Planos de saúde ficam 40% mais caros na Argentina após desregulação de Milei

A foto mostra um homem de aparência simples carregando um carrinho de mão com pilhas e pilhas de dinheiro: “O usuário do plano de saúde indo pagar sua mensalidade de janeiro de 2024”, diz a legenda, em um dos muitos memes que tentam digerir a novidade desta sexta (22) na Argentina.

Diversas operadoras de planos de saúde do país começaram a enviar comunicados aos seus clientes avisando que as mensalidades subirão cerca de 40% de uma vez no próximo mês, mencionando o superdecreto de urgência anunciado pelo novo presidente Javier Milei na última quarta (20). As informações são da Folha de São Paulo.

O pacote, que revogou ou alterou mais de 300 normas para desregular a economia do país, eliminou os controles de preços na saúde privada e equiparou a chamada “medicina pré-paga” à “obra social”, o que significa que não haverá mais a intermediação de sindicatos no setor.

Cerca de 61% da população argentina usa a medicina privada, outros 36% têm acesso apenas ao sistema público, e 3% contam com planos estatais, segundo o censo de 2022. A porcentagem é muito mais alta do que no Brasil, onde apenas 25% têm planos de saúde.

O decreto de Milei só entra em vigência na próxima sexta (29) e, para que seja definitivo, tem que evitar ser barrado pelo Congresso no próximo mês. Mesmo assim, as empresas já pactuaram os incrementos entre si para começar a recompor as perdas que sofreram com a inflação nos últimos anos.

“Os custos subiam pelo elevador, enquanto os ajustes das mensalidades subiam pela escada, o que gerava um deterioro descomunal”, afirmou Claudio Belocopitt, presidente da União Argentina de Saúde (UAS) e dono da Swiss Medical, uma das maiores operadoras do país, a Radio con Vos.

As empresas argumentam que os preços vêm se atrasando há cerca de 11 anos, especialmente nos últimos dois anos, quando a inflação disparou. Nos últimos três meses, durante a campanha eleitoral, o governo de Alberto Fernández também congelou os preços por três meses.

Segundo estimativas da Associação Civil de Atividades Médicas Integradas (Acami), os índices de preços em geral dispararam 780% de dezembro de 2019 a outubro deste ano, enquanto as mensalidades dos planos subiram 510% e o custo de fornecer serviços de saúde, 1.157%.

Belocopitt defende que o aumento não se deve ao decreto propriamente: “Ele ia ocorrer de qualquer forma, porque a própria fórmula que está em vigência [assinada pelo governo de Alberto Fernández] também ia terminar colocando esse aumento”, o que se discutiu foi o tempo, afirmou ele ao canal A24.

Os próprios comunicados das operadoras aos clientes, porém, justificam que o aumento “foi possibilitado” ou foi feito “em conformidade” com o decreto, “com o objetivo de cobrir os custos produzidos fundamentalmente nos últimos meses como consequência de diversos fatores”.

Além da inflação, empresas como a Swiss Medical, Omint e Hominis citam entre esses fatores reajustes de salários e o encarecimento do dólar oficial promovido por Milei no último mês, que encareceu ainda mais os insumos importados como remédios e próteses, que já vinham em falta pelas restrições.

Os preços estavam controlados pela gestão de Fernández. As mensalidades eram limitadas a um índice de custos de saúde publicado pela Superintendência de Serviços de Saúde. O teto estipulado para janeiro era de cerca de 6%, mas, depois do decreto, dependerá da decisão de cada empresa.

A única regra imposta pela gestão de Milei é que, quando os planos forem regidos por faixa etária, a diferença entre a primeira e a última faixas poderá ser de até três vezes.

Já fazia tempo que as seguradoras reivindicavam esse sinal verde. Agora, elas terão que lidar com o dilema de compensar os custos e ao mesmo tempo correr o risco de perder clientes, o que já é esperado num contexto em que os argentinos estão cada vez mais pobres.

O fim dos controles, a desvalorização do peso e o aumento de impostos a importações e exportações por Milei causou uma onda de remarcações de preços em comércios e serviços nas últimas semanas, fazendo o poder de compra da população derreter ainda mais, dessa vez de forma repentina.

As medidas fazem parte do plano radical do presidente para resolver a crise econômica na Argentina, com uma inflação que ultrapassa os 160% anuais. Ele também já anunciou um forte corte de gastos estatais, com a suspensão de obras públicas e a redução de subsídios a energia e transporte.

“Aviso que vem mais”, disse o presidente nesta quinta (21). Ele pretende enviar um grande pacote de leis ao Congresso nos próximos dias, que deve incluir uma mudança no cálculo da aposentadoria e a expansão do imposto de renda. Também terá que negociar com parlamentares para manter o decreto.

Do blog do Ney Lopes

Na aviação, “céus abertos” significam acordos entre países, que permitem o “livre mercado” no transporte aéreo de passageiros, cargas, serviços e voos charter. O primeiro acordo de céus aberto foi assinado em 1992, entre os Estados Unidos e a Holanda.

Em 2010, o Brasil fez o seu primeiro acordo com o Zimbábue. Atualmente, o país faz acordos isolados, mas não adota os “céus abertos”, visando proteger as companhias aéreas nacionais.

O presidente Milei anunciou que a Argentina adotará os “céus abertos” com abertura para empresas estrangeiras operarem em voos externos e domésticos. Ele autorizou a transferência de ações da estatal Aerolíneas Argentinas para seus funcionários, abrindo caminho para uma futura privatização.

A grande questão é saber se a política de “céus abertos”, caso adotada no Brasil, baixaria os preços das passagens. Este é um assunto polêmico.

Uns argumentam que aumentaria a competição e, por esse motivo, diminuiria os preços das passagens. Já outros alegam que as leis trabalhistas e tributárias da maioria dos países sendo mais favoráveis, colocariam as companhias aéreas nacionais em desvantagem.

Os acordos de céu aberto incluem regras básicas. Não existem restrições aos direitos de rota internacional, número de companhias aéreas designadas, capacidade, frequências, e tipos de aeronaves.

A tarifa só pode ser recusada caso os governos concordem. As companhias aéreas dos países podem estabelecer escritórios de vendas em outro país e converter os ganhos, enviando-os sem restrições à origem da empresa. Cada governo concorda em seguir os altos padrões de segurança da aviação. 

A história da aviação brasileira foi marcada pela mão forte do Estado controlando o mercado. O ambiente esteve monopolizado por uma empresa no mercado internacional por décadas. Esse sistema causou tamanha falta de eficiência, que as três maiores empresas – Varig, Vasp e Transbrasil – não conseguiram permanecer no mercado.

Neste contexto, é perigoso o Brasil seguir a Argentina e liberar o mercado de aviação comercial. Isto exigiria regulação, que não afugentasse as empresas estrangeiras e não se transformasse em sepultura das nacionais. Não podemos sair de um extremo para outro.

Embora seja um país continental, a nossa renda per capita é baixa. Somos territorialmente grandes como os EUA e a Europa, mas não temos sequer a metade do tráfego aéreo de um dos dois. A pretendida redução do preço das passagens só poderá acontecer se houver aumento do nosso tráfego aéreo.

Em 2002, o Brasil tinha acordo com os Estados Unidos de 105 frequências semanais, ou seja, as empresas nacionais e americanas poderiam reciprocamente pousar nestas frequências. Os Estados Unidos utilizavam 93% de sua capacidade, enquanto o Brasil somente 47%.

Na verdade, não dispomos dos meios e recursos das nações desenvolvidas. Nestes países, o capital e a tecnologia estão disponíveis. Por outro lado, se nada for feito, fatalmente o consumidor brasileiro será o maior perdedor.

Este é um labirinto difícil de decifrar.

Do O Antagonista

Um tiroteio na Faculdade de Artes no centro de Praga, capital da República Tcheca, deixou ao menos dez mortos e 30 feridos, segundo a imprensa local.

A polícia indicou que a operação, ocorrida no fim da manhã desta quinta-feira, 21, acabou na morte do atirador na região de Náměstí Jan Palach, uma praça localizada no centro da capital. “O atirador foi eliminado!!! Todo o edifício está sendo evacuado e vários mortos e dezenas de feridos estão no local”, escreveu a polícia.

Dos 33 brasileiros que estavam na faixa de Gaza e agora estão com a repatriação em andamento, 16 tinham recebido uma proibição de Israel para voltar ao Brasil.

Segundo diplomatas, o ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, pediu a revisão dessa negativa no dia 9 de dezembro. E conseguiu convencer o governo israelense. Por isso, essas 16 pessoas – entre brasileiros e palestinos parentes de brasileiros – estão a caminho do país.

A negociação com Israel foi feita pelo Brasil em uma situação de conveniência de encontros pessoais entre autoridades: a posse de Javier Milei, na Argentina.

A cerimônia reuniu autoridades de vários países e foi lá que o ministro Mauro Vieira conversou com Eli Cohen, então chanceler israelense, pedindo a revisão da negativa de Israel para o grupo. A gestão diplomática foi levada em conta, Israel voltou atrás e liberou o retorno.

Uma tempestade com fortes ventos arrastou aviões, fechou o aeroporto de Buenos Aires e deixou um rastro de destruição na capital argentina e na região metropolitana na madrugada deste domingo (17), entre 2h e 4h. Pelo menos 15 pessoas ficaram feridas em uma festa no hipódromo da cidade, com a queda de uma estrutura.

Durante o dia deste sábado (16), ventos de 150 km por hora também deixaram pelo menos 13 mortos e diversos feridos no município de Bahía Blanca, ao sul da província de Buenos Aires, onde o teto de um clube desabou durante um evento esportivo. Árvores voaram, e grande parte da cidade ficou sem luz. As informações são da Folha de São Paulo.

Na capital, viralizaram nas redes sociais vídeos de aviões da companhia Aerolíneas Argentinas se movendo com o vento no Aeroparque, por onde grande parte dos brasileiros chega ao país. Imagens do interior do aeroporto também mostram tetos destruídos e objetos voando durante a tempestade.

O site da administradora Aeropuertos Argentina 2000 indica que quase todos os aviões que chegariam ali a partir das 4h foram cancelados ou deslocados para Ezeiza, a cerca de 40 minutos da capital, que seguiu operando, mas também teve voos atrasados, cancelados e desviados.

Segundo a empresa, a pista do Aeroparque foi reaberta por volta das 9h30, após a retirada dos destroços de telhados arrancados pelo vento, que ultrapassou os 100 km por hora. A assessoria de imprensa informou que houve danos em vários setores.

“A pista está operando, mas até agora [9h40] não chegou nem partiu nenhum voo. As operações serão normalizadas ao longo das horas, de acordo com as reprogramações feitas por cada companhia aérea”, afirmou.

Outras imagens da tempestade também mostram prédios altos se movendo pelo vento, dezenas de árvores caídas, marquises e placas derrubadas, assim como diversos cortes de eletricidade, em toda a Grande Buenos Aires.

Durante a noite deste sábado, antes dos estragos na capital, o governo de Javier Milei prestou condolências aos familiares das vítimas em Bahía Blanca, disse que estava monitorando “a delicada situação causada pela tormenta na província” e recomendou que a população ficasse em casa de madrugada.

“As rajadas de vento ultrapassaram os 150 km/h em Bahía Blanca, e há um alerta laranja em diferentes áreas da província de Buenos Aires. Neste momento, o gabinete nacional está trabalhando em conjunto com as autoridades provinciais e municipais na assistência às vítimas e no controle dos danos”, escreveu a Casa Rosada em nota nas redes sociais.

Os chilenos estão indo às urnas neste domingo (17) para o plebiscito que analisará a proposta de uma nova Constituição. O texto proposto visa substituir a atual Carta Magna chilena, que remonta à ditadura do general Augusto Pinochet, que governou o país de 1973 a 1990.

Nos locais de votação, que funcionarão até às 18h, os cidadãos receberão uma cédula com a pergunta: “Você é a favor ou contra o texto da Nova Constituição?” Eles deverão riscar uma linha vertical em apenas uma das alternativas: “A favor” ou “Contra”. Se mais de uma alternativa for marcada, será considerado um voto nulo. As informações são da CNN.

Neste plebiscito, o voto será obrigatório a todos os cidadãos chilenos com domicílio eleitoral no país.

Uma nova Constituição

Este novo plebiscito faz parte do processo constituinte iniciado em 2020 após uma onda de protestos contra o alto custo de vida e a desigualdade que um ano antes abalou o país sul-americano.

Em 2022, como parte de um processo fracassado, milhões de chilenos rejeitaram categoricamente a primeira nova proposta de Constituição em um plebiscito. Naquele momento, tanto o governo do presidente Gabriel Boric como a oposição prometeram avançar para a criação de uma nova Constituição.

Quase um ano depois, em setembro deste ano, o Conselho Constitucional do Chile, encarregado de preparar o texto, apresentou uma nova proposta que, segundo sua presidente, a oposicionista Beatriz Hevia, inclui as “demandas mais urgentes do Chile hoje e os desafios que temos para enfrentar o futuro: um Chile mais seguro, um Chile mais estável e menos corrupto e um Chile que possa emergir da estagnação económica e do progresso em ordem e paz”.

Esquerda x Direita

A atual proposta de Constituição é considerada por alguns analistas como mais conservadora do que a Constituição da ditadura. A primeira tentativa foi escrita por um órgão eleito pelo voto popular e dominado por vozes de esquerda.

O texto concedia proteções ambientais extensas e garantia uma ampla gama de direitos sociais. Mas, para muitos chilenos, ele era radical demais e foi rejeitado em setembro de 2022 pelos eleitores.

Na nova Assembleia Constituinte, dessa vez dominada pela direita, foi redigida uma proposta de 216 artigos, que coloca em seu centro os direitos de propriedade privada e regras rígidas sobre imigração e aborto, ou a manutenção da versão atual.

“É um texto que consolida o modelo econômico favorável ao mercado em vez de enfraquecê-lo”, pontua o cientista político Patricio Navia. “Foram quatro anos perdidos, acabamos no mesmo lugar onde começamos”, completou.

Para José Luiz Pizarro, de 74 anos, os maiores problemas no Chile hoje são o crime e a segurança, e não a política social, preocupações que primeiro impulsionaram o processo de reescrita da Constituição.

“A Constituição não resolverá esses problemas neste momento, mas com o tempo, sim, isso será resolvido com leis”, afirmou Pizarro.

Claudia Heiss, pesquisadora e cientista política da Universidade do Chile, disse que questões como crime, migração e estabilidade econômica assumiram o controle do debate público e o objetivo final que desencadeou o esforço para mudar a Constituição foi perdido.

Se a nova Constituição for aprovada, “não resolverá os problemas associados à agitação social”, disse Heiss.

Os proponentes no início do processo esperavam que uma nova Constituição ajudasse a inaugurar uma era de unidade no Chile, após uma onda de insatisfação pública que gerou grandes manifestações em 2019 sobre o aumento da desigualdade e o estado precário dos serviços públicos.

Mas as prioridades mudaram para muitos chilenos em meio a uma forte desaceleração econômica, cansaço com o processo constitucional e descontentamento com o aumento da criminalidade.

As campanhas durante a segunda reformulação também foram bastante silenciosas em comparação com os shows, campanhas de redes sociais e eventos públicos que marcaram o plebiscito do ano passado.

O apoio à nova proposta tem sido baixo nas pesquisas de opinião, mas ganhou terreno nas últimas semanas. Os últimos números da pesquisa do instituto Cadem mostraram que 38% aprovariam a nova Constituição, um aumento de seis pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada em meados de novembro, enquanto os que são contra caíram três pontos percentuais, para 46%.

Caso não seja aprovada, o presidente Gabriel Boric disse que não pressionará por uma terceira reformulação, mas poderia tentar emendar o texto atual.

Da Agência Brasil

A Petrobras informou que celebrou novo aditivo ao contrato de compra de gás natural com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), estatal boliviana que atua na área de exploração, produção e venda de petróleo e derivados. 

Segundo a companhia brasileira, o contrato foi assinado após o cumprimento de trâmites internos de governança. O aditivo altera o perfil de entregas do volume total de gás contratado pela Petrobras, em função da disponibilidade de gás para exportação pela YPFB.

Volume máximo

O contrato prevê a manutenção do volume máximo de 20 milhões de m³ por dia, com maior flexibilização dos compromissos firmes de entrega e recebimento de acordo com a sazonalidade e a disponibilidade da oferta.  

Segundo a Petrobras informou na noite dessa sexta-feira (15), os termos garantem “o fornecimento em equilíbrio contratual para as empresas e a possibilidade de venda adicional de gás pela YPFB para outros importadores brasileiros. Além disso, [há] maior segurança e previsibilidade de suprimento de gás ao mercado atendido pela Petrobras”.

Por Marcelo Tognozzi*

Nos últimos meses, em mais de 80 ocasiões, o presidente colombiano Gustavo Petro chegou muito atrasado ou simplesmente não apareceu em compromissos oficiais com autoridades, políticos e empresários. Abalado desde que seu filho Nicolás Petro foi preso e acusado pelo Ministério Público de receber dinheiro ilegal de narcotraficantes, o presidente vive um drama pessoal cujo desfecho é difícil de prever diante da confissão do filho sobre a campanha ter recebido dinheiro ilegal.

Primeiro presidente de esquerda eleito na Colômbia, Petro, ex-guerrilheiro do M19, derrotou o direitista Rodolfo Hernández e chegou ao poder celebrado por socialistas europeus, latino-americanos e ditadores caribenhos. Sua vice é Francia Márquez, afrodescendente, jovem, militante feminista e líder de movimentos sociais que atuam no campo e na cidade. Por enquanto, ela tem mantido discrição sobre os problemas de saúde do presidente, sobre os quais ele se nega a dar qualquer explicação.

Mas a ex-senadora Ingrid Betancourt, do partido Oxigênio Verde, ex-aliada de Petro, decidiu cutucar a ferida com força. Numa entrevista ao jornal “El Colombiano”, ela contou ter testemunhado uma depressão de Gustavo Petro quando ele vivia em Bruxelas. “Fui visitá-lo, ele estava caído no chão e sua mulher disse para eu voltar mais tarde, porque ele estava sem reação”, recordou sem descartar a possibilidade de Petro estar usando algum tipo de droga. O presidente leu a entrevista e correu para bater boca com Betancourt pelo X (antigo Twitter), afirmando que “Ingrid é uma das pessoas que eu não gostaria de ter conhecido na vida”. Ingrid Betancourt, então senadora, foi sequestrada e passou 6 anos em poder das FARC. Libertada numa ação do Exército colombiano, voltou à política e continua dizendo o que pensa sem qualquer censura.

O inferno astral de Gustavo Petro piorou muito com a derrota dos seus aliados nas eleições regionais de outubro passado, quando foram eleitos 32 governadores e 1.102 prefeitos. Os candidatos apoiados por Petro perderam de goleada em Bogotá, Medellín, Barranquilla e na maior parte do país. O cenário o deixa enfraquecido para a disputa presidencial de 2025, porque dá à oposição uma maior capacidade de mobilização e de pressão.

A oposição também tem sido dura nas críticas ao comportamento de Gustavo Petro em relação à crise do Essequibo. Até agora o presidente não tomou posição clara contra as ameaças do ditador Nicolás Maduro, que apoiou abertamente sua eleição em 2022. Maduro não é popular na Colômbia, mas goza de um prestígio acima do razoável junto ao governo, o que faz da omissão de Gustavo Petro um péssimo sinal.

O efeito desta tempestade foi imediato: as pesquisas de opinião publicadas em novembro mostraram a subida da desaprovação do presidente, que chegou a 60%, e agora, em dezembro, a pesquisa Invamer, publicada pelo El País, mostrou a rejeição batendo os 66%. A população reclama de falta de segurança, problemas na saúde pública e a rejeição de um acordo de paz total com grupos guerrilheiros remanescentes. Nos estádios de futebol os torcedores transformaram o “Fuera Petro” num grito capaz de unir rivais.

Desde meados deste ano, o presidente colombiano tem enfrentado um turbilhão puxado pela denúncia contra seu filho Nicolás, feita pela ex-nora Day Vásquez. Esta semana, Day fez um acordo de delação premiada com o Ministério Público, que decidiu investigar Gustavo Petro por financiamento ilegal de campanha. Day jura que um cartel de narcos irrigou a campanha do ex-sogro com dinheiro do tráfico de cocaína. Nicolás, seu ex-marido, também havia tentado um acordo de delação, mas desistiu e agora nega tudo o que afirmou à Justiça.

O Congresso abriu uma investigação que pode terminar em impeachment de Gustavo Petro, caso fique comprovado que sua campanha recebeu dinheiro de narcos. Normalmente os presidentes colombianos renunciam quando colocados diante de uma encruzilhada política. Se Petro terá este destino ou não, ainda não é possível avaliar, mas está claro que a combinação da crescente impopularidade com acusações de promiscuidade com narcos é nitroglicerina pura. Petro está perdido dentro do seu labirinto.

*Jornalista

Um deputado ucraniano detonou pelo menos duas granadas dentro de uma sala lotada em um prédio do governo local, em Transcarpátia, na região de Zakarpattia, no oeste da Ucrânia, nesta sexta-feita (15), segundo a Polícia Nacional da Ucrânia. De acordo com o jornal local Kyiv Post, pelo menos uma pessoa morreu e 26 ficaram feridas, sendo seis em estado grave.

O incidente está sendo investigado como um possível ataque terrorista, disse a polícia. As informações são do O GLOBO.

No vídeo, o homem entra na sala, puxa as duas granadas dos bolsos, remove seus pinos e as joga no chão. Rapidamente os presentes abaixam a cabeça e a sala é tomada por explosões, fumaça e gritos.

Confira

A polícia ainda não confirmou a identidade do autor do atentado, mas o jornal Ukrainska Pravda afirma que se tratava de Serhii Batryn, membro do conselho da aldeia do partido Servo do Povo.

O veículo Zakarpattia24 compartilhou um vídeo no qual Batryn aparece reclamando de outras autoridades locais. O jornal local também disse que Batryn já havia brigado com colegas sobre um aumento salarial durante a guerra para o chefe do conselho da aldeia.

O soldado israelense olha diretamente para a câmera, depois se vira e incendeia uma pilha de alimentos, que estava dentro de um caminhão, em Gaza. “Acendemos a luz neste lugar escuro e queimamos até que não haja nenhum vestígio de todo esse lugar”, diz ele enquanto outro soldado contribui para o fogo.

Os soldados dizem que estão em Shejaiya, um bairro da cidade de Gaza. Outro vídeo mostra militares queimando alimentos em um lugar onde a situação humanitária é gravíssima e as organizações internacionais alertam para o risco da população morrer de fome. As informações são da CNN.

Este vídeo é apenas um dos vários que circulam na internet que mostra soldados israelenses em Gaza se comportando de maneira ofensiva e desrespeitosa em relação à população civil.

Outras imagens mostram soldados saqueando casas, destruindo propriedades de civis e proferindo discurso de ódio.

Questionadas pela CNN sobre os vídeos, as Forças de Defesa de Israel não contestaram a sua veracidade, localização ou o envolvimento de soldados. O exército condenou o comportamento dos militares e disse não estar de acordo com as ações, acrescentando que eles serão punidos.

“As forças de Israel tomaram medidas e continuarão a agir para identificar a má conduta e comportamento que não se alinham com a moral e os valores esperados dos soldados”, afirmou em comunicado enviado à CNN.

Os vídeos, muitos deles publicados nas redes sociais, aparentemente pelos próprios soldados, estão aumentando o clamor internacional sobre a conduta das Forças de Defesa de Israel, à medida que a ofensiva militar contra o Hamas continua em Gaza.

Israel começou uma guerra após o ataque do Hamas em solo israelense, no dia 7 de outubro, quando mais de 1.200 pessoas foram mortas e cerca de 240 foram feitas reféns.

Desde o início da guerra, de acordo com o Ministério da Saúde administrado pelo Hamas em Gaza, 18.412 pessoas foram mortas em ataques israelenses.

Embora a CNN não possa verificar esse número de forma independente, as forças de Israel afirmaram ter atingido mais de 22 mil alvos em Gaza nas primeiras seis semanas da guerra.

Mesmo que o exército israelense afirme que não têm como alvo civis em Gaza, os vídeos mostram alguns de seus soldados desrespeitando as vidas dessas pessoas.

Em uma outra gravação, um soldado é visto vasculhando o guarda-roupa de uma mulher, inclusive suas roupas íntimas, fazendo comentários depreciativos e sexistas sobre as mulheres árabes.

Outra imagem mostra um soldado vandalizando uma loja no que ele diz ser Jabalya, uma cidade no norte de Gaza.

Um por um, ele pega os itens da loja, quebrando-os no chão e no balcão. A certa altura, ele pega duas bonecas da prateleira e quebra suas cabeças.

Em outros vídeos, soldados sorridentes são vistos destruindo carros civis com um veículo militar, andando de bicicleta infantil pelos escombros de um prédio destruído e zombando da falta de abastecimento de água em uma casa.

Uma foto mostra um militar parado ao lado de uma mensagem em hebraico, que foi pintada com spray num muro em Gaza que diz: “Em vez de apagar o graffiti, vamos apagar Gaza”.

Dror Sadot, da organização israelense de direitos humanos B’Tselem, disse que os vídeos são apenas um sintoma de um problema muito maior.

“É mais do que apenas desrespeito e desconsideração, é desumano”, disse ela à CNN. “E acho que não é surpreendente quando você ouve o que os políticos dizem sobre os palestinos em Gaza, sem diferenciar entre o Hamas e os civis”, acrescentou ela.

Sadot disse acreditar que a política das forças de Israel em relação a Gaza é de “vingança” pelo ataque do Hamas em 7 de outubro.

O choque da brutalidade do ataque reverberou em Israel, um país relativamente pequeno, com uma população de menos de 10 milhões. Muitos israelenses conhecem alguém que foi morto, que perdeu um parente ou amigo ou foi afetado de alguma outra forma.

“Como tem sido tão latente que Israel está realizando um ato de vingança sobre Gaza, não é uma surpresa que os soldados também estejam vindo em busca de vingança. Humilhar pessoas e propriedades, gravar esses vídeos”, disse ela.

A sociedade israelense ainda apoia esmagadoramente o exército e sua operação em Gaza, apesar do número crescente de mortes.

O general aposentado das Forças de Defesa de Israel, Ziv, disse à CNN que viu os vídeos e ficou tão perturbado com eles e que procurou os comandantes do exército encarregados pelos soldados envolvidos.

“Me disseram que o comandante da brigada punirá aqueles que fizeram isso assim que pararem de lutar”, informou ele.

Em sua declaração, o exército garante que “serão tomadas medidas disciplinares em relação aos soldados envolvidos”.

Na quinta-feira (14), imagens mostraram soldados israelenses cantando orações judaicas nos alto-falantes de uma mesquita na cidade de Jenin, na Cisjordânia. O exército disse que havia removido os envolvidos da atividade operacional e que seriam punidos.