo acelerado de 7,2% este ano, o maior entre os 46 países da região da Ásia e do Pacífico. O PIB do país cresceu 13,8%, no final de 2023. Os controles da pandemia foram suspensos, a produção e serviços cresceram.

Os fatores que influem nesses resultados são a liberalização econômica do setor privado, rápido crescimento da população ativa e do realinhamento das cadeias de suprimentos globais da China. A participação indiana no produto interno bruto mundial mais do que triplicou, desde 1992. Nesse mesmo ano, o PIB dos EUA foi 18 vezes maior que o da Índia. Hoje, o múltiplo caiu para sete.

A Índia parece motivada para continuar sua marcha de crescimento, criando situações de ultrapassagem da Alemanha e o Japão. Há a pretensão de aumentar o setor de manufaturas e desafiar a China como exportadora número 1 do mundo.

O país beneficia-se de uma classe média de bom nível, o que ajuda a desenvolver setores de TI (Tecnologia da Informação) e produtos farmacêuticos. Também tem uma forte demanda do consumidor, que responde por cerca de 55% da economia, em comparação com menos de 40% na China.

O que poderá dificultar a ascensão indiana são os conflitos fronteiriços com a China, que fazem parte de um impasse militar na região de fronteira disputada pelos dois países, desde 5 de maio de 2020, resultando em combates e tiroteios frequentes.

China e Índia estão separadas pela cordilheira do Himalaia e compartilham fronteiras com Nepal e Butão. Ao longo dos limites terrestres há dois territórios em disputa. Esses conflitos estremecem as relações entre os dois gigantes. Não há qualquer indício de solução para a disputa fronteiriça de décadas, o que pode levar a uma nova onda de tensões, a qualquer momento.

A verdade é que China e Índia continuam sendo ferozes rivais. 

Por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, o Museu Sinagoga Kahal Zur Israel abriu suas portas neste sábado (27) com uma programação especial para o público, com o propósito de não esquecer o genocídio em massa de seis milhões de judeus pelo regime nazista.

O dia foi implementado através da Resolução 60/7 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1º de novembro de 2005. A data marca a libertação, em 1945, pelas tropas soviéticas do maior campo de concentração nazista, Auschwitz-Birkenau, na Polônia, no final da 2ª Guerra Mundial. As informações são da Folha de Pernambuco.

O evento contou tanto com uma visita espontânea, assim como também com uma guiada na Sinagoga localizada na Rua do Bom Jesus, no bairro do Recife. Jader Tachlitsky, coordenador de comunicação da Federação Israelita de Pernambuco, ressaltou a importância desse dia e por que é crucial não esquecer os eventos que marcaram a humanidade.

 “Imagine que é um evento que não é tão antigo assim”, começa Tachlitsky. “Década de 30, 40, o surgimento do nazismo, eclosão da Segunda Guerra Mundial, o fenômeno do Holocausto. Se sabe que 6 milhões de judeus foram assassinados, dois terços dos judeus da Europa. Eles não foram mortos porque estavam lutando uma guerra. Eles foram mortos em cima de um regime nazista, que classificava a humanidade em raças superiores e inferiores e que primeiro segregou os judeus, como outros segmentos e depois partiu para uma política de extermínio propriamente dito.”  

A lembrança desse evento é fundamental para a compreensão da história e como um alerta contra a repetição de atrocidades similares. “A Alemanha no final foi derrotada na guerra. Se ela tivesse vencido aquela guerra, qual teria sido o desenrolar daquilo? Então esse marco histórico serve como uma referência fundamental para a reflexão e para a educação”, explica Tachlitsky. “É como se diz, que nunca mais se permita. Nós lembraremos sempre, justamente para impedir que fatos como esse se repitam”, afirma.

No entanto, apesar das lições do passado, Tachlitsky observa que o mundo contemporâneo ainda enfrenta desafios relacionados à discriminação e intolerância.

“Infelizmente, a gente percebe que a gente tá num mundo que continua se discriminando, se perseguindo. Teorias fascistas continuam sendo propagadas, falta de reconhecimento do próximo, falta de reconhecimento da identidade nacional ou da identidade religiosa de vários segmentos”, pontuou Tachlitsky.

Para combater essas tendências preocupantes, Tachlitsky destaca a importância de uma abordagem em duas frentes. “É um alerta permanente que a gente tem que trabalhar em dois sentidos. No sentido da lei, de coibir a ação de grupos que propagam esse tipo de ideal e ao mesmo tempo, tão ou mais importante, educando as novas gerações para compreender o que isso significa e trabalhar no sentido de que isso não possa acontecer.”

A visitante Paula Shinozaki compartilhou sua emoção, destacando a importância não apenas como uma lembrança do passado, mas também como um chamado à ação para construir um futuro de respeito.

“Fiquei tocada pela experiência de visitar a sinagoga durante o evento em homenagem às vítimas do Holocausto. Ver a comunidade reunida para prestar tributo às vítimas foi emocionante. Ficou evidente o compromisso de nunca esquecer os horrores do Holocausto e trabalhar incansavelmente pela tolerância e pela paz”, afirmou Paula Shinozaki.

Em todo o mundo foram rendidas homenagens a todas as vítimas do regime nazista: judeus, ciganos, testemunhas de Jeová, negros, homossexuais, dissidentes políticos, pessoas com deficiência.  

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela confirmou a proibição da líder da oposição, María Corina Machado, de ocupar cargos públicos por 15 anos. A decisão aumenta os obstáculos para a oposição nas eleições e favorece a permanência do ditador Nicolás Maduro no poder. Além de Corina Machado, Henrique Capriles, outra figura proeminente da oposição, também teve confirmada sua inabilitação por 15 anos. Enquanto isso, Leocenis García e Richard Mardo tiveram suas inabilitações canceladas. A medida do TSJ é criticada por políticos e ativistas venezuelanos, que a consideram uma tentativa do regime de enfraquecer a oposição, retirando suas principais figuras do cenário político.

A decisão baseia-se em alegações de que María Corina Machado teria participado de um esquema de corrupção vinculado a Juan Guaidó, durante o período de 2019 a 2023, quando este foi reconhecido como presidente interino por parte da oposição e de outros países. A decisão também levanta preocupações sobre a violação do Tratado de Barbados, assinado entre o governo e a oposição, que buscava garantir eleições livres e justas em troca do relaxamento de sanções dos Estados Unidos. As informações são do Estadão.

Além disso, a situação política na Venezuela se intensifica com a prisão de colaboradores de María Corina Machado por supostas conspirações. O procurador-geral do país, Tarek William Saab, indiciou líderes regionais da sua campanha por envolvimento em uma suposta conspiração contra o governo.

Apesar das pressões, a oposição reafirma sua intenção de manter a rota eleitoral, considerando a decisão do TSJ como um obstáculo, mas sem abandonar a via democrática. O enfraquecimento do regime de Maduro é percebido como a principal razão para sua postura mais defensiva e agressiva contra os opositores. A Constituição venezuelana e a inabilitação de mais de 1.400 cidadãos para cargos públicos desde 2002 levantam questões sobre a legalidade dessas sanções administrativas. 

A Noruega, envolvida nas negociações entre Maduro e a oposição, propôs um mecanismo de revisão das inelegibilidades, mas as recentes decisões do TSJ indicam uma falta de avanço nesse processo. A crise política e as ameaças de reversão de medidas pelos Estados Unidos intensificam a instabilidade interna no país, enquanto Maduro declara que os acordos assinados com a oposição estão “mortalmente feridos”.

Em meio à guerra entre Israel e o Hamas, Itália, Estados Unidos, Austrália e Canadá suspenderam o financiamento da Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos, a UNRWA, após a acusação de Israel de que agentes do órgão estariam envolvidos no ataque do Hamas em região próxima à Faixa de Gaza em 7 de outubro. O Ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, declarou em seu perfil no X (antigo Twitter), que o país suspendeu o apoio à UNRWA “após o ataque atroz a Israel”, sem direcionar a suspeita do Estado governado por Benjamin Netanyahu. 

Já a ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, disse estar profundamente preocupada com as acusações. “Estamos conversando com parceiros e suspenderemos temporariamente o desembolso de financiamento recente”, escreveu a política na mesma rede social. As informações são da Veja.

Hussein al-Sheikh, secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), lamentou a suspensão do apoio à agência da ONU e disse que isso provoca grandes riscos de ajuda política e humanitária. “Apelamos aos países que anunciaram a cessação do seu apoio à #UNRWA para que revertam imediatamente a sua decisão, o que implica grandes riscos de ajuda política e humanitária, pois neste momento específico e à luz da contínua agressão contra o povo palestiniano, precisamos do máximo apoio a esta organização internacional e não interromper o apoio e a assistência a ela”, disse al-Sheikh.

Em um comunicado oficial, o Hamas acusou Israel de fazer uma campanha de incitamento contra as agências da ONU que prestam assistência aos palestinos na Faixa de Gaza. Na última sexta-feira (26), a UNRWA negou que exista um conluio entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Hamas. “Enfatizamos a importância do papel destas agências na prestação de socorro ao nosso povo e na documentação dos crimes da ocupação”, afirmou o órgão.

Israel Katz, ministro das Relações Exteriores de Israel, avisou que o país tentará impedir a UNRWA de operar em Gaza após a guerra.

Por Marcelo Tognozzi*

Meu pai tinha um livro chamado “Mil Dias” de Arthur M. Schlesginger Jr, vencedor do Pulitzer de 1966. Eram 2 volumes que ficavam bem no centro da sua estante de livros. O “Mil Dias” conta a biografia de John Kennedy durante seu período na Casa Branca. Eu era um moleque de 8, 9 anos, olhava aqueles volumes e imaginava que, pela grossura dos exemplares, cada página devia corresponder a 1 dia.

Mais de 3 décadas depois, fui entender o significado de 1.000 dias de governo na política norte-americana. Eles são um marco. Depois deles é campanha. Se o governante fez o dever de casa com competência, estará a um passo da reeleição. Do contrário, acabará às portas de uma aposentadoria dourada, coberta de pequenas glórias.

Neste ano, teremos eleições nos Estados Unidos e tudo indica que o presidente Biden não terá vida boa até novembro, quando os norte-americanos irão às urnas decidir seu destino político. É o que mostra pesquisa publicada no site FiveThirtyEight comparando os 1.000 dias de Biden com os presidentes que estiveram na Casa Branca nos últimos 78 anos, começando por Harry Truman (1945-1953).

Biden tem uma rejeição crescente. De abril de 2023 a janeiro deste ano, ela cresceu quase 7 pontos e chegou a 55,7% em 24 de janeiro. Biden chegou aos seus 1.000 dias com apenas 38,8% de aprovação. Nem Jimmy Carter, com 53,8% de aprovação no seu milésimo dia, registrou performance tão ruim. Carter foi derrotado por Reagan. Truman, que chegou a ter 36,1% de aprovação, acabou se reelegendo.

Biden está pior que Bush pai, que tinha 46,3% de aprovação nos 1.000 dias, e Trump (42,8%), que não foram reeleitos. Exceto Kennedy, assassinado em 22 de novembro de 1963, os demais ex-presidentes ganharam um 2º mandato.

Nas principais pesquisas listadas pelo FiveThirtyEight neste janeiro, todas mostram a popularidade de Biden em queda, com aumento das avaliações negativas variando de 10% a 22%. No pior cenário, Biden tem 35% de aprovação e 57% de desaprovação. No melhor, tem 55% de rejeição e 44% de aprovação.

Aos 81 anos (em novembro completará 82), o atual presidente norte-americano dá sinais claros de limitações em função da idade. Tem problemas de locomoção e cometido gafes em série, como chamar o Camboja de Colômbia, confundir a seleção neozelandesa de rúgbi com um grupo militar britânico ou terminar um discurso em Connecticut com a frase “Deus salve a rainha”, sem que o evento, o local ou sua fala tivessem qualquer ligação com a Sua Majestade, que morreria 3 meses depois.

Para piorar ainda mais o inferno de Biden, pesquisa publicada no fim de 2023 registrou que 70% dos norte-americanos acreditam que a política econômica de Biden prejudicou a economia do país. Só 14% viram alguma melhora.

Há fatos que têm incomodado e até revoltado eleitores norte-americanos, como o empobrecimento da Califórnia e outros Estados como Pensilvânia, onde há leis que permitem cidadãos roubarem mercadorias de lojas e supermercados sem serem incomodados pela polícia. O resultado tem sido o esvaziamento econômico com empresas mudando para o Texas ou a Flórida, onde esse tipo de tolerância não existe.

Outro problema é a política externa de Biden, principal financiador da Ucrânia na guerra contra a Rússia, cujos resultados são tão ruins quanto a memória do presidente, que trocou o nome do presidente Volodymyr Zelensky e insiste em chamá-lo de Vladymyr. Há também uma atuação tímida no conflito do Essequibo e na guerra do Oriente Médio.

O establishment norte-americano não conseguiu matar Donald Trump como fizeram no Brasil com o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje impedido de disputar eleições. Trump se prepara para receber a indicação do Partido Republicano depois de vencer as primárias de New Hampishire e desidratar um por um dos seus adversários internos. Será muito, muito difícil mesmo, barrar sua candidatura nessa altura do campeonato.

Nos últimos 3 anos, Trump sofreu muita pressão e muito lawfare, com parte do judiciário norte-americano movido a militância política. Foi superexposto na mídia, que o submeteu a todo tipo de constrangimento, dando voz a qualquer um que o acusasse de qualquer coisa: de envolvimento com prostitutas até sonegação de impostos. Todo esse esforço de desconstrução de imagem não encontrou guarida no eleitor estadunidense médio que, seja pelas trapalhadas do presidente ou pelos excessos contra Trump, rejeita Biden e os democratas.

Pela 1ª vez em muitas eleições, o presidente é o único candidato competitivo dos democratas. Isso indica a necessidade de uma autocrítica e reposicionamento, como se deu depois que Reagan governou 8 anos e Bush pai, 4. Ou seja, levaram 12 anos para se recuperar da derrota de Carter.

Para ganhar a eleição em novembro, Biden precisa pôr em prática uma lição que Carter tentou aprender, mas não foi capaz. A crise do seu governo é de confiança. Quando o eleitor diz que a economia vai bem, mas esse mérito não é do governo, é porque ele confia mais nos agentes econômicos do que no presidente. Parodiando James Carville, marqueteiro de Bill Clinton: é a confiança, estúpido.

Em 15 de julho de 1979, Carter fez um longo discurso em rede nacional. Falou sobre suas viagens ao interior e repetiu frases ouvidas dos eleitores. Destaco 2 delas: “Você não vê mais o suficiente as pessoas”; e “Não fale conosco sobre política ou a mecânica do governo, mas sobre a compreensão do nosso bem comum”.

Adiante, ele admite que os Estados Unidos viviam uma crise de confiança, a qual passava pelo choque do petróleo e o encarecimento da energia nos anos 1970.

Mas mesmo reconhecendo o problema, Carter não soube propor uma solução que seduzisse o eleitorado e restaurasse a confiança perdida. No ano seguinte, foi derrotado por Reagan. Se Biden tiver tempo e disposição para consertar isso, pode virar o jogo. Se não conseguir, acabará com pequenas glórias e uma aposentadoria dourada igual a de Jimmy Carter.

*Jornalista

Do blog do Ney Lopes

Parece ficção, mas a lei dos Estados Unidos, país mais avançado do mundo, não proíbe que um candidato a presidente da República, considerado penalmente culpado, possa fazer campanha e, se ganhar, exercer o cargo mesmo na prisão.

Na eleição de 5 de novembro deste ano há um caso típico. O republicano Donald Trump é alvo de diversos processos em diferentes esferas judiciais. Mesmo assim, ele deu todas as indicações de que seguirá em frente, independentemente do que aconteça.

Trump tem uma vida pessoal tumultuada. Fatos e curiosidades lançam luz por trás das manchetes que envolvem seu nome. Vejamos alguns detalhes e episódios que lhe rendem seguidores leais e críticos fervorosos.

Foi o quarto dos cinco filhos de Fred Trump, construtor civil de sucesso, cuja empresa respondeu na justiça por abusar do programa de garantia de empréstimo, superestimando os custos de seus projetos de construção. Trump foi co-proprietário de três grandes concursos de beleza de 1996 a 2015: Miss Universo, Miss EUA e Miss Teen USA.

Dorme apenas quatro horas por noite. Foi para a escola militar aos 13 anos, quando o seu pai decidiu enviá-lo, porque sentiu que o jovem Donald precisava de mais disciplina e foco em sua vida. Quando se trata de jantar, as principais escolhas de Donald Trump são bifes e massas. Tem amor por fast food.

Ele evitou o alistamento para o serviço militar no Vietnã cinco vezes, sendo quatro vezes na faculdade e uma vez alegou que sofria de esporas ósseas nos pés.

Trump acredita em lema de vida bastante existencial. Diz que “ por mais triste que pareça, a vida é o que você faz enquanto espera a morte, então é melhor se divertir”.

Já foi processado mais de 3.000 vezes pelos seus parceiros de negócios, funcionários, empreiteiros e bancos. Desde a década de 70, mais de 20 mulheres acusaram-no de má conduta sexual.

Teve três afiliações políticas. Foi democrata de 1987 a 2009, independente em 2011-2012 e atualmente republicano.

Fabricado na China, o papel higiênico Donald Trump é comercializado como um “presente político único”, macio e ultra absorvente.

Ele tem uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em reconhecimento às suas contribuições para a indústria do entretenimento. Trump sempre demonstrou estilo pessoal incomum. É intensamente preocupado em demonstrar seu sucesso e realizações para os outros.

Mostra temperamento exaltado com tendência a retaliar duramente aqueles que, em sua opinião, o traíram ou o trataram injustamente. Trouxe esse perfil para a política.

Ultimamente, como pré-candidato, tem deixado de acusar o democrata Biden de senilidade, pelo fato de ele próprio demonstrar falhas na percepção de nitidez mental.

A rival Nikki Haley observou que ele “ficou confuso” ao confundi-la com a deputada Pelosi várias vezes durante um discurso, acusando que ela era “responsável pela segurança” no Capitólio dos EUA, em 6 de janeiro de 2021.

Trump pretende voltar à presidência americana trazendo consigo a memória de ter comandado ataque armado ao Congresso do seu país e com a dúvida de que poderá aproximar-se da Rússia, pela sua amizade com Putin.

Realmente, é uma sombra, não apenas para o seu país, mas para o mundo.

Em resposta a uma carta enviada pelo presidente americano Joe Biden, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou Biden para uma visita ao Brasil “preferencialmente neste primeiro semestre”.

No texto da carta, o presidente brasileiro destaca o contexto dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e afirma que, em função disso, “gostaria muito de convidá-lo para visitar o Brasil, preferencialmente neste primeiro semestre” para que os dois possam “celebrar a ocasião no mais alto nível e dar continuidade ao aprofundamento de nossa parceria”.

Poucos parágrafos depois, chegando ao fim da carta, Lula volta a dizer que “gostaria muito de contar com a sua presença no Brasil”.

Troca de cartas

A mensagem do presidente do Brasil para Joe Biden foi enviada em 23 de janeiro. Antes disso, em 17 de janeiro, Biden escreveu para Lula. Como noticiou o blog da Natuza Nery, em sua carta, Joe Biden chama Lula de “amigo” e diz que há muito a ser feito pelos dois presidentes.

A carta enviada pelo governo americano também diz que eles estarão “lado a lado para garantir que a democracia continue triunfando”. Na mensagem, o presidente Joe Biden expressou concordância com o discurso de Lula no aniversário dos ataques golpistas de 8 de janeiro.

Ao reforçar a insistência para o convite da visita de Biden no primeiro semestre, o governo brasileiro considera que seria o momento oportuno para Lula reforçar o apoio a ele em um ano de eleições nos Estados Unidos, com o presidente americano enfrentando uma dura campanha pela reeleição.

Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia último dia 17, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que o Brasil e os Estados Unidos estarão “lado a lado para garantir que a democracia continue triunfando”.

Biden chama Lula de amigo e diz que há muito a ser feito pelos dois mandatários. O presidente americano expressou concordância com o discurso de Lula no aniversário dos ataques golpistas de 8 de janeiro. As informações são do blog da Natuza Nery.

“Meu amigo, ainda temos muito a realizar. Como você afirmou com tanta razão em seu discurso marcando o triste aniversário da tentativa de golpe de Estado no Brasil, a democracia nunca está pronta, precisa ser construída e cuidada todos os dias’.”

Os ataques golpistas ao Brasil aconteceram em 8 de janeiro de 2023, dois anos após os ataques ao Capitólio dos Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2021.

Ambos os casos guardam muitas semelhanças. Nos EUA, os golpistas não aceitavam a derrota do ex-presidente Republicano Donald Trump para o atual presidente. No Brasil, os eleitores favoráveis a Jair Bolsonaro também não aceitavam a derrota do capitão reformado para Lula. O questionamento do resultado das eleições, nos dois países, se deu pela tentativa de deslegitimar as eleições alegando fraude.

No último dia 23, Lula escreveu a Biden e o convidou para vir ao Brasil. O petista ressalta, em sua carta, a boa relação entre os dois países no momento e o aniversário de 200 anos das relações diplomáticas entre os dois Estados.

Nos bastidores, a reportagem apurou que a intenção de Lula é fazer um gesto no momento em que Biden está em um processo de sucessão, e ele fez esse gesto por diversos motivos. Biden enfrentará uma dura campanha para conquistar sua reeleição em novembro deste ano. O presidente americano tem ido bem nas primárias do partido, mas sua ausência nas prévias Democratas têm preocupado eleitores.

O Brasil e os EUA mantém relações diplomáticas desde 1824, quando o então presidente americano, James Monroe, reconheceu a independência do Brasil. A primeira missão diplomática (Legação) dos EUA no Brasil foi instaurada em 1825, no Rio de Janeiro. O representante americano em terras brasileiras foi Condy Raguet. Ele se apresentou ao imperador Dom Pedro I em outubro daquele ano.

Levou 80 anos para que a legação tivesse o seu status elevado para Embaixada. Em 1 de janeiro de 1905, David E. Thompson foi nomeado embaixador dos EUA no Brasil.