Após declarar Lula ‘persona non grata’, Israel cobra desculpas e chama comparação de ‘promíscua e delirante’

Em uma nova escalada da crise, Israel voltou a cobrar um pedido de desculpas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o presidente brasileiro ter comparado a ação de Israel em Gaza, na Palestina, ao Holocausto – o extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial.

Em um post em português nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, classificou a comparação feita por Lula de “promíscua e delirante”, e reafirmou que Lula “continuará sendo persona non grata em Israel” até que se desculpe.

O governo Lula não pedirá desculpas e voltará a reprovar publicamente a ação de Israel em Gaza. A medida ocorre um dia depois de o próprio Katz ter declarado Lula “persona non grata”, em pronunciamento em hebraico ao lado do embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer.

Mais de 24 mil pessoas já morreram no conflito entre Israel e Hamas, que começou no início de outubro de 2023, após o grupo terrorista ter invadido o território israelense.

O termo “persona non grata” (alguém que não é bem-vindo, em tradução livre) é um instrumento jurídico utilizado nas relações internacionais para indicar que um representante oficial estrangeiro não é mais bem-vindo. O termo foi descrito no artigo 9 da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas.

Katz afirmou também que “a comparação do presidente brasileiro Lula entre a guerra justa de Israel contra o Hamas e as ações de Hitler e dos nazistas, que exterminaram 6 milhões de judeus, é um grave ataque antissemita que profana a memória daqueles que morreram no Holocausto”.

No final da semana, Lula classificou como “genocídio” e “chacina” a resposta de Israel na Faixa de Gaza aos ataques terroristas promovidos pelo Hamas no início de outubro. Ele comparou a ação israelense ao extermínio de milhões de judeus pelos nazistas chefiados por Adolf Hitler no século passado.

“O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula.

O petista fez a afirmação após ser questionado sobre a decisão de alguns países de suspender repasses financeiros à Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês. Lula deu as declarações durante entrevista em Adis Abeba, na Etiópia, onde participou nos últimos dias da 37ª Cúpula da União Africana e de reuniões bilaterais com chefes de Estado do continente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu no Palácio da Alvorada ministros do Palácio do Planalto, hoje, e discutiu a tensão diplomática com Israel. Depois do encontro, a orientação dos ministros era dizer que só o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comentaria o tema no governo.

Em dia sem agenda oficial divulgada, o petista recebeu em sua residência oficial os ministros Paulo Pimenta (Secom), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Márcio Macêdo (Secretaria-Geral), Jorge Messias (AGU) e o assessor especial Celso Amorim. As informações são do portal Poder 360.

O Itamaraty se irritou com a atitude do ministro de Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, de levar o embaixador brasileiro, Frederico Meyer, ao Museu do Holocausto. Segundo a reportagem, a percepção foi de que o país está tentando forçar uma escalada ainda maior da crise diplomática entre Brasil e Israel.

Em seu perfil no X (antigo Twitter), Israel Katz disse que o memorial representa o que “os nazistas fizeram aos judeus”, incluindo a seus familiares. Ele exibiu ao embaixador brasileiro um documento com o nome de seus avós, vítimas do regime nazista.  Kartz também disse que Lula é “persona non grata” (expressão para designar quando uma pessoa não é bem-vinda) em Israel até que se retrate pelas declarações.

Para o Itamaraty, a atitude “não existe” na diplomacia e o fato “não ajuda” na resolução da rusga diplomática. A diplomacia brasileira avalia que tudo seria uma tentativa de escalar ainda mais a tensão internacional com o Brasil. Apesar da irritação, o ministério prega calma para lidar com o assunto. Os diplomatas brasileiros ainda estão avaliando a situação, oficialmente.

A primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, usou uma rede social, hoje, para defender as falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito da guerra entre Israel e o grupo terrorista islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Ontem, Lula comparou ações de Israel em Gaza ao Holocausto – extermínio de judeus na Segunda Guerra Mundial, promovido pela Alemanha nazista.

“Não perdoaremos e não esqueceremos – em meu nome e em nome dos cidadãos de Israel, informei ao Presidente Lula que ele é uma ‘persona non grata’ em Israel até que ele peça desculpas e se se retrate”, escreveu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, nas redes sociais. As informações são do portal G1.

Na postagem na rede social X (antigo Twitter), Janja disse ter “orgulho” do marido – “que, desde o início desse conflito na Faixa de Gaza, tem defendido a paz e principalmente o direito à vida de mulheres e crianças, que são maioria das vítimas”.

“A fala se referiu ao governo genocida e não ao povo judeu. Sejamos honestos nas análises”, disse Janja sobre a fala de Lula. Janja ainda afirmou que Lula também teria se solidarizado com o direito à vida do povo judeu caso tivesse vivido no período da Segunda Guerra Mundial.

Nesta segunda-feira, o presidente esteve reunido com o seu assessor especial para assuntos internacionais, Celso Amorim, o ministro das Comunicações, Paulo Pimenta, e outros integrantes do governo para avaliar a resposta ao mal-estar deflagrado pela fala de Lula.

A principal consequência foi uma reprimenda feita pelo governo de Israel ao Brasil durante convocação do embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer.

Na saída, o chanceler de Israel, Israel Katz, disse que Lula é “persona non grata” em solo israelense até se retratar, e que ninguém irá comprometer o direito que Israel tem de se defender. Frederico Meyer também foi levado para uma visita ao Museu do Holocausto para que visse os crimes cometidos durante o período nazista.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, também se manifestou sobre as declarações de Lula comparando o Holocausto às ações militares de Israel e afirmou que o presidente brasileiro “traz uma grande vergonha a seu povo”.

“Acusar Israel de perpetrar um Holocausto é ultrajante e abominável”, escreveu Gallant no X (antigo Twitter). Em sua publicação, o ministro israelense lembrou que o Brasil “está ao lado de Israel há anos”, diferentemente de Lula. As informações são do O Antagonista.

“O presidente Lula apoia uma organização terrorista genocida – o Hamas, e ao fazê-lo traz grande vergonha ao seu povo e viola os valores do mundo livre”, acrescentou.

As declarações de Lula foram feitas neste domingo (18), durante entrevista a jornalistas no hotel em que está hospedado em Adis Abeba, capital da Etiópia. O presidente voltou a atacar Israel e comparou as operações militares na Faixa de Gaza ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler.

“Sabe, o que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino, não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, classificou como “vergonhosas” e “graves” as falas do petista. Para o premiê, as declarações “banalizam” o Holocausto e tentam “prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender”.

A  Confederação Israelita do Brasil (Conib) divulgou mais cedo uma nota em repúdio às declarações de Lula e classificou a fala do petista como uma “distorção perversa” da realidade. Afirmou ainda que as falas ofendem a “memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse neste domingo (18) que a comparação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a guerra entre Israel e Hamas e o nazismo é “vergonhosa”. Netanyahu afirmou ainda que vai convocar o embaixador brasileiro no país para uma “dura conversa de repreensão” na segunda-feira (19).

Lula comparou nesta manhã a operação militar de Israel na Faixa de Gaza com o extermínio de judeus realizado por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. “O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino, não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, declarou o presidente brasileiro a jornalistas em Adis Abeba, na Etiópia, onde esteve para participar da cúpula da União Africana. As informações são do Poder360.

Segundo o primeiro-ministro israelense, Lula “cruzou uma linha vermelha”. O líder político afirmou que Israel vai continuar lutando pela sua existência e a “garantia do seu futuro”.

“As palavras do presidente do Brasil são vergonhosas e graves. Trata-se de banalizar o Holocausto e de tentar prejudicar o povo judeu e o direito de Israel se defender”, disse Netanyahu.

O primeiro-ministro israelense e o ministro das Relações Exteriores do país, Israel Katz, decidiram em conjunto convocar o embaixador brasileiro Frederico Meyer para prestar esclarecimentos depois das falas de Lula.

O Poder360 procurou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e solicitou um posicionamento sobre as declarações de Benjamin Netanyahu, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. 

Conib se manifesta

A Conib (Confederação Israelita do Brasil) também criticou Lula neste domingo (18). Disse que o governo brasileiro “vem adotando uma postura extrema e desequilibrada” em relação à guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas.

Segundo a entidade, a posição reflete um abandono da “tradição de equilíbrio e busca de diálogo da política externa brasileira”. A Conib disse que “os nazistas exterminaram 6 milhões de judeus indefesos na Europa somente por serem judeus”. Por outro lado, “Israel está se defendendo de um grupo terrorista que invadiu o país, matou mais de 1.000 pessoas, promoveu estupros em massa” e “queimou pessoas vivas”.

A entidade conclui a nota pedindo “moderação aos dirigentes para que a trágica violência” no Oriente Médio não atinja o Brasil.

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, participou ontem da cerimônia de entrega de doações do governo brasileiro para a Acnur, a agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para refugiados, na Etiópia. Ela integra a comitiva que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo país.

As doações foram feitas através da ABC (Agência Brasileira da Cooperação), por iniciativa de Janja. Os itens serão destinados a campos de refugiados na região de Gambela, que acolhe mais de 385 mil pessoas. As informações são do Poder360.

Segundo o governo, foram entregues:

  • 65 purificadores de água portáteis, cada um com capacidade para purificar 5.600 litros de água por dia;
  • 10 toneladas de alimentos nutritivos desidratados;
  • 4 toneladas de arroz;
  • 4 toneladas de leite em pó produzidos e doados pelo MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra).

O combate à fome é uma das pautas centrais do governo Lula. O presidente busca formar uma aliança global para combater a fome e a pobreza. A iniciativa começou a ser trabalhada quando o Brasil assumiu a chefia do G20, grupo que reúne as maiores economias do planeta.

A construção da aliança tem uma importante etapa com a visita de Lula a Adis Abeba. A capital da Etiópia é a sede da 37ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da UA (União Africana). Ao discursar na cerimônia de abertura, no sábado (17), o chefe do Executivo disse ser “inadmissível que um mundo capaz de gerar riquezas da ordem de US$ 100 trilhões de dólares por ano conviva com a fome de mais de 735 milhões de pessoas”.

Conforme o governo, as doações entregues ontem refletem o apoio de Janja a ações e iniciativas em temas como a segurança alimentar e nutricional.

Na sexta-feira (16), Janja visitou o Centro de Alimentação Yetesda Birhan, na Etiópia. Ela estava acompanhada da primeira-dama do país, Zinash Tayachew, e da prefeita de Adis Abeba, Adanech Abebe. O centro existe há 4 anos e alimenta cerca de 37.000 pessoas por dia.

Um dia após se reunir com o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comparou os ataques de Israel na Faixa de Gaza ao massacre promovido por Hitler contra judeus no século XX. A declaração foi dada neste domingo (18), em coletiva de imprensa ao encerrar o giro do presidente brasileiro pela África.

Questionado sobre a suspensão recente de ajuda humanitária aos palestinos, chamou o que classificou de “mundo rico” de “essa gente” e rebateu: “Qual é o tamanho da consciência política dessa gente e qual é o tamanho do coração solidário dessa gente que não está vendo que na Faixa de Gaza não está acontecendo uma guerra, mas um genocídio?”, as informações são do Metrópoles.

Segundo ele, não é uma guerra entre soldados e soldados, mas “uma guerra de um Exército altamente preparado e mulheres e crianças”. “Se teve algum erro nessa instituição que recolhe dinheiro, puna-se quem errou, mas não suspenda a ajuda humanitária para o povo que está há tantas décadas tentando construir o seu Estado”.

E completou: “O que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”.

Estado Palestino

O Brasil defende na Organização das Nações Unidas (ONU) o reconhecimento do Estado Palestino como Estado pleno e soberano. A defesa da Palestina incluiu a Faixa de Gaza e Cisjordânia, com Jerusalém oriental como capital.

Neste domingo, Lula voltou a dizer que condena os ataques do Hamas contra civis israelenses, mas também criticou o governo israelense. “O Brasil condenou o Hamas, mas o Brasil não pode deixar de condenar o que o Exército de Israel está fazendo na Faixa de Gaza”.

Ele ainda creditou o conflito no Oriente Médio e a guerra na Ucrânia à falta de uma instância de deliberação. “Nós não temos governança”, considerou.

A Faixa de Gaza é governada pelo Hamas desde 2006, após o grupo vencer as eleições parlamentares daquele ano. Desde outubro de 2023, quando terroristas do Hamas praticaram atentados, há um conflito armado na região, com ataques diários de Tel Aviv. Hoje, a Autoridade Palestina não tem nenhuma influência em Gaza.

Um grupo com 20 grandes empresas globais de tecnologia — que inclui a OpenAI, criadora do ChatGPT, o Google, o X (ex-Twitter), o Tik Tok e a Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp) — anunciou na sexta-feira (16) a assinatura de um acordo para evitar que conteúdos enganosos gerados por inteligência artificial tenham interferência em eleições pelo mundo em 2024.

Segundo nota da assessoria de imprensa das companhias, as big techs firmaram o compromisso de “trabalhar colaborativamente em ferramentas para detectar e abordar a distribuição online desse conteúdo de IA, conduzir campanhas educacionais e fornecer transparência, entre outras medidas concretas”. As informações são da Folha de São Paulo.

O acordo foi divulgado em uma conferência de segurança em Munique, Alemanha, e teve as assinaturas das companhias Adobe, Amazon, Anthropic, Arm, ElevenLabs, Google, IBM, Inflection AI, LinkedIn, McAfee, Meta, Microsoft, Nota, OpenAI, Snap Inc., Stability AI, TikTok, Trend Micro, Truepic e X.

O documento com três páginas traz metas e princípios genéricos, como desenvolver a tecnologia para mitigar riscos, procurar detectar a distribuição de conteúdo enganoso e fornecer transparência ao público sobre a abordagem das empresas ao tema.

O acordo não faz citação a nenhum país e menciona que a preocupação é com mais de 40 países com mais de 4 bilhões de pessoas que terão eleições em 2024.

No Brasil, onde não há uma lei específica sobre o tema, a questão da inteligência artificial na campanha eleitoral deste ano deverá ser abordada em resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Uma minuta elaborada pela vice-presidente da corte, a ministra Cármen Lúcia, e que ainda deve passar por análise do plenário, indica que será obrigatório que os usuários informem o uso de inteligência artificial para geração de conteúdos.

As big techs, porém, insistiram, em audiência pública no TSE, que a responsabilidade pela identificação do uso de IA é dos candidatos e partidos, e não das empresas.

As empresas estabeleceram regras de uso exigindo a rotulagem de anúncios políticos que usam IA e proibindo conteúdo sintético que interfira no processo democrático ou questione a integridade do sistema eleitoral. Não há, porém, fiscalização sobre a aplicação das regras.

O ministro do TSE Floriano de Azevedo Marques Neto afirmou em meados de janeiro que a principal preocupação do tribunal brasileiro é com o falseamento de imagens e vozes de pessoas, nas chamadas deepfakes. “O fato é que a IA foi pouco presente no pleito de 2022 e quase nada em 2020”, disse.

No Brasil, as últimas eleições já foram marcadas pelo desafio de combater as fake news, que por vezes envolviam meramente informações descontextualizadas.

Para especialistas, embora a desinformação associada à política não seja novidade, a dificuldade de lidar com o problema pode se ampliar com o avanço da tecnologia, capaz de deixar um número maior de eleitores em dúvida sobre o que é mentira ou verdade.

Anna Makanju, vice-presidente de Assuntos Globais da OpenAI, disse que a companhia está comprometida “em proteger a integridade das eleições através da implementação de políticas que previnam abusos e melhorem a transparência em torno do conteúdo gerado por IA”, de acordo com a nota.

“Estamos ansiosos para colaborar com parceiros da indústria, líderes da sociedade civil e governos ao redor do mundo para ajudar a proteger as eleições do uso enganoso de IA”, completou.

O executivo do Tik Tok Theo Bertram afirmou que “é crucial para a indústria trabalhar em conjunto para proteger as comunidades contra IA enganosa neste ano eleitoral histórico”.

“Não podemos permitir que o abuso digital ameace a oportunidade geracional da IA de melhorar nossas economias, criar novos empregos e impulsionar o progresso na saúde e na ciência”, disse o presidente de Assuntos Globais do Google, Kent Walker, segundo a assessoria.

Nick Clegg, presidente de Assuntos Globais da Meta, afirmou que “este trabalho é maior do que qualquer empresa e exigirá um esforço enorme em toda a indústria, governo e sociedade civil”.

De acordo com um levantamento da Freedom House, em 2023, a inteligência artificial generativa foi usada em pelo menos 16 países para criar vídeos, imagens ou áudios com o objetivo de “semear dúvidas, difamar opositores ou influenciar o debate público”.

O Partido Novo apresentou uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por causa de discurso em que ele prometeu que o governo brasileiro aumentaria as doações para a Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA).

A representação foi protocolada na sexta-feira (16), pelo diretório nacional do partido, e teve como base um discurso feito por Lula durante visita à embaixada da Palestina, em Brasília, no dia 8 de fevereiro. As informações são do Estadão.

Vários países haviam suspendido repasses para a agência da ONU após denúncias de envolvimentos de funcionários da UNRWA no ataque do Hamas a Israel, que desencadeou o conflito. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, já pediu aos países que continuem a financiar a principal agência que fornece ajuda em Gaza.

Na ocasião, ele disse que dos 12 funcionários acusados de envolvimento no ataque, nove foram demitidos imediatamente, outro foi confirmado como morto e os outros estavam sendo identificados, mas que todos seriam responsabilizados, incluindo processos criminais.

O partido argumenta que, no discurso proferido na embaixada, Lula criticou a decisão de mais de 16 países de cortar o financiamento da UNRWA e afirmou que o governo faria um aporte adicional de recursos para a agência.

“O Novo vê este ato do presidente Lula com preocupação, pois no momento em que os maiores doadores da Agência retiram suas doações por suspeita de apoio ao Hamas, o Brasil sinalizar um aumento mostra para toda a comunidade internacional que somos cúmplices do terrorismo”, declarou Carolina Sponza, advogada do Novo.

Na representação, o Novo alega que Lula incorreu na prática de terrorismo ao tornar tal decisão pública. O partido também argumenta que apesar de o Brasil não ter formalizado a declaração de que o Hamas é uma organização terrorista, não há impedimento para que outros órgãos e o próprio poder judiciário o considerar.

Da Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na manhã deste sábado (17) na abertura da 37ª Cúpula da União Africana do Brasil, em Adis Abeba, na Etiópia. Em sua vigésima primeira visita ao continente africano, ele propôs iniciativas conjuntas para a proteção das florestas tropicais, entre elas uma rede de satélites para monitorar o desmatamento e a recuperação de áreas degradadas.

Lula também reiterou o compromisso do Brasil em promover uma governança efetiva e multilateral em áreas como inteligência artificial, considerando os interesses do Sul Global. Entre as parcerias prioritárias, ele mencionou o combate à fome, a promoção da soberania em saúde e o enfrentamento de doenças tropicais negligenciadas, tendo como meta a ampliação do acesso a medicamentos para evitar o “apartheid” de vacinas ocorrido durante a pandemia de covid-19.

“Venho para reafirmar a parceria e o vínculo do nosso país e do nosso povo com este continente irmão. A luta africana tem muito em comum com os desafios do Brasil. Mais da metade dos 200 milhões de brasileiros se reconhecem como afrodescendentes. Nós, africanos e brasileiros, precisamos traçar nossos próprios caminhos na ordem internacional que surge. Precisamos criar uma nova governança global, capaz de enfrentar os desafios do nosso tempo”, ressaltou o presidente.

“Cuidar também da saúde do planeta é nossa prioridade. O imperativo de proteger as duas maiores florestas tropicais do mundo, a Amazônica e a do Congo, nos torna protagonistas na agenda climática. Os instrumentos internacionais hoje existentes são insuficientes para recompensar de forma eficaz a proteção das florestas, sua biodiversidade e os povos que vivem, cuidam e dependem desses biomas.”

Lula celebrou a presença da União Africana como membro pleno do G20, mas defendeu a inclusão de mais países do continente como membros plenos. Ele expressou o compromisso do Brasil em colaborar com a África no desenvolvimento de programas educacionais, saúde, meio ambiente e ciência e tecnologia. Além disso, anunciou planos para ampliar o intercâmbio de estudantes africanos nas instituições de ensino superior brasileiras e fortalecer a cooperação em áreas como pesquisa agrícola e saúde.

“Com seus 1 bilhão e 500 milhões de habitantes, e seu imenso e rico território, a África tem enormes possibilidades para o futuro. O Brasil quer crescer junto com a África, mas sem ditar caminhos a ninguém.”

Em relação às crises internacionais, o presidente voltou a defender uma solução duradoura para o conflito Israel-Palestina, com o avanço na criação de um Estado palestino reconhecido pelas Nações Unidas, e destacou a necessidade de reformas na ONU para garantir uma representação mais equitativa, incluindo países da África e América Latina no Conselho de Segurança.

“Ser humanista hoje implica condenar os ataques perpetrados pelo Hamas contra civis israelenses, e demandar a liberação imediata de todos os reféns. Ser humanista impõe igualmente o rechaço à resposta desproporcional de Israel, que vitimou quase 30 mil palestinos em Gaza – em sua ampla maioria mulheres e crianças – e provocou o deslocamento forçado de mais de 80% da população”, destacou Lula.

“A solução para essa crise só será duradoura se avançarmos rapidamente na criação de um Estado palestino. Um Estado palestino que seja reconhecido como membro pleno das Nações Unidas.”