Por Houldine Nascimento
Do Poder360
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, será candidato ao Planalto pela 8ª vez. O petista oficializa a entrada na disputa à reeleição neste domingo (2), no Expo Center Norte, na Vila Guilherme, em São Paulo (SP). O evento iniciou às 10h.
Lula foi candidato em 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2018 e 2022. Em 2018, estava preso e teve o nome barrado pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa. Quando disputou para valer, o petista perdeu três vezes (1989, 1994 e 1998) e venceu em outras três ocasiões (2002, 2006 e 2022). Se reeleito, será o mais velho no posto: faz 81 anos em outubro deste ano. Lula também será o primeiro brasileiro a vencer quatro eleições diretas para presidente.

O Brasil já teve nove eleições presidenciais que permitiam dois turnos. Um petista sempre ficou como 1º (5 vezes) ou 2º colocado (4 vezes), mas nunca houve uma vitória petista no 1⁰ turno. É um trauma que Lula carrega. Pensou que levaria na 1ª rodada de votação em 2006. Não conseguiu.
Em 1989, Lula perdeu para Fernando Collor de Mello (PRN) no 2º turno. O adversário obteve 53,03% dos votos válidos. Collor sofreu impeachment em setembro de 1992 depois de o Congresso Nacional considerar procedente a denúncia por crime de responsabilidade. O caso envolvia uso de contas-fantasma para despesas pessoais.
Lula foi derrotado no 1º turno em 1994 e 1998. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) venceu nas duas ocasiões. Dessa disputa, nasceu uma rivalidade entre PT e PSDB no plano nacional, que arrefeceu com o ocaso dos tucanos.
A primeira vitória de Lula se deu em 2002. O petista deu uma repaginada no visual, passando a usar com frequência ternos, gravatas e a aparar a barba. Em síntese, suavizou a imagem.
O marqueteiro Duda Mendonça (1944-2021) esteve à frente dessa estratégia que levou o PT ao Planalto. Criou o slogan “Lulinha paz e amor” para acalmar setores mais conservadores, o mercado financeiro e a classe média. Resultado: Lula derrotou o ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB) no 2º turno ao obter 61,27% dos votos válidos.
Em 2006, o petista desbancou o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB). Tinha a expectativa de ser reeleito ainda no 1º turno, o que não se concretizou — recebeu 48,61% dos votos válidos.
Naquela ocasião, Lula nem compareceu aos debates antes da 1ª votação. Mesmo com o governo envolto no Mensalão — esquema com suborno a congressistas em troca de apoio político.
Com o baque, o presidente teve de sair da zona de conforto e ir aos debates. No confronto direto, a votação de Alckmin encolheu no 2º turno (39,17% dos votos válidos) e Lula atingiu 60,83%.
Padrinho de Dilma
Lula apadrinhou a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Os elevados níveis de aprovação do seu 2º mandato ajudaram a aliada a ser eleita a primeira mulher presidente do Brasil, em 2010.
Dilma também foi reeleita em 2014, numa disputa polarizada com o então senador mineiro, Aécio Neves (PSDB). Fez um governo frágil e foi alvo de impeachment depois que o Congresso concluiu que houve crime de responsabilidade pelas chamadas “pedaladas fiscais”. Ela deixou o Planalto em definitivo em 31 de agosto de 2016. Michel Temer (MDB), eleito vice na chapa petista, ficou no cargo até 1º de janeiro de 2019.
Inferno astral petista
Além do impeachment de Dilma, o PT e as esquerdas tiveram de lidar com a prisão de Lula durante a operação Lava Jato, em 2018. Ele ficou 580 dias preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019.
Lula foi condenado pelo ex-juiz Sergio Moro em 2018 pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, apurado pela Lava Jato. A pena, antes estabelecida por Moro em 9 anos e 6 meses, foi aumentada em 2ª Instância pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) para 12 anos e 1 mês.
À época, havia a expectativa de que sua sentença pudesse ser reduzida para 4 a 6 anos. No entanto, veio a 2ª condenação de Lula, em fevereiro de 2019, pelo caso do sítio em Atibaia (SP). A juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal do Paraná, somou à pena mais 12 anos e 11 meses. O TRF-4 aumentou o tempo de prisão para 17 anos, 1 mês e 10 dias.
Lula foi solto em 8 novembro de 2019. O Supremo Tribunal Federal havia determinado que a pena só pode ser cumprida depois do chamado “trânsito em julgado”, ou seja, quando não cabe mais recurso. As condenações foram posteriormente anuladas pelo STF.
Em abril de 2021, o plenário da Corte confirmou, por 8 votos a 3, a decisão do ministro Edson Fachin, que anulou todas as ações penais contra Lula ao declarar incompetência da vara de Curitiba para julgar os casos. Lula recuperou os direitos políticos. Em junho de 2021, o STF confirmou, por 7 votos a 4, que Moro agiu com parcialidade na ação do tríplex do Guarujá.
Em razão da prisão de Lula e a consequente inelegibilidade, o candidato a vice, Fernando Haddad (PT), assumiu a cabeça de chapa em 2018. Perdeu no 2º turno para Jair Bolsonaro (à época no PSL), que recebeu 55,13% dos votos válidos.
Retorno ao planalto
A polarização petista passou a ser com o bolsonarismo. Em 2022, Lula teve Alckmin como vice na chapa que concorreu ao Planalto. O adversário e crítico de outrora passou a ser um aliado e o ajudou na campanha vitoriosa: Lula foi eleito ao obter 50,90% dos votos válidos (ou 60.345.999 votos) no 2º turno.
Bolsonaro recebeu 49,10% dos votos válidos (ou 58.206.354 votos). Em 2026, Lula terá o senador Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário na corrida presidencial. Há uma tentativa de colar no filho mais velho de Bolsonaro a pecha de “entreguista” e “traidor da pátria” pela proximidade com o presidente dos EUA, Donald Trump. O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, busca novamente aproveitar o discurso nacionalista em razão do tarifaço sobre produtos brasileiros e por conta do Pix.
O chefe do Executivo terá o maior número de partidos de esquerda e centro-esquerda em sua aliança já no 1º turno: PT, PC do B, PV, PSB, PDT, Psol e Rede. Um fato-novo desde 1989.
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